A lista dos 14

A Folha de S.Paulo deste domingo, listou os 14 políticos citados por Rodrigo Janot na denúncia contra Michel Temer, embora nenhum deles tenha sido denunciado:

– Eduardo Cunha, o único, entre os citados, investigado no inquérito, por suspeita de ter recebido dinheiro da JBS para ficar em silêncio, em operação supostamente avalizada por Temer;
– Geddel Vieira Lima, antigo interlocutor da JBS junto ao governo Temer, antes de Loures;
– Eliseu Padilha, idem;
– José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer, suposto intermediário de repasses ilícitos, conforme interpretação de diálogo entre Loures e o executivo da J&F Ricardo Saud; além disso, Temer pediu, segundo Joesley, que a J&F contratasse o escritório de advocacia de Yunes para um negócio que lhe renderia R$ 50 milhões;
– Guido Mantega, ex-ministro petista que, segundo Saud, pediu que a JBS fizesse repasses não declarados a senadores do PMDB em 2014, em troca do apoio ao PT;
– Renan Calheiros, suposto beneficiário dos repasses de Mantega a senadores do PMDB;
– Eduardo Braga, idem;
– Eunício Oliveira, idem;
– Jader Barbalho, idem;
– Kátia Abreu, idem;
– Vital do Rêgo, hoje ministro do TCU, idem;
– Paulo Skaf, presidente da Fiesp, suposto beneficiário de R$ 2 milhões em doações da JBS via caixa dois em campanha, a pedido de Temer;
– Gabriel Chalita, suposto beneficiário de R$ 3 milhões em doações da JBS via caixa dois em campanha, a pedido de Temer;

– Wagner Rossi, ex-ministro, suspeito de ter recebido da JBS mesada de cerca de R$ 100 mil quando deixou a pasta da Agricultura em 2011, a pedido de Temer.

Artigo,Percival Puggina - Em outubro de 2018, teremos a Lava Jato eleitoral

Em outubro de 2018, teremos a Lava Jato eleitoral

Percival Puggina

Há mais de meio século estudo e acompanho a política brasileira. Vivi, inclusive, períodos de participação ativa no final do século passado.
Confesso que nunca observei algo que guarde analogia com o que estamos presenciando nestes desregrados anos. Tensões, conflitos, antagonismos são disponibilizados a quem participa da política com a mesma assiduidade com que o pão comparece à mesa do café da manhã. Esse serviço diário é proporcionado pela disputa do poder e encontra sua síntese nos alinhamentos de governo e oposição. Em países que se dizem democráticos, sem a hipocrisia dos hierarcas cubanos e venezuelanos, sempre há um governo e sempre há uma oposição livre. Os cidadãos, naquilo que lhes corresponde, reconhecem essa polarização identificando-se com algum dos lados.

O Brasil destes inusitados dias é curiosa exceção. Há governo, há oposição, mas ampla maioria da sociedade, se pudesse, botava os dois blocos no olho da rua. A polarização se tornou jogo meramente institucional, em cujos desdobramentos, inclusive, são rotineiros os momentos de convergência e recíproca proteção sempre que interesses escusos estão sob ameaça. Nestes casos, as ideologias são mandadas às favas e se estabelece, sólida, a sociedade dos celerados. A nação – militantes à parte, porque formam uma categoria social distinta – percebe os fatos e se distancia dos polos políticos. É baile de cobra onde não se entra sem perneira. A rede com que se captura a confiança dos eleitores tem rombos pelos quais até baleias transitam.

DESALENTO – Inusitado, também, o desalento nacional perante as estruturas do poder político. Insistentemente tenho escrito sobre a irracionalidade do nosso modelo institucional, sua fertilidade em gerar crises e incompetência para resolvê-las sem gravíssimas sequelas. Em linguagem farmacológica, nossos remédios institucionais são estranhos placebos, com paraefeitos que se agravam quando as sessões dos tribunais superiores são submetidas ao crivo da opinião pública. Definitivamente, eles não se ajudam quando metem os pés políticos pelas mãos jurídicas.

Além da tela do computador com o qual escrevo, além da touch screen do telefone celular, há um mundo nada virtual, bem real, clamando por ordem, justiça e atenção às suas necessidades básicas; há todo um setor produtivo carecendo de estabilidade, credibilidade e capacidade de investimento. Nosso país é um gigante geográfico e populacional onde solavancos políticos afetam a vida de milhões de pessoas. E nós estamos enfrentando terremotos.

TRÊS CONVICÇÕES – É desde essa perspectiva, tomado por desalento em relação às urgências nacionais, como as reformas ora em debate e as político-institucionais, que desejo registrar três convicções.

Primeira: não é tudo a mesma coisa. Ainda que a desonra venha a atingir equitativamente os blocos de governo e oposição, em quase tudo mais que importa há, entre eles, desigualdades muito relevantes sobre temas fundamentais. Refiro-me, por exemplo, a papéis do Estado, privatizações, corporativismos, equilíbrio fiscal, economia de mercado, direito de propriedade e violações a esse direito; educação, família, aborto e políticas de gênero; segurança pública, conflitos sociais e drogas. E por aí vai, que a lista é longa.

Segunda: a justiça tardará a chegar. A morosidade do sistema, que muitos de nossos ministros dos tribunais superiores consideram necessária à boa administração da justiça, não permitirá que esse poder de Estado, antes das próximas eleições, remova da cena política as organizações criminosas que envergonham a nação.

Terceira: a principal fase da operação Lava Jato será tarefa nossa.
Ela ocorrerá em outubro do ano que vem, quando, num flash bissexto, o poder transitará pelas mãos do povo.


Artigo, MerceloAiquel - Macacos me mordam

Artigo, MerceloAiquel - Macacos me mordam
           MACACOS ME MORDAM! Rosnava o personagem Popeye nos desenhos animados do século passado. A TV era do tipo preto e branco (sem emissão colorida), mas o “bordão” pegou e é utilizado até hoje sempre que alguém quer demonstrar surpresa – ou grande estranheza – com relação a algum fato curioso.
         MACACOS ME MORDAM! Digo eu – entre pasmo, indignado e incrédulo – após escutar as ridículas justificativas dos novos acusados das delações do conhecido gangster goiano Joesley Batista.
         Pois é. Quando, recentemente, o bandido bilionário delatou o presidente da república, um bando de mortadelas parou tudo para fazer um carnaval fora de época. Ensandecidos, festejaram feito doidos enlouquecidos o que seria o fim dos “golpistas”. Tudo com base numa gravação pra lá de questionável, como prova judicial.
         Pois ontem, sexta-feira, o mesmo gangster goiano mirou suas baterias na direção de Lula da Silva, Dilma Rousseff e do eterno e fiel “companheiro” Guido Mantega, contando que pagou mais de 300 milhões de reais às campanhas eleitorais da turma petista.
         E, MACACOS ME MORDAM, o mesmo bando de mortadelas reagiu furiosamente para desacreditar as declarações do bandido bilionário.
         Então tá combinado. Quando a “M” for atirada contra os outros, tudo bem. Mas, quando os nossos são o alvo, tudo não passará de mentira!  
         É simplesmente inacreditável tamanha desfaçatez.
         Ouso afirmar que uma pessoa que age assim, não tem um “pingo” de caráter.
         Não tem mesmo, sendo que jamais poderá ser adjetivado de mau caráter! Pela simples razão que, para ser mau caráter – ANTES – o sujeito precisa ter um mínimo de caráter.

         E, data vênia, esta gente não tem.

Lula, o Chefe

Lula, o Chefe

Enfim, uma acusação direta, pública e formal: o ex-presidente Lula é o chefe do Petrolão. Quem o afirma, com todas as letras, é o Ministério Público Federal, em documento ontem expedido, a propósito da 24ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Aletheia.

A Lava Jato já está na 34ª fase, mas, ao que parece, já tem a história completa há mais tempo. É o que revela a nota.

Lula, “além de líder partidário”, era, segundo o MPF, “o responsável final pela decisão de quem seriam os diretores da Petrobras e foi um dos principais beneficiários dos delitos”.

A nota entra em detalhes. Diz que Lula “recebeu valores oriundos do esquema Petrobras por meio da destinação e reforma de um apartamento tríplex e de um sítio em Atibaia, da entrega de móveis de luxo nos dois imóveis e da armazenagem de bens por transportadora”. E mais: “Também são apurados pagamentos ao ex-presidente, feitos por empresas investigadas na Lava Jato, a título de supostas doações e palestras”.

Pode-se alegar que não há nada de novo na nota do MPF: quase tudo o que está lá já foi transmitido por Willian Bonner, no Jornal Nacional, há algum tempo. A novidade está na própria nota, que, com o timbre da instituição, em documento formal, que equivale a uma denúncia, confirma o que era veiculado como suspeita e justifica os piores temores que o ex-presidente vinha exibindo.

Mostra que ele teve razões de sobra para pedir socorro à ONU, assim como a ONU tem agora razões de sobra para não atendê-lo.

Os procuradores chamam Lula de mentiroso, com as seguintes palavras: “Embora o ex-presidente tenha alegado que o apartamento não é seu, por estar em nome da empreiteira (OAS), várias provas dizem o contrário”. E relaciona os testemunhos: zelador, síndico e porteiro do prédio, engenheiros, dirigentes e empregados da empresa que fez a reforma. E por aí vai.

O esquema que Lula comandava, segundo o MPF, decorre de um consórcio entre três partidos, PT, PMDB e PP, que indicavam os diretores da Petrobras, que administravam a propina. Notícia velha? Sim, mas com sabor de novidade, condensada em documento oficial.

Lula, como presidente, fez as nomeações e arbitrou os percentuais distribuídos, ficando a parte do leão para seu partido. O esquema continuou para além de seus dois mandatos, quando decidiu diversificar atividades, tornando-se lobista de empreiteiras, obtendo, via BNDES, financiamentos para obras faraônicas em países ideologicamente afins, enriquecendo a si e aos parceiros.

O documento tem duas laudas compactas. E o que resulta de sua leitura é uma indagação tão recorrente quanto as acusações que faz: por que Lula ainda não acertou as contas com a Justiça? E ainda: por que o STF demorou tanto a devolver o processo ao juiz Sérgio Moro? Ou por outra: por que insistiu em tirá-lo de Curitiba, já que a nomeação de Lula para ministro de Dilma não durou 24 horas? Com a palavra, o ministro Teori Zavaski.

Lula escapou do Mensalão, ainda que, também ali, estivesse no comando das ações. Dispunha, porém, de sólido patrimônio político, que não só o manteve impune como lhe permitiu reeleger-se e eleger e reeleger sua sucessora, Dilma Roussef.

Mas já ali sofreu o primeiro arranhão moral, que não mais cicatrizou. Ao contrário, a ferida inflamou-se e o contaminou por inteiro, incluindo aí Dilma e o PT, extensões de seu organismo político – e, como ele, condenados a sair da história pela porta dos fundos. Em agosto, pode se consumar o fim desta história patética, que encerra a chamada Era PT, com a prisão de Lula e o afastamento definitivo de Dilma Roussef.


O país vira a página e cuida de se reinventar por cima dos escombros que o petismo lhe legou.

Contas secretas de Lula e Dilma serão rastreadas pelo MPF

O Ministério Público Federal resolveu abrir uma investigação paras rastrear os 150 milhões de dólares que a JBS destinou aos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, dinheiro que foi depositado em contas secretas de ambos, conforme delação de Joesley Batista (leia as duas notas a seguir).

Em seu depoimento, Joesley confirmou que pagava 6% de propina sobre o valor de todos os recursos do BNDES e dos fundos de pensão aportados em empresas do grupo J&F, dono da JBS, conta a revista Veja de hoje. Saiba mais:

Ao todo, o conglomerado recebeu mais de 9 bilhões de reais dos cofres públicos. O pixuleco, segundo o empresário, era distribuído da seguinte forma: o ex-ministro Guido Mantega reservava 4% para as contas de Lula e Dilma, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto ficava com 1% e os presidentes dos fundos de pensão abocanhavam 1%.


Joesley contou ao Ministério Público que se aproximou de Mantega por meio de um amigo em comum, o empresário Victor Sandri, em meados de 2005. Algumas das propinas pagas para Mantega foram entregues inicialmente ao empresário Sandri. Joesley começou a pegar seus empréstimos bilionários no BNDES quando Mantega assumiu a presidência da instituição. O procurador Ivan Cláudio Marx perguntou se havia contrapartidas nessas operações. Joesley foi bem claro: “Todos esses casos (empréstimos) teve”, disse o empresário. O dono da JBS, no entanto, só passaria a negociar a propina diretamente com Mantega em 2009, quando o economista comandava o Ministério da Fazenda. Joesley conta que perguntou como seriam feitos os pagamentos: “Vamos fazer assim: o dinheiro fica contigo”, pediu Mantega, conforme narrou o empresário. “Eu ficava lá como fiel depositário”, ironizou Joesley.

CCJ do Senado aprova por 16x 9 a reforma trabalhista

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira, por 16 votos a favor, 9 contrários e uma abstenção, o relatório do senador Romero Jucá (PMDB-RR) favorável à reforma trabalhista. Os debates sobre a reforma na comissão começaram pouco depois das 10h com a leitura dos seis votos em separado.

Para garantir a aprovação, o presidente Michel Temer encaminhou aos senadores uma carta na qual reafirmou seu compromisso de vetar seis pontos acordados previamente por Jucá com os senadores da base aliada.A regulamentação desses pontos será feita posteriormente por meio de medida provisória. Entre os vetos sugeridos está o tratamento da gestante e do lactante em ambiente insalubre. O texto prevê que a trabalhadora gestante deverá ser afastada automaticamente, durante toda a gestação, apenas das atividades consideradas insalubres em grau máximo. Para atividades insalubres de graus médio ou mínimo, a trabalhadora só será afastada a pedido médico.
Outra sugestão é vetar a alteração que permite que o acordo individual estabeleça a chamada jornada 12 por 36, na qual o empregado trabalha 12 horas seguidas e descansa as 36 seguintes.

Em relação ao trabalho intermitente, foi recomendado veto aos dispositivos que regulamentam a prática na qual a prestação de serviços não é contínua, embora com subordinação. Nesse tipo de trabalho, são alternados períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador. Se os senadores aprovarem emendas ao texto da reforma, ela precisará retornar para última análise da Câmara, que poderão manter o projeto conforme enviado pelo Senado ou retomar integral ou parcialmente a proposta dos deputados. Para evitar esse processo, que postergaria a reforma, o governo busca o acordo para que a matéria seja aprovada sem alterações.

A morte de Allyson

O brutal assassinato de Allyson demonstra o drama que é viver em Porto Alegre. Falta polícia, a polícia está mal equipada, os presídios estão abarrotados e crimes como os de roubo de carros não são atacados na raiz (tolerância zero com desmanches e cerco eletrônico efetivo da cidade).

A família de Allyson Rodrigues Fernandes, 24 anos, está revoltada com a morte do jovem gaúcho, que foi assassinado a tiros na frente da namorada, no bairro Rubem Berta, na Zona Norte de Porto Alegre, na noite de terça-feira.

"Estamos revoltados. Queremos justiça", disse aos jornalistas a prima dele, Danielle Fernandes. 

Porto Alegre toda está revoltada, incomodada, inconformada com a pouca ação do governo e com a covardia da população e seus deputados, incapazes de resolver a crise fiscal e permitir a retomada dos investimentos e aplicações na segurança pública. 

Os pais de Allyson são separados e ele morou com a avó paterna até os 19 anos. Há cerca de um ano, o jovem dividia um apartamento com a namorada em um prédio na Rua Luiz Cesar Leal, na região do Parque dos Maias.

Segundo vizinhos, os dois chegavam em casa de carro, um Citroen C4, pouco antes das 20h. A garagem do condomínio é fechada com um cadeado. Ele estacionou e a namorada desceu do veículo para abrir o portão. Foi quando dois homens armados chegaram em um carro e abordaram ela.
"O que eu sei era que ela estava tentando abrir o portão e ele ficou nervoso, deixou a chave cair, foi quando eles deram dois disparos", relata a prima.