Brazil Journal - 20 ideias que apareceram e desapareceram em 2019




O ano dos fazedores


Nunca houve tanto capital disponível para financiar boas ideias (e as nem tão boas assim) no Brasil.

chegada do Softbank energizou todo o ecossistema de startups, aumentando a porta de saída do capital semente e permitindo às startups mais maduras sonhar com cheques antes só vistos lá fora.  

A queda estrutural dos juros alimentou a procura por investimentos alternativos, e diversos gestores, como a Kaszek e o Canary, foram a mercado e conseguiram captar novos fundos.

(É verdade que o valuation de muitas rodadas rendeu piadas maldosas, mas a História é a única juíza que conta.)

Para lembrar um ano em que “empreendedor” virou profissão, o Brazil Journal compilou 20 histórias de empresas que estão tentando mudar o jogo em setores tão diversos quanto saúde, finanças, games e o agronegócio.

Em meio a toda a euforia, é preciso lembrar que o Brasil não está ‘wired’ para se tornar um Vale do Silício. Ao contrário. Nossa escola pública mal alfabetiza — que dirá produzir engenheiros em escala, como bem lembrou Doug Leone, do Sequoia
.

Que 2020 traga o sucesso previsto nas planilhas — e que o maior risco do Brasil seja o risco de dar certo.

 
Geraldo Samor

 

20 ideias que cresceram e apareceram

Selecionadas pela equipe do Brazil Journal


AGRO


Minhas vacas são melhores que as do vizinho?
A Ideagri criou um índice que ajuda os produtores a responder essa pergunta
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Fazenda Futuro: a febre do hambúrguer vegetal chega ao Brasil
Os fundadores do Suco do Bem tentam criar outra marca de consumo alternativa
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O ovo vegetal da família Pinto
A Granja Mantiqueira faz um ovo com proteína de ervilha isolada, amido e linhaça dourada
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Agrosmart: o big data e a inteligência artificial chegam à colheita 
Um algoritmo indica a quantidade ideal de água e o momento certo para a irrigação
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SAÚDE


O fim do exame que fura sua cabeça
A Braincare desenvolveu um sensor externo que mede a pressão intracraniana
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A luz para tratar dores crônicas
Remédio digital da Bright usa a interação da energia fotônica com as células do corpo para aliviar dores e inflamações
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A Biologix te ajuda a dormir tranquilo
Aparelho permite fazer o exame de apneia do sono, um procedimento complexo e caro, no conforto do lar
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DIRECT TO CONSUMER


Uma conta no Instagram e uma lista de email
A Sallve quer bater de frente com a Natura e Boticário  mas derrapou na largada
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Barba, cabelo... e digital 
A guinada da Dr. Jones de uma marca tradicional de varejo para uma empresa D2C
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REAL ESTATE


A Loft compra, reforma e revende apartamentos
E uma rodada impressionante a avaliou em R$ 1,5 bilhão
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MOBILIDADE


A startup que aluga carros para os motoristas do Uber
O modelo 'asset light' da Kovi
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Truckpad, o marketplace que conecta caminhoneiros e transportadores
E que recebeu um investimento de um gigante chinês
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O fretado chegou
A Buser funciona como uma espécie de compra coletiva de um ônibus alugado. E recebeu aportes do Softbank e da Globo
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FINTECHS


C6, o banco digital que quer disputar a alta renda
Por dentro do misterioso banco de Marcelo Kalim
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André Duvivier tenta transformar um dos cantinhos mais opacos do mercado financeiro
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OTHER BIG IDEAS


A máquina de imprimir energia
Como a Sunew criou a próxima geração de painéis solares
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Hotmart, a startup que facilita a monetização de cursos online
E já tem 140 mil cursos rodando na plataforma
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Botando ordem nos direitos autorais de músicas
Como a iMusics está usando a tecnologia para mexer num vespeiro
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O império dos joguinhos mobile
A Wildlife Studios foi avaliada em US$ 1,3 bilhão
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As startups que querem substituir os headhunters
Os cases da Revelo e da Neurastream
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Bolsonaro sanciona, com vetos, Lei Geral de Informática


O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com vetos, a lei que altera da Lei Geral de Informática. O novo texto, sancionado nesta 6ª feira (27.dez.2019), garante a manutenção e ampliação das atividades de pesquisa e desenvolvimento no setor produtivo de TIC (Tecnologia da Informação e Comunicação). O texto atende a exigências da OMC (Organização Mundial do Comércio) sobre o modelo de incentivos fiscais que pode ser dado às empresas do setor de TIC.
Em nota, o Planalto informou que, para adequar a legislação às normas de tratados internacionais, são necessários ajustes “no plano legal, aos estímulos à atração e manutenção dos investimentos produtivos de bens de TIC, sem que, com isso, ocorra diferença tributária entre os bens produzidos no país frente aos bens importados”.
“Busca-se com o projeto a adoção das medidas para evitar retrocessos nas infraestruturas produtiva e tecnológica construídas no país nas últimas décadas, fruto de uma política que se converteu em política de Estado, e cuja manutenção foi especialmente possibilitada pelos aprimoramentos que foram implementados em diferentes oportunidades”, completou o Executivo.
Um dos vetos do presidente foi ao parágrafo 18 do artigo 3º. Segundo o governo, “ao alterar a política industrial para o setor de tecnologias da informação e comunicação e para o setor de semicondutores, aumenta a renúncia de receita ao Poder Executivo, sem que se tenha indicado a respectiva fonte de custeio, violando assim as regras do art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal e ainda do art. 114 e 116 da Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2019 (Lei nº 13.707, de 2018)”.
Outros vetos, aos artigos 11-A e 16-B, são sobre os benefícios estabelecidos em lei que não seriam aplicados às pessoas jurídicas nas quais proprietários, controladores, diretores e seus respectivos cônjuges sejam detentores de cargos, empregos ou funções públicas, incluídos os de direção e os eletivos.
O texto determina que as empresas de tecnologia da informação que investirem em pesquisa, desenvolvimento e inovação justificarão, até 2029, os incentivos fiscais sobre a receita líquida decorrente da venda dos bens e serviços. Os projetos precisam ser aprovados pelos ministérios da Economia e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
O projeto foi construído após contestação da União Europeia e do Japão, na OMC, sobre benefícios fiscais concedidos pelo Brasil a diversos setores da indústria nacional, inclusive o da informática. Segundo o entendimento desses países, esses benefícios não são consistentes com as regras do comércio internacional e discriminam empresas de outros países.

TRT autoriza prefeitura a seguir ampliação da Atenção Primária


A Justiça do Trabalho deferiu parcialmente, na noite dessa sexta-feira, 27, pedido liminar proposto pelo município de Porto Alegre para a demissão de profissionais de saúde ligados ao Instituto Municipal de Estratégia de Saúde – Imesf. Na decisão, o desembargador do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, Fabiano Holz Beserra, reconhece que "a manutenção de contratos em aberto pode prejudicar a obtenção de novos postos de trabalho pelos empregados, que atualmente, aliás, têm empregos juridicamente precários. Assim, a liminar autoriza os impetrantes a efetivarem a demissão, garantidos todos os direitos e verbas rescisórias daqueles empregados que, no prazo do aviso prévio, forem contratados por outras empresas ou entidades.” 

Ainda segundo o desembargador, a efetivação da rescisão formal dos trabalhadores que a aceitarem não implicará qualquer prejuízo a eles, pois terão recebido as verbas rescisórias devidas e, além disso, adquirido um novo emprego, portanto não estarão desamparados.

No início deste mês, a Prefeitura de Porto Alegre assinou Termo de Colaboração com quatro Organizações Sociais da Capital: Irmandade Santa Casa, Divina Providência, Instituto de Cardiologia e Associação Hospitalar Vila Nova, para o fornecimento de recursos humanos para manutenção e ampliação do atendimento em unidades de saúde. O documento assinado tem duração de 180 dias e garante o fornecimento de profissionais para as unidades de saúde da atenção básica.

A medida possibilita a adesão imediata ao programa federal Saúde na Hora e o preenchimento de postos de trabalho vagos após a decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS), em 2013, e reafirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), neste ano, pela inconstitucionalidade da lei que autorizou a criação do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf).

Atualmente, existem 34 cargos vagos de médicos em Equipes de Saúde da Família. Com a contratualização com as entidades, é possível fazer as reposições e chegar a até 30 unidades com horário de funcionamento ampliado. Além disso, com o novo modelo, o número de profissionais assistenciais do Imesf, que era de 834, vai saltar para 1.027. A prefeitura ainda aprovou na Câmara de Vereadores projeto de lei para criação de 864 cargos de agentes comunitários de saúde e agentes de endemias.

Entenda o caso - Em decisão de 12 de setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou o Imesf inconstitucional. A relatora, ministra Rosa Weber foi acompanhada pelos ministros Alexandre de Moraes, Roberto Barroso e Luiz Fux no voto. Pela decisão, a lei que criou o instituto deixa de existir e todas as relações jurídicas se tornam irregulares. A partir disso, há necessidade de desligamento dos funcionários, baixa do CNPJ e garantia da continuidade dos serviços.

A ação para extinguir o Imesf se iniciou em 2011 e foi julgada em 2013. Recursos tramitaram no STF em 2014 e outros foram negados em março deste ano até o julgamento da Primeira Turma do Supremo. Os autores da ação foram 17 entidades, entre sindicatos e associações, como o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), Associação dos Servidores da Secretaria Municipal da Saúde (ASSMS), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e Sindicato dos Enfermeiros do Rio Grande do Sul (Sergs).

Artigo, Luiz Felipe Pondé, Gazeta do Povo - Papai Noel do PT: para o partido, o Brasil é um galinheiro


O PT quer te dar um presente de Natal para o Brasil: caos social que ajude a derrubar a economia e, com isso, aumentar as chances de ele voltar ao poder. Seu Papai Noel Lula livre afirmou que o projeto do PT é retomar o poder em nome da democracia. Coitada, a democracia é a famosa casa da mãe Joana: todo mundo mete a mão.

O PT revelou-se uma gangue. Tendo parte da sua origem no movimento sindical, erguido nos escombros da ditadura, só se podia esperar isso mesmo. Grande parte dos sindicatos, no mundo inteiro, é máfia com metafísica política: a ideia é tirar dinheiro de quem trabalha.

Ao revelar-se uma gangue, o PT nunca fez autocrítica. Não precisa. Santos não precisam rever seu passado, dizem até os intelectuais orgânicos que trabalham para a causa. O PT nunca foi sério no sentido que esperavam dele. Para o PT, o Brasil é um galinheiro –de vez em quando ele vem e mata uns frangos. O único projeto do PT sempre foi fazer do Brasil o seu quintal, mesmo que para isso tivesse que matar muitos frangos "resistentes". Associar o PT à democracia é para gente de má-fé.

Eu sei, eu sei. O governo Bolsonaro desfila atos e gestos simpáticos à ditadura. Voltaremos a isso já. Mas o PT tem sofisticação intelectual suficiente a seu serviço pra montar um projeto totalitário silencioso, e com "verniz", com palmas da "comunidade internacional", em que ninguém perceba de bate pronto. E isso estava em curso. Basta você ter a seu favor as pessoas certas, você cria um sistema autoritário em "nome da democracia". Quem lê história do século 20 sabe disso de cor.

A bola da vez é tentar criar caos social ("fazer um Chile aqui") para derrubar a sensação de que alguma normalidade econômica começa a se instalar. Preste atenção e verá todos os economistas orgânicos do partido trabalhando para pôr em dúvida a ideia de "austeridade".

Engraçado: existem dois tipos de dinheiro, o meu e o dos outros. Com o meu prático austeridade, se não quebro. Com o dos outros proponho o socialismo e torro. Austeridade nada mais é do que gastar menos do que você ganha.

Não quero com isso propor que o mercado cuide de bebês. O mercado nunca resolveu tudo. Petistas fazerem crítica econômica depois de terem destruído a economia do país? Isso, sim, é entregar o galinheiro na mão da raposa.

Quero dizer apenas que aquela economia pequenininha que faz as pessoas sorrirem, que talvez comece a melhorar por aqui, precisa ser destruída pelo exército de asseclas do PT para impedir que os liberais continuem a ter alguma chance de administrar o país depois de "séculos" de mitos econômicos. Se a economia melhorar, fica mais difícil derrubar o Bolsonaro, claro, porque o bolso é o órgão mais sensível do homem e da mulher (para não me acusarem de sexista em cima do Natal).

Se o PT tiver de destruir o cotidiano do "povo brasileiro", o fará sem cerimonia, porque o único povo brasileiro que jamais importou ao PT foi o "seu povo brasileiro".

E aí vem as bobagens faladas por membros do governo Bolsonaro, quando não ele mesmo.

Ficar ameaçando o país com um "novo AI-5" é coisa de ignorante histórico, geopolítico e moral. Cada vez que alguém fala uma idiotice dessa, o PT fica de pau duro. A ideia de gerar desordem visa fazer com o que todo mundo que não concorde com o PT e seus asseclas caia na categoria de fascistas, além de derrubar a economia e pôr as pessoas em pânico. A pequena utopia próxima dessa turma é caos nas ruas, polícia batendo e matando, e Brasília falando horrores e elogiando ferramentas violentas do passado.

Imediatamente a "comunidade internacional" e seus intelectuais (e Greta Thunberg!) gritarão que o Brasil é uma ditadura. O engraçado é que você pode destruir o cotidiano das pessoas e ainda assim dizer que você está a favor delas. Basta ler história do século 20 pra ver isso.

Artigo, Renato Sant'Ana, especial para este blog - Militância na mídia


        Será jornalismo ou apenas arte panfletária? A pergunta se impôs depois do que escreveu Vera Magalhães no Estadão (22/12/19), quando, embora por entrelinhas, chamou de míope e desqualificou quem quer que haja votado ou esteja agora apoiando o governo Bolsonaro.
          Um pressuposto é intocável: não existe regime democrático sem liberdade de imprensa. Agora, imprensa livre pressupõe jornalismo investigativo, imparcialidade para denunciar ilícitos (do setor público e do privado) e empenho honesto de manter a população a par do que fazem os seus governantes, sendo inaceitável que qualquer governo seja blindado.
          E é ao público que cabe a tarefa de reconhecer e repudiar a farsa grosseira de jornalistas que, pretextando exercício da liberdade de imprensa, manipulam informações, superdimensionando-as ou minimizando-as segundo interesses ideológicos, tudo para o fim de forjar crenças e moldar a opinião pública
          Pois bem, segundo Vera Magalhães, apesar de a iluminada imprensa, durante a campanha de 2018, haver apontado, como diz ela, "todos os vícios da carreira de Jair Bolsonaro", o eleitorado míope, obtuso e cabeça-dura preferiu não dar ouvidos à mídia.
          No seu dizer, os "vícios" seguem sendo apontados pelo "jornalismo profissional" e começam a ser "aceitos por uma parcela do mesmo eleitorado, mas ignorados (até aqui) pelo núcleo duro da militância bolsonarista e por setores da elite liberal."
          Não há por que maquiar-se a realidade. Bolsonaro padece de "incontinência verbal" e, quando pressionado, descamba para a grosseria: no mínimo, inabilidade política. Também, ele erra em escolhas e decisões, no que não é diferente de qualquer governo, sancionando, por exemplo, dispositivos que deveria vetar. E, agora, o seu primogênito é investigado, suspeito de ilícitos que exigem esclarecimentos.
          E o que faz Vera Magalhães: análise crítica? Não! Para começar, ela desconhece que é para tirar o Brasil do buraco que uma parcela pensante apoia o governo, não para proteger a pessoa do presidente
          Depois, ela insufla a decepção do público desavisado, investindo naquele leitor que, em política, tem mais fantasias que conexões com a realidade e que, pouco ou nada compreendendo, se contenta em assimilar uma versão qualquer dos fatos: o que lhe importa é ter uma opinião.
          É para infundir crenças na mente desse tipo de leitor que, sob o verniz de jornalismo opinativo, em detrimento da análise crítica, ela se esmera na publicação de um texto panfletário.
          O mesmo truque foi empregado quando veio à tona o envolvimento de Aécio Neves numa porção de ilícitos (isso após 2014, ano em que ele concorreu com Dilma Rousseff): o eleitor de Aécio foi acusado e ridicularizado por votar em um corrupto, como se a outra opção prestasse (era pior!).
          Ah, mas lá era um candidato derrotado; aqui, um presidente no poder. Dá para comparar? O estratagema sim. Num e noutro caso, o objetivo é sacralizar o populismo esquerdista e satanizar quem a ele se opõe.
          O truque contém um elemento oculto. Criticam-se as escolhas eleitorais, ocultando o fato de que, para os eleitores criticados, Dilma Rousseff (2014) e Fernando Haddad (2018) representavam o populismo desbragado, a degradação de nossos valores, o mais cínico autoritarismo e a corrupção como método de poder.
          O truque é, pois, apostando no emocionalismo das pessoas, forjar um contraste em que o criticado é mau e o oculto é bom. O sujeito imaturo cai na armadilha: repele o criticado e acolhe o elemento oculto, que, não confrontado às claras, fica imune a críticas.
          Na Argentina funcionou: a raposa acabou chamada para pôr ordem no galinheiro. Os peronistas foram eleitos porque Macri não conseguiu desfazer o estrago causado pelos... peronistas!
          E o panfleto de Vera Magalhães traz a mesma armadilha: "A imprensa mostrou na campanha. O eleitor fechou os olhos deliberadamente", diz ela para constranger patetas. Mas, aos "indecisos", ela garante que "uma parcela do eleitorado" já abriu os olhos. Que bom!
          Já que não conseguiram venezuelizar, agora tentam argentinizar o Brasil!

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: mailto:sentinela.rs@uol.com.br