Artigo, Luiz Coronel - Uma geração de assombros

 Na praia de Atlântida, assisto o maremoto de um espetáculo de massa. Devo confessar que muito provavelmente entre 80 mil pessoas eu deveria ser o decano. Lembro, porém, a reflexão de Vargas Llosa, quando afirmava que “o distanciamento tem uma virtude esclarecedora”.


Em verdade em verdade vos digo que, ao chegar, tive a sensação de que eu, com minha bagagem de informações musicais acumuladas por décadas, era um caminhão chegando num baile infantil. Mas, como sempre na vida, havia muito a aprender. Deparei uma multidão de jovens doirados pelo sol comendo hambúrguer, pizza, levando nas mãos latinhas de cerveja. Lembrei Millôr Fernandes: seria oportuno liberar a bebida etc e proibir as músicas.


O que assisti de fato era uma ostensiva desatenção do público à maioria dos shows. Porém, ao ingresso do DJ Alok – um dos maiores do mundo –, houve a catarse absoluta, herdeiro de grandes hits internacionais, jogados à multidão envoltos em labaredas, estrondos, bombardeios e drones que lançavam sobre as paredes apelos infantis, como “eu sou feliz”.


Nenhuma imagem de substância poética. Esta é uma geração de assombros bem mais que de enternecimento. Estaria eu assistindo ao parto do novo dialeto das novas gerações?

Artigo, Jurandir Soares, Correio do Povo - A excepcionalidade de El Salvador

Reduzir substancialmente os números de homicídios e de casos de corrupção em um país da América Latina se constitui em excepcionalidade.


Por ter conseguido este feito é que Nayib Bukele foi reconduzido neste domingo, 4, à presidência de El Salvador. Numa vitória tão folgada que, quando decorria 70% da apuração, ele já bradou que teria 85% dos votos. A vitória é mais significativa porque representa uma rotunda derrota para Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional, movimento de esquerda radical, que ajudou a mergulhar o país numa guerra civil que se prolongou por 12 anos, de 1980 a 1992, com a morte de mais de 75 mil pessoas. Já para a Assembleia, o partido de Bukele, Novas Ideias, teria conseguido 58 das 60 cadeiras.


Bukele, que está com 42 anos, se tornou imensamente popular por ter conseguido, durante seu governo, rebaixar ao mínimo os homicídios e extorsões. Fazendo com que o país deixasse de ser, de súbito, um dos mais perigosos do mundo. Derrubou as amarras que impediam o Estado de combater o crime, construiu prisões, equipou e treinou a polícia e colocou os criminosos na cadeia. Conseguiu desarticular as organizações que havia décadas aterrorizavam a população. Não faltaram, evidentemente, as organizações de direitos humanos para denunciar a política de mão dura que fora posta em prática, violando alguns dos direitos fundamentais dos cidadãos. É dito que no Cecot, a prisão de segurança máxima construída para receber supostos terroristas, se entra com facilidade, mas, é quase impossível sair.


A votação obtida por Bukele em sua reeleição é vista como um aval dado pela população para as suas ações de combate ao crime. Os salvadorenhos ouvem queixas de familiares de detidos e são conscientes de que são cometidos alguns excessos, mas consideram que este é o preço a pagar no combate ao crime organizado. A certeza que têm é de que já não há mais um quadrilheiro na porta de sua casa para lhes extorquir. E de que agora conseguem circular tranquilamente por certos bairros onde, até poucos anos atrás, era impossível. Em coletiva de imprensa após a vitória, Bukele disse que “El Salvador tinha um câncer com metástase. Tinha 85% de seu território dominado pelas quadrilhas. Fizemos a cirurgia, o tratamento, a quimioterapia e saímos sãos, sem o câncer das quadrilhas. Acabamos com aqueles que estavam nos matando. E o que vem agora é um período de prosperidade”. O que é enfatizado pelos apoiadores de Bukele, dizendo que ele começou governando o país mais violento do mundo e agora o tornou o mais seguro. O objetivo, dizem, é chegar aos números do Canadá. Sob o governo Bukele, El Salvador passou, de fato, a ser um dos países que mais prende no mundo. A taxa de homicídios, que girava acima dos 100 a cada 100 mil habitantes em meados da última década, caiu para 2,4 a cada 100 mil no ano passado.


O curioso é que Bukele já foi membro da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional. Isto se deu porque seu pai, Armando Bukele, um empresário da origem palestina, já falecido, possuía uma empresa de comunicação que assessorava a Frente. O jovem Nayib, com 31 anos, como candidato da Frente, foi eleito, em 2012, para governar um pequeno povoado, Nuevo Cuscatlán, de 6 mil habitantes, situado nos arredores da capital, San Salvador. Em 2015, se elegeu para a Prefeitura de San Salvador. Quando tentou se alçar à presidência, foi impedido pelo partido. Foi então que mudou seu discurso, criou seu próprio partido, definiu uma política revolucionária de combate ao crime e venceu a eleição presidencial de 2019.


Um dos fatos mais marcantes nas atitudes ostensivas de Bukele, ocorreu em fevereiro de 2020, quando mandou militares e policiais rodearem o Parlamento, onde se encontravam 28 deputados. O assunto em pauta era um projeto do governo para combater as gangues. Consta que Bukele entrou no prédio, foi até a mesa diretiva dos trabalhos, sentou-se na cadeira reservada ao presidente e afirmou: “Agora acho que está muito claro quem tem o controle da situação”, disse ele diante de parlamentares estupefatos. Essa mistura de populismo e defesa da mão forte do Estado, com certos desvios da lei e da democracia, levaram Bukele, que saiu de um personagem de esquerda a um símbolo da direita, a ser considerado, segundo o Latinobarômetro 2023, o presidente mais popular da América Latina.


"Bukele se tornou imensamente popular por ter conseguido, durante seu governo, rebaixar ao mínimo os homicídios e extorsões. Conseguiu desarticular organizações que havia décadas aterrorizavam a população."



Morreu um gaúcho por dengue em 2024

O governo gaúcho confirmou nesta segunda-feira o primeiro óbito por dengue em 2024 no Rio Grande do Sul. O óbito confirmado é de uma mulher, de 71 anos, residente do município de Tenente Portela. A paciente tinha comorbidades e o óbito ocorreu em 31 de janeiro, tendo sido confirmado somente hoje. 

A secretaria gaúcha da Saúde reforça que a população deve procurar atendimento médico nos serviços de saúde logo nos primeiros sintomas. Desta forma, evita-se o agravamento da doença e a possível evolução para óbito. 

Principais sintomas

febre alta (39°C a 40°C), com duração de dois a sete dias, dor retro-orbital (atrás dos olhos) 

dor de cabeça 

dor no corpo 

dor nas articulações 

mal-estar geral 

náusea 

vômito 

diarreia 

manchas vermelhas na pele, com ou sem coceira 

Medidas de prevenção à proliferação e circulação do Aedes aegypti, como limpeza e revisão das áreas internas e externas das residências e eliminação dos objetos com água parada, são ações que impedem o mosquito de nascer, cortando o ciclo de vida na fase aquática. O uso de repelente também é recomendado para maior proteção individual contra o Aedes aegypti. 


Situação epidemiológica  


Neste ano, o Rio Grande do Sul já registra 2.314 casos confirmados da doença, dos quais 2.101 são autóctones (o contágio aconteceu dentro do Estado). Os demais são importados (residentes do Rio Grande do Sul que foram infectados em viagem a outro local). 


Em 2023, o Estado registrou mais de 34 mil casos autóctones. Ao todo, foram 54 óbitos em virtude da dengue no ano passado.

Ônibus elétricos em Porto Alegre

 Nesta segunda-feira, entraram em operação dois novos ônibus 100% elétricos no transporte público de Porto Alegre. Os veículos dos modelos Marcopolo Attivi Integral e Caio/Eletra eMillenium - que já circulavam pela cidade desde o início do ano - passam a integrar a frota em teste por mais 30 dias na linha 520.3 - Triângulo/24 de Outubro/Auxiliadora. Eles serão responsáveis por 32 viagens - 16 por sentido - que serão oferecidas em tabela extra. 

A prefeitura vai testar, ainda, outros fabricantes ao longo do ano. Até maio terá início o projeto-piloto para implementação de 12 novos veículos elétricos no sistema de transporte da Capital

Os novos ônibus

O Attivi Integral da Marcopolo tem 12,95 metros de comprimento, capacidade para até 81 passageiros, com 36 assentos, autonomia de até 280 quilômetros rodados, baterias LFP com 396,8kWh  (Quilowatt-hora) de capacidade com tempo de recarga de quatro horas. O ônibus da Caio/Eletra eMillenium possui 12,1 metros de comprimento, capacidade para 70 passageiros, com 28 assentos, autonomia de 200 a 250 quilômetros e banco de baterias 360kWh.

Saiba o que é reduflação e como ela afeta o bolso

Educador financeiro Thiago Martello explica a prática e alerta que consumidores precisam ficar atentos ao fazer compras.

A palavra “reduflação” pode parecer estranha a muita gente, mas certamente qualquer um já a conferiu na prática. Ela se refere à redução de peso, medida ou unidades em itens da cesta básica, papel higiênico, pasta de dente, sucos e vários outros produtos e é uma tática do mercado para evitar o aumento de preços.

De acordo com Thiago Martello, fundador da Martello EF, empresa que abocanhou investidores no programa Shark Tank Brasil ao oferecer uma metodologia própria, empresas de todo o mundo praticam reduflação em diversos momentos, especialmente quando o poder de compra da população está menor.

“Quando a inflação está alta e o poder de compra diminui, uma alternativa para a empresa não aumentar o preço de um chocolate, por exemplo, é diminuir seu peso. Dessa forma, o consumidor paga o mesmo, só que por um produto menor”, explica. 

Legalmente, a medida é aceita, desde que a redução de tamanho, peso ou quantidade esteja clara na embalagem do produto. O consumidor, porém, precisa estar atento para que esse tipo de prática não afete seu bolso.

“Normalmente, consumidores tendem a observar mais um aumento de preços do que uma diminuição de tamanho, mas se a quantidade diminui, pode ser que aquele mesmo produto não seja suficiente para o consumo da família, que tende a realizar uma nova compra, onerando as contas. Nestes casos, é importante avaliar se não é mais vantajoso mudar de marca em alguns casos”, orienta Thiago. 

O especialista também avalia que uma vez reduzidos os tamanhos, é normal que, mesmo que a inflação diminua e o poder de compra aumente, as marcas permaneçam com os produtos em versão “reduzida” nas prateleiras e com o mesmo valor. “O que elas fazem, neste caso, é lançar uma nova versão maior, com um novo preço”, diz. “Ou seja, mesmo com menos inflação, o preço do produto antigo não cai e entra um produto novo mais caro. É importante que o consumidor esteja atento a essas artimanhas e sempre compare os preços ao comprar”, alerta. 

 

Sobre a Martello Educação Financeira  

Criada em 2015, a Martello Educação Financeira é uma fintech e edtech que oferece planejamento financeiro com uma metodologia própria e inovadora, por meio de cursos, mentorias e diagnósticos para melhorar o relacionamento com dinheiro. Já realizou mais de mil atendimentos e possui mais de 500 alunos. Acesse o site. 

Sobre Thiago Martello 

Educador Financeiro, fundador da Martello Educação Financeira, agente autônomo de Investimentos pela CVM, e em Investimentos ANBIMA, corretor de Vida e Previdência pela Susep. Embaixador da APOEF (Associação de Profissionais, Orientadores e Educadores em Finanças). Thiago começou a lidar com educação financeira na prática aos nove anos de idade, ao iniciar seu primeiro empreendimento vendendo balas em semáforos da zona leste de São Paulo. De lá para cá, venceu uma série de desafios. Ele se tornou bacharel em Administração e pós-graduado em Gestão Financeira pela FGV,  passou a empreender através da Martello Educação Financeira, atendeu mais de 1.000 pessoas com base na metodologia DESPLANILHE-SE, e se tornou autor do livro que leva o mesmo nome. Thiago Martello também participou da versão brasileira do Shark Tank Brasil, o maior programa de empreendedorismo do mundo. Atualmente, ele fala semanalmente, como especialista, para vários veículos da imprensa, entre eles: O Globo, Estadão, Folha de São Paulo, Jovem PAN, CNN e outros. Para saber mais, acesse o site. 

 

Artigo, Roberto Schmidt - Oxigênio democrático

-  O autor é cientista político e publicitário. 

A convite do meu amigo Políbio Braga escrevo esse pequeno artigo e, desde já, agradeço o espaço. Minha intenção aqui é dar uma ideia dos primeiros passos para aqueles que estão querendo se candidatar às eleições municipais de outubro. 

A eleição municipal costuma ser a mais difícil. Ela é disputada voto a voto, corpo a corpo. É aquela que envolve família, amigos, vizinhos. Demanda suor, pouco investimento e é a mais cansativa. Por outro lado, é onde a política se renova e as lideranças locais surgem ou se consolidam. Em termos gerais, a democracia se oxigena. Por isso é fundamental que profissionais experientes ajudem os mais novos, em nome da renovação, fundamental para o exercício democrático.

Se você está lendo esse texto no blog do Políbio você já está um passo na frente. A primeira dica é óbvia: goste de política. E não basta só gostar, tem que acompanhar, ler nas entrelinhas, buscar o que representa cada ação dos envolvidos. Política é muito mais entrelinhas do que preto e branco. Leia todas as colunas de política possíveis, mantenha-se informado.

A segunda grande dica é estar atento às datas importantes do ano eleitoral. No site do TSE (https://encurtador.com.br/aeqIT) está tudo bem detalhado. Você não vai querer perder datas. As eleições serão só em outubro, mas antes existem diversas formalidades que você deve ficar atento.

Número três: contrate profissionais. Não adianta pensar que o seu tio advogado de família, o contador que faz o seu Imposto de Renda e o sobrinho que tem muitos seguidores do Instagram vão te eleger. Deles conte com o voto e compartilharem seus materiais. Se você quer levar a sério a sua possível eleição, leve a sério as pessoas que vão te ajudar nesse processo. Você é tão bom quanto as pessoas que te cercam.

Contrate um bom advogado, especialista em direito eleitoral, ele vai garantir que você não vai cometer nenhum deslize e inviabilizar sua campanha ainda no período da pré-campanha.

Contrate um contador especialista, que já tenha trabalhado com contabilidade eleitoral. Durante todo o processo, você terá que prestar contas para a justiça sobre os seus gastos. Existem limites em cada etapa das eleições. E, mesmo após eleito, todas as suas contas deverão ser demonstradas ao TRE e se tornarão públicas no portal da transparência.

E, sem querer puxar a brasa pro meu assado, o mais importante: contrate um bom profissional de marketing. Dê preferência para os que já trabalharam com eleições, que já trazem vitórias na bagagem. Nem todo jornalista ou publicitário entende de eleições. É um universo totalmente diferente das notícias e das contas privadas. Envolve pesquisa, envolve direito, envolve psicologia, envolve inúmeras ferramentas multidisciplinares que nem todo profissional de comunicação está familiarizado. Procure os que fazem parte de entidades de classe (CAMP, Compol, só para citar algumas), para entrar eles devem provar experiência e isso já é um bom caminho andado.

Outro ponto importante é a contratação de pesquisas. Sei que é caro, mas eleições modernas são data driven, ou seja, elas são orientadas por dados. Eu já trabalhei em campanhas que tinham mais de um instituto contratado. Vale a pena, no início da campanha, uma pesquisa qualitativa (no mínimo) para validar ou ajustar marca, slogan, etc. Durante o processo, algumas pesquisas quantitativas servirão para checar se os seus objetivos estão sendo alcançados.

Esses quatro profissionais são fundamentais para sua eleição ou reeleição. Esse é o momento em que você deve estar com a calculadora na mão e os pensamentos em sua conta bancária. A eleição municipal demanda menos tempo de envolvimento direto desses profissionais, você não precisa deles full time na maioria das vezes. Pensar em um grupo de candidatos com a mesma equipe pode ajudar a viabilizar a contratação de alguns dos grandes profissionais que temos disponíveis no nosso mercado. Mas lembre-se que falta pouquíssimo tempo para as eleições e a agenda de muita gente já está ficando tomada.

E a última dica é: a campanha eleitoral não acaba nunca. Mantenha-se em campanha, preserve seus consultores e vamos lá oxigenar a democracia.


Para mais dicas me siga no Instagram @betoschmidt e no X (antigo Twitter) @robertofschmidt.

Contatos profissionais no e-mail: beto.schmidt@gmail.com


Roberto Schmidt é cientista político e publicitário. 

Membro do CAMP (Clube Associativo dos Profissionais de Marketing Político) e da ABCP (Associação Brasileira de Ciência Política).


Contas externas

 As contas externas do Brasil apresentaram em 2023 uma redução de US$ 19,6 bilhões no déficit na comparação com 2022, informou nesta segunda-feira (5) o Banco Central (BC). Esse foi o menor resultado em 3 anos. No ano passado, o déficit em transações correntes somou US$ 28,6 bilhões, o que representa 1,32% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos bens e serviços produzidos no país), ante US$ 48,3 bilhões, 2,47% do PIB em 2022. Em dezembro passado, as transações correntes do balanço de pagamentos apresentaram déficit de US$ 5,8 bilhões, ante déficit de US$ 7,5 bilhões em dezembro de 2022.

As informações são da Agência Brasil de hoje.

Leia a reportagem completa:

Os dados fazem parte do relatório de estatísticas do setor externo com informações sobre as transações correntes do Brasil. Os números consideram o comércio da balança comercial, relacionando exportações e importações; os serviços adquiridos por brasileiros no exterior e também pela renda, como remessa de juros, lucros e dividendos do Brasil para outros países.

Segundo o BC, a redução de US$ 19,6 bilhões no déficit deveu-se especialmente à ampliação de US$ 36,4 bilhões no superávit da balança comercial e à redução de US$ 2 bilhões no déficit de serviços, “compensados parcialmente pelos aumentos nos déficits de renda primária, US$ 15,9 bilhões, e renda secundária, US$ 2,9 bilhões”.

No ano passado, a balança comercial apresentou superávit de US$ 344,4 bilhões, aumento de 1,2% em relação a 2022, o que representa o maior valor da série histórica. Já as importações somaram US$ 263,9 bilhões, recuo de 10,9% em relação ao ano anterior. A balança comercial de bens também foi superavitária em US$ 7,3 bilhões em dezembro de 2023, ante saldo positivo de US$ 2,9 bilhões em dezembro de 2022.

“As exportações de bens totalizaram US$ 29,1 bilhões, aumento de 7,4% na comparação interanual, enquanto as importações de bens recuaram 9,8%, na mesma base de comparação, totalizando US$ 21,8 bilhões”, disse o BC.

Reservas

As reservas internacionais somaram US$ 355 bilhões em dezembro de 2023, incremento de US$ 6,6 bilhões em relação ao mês anterior. O aumento decorreu, principalmente, de contribuições positivas de variações por preços, US$ 4,5 bilhões, e de variações por paridades, US$ 1 bilhão. As receitas de juros somaram US$ 669 milhões.

No ano de 2023, o déficit na conta de serviços somou US$ 37,6 bilhões, recuo de 5,1% comparativamente ao déficit em 2022, de US$ 39,6 bilhões. Os destaques foram a redução das despesas líquidas de transportes, de US$ 6,5 bilhões, e os aumentos das despesas líquidas de serviços culturais, pessoais e recreativos, de US$ 2,4 bilhões; telecomunicação, computação e informações de US$ 1,6 bilhão. 

Em dezembro passado, o déficit de serviços totalizou US$ 3,8 bilhões, ante déficit de US$ 3,6 bilhões em dezembro de 2022.

No ano de 2023, o déficit em renda primária totalizou US$ 72,4 bilhões, 28,1% acima do déficit de US$ 56,5 bilhões ocorrido em 2022. As despesas líquidas de lucros e dividendos de investimento direto e em carteira somaram US$ 45 bilhões em 2023, 21,5% acima dos US$ 37,1 bilhões observados em 2022.

“Nessa comparação, as despesas brutas decresceram US$ 1,6 bilhão, enquanto as receitas recuaram US$ 9,6 bilhões. As despesas líquidas de juros somaram US$ 27,7 bilhões em 2023, aumento de 41,4% em relação aos US$ 19,6 bilhões em 2022. Em 2023 houve crescimentos de 33,7% nas receitas de juros, para US$ 10 bilhões, e de 39,3% nas despesas brutas de juros, para US$ 37,7 bilhões”, informou o BC.

Em relação aos investimentos diretos no país (IDP), as saídas líquidas foram de US$ 389 milhões em dezembro de 2023, em linha com as saídas líquidas observadas em dezembro de 2022, de US$ 479 milhões. Os ingressos líquidos em participação no capital atingiram US$ 924 milhões, compostos por US$ 4,9 bilhões em participação no capital, exceto lucros reinvestidos, e US$ 4 bilhões negativos em lucros reinvestidos. As operações intercompanhia totalizaram saídas líquidas de US$ 1,3 bilhão.

No ano de 2023, o IDP totalizou US$ 62 bilhões (2,85% do PIB), ante US$ 74,6 bilhões (3,82% do PIB) em 2022. O ingresso líquido em participação no capital exceto lucros reinvestidos reduziu US$ 5 bilhões (US$ 31,6 bilhões em 2023 ante US$ 36,6 bilhões em 2022), enquanto os lucros reinvestidos cresceram US$ 662 milhões (US$ 21,2 bilhões em 2023 ante US$ 20,6 bilhões em 2022). O ingresso líquido em operações intercompanhia recuou US$ 8,4 bilhões (US$ 9,1 bilhões em 2023, ante US$ 17,5 bilhões em 2022).

Os investimentos diretos no exterior (IDE) apresentaram, no ano de 2023, aplicações líquidas de US$ 28,3 bilhões, ante US$ 33,4 bilhões em 2022.

Os investimentos em carteira no mercado doméstico totalizaram ingressos líquidos de US$ 8,6 bilhões, com saídas líquidas de US$ 1,1 bilhão em ações e fundos de investimentos e ingressos líquidos de US$ 9,8 bilhões em títulos de dívida. Em 2022, esses ingressos líquidos foram de US$ 7,7 bilhões.