Editorial da RBS - Toffoli não tem mais condições de ser o relator do caso Master

Exige-se uma condução transparente e que não gere dúvidas sobre imparcialidade

O país assiste boquiaberto à sequência de revelações sobre a miríade de negócios escusos envolvendo o Banco Master, o seu dono, Daniel Vorcaro, pessoas próximas ao bilionário e a complexa rede de fundos ligados a operações suspeitas. Os brasileiros também observam, curiosos, os desdobramentos das investigações. Aguardam que as apurações, conduzidas com responsabilidade, desnudem a teia de figurões da República implicados por relações promíscuas com o Master e detalhem a mobilização subterrânea em curso para abafar o escândalo. Acompanham ainda, intrigados, a sucessão de decisões atípicas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso na Corte.

A postura mais digna, neste momento, seria declarar-se impedido de permanecer na função

Os movimentos de Toffoli inquietam por parecerem mais voltados a embaralhar as investigações do que a contribuir com os esclarecimentos necessários. Algumas ordens foram tão inusuais que acabaram revertidas, ao menos em parte, após forte repercussão negativa. A situação se agrava pela descoberta de que irmãos e um primo do ministro fizeram negócios com fundos vinculados ao Master também relacionados a transações nebulosas. É plausível concluir por um possível conflito de interesses.

Faria bem Dias Toffoli se refletisse e concluísse que não tem condições de ser o relator do caso. Seria saudável para a imagem arranhada do ministro, para a reputação do STF e, principalmente, para o objetivo de levar as investigações até o fim, alcancem quem alcançarem. A cada dia cresce a percepção de se tratar de um esquema de fraudes de proporções incomuns. Por essa razão, exige-se uma condução transparente e que não gere dúvidas sobre imparcialidade. 

Toffoli viajou em um jatinho com um advogado que milita na causa e decretou sigilo sobre as investigações sem justificativa robusta. A pedido da defesa, tirou o caso da primeira instância, na Justiça Federal de Brasília, por uma razão frágil, a citação de um deputado federal em outro negócio, sem relação com as fraudes sob apuração. Tentou promover uma acareação heterodoxa, sem que nenhum depoimento tivesse sido tomado, ou seja, sem versões conflitantes para confrontar. A acareação pretendida colocava no mesmo nível investigados e um diretor do Banco Central (BC) _ a autoridade monetária brasileira decidiu corretamente pela liquidação extrajudicial do Master em novembro último. As decisões excêntricas continuaram quando, após a segunda fase da Operação Compliance Zero, na semana passada, determinou que celulares e computadores apreendidos ficassem sob a guarda do STF, e não da Polícia Federal como é praxe. É verdade que em seguida recuou. Determinou então que os equipamentos permanecessem com a Procuradoria-Geral da República (PGR), mas podendo ser acessados por apenas quatro peritos da PF escolhidos por ele. Em outro lance, diminuiu de seis para apenas dois dias o tempo que os agentes que trabalham no caso terão para tomar depoimentos.



 O faturamento real da indústria de transformação voltou a crescer em novembro de 2025, mas o mercado de trabalho do setor segue em desaceleração. Dados dos Indicadores Industriais, divulgados nesta segunda-feira (19) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), mostram que o emprego industrial caiu pelo terceiro mês consecutivo, mesmo com a recuperação pontual da atividade.


Segundo a CNI, a perda de ritmo do emprego se intensificou a partir de setembro, refletindo os efeitos do aperto monetário e do enfraquecimento gradual da atividade industrial ao longo do segundo semestre.


Principais números da indústria em novembro:


Faturamento real: alta de 1,2% em relação a outubro;

Emprego industrial: queda de 0,2%, terceira retração consecutiva;

Emprego desde setembro: recuo acumulado de 0,6%;

Emprego no ano: alta de 1,7% entre janeiro e novembro de 2025.

De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, o emprego reagiu à melhora da atividade iniciada em 2023 e que teve seu auge em 2024, mas começou a perder força com o aumento da taxa Selic, iniciado ainda no ano passado.


“Somente após meses de resultados mais fracos da atividade industrial, o emprego passou a ser afetado”, explica Azevedo, ressaltando que demissões e recontratações são custosas para a indústria, que depende de mão de obra qualificada.


Mercado de trabalho: alívio pontual, ano negativo

Outros indicadores ligados ao mercado de trabalho tiveram melhora em novembro, após uma sequência de resultados negativos, mas seguem acumulando perdas no ano.


Massa salarial real:


Alta de 1,5% em novembro, após quatro quedas seguidas;

Queda de 2,3% no acumulado do ano.

Rendimento médio real:


Aumento de 1,6% no mês;

Recuo de 4% de janeiro a novembro.

Perda de fôlego

Apesar do crescimento do faturamento em novembro, a atividade industrial segue mostrando sinais de desaceleração no acumulado do ano.


Faturamento acumulado em 2025:


Alta de apenas 0,3%

Horas trabalhadas na produção:


Queda de 0,7% em novembro;

Alta de 0,9% no acumulado do ano.

Utilização da Capacidade Instalada (UCI):


Recuo de 0,6 ponto percentual em novembro, para 77,5%;

2,4 pontos percentuais abaixo do nível de novembro de 2024.

Segundo a CNI, a redução gradual do crescimento do faturamento ao longo de 2025 reforça a expectativa de perda de ritmo da indústria, especialmente na segunda metade do ano, em um ambiente marcado por juros elevados e menor dinamismo da demanda.


Relacionadas


Petrobrás assinará, hoje, em Rio Grande, contratono valor de R$ 2,9 bilhões

O programa Mar Aberto contará com aportes estimados em US$ 6 bilhões no período de 2026 a 2030, cerca de R$ 32 bilhões.  A iniciativa prevê a construção de 20 navios de cabotagem, além de 18 barcaças e 18 empurradores, bem como a o afretamento de 40 novas embarcações de apoio destinadas à renovação da frota de suporte às atividades de exploração e produção (E&P).

O contrato que a Petrobras e a subsidiária de logística Transpetro assinarão, hoje, em Rio Grande, tudo com a presença do presidente nomeado Lula da Silva, integra um pacote de investimentos de R$ 2,9 bilhões em cinco navios gaseiros, 18 barcaças e 18 empurradores. Com as embarcações, de acordo com a Petrobras, a frota de gaseiros da Transpetro irá subir de seis para 14, triplicando a atual capacidade de transporte de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) e derivados. As embarcações cujos contratos serão firmados nesta terça serão operadas pela Transpetro e construídas em estaleiros de três estados. No Rio Grande do Sul, o Estaleiro Rio Grande será responsável pela obra dos gaseiros. No Amazonas, o estaleiro Bertolini Construção Naval da Amazônia, construirá as 18 barcaças. Em Santa Catarina, o estaleiro Indústria Naval Catarinense, vai construir os 18 empurradores

O objetivo é, segundo a empresa, reduzir a dependência de afretamentos, proporcionando maior flexibilidade e eficiência às operações logísticas de movimentação de GLP e de outros produtos. Os novos gaseiros serão até 20% mais eficientes no consumo de energia, reduzirão as emissões de gases de efeito estufa em 30% e poderão operar em portos eletrificados.

Já as barcaças e os empurradores marcam, segundo a companhia, a entrada da Transpetro na navegação interior, ou seja, em águas abrigadas ou parcialmente abrigadas, como rios, lagos, canais, baías e lagoas. Com as embarcações, a Transpetro passará a dispor de uma frota própria para abastecimento em polos estratégicos como Belém (PA), Rio de Janeiro (RJ), Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS).

Relação com o Banco Master

O BRB foi diretamente afetado pela crise do Banco Master, alvo de investigações por supostas fraudes em carteiras de crédito. De acordo com informações do Banco Central repassadas ao Ministério Público, o banco estatal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras posteriormente consideradas fraudulentas, que foram substituídas e ainda passam por avaliação.

Além disso, o BRB teria injetado mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, incluindo a compra de cotas de fundos de investimento. A nova administração do banco, que assumiu após a troca de comando no ano passado, tenta dimensionar o impacto dessas operações realizadas ao longo de 2024 e 2025.

Dica do editor - Aqui estão alguns benefícios surpreendentes do GLP-1 para o intestino

O GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1) é amplamente conhecido por seu papel no controle do diabetes e na perda de peso. No entanto, pesquisas recentes revelam benefícios surpreendentes diretamente relacionados à saúde intestinal, indo muito além do controle glicêmico. 

Aqui estão alguns dos benefícios surpreendentes do GLP-1 para o intestino, segundo a gastroenterologista americana Trisha Parisha, em The Washington Post de hoje (CLIQUE AQUI para ler no original).

Redução da Inflamação Intestinal: Os análogos de GLP-1 possuem propriedades anti-inflamatórias, podendo atuar na mucosa intestinal e reduzir o estresse oxidativo, o que é promissor para o manejo de condições inflamatórias.

Proteção da Mucosa e Barreira Intestinal: Estudos indicam que o GLP-1 pode melhorar a integridade da barreira intestinal, protegendo a mucosa e facilitando o funcionamento do trato gastrointestinal.

Impacto no Risco de Câncer de Cólon: Uma conexão surpreendente observada é a redução potencial do risco de câncer de cólon. Um estudo com quase 7 mil pacientes mostrou que quem usava medicamentos à base de GLP-1 teve metade da mortalidade em 5 anos em comparação a outros tratamentos.

Melhoria na Microbiota Intestinal: A composição da flora intestinal influencia diretamente a produção de GLP-1, e o tratamento com agonistas de GLP-1 tem demonstrado promover um melhor equilíbrio na microbiota (relação entre bactérias boas e ruins), o que é crucial para a saúde geral e metabolismo.

Regulação do Trânsito Intestinal: Ao retardar o esvaziamento gástrico, o GLP-1 auxilia na saciedade e pode ajudar a manter o trânsito intestinal funcionando, embora o ajuste de probióticos possa ser necessário para gerenciar o conforto digestivo durante o tratamento.

Efeitos "Tróficos" (Nutritivos): Em estudos in vitro e em animais, o GLP-1 mostrou efeitos protetores e tróficos nas células, auxiliando na preservação da estrutura intestinal. 

Nota importante: Embora os agonistas de GLP-1 (como Ozempic, Wegovy, Mounjaro) sejam eficazes, eles devem ser utilizados com orientação médica, pois podem causar efeitos colaterais digestivos, como náuseas e diarreia, e exigem acompanhamento para evitar a perda de nutrientes. 

Dica do editor - Saiba como ajudar os 500 exilados políticos brasileiros. Faça sua doação.

O material abaixo é assinado pela jornalista gaúcha Ana Maria Cemin.

 A exilada política Claudete Tristão fez um pedido e não pude recusar: “publica o vídeo, Ana”. 

Embora seja um tema triste “ao cubo” - na terceira potência - decidi fazer. 

Ouça ela e depois leia estas linhas. Ou vice-versa. 

Só existem duas entidades que atuam de forma humanitária em atenção aos perseguidos do 8 de janeiro. E calculo, a grosso modo, que temos perto de 3 mil pessoas nessa condição - investigadas, julgadas e condenadas. Mais de mil foram julgados e, possivelmente, mais de 500 buscaram exílio em outros países. Não existe uma estatística de exilados, até porque alguns foram embora por temer perseguição. Não aguardaram a coisa ficar feia. E a coisa não parou! 

Dito isso, vamos à “dor” desse vídeo. 

Os dois institutos recebem doações, fazem suas campanhas, mas não chegam a receber volumes que alcancem todos os presos políticos ao mesmo tempo. Então, em três anos de trabalho, a saída das entidades tem sido compartilhar esses valores de forma rotativa, a partir do critério das necessidades mais urgentes (comida e remédios). Quantas e quantas vezes pedi ajuda para presos políticos para a @gabriela_ritter presidente da @asfavfamilias e para a @tanielitelles do @instituto_gritos_de_liberdade! Muitas vezes, muitas dezenas. E sabe quantas vezes ouvi um não? Nenhuma! 

Diante das más línguas, me associo à Claudete nesse testemunhal sobre o trabalho humano das duas entidades. Desejo que nesse quarto ano de luta, possamos ver mais amor e gratidão.

Precisamos disso com urgência. 

Nesse final de semana conversei com Ana, que trabalha o dia inteiro na Argentina, está com anemia profunda, em risco de saúde gravíssimo. Ela me diz: o meu almoço é uma medialuna, porque é o possível. 

]O meu objetivo com esse último comentário é declarar que tem muito a ser feito. Essas pessoas perderam tudo, mas podem encontrar o mínimo de dignidade humana quando estendemos a nossa mão. Porém, pessoas maliciosas podem intimidar e inviabilizar atos de bondade. Temos que ir além da barreira do nosso ego e mostrar que de fato somos filhos de Deus e não daquele outro. Não temos que silenciar as línguas de serpentes, mas aprender a identificar quando elas surgem para trazer a discórdia.

CLIQUE AQUI para ver o vídeo.

Artigo, Ricardo Breier - Quando a mentira vira método de poder

Ricardo Breier -  Advogado, Pós-doutor em Direito e Presidente da OAB/RS  (2016/21).


Este artigo foi publicado no jornal Zero Hora de hoje.

Um Estado começa a se deteriorar quando a mentira deixa de ser exceção e passa a operar como método de exercício do poder. Não se trata apenas de ilegalidades pontuais, mas de um processo mais profundo: a normalização de narrativas convenientes, a omissão deliberada de fatos relevantes e o enfraquecimento do debate público.

Nesse contexto, a legalidade permanece como aparência, enquanto a verdade é substituída por versões seletivas e discursos técnicos que ocultam o essencial. A mentira institucional raramente é explícita, manifestando-se por meio de decisões incompletas, relatórios que silenciam aspectos centrais e comunicações oficiais que moldam a percepção social sem compromisso real com os fatos.

Ao mesmo tempo, ganha espaço a política do descrédito. Em vez do confronto de ideias, passa-se à desqualificação de quem questiona. A crítica é tratada como ameaça às instituições; o dissenso, como irresponsabilidade. O efeito é a intimidação simbólica e o empobrecimento do espaço público, no qual o contraditório deixa de ser visto como virtude democrática.

Quando isso ocorre, a mentira assume dimensão normativa. Sem mudanças formais na Constituição, os limites do poder são redefinidos na prática. Exceções tornam-se precedentes, abusos são relativizados e garantias fundamentais passam a ser flexibilizadas sob o argumento da eficiência ou da urgência.

Esse processo gera um paradoxo preocupante: instituições que aparentam solidez, mas perdem legitimidade; decisões tecnicamente elaboradas, porém distantes da percepção de justiça.  O Direito, que deveria funcionar como limite ao poder, corre o risco de ser instrumentalizado por ele.

Enfrentar esse cenário exige menos retórica e mais compromisso com a verdade factual, com o devido processo legal e com a responsabilidade institucional. Democracias não se enfraquecem apenas por rupturas abruptas, mas também pela erosão silenciosa de seus fundamentos. Preservá-los é tarefa permanente da sociedade.