Nestor Cerveró volta a delatar Lula e Dilma

Em depoimento prestado à Justiça Federal nesta terça-feira, o ex-diretor Internacional da Petrobras Nestor Cerveró reiterou acusações contra os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Ele declarou ter sido
indicado por Lula para diretor financeiro da BR Distribuidora, em 2008, como retribuição por ter ajudado a quitar uma dívida do PT com recursos de um contrato da estatal. Além disso, implicou Dilma numa suposta trama para livrá-lo da prisão.
A oitiva, por videoconferência, foi feita pela 10ª Vara, em Brasília, para instruir ação penal que avalia a suposta atuação de Lula e outros réus num esquema para evitar que Cerveró fizesse acordo de delação premiada. Lula não está entre os réus.
O ex-diretor contou que, em março de 2008, foi destituído do cargo de diretor Internacional da Petrobras. A demissão, segundo ele, se deu por pressão da bancada do PMDB na Câmara, que pretendia dar a cadeira a Jorge Zelada. Lula teria cedido ao pedido para que os parlamentares votassem contra o governo na sessão que decidiria sobre a CPMF.
Cerveró foi comunicado da decisão na reunião do Conselho de Administração da Petrobras, na manhã do dia 3 daquele mês. Ele chegou a arrumar suas coisas e a se despedir de sua equipe, quando o ex-presidente da BR, José Eduardo Dutra, atualmente já morto, o comunicou da indicação para a distribuidora.
"Já tinha sido tomada a decisão do presidente Lula de me indicar diretor financeiro da BR. A informação que me foi dada é de que isso seria um reconhecimento do trabalho que eu teria feito da liquidação da dívida do PT em 2006", declarou Cerveró.
Empréstimo
O ex-diretor atuou na contratação do Grupo Schahin para operar, por US$ 1,6 bilhão, o navio Vitória 10.000 na Bacia de Santos. Conforme a Lava Jato, o contrato, de 2009, foi firmado para que o Banco Schahin perdoasse dívida de R$ 12 milhões feita pelo pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, com o partido.
Cerveró ponderou, contudo, que não soube por Lula que a indicação partiu do ex-presidente e se deu por "gratidão". "Na época, me foi dito pelo pessoal do Banco Schahin. Foi o que levou o presidente Lula a me indicar quando eu fui destituído da Diretoria Internacional."
Dilma
Cerveró falou por cerca de uma hora e meia. Durante o depoimento, reiterou os principais pontos de sua colaboração premiada. Explicou que, quando estava preso, seu advogado, Edison Ribeiro, levou a ele um recado do então senador e líder de governo, Delcídio Amaral (ex-PT), hoje cassado e sem partido, de que a então presidente Dilma Rousseff tratara de sua situação.
"Uma das informações que me foi dita pelo Edson é que o Delcídio, nesse período, teria mandado um recado dizendo que a presidente Dilma estava preocupada com os meninos e que precisava soltar os meninos. Os meninos, no caso, eram meu colega Renato Duque(ex-diretor de Serviços) e eu", contou Cerveró.
Preso no fim de 2015, depois desse suposto episódio, Delcídio fez acordo de delação e informou que o Planalto atuaria para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) liberasse Cerveró. "Estava acertado que o meu HC (habeas corpus) sairia, mas que isso nãoseria suficiente. Depois haveria uma nova ordem de prisão e que eu precisava sair do País", acrescentou Cerveró no depoimento desta terça.
Gravação
Tanto Ribeiro quanto Delcídio também são réus da ação em curso na 10ª Vara. Durante a audiência, o ex-diretor confirmou que os dois se articularam para tentar evitar sua colaboração. O filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, gravou reunião na qual ambospropuseram fazer pagamentos e ajudar na fuga do executivo para a Espanha. O áudio foi decisivo para que o então parlamentar petista e o criminalista fossem presos.
Cerveró reiterou que, em diversas ocasiões, seu advogado o desaconselhou a delatar o esquema de corrupção na Petrobras, supostamente por influência de Delcídio. Seria uma tentativa de evitar que o ex-diretor implicasse o senador no recebimento depropinas pela compra e pela modernização de Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), e pela aquisição de turbinas para usinas termelétricas.
Depois desses fatos, em sua delação, o ex-senador confessou o recebimento de suborno. Além disso, acusou o ex-presidente Lula de comandar a operação para "comprar o silêncio" de Cerveró.
"O doutor Edison, repetidas vezes, pediu que não implicasse Delcídio. Não sei se ele vislumbrou a oportunidade de negociações maiores. Ele dizia que (o senador) era a minha tábua de salvação. Era o contato mais forte que eu tinha junto ao governo",afirmou.
Cerveró disse que Bernardo chegou a receber R$ 50 mil de Delcício, via Ribeiro, mas pediu que o advogado ficasse com o dinheiro para cobrir despesas com a defesa.
Defesa
O advogado de Lula, José Roberto Teixeira, disse que nenhum dos depoimentos desta terça-feira, entre eles o de Cerveró, citou o ex-presidente de "forma direta". Acrescentou que, conforme o depoimento, o então diretor Internacional foi "sumariamente" demitido na gestão Lula. A nomeação para a BR Distribuidora, segundo ele, foi um ato do Conselho de Administração.
Cristiano Zanin, que também atua na defesa de Lula, comentou que nenhum dos depoimentos confirmou a tentativa de Lula de evitar a delação de Cerveró. Sobre o episódio da indicação para a BR, disse que o ex-diretor contou o caso por "ouvir dizer".

"Ele diz que alguém teria dito isso a ele. Ele diz que foi o Sandro Tordin, que era da Schahin e com quem tinha relacionamento. Ele diz que não veio nenhuma confirmação oficial do Lula sobre isso. Entre ser e ouvir dizer de alguém tão distante doex-presidente Lula, como é o Tordin, mostra como não tem qualquer sentido essa afirmação", afirmou Martins.

Artigo, Tito Guarniere - O parâmetro é a lei

TITO GUARNIERE
O PARÂMETRO É A LEI
Na política, é espantoso como as facções em litígio, cegas de paixão,  acusam os adversários de práticas que elas mesmas cometem. Não estou falando de governantes que, na oposição, censuram duramente o  governo, mas quando assumem o poder fazem a mesma coisa, senão pior. Isso é velho e comum: não há nada mais parecido com o governo, do que a oposição quando chega no governo. E vice-versa.
Vejam essa declaração de Raimundo Bonfim, coordenador da Central dos Movimentos Populares-CMP, a respeito do Movimento Brasil Livre, que andou tentando, de uma forma meio tosca, desocupar escolas no Paraná: “O Movimento Brasil Livre - MBL agora atua como um  grupo paramilitar”.
Não se trata de uma opinião inocente, superficial. Que eu saiba, o MBL usa quando muito um microfone, uma câmera e as redes sociais. A sua ação é basicamente política, isto é, o MBL dá razões, contesta, argumenta, tenta persuadir. É verdade, porém, que depois do impeachment, suas abordagens têm resvalado para a ameaça e a truculência. O MBL, nessa batida, vai se tornar um MST da direita. Dentre outras razões, é por isso que não aprecio o movimento. Mas vamos com calma: está distante, muito distante de ser um grupo paramilitar.
Esse não é, entretanto, o equívoco principal de Bonfim. O MBL vira um “grupo paramilitar” porque age em favor da desocupação de escolas no Paraná. Mas ocupar a escola, paralisar as aulas, só deixar ingressar no prédio quem “o coletivo” autorizar, não estará mais próximo de um ato militar ou paramilitar do que agir na retomada do prédio para a sua única, verdadeira e nobre finalidade, que é o ensino e a aprendizagem?
Ambas as ações são ilegais. O MBL pode ser contra a invasão das escolas, mas deve ater-se ao combate político, isto é, entrar no debate, dar razões e argumentos, mostrar a contradição. Quando, entra no jogo como um protagonista e se concede poder de polícia, avança o sinal e perde a razão.
O que fazem as forças que patrocinam e promovem as invasões, partidos políticos de esquerda e seus braços estudantis, como a UNE e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundários), quando se valem da violência implícita na invasão e ocupação, senão pretender a justiça com as próprias mãos? Agora, também o MBL, para não ficar atrás, imita o erro, cai em contradição e tenta fazer a mesma coisa - justiça com as próprias mãos.
A norma a seguir, o parâmetro justo, legítimo e incensurável, na democracia, é a lei. Não pode invadir escola. Ponto. Não pode alguém, que não tenha autoridade para tanto, querer desalojar os invasores. Ponto. O resto é caminho aberto para o caos e a barbárie.
A propósito, uma pesquisa do Ibope, encomendada pelo Ministério da Educação, mostrou que 70% dos entrevistados é favorável à reforma do ensino médio do governo Temer. É só uma pesquisa, mas é o que temos de melhor para medir a vontade da população. O resultado é mais do que previsível. O povo, que às vezes se engana nas suas escolhas, mas em geral não é tolo, tem clareza que falta a tantos “intelectuais”: qualquer reforma deve ser melhor do que isto que aí está.
titoguarniere@terra.com.br



Leandro Fontoura: do Fórum Social a Donald Trump

Em 2005, os organizadores do Fórum Social Mundial planejaram criar em Porto Alegre um território livre de refrigerantes de marcas estrangeiras. Na orla do Guaíba, sob o calor de janeiro, os idealistas que saíram de diversas partes do mundo para participar do evento não encontrariam nos isopores dos ambulantes bebidas produzidas por multinacionais.
A decisão atendia a duas bandeiras caras aos movimentos de esquerda que, desde 2001, colocavam de pé as tendas do evento criado em contraposição ao Fórum Econômico Mundial. A primeira era valorizar empresas locais. Fazia parte do pacote abastecer os locais de alimentação com produtos da agricultura familiar. A segunda consistia em combater, simbolicamente, a força das multinacionais e incentivar o debate sobre o poder das grandes empresas, do petróleo e do setor automotivo, por exemplo, sobre as nações mais frágeis.
Era o auge do discurso antiglobalização da esquerda. A integração econômica de cima para baixo aumentaria as desigualdades sociais no mundo. Os países pobres seriam explorados pelas transnacionais, e os ricos perderiam indústrias e empregos. Passada mais de uma década, a vitória de Nelson Marchezan Júnior (PSDB) na capital do Fórum poderia ser vista como uma curiosidade local ou reflexo de um contexto nacional. Mas há um cenário político e econômico mais amplo.
Surge hoje uma tendência de fortalecimento da direta em um mundo que ainda não conseguiu recuperar o crescimento, abalado pela crise de 2008. A surpresa é que esse movimento vem embalado por um discurso antiglobalização. O primeiro grande sinal foi dado no Reino Unido, com a aprovação em plebiscito da saída da União Europeia. Ainda que líderes trabalhistas e conservadores tenham defendido a permanência no bloco, uma direita extrema angariou votos pela ruptura batendo na livre circulação de pessoas, principalmente refugiados que utilizam serviços públicos e tomam empregos. Por ora, uma decisão judicial freou o Brexit.

O novo grande indicativo vem dos EUA. O republicano Donald Trump, mesmo sem apoio de boa parcela de seu partido, assombra a candidatura de Hillary Clinton com um discurso xenófobo e protecionista. Para conquistar votos com base no medo, chegou a elaborar a melhor imagem para seduzir alguém que busca segurança, a construção de um muro gigantesco separando os EUA do México. Resta saber se a direita populista será mais eficiente do que sua contraparte à esquerda usando porção do discurso aprendido nos últimos anos. A questão seguinte será entender as razões deste fenômeno.

Artigo, Mary Zaidan - Só restou ocupar escolas

Só restou ocupar escolas

Ocupação de 364 escolas, pouco mais de 2,2% dos 16 mil locais em que se realizam provas do Enem neste fim de semana, adiamento do exame para 240 mil dos 8,6 milhões de inscritos. Essa é a dimensão do movimento que se tornou bandeira única das correntes de esquerda que se viram à margem da preferência popular nas eleições municipais, e que, sem qualquer escrúpulo, jogam em cima dos jovens – estudantes ou não – o peso da derrota.

O não à PEC do Teto, já aprovada na Câmara e perto de ser votada pelo Senado, e à medida provisória que muda o ensino médio, é a principal frente de batalha para esse grupamento. Nas escolas ocupadas, na mídia e no Congresso. Se elas vigarem, afirmam os arautos da esquerda, a educação será definitivamente enterrada.

E o dizem como se o país tivesse alguma excelência a exibir na área, com resultados – especialmente no ensino médio – cada vez piores. No aprendizado e na frequência.

Melhor talvez fosse o envio de um projeto de lei ao de uma MP para estabelecer mudanças no currículo, mas a urgência de alterar o quadro de fracasso do ensino aos jovens justifica a celeridade. Obriga o Congresso, que há anos protela esse debate, a acelerar suas considerações.

A luta contra a PEC e a MP está na boca dos dirigentes de entidades estudantis e dos autointitulados movimentos populares. Aparece em letras garrafais no site do PT e no discurso do ex Lula, repetido esta semana em Buri, interior de São Paulo. “A primeira coisa que ele [ministro da Educação] propôs é uma PEC 241, para cortar gastos da educação, e uma reforma do ensino médio, que vai piorar muito a situação”.

Como é useiro e vezeiro, são falas sem qualquer lastro. O ministro não propôs PEC alguma, e Lula, claro, sabe disso. E a MP da reforma do ensino médio está longe de piorar o que já é para lá de ruim.

A PEC 241 aprovada pela Câmara e transformada em PEC 55 no Senado não diminui um único centavo da saúde, com 15% do orçamento, nem da educação, com 18%, atrelando os reajustes das duas áreas à inflação. Tratadas como exceção, ambas estão aptas a receber incrementos, mas não estão sujeitas a reduções percentuais na participação orçamentária. Em suma, podem ter mais ou menos recursos dependendo da capacidade de recuperação da economia do país.

Nada parecido com os cortes que a então presidente Dilma Rousseff se viu obrigada a fazer depois de impor ao país a pior recessão da História. Encalacrada por gastar muito mais do que podia, dois meses antes de ser deposta, Dilma anunciou cortes severos: R$ 2,3 bilhões na Saúde e R$ 4,2 bilhões na Educação, pasta que já sofrera tesourada de R$ 10,5 bilhões no ano anterior. No Congresso, as medidas receberam apoio irrestrito do PT e aliados da época e até da oposição.

Em nenhuma das duas ocasiões estudantes foram convocados a se manifestar. Não viram na redução orçamentária qualquer risco para a educação. Não piaram.

Prova irrefutável de que boa parte não passa de conveniente massa de manobra, usada para calar ou agir, dependendo das circunstâncias.

Como em qualquer protesto, há méritos a serem registrados: jovens lideranças surgem. Algo que pode refrescar o ambiente desde que a fúria em cooptá-las não seja tão intensa. Por vezes desrespeitosa, chegando a criar cenas de constrangimento.

Historicamente, a esquerda sempre foi eficaz na doutrinação. Talvez creia que ainda é capaz de fazê-lo. Mas o repertório da utopia que tanto sucesso fez no passado foi substituído por ideologias cambaleantes, não raro sustentadas em premissas falsas, ultrapassadas. No fascismo e em populismo barato. E ainda que povoem sonhos, tornam-se absurdamente deseducadoras quando pregam que governos podem e devem gastar mais do que arrecadam.


Para o bem geral da nação, a maioria -- até os mais jovens – não se engana. Sabe (e as eleições municipais demonstram isso) que dinheiro não dá em árvore e que nada é de graça: se governos dão alguma coisa a cobrança sempre vem. E alta.

Perguntas sobre o nono dígito no RS

Os jornalistas do Correio do Povo buscaram respostas para as mais inquietantes perguntas sobre o nono dígito no RS. Leia tudo:

Por quê, tecnicamente, é necessário o novo dígito?

Para atender à crescente demanda de novos usuários no país (inclusive novas aplicações como monitoramento remoto). O nono dígito é necessário para ampliação das faixas de códigos de acesso (números de telefones) disponíveis para a oferta do Serviço Móvel. A ampliação da Capacidade do Plano de Numeração será de 30 para 100 milhões de acessos por área de Código Nacional.


Qual é a ação recomendada para acrescentar o nove?

A atualização das agendas telefônicas é de responsabilidade dos próprios usuários. Para smartphones há aplicativos que realizam a inclusão automaticamente. Em celulares mais antigos a correção terá que ser manual.

Até quando ligações com oito dígitos podem ser feitas e completadas?

As chamadas feitas com 8 dígitos e com 9 dígitos serão completadas normalmente de 6 de novembro de 2016 a 15 de novembro de 2016, é o chamado duplo convívio. E as chamadas com 8 dígitos receberão mensagem orientativa sobre a mudança de 16 de novembro até 13 de fevereiro de 2017.

Qual é o prazo para as operadoras comunicarem clientes da mudança e a partir de quanto deixarão de avisar sobre a necessidade de colocar o 9 na frente do número?

A comunicação já está ocorrendo e será intensificada. Após 13 de fevereiro as ligações com oito dígitos não serão mais completadas e os clientes não receberão mais mensagem de suas operadoras.

Há operadoras ou situações em que não será obrigatório o dígito 9?

O nono dígito é exclusivo do Serviço Móvel Pessoal. Não será incluso no telefone fixo ou nos rádios.

A mudança implicará despesa na conta do titular da conta de celular?

Não há qualquer custo ao consumidor ou queima de créditos. As mensagens orientativas são gratuitas.

Quando a mudança começou no Brasil?

O processo de inclusão do nono dígito iniciou na área 11 (São Paulo) no final de julho de 2012. A região Sul é a última a ser migrada.


Os primeiros celulares tinham quantos dígitos?

A telefonia móvel chegou ao Brasil no início dos anos 90, com sete dígitos mas logo após já teve a inclusão do oitavo.

Essa é a segunda ou terceira mudança de número?

A inserção do nono dígito em todo o Brasil ocorreu em oito etapas.


Agora, independentemente da operadora, todos os celulares começam com 9?

Primeiramente o nono dígito será o nove, mas no futuro podem ser utilizados outros números, conforme padronização internacional.


Aplicativos

Acrescentar o nono dígito em cada um dos números de celular da agenda do telefone não trará nenhum aborrecimento ou dor de cabeça aos donos de aparelhos smartphones. As operadoras lançaram aplicativos (Apps) próprios, gratuitos, para ajudar na execução da tarefa. Eles promovem a inserção automática do novo número na agenda do aparelho e, simultaneamente, na lista do WhatsApp e Telegram.


Vivo 9º Digito

DDD 51, 53, 54 e 55 (RS). Basta baixar o aplicativo Vivo 9º Dígito. O App verifica toda a agenda e adiciona o dígito 9 automaticamente.

9º Digito Tim

Ajusta os números celulares dos estados que já possuem nove dígitos para o novo formato e grava os números alterados na agenda do usuário. Além disso, disponibiliza a função de incluir o Código de Seleção de Prestadora (CSP) 41 aos contatos, facilitando a realização de chamadas de longa distância.

Embratel 9º Digito

O aplicativo Embratel 9º Dígito acrescentará automaticamente o nono dígito aos contatos com DDDs dos estados mencionados. A extensão está disponível para download no iTunes e no Google Play.

9º Digito Oi

Os usuários de celular no RS (51, 53, 54 e 55), SC (47, 48 e 49) e PR (41, 42, 43, 44, 45 e 46) têm a ajuda de aplicativo criado pela Oi para formatar os contatos e inserir o código do estado, facilitando as chamadas quando estiverem fora de sua cidade. Também é possível programar a inclusão do código do país 55 na agenda para efetuar chamadas do exterior em períodos de viagem.

Claro


Marca do Grupo América Móvil Brasil, a Claro indica aos seus clientes baixarem o aplicativo da Embratel (acima), outra marca do Grupo.

Eliane Cantanhêde: Amigos hoje, inimigos amanhã

Eliane Cantanhêde: Amigos hoje, inimigos amanhã
O PMDB pode ter vencido quantitativamente, mas o PSDB venceu qualitativamente e é hoje o partido mais forte para 2018
Por: Augusto Nunes  04/11/2016 às 7:09
Publicado no Estadão 
O poder primeiro aglutina, depois corrói e a história é recheada de aliados que viraram inimigos, como PT e PSDB, unidos no combate à ditadura militar e adversários viscerais ao longo das muitas campanhas eleitorais e dos muitos governos pós-redemocratização. A pergunta que não quer calar é até quando vai o pacto de governabilidade entre o PMDB, que tem o governo federal, ramificação e ambição, e o PSDB, que foi o maior vitorioso das eleições municipais e é a única presença garantida na eleição para a Presidência em 2018. Esse pacto vai ou não durar até 2018?
O PSDB nasceu em 1988 de uma dissidência do PMDB de Orestes Quércia e nunca deixou de disputar as eleições presidenciais (1989, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010 e 2014) com candidato próprio – e competitivo. O PMDB virou uma confederação estadual de partidos, sem protagonismo no Planalto e um fiel da balança entre tucanos e petistas. Ora se tornava importante para os governos do PSDB, ora para os do PT. Para onde ia o PMDB, ia o poder. Ou ao contrário: para onde ia o poder, ia o PMDB.
O Plano Real elegeu Fernando Henrique Cardoso em 1994 e garantiu ao PSDB um peso que nenhuma outra sigla teve antes, nem depois, em tempos de normalidade democrática: de 1995 a 1999, o partido acumulou a Presidência da República e os governos de São Paulo (Mário Covas), do Rio de Janeiro (Marcello Alencar) e de Minas Gerais (Eduardo Azeredo). Um verdadeiro “strike”, que nunca mais se repetiu. Enquanto o PSDB crescia “para cima”, o PMDB crescia “para os lados”, tornando-se o partido mais ramificado no País.
Por uma dessas coisas da política, o PMDB só chegou ao poder, sem intermediários, surfando na guerra entre PSDB e PT, na crise política e econômica do desastre Dilma e na implosão da imagem ética do PT, inclusive de Lula. Não há vácuo de poder. Abriu espaço, alguém entrou. E quem entrou foi o PMDB, resguardado pela Constituição e pela posição de vice de Michel Temer.
Apesar de decisivo para parir o impeachment de Fernando Collor, o PT foi o único partido que não embalou o governo Itamar Franco, mas é aquela velha história: “Quem pariu Matheus que o embale”. A alternativa do PSDB com o impeachment de Dilma foi embalar ou embalar o governo Michel Temer. Mas isso não significa um casamento perfeito, nem mesmo harmonioso. E, quanto mais próximo de 2018, mais a tensão entre tucanos e pemedebistas tende a piorar.
Há uma diferença crucial, porém, entre os dois parceiros: o PMDB não tem nenhum nome evidente para a sucessão de Temer e o PSDB tem pelo menos dois. Como se sabe, o de Geraldo Alckmin, o maior vitorioso das eleições municipais, e o de Aécio Neves, que acumula três grandes derrotas desde 2014, mas tem munição e tropa: presidente do partido, controla a máquina tucana e a maioria das bancadas no Congresso.
Nas eleições municipais, o PMDB venceu em número de prefeituras, com 1.038 em todo o País, incluindo quatro capitais, e o PSDB ganhou em 803, mas 28 estão entre as 92 com mais de 200 mil eleitores e sete delas são capitais. Vai governar 23,7% da população (um em quatro eleitores), com orçamento de R$ 158,5 bilhões. Conclusão: o PMDB pode ter vencido quantitativamente, mas o PSDB venceu qualitativamente e é hoje o partido mais forte para 2018.

O casamento é de conveniência e, com ou sem amor, nenhum dos dois tem para onde correr. O PMDB precisa do PSDB, dos seus votos no Congresso e de um certo lustre de seus quadros. E o PSDB não pode, simplesmente, bater a porta na cara do PMDB e largar Estados, empresas e desempregados na mão – ou na amargura da crise. Logo, os dois estão no mesmo barco, mas isso não é para sempre e dificilmente irá até 2018. Se Temer naufragar, o PMDB estará fora. Se navegar bem, terá candidato próprio, contra o PSDB.

Três anos de cise na indústria

Se o governo conta com a indústria para movimentar a economia, criar empregos e alimentar o Tesouro com impostos, vai precisar de muita paciência. A produção industrial bateu no fundo do poço, dizem os mais otimistas, mas o caminho da recuperação ainda é muito longo e incerto. Em setembro o setor produziu 0,5% mais que em agosto, em volume, mas só um crescimento bem maior compensaria a retração acumulada nos dois meses anteriores – de 0,1% em julho e 3,5% em agosto. Com esse resultado, dificilmente o balanço econômico do terceiro trimestre, com divulgação prevista para o fim de novembro, será fechado em azul.
Os números do comércio e do varejo continuaram negativos em setembro, combinando muito bem com o desemprego de 11,8% – 12 milhões de pessoas – apontado no último relatório trimestral publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os otimistas podem ver sinais promissores em dois segmentos industriais. A pesquisa aponta aumento mensal de 1,2% na produção de bens intermediários e de 1,9% na fabricação de duráveis, puxada, neste caso, pelo setor de veículos automotores, carrocerias e reboques. Mas parece difícil conciliar este último detalhe com as estatísticas adiantadas pela associação nacional das montadoras, a Anfavea.
De acordo com esses números, a produção de veículos de todos os portes diminuiu de 177,73 mil em agosto para 170,81 mil em setembro e a exportação recuou de 40,19 mil para 38,78 mil. Também houve recuo na fabricação de máquinas agrícolas e rodoviárias.
Mesmo sem levar em conta a aparente disparidade entre os dados do IBGE e os da Anfavea, no caso de veículos e tratores, ainda é preciso levar em conta as dificuldades de crédito, a perda de renda e a insegurança dos consumidores. Nenhum desses itens permite pensar numa efetiva recuperação. Mais fácil é pensar numa recomposição de estoques e numa reação depois de grandes perdas durante o ano, como sugerido no relatório.
Se a indústria tiver de fato chegado ao fundo do poço, o percurso de volta ao nível de produção do ano passado, muito deprimido, já será muito longo. Em setembro, a produção da indústria geral foi 4,8% menor que a de um ano antes. De janeiro a setembro, ficou 7,8% abaixo do total registrado nos mesmos nove meses de 2015. Em 12 meses a queda chegou a 8,8%. Quando se considera um prazo mais longo, o cenário fica muito mais feio.
A produção industrial diminuiu 3% em todo o ano de 2014 e encolheu mais 8,3% em 2015. Se a evolução no trimestre final deste ano for mais favorável e a queda em 2016 ficar em apenas 6%, segundo previsão do mercado, será necessário um crescimento de 19,60% no próximo ano para se voltar ao nível de produção de 2013. Se essa recuperação quase inimaginável ocorrer, o setor ainda estará como se tivesse mantido crescimento zero a partir de 2014. E esse desempenho ainda teria sido muito melhor que o acumulado de fato.
As perspectivas, no entanto, são imensamente mais modestas, de acordo com as projeções coletadas no mercado pelo Banco Central (BC), em sua pesquisa Focus. Na última sondagem de outubro, as medianas das projeções apontaram retração industrial de 6% neste ano e crescimento de 1,11% em 2017, uma variação quase insignificante, depois de três anos de grandes quedas.
Não há como estranhar, nesse quadro, o desempenho ainda muito ruim do segmento produtor de bens de capital, isto é, de máquinas e equipamentos. Com cerca de um terço de capacidade ociosa e diante de uma demanda muito fraca, os empresários deverão levar ainda um bom tempo para voltar a investir no potencial produtivo. Em setembro, a fabricação de bens de capital foi 5,1% menor que em agosto e 7,2% inferior à de um ano antes. No ano, o volume produzido foi 15% menor que o de janeiro a setembro de 2015. A queda foi de 19,8% em 12 meses.

Com tanta ociosidade, a indústria poderá aumentar a produção, na fase inicial, sem maiores custos. Caberá ao governo, com seus projetos, dar o primeiro impulso à reativação dos negócios.