Análise, Amir Khair - Bomba para 2018 - Desemprego aumenta a pressão da população pelo atendimento na área social

Estas medidas são necessárias, mas estão longe de ser as que solucionam. Falta muito mais , e o governo as tomará ? Este governo, dificilmente fará isto. Para acabar com a crise , é preciso acabar com o desperdício fiscal, e nisto está a conta de juros , não apenas as despesas operacionais do governo, resolverá. Agora , com a volatilidade do dólar, o problema complicou mais. Mas há fatores endógenos, internos, que nada têm a ver com questões internacionais. 

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Bomba para 2018
Desemprego aumenta a pressão da população pelo atendimento na área social
Amir Khair*

Neste mês, o governo joga todas as suas fichas para aprovar a PEC 241, que congela por 20 anos a despesa primária (que exclui juros) do governo federal. Após isso, quer a reforma da Previdência, considerada fundamental para permitir a gestão da PEC 241. Segundo o governo, ou são aprovadas essas propostas pelo Congresso, ou o Estado quebra. Não penso assim, pois existe alternativa melhor como se verá à frente. 
A PEC 241 vai congelar as despesas primárias no nível de R$ 1.280 bilhões em valores atuais, sendo 40% com Previdência, 20% com pessoal, 20% com outras despesas obrigatórias e 20% com despesas não obrigatórias.
Como a despesas com Previdência têm crescimento vegetativo anual de cerca de 4% irá comprimir as demais despesas, como as sociais destinadas a Estados e municípios. Além disso, a renegociação da dívida dos Estados com o governo federal irá impor, também, congelamento de despesas aos Estados, o que reduzirá suas despesas sociais e para seus municípios.
Assim, serão reduzidos os recursos a serem destinados às áreas sociais no governo federal, estadual e municipal.
Por seu lado, o desemprego elevado e crescente aumenta a pressão da população pelo atendimento na área social e o congelamento vai agravar mais ainda essa situação a cada ano pelo crescimento da população. Isso aponta para tensão social crescente.
Outra tensão social é a mudança nas regras da aposentadoria, que já está trazendo desgastes. Há alternativas melhores para tratar o problema fiscal da Previdência. Volto ao tema proximamente. A proposta do governo descarrega o peso da crise em cima da classe média e de menor renda e preserva os bancos e rentistas. Em vez de atacar os juros ataca as despesas sociais. Vejamos a questão fiscal.
De 2010 a 2013 o déficit fiscal do setor público esteve sempre abaixo de 3% do PIB, com média de 2,5% do PIB. Foi um bom desempenho na comparação histórica e internacional. É em 2014 que ocorre o problema fiscal, com forte elevação de despesa devido à disputa eleitoral. 
Em 2015, apesar da contenção de despesas, o aprofundamento da recessão e elevação das despesas com juros, o déficit público explodiu atingindo 10,4% do PIB, sendo causado em 82% por juros, 13% por perda de arrecadação e apenas 5% pela elevação de despesas, mesmo tendo pago R$ 55,6 bilhões de pedaladas fiscais feitas antes de 2015.
Neste ano, o déficit fiscal deve se aproximar novamente de 10% do PIB, com explicação semelhante à ocorrida em 2015. Assim, para enfrentar a questão fiscal é fundamental atacar suas causas: juros, recessão/perda de arrecadação e contenção de despesas, nessa ordem. 
A proposta do governo foca só nas despesas.Considera juros e perda de arrecadação em segundo plano e dependentes do sucesso na contenção de despesas. As análises, no entanto, mostram que pela proposta do governo a relação dívida/PIB vai continuar subindo dos atuais 70% do PIB podendo ultrapassar 100% do PIB em poucos anos caso não recuem de forma significativa as taxas de juros que incidem sobre ela.
O problema é que, no nível atual da dívida, soluções que não reduzam rapidamente os juros só vão agravar o déficit fiscal. Isso implica, como tratado nesta coluna, eliminar até o fim de 2017 vários desperdícios fiscais: 
a) excesso de US$ 200 bilhões em reservas internacionais; b) R$ 1 trilhão de disponibilidade do Tesouro Nacional (TN) no Banco Central sem rendimentos e; c) R$ 521 bilhões emprestados pelo TN ao BNDES (bolsa empresário).
Junto com a eliminação desses desperdícios a Selic deveria ir para o nível da inflação projetada para os próximos doze meses como se faz internacionalmente. Essas medidas, não dependem do Congresso e podem ser implementadas gradualmente até o fim de 2017. Permitirão ao final do próximo ano levar a relação dívida/PIB para o nível de 40% em linha com a média dos países emergentes. Penso que ao atingir a classe média e de menor renda este governo pode estar criando uma bomba para 2018. 
* Mestre em finanças públicas pela FGV e consultor. 

Artigo, Rosane Oliveira, Zero Hora - Judiciário, uma ilha protegida da crise

Judiciário, uma ilha protegida da crise
Magistrados gaúchos foram contemplados com o pagamento dos atrasados do auxílio-alimentação: R$ 57.210,90 
11/11/2016 - 21h23min | Atualizada em 12/11/2016 - 08h55min
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No mesmo dia em que os servidores do Executivo receberam um depósito de R$ 1,5 mil, oitava parcela do salário de outubro, juízes e desembargadores foram contemplados com o pagamento dos atrasados do auxílio-alimentação. Valor do depósito para quem tem direito aos cinco anos do benefício: R$ 57.210,90, segundo fontes extraoficiais, pagos em folha suplementar. Por se tratar de verba indenizatória, sobre os auxílios moradia e alimentação não incide Imposto de Renda.
O auxílio-alimentação vem sendo pago todos os meses desde 2011, mas o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) entendeu que era devido a partir de 2006. Em outubro, o valor de R$ 799 passou para R$ 884, retroativo a março de 2016.
O presidente do conselho de comunicação do Tribunal de Justiça, desembargador Túlio Martins, explica que se trata de uma determinação do CNJ, atendendo a pedido da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris). O pagamento da alimentação consumida entre 2006 e 2011 não é o único reforço na renda dos magistrados. O TJ também está pagando, em dinheiro, por férias não gozadas até 2013. Neste caso, a ordem é do Supremo Tribunal Federal. Além do salário integral, o magistrado que não gozou as férias no devido tempo recebe o adicional de um terço. Membros do Judiciário e do Ministério Público (MP) têm direito a dois meses de férias por ano. 
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No site Transparência, os pagamentos feitos em folha suplementar ainda não aparecem. Na consulta aos contracheques, constata-se que a maioria recebe acima do teto, graças ao pagamento de "vantagens eventuais" e de verbas indenizatórias, como o auxílio-moradia de R$ 4,3 mil e vale-alimentação. Para consultar os pagamentos no site do TJ, o interessado precisa se identificar, informando nome e CPF. 
No Ministério Público, promotores e procuradores tiveram o direito de vender, neste mês, um terço das férias, mas limitado a um mês (cerca de R$ 10 mil).
O pagamento de despesas de exercícios anteriores e a compra de férias contrasta com o cenário de miséria enfrentado pelos servidores do Executivo. 
Na sexta-feira, ZH publicou artigo do presidente do TJ, desembargador Luiz Felipe Silveira Difini, com o título "Justiça em números". No texto em que destaca o alto índice de produtividade dos magistrados do RS, Difini diz que "a remuneração na Justiça gaúcha é uma das menores do Brasil, em 21º lugar entre 27 tribunais estaduais". No mesmo artigo, o desembargador menciona a necessidade de investimentos em informática, para acelerar a implementação do processo eletrônico, e diz que, "para manter a posição de eficiência comparativa alcançada e melhorar os serviços prestados à população gaúcha", o TJ precisa repor, minimamente, o déficit de juízes e servidores. Hoje são 190 cargos vagos de juiz e 1,9 mil de servidores.


Impacto da eleição norte-americana nas relações comerciais entre EUA e Brasil pode ser baixo

Impacto da eleição norte-americana nas relações comerciais entre EUA e Brasil  pode ser baixo
- Após a vitória do candidato republicano na eleição presidencial norte-americana, que defendeu uma política comercial protecionista durante a campanha, surge a preocupação em relação a seus impactos sobre a economia brasileira. À primeira vista, tendemos a acreditar que o Brasil será pouco afetado do ponto de vista comercial.
- As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 22,7 bilhões nos últimos 12 meses terminados em outubro, e as importações provenientes desse país somaram US$ 23,5 bilhões em 12 meses. Com isso, a corrente de comércio do Brasil com os EUA somou US$ 46,2 bilhões nos últimos 12 meses, e  o déficit comercial é de cerca de US$ 826 milhões. O primeiro elemento para justificar nossa hipótese de que os impactos reais da eleição norte-americana serão diminutos no Brasil é que nossa balança comercial com os EUA é estruturalmente deficitária.
- O segundo argumento é que nossas exportações são pouco relevantes na pauta importadora dos EUA, constituindo apenas 1,1% da mesma. À primeira vista, tendemos a acreditar que essa é uma participação pequena o suficiente para não gerar incômodo, ou seja, a pouca relevância das nossas exportações no total importado pelos EUA poderia, teoricamente, nos proteger.
- Por fim,  as empresas americanas no Brasil geram fluxos de dólares para os EUA, e boa parte desses investimentos é voltada para o mercado interno brasileiro e não para sermos plataforma de exportação para os EUA. Nessa lógica, não representamos uma ameaça aos empregos de americanos.
- Portanto, o Brasil não deveria, teoricamente, ser o foco de medidas protecionistas por parte dos EUA. Porém, caso isso ocorra é importante termos em mente que as exportações de manufaturados poderão ser mais sensibilizadas, dada a concentração da pauta de exportação para os EUA nesses bens.
Apesar dos progressos na correção dos desequilíbrios macroeconômicos argentinos, ainda existem importantes desafios
- Após quase um ano da posse de Mauricio Macri como presidente da Argentina, diversas medidas já foram tomadas em direção à normalização das políticas macroeconômicas, corrigindo os desequilíbrios verificados na economia. O governo removeu as restrições ao mercado de câmbio, acabou com as tarifas sobre as exportações e negociou um acordo com os credores. Esse acordo permitiu a normalização dos pagamentos da dívida e, com isso, reabriu os mercados internacionais ao país.
- Um dos desafios do país é controlar a inflação, que permanece em níveis elevados, mantendo-se persistentemente acima dos 20% ao ano. Em julho, a depreciação cambial e o corte de subsídios fizeram a inflação chegar perto de 50% ao ano. O Banco Central adotou as taxas de juros de curto prazo como instrumentos de política monetária, em oposição ao antigo regime de controle de agregados monetários e da taxa de câmbio. A partir de 2017, o país deverá seguir um regime de metas de inflação. O objetivo é reduzir a inflação para 5% ao ano ao final de 2019, e para tanto foram estabelecidas metas decrescentes para a mesma.
- Talvez o principal desafio seja o ajuste das contas públicas em meio a um cenário de contração da atividade econômica, que afeta a arrecadação tributária. Desde a posse, o governo tem demostrado que pretende implementar o ajuste fiscal de forma gradual ao longo dos próximos quatro anos. No entanto, na proposta para o orçamento de 2017, houver uma revisão das metas fiscais, estabelecendo uma consolidação ainda mais gradual das contas públicas.
Octavio de Barros

Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO

Artigo, Nelson Pacheco Sirotsky - Você

Você.
Donald Trump, Mauricio Macri e João Dória são empresários que migraram para a política, representam uma ruptura do status quo neste setor e traduzem, por isso, uma forte percepção de mudança. Mas isso tudo é notório. O que não é óbvio e me pareceu decisivo nessas três eleições é: elas são um retrato perfeito da revolução digital. E VOCÊ está no centro disso.
Explico.
Você quer renovação na política. Você se importa pouco com ideologias. Está permanentemente conectado. Recebe informações de todos os lados, por todas as redes, o tempo inteiro. É com essa consciência que você vota. Ou decide se vai, ou não, votar. É com esse empoderamento, criado a partir das informações a que tem acesso, que cria sua própria convicção e escolhe. É uma lógica completamente diferente – e não quero aqui falar sobre as posições ou ideias dos candidatos.
Não mais adianta Madonna pedir para o eleitor votar em Hillary Clinton. Ele pode até gostar de Madonna, mas se não quiser votar em Hillary, não vota. Madonna não manda neste eleitor. Partido político não manda neste eleitor. Ninguém mais manda neste eleitor. Ele forma sua convicção e decide sozinho, a partir de tudo que vê, ouve, lê e conversa. É uma autonomia jamais vista. 
É por isso que nem todo latino sente-se obrigado a votar em Hillary. Porque ele quer votar em quem ELE quiser. Em quem ELE acha que é bom para ele. E, assim, criam-se oportunidades para novos líderes surgirem, para novas pessoas apresentarem suas propostas, para representantes diferenciados, de setores ou formações nunca pensados, fazerem carreira. Porque, se o eleitor quiser, qualquer um deles poderá ser o novo presidente.
Essas escolhas traduzem uma identificação pessoal desses eleitores americanos, argentinos e paulistanos. Eles são influenciados por este mundo novo, conectado, e não mais por promessas vazias, ideias questionáveis ou posições polêmicas. Este eleitor pode nem concordar com tudo que o candidato expressa, mas ao se identificar com algum aspecto, e por sentir-se empoderado para decidir, ele faz a sua escolha. E este protagonismo, acredito, é uma percepção recente que deve sua intensidade às redes sociais e às novas formas de comunicação. É neste ambiente que as pessoas vivem, opinam sobre o mundo, questionam e se posicionam. Elas percebem que sua própria convicção tem valor. 
O que resulta disso? 
Para mim, várias coisas: acabou o voto por influência. Acabou a ideologia do voto. Acabou direita e esquerda. O que fica é o indivíduo e o seu poder de escolha.O eleitor e seu protagonismo.Isso vai exigir mudança nos sistemas políticos, ajustes nas regras de representatividade, transformação nos partidos. 
Cada um dos eleitores é protagonista. Cada um decide. E qualquer um pode ser o próximo presidente da república. Quem sabe você, que está terminando de ler esse texto?

Nelson Pacheco Sirotsky
​Presidente da Maromar Investimentos e Membro dos Conselhos do Grupo RBS e do Grupo Algar


Crise afeta serviços públicos em todo o País

O atraso de pagamento de salário a servidores é apenas um dos efeitos da crise fiscal que se agrava nos governos estaduais este fim de ano. O buraco financeiro que se abriu no caixa dessas administrações públicas já prejudica serviços básicos à população, como o atendimento em hospitais e o funcionamento de escolas. Para piorar, a falta de dinheiro nos cofres dos estados tem gerado um movimento cascata que atinge os municípios.

Repasses mensais de verba principalmente para a saúde, que são determinados pela Constituição, estão deixando de ser feitos por governadores a prefeituras. O atraso na liberação desses recursos chega a cinco meses no Mato Grosso, por exemplo.

Com esse dinheiro, os municípios pagam parte dos gastos com o atendimento da rede básica (postos de saúde) e hospitais. Mas desde junho ele não é liberado, segundo a Associação dos Municípios Matogrossenses (AMM).

O problema foi assunto ontem de um evento organizado pela AMM e o Tribunal de Contas do Estado (TCE) em Cuiabá.

— A dívida do governo de Mato Grosso com as prefeituras é de R$ 69 milhões. A consequência disso é que temos hospitais paralisando atividades e médicos que estão deixando de trabalhar porque estão sem receber salário — afirmou o presidente da AMM, Neurilan Fraga.

Anteontem, o governo estadual se comprometeu a quitar o débito até a próxima semana com recursos que virão do governo federal provenientes da arrecadação com a Lei da Repatriação. Segundo Fraga, o governador Pedro Taques (PSDB) prometeu destinar todo o recurso que o estado receberá, cerca de R$ 70 milhões, para resolver a dívida da saúde com os municípios.

As prefeituras não são as únicas a bater na porta do governo matogrossense cobrando pagamentos. Na segunda-feira passada, os cinco maiores hospitais filantrópicos de Mato Grosso suspenderam, por tempo indeterminado, todas as cirurgias eletivas (aquelas que não são de urgência), internações em UTI e consultas ambulatoriais. Entre os hospitais afetados estão a Santa Casa de Cuiabá e o Hospital do Câncer. Eles acusam o governo de não pagar desde março uma verba especial acordada em 2015 para cobrir o déficit com os atendimentos pelo SUS de cerca de R$ 3,5 milhões por mês. Em nota, o governo do MT informou que também conta com a verba proveniente da repatriação para honrar o débito.

Hospitais filantrópicos também deixaram de atender pacientes pelo SUS em Santa Catarina por falta de pagamento do governo do estado. Os mutirões de cirurgias eletivas estão paralisados desde julho. A Associação dos Hospitais de Santa Catarina diz que a dívida com o setor de saúde atinge 42 hospitais e é de R$ 52 milhões. A previsão era que cerca de 40 mil cirurgias fossem realizadas entre julho e dezembro deste ano.

— Não existe cronograma de pagamento e isso é o que mais nos assusta — disse o presidente da associação, Altamiro Bittercourt.

A reportagem procurou a Secretaria da Saúde no estado, mas ela não comentou se tomará alguma medida para quitar os débitos ou retomar as cirurgias eletivas.

ATÉ SEM TRANSPORTE ESCOLAR

Desde o dia 1º deste mês, alunos de algumas cidades do Distrito Federal estão sem ter como chegar à escola porque as empresas que fazem o transporte escolar interromperam o serviço porque não recebem há meses o pagamento do governo estadual. A dívida ultrapassa os R$ 30 milhões. Segundo as empresas, cerca de 40 mil alunos foram afetados pela paralisação.

Ontem representantes dos empresários tiveram uma reunião com o governo. Segundo a Secretaria Estadual de Educação, eles prometeram retomar as atividades a partir de hoje. A reportagem não conseguiu contato com as empresas que prestam o serviço.

Problemas no funcionamento de escolas também ocorrem no Amapá. A falta de dinheiro fez escolas estaduais reduzirem o turno de aula desde o fim de outubro. Em Macapá, uma unidade fixou um cartaz com os novos horários: “Saída será às 10 horas (turno da manhã) e às 16 horas (turno a tarde). Obs: Não há merenda”, diz o aviso. No início deste mês, a secretaria de Educação admitiu que recursos não foram repassados por causa da crise financeira. O GLOBO tentou contato com representantes da pasta ontem, mas não localizou ninguém.

Para resolver o problema fiscal, governadores pressionam o governo federal por uma ajuda emergencial para que as contas não fechem no vermelho em 2016. A crise mais grave ocorre no Rio de Janeiro, mas outros estados, como Rio Grande do Sul, que vive o drama da explosão dos índices de criminalidade, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, também enfrentam dificuldades, entre elas, o pagamento do 13º salário.

Oito estados estão com a despesa de pessoal estourada, ou seja, acima do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que é de 60% da receita corrente líquida. São eles: Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraíba, Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro e Paraná, respectivamente. Em muitos desses locais, o pagamento de salários do funcionalismo já vem sendo parcelado há alguns meses.

Por enquanto, o governo federal não sinalizou com ajuda concreta aos estados. Um grupo de governadores defende que a União libere empréstimos do BNDES aos estados para quitar o 13º. Mas haveria um empecilho porque um banco de fomento não pode financiar o pagamento de despesas de custeio.


A repatriação de recursos no exterior rendeu ao governo federal R$ 50,9 bilhões. Parte desse dinheiro será compartilhado com estados e municípios. Em alguns casos isso significará um alívio, mas está longe de resolver a crise.

Artigo, Ricardo Noblat, O Globo - No desespero, Lula cospe fogo contra a Lava-Jato

No desespero, Lula cospe fogo contra a Lava-Jato
11/11/2016 - 03h34
Ricardo Noblat

Quem ainda liga para Lula?

A imprensa, de quem ele se diz vítima, ainda liga, seja por se achar obrigada a divulgar tudo o que possa interessar a parcelas dos seus leitores, seja para driblar a acusação de que persegue Lula.

Os devotos de Lula ainda ligam para ele, mas tais devotos escasseiam à medida que o tempo corre e que os fatos se sucedem. Condenado ou não, Lula é carta fora do baralho. Como Dilma.

Tornou-se um fardo até mesmo para o PT. Parte do PT quer mais é livrar-se dele, refundar o partido e ir em frente. Outra parte, a que de fato manda, admite Lula por perto desde que ela siga mandando.

Quem tem mais votos para eleger uma nova direção do PT e ditar os rumos do partido? Os que atualmente mandam nele. Lula não tem. Nem os que advogam a refundação.

Ainda se empenham em ligar para Lula os que sempre viveram à sua sombra e a custa de sinecuras. E também as figurinhas carimbadas  que comparecem a atos em defesa dele.

Foi para tais figuras, as mesmas que subscreveram manifestos denunciando o “golpe” que derrubou Dilma e se cansaram de gritar “Fora, Temer”, que Lula falou, ontem à noite, em São Paulo.

O que Lula disse em sua defesa? Acusou o juiz Sérgio Moro, os promotores das Lava-Jato e a imprensa de comprometimento político e ideológico. Afirmou que é alvo de “um pacto diabólico”.

Para variar, bravateou. “Mexeram com a pessoa errada”, disse em tom de ameaça. Para acrescentar:

- Não tenho problema em prestar quantos depoimentos forem necessários. [...] Tenho preocupação é quando vejo um pacto quase diabólico entre a mídia, a Polícia Federal, o Ministério Público e o juiz que está apurando todo esse processo.

Por fim, proclamou: “Não tenho que provar minha inocência, eles é que tem que provar a inocência deles na acusação".

De fato, Lula não tem que provar que é inocente. Cabe aos seus acusadores provar que ele é culpado. Mas, ao contrário do que Lula disse, não cabe a eles provarem a própria inocência.

Somente Lula e sua reduzida turma acusam Moro e os procuradores de “comprometimento político e ideológico”. E não se preocupam em provar o que dizem. Simplesmente dão por provado.


Triste performance, essa, a de um líder decadente derrotado por sua própria ambição.

Artigo, Mário Cavalheiro Lisbôa, Zero Hora - É a economia

Mário Cavalheiro Lisbôa: é a economia
Procurador de Justiça aposentado

Porto Alegre vive uma crise sem precedente em relação à criminalidade. A outrora cidade que ostentava qualidade de vida tranquila transformou-se em local perigoso onde o direito de ir e vir somente pode ser desfrutado sob risco à integridade física, já que Porto Alegre registra um assalto a cada 15 minutos. O que houve? Que modificações substanciais teriam ocorrido nesses últimos anos para haver essa deterioração social?

Com base em pesquisa elaborada pela Universidade de Harvard, nos EUA, concluiu-se que uma queda de 2,6% no desemprego produziu redução de 3,9% nos índices de criminalidade. Logo, um aumento de pessoas desempregadas aumenta a criminalidade. De acordo com a Fundação de Economia e Estatística, a Região Metropolitana de Porto Alegre, de janeiro de 2015 a setembro de 2016, apresentou aumento no desemprego de 9,7% para 11% da população. Tudo produto da maior crise econômica em que foi mergulhado o Brasil nas últimas décadas. O rombo criado pelo governo federal afetou toda a sociedade, nisso incluindo Estados e municípios. E a situação não para de piorar. Vejam o que está ocorrendo no Rio de Janeiro.


É certo que a impunidade é a maior causa da criminalidade. Uma pesquisa da Universidade de Missouri, nos EUA, demonstrou que cada aumento de 10% na população carcerária causou redução de 15% a 20% no número de homicídios. Mas também nesse item a economia é fundamental. Como combater efetivamente a criminalidade se o Estado não tem recursos para aumentar o número de policiais nem para construir novos presídios? A grande diferença nos últimos anos no enfrentamento à criminalidade foi a grave crise econômica. E a área econômica não admite milagres ou pensamentos mágicos. A recuperação econômica é um processo lento, que exige coragem, sensatez e muita paciência. Não vamos nos iludir: enquanto perdurar a crise econômica, dificilmente a criminalidade haverá de diminuir. Mas convém parar com as injustiças. Não devemos jogar pedras em quem não tem culpa.