Patriarca da Odebrecht relata reunião com Lula sobre reformas em sítio de Atibaia

O patriarca da maior construtora do país, Emílio Odebrecht, afirmou, em sua delação premiada da Lava Jato, que teve uma reunião com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, para confirmar que as obras do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), ficariam prontas em um mês. Era final de 2010, término do segundo mandato. Os delatores revelaram que executaram uma reforma de R$ 1 milhão na propriedade a pedido da ex-primeira dama Marisa Letícia.
Emílio contou aos procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato que, no encontro, o petista não teria ficado surpreso com a informação. “Eu disse: olhe, chefe, o senhor vai ter uma surpresa e vamos garantir o prazo que nós tínhamos dados no problema lá do sítio”. Anotações e e-mails foram entregues pelo delator, como forma de comprovar a reunião. A Lava Jato sustenta que o sítio em Atibaia, no interior de São Paulo, é patrimônio oculto do ex-presidente Lula, registrado em nome de dois sócios de seus filhos. Lula nega.
Segundo o depoimento de Alexandrino Alencar, que seria a ponte entre Emílio e Lula, a ex-primeira dama teria pedido, durante um evento de celebração do aniversário de Lula, em 2010, que a construtora ajudasse a terminar as reformas. O executivo teria informado Emílio sobre a solicitação. “Alexandrino me avisou do pedido de Dona Marisa e me disse para não comentar nada com o ex-presidente, pois Dona Marisa havia informado que o sítio era uma surpresa”, apontou.
“Pedi a Alexandrino que conversasse com algum empresário nosso para identificar um engenheiro da Odebrecht que pudesse coordenar as obras, mas que nossa participação não fosse revelada, para evitar qualquer constrangimento, e assim foi feito”, garantiu. Emílio Odebrecht ainda relatou que, da "parte dele", o segredo foi mantido "até o final do mandato do ex-presidente", quando houve a reunião no Planalto.
O valor final da obra, de acordo com as delações da empreiteira, foi de R$ 1 milhão. Os executivos revelaram ainda ter combinado a emissão de notas frias com o advogado de Lula, Roberto Teixeira, em nome de Fernando Bittar, para que a defesa pudesse argumentar que o imóvel não é do ex-presidente e que as reformas foram bancadas por Fernando.

Delator diz que ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma de sítio em Atibaia

Delator diz que ajudou advogado de Lula a ocultar que Odebrecht executou reforma de sítio em Atibaia

Delator diz que comprou cofre para guardar dinheiro da obra na propriedade frequentada pela família de Lula; Instituto Lula afirmou que "o sítio não é de propriedade do ex-presidente".

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Por Fabiano Costa, G1, Brasília

Delator diz que cuidava de reformas no sítio em Atibaia e confirma que seria para Lula
Responsável pela obra do sítio de Atibaia (SP) frequentado pela família do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o engenheiro civil Emyr Costa contou à Procuradoria Geral da República (PGR) que ajudou a elaborar um contrato falso para esconder que a Odebrecht havia executado a reforma da propriedade rural. Costa relatou ainda que comprou um cofre para guardar R$ 500 mil repassados, em espécie, pela empreiteira para executar a obra (veja no vídeo acima a partir do minuto 12).
O sítio está registrado em nome dos empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar, sócios do filho do ex-presidente, Fábio Luis Lula da Silva. No entanto, os investigadores da Lava Jato dizem que há indícios de que a propriedade pertenceria ao ex-presidente da República e de que a escritura apenas oculta o nome do verdadeiro dono.
Em janeiro, a Polícia Federal pediu ao Ministério Público Federal para prorrogar o prazo de encerramento do inquérito que investiga o caso.
O Instituto Lula afirmou que "o sítio não é de propriedade do ex-presidente". "Seus donos já provaram tanto a propriedade quanto a origem lícita dos recursos que utilizaram na compra do sítio", diz a nota.
Segundo Costa – que atuava como engenheiro da Odebrecht Ambiental –, ele usou o dinheiro para pagar, semanalmente, a equipe de engenheiros e operários e os materiais de construção da reforma do sítio.
Emyr Costa contou detalhes da obra em depoimento de delação premiada com o Ministério Público. Ele é um dos 78 executivos e ex-dirigentes da empreiteira que fizeram acordo com a PGR para relatar irregularidades cometidas pela construtora em troca de eventual redução de pena.
Em um dos trechos do depoimento de 32 minutos à PGR, o engenheiro explicou aos procuradores como auxiliou o advogado Roberto Teixeira – amigo do ex-presidente – e o ex-dirigente da Odebrecht Alexandrino Alencar a redigir um contrato falso para maquiar o envolvimento da construtora na reforma do sítio.
Conforme o delator, na reunião com Teixeira e Alexandrino, ele informou que as despesas da obra seriam pagas em dinheiro vivo e que seria subcontratada uma empreiteira menor para executar o serviço.
Em meio à conversa, destacou Costa, Roberto Teixeira sugeriu que o engenheiro procurasse o empreiteiro para elaborar um contrato de prestação de serviços em nome do proprietário que aparece na escritura do imóvel, Fernando Bittar.
Diante da proposta do advogado, contou o delator, ele próprio sugeriu que fosse colocado no contrato um valor inferior aos R$ 700 mil que foram gastos na obra. Emyr Costa explicou que decidiram definir que a reforma havia custado R$ 150 mil para que ficasse compatível com a renda de Bitta.
"Eu fui lá para que não aparecesse que foi feito pela Odebrecht em benefício de Lula. Vai lá e faz um contrato entre Bittar e Carlos Rodrigo do Brato, que tem uma construtora e, nesse mesmo objeto, eu declarei: sauna, coloca um valor até mais baixo para ser compatível com a renda do Bittar", observou Costa.
"A gente colocou mais baixo que os 700 mil [reais]. Colocamos 150 mil e eu fiz o contrato pessoalmente, marquei uma reunião, levei o contrato, pedi para ele assinar e emitir uma nota no valor do contrato. Ele me devolveu e eu e eu voltei um dia antes para o senhor Roberto Teixeira eu fui sozinho e me registrei novamente na portaria", complementou.
Delator diz que cuidava de reformas no sítio em Atibaia e confirma que seria para Lula
Cofre
Emyr Costa afirmou que foi destacado para coordenar a obra do sítio no final de 2010 em uma conversa com o executivo Carlos Paschoal, responsável pelas operações da Odebrecht em São Paulo. Segundo o engenheiro, à época ele comandava os projetos de saneamento da construtora entre São Paulo e São Caetano do Sul, município do Grande ABC.
Ele explicou à PGR que a Odebrecht entregou a ele R$ 500 mil em espécie para que ele administrasse a reforma do sítio. O delator disse aos procuradores que nunca tinha visto tanto dinheiro vivo.
A cifra elevada fez com que ele decidisse comprar um cofre para guardar o dinheiro. Costa destacou que, todas as semanas, sacava R$ 100 mil do cofre para entregar à empresa subcontratada para fazer a reforma.
“Eu peguei toda informação e mostrei para Carlos Paschoal e disse que era necessário 500 mil [reais]. Ele me autorizou a começar o trabalho e disse que ia entregar o dinheiro através dessa equipe de operações estruturadas. Ele pediu para ligar para a senhora Maria Lúcia Soares. Eu nunca tinha feito uma obra dessa natureza e comprei um cofre. Semanalmente, eu entregava R$ 100 mil. Eu recebi esse dinheiro em espécie”, contou o delator.
"[Paschoal] me disse que era para eu destacar um engenheiro de confiança para mandar até o apartamento do Lula e fosse até o sitio de Atibaia fazer umas reformas. Essa reunião foi na construtora", disse Emyr Costa aos procuradores, ressaltando que ouviu de seu chefe que a propriedade também era utilizada por Lula.
Reforma
O engenheiro contou no depoimento que a reforma do sítio de Atibaia incluiu a construção de uma casa para os seguranças da Presidência da República que atuavam na equipe de Lula, suítes na casa principal, duas áreas de depósitos para adega e quarto de empregada, sauna, conserto de vazamento da piscina e conclusão de um campo de futebol.
Dono da Odebrecht, o empresário Emilio Odebrecht afirmou em depoimento, no acordo de delação premiada, que a reforma do sítio de Atibaia custou à construtora cerca de R$ 700 mil (veja no vídeo abaixo, a partir do minuto 7).
Petição 6780 - Emilio Odebrecht - Lula e Paulo Okamotto - vídeo 2
Emílio afirmou, ainda, que a propriedade sempre foi tratada dentro da empresa como se pertencesse ao ex-presidente da República. Segundo o empresário, foi a ex-primeira-dama Marisa Letícia quem pediu ajuda para concluir as obras, que já estavam em andamento no sítio.
O pedido, relata Emílio, foi feito em 2010, no último ano do segundo mandato de Lula na Presidência da República.
No ano passado, o instituto já havia se pronunciado sobre o sítio, afirmando que o ex-presidente frequenta o local desde que encerrou o mandato (em 2011); que o sítio pertence a "amigos da família"; e que "a tentativa de associá-lo a supostos atos ilícitos tem o objetivo mal disfarçado de macular a imagem do ex-presidente".
Recibos
Em março do ano passado, a Polícia Federal encontrou no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo (SP), documentos referentes a intervenções e reformas no sítio de Atibaia. Na ocasião, os investigadores afirmaram ter encontrado recibos de compras no Depósito Dias Materiais de Construção Ltda em favor do engenheiro Igenes dos Santos Irigaray Neto e cujo local de entrega indica o endereço do sítio Santa Bárbara.
À época, a ex-proprietária do depósito disse que a Odebrecht pagou as compras para a reforma do imóvel. Ela destacou ainda que Irigaray Neto teria sido contratado por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, um dos réus da Lava Jato.
Na mesma operação de busca e apreensão, os policiais localizaram com a família de Lula um documento intitulado “Sítio Atibaia” que, de acordo com a PF, continha “anotações possivelmente referentes a cronograma de obras; desenhos de plantas e projetos”.
Havia ainda um “pedido de capa de piscina” elaborado pela empresa Acqua Summer Piscinas, em Atibaia, em 18 de janeiro de 2011, em nome do servidor da presidência Rogério Aurélio Pimentel, que atua como assessor de Lula. Pimentel comprou o objeto por R$5 50. A encomenda foi entregue no Sítio Santa Bárbara.
Em sua delação premiada, Emyr Costa contou para a Procuradoria Geral da República que viu pela "televisão" que, na operação no apartamento de Lula, a PF havia apreendido vários recibos do sítio frequentado pela família do ex-presidente.
Ele informou aos procuradores que a maioria do material de construção usado na reforma foi comprado em Atibaia. Segundo ele, apenas a sauna instalada na propriedade foi adquirida fora do município.
O engenheiro relatou que, até a equipe da Odebrecht assumir a reforma, quem estava à frente da obra era um grupo de arquitetos contratos por Bumlai.

"Esse arquiteto tinha feito projeto principal, que era das quatro suítes. Isso já estava sendo feito, nosso trabalho foi de conclusão da obra", enfatizou.

Tito Guarniere - A trapalhada da carne fraca

TITO GUARNIERE
​A TRAPALHADA DA CARNE FRACA
Há um mês atrás a Polícia Federal botou em cana quase 30 agentes sanitários e dirigentes de empresas na Operação Carne Fraca. Estariam mancomunados para vender, no mercado interno e no exterior, carne com prazo de validade vencida, contaminada de bactérias, além de usar papelão para encher linguiças e outros embutidos. Foi uma operação espetacular, como manda o figurino atual, feita com ampla cobertura da mídia, causando revolta entre os consumidores e previsível reação dos mercados compradores internacionais.
Não demorou e logo se viu que não era nada daquilo. A Polícia Federal, o Ministério Público e juízes, com sangue nos olhos para combater o mal, porém imprudentes e desatentos, ignorando medida e proporção, haviam transformado irregularidades pontuais em um escândalo de proporções épicas.
Nenhum dos afoitos e descuidados agentes do Estado, provavelmente, conhecia algum caso recente de intoxicação alimentar por causa da carne de gado ou de frango, ainda que fosse por ouvir dizer. Nenhum deles quis saber de que modo foi possível sair por aí vendendo carne podre – cujo cheiro é inconfundível - sem que ninguém tenha notado. E nem de longe cogitaram de como o Brasil poderia ter chegado a posição invejável no mundo, no comércio de proteína animal, sem cumprir o dever de casa, que começa na obediência estrita das normas sanitárias. Nenhum deles parou para pensar. Simplesmente tocaram bala.
As consequências foram desastrosas para os produtores de carne e para o País. Imediatamente, mais de dez países declararam a carne do Brasil sob suspeição, cancelando pedidos, mandando investigar de perto, e ameaçando suspender definitivamente a compra de fornecedores brasileiros.
As empresas do segmento e o governo tiveram que sair às pressas apagando incêndios pelo mundo, tentando diminuir o impacto da denúncia e mostrando o que era a mais simples verdade: a operação carregou nas tintas, exagerou na dose. Tudo indica que a “crise” foi debelada pela pronta intervenção do governo e das empresas. Tudo voltou ao normal, mas não sem antes causar um grave prejuízo às exportações nacionais, sem provocar um susto desnecessário, que poderia ter sido de consequências devastadoras, no instante em que o País tenta a duras penas sair da recessão.
A Operação Carne Fraca desapareceu da mídia. Não se sabe se existe ainda alguém preso. Não se ouve falar nada de quem bolou a malfadada “blitz”, de quem a executou, de que autoridades assinaram os papéis da ação mal ajambrada.
Entre mortos e feridos todos se salvaram, inclusive as autoridades responsáveis pela operação. Não pediram desculpas, não receberam nenhuma advertência pela ação temerária e mal calculada, não tiveram (nem terão) nenhum prejuízo nos seus bons salários e continuarão levando vida normal. Talvez sintam algum remorso na hora de traçar uma picanha suculenta ou uma costela gorda e macia – mas só pelo medo de engordar. Eles – os autores da patacoada – podem saborear carne brasileira à vontade que não lhes causará nenhum mal.

titoguarniere@terra.com.br

Marcelo S. Portugal: Odebrecht e o capitalismo de compadres

Marcelo S. Portugal: Odebrecht e o capitalismo de compadres
Professor titular na UFRGS, Ph.D. em Economia

O capitalismo gerou o maior desenvolvimento já visto na história humana. Desde seu início, o nível de renda da população do planeta Terra cresce aceleradamente. O padrão de vida das pessoas e os indicadores sociais melhoraram mais nos últimos 250 anos do que em toda a história da humanidade até então.

O capitalismo é um sistema de competição. No qual empresas competem no mercado tentando obter lucros ao oferecer bens e serviços que são mais baratos ou melhores que aqueles produzidos pelos seus concorrentes. É a competição, o mercado, os consumidores que determinam quais são as empresas bem-sucedidas. Aquelas que lucram mais e prosperam.

No Brasil tem se intensificado nos últimos anos uma espécie de capitalismo distinto. É o chamado Capitalismo de Compadres ou Capitalismo de Laços ou ou Capitalismo de Estado ou ainda, como chamam os ingleses, Crony Capitalism. Nele, Estado controla e regula muitos setores econômicos, seja diretamente, através de empresas estatais, ou por meio de regulações ou ainda pela concessão de subsídios creditícios ou tributários. No Capitalismo de Compadres, não há uma competição livre entre as empresas. Ao contrário. O Estado cria dificuldades para vender facilidades.

Os vídeos das delações premiadas da Odebrecht são uma aula sobre o funcionamento das entranhas do Capitalismo de Compadres. O empresário "ajuda" o agente político e, em troca, o agente político "ajuda" a empresa. Além do fato jurídico de que essa ajuda é, na verdade, corrupção, há um fato econômico relevante. Embora o Capitalismo de Compadres seja melhor do que o socialismo puro do ponto de vista da geração de progresso para o país, ele não é capaz de tornar o Brasil um país desenvolvido.


Precisamos de uma nova rodada de liberalização comercial, de desregulamentação de mercados, principalmente na área trabalhista, de eliminação dos subsídios creditícios e tributários destinados aos amigos do rei. Como disse Mário Covas nos anos 90, o Brasil precisa de um choque de capitalismo.

Artigo, Ricardo Noblat - Primeiramente, fora Lula !

Primeiramente, fora Lula!, (por RICARDO NOBLAT, em O GLOBO)
Publicado em 16/04/2017 14:05 e atualizado em 17/04/2017 09:51

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las

Quem foi Marcelo Odebrecht? O mandachuva do país durante o reinado do PT? O chefe de uma sofisticada organização criminosa? Ou o “bobo da corte” afinal preso e forçado a delatar?

E Lula, quem foi? O primeiro operário a chegar ao poder? O maior líder popular da História? Ou o presidente que fez da corrupção uma política de Estado?

Marcelo será esquecido. Luiz Inácio Odebrecht da Silva, jamais.

Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição do presidente Fernando Collor de Melo, o deputado Ulysses Guimarães (PMDB-SP), ex-condestável do novo regime, almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula. “Como vai Lula?”, perguntou Ulysses. Fafá passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor.

E contou: “Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando”. Ulysses quis saber: “Tem piscina na casa de Lula?” Fafá explicou: “Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira”. Ulysses calou-se. Depois comentou com amigos: “O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios”. Na mosca!

Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las.

O poder sempre o fascinou. E para conquistá-lo e mantê-lo, mandou às favas todos os escrúpulos que não tinha.

Os que o cercam em nada se surpreenderam com a figura que emerge das delações dos executivos da Odebrecht.

É um pragmático, oportunista, que se revelou um farsante. Emilio, o patriarca dos Odebrecht, decifrou Lula muito antes de ele subir a rampa do Palácio do Planalto. Conquistou-o com conselhos e dinheiro.

Perdeu nas vezes em que ele foi derrotado. Recuperou o que perdeu e saiu com os bolsos estufados quando Lula e Dilma governaram. Chamava-o de “chefe”. Emílio era o chefe.

Nos oito anos da presidência do ex-operário que detestava macacão e sonhava com gravatas caras, o país conviveu com o Lula que pensava conhecer e, sem o saber, também com Luiz Inácio Odebrecht da Silva, só conhecido por Emílio e alguns poucos.

“Cuide do meu filho”, um dia Lula pediu a Emílio. Que retrucou: “Cuide do meu também”. Emílio cuidou de Fábio. Lula, de Marcelo.

De Lula cuidaram Emílio e Marcelo, reservando-lhe uma montanha de dinheiro em conta especial para satisfazer-lhe todas as vontades. Lula retribuiu com decisões governamentais que fizeram a Odebrecht crescer muito mais do que a Microsoft em certo período.

A Odebrecht pagou a Lula, e Lula pagou a Odebrecht, com a mesma moeda – recursos públicos. Quem perdeu com isso?

A Odebrecht ganhou mais dinheiro à custa de Lula do que ele à custa dela, mas Lula foi mais esperto. Criou seu próprio banco, administrado pela empreiteira. E quando precisava sacar, outros o faziam em seu nome.

Imagina não ter deixado impressões digitais nas negociatas em que se meteu. A polícia já identificou muitas. E outras serão identificadas antes do seu depoimento em Curitiba.

Corrupção mata. Mata sonhos, esperanças, alucinações. Mata o passado, o presente e compromete o futuro. Mata também de morte morrida à falta de saneamento, hospitais, escolas, segurança pública. A impunidade mata tanto ou mais.


 hora e a vez são da Justiça. E ela será julgada pelo que fizer ou deixar de fazer.

Veja os indiciados

Alessandra Klass Guimarães Martins
Alice Mitico Nojiri Gonçalves - Esposa de Daniel Gonçalves Filho, atua na parte de lavagem de capitais dos valores ilícitos recebidos pelo marido, segundo a PF
Andre Luis Baldissera - Diretor da empresa BRF (BR FOODS S/A)
Antonio Garcez da Luz - Fiscal federal agropecuário
Arlindo Alvares Padilha Junior - Agente de Polícia Federal, lotado em Foz do Iguaçu
Brandízio Dario Junior
Carlos Cesar - Agente de inspeção federal
Celso Dittert de Camargo
Charlen Henrique Saconatto
Daniel Gonçalves Filho - Fiscal agropecuário e atuou como Superintendente Regional do MAPA
Daniel Ricardo dos Santos
Dinis Lourenço da Silva - Fiscal federal agropecuário
Edson Luiz Assunção - Fiscal Federal Agropecuário
Eduardo Vilela Magalhães
Fábio Zanon Simão - Advogado
Fabiula de Oliveira Ameida
Flavio Evers Cassou - Funcionário da empresa Seara Alimentos Ltda
Francisco Carlos de Assis - Médico veterinário e fiscal federal agropecuário
Frederico Augusto de Azevedo Lima - Sócio nas empresas Curtume Centro Oeste Ltda e Gaia Curtume Ltda
Gercio Luis Bonesi - Fiscal federal agropecuário
Gil Bueno de Magalhães - Fiscal federal agropecuário
Heuler Iuri Martins
Idair Antonio Piccin - Um dos proprietários da empresa Produtos Frigoríficos Peccin Ltda
Ines Lemes Pompeu da Silva
José Antonio Diana Mapelli
José Eduardo Nogalli Giannetti - Representante do grupo PECCIN
José Nilson Sacchelli Ribeiro
Josenei Manoel Pinto - Agente de inspeção sanitária
Juarez José de Santana - Chefe da unidade técnica regional de agricultura de Londrina
Julio Cesar Carneiro - Superintendente do Mapa em Goiás
Kelli Regina Marcos
Laercio José Brunetto
Lauro João Lobo Alcantara
Lucimara Honorio Carvalho
Luiz Alberto Patzer
Luiz Carlos Zanon Junior - Fiscal federal agropecuário lotado na Unidade Técnica Regional de Agricultura de Londrina
Mara Rubia Mayorka
Marcelo Zanon Simão
Marcos Cesar Artacho
Maria do Rocio Nascimento - Médica veterinária, fiscal federal agropecuária, e chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa).
Nair Klein Piccin - Sócia da empresa Produtos Frigoríficos Peccin Ltda
Nazareth Aguiar Magalhães
Nilson Alves Ribeiro
Nilson Umberto Sacchelli Ribeiro - Empresário, dono da empresa Frigobeto
Normélio Peccin Filho - Um dos proprietários da empresa Produtos Frigoríficos Peccin Ltda
Paulo Rogério Sposito - Proprietário do Frigorífico Larissa Ltda
Rafael Nojiri Gonçalves - Filho de Daniel Gonçalves Filho, atua na parte de lavagem de capitais dos valores ilícitos recebidos pelo pai, segundo a PF
Renato Menon - Fiscal federal agropecuário
Roberto Borba Coelho Junior
Roberto Brasiliano da Silva - é ex-assessor parlamentar do ex-deputado pecuarista José Janene
Roberto Mülbert
Ronaldo Sousa Troncha
Roney Nogueira dos Santos - Gerente de relações institucionais e governamentais da empresa Brasil Foods
Sebastião Machado Ferreira - Agente de inspeção sanitária e industrial de produtos de origem animal
Sérgio Antonio de Bassi Pianaro - Agente de inspeção sanitária
Sidiomar de Campos
Silvia Maria Muffo
Sonia Mara Nascimento
Sylvio Ricardo D'almas
Tarcisio Almeida de Freitas - Agente de inspeção sanitária
Valdecir Belacon
Vicente Claudio Damião Lara

Welman Paixão Silva Oliveira - Médico veterinário

Ao criar Lula para destruir Brizola, os militares conseguiram arrasar o país

Ao criar Lula para destruir Brizola, os militares conseguiram arrasar o país

Posted on abril 15, 2017 by Tribuna da Internet     
  
Carlos Newton

Como agora todos sabem, através das informações do empresário Emilio Odebrecht, as quais são conhecidas há décadas, mas muitas lideranças de esquerda se recusavam a acreditar, Lula realmente foi uma invencionice do general Golbery do Coutto e Silva, famoso alter ego da revolução de 1964, para evitar que o trabalhista Leonel Brizola chegasse ao poder. Quem conheceu Golbery sabe que era um mestre nos bastidores da política. O cineasta Glauber Rocha merecidamente o chamou de “o gênio da raça” e quase foi crucificado por essa frase de efeito.

Conforme o comentarista Antonio Santos Aquino há anos tem relatado aqui na “Tribuna da Internet”, Lula foi um filhote da ditadura, que fez até curso na Johns Hopkins University, em Baltimore, assistido por um tradutor. O general Golbery jamais imaginou que sua cria chegasse ao poder, mas a vida é muito mais imaginosa do que a ficção.

SEM CARÁTER – Também não há a menor novidade sobre o caráter de Lula, sua trajetória já foi dissecada em três livros arrasadores, escritos por Ivo Patarra, José Nêumane Pinto e Romeu Tuma Jr. Há também as declarações dos criadores do PT que se afastaram dele, como Hélio Bicudo, Cesar Benjamim, Vladimir Palmeira, Fernando Gabeira, Heloisa Helena, Paulo Delgado, Plínio de Arruda Sampaio, a lista é interminável, tudo público e notório.

Até mesmo a prisão de Lula na ditadura foi uma farsa, conforme mostra a célebre foto do camburão, com Lula fumando um cigarro e interpretando o papel de “Barba”. O então agente federal Romeu Tuma Jr. estava lá e não deixa ninguém mentir, porque também aparece em outra fotografia do ato da prisão. Ele tinha intimidade com Lula, que costumava dormir no sofá da casa do temido Romeu Tuma pai.

ENGANOU MEIO MUNDO – O fato é que Lula enganou todo mundo, até mesmo Golbery. O líder metalúrgico criou o PT, viu que poderia substituir Brizola na disputa pelo poder, candidatou-se três vezes, foi enganando, enganando… até que saiu vitorioso na quarta tentativa, ao derrotar um candidato fraco e sem carisma, o tucano José Serra.

O resto é mais que sabido. Depois de eleito, Lula isolou os intelectuais do PT e livrou-se deles, dilatou e sindicalizou a máquina administrativa, usou as estatais como fonte inesgotável de recursos pessoais e eleitorais, ampliou ao máximo os programas sociais, sem fiscalizá-los, e criou projetos educacionais eleitoreiros, como o Pronatec, com seus supostos cursos técnicos, e o Prouni (Universidade para Todos), que fez a festa das faculdades particulares, com as bolsas totais e parciais custeadas pelo MEC para estudantes sem a menor condição de ingressar no ensino superior.

DILAPIDAÇÃO TOTAL – Essa farra do boi embriagado custou e ainda custa muitos recursos públicos, elegeu e reelegeu uma candidata mambembe e patética como Dilma Rousseff, e o resultado está aí – vamos penar até sair de recessão, enquanto isso o novo governo liquida as conquistas sociais e os direitos trabalhistas, o país anda para trás, de forma implacável, impiedosa e impactante.

O pior é que a Era Lula provocou uma escassez de novas lideranças.
Estamos num deserto de homens e ideias, como dizia o ministro Oswaldo Aranha, que teria sido um grande presidente, se Vargas não tivesse lançado o general Eurico Dutra, uma versão mais antiga da “vaca fardada” que o general Mourão Filho depois imortalizaria, ao definir sua própria condição.

O fato é que os militares impediram Brizola de chegar ao poder, mas esqueceram de que era fundamental existir um líder civil capaz de comandar o país, não importa se representasse a direita ou a esquerda.
Bastava que fosse decente, preparado e nacionalista, porque as velhas ideologias estão ultrapassadas, precisam desesperadamente de atualização.

E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, que jamais deixou de ser comunista e hoje estaria deprimido com a política nacional.


NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Lula é um fenômeno. Orgulhando-se de jamais ter lido um só livro, tornou-se doutor honoris causa de 31 universidades espalhadas pelo mundo. Agora, todos sabem que é um doutor de araque, e a primeira instituição que pretende lhe tomar o título é a Universidade de Coimbra. As outras 30 terão de tomar idêntica iniciativa. É só uma questão de tempo. (C.N.)