Artigo, Fernando Schuller, Gazeta do Povo - A democracia e o direito às ideias erradas
""Instituições não são a democracia", diz o deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança, em um tuíte, semanas atrás. O deputado segue fazendo considerações sobre o sentido da democracia ("é a vontade popular") e termina com uma afirmação: "Quem tem atacado tanto o Estado de Direito quanto a vontade popular é o STF".
A frase acima consta no despacho do ministro Alexandre de Moraes como exemplo de mensagens ilícitas ou fraudulentas (as expressões poderiam variar aqui: falsas, odiosas, agressivas) que justificam a operação policial realizada na quarta, no inquérito das fake news.
Outra mensagem diz simplesmente: "Doria e STF trabalhando em conjunto para matar o povo de fome". Essa não sei de quem é, o que é irrelevante. Há milhares de frases como essa, todos os dias, na internet. Aliás, há pouco mais de 30 anos, quando comecei a prestar atenção à política, escuto gente atribuindo a fome ou a miséria a esta ou àquela autoridade.
Outra mensagem parece mais globalizada: "Fui treinada na Ucrânia e digo: chegou a hora de ucranizar!". Sabe-se lá o que a frasista queria dizer com isso. Imagino que tenha a ver com a defesa de algum tipo de iliberalismo. Mas é só um palpite.
Há frases bem sem gracinha, do tipo "a maioria dos juízes nunca foi juiz", e, pasmem, "não querem se reformar". Há frases mais pesadas. Palavrões, que me permito não citar aqui, e bobagens, em regra mal escritas e de gosto duvidoso.
Discordo de todas aquelas frases e, ao contrário daquelas pessoas, tenho a Suprema Corte brasileira em alta conta. Dias atrás elogiei o ministro Celso de Mello pela sua recusa em proibir uma passeata exprimindo precisamente o tipo de ideias que as tais mensagens expressam.
Celso de Mello o fez com afirmação simples e precisa: não cabe ao Supremo ou à Justiça a "proibição estatal do dissenso".
Pois é o que nossa Suprema Corte faz agora. Já havia feito quando interditou uma publicação da revista Crusoé, por ser caluniosa ou falsa. À época, muita gente protestou, com razão. Houve editoriais de jornais respeitáveis. Agora os ventos mudaram.
O despacho do ministro diz suspeitar que as mensagens compõem uma complexa rede de pessoas que expõe "a perigo de lesão, com suas notícias ofensivas e fraudulentas, a independência dos poderes e o Estado de Direito".
Trata-se, sem tirar nem por, de punir o delito de opinião. Opinião individual ou organizada, não importa. Opiniões "perigosas" para a República. Opiniões, repito, que inundam as redes sociais, no Brasil e mundo afora, todos os dias.
O Estado brasileiro, pela mão de nossa Suprema Corte, se prepara para assumir a função de reguladora do grau de risco que uma frase ou grupo de frases podem trazer à República, às instituições ou à ideia mais geral da democracia.
É um caminho. Conhecendo o histórico do STF em defesa da liberdade de expressão, intuo que muitos de seus membros se sentirão incomodados ao passar os olhos por aquelas mensagens toscas e imaginar que alguém possa considerar que sua expressão não esteja garantida pela Constituição brasileira.
Ela está. Isso foi perfeitamente consagrado na histórica decisão tomada pelo próprio Supremo, quando da revogação da Lei de Imprensa.
O ministro Ayres Britto foi direto: "Não cabe ao Estado, por qualquer dos seus órgãos, definir previamente o que pode ou o que não pode ser dito por indivíduos e jornalistas".
Isso não exclui, por óbvio, o direito de resposta ou à reparação, sempre a posteriori. O que é estranho ao nosso ordenamento institucional, ao menos até agora, é a ideia de um Estado praticando um controle prévio e genérico de opinião, arbitrando o falso e o verdadeiro.
Isso pode mudar. O país pode migrar para um modelo de tutela do Estado sobre a opinião pública. Nesse caso, será preciso definir claramente quais são as ideias erradas, e quem faria esse controle na imprensa e nas redes sociais.
O problema aí é sempre o mesmo: as ideias erradas costumam sempre habitar o outro lado do mundo político, e um acordo sobre essas coisas nunca foi uma tarefa simples nas sociedades abertas.
Fernando Schüler
Fernando Schüler é doutor em Filosofia e Mestre em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com Pós-Doutorado pela Columbia University, em NY. É Professor no INSPER, em São Paulo, e curador do Projeto Fronteiras do Pensamento. **Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião da Gazeta do Povo."
Porto Alegre quer ser a cidade da Internet e ser um exemplo para o Brasil
Capital gaúcha simplificou a legislação para a
implantação de infraestrutura de telecomunicações e, hoje, colhe os frutos da
medida. "Na pandemia tivemos uma cobertura muito acima do que tínhamos
antes de mudarmos as nossas leis e sermos mais receptivos à
conectividade", afirmou o prefeito Nelson Marchezan Junior
Porto Alegre quer ser uma referência para o Brasil e se
tornar a cidade da Internet e a do futuro a partir da simplificação da
legislação para a implantação de infraestrutura de telecomunicações, afirmou o
secretário municipal de meio ambiente e sustentabilidade da capital gaúcha,
Germano Bremm, ao participar do webinar "O futuro da cidade na era
5G", com a participação de executivos do setor de Telecomunicações e do
superintendente da Anatel, Vinicius Caram, e do gerente de infraestrutura do
SindiTelebrasil, Ricardo Dieckmann.
Ao abrir o webinar, o prefeito de Porto Alegre, Nelson
Marchezan Junior, comemorou o fato de a capital gaúcha ter simplificado a
legislação e motivado os investimentos em infraestrutura. "Colhemos os
frutos na pandemia. Tivemos uma cobertura muito acima do que teríamos. Antes da
nova regra, as ligações caiam, muitos bairros tinham sinal ruim de Internet.
Conseguimos, agora, quando a Internet se tornou a referência, cumprir o
isolamento social. Nossa legislação ficou receptiva para proporcionar a
conectividade ao cidadão de Porto Alegre", ressaltou.
O secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Porto
Alegre, Germano Bremm, lembra que a pandemia, em três meses, provocou uma
digitalização que levaria uma década para acontecer. "Com a nossa
legislação, que hoje, com as autorizações necessárias, libera a instalação de
infraestrutura em um dia, tivemos mais investimentos e temos uma série de
gestores municipais do Brasil, em especial, de Minas Gerais e São Paulo, nos
procurando para replicar o nosso modelo. Eles sabem que precisam de telecomunicações
para aumentar as possibilidades de novos negócios", afirmou.
Porto Alegre assumiu um papel importante na burocracia
das telecomunicações ao construir uma legislação pioneira e inovadora para
facilitar a expansão das telecomunicações, enfatizou o superintendente da
Anatel, Vinícius Caram. Ele lembra que a capital gaúcha pulou do 99º lugar para
o 4º lugar no ranking das cidades amigas da Internet ao adotar medidas de
simplificação.
O executivo da Anatel espera que o exemplo de Porto
Alegre seja replicado para outros municípios do País. "É o momento de
abrir novos sites inteligentes, como os pontos de ônibus e as placas e os
próprios postes, para a transmissão das operadoras. É um movimento de
reestruturação econômica, social e de novas aplicações", adiciona Caram.
O gerente do SindiTelebrasil, Ricardo Dieckmann, endossa
a afirmação do superintendente da Anatel e espera que outras cidades, em
especial, Belo Horizonte e São Paulo, onde há grandes dificuldades para a
implantação de antenas, repliquem as ações de Porto Alegre e tirem a burocracia
das suas legislações.
"Há pedidos em municípios parados há dois anos. Só
tem uma forma de prover cobertura e qualidade que é instalando antena e fibra
ótica", salientou. Dieckmann lembra que a legislação de Porto Alegre é
auto declaratória, onde a responsabilidade é de quem faz o pedido. "A
prefeitura está apta a rever qualquer irregularidade, mas há o princípio da
confiança", completa Dieckmann.
O diretor de relações governamentais da Ericsson, Tiago
Machado, lembrou que o Brasil, recentemente, chegou a 100 mil antenas ativas, o
que significa cinco antenas por cada 10.000 habitantes, enquanto na Espanha,
são 32 antenas por 10.000 habitantes. "Mas se quiserem a comparação com um
país continental como o nosso, na Austrália são 8,6 antenas para cada 10.000
habitantes. Precisamos de mais antenas. O 5G vai demandar até 10 vezes mais
antenas. Serão equipamentos menores, em postes, paredes, mas serão
necessárias", enfatiza.
A VP de Telecomunicações das Deloitte do Brasil, Marcia
Ogawa, ressaltou o papel do 5G no desenvolvimento econômico e social do Brasil.
"O impacto do 5G será enorme na economia do estado. O 5G é impulsionador
da indústria 4.0", ressaltou. O diretor da Huawei, Carlos Lauria, disse
que boa parte das pessoas ainda acreditam que as antenas são àquelas enormes.
"Precisamos delas ainda, mas a maior parte das novas antenas é pequena e
se adequa à política urbanística de uma cidade".
O diretor da Nokia, Wilson Cardoso, para a América
Latina, lembrou que o impacto econômico previsto para o 5G no Brasil entre 2021
até 2035 será de R$ 1,32 trilhão, o que significa um aumento de 1% ao ano no
Produto Interno Bruto do Brasil. "A automação e a digitalização da
economia vão ter um impacto bem maior do que a reforma da previdência
terá", relata. O diretor da Qualcomm do Brasil, Francisco Soares,
aproveitou o evento para refutar qualquer relação da telefonia móvel com a
saúde do brasileiro. “Isso é um mito. Todos os estudos mostram que não há
risco. E o 5G também não tem risco algum”, completa.
Pesquisa do Sebrae RS mostra que 21% das empresas gaúchas estão fechadas
Um dos motivos são os decretos governamentais que ampliaram as restrições de funcionamento em várias regiões do Estado.
A mais recente edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios na Crise, realizada pelo Sebrae RS entre os dias 03 e 12 de julho, mostra que 21% das empresas gaúchas estão impossibilitadas de funcionar. O resultado é cinco pontos percentuais mais alto do que a edição anterior do levantamento. Para 28% dos respondentes isso acontece por conta dos decretos governamentais que ampliaram as restrições de funcionamento em várias regiões do Estado. Já para outros 25% a natureza da atividade, predominantemente presencial, é causa direta da impossibilidade de abrirem seus estabelecimentos, situação que pode explicar a razão de 10% dos entrevistados estarem pretendendo remodelar seus negócios.
De acordo com o diretor-superintendente do Sebrae RS, André Vanoni de Godoy, os números refletem as dificuldades que os empresários vêm enfrentando por conta da pandemia. “Entendemos que para amenizar essa situação os protocolos para funcionamento dos estabelecimentos devem ser mais criteriosos, levando em consideração a situação específica dos pequenos negócios, os quais têm sido gravemente prejudicados por esta falta de diferenciação em relação às grandes empresas”, afirma.
Já em relação ao posicionamento das empresas, segundo Godoy, há que procurar orientação para explorar novos canais de venda e de relacionamento com os clientes, de forma a enfrentar com mais chances de sobrevivência o vai e vem das autorizações de abertura. “Reposicionar-se com rapidez é fundamental para permitir a travessia da crise, pois a demora na tomada das decisões difíceis pode ser fatal, já que pode levar ao exaurimento dos recursos da empresa, avalia o dirigente.
Das empresas que seguem funcionando, 40% precisaram adaptar a estrutura física, 17% estão trabalhando com ferramentas digitais e 12% com delivery e take away, revelando uma nova realidade do mercado. E mesmo com as adaptações, 76% dos ePesquisa do Sebrae RS mostra que 21% das empresas gaúchas estão fechadasmpreendedores gaúchos ainda sofrem com a queda no faturamento, sendo que para praticamente a metade deles (48%), a queda é superior a 50%.
Falta de recursos
A dificuldade para obter empréstimo, que tem sido uma das principais dores de cabeça dos empresários desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Rio Grande do Sul, segue entre os destaques. O levantamento mostra que 42% dos empresários buscaram financiamento para manter o negócio funcionando, ante os 39% do mês anterior. Dos que tentaram algum tipo de financiamento, 59% afirmaram não ter conseguido obter crédito. Entre as principais causas listadas estão a restrição cadastral da empresa ou dos sócios (23%) e a falta de garantias ou avalistas (22%).
A necessidade de empréstimo está relacionada com a escassez de capital de giro, apontada pela pesquisa como a principal carência dos pequenos negócios, chegando a 65% dos entrevistados - com aumento de sete pontos percentuais em relação ao mês de junho. Outras necessidades apontadas pelos respondentes são a análise sobre tendências e perspectivas do mercado (27%) e alternativas para diversificar produtos e serviços (24%). A Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios ouviu 631 empresários em todo o Rio Grande do Sul, no período de 03 a 12 de julho.
Confira mais dados da pesquisa realizada pelo Sebrae RS:
Funcionamento
79% sim
21% não
Faturamento
76% diminuiu
16% inalterado
8% aumentou
Expectativa para os próximos 30 dias
44% manter
16% expandir
13% retomar
12% reposicionar
9% reduzir
6% encerrar
A mais recente edição da Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios na Crise, realizada pelo Sebrae RS entre os dias 03 e 12 de julho, mostra que 21% das empresas gaúchas estão impossibilitadas de funcionar. O resultado é cinco pontos percentuais mais alto do que a edição anterior do levantamento. Para 28% dos respondentes isso acontece por conta dos decretos governamentais que ampliaram as restrições de funcionamento em várias regiões do Estado. Já para outros 25% a natureza da atividade, predominantemente presencial, é causa direta da impossibilidade de abrirem seus estabelecimentos, situação que pode explicar a razão de 10% dos entrevistados estarem pretendendo remodelar seus negócios.
De acordo com o diretor-superintendente do Sebrae RS, André Vanoni de Godoy, os números refletem as dificuldades que os empresários vêm enfrentando por conta da pandemia. “Entendemos que para amenizar essa situação os protocolos para funcionamento dos estabelecimentos devem ser mais criteriosos, levando em consideração a situação específica dos pequenos negócios, os quais têm sido gravemente prejudicados por esta falta de diferenciação em relação às grandes empresas”, afirma.
Já em relação ao posicionamento das empresas, segundo Godoy, há que procurar orientação para explorar novos canais de venda e de relacionamento com os clientes, de forma a enfrentar com mais chances de sobrevivência o vai e vem das autorizações de abertura. “Reposicionar-se com rapidez é fundamental para permitir a travessia da crise, pois a demora na tomada das decisões difíceis pode ser fatal, já que pode levar ao exaurimento dos recursos da empresa, avalia o dirigente.
Das empresas que seguem funcionando, 40% precisaram adaptar a estrutura física, 17% estão trabalhando com ferramentas digitais e 12% com delivery e take away, revelando uma nova realidade do mercado. E mesmo com as adaptações, 76% dos ePesquisa do Sebrae RS mostra que 21% das empresas gaúchas estão fechadasmpreendedores gaúchos ainda sofrem com a queda no faturamento, sendo que para praticamente a metade deles (48%), a queda é superior a 50%.
Falta de recursos
A dificuldade para obter empréstimo, que tem sido uma das principais dores de cabeça dos empresários desde que a pandemia do novo coronavírus chegou ao Rio Grande do Sul, segue entre os destaques. O levantamento mostra que 42% dos empresários buscaram financiamento para manter o negócio funcionando, ante os 39% do mês anterior. Dos que tentaram algum tipo de financiamento, 59% afirmaram não ter conseguido obter crédito. Entre as principais causas listadas estão a restrição cadastral da empresa ou dos sócios (23%) e a falta de garantias ou avalistas (22%).
A necessidade de empréstimo está relacionada com a escassez de capital de giro, apontada pela pesquisa como a principal carência dos pequenos negócios, chegando a 65% dos entrevistados - com aumento de sete pontos percentuais em relação ao mês de junho. Outras necessidades apontadas pelos respondentes são a análise sobre tendências e perspectivas do mercado (27%) e alternativas para diversificar produtos e serviços (24%). A Pesquisa de Monitoramento dos Pequenos Negócios ouviu 631 empresários em todo o Rio Grande do Sul, no período de 03 a 12 de julho.
Confira mais dados da pesquisa realizada pelo Sebrae RS:
Funcionamento
79% sim
21% não
Faturamento
76% diminuiu
16% inalterado
8% aumentou
Expectativa para os próximos 30 dias
44% manter
16% expandir
13% retomar
12% reposicionar
9% reduzir
6% encerrar
Destaque em programa do Sebrae do RS, Warren recebe aporte financeiro R$120 milhões
Mesmo no meio de uma crise econômica ocasionada pelo novo coronavírus, uma boa notícia vem de uma das principais empresas de tecnologia do Estado. A startup Warren, corretora digital localizada em Porto Alegre, receberá um aporte financeiro de R$ 120 milhões do fundo QED Investors, uma das maiores investidoras em cartões de crédito dos Estados Unidos.
De acordo com o CEO da Warren, Tito Gusmão, esse valor será destinado à expansão da empresa, ampliação dos negócios e melhorias tecnológicas. E isso inclui a contratação para atuação presencial ou remota. As oportunidades são na área de tecnologia com cargos como gerente de negócios, desenvolvedor, analista e gerente de contabilidade, engenharia de dados e gestão de mídias sociais. Interessados podem se inscrever no site de recrutamento da empresa. “O objetivo é recrutar mais uma centena até o fim do ano. Se tiverem 100 pessoas interessadas amanhã, contratamos todas”, destaca Gusmão. Para se ter uma ideia, cerca de cem profissionais já foram incorporados ao quadro de funcionários este ano, além disso a empresa dobrou o patrimônio que gerencia, desde o início da quarentena.
A Warren tem uma longa história junto ao Sebrae RS. Gusmão chegou a ser um dos palestrantes do Insight 2018, evento criado pelo Sebrae RS para conectar o mundo do empreendedorismo. No segundo semestre de 2016, participou da quarta turma do StartupRS Digital e foram destaques no demoday, realizado em dezembro do mesmo ano. “O programa ajudou na validação do modelo de negócio, nas estratégias de marketing para o lançamento da empresa para que eles tivessem um resultado ainda melhor. Os fundadores são empreendedores bastante experientes, mas conseguimos ajudar nessa preparação”, destaca o gestor de projetos para Economia Digital do Sebrae RS, João Antônio Pinheiro Neto.
Sobre a Warren
Trata-se de uma plataforma de investimentos que descobre o perfil do cliente e o molda como “conservador” ou “arrojado”. A partir disso, a empresa cria um objetivo e projeta um modelo de investimento específico para cada usuário. No Brasil desde o início de 2017, possui pretensão de ser uma nova forma de investir, fácil, simples e sem grandes taxas como as dos bancos. Com 130 mil clientes e pouco mais de três anos em operação, a startup tem hoje R$ 2 bilhões de ativos sob gestão e projeta multiplicar esse patrimônio por cinco até o fim de 2021. A plataforma oferece 400 produtos, incluindo sete fundos próprios.
De acordo com o CEO da Warren, Tito Gusmão, esse valor será destinado à expansão da empresa, ampliação dos negócios e melhorias tecnológicas. E isso inclui a contratação para atuação presencial ou remota. As oportunidades são na área de tecnologia com cargos como gerente de negócios, desenvolvedor, analista e gerente de contabilidade, engenharia de dados e gestão de mídias sociais. Interessados podem se inscrever no site de recrutamento da empresa. “O objetivo é recrutar mais uma centena até o fim do ano. Se tiverem 100 pessoas interessadas amanhã, contratamos todas”, destaca Gusmão. Para se ter uma ideia, cerca de cem profissionais já foram incorporados ao quadro de funcionários este ano, além disso a empresa dobrou o patrimônio que gerencia, desde o início da quarentena.
A Warren tem uma longa história junto ao Sebrae RS. Gusmão chegou a ser um dos palestrantes do Insight 2018, evento criado pelo Sebrae RS para conectar o mundo do empreendedorismo. No segundo semestre de 2016, participou da quarta turma do StartupRS Digital e foram destaques no demoday, realizado em dezembro do mesmo ano. “O programa ajudou na validação do modelo de negócio, nas estratégias de marketing para o lançamento da empresa para que eles tivessem um resultado ainda melhor. Os fundadores são empreendedores bastante experientes, mas conseguimos ajudar nessa preparação”, destaca o gestor de projetos para Economia Digital do Sebrae RS, João Antônio Pinheiro Neto.
Sobre a Warren
Trata-se de uma plataforma de investimentos que descobre o perfil do cliente e o molda como “conservador” ou “arrojado”. A partir disso, a empresa cria um objetivo e projeta um modelo de investimento específico para cada usuário. No Brasil desde o início de 2017, possui pretensão de ser uma nova forma de investir, fácil, simples e sem grandes taxas como as dos bancos. Com 130 mil clientes e pouco mais de três anos em operação, a startup tem hoje R$ 2 bilhões de ativos sob gestão e projeta multiplicar esse patrimônio por cinco até o fim de 2021. A plataforma oferece 400 produtos, incluindo sete fundos próprios.
Moove vai comemorar virtualmente seus 18 anos. Será amanhã.
A Moove vai reunir virtualmente os seus colaboradores no final da tarde desta sexta-feira (24) para comemorar os 18 anos da agência. No evento online, algumas novidades na governança da agência serão anunciadas aos colaboradores.
A Moove é presidida por José Luiz Fuscaldo, e conta ainda com as sócias Aira Franciosi, Denise Milão e Luana Rodrigues no seu quadro diretivo.
Para marcar as comemorações, nesta semana, a agência colocou na rua a campanha Tem um pouco de Moove em tudo que pulsa, com diversos outdoors e displays espalhados por Porto Alegre.
A ideia da campanha é mostrar como a Moove pulsou as transformações da sociedade e das comunicações em seus 18 anos de existência e como ela busca antecipar o futuro para seus clientes.
A Moove pulsa inovação com o Núcleo de Dados e Performance – a primeira plataforma de Big Data Analytics totalmente voltada para comunicação e marketing do Brasil – e com a CRMoove – uma plataforma e metodologia de Customer Relationship Management própria para prospecção de leads para os clientes da agência.
Agência de Comunicação do Ano pela da Associação Riograndense de Propaganda (ARP) por dois anos consecutivos, a Moove pulsa o reconhecimento do mercado, dos clientes, dos veículos e da sociedade gaúcha.
E a Moove está pronta para pulsar as marcas pelos próximos 18 anos.
Ficha Técnica
Campanha: Tem um pouco de Moove em tudo que pulsa
Head de Relacionamento e Negócios: Luana Rodrigues
Atendimento: Caroline Fuscaldo
Head de Criação: Laura de Azevedo
Redação: Julia Fontanive e Ricardo Soletti
Direção de Arte: Moisés Bettim
Motion Designer: Valéria Dalla Corte
Produtor de Conteúdo: Carlos Daleno
Planejamento: Marlene Martinez
Arte-Final: Christian Vieira
Head de Performance: Gabriel Fuscaldo
Produção: Carla Bildhauer e Robson Albuquerque
Mídia: Irenita Boff
Produtora de Áudio: Radioativa
A Moove é presidida por José Luiz Fuscaldo, e conta ainda com as sócias Aira Franciosi, Denise Milão e Luana Rodrigues no seu quadro diretivo.
Para marcar as comemorações, nesta semana, a agência colocou na rua a campanha Tem um pouco de Moove em tudo que pulsa, com diversos outdoors e displays espalhados por Porto Alegre.
A ideia da campanha é mostrar como a Moove pulsou as transformações da sociedade e das comunicações em seus 18 anos de existência e como ela busca antecipar o futuro para seus clientes.
A Moove pulsa inovação com o Núcleo de Dados e Performance – a primeira plataforma de Big Data Analytics totalmente voltada para comunicação e marketing do Brasil – e com a CRMoove – uma plataforma e metodologia de Customer Relationship Management própria para prospecção de leads para os clientes da agência.
Agência de Comunicação do Ano pela da Associação Riograndense de Propaganda (ARP) por dois anos consecutivos, a Moove pulsa o reconhecimento do mercado, dos clientes, dos veículos e da sociedade gaúcha.
E a Moove está pronta para pulsar as marcas pelos próximos 18 anos.
Ficha Técnica
Campanha: Tem um pouco de Moove em tudo que pulsa
Head de Relacionamento e Negócios: Luana Rodrigues
Atendimento: Caroline Fuscaldo
Head de Criação: Laura de Azevedo
Redação: Julia Fontanive e Ricardo Soletti
Direção de Arte: Moisés Bettim
Motion Designer: Valéria Dalla Corte
Produtor de Conteúdo: Carlos Daleno
Planejamento: Marlene Martinez
Arte-Final: Christian Vieira
Head de Performance: Gabriel Fuscaldo
Produção: Carla Bildhauer e Robson Albuquerque
Mídia: Irenita Boff
Produtora de Áudio: Radioativa
Carta ao governador
Porto Alegre (RS), 20 de julho de 2020.
Exmo. Sr.
EDUARDO LEITE
Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Senhor Governador Eduardo Leite,
As entidades empresariais do Rio Grande do Sul e uma parcela importante da sua representação política
no Congresso Nacional e Assembleia Estadual, vêm à sua presença para expor a enorme preocupação
com o agravamento da situação de saúde, econômica e social que ocorre hoje, no Estado do Rio Grande
do Sul.
Entendemos muito bem que vivemos a contingência de uma grande pandemia e, compreendemos o
esforço e a preocupação de todos com a preservação da vida no enfrentamento a este terrível evento,
que assola o mundo, o nosso país e o nosso Estado. Estamos convictos das suas intenções, de evitar que
a epidemia cause um dano maior ao Rio Grande e nessa direção queremos construir, junto com o
Governo, um caminho que proporcione respostas cada vez mais eficazes.
E é, na busca dessa eficácia que gostaríamos de ponderar. Estamos, por mais de 4 meses, suportando
todas as agruras sociais e econômicas na esperança de superarmos juntos a pandemia. Agora, com o
inverno, aumentou o contágio de vários tipos de vírus, como sempre ocorre em todos os invernos gaúchos,
e junto, aumentou também, o contágio da Covid-19. É um surto que nada tem a ver com a reabertura
gradual da economia. Reabertura essa que vem sendo feita sob rigorosos protocolos de prevenção do
contágio e com seus custos cobertos pelo que ainda resta de recursos no setor privado. Portanto
entendemos ser hora de darmos um passo adiante, de avançarmos juntos, aperfeiçoando as formas de
ação no enfrentamento, garantindo a vida e a sobrevivência dos gaúchos.
Por isso propomos:
1) que a política de avaliação de risco, simbolizada pelas cores de bandeiras, tenha um caráter mais
indicativo e menos impositivo, ficando sua execução a critério das Associações Regionais de Municípios;
2) que os signatários deste documento colaborem de forma mais intensa, para que haja uma parceria
ainda maior com o Governo Federal, no sentido de executar uma estratégia de testagem maciça e
frequente da população de risco, visando promover o rastreamento, localização e isolamento temporário
dos possíveis portadores do vírus numa escala muito maior do que na realidade atual. É importante
rapidamente aumentar, muitas vezes, a capacidade de processamento de testes no RS. Propomos, então,
substituir o fechamento de empresas por uma política ampla e robusta de testagem da população,
iniciando pelas regiões também de maior risco;
3) entendemos ainda que o Governo deve disponibilizar o tratamento precoce, nos casos onde houver
decisão do médico e desejo do paciente em utilizá-lo.
Conte sempre com nosso respaldo no seu desejo de fazer a vida voltar ao normal, o mais cedo possível,
no RS, tanto na saúde pública quanto na atividade econômica. Nós assumimos com o Governo Estadual,
o compromisso de fazer essa construção e intermediação, inclusive na área dos recursos que forem
necessários, junto ao Governo Federal, para transformar o nosso Rio Grande em um case de sucesso na
superação dessa Pandemia.
Atenciosamente,
Gedeão Silveira Pereira, Farsul.
Simone Leite, Federasul
Luiz Carlos Bohn, Fecomércio
Gilberto Petry, Fiergs
Giovani Cherini, Coordenador da Bancada Federal
Deputados:
Exmo. Sr.
EDUARDO LEITE
Governador do Estado do Rio Grande do Sul
Senhor Governador Eduardo Leite,
As entidades empresariais do Rio Grande do Sul e uma parcela importante da sua representação política
no Congresso Nacional e Assembleia Estadual, vêm à sua presença para expor a enorme preocupação
com o agravamento da situação de saúde, econômica e social que ocorre hoje, no Estado do Rio Grande
do Sul.
Entendemos muito bem que vivemos a contingência de uma grande pandemia e, compreendemos o
esforço e a preocupação de todos com a preservação da vida no enfrentamento a este terrível evento,
que assola o mundo, o nosso país e o nosso Estado. Estamos convictos das suas intenções, de evitar que
a epidemia cause um dano maior ao Rio Grande e nessa direção queremos construir, junto com o
Governo, um caminho que proporcione respostas cada vez mais eficazes.
E é, na busca dessa eficácia que gostaríamos de ponderar. Estamos, por mais de 4 meses, suportando
todas as agruras sociais e econômicas na esperança de superarmos juntos a pandemia. Agora, com o
inverno, aumentou o contágio de vários tipos de vírus, como sempre ocorre em todos os invernos gaúchos,
e junto, aumentou também, o contágio da Covid-19. É um surto que nada tem a ver com a reabertura
gradual da economia. Reabertura essa que vem sendo feita sob rigorosos protocolos de prevenção do
contágio e com seus custos cobertos pelo que ainda resta de recursos no setor privado. Portanto
entendemos ser hora de darmos um passo adiante, de avançarmos juntos, aperfeiçoando as formas de
ação no enfrentamento, garantindo a vida e a sobrevivência dos gaúchos.
Por isso propomos:
1) que a política de avaliação de risco, simbolizada pelas cores de bandeiras, tenha um caráter mais
indicativo e menos impositivo, ficando sua execução a critério das Associações Regionais de Municípios;
2) que os signatários deste documento colaborem de forma mais intensa, para que haja uma parceria
ainda maior com o Governo Federal, no sentido de executar uma estratégia de testagem maciça e
frequente da população de risco, visando promover o rastreamento, localização e isolamento temporário
dos possíveis portadores do vírus numa escala muito maior do que na realidade atual. É importante
rapidamente aumentar, muitas vezes, a capacidade de processamento de testes no RS. Propomos, então,
substituir o fechamento de empresas por uma política ampla e robusta de testagem da população,
iniciando pelas regiões também de maior risco;
3) entendemos ainda que o Governo deve disponibilizar o tratamento precoce, nos casos onde houver
decisão do médico e desejo do paciente em utilizá-lo.
Conte sempre com nosso respaldo no seu desejo de fazer a vida voltar ao normal, o mais cedo possível,
no RS, tanto na saúde pública quanto na atividade econômica. Nós assumimos com o Governo Estadual,
o compromisso de fazer essa construção e intermediação, inclusive na área dos recursos que forem
necessários, junto ao Governo Federal, para transformar o nosso Rio Grande em um case de sucesso na
superação dessa Pandemia.
Atenciosamente,
Gedeão Silveira Pereira, Farsul.
Simone Leite, Federasul
Luiz Carlos Bohn, Fecomércio
Gilberto Petry, Fiergs
Giovani Cherini, Coordenador da Bancada Federal
Deputados:
Insuficiência de finalidade
Por Renato Sant'Ana
O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), em vídeos, desancou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). E disse, em Os Pingos nos Is, da Rádio Jovem Pan, que o fez movido pela "indignação dos justos", depois da arbitrária prisão do jornalista Oswaldo Eustáquio.
"Alexandre de Moraes é um tirano, alguém que passa por cima das leis para seu bel-prazer. Um déspota que, a cada dia, está com menos respeito da população brasileira", falou. Poderia parar aí. Mas prosseguiu com expressões grosseiras e bravatas provocativas.
Ainda assim, como deputado, ele está no seu papel, denunciando Alexandre de Moraes, que é só o ponta de lança do STF na condução do famigerado "inquérito das fake news", que pisoteia a Constituição sem pudor - com a indecorosa cumplicidade de 10 dos 11 membros daquela corte.
O único ministro que ousou divergir foi Marco Aurélio Mello: "Inquérito das Fake News fere a Constituição. O Supremo não é absoluto", disse.
E criticou Dias Toffoli, presidente do STF, pela instauração sigilosa do procedimento (sim, na surdina!), sem conhecimento do colegiado, "em afronta à constituição e ao sistema acusatório", segundo Mello.
Ele ainda refutou a designação de Moraes como inquisidor-mor, a seu entender "escolhido a dedo e desrespeitando o sistema de distribuição automático, regra do Supremo."
O cenário é da maior gravidade. E o que faz e como faz Otoni de Paula?
Ele tem muito a aprender com o xadrez (o fidalgo esporte do tabuleiro, claro). Ora, assim no xadrez como na política, é indispensável ter estratégia, decidindo e agindo com a razão - jamais por impulso.
O enxadrista não move uma peça sem um "para que". Cada lance tem um objetivo e é parte de uma estratégia, seja de ganhar posições no tabuleiro, seja de provocar uma reação do adversário.
Aquele que, sem refletir, obedece à emoção, age "porque", não "para que": seu ato têm causa sem ter finalidade; tem justificativa, não tem meta. Ele desleixa a estratégia: mau para o xadrez e para a política.
Por mover as peças sem critério, de Paula produziu dois efeitos que não gostaria. Um foi ser denunciado ao STF pela PGR (Procuradoria Geral da República) por difamação, injúria e coação contra Alexandre de Moraes.
Outro efeito, além de ficar ele mesmo enfraquecido, foi tirar força de seus pares que se insurgiram contra o ministro Gilmar Mendes, do STF, que, nestes dias, acusou as Forças Armadas de se associarem a práticas genocidas, ofensa muito mais grave que as bravatas dos vídeos.
Aliás, a PGR não vai denunciar Gilmar Mendes. E de Paula, porque ficou sem cacife, não vai denunciar a seletividade da PGR.
Coragem sem CRITÉRIO pode redundar em destrambelho. É de se questionar: que utilidade pode ter gritar palavras de ordem contra membros do STF? Acaso suas excelências se incomodam com a opinião pública?
Hoje, os ministros sequer frequentam aeroportos: voam nos jatinhos da FAB, blindados contra críticas da população que clama por justiça.
Só o Senado pode enquadrar o STF. Não o faz por estar nas mãos de Davi Alcolumbre, intelectualmente medíocre e, para mais, com vários processos contra si. Acham que ele vai querer desagradar o autoritarismo togado?
Só que de Paula não usou sua valentia para desafiar Alcolumbre. Nem para fustigar Rodrigo Maia, que é presidente da Câmara e que não teve peito para insurgir-se quando Moraes, rasgando a lei, quebrou sigilo de parlamentares. Por que não cobrar a omissão desses dois?
Em suma, o STF abusa porque Senado não fiscaliza, Câmara não cobra e ambos são redutos de conchavos. O que poderia fazer de Paula para desmontar esse mecanismo? Fazer bravatas em redes sociais?
Vale para todos! Está muito bem ter coragem e denunciar abusos. Mas, sob pena de se pôr tudo a perder, é indispensável ter equilíbrio e inteligência, conceber uma boa estratégia e agir com coragem e critério.
Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br
O deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), em vídeos, desancou o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). E disse, em Os Pingos nos Is, da Rádio Jovem Pan, que o fez movido pela "indignação dos justos", depois da arbitrária prisão do jornalista Oswaldo Eustáquio.
"Alexandre de Moraes é um tirano, alguém que passa por cima das leis para seu bel-prazer. Um déspota que, a cada dia, está com menos respeito da população brasileira", falou. Poderia parar aí. Mas prosseguiu com expressões grosseiras e bravatas provocativas.
Ainda assim, como deputado, ele está no seu papel, denunciando Alexandre de Moraes, que é só o ponta de lança do STF na condução do famigerado "inquérito das fake news", que pisoteia a Constituição sem pudor - com a indecorosa cumplicidade de 10 dos 11 membros daquela corte.
O único ministro que ousou divergir foi Marco Aurélio Mello: "Inquérito das Fake News fere a Constituição. O Supremo não é absoluto", disse.
E criticou Dias Toffoli, presidente do STF, pela instauração sigilosa do procedimento (sim, na surdina!), sem conhecimento do colegiado, "em afronta à constituição e ao sistema acusatório", segundo Mello.
Ele ainda refutou a designação de Moraes como inquisidor-mor, a seu entender "escolhido a dedo e desrespeitando o sistema de distribuição automático, regra do Supremo."
O cenário é da maior gravidade. E o que faz e como faz Otoni de Paula?
Ele tem muito a aprender com o xadrez (o fidalgo esporte do tabuleiro, claro). Ora, assim no xadrez como na política, é indispensável ter estratégia, decidindo e agindo com a razão - jamais por impulso.
O enxadrista não move uma peça sem um "para que". Cada lance tem um objetivo e é parte de uma estratégia, seja de ganhar posições no tabuleiro, seja de provocar uma reação do adversário.
Aquele que, sem refletir, obedece à emoção, age "porque", não "para que": seu ato têm causa sem ter finalidade; tem justificativa, não tem meta. Ele desleixa a estratégia: mau para o xadrez e para a política.
Por mover as peças sem critério, de Paula produziu dois efeitos que não gostaria. Um foi ser denunciado ao STF pela PGR (Procuradoria Geral da República) por difamação, injúria e coação contra Alexandre de Moraes.
Outro efeito, além de ficar ele mesmo enfraquecido, foi tirar força de seus pares que se insurgiram contra o ministro Gilmar Mendes, do STF, que, nestes dias, acusou as Forças Armadas de se associarem a práticas genocidas, ofensa muito mais grave que as bravatas dos vídeos.
Aliás, a PGR não vai denunciar Gilmar Mendes. E de Paula, porque ficou sem cacife, não vai denunciar a seletividade da PGR.
Coragem sem CRITÉRIO pode redundar em destrambelho. É de se questionar: que utilidade pode ter gritar palavras de ordem contra membros do STF? Acaso suas excelências se incomodam com a opinião pública?
Hoje, os ministros sequer frequentam aeroportos: voam nos jatinhos da FAB, blindados contra críticas da população que clama por justiça.
Só o Senado pode enquadrar o STF. Não o faz por estar nas mãos de Davi Alcolumbre, intelectualmente medíocre e, para mais, com vários processos contra si. Acham que ele vai querer desagradar o autoritarismo togado?
Só que de Paula não usou sua valentia para desafiar Alcolumbre. Nem para fustigar Rodrigo Maia, que é presidente da Câmara e que não teve peito para insurgir-se quando Moraes, rasgando a lei, quebrou sigilo de parlamentares. Por que não cobrar a omissão desses dois?
Em suma, o STF abusa porque Senado não fiscaliza, Câmara não cobra e ambos são redutos de conchavos. O que poderia fazer de Paula para desmontar esse mecanismo? Fazer bravatas em redes sociais?
Vale para todos! Está muito bem ter coragem e denunciar abusos. Mas, sob pena de se pôr tudo a perder, é indispensável ter equilíbrio e inteligência, conceber uma boa estratégia e agir com coragem e critério.
Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br
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