Artigo, Mirvan Lucy de Rezende - Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!


Lembro-me bem. Foi quando julho se foi, que um vento mais gelado, mais destemperado, que arrastava ainda folhas deixadas pelo outono, me disse algumas verdades. Convenceu-me de que o céu começaria a apresentar metamorfoses avermelhadas. Que a poeira levantada por ele daria lições de que as coisas nem sempre ficam no mesmo lugar e que é preciso aceitar que a poeira só assenta depois que os redemoinhos se vão.
Foi quando julho se foi que a minha solidão me convidou para uma conversa. E me contou de tempo de esperas. E me disse que o barulho das árvores tinha algo a dizer sobre aceitação. E eu fiquei pensando como elas, as árvores, aceitam as estações que, se as estremecem, também lhes florescem os galhos. Mas tudo a seu tempo. Foi em agosto que descobri que os cachorros loucos são, na verdade, os uivos que não lançamos ao vento. São nossos estremecimentos particulares que a nossa rigidez de certezas não nos permite encarar.
O mês de agosto tem muito a ensinar. Porque agosto é mês jardineiro, é dentro dele, berço do inverno, que as sementes dormem. Aguardam seu tempo de brotar. Agosto é guardador da boa-nova, preparador de flores. Agosto é quando Deus deixa a natureza traduzir visivelmente o tempo das mutações.
Mude, diz agosto, em seu recado de sementes. Aceite, diz agosto, com seu jeito frio de vento que levanta poeira e a faz avermelhar o céu. Compartilhe, diz agosto. Agasalhos, sopas quentinhas, cafés com chocolate, abraços mais apertados – eles também aquecem a alma e aninham o corpo. Distribua mais afetos, que inverno é acolhimento, é tempo de preparar setembro. E, de setembro, todos sabemos o que esperar. Esperamos a arrebentação das cores, que com seus mais variados nomes vêm em forma de flores.
Vamos apreciar agosto, recebê-lo com o espanto feliz de quem não desafia ventos. Que ele desarrume e espalhe suas folhas e levante suas poeiras.
Aceite as esperas, mas coloque floreiras na janela.
Só quem vive bem os agostos é merecedor da primavera!

Miryan Lucy de Rezende
Escritora e Educadora Infantil

Vendas do varejo poderão ser 18% menores no Dia dos País do RS

CDL-RS aponta que as restrições à atividade comercial na maior parte do estado, o que gera aumento do desemprego e diminuição do poder de consumo, é um fator preponderante para que isso ocorra

A perspectiva de vendas para o Dia dos Pais de 2020 depende exclusivamente da decisão dos governadores estaduais e dos prefeitos municipais sobre o quanto o comércio pode funcionar e as pessoas podem trabalhar e obter renda.

No Rio Grande do Sul, lamentavelmente, as expectativas não são positivas, uma vez que ao contrário da maior parte do Brasil, onde os gestores públicos estão abandonando as medidas de isolamento social, no território gaúcho a bandeira vermelha estabelecida pelo governo estadual impõe a paralisação da economia em oito regiões, exatamente as de maior geração de renda e de concentração populacional.

- Desta forma, aproximadamente 70% do poder de consumo gaúcho está praticamente limitado a supermercados, farmácias e postos de combustíveis, onde as opções de presentes para o Dia dos Pais se resumem a poucos itens, como bebidas, perfumaria e alguns outros – ressalta o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul - FCDL-RS, Vitor Augusto Koch.

Além disso, destaca o presidente da FCDL-RS, o crescimento do desemprego e falta de faturamento por conta da impossibilidade de trabalhar e empreender, faz com que as pessoas assumam posições de consumo mais conservadoras, reduzindo ao mínimo, ou até cancelando suas decisões de presentear os pais.

- Dentro deste contexto, sem precedentes históricos, a FCDL-RS entende que as vendas do varejo ampliado, que inclui materiais de construção e veículos, nesta data comemorativa sejam pelo menos 18% inferiores ao registrado no mesmo período do ano passado. Este percentual segue a lógica do contexto predominante em maio, quando a performance varejista do Rio Grande do Sul registrou queda de 24,2% diante de igual mês de 2019. Comparativamente, o resultado do Dias dos Pais é um pouco amenizado em função de ainda existirem centros de consumo com o comércio funcionando em patamares mínimos de razoabilidade na região central e oeste do Estado – lembra Vitor Augusto Koch.

Para o dirigente, esta situação não precisaria estar acontecendo, pois enquanto nos principais centros econômicos do Brasil a maior parte das atividades empresariais está voltado rapidamente à normalidade e a economia busca sua recuperação, o Rio Grande do Sul está indo na direção contrária.

A FCDL-RS entende que esse descompasso agrava ainda mais a situação econômica gaúcha, indo além do varejo. No setor industrial, por exemplo, é praticamente certo que as empresas do RS percam contratos de fornecimento para concorrentes de outros estados, os quais evidentemente tentarão fidelizar a clientela até então cativa dos gaúchos. 

Mais uma vez a FCDL-RS alerta ao governo estadual e aos prefeitos mais radicalmente partidários do isolamento social que “ficar em casa” no inverno é sinônimo de aumento de contaminação pela Covid-19, além de agravamento do flagelo econômico e social estadual.


Financiamentos imobiliários

Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) , os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) atingiram R$ 538,52 milhões em junho de 2020, com crescimento de 29,40% em relação ao mês anterior e alta de 38,04% comparativamente a igual mês do ano passado. O volume financiado em junho indicou o melhor resultado dos últimos três anos.
Para o coordenador da Comissão da Indústria Imobiliária do  Sinduscon-RS, Gustavo Kosnitzer , as taxas de juros baixa no Brasil e o cenário imprevisível diante da pandemia provocam a busca de investimentos em produtos de renda como o imóvel, o que justifica o aumento nos financiamentos imobiliários. “A perspectiva de juro baixo para o mercado imobiliário é excelente. Brinco que um dos nossos principais insumos, além de aço e concreto, é dinheiro, porque o setor é extremamente dependente de capital.  Assim, a construção civil pode ser a grande alavanca da retomada econômica do Brasil pós-pandemia”, ressalta Kosnitzer.
Os dados da ABECIP registram que, entre os primeiros semestres de 2019 e de 2020, os empréstimos destinados à aquisição e construção de imóveis avançaram 19,40%, atingindo R$ 2,56 bilhões.
No acumulado de 12 meses (julho de 2019 a junho de 2020), os empréstimos habitacionais no SBPE somaram R$ 5,30 bilhões, alta de 24,09% em relação ao apurado nos 12 meses anteriores.
Foram financiados, em junho de 2020, nas modalidades de aquisição e construção, 2,2 mil imóveis, resultado 30,35% superior  ao de maio e 61,35% maior do que o apurado em junho de 2019.
Na primeira metade de 2020, foram financiadas aquisições e construções de 11 mil unidades, resultado 18,63% superior ao de igual período de 2019.
Nos últimos 12 meses (julho de 2019 a junho de 2020), os financiamentos viabilizaram a aquisição e a construção de 23,1 mil imóveis, alta de 19,03% em relação aos 12 meses anteriores, quando 19,4 mil unidades foram beneficiadas pelo crédito imobiliário no âmbito do SBPE.
O presidente do Sinduscon-RS, Aquiles Dal Molin Junior, prevê prejuízos com a paralisação total da atividade em Porto Alegre. “No sentido de minimizar os efeitos da COVID-19 no setor, as empresários estão conseguindo acelerar os processos de migração de procedimentos físicos para o meio digital na comercialização dos imóveis, mas o ritmo de produção de novas unidades está afetado na Capital com uma segunda paralisação desde 26 de junho, apesar de todo o cenário favorável no mercado de crédito com vantagens aos adquirentes e incentivos à construção”, concluiu.

Artigo, Renato Sant'Ana - O empresariado brasileiro e a píton da Tanzânia

          Nos EUA, uma família adotou como bichinho de estimação um filhote de píton proveniente da Tanzânia, uma cobrinha medindo um metro e meio.
          Descrita como tendo um apetite incomensurável, a píton era o xodó da casa. E quatro anos após a adoção já media seis metros.
          Um dia, desejosa de fazer um lanchinho, a serpente resolveu devorar uma menina de nove anos, que foi atacada enquanto dormia.
          Ora, no corpo a corpo, o atleta mais marombado não é páreo para uma píton. Mas o pai da criança, acudindo sem demora, usou um facão afiado e fez o único que poderia salvar-lhe a filha: decepou a cabeça do monstro.
          Aquela família, com tão bons sentimentos, acreditou que bastava dar carinho à píton para ela se transformar em um bichinho afetuoso, mansinho e apegado ao ser humano, como costumam ser gatos e cachorros.
          Essa história passou num canal da TV fechada.
          Fez lembrar a ingenuidade de alguns empresários que, embora defensores da liberdade, patrocinam rádios, jornais e TVs que colaboram com ideologias de corte revolucionário.
          Com o ar apalermado de quem afaga uma serpente, muitos acreditam que os adoradores de revoluções atuantes na mídia são inofensivos.
          Pois faço um desafio que sintetiza a gravidade da coisa: mostrem uma só reportagem sobre o Foro de S. Paulo (FSP) publicada por algum veículo de grupos como Globo, Bandeirantes ou RBS, por jornais como Folha de S. Paulo e Estadão, ou por alguma das grandes revistas.
          E a que vem esse desafio? Ora, criado em 1990 por Fidel Castro, Hugo Chaves e Lula para o fim de espalhar ditaduras bolivarianas pelas Américas, o FSP é o comitê central das esquerdas latino-americanas.
          Reúne não só partidos legalizados, mas até as FARC, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, mescla de marxismo e narcotráfico.
          Presença oculta nos governos de Lula e Dilma, o FSP é indissociável da grossa corrupção desvendada na Lava Jato.
          Mas seu projeto mais bem-acabado é a Venezuela, que passou de país mais rico da região a território de mendigos: ditadura extremista, imprensa amordaçada, tortura, presos políticos, setor produtivo destruído, inflação de sete (sete!) dígitos, desemprego, desabastecimento e fome.
          Vendo agonizar o país que amam, há empresários venezuelanos que hoje se desesperam, só agora conscientes de que pecavam por falta de visão ampla, de que tinham uma calculadora no lugar do cérebro e de que estavam fazendo pacto com o diabo ao transacionar com um governo de esquerda.
          No Brasil, por décadas, com o culposo silêncio da mídia, articuladinhos diziam que o FSP era "teoria da conspiração".  Foi o "ingênuo" Cabo Daciollo, falando como candidato num dos debates eleitorais de 2018, quem mais ajudou a tornar conhecido esse conciliábulo de parasitas.
          A atitude da imprensa frente ao FSP apenas revela a natureza nada democrática dos moços que dominam as redações, quase todos amestrados por ativistas de esquerda, os seus professores na universidade.
          E pode piorar. Os grupos Globo e Bandeirantes já assinaram "termo de cooperação" com o China Media Group, maior grupo de comunicação do mundo e braço do Partido Comunista Chinês. Píton substituída por dragão...
          E uma luz de alerta se acende agora: a Argentina está afundando no mesmo abismo, devolvida que foi ao FSP nas eleições de 2019.
          Parafraseando James Carville, o marqueteiro de Bill Clinton em 1992, "é a natureza do animal, estúpido!". Assim como uma píton não se transforma num gatinho fofo, militantes de esquerda não viram defensores da democracia - ao menos não enquanto sua militância é remunerada.
          E quem remunera essa turma? Patrocinadores! Entra, aí, dinheirinho do contribuinte por mãos de governantes, sabe-se. Mas o monstro não se criaria sem as verbas de publicidade da iniciativa privada.
          Claro, quem produz, precisa anunciar para vender, assim como mídias necessitam de anunciantes. Mas, quem dá o diapasão nesse concerto?
          Em suma, ao alimentar a corrupta serpente do socialismo, parte de nosso empresariado está fomentando um projeto que nega a propriedade privada e o livre mercado e que acaba com as liberdades individuais.
          Será que empreendedores, reais responsáveis pela vitalidade da economia, vão patrocinar a "argentinização" do Brasil e permitir que o Foro de S. Paulo retome o governo e, por fim, nos transforme numa Venezuela?

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.
E-mail: sentinela.rs@uol.com.br

Hospital Moinhos utiliza metodologia da Johns Hopkins em laudos de exame para diagnóstico do câncer de próstata

Possibilidade de pesquisas em conjunto entre as duas instituições e maior confiabilidade nos resultados são os principais benefícios da cooperação científica

Uma nova oportunidade de cooperação científica entre médicos do Hospital Moinhos de Vento e da Johns Hopkins Medicine está em andamento há cerca de um mês. Equipes dos serviços de Radiologia e da Medicina Nuclear do Moinhos de Vento estão utilizando critérios da instituição americana para estruturar e normatizar o laudo de PET/CT Gálio 68-PSMA. Trata-se de um exame não-invasivo para avaliação e estadiamento da neoplasia de próstata – e que fusiona imagens metabólicas (PET) com imagens tomográficas (CT) para diagnosticar o câncer de próstata. Com extrema precisão, ele é indicado para investigar recidiva bioquímica (elevação do PSA) após tratamento, para diagnosticar metástases e para o estadiamento inicial de neoplasia de alto risco.
Conforme Gabriel B. Grossman, chefe do Serviço de Medicina Nuclear, os médicos do Hospital Moinhos de Vento revisaram a literatura e se reuniram com médicos da Johns Hopkins por meio de teleconferência para discutir os critérios baseados em casos apresentados. Cinco médicos do Moinhos fazem parte da equipe que realiza o PET/CT com PSMA. “Será possível realizar pesquisas em conjunto aplicando os critérios desenvolvidos na instituição americana nos pacientes atendidos aqui. Esses dados serão utilizados em publicações científicas com participação das duas instituições”, explica Dr. Grossman.
De acordo com a médica Alice Schuch, coordenadora do Núcleo de Radiologia Abdominal do Hospital Moinhos de Vento, o PSMA é um radiofármaco específico para detectar as áreas que têm neoplasia de próstata. “A Johns Hopkins fez uma proposta de padronização dos relatórios do PET/CT com PSMA, chamada de PSMA-RADS, para que se classifique o grau de probabilidade das lesões serem neoplásicas”, observa Dra. Alice.
O oncologista Pedro Isaacsson Velho, que compõe a equipe pesquisadora, destaca que o Moinhos passa a utilizar da metodologia PSMA RADS criada pela Johns Hopkins, a mesma instituição que desenvolveu o PET/CT com PSMA. “Os avanços são imensos. Os laudos ganham ainda mais confiabilidade e reprodutibilidade. Além disso, agora estamos prontos para colaborações em pesquisa entre as duas instituições”, conclui Dr. Pedro.

Confira o texto da carta na íntegra:

“Vimos por meio desta reiterar nosso pedido de reabertura gradual, responsável e segura dos bares e restaurantes da cidade de Porto Alegre. O setor da gastronomia na Capital Gaúcha e Região Metropolitana chegou a uma situação insustentável. Desde o início do enfrentamento da pandemia, buscamos dialogar, propor e construir saídas possíveis para o atual momento, mas a falta de previsibilidade e a incerteza de decisões com a qual tivemos que conviver nos gerou um índice enorme de desemprego e falência das empresas.

Nosso setor, que é sempre lembrado pelo caráter de empregabilidade e reinvenção, já acumula números assombrosos. Chegamos, de fato, ao nosso limite. A situação é difícil, crítica e assustadora. Não há mais como manter nossos negócios com a realidade em que nos encontramos. Precisamos de decisões imediatas e perspectivas de futuro que nos possibilitem operar e que esse retorno aconteça de forma responsável e sustentável, premissas que sempre priorizamos em cada fase deste período e que seguimos prontos para priorizá-las. O que nos faz ressaltar, inclusive, que este efeito “abre e fecha” nos causou prejuízos que custarão meses a fio para serem tratados. É um quadro extremamente lamentável.

Com a mesma firmeza e necessidade de urgência que solicitamos a decisão de abertura para que possamos salvar o que ainda resta da nossa economia, também mantemos nossa posição proativa em propor ações globais que visam manter o distanciamento social adequado. Entendemos que o enfrentamento deve ser coletivo e que este passa por diversos setores para que possamos vislumbrar essas saídas sustentáveis. Não há mais como sacrificar um setor em nome de medidas que não responsabilizam todas as esferas da nossa sociedade.

Ainda no campo específico da gastronomia, solicitamos que cobranças sejam reavaliadas para que a realidade financeira seja um pouco menos dura aos empresários do setor. Por isso, pedimos que avalie a possibilidade de suspensão da cobrança do IPTU comercial, além de plano de parcelamento em 12 meses, a partir de Outubro de 2020. Ainda, considerar que a mesma Lei possa prever um desconto extra de 5% aos que continuarem efetuando seus pagamentos em dia.

Certos de que o senhor prefeito entende a grave situação em que o setor se encontra, chegando, de fato, ao seu limite econômico e prático, e considerando as ações sugeridas como exemplo de nossa postura consciente - ao passo que pedimos para manter operações abertas e vislumbramos cenários realistas, aplicados e supervisionados -, contamos com a sua apreciação e consideração aos termos aqui apresentados, aguardando uma ação imediata por parte do Executivo Municipal. Este é o nosso último manifesto e ele pede socorro.”


Artigo, Marcus Gravina - Na dúvida pro sociedade

- O autor é Marcus Vinicius Gravina, advogado no RS.

Quem não sabia que o juiz Moro assumiu no Brasil a mesma missão de um colega que combateu, frontalmente, a corrupção e outros crimes na Itália. Sem a atuação do MP teria as mãos amarradas, não haveria sequer condições para assinar sentenças. Muito se deve à comprometedora ausência dos Tribunais de Contas e o menoscabo do Poder Legislativo, descumpridor da sua competência constitucional de fiscal da Administração pública.
Foi preciso suprir, de alguma forma, estas nefastas inoperâncias, sem perda da cautela de resguardar o amplo direito de defesa e a coleta de provas de ambos os lados, para apreciação em todas as instâncias. Havendo alguma dúvida ou inconformidade com os supostos procedimentos do juiz Moro, é preciso distinguir a particularidade que se reveste o caso denunciado na imprensa e adotar o princípio aceito em certas circunstâncias, embora não decorra de lei: "in dubio pro societate".
Os juristas estão divididos sobre a ocorrência de alguma violação processual, decorrente de contatos havidos com o MP. O cidadão comum encara o assunto de maneira própria. Eu sou um deles. Aconteceu que erário foi saqueado, o dinheiro era público. Nada o juiz e os procuradores fizeram em causa própria ou em favor de interesses privados. Ao revés, buscaram o dinheiro surrupiado. E, tratou-se de punir criminosos acumpliciados com figuras influentes do mundo político e jurídico, inclusive de outras nações.
Havia, até então, um sistema armado e protegido para não punir corruptos, a ser vencido. A situação é excepcional e a corrupção é epidêmica. Diante da fragilidade e de certa mordaça que vinha neutralizando a eficácia do MP, precisou acontecer um lúcido e patriótico apoio ao esclarecimento das ações criminosas para poder julgar com convicção as provas obtidas. Concedeu-se aos réus, como ocorreu, os recursos cabíveis as outras instâncias, por vezes exageradamente articulados. Daí a insistência: "in dubio pro societate". Na dúvida o que for melhor ao povo, que além de roubado, morre vilipendiado nas portas de hospitais.