Na Folha, Gleisi compara Bolsonaro a Hitler


Presidente de um Partido cujo líder está preso como ladrão, a senadora Gleisi Hoffman, que sequer disputou a reeleição porque iria perder (ela foi eleita deputada), teve a ousadia de comparar Jair Bolsonaro com Hitler, subvertendo qualquer utilização de história comparada e cometendo uma falsidade ideológica sem paralelo. Conhecida como "A Amante" nos livretos de corrupção da Odebrecht, que revelou os subterrâneos corruptos mais imundos de toda a história brasileira. Gleisi não se cansa de produzir provocações intoleráveis.

Gleisi Hoffmann, na Folha de S. Paulo, comparou Jair Bolsonaro a Hitler. Leia os absurdos produzidos por ela:

A serpente fascista rompeu a casca do ovo e já não tenta disfarçar sua natureza. Pensa estar ‘com a mão na faixa presidencial’ e já exerce seu reinado de ódio e perseguição, incitando a violência contra pessoas e instituições, o que é intolerável numa democracia.

A história nos ensina o que aconteceu na Alemanha dos anos 1930: numa profunda crise social e econômica, um ex-cabo do Exército manipulou o desespero e a insegurança da população, com um discurso de ódio que prometia pôr o país em ordem.

Sua ordem foi perseguir e matar os judeus, os estrangeiros, os homossexuais, os ciganos e os negros. Foi o império do terror, em que filhos delatavam os pais, com a imposição do trabalho escravo e uma guerra que matou 50 milhões de pessoas.

Colaboraram para a ascensão do nazismo a omissão, a leniência e até o oportunismo das instituições políticas e republicanas, inclusive o Judiciário. O Brasil está maduro o bastante para não repetir aquele erro. Nossas instituições têm de reagir com vigor e urgência à serpente fascista, antes que seja tarde demais.

Artigo, Leonardo Arruda - Conseguirá Bolsonaro chegar ao fim do mandato?

Escrevo essas linhas faltando ainda alguns dias para o segundo turno da eleição. Mas, assim como todo mundo, já dou como certa a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República de 2019 a 2022.
Também eu, assim como todo mundo, já me preocupo com o “day after”.
Nunca na história deste país um presidente assumirá o mandato com uma oposição tão ferrenha já afiando suas armas e preparando suas estratégias. Ouso dizer que o que aconteceu (e está acontecendo) com Trump nos EUA é café pequeno comparado ao que veremos aqui com Bolsonaro.
Nosso futuro presidente enfrentará a oposição das ONGs ambientalistas, indigenistas e desarmamentistas; Enfrentará o bombardeio incessante da imprensa falada, escrita e televisada (nacional e internacional); Enfrentará a oposição de toda classe política esquerdista; Enfrentará oposição religiosa promovida pela CNBB da Igreja Católica, assim como das igrejas protestantes filiadas ao CMI (Conselho Mundial de Igrejas); Enfrentará os movimentos LGBT, etc.
Além das facções acima listadas, Bolsonaro enfrentará uma resistência inédita no país que é a reação do “estado profundo” (deep state) - a máquina pública doutrinada pela filosofia socialista desde meados do século passado e que tudo fará para expulsar o “corpo estranho”. Este será, sem dúvida, seu maior problema. Notar que não será apenas uma oposição ideológica. Todos sabemos que o déficit da previdência é causado principalmente pelo setor público. Além disso, para diminuir o déficit orçamentário, é de se esperar um rigoroso corte nas mordomias dos três poderes. Ou seja, mais que uma oposição ideológica será também uma oposição corporativa ao presidente da República.
Todos esses problemas podem ser enfrentados com sucesso se duas condições forem observadas:
A primeira condição é o estabelecimento de uma conexão direta com a população brasileira contornando a mídia tradicional. Trump, nos EUA, tem usado o Twiter para esta função. A meu ver esta não é uma boa opção dada as limitações dessa mídia. Aqui no Brasil nós temos a EBC – Empresa Brasileira de Comunicação, responsável pela Voz do Brasil nas rádios. Esse pessoal pode ser direcionado a produzir um vídeo semanal para a internet com os argumentos do presidente. Mais ou menos o que ele já faz hoje de forma amadorística, mas com maior aprimoramento técnico e tratamento jornalístico adequado. Sua forma direta e simples de se comunicar com o povão poderá neutralizar a oposição feroz da mídia de forma eficaz.
A segunda condição é mais importante e também a mais difícil de ser atingida: dinheiro no bolso! A verdade é que com dinheiro no bolso ninguém vai dar a menor bola para a oposição. Ou seja: se o plano econômico de Bolsonaro produzir resultados visíveis para a população, a gritaria da oposição será simplesmente ignorada. Por outro lado, se a crise econômica permanecer (ou se agravar), a tendência é que a argumentação da oposição seja progressivamente mais aceita, o que resultará no aumento da rejeição ao governo, na impossibilidade de sua reeleição ou mesmo de fazer seu sucessor. Em última instância Bolsonaro poderá perder o mandato sendo impedido (impeachment), tal como aconteceu com a presidente Dilma.

Artigo, Astor Wartchow - Uma eleição para esquecer

Advogado 
Não há adjetivos negativos suficientes para classificar este melancólico e deprimente segundo turno presidencial, cuja marca mais deplorável é a generalizada e recíproca falta de respeito entre um expressivo grupo de pessoas, acerca de suas opiniões e prováveis votos.
Esta eleição se transformou em um plebiscito sobre negações e violações, uma incansável e inesgotável narrativa sobre os defeitos do outro. De um lado vigora o “ele não” e do outro o “PT nunca mais”.
De um lado denigre-se uma pessoa, no caso o candidato Bolsonaro, dito que vocacionado para a grosseria e a tirania, a julgar por suas dezenas de temerárias e desqualificadas declarações.
De outro lado, não menos desqualificado, e também com farto material probatório de condutas pessoais e coletivas negativas, uma instituição e seus principais líderes, alguns já condenados e presos, no caso o Partido dos Trabalhadores.
O mais surpreendente é o seguinte: o esforço de cada lado em rotular e insistir que os defeitos do outro são piores que os que o adversário lhe atribui.  E que o futuro que o outro (se eleito)  nos acena e promete será desastroso. 
Então, o que sucede é que os dois candidatos somam e representam (quase que na totalidade de votos alcançados e potenciais) não as próprias virtudes, mas sim a soma dos defeitos do outro. Logo, não é possível identificar, nem valorizar, eventuais virtudes de parte a parte.
Faz sentido. Afinal, são os dois extremos e lados negativos da mesma moeda. Frutos da longa e repetitiva semeadura inconseqüente e agora absurda e dolorosa colheita.
Outro aspecto. Um efeito colateral deste circo dos horrores comportamentais. Haverá um número gigantesco de votos nulos e brancos. Afinal, as convicções de muitos cidadãos não admitem uma opção compulsória, constrangedora e intolerante, uma exceção por baixo de suas réguas ético-políticas. Pertinente e respeitoso compreender suas motivações, suas razões e, finalmente, seus votos.
Finalmente, cabe perguntar: se tão notórios tantos defeitos de parte a parte, como imaginar e esperar que algum deles – pessoas e partidos em questão - possa oferecer e assegurar um processo de pacificação social e uma pauta de  desenvolvimento?
E não bastará pacificar e promover o desenvolvimento. Há urgentes e graves reformas estruturais a serem realizadas, infelizmente adiadas governo após governo, e que demandam amplo apoio popular e parlamentar.
Não bastassem nossas dificuldades, tudo indica que o cenário internacional imediato – social e econômico – entrará em estado de alta fervura e resultará por agudas transformações. Há ameaças de recessão mundial. As migrações não param. O desemprego mundial cresce e se torna sem solução. Dias dramáticos virão!    

Leonardo Barreto e Beth Cataldo, Abrasce - Variáveis de um eventual governo Bolsonaro

A uma semana do segundo turno da eleição presidencial, as pesquisas mostram um quadro consolidado em favor do candidato Jair Bolsonaro (PSL). Com pequenas variações entre os institutos, o deputado federal tem 60% contra 40% das intenções de voto de Fernando Haddad (PT).  Não há sinais de que o cenário possa mudar. Segundo dados da pesquisa FSB/BTG, divulgados nesta segunda-feira (22), para 94% dos eleitores de Bolsonaro, a decisão já tomada é irreversível. O indicador de consolidação de Haddad é de 90%. A rejeição de Bolsonaro é de 38% e a de Haddad de 52%. A alta probabilidade de vitória de Bolsonaro já faz com que stakeholders importantes virem a página e passem a discutir cenários do próximo governo. Nessa dinâmica, movimentos de personagens do entorno de Bolsonaro já passam a ter consequências sobre o equilíbrio político do próximo governo. Há seis pontos de atenção na agenda.
(i) Os nomes que comporão o primeiro ministério. (ii) A relação com o Congresso Nacional e o Judiciário. (iii) A qualidade da transição entre o governo atual e o futuro. (iv) A receptividade de Bolsonaro às demandas dos setores da economia. (v) A relação com a imprensa. (vi) A relação com o exterior.
Os primeiros quatro grupos de agendas são, à rigor, variáveis da mesma equação. Para Bolsonaro, definir os nomes que ocuparão os ministérios é o caminho para pavimentar a questão mais crucial para sua situação política no médio prazo, qual seja, o timing de aprovação das reformas mais difíceis. Entidades empresariais já estão encontrando Bolsonaro e seus interlocutores para apresentarem, cada uma, sua lista de demandas para poderem retomar a rota de crescimento. Na medida em que esses atores também possuem largas conexões com o Congresso Nacional, os articuladores presidenciais podem vincular apoios mútuos entre agendas comuns e setoriais para viabilizar as reformas. A relação com a imprensa se anuncia como uma tarefa difícil para Bolsonaro. A combinação de falta de experiência no assunto e a estratégia bem-sucedida até aqui de fazer o enfrentamento é um ponto de fragilidade do próximo governo. Em corridas de tiro curto, como uma campanha eleitoral, a estratégia de enfrentamento pode funcionar, como aconteceu de fato. Entretanto, o exercício de um mandato presidencial equivale a uma maratona e o enfrentamento constante pode acelerar processos de desgaste e fadiga política. Na mesma direção, declarações desencontradas sobre a agenda externa antecipam problemas de relação com outros países. Bolsonaro, taxado de extrema direita pelo mainstream da mídia internacional, deve iniciar sua gestão já com déficit de imagem. Sem base parlamentar consistente, Bolsonaro viverá dos seus resultados e consequente popularidade obtida ou não a partir deles. Se as reformas devolverem confiança aos agentes econômicos e a recuperação ocorrer rapidamente, o futuro presidente terá condições de avançar um pouco mais.

Artigo, Luiz Felipe Pondé, Folha - Esquerda fetiche


We dont need no education (não precisamos de educação) é coisa de teenager bobo


Sempre desconfiei de artistas com pautas políticas. Continuo desconfiando: artista falando de política é puro marketing. Recentemente, tivemos um exemplo no show do Roger Waters e sua “inserção” no debate político brasileiro. Sua crítica é puro fetiche gourmet.

Artistas assim (existem vários exemplos nacionais e internacionais, mas não vou citá-los, você os conhece bem) ganham rios de dinheiro sendo “progressistas”. Trata-se de uma espécie de gourmetização da crítica política, propício a shows de rock and roll.

O mundo da arte, do audiovisual e da cultura é um dos mais violentos e antiéticos da face da Terra. Quem discordar, mente ou desconhece o assunto.

A informalidade e o “capitalismo selvagem” que regem esse campo de negócios é reconhecidamente agressivo. Jovens, e pessoas em geral, são frequentemente explorados em larga escala quando tentam entrar nesse mercado de trabalho. Além de serem mal pagos.

Seja música, seja cinema, seja teatro ou afins, muito do que os artistas criticam no mundo do “capital” à sua volta é prática comum nesses mesmos campos de negócios. Entre a vaidade e a vocação ao abuso, os artistas (não todos, é claro) são menos confiáveis do que a “velha política”.

Outro fator importante é o desconhecimento em mínima profundidade dos temas menos clichês da política contemporânea —que é uma selva densa de problemas sem soluções.

As críticas levadas a cabo por esses artistas são mais marketing profissional e pessoal deles do que propriamente conhecimento instalado sobre esses temas.

O que Waters sabe da realidade brasileira (ou mesmo de outro tópico constantemente tratado por ele, a saber, o conflito israelo-palestino) que não seja fruto da sua própria e distante bolha ideológica ou dos jargões “progressistas”? O que ele sabe que não seja fruto da construção de uma imagem de consumo associado a este mesmo vago conceito de “progressista”?

Há um pacote ideológico que alimenta o marketing de artistas há muito tempo, começando pelo “Che suave”.

O conceito de cognição política, crescente no tratamento do comportamento dos eleitores e agentes políticos em geral, cai bem aqui.

Antes de tudo, um profissional que se dedica (mesmo que, competentemente, do ponto de vista artístico) a música, dificilmente conseguirá reunir tempo e ferramentas específicas para construir um mínimo repertório para realizar uma cognição política minimamente consistente.

Projetar imagens de crianças da África em shows de rock and roll é o que há de mais banal em marketing da própria banda. Aquilo que, de certa forma, era “raiz” em artistas como John Lennon, hoje não passa de estilo “nutella” em bancas milionárias.

Voltando a cognição política, conceito que demonstra a quase incapacidade de profissionais dedicados a política em, de fato, compreender de forma minimamente consistente o mundo político contemporâneo para além do mimimi ideológico, quase nos leva ao impasse cético nas análises de temas políticos, principalmente depois que as mídias sociais trouxeram a superfície a fala de milhares de pessoas que antes eram mudas, e não passavam de objeto de fantasia idealizada por parte desses mesmos profissionais da análise política.

Parte do transtorno e da desorientação que vivemos hoje quando pensamos na democracia não advém da redução da participação popular nas opiniões políticas, mas da saturação aguda dessa mesma participação.

Estamos afogados na “soberania popular” tagarela nos últimos anos. E isso não vai mudar porque as ferramentas de comunicação tendem a dispersar cada vez mais essa tagarelice (que Alexis de Tocqueville, em 1835, já apontava no seu “Democracia na América”).

E venhamos e convenhamos, a música de Waters é grandiosa, mas dizer que “we don’t need no education...” (nós não precisamos de educação) é, como já apontou o psiquiatra inglês Theodore Dalrymple, coisa de adolescente bobo.

Resistir ao fascismo sempre foi, de fato, urgente. Mas, é bom lembrar que o fascismo sempre gostou de grandes surtos coletivos regados a palavras de ordem e multidões.

Luiz Felipe Pondé

Escritor e ensaísta, autor de “Dez Mandamentos” e “Marketing Existencial”. É doutor em filosofia pela USP.

Artigo, Mauro Rodrigues da Cunha, Estadão - Controles internos ? O mau caso da Petrobrás.


Acho que como muitos brasileiros posso ser desculpado por estar irritado com a política. O período eleitoral parece ter sido desenhado para ser um desfile de platitudes, promessas e inconsistências. Mesmo consciente desse cenário, minha irritação atingiu o ápice ao ler declarações de um candidato de que nossas empresas estatais tiveram problemas porque “faltou controle interno”.
Tive o privilégio de servir no Conselho de Administração da Petrobrás entre 2013 e 2015. Quando assumi o cargo ainda não havia sido deflagrada a Operação Lava Jato e quando saí a empresa reconhecia perdas de mais que R$ 50 bilhões em seu balanço - que nem assim contou com meu voto favorável.
Ao assumir, a primeira coisa que chamou a minha atenção foi a pletora de políticas e controles internos na companhia. Não havia uma só atividade citada nos manuais de boas práticas de governança que não estivesse documentada e controlada. Se há alguma coisa que não faltava na Petrobrás era controle interno. Mas a Petrobrás só tinha boa governança para inglês ver. A partir da gestão de José Sergio Gabrielli teve início um processo de desmonte deliberado dos gatilhos de governança, na prática tornando inócuos os controles existentes.
A companhia tinha um conselho de administração bovino. Todos os membros indicados pelo governo votavam em uníssono a favor das propostas do controlador. O comitê de auditoria, quando começou a fazer perguntas incômodas, foi obliterado para ser mais cordial, eliminando os independentes.
O modelo da diretoria executiva colegiada foi concebido na gestão Reichstul, com o objetivo de impedir a criação de feudos na companhia. Numa empresa de complexidade crescente, a instrução das matérias era de extrema importância. Para tanto existiam os chamados comitês de negócios, compostos por gerentes executivos de todas as diretorias relevantes. Assim, se eu sou o diretor da área A, posso votar o assunto da área B porque ele terá sido examinado por um grupo de executivos experientes, inclusive da minha área.
Um dos primeiros passos da destruição da governança da Petrobrás foi a eliminação prática desses comitês. Como consequência, os diretores começaram a aprovar as matérias dos seus colegas na base da confiança, criando de fato os feudos que o desenho da governança tentava impedir.
Quando entendi o sistema indaguei a um diretor como ele aprovava matérias dos seus colegas em valores bilionários sem se aprofundar nos temas. Ele respondeu: “Conselheiro, esta empresa investe 300 milhões de dólares por dia… Se formos olhar cada matéria em detalhe, vamos paralisar a companhia”. Paralisado fiquei eu. As atas da diretoria eram desprovidas de registros úteis para evidenciar qualquer debate relevante.
Outra ação proposital dizia respeito à política de alçadas. O estatuto da Petrobrás estabelecia que os limites de alçada deveriam ser determinados anualmente pelo conselho. Logo ao assumir verifiquei que a última deliberação a respeito havia sido dez anos antes!
O estatuto mandava determinar anualmente os valores dos incisos relevantes, “especialmente” cinco deles . Não constava na lista do “especialmente” o inciso que tratava de transações com partes relacionadas. E a administração considerava que, como não estavam na lista do “especialmente”, não havia necessidade de determinar limites! Em outras palavras, para incorporar uma subsidiária inoperante (e, portanto, imaterial), convocava-se o conselho. Mas para o leilão de Libra, que envolvia investimentos de bilhões, o conselho não era chamado.
No desenho da política de alçadas, estabeleceram valores para quase todas as linhas, exceto aquelas incluídas no Plano de Negócios e Gestão (PNG). Esse plano era apresentado anualmente ao conselho, após um belo PowerPoint. Como resultado, aprovava-se um plano de investimentos de US$ 50 bilhões por ano. E a diretoria ainda tinha o poder de remanejar verbas. Isto é, tratava-se de um cheque em branco de US$ 50 bilhões para a diretoria - e a partir desse momento o conselho não tinha mais ingerência alguma sobre a alocação de capital.
Tampouco era possível ao conselho enxergar os desastres que se avizinhavam nos grandes investimentos. Não havia reportes do seu andamento ao conselho. Apenas no final de 2014, depois de muito esforço, o conselho recebeu pela primeira vez um book sobre o andamento físico-financeiro dos investimentos. Mas aí já era tarde demais...
A lista de problemas continua, e seguramente não caberia neste espaço. Sempre com a mesma temática: controles formalmente existentes, mas operados de maneira proposital para não serem eficientes. Um líder sindical comandando a área de recursos humanos, desenhando acordos que produziam perdas bilionárias na justiça. Um ouvidor-geral que fora assessor de um importante ministro (hoje condenado pela Justiça), assegurando que nenhum funcionário teria coragem de utilizar o canal para fazer uma denúncia sobre corrupção. Relatórios internos que demonstravam a inviabilidade de alguns investimentos, ignorados. Demonstrações contábeis mentirosas feitas com a cumplicidade de quem deveria zelar por sua integridade. Cegueira deliberada em todas as áreas.
Fiz menção a esses problemas em depoimento à CPI da Petrobrás, em 2015. Alguns dos assuntos dormitam nos procedimentos internos do Tribunal de Contas da União e da Comissão de Valores Mobiliários, sem que tenha havido responsabilização adequada até hoje.
Por tudo isso, sr. candidato, é importante que se diga que não faltaram controles internos à Petrobrás. Eles existiam e foram deliberadamente desmontados pelas lideranças de então. Ignorar esse fato é má-fé - ou praticamente confessar que, na hipótese de retorno daquelas lideranças, o pesadelo voltará.
*FOI MEMBRO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA PETROBRÁS DE ABRIL DE 2013 A ABRIL DE 2015

Artigo, Marcelo Aiquel - E depois é o filho do Bolsonaro que fala merda

         Os petistas desesperados fizeram circular – para alegria de muitos imbecis – um vídeo, onde Flávio Bolsonaro critica o STF.
         A mídia vendida (também desesperada) não poupou espaços para divulgar o gravíssimo ato do “torturador júnior”.
         Esqueceram, no entanto, que não houve qualquer indignação quando o dep. Federal (PT/RJ) Wadih Damous disse a mesma coisa. Ou quando o guerrilheiro Zé Dirceu falou em tirar os poderes do STF. E, foi tudo durante a campanha eleitoral.
         Ao contrário do “filho do torturador”, que disse o que disse há mais de três meses, época em que Bolsonaro ainda nem era candidato oficial á presidência.
         Ou, também não me recordo de nenhuma irresignação esquerdista quando a Benedita da Silva (só podia ter o mesmo sobrenome do condenado Lula...) afirmou que haveria derramamento de sangue, e a “narizinho” conclamou o seu PT á luta armada.
         Pois é, segue sendo assim: Quando um absurdo sai da direita, é mais do que divulgado. Porém, quando é dito pelos “esquerdopatas”, é varrido pra baixo do tapete, episódio esquecido na mesma hora.
         A caravana passa e os cães ladram.
         O Bolsonaro não pode nada. Nem deixar de comparecer em debates.
         Mas o Lula da Silva (o chefe do poste) agiu assim em 2006 e foi aplaudido. E reeleito presidente.
         Ainda bem que tudo terminará dia 28, porque ninguém (decente) aguenta mais tanta hipocrisia