Nota de Marco Maia

Nota
Veja a íntegra da nota divulgada pelo deputado Marco Maia:
Quanto a iniciativa do Ministério Público Federal de pedir a abertura de inquérito envolvendo minha pessoa gostaria de dizer:
Que entendo a posição do MP, mas a investigação irá mostrar que sou vítima de uma mentira deslavada e descabida com o único intuito de desgastar a minha imagem e a do Partido dos Trabalhadores, o qual faço parte. Refuto com indignação as ilações ditas a luz de acordos de delação.
Fui relator de uma CPMI em 2014, onde pedi o indiciamento daqueles que me acusam, o que foi aprovado pela comissão. Foram 53 indiciamentos e mais o pedido de investigação de 20 empresas ao Cade, pela prática de crime de Cartel.
Como já havia afirmado anteriormente, não recebi nenhuma doação para minha campanha eleitoral em 2014 de empresa que estivesse sendo investigada pela CPMI.
Por fim utilizarei de todas as medidas legais para que a verdade seja estabelecida e para que os possíveis desgastes a minha imagem de parlamentar sejam reparados na sua integralidade.
19 de maio de 2016,
Marco Maia - Deputado Federal


O governo Temer mostra que a política externa bolivariana de Dilma e do PT foi para a lata do lixo

O primeiro grande momento do início do governo Temer veio exatamente em cima do vetor mais polêmico do governo Lula-Dilma: a política externa. Os governos bolivarianos, por excesso de entusiasmo ou desinformação, fizeram uma incursão na política interna brasileira.
            
2. Infantilmente, se somaram à banda de música do PT/PCdoB/CUT/MST questionando a constitucionalidade do afastamento de Dilma. Uma intervenção descabida na autodeterminação brasileira. Os bolivarianos já haviam perdido uma batalha análoga numa situação semelhante com o Paraguai.
            
3. Se, neste caso, com toda a invasão coreográfica dos ministros de relações exteriores, inclusive do Brasil, foram ignorados pelos poderes e pela sociedade paraguaios, deveriam ter aprendido a lição.
            
4. Repetiram a dose através de notas, declarações e chamadas de volta dos embaixadores da Venezuela e El Salvador, só que agora provocando o Brasil. Ocorreu o esperado. O Brasil formalizou duramente seus protestos direcionando-os aos países bolivarianos e a Unasul. No dia seguinte, a moribunda econômica e politicamente Venezuela tentou mitigar. Era tarde.
            
5. No primeiro dia de governo Temer, através do chanceler José Serra, desmanchou-se qualquer resquício de memória do co-ministro Marco Aurélio Garcia. Se imaginavam que conseguiriam produzir algum ruído interno no Itamaraty, se iludiram. Ao contrário.
            
6. E à distância deram um forte aperto de mãos nos Estados Unidos e Reino Unido, afirmando a tradição histórica da política externa brasileira. Talvez os bolivarianos tenham imaginado que o ministro Serra, de raízes à esquerda, iria calar e ganhar tempo. Não contavam com a rapidez e contundência da resposta.
             
7. Os fatos terminaram prestando um enorme serviço ao governo Temer. Sem mobilidade internacional enquanto tiver um caráter provisório, o que impede viagens e fotos, visitas de chefes de governo ou de estado, foi logo no primeiro dia que Temer mostrou de que lado está seu governo.
             
8. Um ato contundente de descolamento dos bolivarianos: não programado, inesperado, e logo no primeiro dia de governo. As fronteiras da política externa brasileira estão demarcadas, sem ser necessário tomar a iniciativa, apenas reagindo. Agora a OEA e a Unasul ficarão mansas. E o Mercosul entra em nova fase com o Brasil livre para mudar de azimute.

Artigo, Marcelo Aiquel - O gato subiu no telhado

      No final da tarde desta quarta-feira, 18 de maio, espalhou-se na imprensa nacional a decisão exarada pelo Juiz Sergio Moro, que condenou o quadrilheiro José Dirceu amais uma pena. Desta vez de 23 anos de prisão.
      Tal condenação foi motivada pela prática de três crimes, sendo que o magistrado o absolveu da acusação de ser o chefe do bando que assaltou os cofres públicos nos últimos anos, num grave “crime continuado” segundo a interpretação jurídica da legislação penal vigente.
      Não é necessário que o cidadão comum tenha mais do que dois neurônios para concluir que, se o Zé Dirceu não era o chefe do bando, alguém deveria sê-lo. Pois, é óbvio e ululante que nenhum bando ou quadrilha funcione sem um líder, um chefe, um cacique...
      E, se não era ele, só poderia ser o outro personagem principal da história. Casualmente, o “ser vivo mais honesto deste país, quiçá do planeta terra...”.
      Com esta singela e evidente conclusão, pode-se dizer que o gato subiu no telhado (plagiando a velha e conhecida anedota!). E foi o gato do Lula, sem dúvida alguma.
      Isto pressupõe, igualmente sem maiores elucubrações, que a hora do molusco está chegando. Ou, para os mais puristas, a hora do “xeque-mate” se aproxima. Velozmente!
      É esperado que, tão logo esta benção aconteça, o INSTITUTO LULA emita uma nota dizendo – entre outras coisas – que:
      1º) O ex-presidente Lula jamais se envolveu em qualquer ato ilegal; jamais mentiu; jamais teve apartamento tríplex no Guarujá; jamais esteve no sítio de Atibaia; nunca levou nenhum objeto do Alvorada para sua casa; nunca viajou com a Rosemary Noronha. Que, aliás, ele nem sabe quem seja...;
      2º) Ele (Lula) é humano e jamais se fantasiou de Jararaca. Nem no carnaval;
      3º) Não conhece, nem nunca conversou com nenhum José Dirceu. Muito menos chefiou alguma quadrilha em lugar ou ao lado dele;
      4º) O ex-presidente Lula anda afastado do cenário nacional devido às centenas de palestras que segue ministrando pelo mundo. Falando nisso, informamos que ele já ultrapassou o Bill Clinton na quantidade e qualidade destes eventos.
      Depois disso, ou quem sabe até antes, será a vez do presidente do PT – aquela figura adjetivada pelo ex-senador e ex-líder do governo petista (Delcídio do Amaral) de PATÉTICO – declarar indignado: “Como que o Zé Dirceu não era o chefe?” “Este juiz Moro não passa de um golpista, um representante da direita liberal, um coxinha fascistóide, um nazista... Estamos diante de uma perseguição odiosa, ilegal e anticonstitucional, ao maior presidente da história deste país!... Viva Cuba; Viva a Venezuela...”.
      Já que o Brasil “nunca antes na história desta nação” foi premiado com um NOBEL, com esta jogada de mestre o Juiz Sergio Moro mereceria o troféu de “melhor enxadrista do mundo”. Pois, com uma artimanha vencedora e pacienciosa, derrubou e desconstruiu o HEROI DOS POBRES.
      Aquele que não se cansava de dizer: “Nunca tiramos tantos milhões da pobreza...”.
      E todos imaginavam que ele se referia às PESSOAS...
      Pois é, Lulla da Silva, teu gato subiu no telhado.

      Marcelo Aiquel – advogado (18/05/2016)



AGU não deve ser um órgão politizado’, diz Fábio Medina Osório

Novo advogado-geral da União diz que vai apurar desvio de finalidade de Cardozo

por Leticia Fernandes

BRASÍLIA — O novo chefe da Advocacia Geral da União (AGU), Fábio Medina Osório, disse, em entrevista ao GLOBO, que vai apurar possível desvio de finalidade cometido pelo ex-ministro José Eduardo Cardozo na defesa de Dilma Rousseff no processo de impeachment, ao classificar o processo como golpe de estado e "defender pedaladas como política de estado". Ele aponta que a atuação de Cardozo na defesa da presidente afastada se assemelhou à defesa de um advogado criminalista. "Um advogado privado até poderia trazer teses extravagantes como essa, mas jamais um AGU poderia bradar contra os demais poderes de estado", criticou.
Osório admitiu ainda que o governo substituirá a Medida Provisória que trata sobre acordos de leniência por um projeto de lei atualizando "pontos obscuros" da MP.
"Quando uma MP gera muito mais instabilidade do que segurança jurídica, em que as instituições fiscalizadoras não foram chamadas a participar, foi um erro brutal do governo Dilma", disse.
Há processos relacionados ao impeachment ainda pendentes de análise pela AGU. O senhor dará andamento a essas ações, ainda que não atue mais na defesa da presidente afastada?
Ainda tenho que me pronunciar concretamente sobre esse tema, portanto é impossível antecipar uma opinião, mas já adianto que tenho uma visão muito crítica quanto a possibilidade da AGU defender pedaladas fiscais como política de estado. Não vejo como vislumbrar interesse público nesses atos impugnados, e com essa dificuldade também não se pode admitir teses de defesa encampadas pela AGU em prol de agentes políticos, sustentando como centro nevrálgico a linha do golpe de estado. Isso entra em confronto aberto com outros poderes, que pertencem ao mesmo país. Ou seja, me parece que a AGU incorreu em desvio de finalidade, o que poderá ser apurado. A AGU deve defender o interesse público, e no caso do processo de impeachment, o que se verificou foi uma atuação muito vinculada a interesses pessoais da presidente da República, e não tanto a defesa de um ato revestido de interesse público. Vou me posicionar no momento oportuno, vou esperar para ver as nuances dos processos que serão submetidos, até porque teremos processos com peculiaridades muito interessantes, como o caso de um ex-AGU depois se transferindo para o setor privado, passando à condição de advogado privado da presidente.
Isso poderia ser visto como uma irregularidade?
Não, isso apenas, do ponto de vista lógico, é uma das situações que o Brasil não vivenciou anteriormente, e suscita uma reflexão sobre o papel da AGU e qual o protagonismo que ela deve ter. Até porque nunca se teve antes um impeachment desta envergadura, no processo anterior não havia sequer AGU estruturada, e não houve atuação de advogado público em prol do ex-presidente Collor, que atuou com staff privado. Agora, a presidente afastada usou toda a máquina administrativa em seu favor para defender-se perante o Congresso Nacional valendo-se da tese do golpe de estado. Ou seja, qualificando outros poderes envolvidos nessa mesma situação como praticantes de um golpe de Estado. É uma situação que preocupa a AGU, porque ela também defende os outros poderes de Estado. Ela pode ter que defender a Câmara, outros poderes envolvidos e que estavam sendo qualificados como artífices de um golpe de Estado. É uma situação insólita e inédita na história da República do Brasil.
O senhor acha que o ex-ministro José Eduardo Cardozo politizou a AGU?
A AGU não deve ser um órgão politizado. Ela pode, claro, defender atos dos governantes, agentes políticos, deve defender a constitucionalidade dos atos impugnados tal como proclama a Constituição de 1988. Mas a AGU não pode desempenhar uma função de advogado criminalista de agentes políticos. Ela defende um ato impugnado e indiretamente agentes políticos envolvidos. Pode defender nomeação de ministros de Estado, atos questionados em juízo praticados por um presidente e até aqueles agentes políticos que sejam acionados judicialmente. O que temos que verificar é a fronteira que separa a atuação institucional da AGU de uma atuação que transborde para o plano excessivo.
Foi o que aconteceu com o seu antecessor?
Pelo menos a atuação no impeachment, quando a AGU passou a qualificar os outros poderes como autores de um golpe de Estado, na medida em que havia um rito autorizado pelo Supremo Tribunal Federal e que tramitava perante o Congresso Nacional, um advogado privado até poderia trazer teses extravagantes como essa, mas jamais um AGU poderia bradar contra os demais poderes de Estado uma tese desta envergadura.
Cardozo não deveria estar impedido de atuar na defesa de Dilma por conta das regras de quarentena?
Cabe à OAB definir se há impedimento ético para essa transição do ex-AGU. Antes, ele estava supostamente atuando na defesa da União Federal, de um agente político, em função do alegado interesse público inerente aos atos impugnados, as pedaladas fiscais e decretos sem número. Ao migrar para o setor privado, e desrespeitando a quarentena, ele estaria a defender interesses puramente privados?
A AGU saiu enfraquecida do processo de impeachment?
A AGU precisa recuperar sua credibilidade, sua dignidade institucional, resgatar compromissos com o interesse público e atribuições históricas, como a defesa da probidade administrativa, sem prejuízo a prevenções de ilícitos no setor público, e sem abrir mão das suas atribuições de defesa de atos impugnados, como quando se questiona nomeações de ministros de Estado, quando se atacam competências de agentes políticos. Mas a AGU não pode ser desvirtuada de suas funções republicanas.
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A AGU acompanha negociações para acordos de leniência. Qual sua posição sobre esses acordos, criticados pela oposição?
Hoje, quando se fala nos acordos de leniência e no impacto que eles podem ter nesse ciclo punitivo, é importante que haja um diálogo interinstitucional. Isso agrega segurança jurídica para as empresas, para pessoas físicas, e todos os atores públicos que venham a estar envolvidos nesse tipo de solução consensual. Eu acredito muito em todo tipo de método de solução consensual, é muito importante essa solução porque ela é eficaz, basta notar a experiência da Lava-Jato. Ela é uma operação que tem se caracterizado por recuperação veloz de ativos a partir de pautas consensuais, delações premiadas, colaborações de investigados, que tem permitido rastreamento e recuperação de recursos desviados. Essa é uma característica central dos sistemas mais avançados, então temos que apostar sempre numa agenda consensual de composição dos conflitos. A AGU pretende avançar muito nessa agenda de conciliação e prevenção de conflitos.
Esse tema envolve uma polêmica sobre a Medida Provisória 703, que desobrigou empresas de admitir participação em crime para celebrar os acordos. O senhor defende esse ponto?
O Brasil necessita de segurança jurídica, e é papel da AGU dar segurança jurídica para que o Brasil receba investimentos privados e possa gerar emprego, crescer e ter estabilidade e voltar a ter selo de qualidade para investidores. Quando você tem uma MP como essa, em que gerou muito mais instabilidade do que segurança jurídica, em que as instituições fiscalizadoras não foram chamadas a participar, foi um erro brutal do governo Dilma. E esse erro foi a um custo altíssimo, porque se verificou que não houve nenhum acordo debaixo da MP 703, nenhuma empresa apostou fazer um acordo debaixo dessa MP.
Esse ponto de admitir a culpa também deve ser mudado?
O mais importante é que haja informações eficazes para a investigação. A responsabilidade da empresa é objetiva, então há uma discussão sobre a essencialidade de admissão ou não da culpa, que as instituições têm que achar um consenso. Mas, diria que o mais relevante é a essencialidade das informações para obtenção de provas que levem a responsabilização dos alvos das investigações, esse é o ponto central, e que haja recuperação de ativos desviados e que haja, portanto, resultados concretos a partir das colaborações premiadas, a partir do acordo obtido com aquela colaboração.
Que outras mudanças devem ser feitas?
Deve-se absorver críticas e pensar na reedição de um instrumento qualificado que traga segurança jurídica para o país, nesse paradigma de instrumento consensual. O ideário do instrumento consensual pra composição de conflitos, recuperação de ativos e punição de envolvidos em ilícitos é uma agenda moderna, que está em franca utilização nos países mais avançados do mundo, então não podemos abrir mão disso. Você apostar simplesmente nos processos judiciais ou administrativos não é uma realidade compatível com o interesse público, porque processos muitas vezes têm um desfecho imprevisível, e uma burocracia e um tempo de duração que não se sabe qual é. Enquanto que a celebração de acordos você tem resultados medidos pela sociedade, palpáveis. Precisamos de um regramento, pautado pelo interesse público, para que esses acordos sejam fechados com transparência e à luz de critérios normativos racionalmente rastreáveis e que possam ser acompanhados e controlados pela sociedade e instituições públicas.
Então vão deixar a MP caducar e ela será atualizada como outro projeto?
A MP 703 será alterada por meio de um projeto de lei que vai incorporar as críticas e ajustes necessários, que foram feitas quando essa MP veio à tona. Esse projeto de lei será gestado a partir de estudos coordenados pela AGU. A MP, prestes a caducar, certamente será repensada com outro instrumento normativo a partir de um diálogo muito mais qualificado e absorvendo as críticas já feitas a esse instrumento. Com um novo patamar de qualidade para que se busque segurança jurídica para esses atores, esse é o objetivo hoje.
Se houve pontos obscuros na MP 703, eles deverão ser saneados agora a partir de todas essas críticas lançadas. E serão saneados com absorção num novo instrumento normativo que poderemos colaborar para que ele possa vir a acontecer, através de um projeto de lei. Poderemos colaborar para que haja essa agenda construtiva, porque não podemos ficar paralisados, e temos uma condição de diálogo com essas instituições, TCU, Ministério Público, Ministério da Transparência, vários órgãos envolvidos. Houve uma discussão crítica de diversos pontos que poderão ser absorvidos.
Mas sobre a necessidade de admissão de culpa por parte da empresa...
Esse ponto não é o que trava essa MP. Não vejo problema numa empresa ter que admitir culpa, mas o fato de admitir culpa ou não pode ser secundário, porque a empresa pode admitir culpa e não trazer informações relevantes. Ou a empresa pode admitir uma responsabilidade objetiva, e o que é essa responsabilidade objetiva se não a existência de mecanismos organizacionais defeituosos? Se a empresa admite isso, que permitiram fraude ou corrupção, isso pode gerar a chamada responsabilidade objetiva. O que importa é se existia um compliance efetivo ou não, é uma área perfeitamente passível de saneamento do ponto de vista da AGU.
O senhor assume uma AGU sem status de ministério. Isso lhe incomoda?
Não me incomoda porque o AGU sobretudo é um advogado, e como tal se posiciona nesse tabuleiro, goza de prerrogativas constitucionais relevantes e precisa das prerrogativas que vão salvaguardar sua independência. Como é o caso, e a emenda constitucional deve garantir, da prerrogativa de foro e outras prerrogativas que se assemelham àquelas dos ministros. Uma discussão que compete ao governo, mas de modo algum isso é uma diminuição da instituição. O importante são as prerrogativas que ela detenha para que sejam assegurados predicados que protejam sua independência, no sentido de ela ter condição de litigar em juízo, de proteger o interesse público e exercer com tranquilidade suas atribuições, independentemente do rótulo, ser ou não ministro é absolutamente secundário nesse debate. É irrelevante do ponto de vista das prerrogativas.
Como a AGU deve tratar essa discussão sobre o cálculo da dívida dos estados e municípios com a União? Nos mandados de segurança impetrados por alguns estados há posicionamento da AGU dizendo que em nenhum momento se cogitou calcular a dívida por juros simples. Que saída o senhor vê como a melhor?
A AGU confia plenamente que a União sairá vitoriosa nesse processo. Temos condições de vencer esse processo, mas achamos que os entes federados devem vir compor acordo com a União, e nossa perspectiva é essa, compor um acordo para salvaguardar o interesse público. Obviamente temos o maior respeito pelo pacto federativo, mas é nessa direção que vamos caminhar. Porque, se formos para o embate judicial, temos confiança na vitória dos argumentos jurídicos sustentados pela AGU em juízo. Mas, mesmo assim, apostamos na composição consensual dos processos, desses diversos mandados de segurança. Apostamos nessa solução em homenagem ao pacto federativo e ao interesse público. E acredito que haverá velocidade e uma observância do prazo concedido pelo STF.
O senhor já conversou sobre isso com o presidente Michel Temer? Ele vem falando, desde que assumiu, em rever o pacto federativo e o valor de arrecadação que vai para a União, estados e municípios. Ele vem dando sinais nesse sentido.
O presidente Temer é uma pessoa conciliadora, e é nessa direção que caminhamos. A União acredita que tem razão jurídica, mas aposta na saída conciliadora, está muito bem estruturada juridicamente e a perspectiva é essa, a fórmula consensual é a que melhor pacifica o conflito. Existe um diálogo em curso com ministérios envolvidos, com órgãos intergovernamentais e com o próprio Judiciário. Esse diálogo é que vai produzir resultados.
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Em que situação encontrou a AGU? Muita diferença entre sua expectativa e a realidade?
Fazendo um diagnóstico sobre as experiências mais recentes da AGU, percebo uma progressiva humilhação das carreiras. Um amesquinhamento da AGU, uma precária autoestima dos membros das carreiras, e a necessidade de resgatar a dignidade da instituição. Esse é o diagnostico preliminar, a premência de se buscar um trabalho de valorização das carreiras, de fomento à qualidade, à meritocracia e ao reconhecimento na sociedade. Isso é fundamental. A AGU é uma instituição de estado essencial à Justiça, e tem que ser percebida como tal. Vejo uma AGU que tem problemas materiais, pessoas desmotivadas, desvalorizadas nas últimas gestões e que precisam ser recuperadas, e as carreiras precisam, portanto, ser realinhadas com o ideário que deve nortear uma instituição desse porte.
O senhor fala em humilhação das carreiras. O que pretende fazer de diferente?
Primeiro ponto é aprofundar esse diagnóstico no plano concreto. Mostrar as mazelas, diagnosticar as deficiências e mostrar mais claramente as carências da instituição. De outro lado, a partir do diálogo, buscar os mecanismos de correção, seja no plano normativo, institucional ou governamental. E perceber qual o modelo de AGU que se quer para o Brasil. É óbvio que existem muitas alternativas que transcendem políticas de mera melhoria salarial, alcançada recentemente, e buscam patamares de qualificação das carreiras, de meritocracia, de valorização. Basicamente, é a partir da concretude dessas políticas internas que se vai alcançar esses novos patamares, e isso já envolve a gestão que a gente pretende ter, compartilhada com as carreiras e com a nova equipe que assume.
O reajuste salarial é uma das prioridades para a categoria?
As carências não se resumem à expectativas salariais, envolvem meta quanto à qualidade, estrutura material, afirmação na sociedade, prerrogativas, garantias e próprio reconhecimento na sociedade brasileira como uma instituição de estado essencial à Justiça. A AGU não deve ser um trampolim para outras carreiras de estado, a pessoa que faz um concurso para carreiras da AGU deve pensar na AGU como uma carreira permanente para a sua vida, altamente atrativa. Devemos pensar uma política de longo prazo e vamos plantar sementes nesse sentido.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/agu-nao-deve-ser-um-orgao-politizado-diz-

Artigo, Francisco Ferraz - Dilma e Lula. Não há mais espaço para os dois

Lula tem motivos de sobra para aparecer abatido, deprimido, preocupado, como atestam as fotos feitas na área externa do palácio do Planalto, por ocasião da saída de Dilma.
O rastreamento de suas pegadas pela operação lava jato, a aprovação do impeachment e as nuvens ameaçadorasque pairam no seu horizonte político e no seu partido são motivos de sobra para seu estado de espírito.
Creio, entretanto que há outras razões e, provavelmente mais graves e difíceis de lidar, que passam despercebidas.
Refiro-me às relações de Lula e Dilma e, curiosamente, às condições políticas do criador e da criatura no futuropróximo.
Dilma, por uma daquelassituações imprevistas que se constituem na política ganhou com o impeachment, uma liberdade que antes não tinha: não precisa mais fazer o que não sabe e, ainda por cima, fingindo que sabe -governar.
Não corre mais o risco de presidir o país em meio ao caos econômico e político.O jogo do poder empurrou-a para a guerrilha política novamente, talvez a única forma de política que sabe jogar, restabelecendo uma continuidade que fora rompida na década de 70.
Por guerrilha política entenda-se um conflito político (não militar) feito de escaramuças pontuais para desgastar o inimigo, enfraquecê-lo e conquistar o poder.
Atente-se para o que ela ganhou com o afastamento compulsório provocado pelo processo de impeachment.

Ganhou um inimigo – Temer e seu governo;ganhou os meios de combate – veículos, casas, recursos para viajar dentro do país e no exterior, acesso aos meios de comunicação, auxiliares pagos; ganhou uma causa – lutar contra o golpe em nome da democracia que ela não precisa justificar;ganhou tambémum tema emocional para mobilizar apoio – sua vitimização; ganhou ainda aliados no Brasil e no exterior, o suficiente para produzir fatos, notícias e declarações; ganhou uma condição mais protegida que Lulaem relação à ameaça da operação lava jato; e ganhou  um partido que, goste ou não, terá que fazer dela a sua bandeira.
Lula, contrariamente à Dilma, será obrigado a “jogar na defensiva” e a ofensiva que lhe restará será apoiar Dilma...
Apoiar Dilma é o que ele tem feito, contrariando seus desejos e ambições. Apoiou de mau grado – segundo se diz -  na eleição que desejava disputar; apoiou ao oferecer seus auxiliares mais próximos (Wagner, Berzoini)para ajuda-la no governo, apoiou ao aceitar tornar-se chefe da casa civil do seu governo – uma nítida posição de inferioridade – e apoiou ao se instalar no Hotel Royal Tulip para conseguir votos para ela na Câmara e no Senado.
Ao aceitar a posição subalterna e ao pôr sua reputação, prestígio e esforço à serviço da luta contra o impeachment, Lula deu-lhe o reforço de legitimidade – dentro do PT e na esquerda – com o qual ela poderá remove-lo da liderança do partido.
Se Dilma conseguir evitar o impeachment (o que até agora parece pouco provável) não precisará mais de Lula ao seu lado e, ao contrário, Lula talvez seja então um peso a carregar. Ela terá ocupado o espaço do comando do PT, por ter logrado uma vitória em condições muito difíceis e, mais ainda, poderáherdarde Temer um Brasil certamente melhor, no rumo do crescimento e da estabilização.

Se non è vero, forzeè bene trovato.

Petrobrás recompra títulosw

A Petrobras anuncia que a sua subsidiária integral Petrobras Global Finance B.V. (PGF) planeja oferecer  títulos em uma ou mais séries ("Títulos") em dólares americanos (US$), sujeitas às condições do mercado e outras condições.  Os títulos serão emitidos com garantia total e incondicional da Petrobras. A PGF pretende usar os recursos líquidos da venda dos Títulos para recomprar Títulos validamente entregues e aceitos para compra pela PGF na ordem de prioridade descrita abaixo, e usar qualquer recurso remanescente para fins corporativos gerais. 
A Petrobras também anuncia o início das ofertas pela PGF para recomprar (i) todos e quaisquer dos Títulos da PGF com vencimento em 2018 e cupom de 8,375% ("Títulos de 2018") ("Any-and-all"), e (ii) os títulos da PGF das séries descritas na tabela abaixo na ordem de prioridade (“Waterfall Tender Notes”), até o limite de US$3 bilhões (todos esses títulos, em conjunto com os Títulos de 2018, coletivamente, "Títulos Antigos" e cada "série" de Títulos Antigos), sujeitas ao "Nível de Prioridade de Aceitação" desta série de Títulos Antigos e sujeitas à delimitação ("Ofertas" e cada "Oferta").  Em conjunto com o Any-and-all, a PGF está solicitando o consentimento dos titulares dos Títulos de 2018 para: (i) eliminar certas cláusulas e disposições da escritura, de acordo com termos da emissão dos Títulos de 2018 ("Escrituras dos Títulos de 2018") e a garantia correspondente da Petrobras ("Garantia dos Títulos de 2018") e para (ii) executar uma nova  escritura suplementar dos Títulos de 2018 e um aditamento às Garantias das Títulos de 2018, a fim de efetivar tais modificações (em conjunto com as Ofertas, "Ofertas de Compra e Solicitação de Consentimento").
O Any-and-all está condicionado ao recebimento de consentimento de pelo menos a maioria do saldo devedor dos Títulos de 2018 ("Consentimento da Maioria"), entre outras condições. Se a PGF não receber o Consentimento da Maioria, ela não vai comprar quaisquer Títulos de 2018 e as Escrituras dos Títulos de 2018 e as Garantias dos Títulos de 2018 não serão alteradas. Em relação as Waterfall Tender Offers, estas estão condicionadas à aceitação da nova oferta de Títulos, entre outras condições.
As Ofertas de Compra e Solicitação de Consentimento expirarão às 23h59, horário de Nova York, em 14 de junho de 2016, a menos que o prazo de validade seja antecipado ou prorrogado pela PGF (tais como o horário e a data no que diz respeito a cada oferta, tendo em vista que pode ser prorrogado de acordo com esta Oferta, "Data de Expiração").
Os Títulos Antigos entregues poderão ser retirados a qualquer momento antes das 17h00, horário de Nova York, do dia 31 de maio de 2016, a não ser que esse prazo seja prorrogado, mas não depois do prazo. Detentores de títulos antigos de qualquer série que forem validamente entregues e não forem validamente retiradas até as, ou antes, das 17h00, horário de Nova York, do dia 31 de maio de 2016, a não ser que esse prazo seja prorrogado (tais como o horário e a data no que diz respeito a cada Oferta, tendo em vista que pode ser prorrogado de acordo com esta Oferta, "Data de Expiração Antecipada") e aceitas para compra, serão elegíveis para receber o valor total indicado nas tabelas abaixo com relação à série correspondente de Títulos Antigos ("Pagamento Total"), que inclui um prêmio pela entrega antecipada no valor indicado nas tabelas abaixo ("Prêmio por Entrega Antecipada"). Detentores de Títulos Antigos de qualquer série que forem validamente entregues após a Data de Expiração Antecipada, mas no dia ou antes da Data de Expiração, e forem aceitos para compra, receberão apenas o pagamento correspondente da oferta de recompra, que é igual ao valor correspondente do Pagamento Total daquela série de Notas Antigas, menos o Prêmio correspondente por Entrega Antecipada ("Pagamento da Oferta de Recompra"). Além do Pagamento Total e do Pagamento da Oferta de Recompra, conforme o caso, os detentores cujos Títulos Antigos forem comprados nas Ofertas também receberão juros acruados consistindo de juros corridos e não pagos a partir da, e incluindo, última data de pagamento de juros para Títulos Antigos de qualquer série, mas não incluindo, a data de liquidação correspondente.
A PGF aceitará todos os Títulos de 2018 entregues que estão sujeitos aos termos e condições da Oferta “Any-and-all”. Em respeito aos termos e condições da Waterfall Tender Offer, caso a recompra dos Títulos Antigos validamente entregues nas Waterfall Tender Offers ("Títulos da Waterfall") fizer com que a PGF compre um montante total agregado dos Títulos da Waterfall maior que US$3,0 bilhões, somente o valor total que não exceda o Limite da Recompra em Waterfall será aceito na Waterfall Tender Offer.  A PGF vai dividir de forma proporcional (prorata) quaisquer Títulos da Waterfall aceitos na Waterfall Tender Offer na ordem do Nível de Prioridade de Recompra de cada série dos Títulos. A PGF poderá, a seu exclusivo critério e sujeita à legislação aplicável, aumentar o Limite da Recompra em Waterfall.

Ao determinar o montante dos Títulos em Waterfall comprados em relação ao Limite da Recompra em Waterfall e disponível para compras nos termos da Waterfall Tender Offer, o montante total do principal em dólar americano equivalente aos Títulos expressos em euro, de acordo com a Waterfall Tender Offer, será calculado com base na taxa de conversão cambial aplicável às 14h00, horário de Nova York, no Dia Útil anterior à data em que aceitamos a compra de todos os Títulos validamente entregues no Prazo, ou antes, do Prazo aplicável para Recompra Antecipada ou da Data de Expiração, conforme informado na página da tela "FXIP" da Bloomberg sob o título "Taxa de Câmbio vs USD", (ou, se tal tela não estiver disponível, uma fonte reconhecida para cotações de moedas, selecionada pelos Gestores das Operações, com cotações da data o mais próximo possíveis aos acima mencionados). 

Artigo, Paulo Roberto de Almeida, Estadão - Epitáfio do lulopetismo diplomático

Dois elementos são essenciais a qualquer diplomacia: credibilidade e inserção internacional. Ao se aproximar o fim de 13 anos de bizarrices na política externa, cabe rememorar como a diplomacia lulopetista, partidária por definição, sacrificou ambos os elementos no altar de posturas sectárias e de iniciativas obscuras. A deformação das mais sensatas tradições da diplomacia profissional não só retirou credibilidade ao Brasil no contexto regional, como isolou o País da economia mundial, fazendo retroceder tanto a integração no Mercosul quanto nossa inserção nas cadeias globais.
Os lulopetistas retiraram credibilidade à política externa e à própria diplomacia profissional, em primeiro lugar, pelo alinhamento canhestro a regimes de esquerda na região, numa demonstração de anti-imperialismo anacrônico e de antiamericano infantil (existiam motivos atrás disso, o Foro de São Paulo, uma organização de fachada que permite aos comunistas cubanos controlar correias de transmissão no Hemisfério). Houve um tempo em que o Brasil parecia dispor de vários ministros de Relações Exteriores, sendo um ironicamente designado de “chanceler para a América do Sul”, um apparatchik do partido, amador em assuntos externos, mas dispondo de grande poder para impor posturas contrárias ao interesse nacional, contra as opiniões mais sensatas da diplomacia profissional.
Não faltou sequer certa dose de traição aos interesses do País, como revelado em episódios lastimáveis da diplomacia partidária, como a expropriação ilegal e indevida de ativos nacionais em países vizinhos, ou até a tentativa, felizmente frustrada, de fazer organismos externos interferirem em nossa política interna, todos a partir de atropelos dos lulopetistas aprendizes de feiticeiro na agenda internacional do Brasil, que teria ficado em melhores condições nas mãos dos diplomatas profissionais.
O desmantelamento dos objetivos comerciais e econômicos do Mercosul, e sua transformação em mera tribuna política, sem nenhum efeito sobre seu fortalecimento enquanto parceiro internacional confiável, foi outra das lamentáveis “realizações” dos lulopetistas: o Mercosul se desqualificou, quando não abandonou por completo sua participação em negociações regionais ou plurilaterais em prol da abertura econômica, liberalização comercial ou inserção em cadeias mundiais de valor. O apoio concreto a duvidosos regimes esquerdistas – quando não ditaduras abertas – constituiu o aspecto mais histriônico, e nefasto, dessa política externa bizarra, aliás, em total desrespeito a normas constitucionais e em contradição completa com nossas tradições diplomáticas (como a interferência nos assuntos internos de Honduras, por exemplo). Tudo isso minou a credibilidade da nossa política externa e da diplomacia profissional.
O isolamento econômico do Brasil não foi algo improvisado, mas, sim, resultou de concepções anacrônicas em matéria de políticas industriais ou comerciais, que recendem a um bolor desenvolvimentista de décadas passadas, o qual, todavia, os lulopetistas sempre admiraram pelo seu lado estatista e dirigista, com raízes no protecionismo comercial e na proteção de uma “indústria infante” (a automobilística, por exemplo), que ainda não terminou de ser criança, mesmo passados 60 anos. Regras de conteúdo local e de discriminação tributária, como condição de acesso ao mercado interno, não estão apenas em contradição com regras do Gatt-Organização Mundial do Comércio (OMC), mas realimentam velhos sonhos soviéticos de “socialismo num só país”, no nosso caso transformado em perfeito exemplo de “stalinismo industrial”, ou seja, uma indústria isolada do mundo.
O renascimento da política externa num novo governo terá de rever todas essas posturas anacrônicas do lulopetismo diplomático, indignas de nossas melhores tradições profissionais nessa área. A restauração da credibilidade externa do Brasil começa pela dupla superação da doença infantil do esquerdismo terceiro-mundista, traduzido na míope “diplomacia Sul-Sul”, e da obsessão pela busca de “parceiros estratégicos”, um fantasmagórico grupo de “anti-hegemônicos” (na concepção dos lulopetistas), cada um, na verdade, cuidando de seu interesse próprio no cenário mundial. O fim do autoisolamento econômico e comercial passa, por sua vez, pela reversão completa das medidas adotadas nos últimos anos, começando por colocar novamente na agenda os objetivos prioritários inscritos no artigo 1.º do tratado do Mercosul, ou então a concessão de liberdade a cada membro para negociar acordos de liberalização comercial com os parceiros mais prometedores. A indústria brasileira não precisa tanto de proteção e subsídios quanto de abertura e competição, à condição que ela deixe de ser esmagada por uma carga tributária tão extorsiva quanto imoral.
A política externa lulopetista isolou o Brasil do mundo e retirou credibilidade à sua diplomacia profissional ao partir de pressupostos completamente equivocados, em alguns casos deliberadamente voltados para prestar serviço a obscuros clientes externos, que nada tinham que ver com os nossos interesses nacionais. O Itamaraty precisa ser restaurado em seu papel fundamental de assessoria competente, essencialmente técnica, na formulação das diretrizes presidenciais em matéria de política externa, sem nenhum vezo partidário ou ideológico.
Afastados apparatchiks partidários – que, aliás, romperam com métodos de trabalho obrigatórios na diplomacia profissional, como o registro documental de cada ação empreendida –, o Brasil poderá recuperar sua credibilidade externa e reinserir-se produtivamente na economia mundial.
Não era sem tempo!
*Paulo Roberto de Almeida é diplomata de carreira e é professor no Uniceub (Brasília)
Site: www.pralmeida.org
Blog: http://diplomatizzando.blogspot.com