A primeira pesquisa de intenções de votos para o segundo turno de Belo Horizonte acaba de ser concluída.
Acompanhe os resultados:
Não sabe, 4.78%
Ninguém, 14,9%
João Leite, PSDB, 47,1%
Kalil, PHS, 33,3%
Aod Cunha: “União, Estados e Municípios promoveram farra fiscal. A conta chegou”
Aod Cunha: “União, Estados e Municípios promoveram farra fiscal. A conta chegou”
Na entrevista a seguir, o repórter Eduardo Wolf, jornal O Estado de S. Paulo, lembra que o economista Aod Cunha foi o último Secretário da Fazenda
do Rio Grande do Sul a entregar orçamentos superavitários (2007-2009) em um
estado cronicamente inviável.
Leia toda a entrevista:
Doutor em economia e ex-professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Aod foi Consultor Senior do
Banco Mundial, passando depois a atuar no setor privado (JP Morgan e BTG, entre
outros). Desde Havana, Cuba, em meio às expectativas de um furacão pior que
aquele ameaça nossa economia, Aod conversou com o Estado da Arte.
O tema da responsabilidade fiscal foi decisivo para
o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), e muito se falou do
equilíbrio das contas públicas como um conquista de que a sociedade não abriria
mão. Na sua avaliação, as eleições municipais deram algum indício de que o tema
tenha sido incorporado à dieta política do brasileiro?
Acho que as urnas revelaram uma insatisfação do eleitor
com a corrupção, com a situação econômica e com a má qualidade dos serviços
públicos. Infelizmente, não acho que o eleitor médio consiga identificar a má
gestão fiscal e estabelecer uma relação direta entre ela e a deterioração
macroeconômica e a má oferta de serviços públicos. Ainda falta melhor
comunicação e melhor educação política para que o cidadão incorpore a
responsabilidade fiscal como um valor da sociedade, assim como a estabilidade
de preços passou a ser vista depois do Plano Real. Como contra exemplo, o
Partido Trabalhista australiano, num País que não conhece recessão há 25 anos,
abre o seu programa de governo com uma enfática defesa do equilíbrio fiscal
permanente. Ainda estamos longe no Brasil de ver os grupos políticos mais à
esquerda, e talvez não só a esquerda, entenderem os benefícios sociais de uma
política fiscal responsável.
Sem uma correta PEC de controle de gastos e sem uma boa
reforma da previdência, o setor público brasileiro irá quebrar, com ou sem
crise internacional.
Além do consenso de que as contas da União estão em
frangalhos, muito tem se falado da precária e alarmante situação fiscal dos
Estados brasileiros. Os municípios encontram-se em situação diferente da União
ou dos Estados? Que realidade fiscal os novos prefeitos encontrarão a partir de
2017?
Os municípios tiveram um pouco mais de resiliência nesse
quadro de piora das contas públicas, mas o agravamento da situação da União e
dos Estados em 2015 e 2016 acabou atingindo a todos e ainda deve piorar nos
próximos meses antes de melhorar. Por que a piora nos Estados foi maior e mais
rápida? Porque os Estados caíram na armadilha fiscal, permitida por uma
interpretação frouxa da Lei de Responsabilidade Fiscal por parte do governo
federal, de tomar volumosos empréstimos desde 2010 para financiar crescimento
de gasto corrente, principalmente com pessoal, acima da inflação. Agora secou a
fonte de novos empréstimos e o gasto corrente está permanentemente mais alto.
Uma loucura. Já os municípios viram uma boa parte das suas receitas serem
corroídas pelas desonerações fiscais e a redução da atividade econômica, que
diminuíram muito as transferências da União e dos Estados para seus cofres. Os
Municípios em geral também foram bastante irresponsáveis na concessão de
aumentos salariais muito acima da inflação nos últimos anos. A verdade é que
União, Estados e Municípios promoveram uma verdadeira farra fiscal nos últimos
anos. E a conta chegou.
Após a falência do modelo econômico estatista e
intervencionista defendido pelo PT, que alternativa de gestão pública se
apresentou, na prática, ao eleitorado brasileiro? As eleições deste domingo
apontam para alguma direção?
Não há outra alternativa que não seja a da
responsabilidade fiscal e a de práticas mais modernas na gestão pública no
Brasil. Aqui se difundiu a idéia de que mais Estado significa melhor oferta de
serviços públicos e, pior, que mais recursos significam melhores resultados.
Isso é uma mentalidade atrasada que ainda vigora no Brasil. Há muitos exemplos
no mundo e no país que mostram o contrário. Estão aí os ótimos resultados do
ensino básico no Município de Sobral como um pequeno exemplo. Há vários outros.
Não sei se as eleições do último domingo já mostram uma consciência plena do
eleitorado e dos políticos de que precisamos partir para esta nova direção no
setor público brasileiro. Creio que pelo menos começa haver um sentimento mais
difundido de que o Estado não pode tudo, que ele precisa ser mais eficiente e
que esse Estado que criamos ficou insustentável. Já é um primeiro passo.
Na campanha presidencial de 2014, o PSDB assumiu, ainda
que timidamente, a defesa das privatizações da era FHC (1995-2002). O candidato
tucano em São Paulo, João Doria, encampou o tema com vigor e entusiasmo. O PSDB
abandonou seus preconceitos com as privatizações?
Espero que esteja abandonando. Acho que uma boa parte do
PSDB hoje reconhece que errou lá atrás ao não defender mais enfaticamente as
privatizações. Mais uma vez São Paulo parece ser um laboratório mais favorável
ao PSDB, talvez porque no Estado as privatizações funcionaram melhor e a
população reconhece mais os seus benefícios. Creio que a emergência de
movimentos políticos mais liberais, como o Partido Novo, entre outros, também
facilita ao PSDB assumir mais claramente posições mais pró-mercado. De alguma
forma o partido sempre quis fugir do rótulo de um partido mais à direita. Por
último, e talvez mais importante, o tamanho que o Estado tomou no Brasil e a
sua falência de financiamento no governo do PT ajudam ao PSDB ser hoje um pouco
mais ousado nas suas propostas.
Em que medida as turbulências internacionais advindas do
trio “Trump-Brexit- Deutschbank” podem agravar a situação econômica brasileira?
Eu tenho dito com frequência que no curto prazo a
conjuntura economia global é muito mais relevante para a economia brasileira do
que qualquer notícia doméstica. Vivemos o mais longo período de anormalidade na
condução de política monetária no mundo, com enorme excesso de liquidez. Com
isso os investidores globais tomaram riscos como nunca antes haviam tomado.
Cedo ou tarde o FED e o sistema global terão que convergir para taxas de juros
maiores e/ou veremos uma significativa correção de preços de ativos mundo a
fora. E o Brasil será afetado negativamente de um jeito ou de outro, ao menos
no curto prazo. O que podemos fazer? Cuidar da nossa vida e fazermos o mais
rápido possível as chamadas reformas estruturais. Sem uma correta PEC de
controle de gastos e sem uma boa reforma da previdência, o setor público
brasileiro irá quebrar, com ou sem crise internacional. Mas se vier uma alta do
FED mais rápida e ainda tivermos patinando nas nossas reformas, bom, aí podemos
ver uma crise ainda maior do que aquela que temos hoje.
Na sua avaliação, a “antipolítica” teve um bom desempenho
nestas eleições?
A “antipolítica” pode ser um conceito largo demais. De um
lado vi um engajamento mais ativo de muitos, especialmente os mais jovens,
através de novos meios, como as mídias sociais (por mais que a qualidade da
informação e do debate por esses meios possa ser criticada). De outro lado, o
crescimento dos votos nulos, brancos e abstenções revela um crescimento da
descrença com a política, provavelmente pelas razões que já comentei: corrupção
e ineficiência do setor público. Eu espero que seja um descontentamento com a velha
e má política brasileira, e não com a política. Como já disse um antigo sábio
grego: não há nada contra não gostar da política desde que você aceite ser
governado por quem gosta.
Votos da esquerda podem decidir a eleição na capital gaúcha Guilherme Kolling
Votos da esquerda podem decidir a eleição na capital
gaúcha
Guilherme Kolling
A abstenção no primeiro turno foi brutal na disputa pela
prefeitura de Porto Alegre. Ao todo, 34,82% dos eleitores optaram por não
escolher seu futuro prefeito, entre votos brancos, nulos e os que não compareceram
nas seções eleitorais.
Isso totaliza 382.535 cidadãos da Capital que não
exerceram seu direito de voto, número bem superior aos sufrágios de Nelson
Marchezan Júnior (PSDB) e Sebastião Melo (PMDB), que ficaram em primeiro e
segundo lugares, respectivamente, com 213 mil e 185 mil votos.
A tendência é que a abstenção aumente no segundo turno,
tendo em vista que os candidatos da esquerda, Raul Pont (PT) e Luciana Genro
(PSOL), que ficaram na terceira e na quinta colocações - a soma dos dois dá 203
mil votos -, já afirmaram que não apoiarão nem Marchezan, nem Melo.
O voto "nem-nem", inclusive, já é pregado desde
domingo por muitos ativistas de PT, PSOL e seus aliados - defendem publicamente
o voto nulo em 30 de outubro, data do segundo turno.
Mas ainda que até lideranças passem a sustentar que a
melhor opção é anular o voto, os partidos não são "donos" da decisão
dos eleitores.
Em outras palavras, é pouco provável que todos esses 203
mil eleitores de Pont e Luciana abdiquem da votação, ainda que uma parcela
considerável deva mesmo se abster.
Marchezan larga como favorito pela vantagem e a primeira
colocação nas urnas apuradas no domingo. Entretanto, a diferença para Melo é
pequena, menos de 30 mil votos. Nesse cenário, os votos da esquerda podem
decidir a eleição.
É natural, neste primeiro momento, que Marchezan e Melo
concentrem esforços em atrair os 97 mil eleitores de Maurício Dziedricki (PTB),
que ficou em quarto lugar. Ou ainda que tentem convencer uma parcela dos 382
mil eleitores que não votaram em ninguém no primeiro turno.
Mas também já há sinalizações para atrair votos da
esquerda. Marchezan declarou que não se considera de direita e avalia que esses
conceitos estão ultrapassados. O PMDB aposta na histórica oposição PT-PSDB no
plano nacional.
Entretanto, a maior rivalidade no Rio Grande do Sul e em
Porto Alegre é entre PT e PMDB. E o fator Michel Temer (PMDB), após o
impeachment de Dilma Rousseff (PT), aumentou ainda mais a ojeriza de petistas
ao PMDB.
Fica difícil para Marchezan e Melo até tentarem se
favorecer de um voto de esquerda anti-PSDB ou anti-PMDB. Nesse ambiente, é
provável que algumas diferenças de propostas possam ser o diferencial. O
desafio será, então, como atrair o eleitor da esquerda sem afastar os já
conquistados.
Artigo, João Satt Filho, Zero Hora - Segundo turno quem define é o centro
João Satt Filho: 2° turno quem define é o centro
Estrategista
04/10/2016 - 05h20min | Atualizada em 05/10/2016 -
08h50min
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Depois de mais de 25 anos observando e trabalhando na
condição de estrategista de marketing, aprendi que a primeira pesquisa do
segundo turno muitas vezes é absolutamente desconcertante. Os votos migram em
uma velocidade impressionante.
Quem define o segundo turno são os votos do centro.
Explicando: o universo político brasileiro, de uma forma em geral, é
distribuído em três pacotes: 30/40/30, ou seja, 30% da esquerda, 30% da direita
e 40% do centro. A questão é que esse voto do centro não é monolítico, tem a
centro-direita e a centro-esquerda.
No segundo turno, a estratégia, o posicionamento e a
abordagem do discurso dos candidatos têm que ser revisitados. Para vencer, é
preciso entender que vai pesar tanto o voto útil, quanto o voto gerado pela
identificação com o propósito do candidato. O desafio é criar uma conexão
emocional com as pessoas.
De nada adianta encher os ouvidos das pessoas com
detalhes de programas de governo e inundar de críticas o adversário. Conquistar
a confiança é o maior desafio; o atalho é a coragem de falar e enfrentar a verdade.
No final do dia, os eleitores querem saber: esse cara vai
me ajudar ou não?
O segundo turno não é uma etapa de convencimento, e sim
de identificação.
Dentro desse contexto, Porto Alegre apresenta uma
situação peculiar neste segundo turno: em tese, temos dois candidatos de
centro-direita. A pergunta que fica é: para quem vão os votos da esquerda? Não
acredito no radicalismo sob forma de abstenção ostensiva. A vida continua e, na
última linha, a grande questão é: qual dos dois vai me permitir dormir em paz,
enquanto minha família está sob a mira de um revólver nas ruas?
Já vi e participei de situações em que quem estava na
frente no primeiro turno acabou ganhando. Da mesma forma, também assisti o
contrário: quem ficou em segundo lugar, na virada para o segundo turno já saiu
na frente com mais de 10% em relação ao oponente. Política e futebol acabam
ficando muito parecidos, nem sempre a estratégia que trouxe o time até as
finais é aquela que vai fazer o time campeão.
Invetigado pela PF, prefeito Jairo Jorge diz que não sabia de nada
Fustigado pela oposição e por investigações da Polícia Federal e Justiça Eleitoral, o prefeito de Canoas, Jairo Jorge, PT, coordenador da candidata Beth Colombo, tirou nota para dizer que não tem envolvimento em um esquema de
repasse ilegal de dinheiro de empresas que mantêm contratos com a administração
municipal para custear a eleição da aliada. A PF apreendeu R$ 500 mil de dinheiro ilícito no comitê central da campanha do PT-PRB e na casa do tesoureiro e dirigente do PT, Guilherme Ortiz.
O prefeito está sendo investigado, mas só reagiu depois que foi retirado o segredo de justiça do caso.
A investigação começou depois de uma
denúncia anônima, recebida no fim de agosto. À PF, o delator disse que havia
financiamento de caixa 2 na campanha de Beth por meio de empresas que prestam
serviços ao município e acrescentou que Jairo, como coordenador-geral, seria o
mentor da "empreitada criminosa". O inquérito foi instaurado com
manifestação favorável da Procuradoria Regional Eleitoral e autorização do
Tribunal Regional Eleitoral.
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Leia a nota de Jairo Jorge na íntegra.
A denúncia feita contra mim, de forma
anônima, conforme demonstra os documentos disponibilizados pelo inquérito,
mostra que se trata de um denunciante com aberto interesse político-partidário.
Não tenho qualquer relação com os fatos
noticiados e isso está sendo comprovado junto à Polícia Federal. Faço questão
de prestar todos os esclarecimentos e disponibilizar toda a documentação
necessária.
Durante o primeiro turno, fui
responsável pela Coordenação Geral da Campanha, uma atribuição política, feita
fora do horário de expediente da Prefeitura e que não envolve as questões
específicas a cargo de cada um dos vários coordenadores.
Por isso, quero registrar o meu repúdio
veemente à tentativa da oposição de fazer a minha ligação com esses fatos.
Canoas me conhece, assim como a probidade
e transparência da minha gestão ao longo de 8 anos, reconhecida e premiada em
todo o Rio Grande e no Brasil pela inovação, empreendedorismo e participação.
Trabalhei muito nesses 8 anos e tenho
orgulho das transformações que realizei em Canoas, mudanças na saúde, educação,
segurança, enfim em todas áreas. São mais de 750 obras entregues até agora.
Quero reafirmar a todos a minha crença
na Justiça, na Polícia, no Ministério Público e nas instituições.
Jairo Jorge
Prefeito de Canoas
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O mapa do impasse da eleição americana
Entre Hillary e Trump, o resultado é mais incerto do que
você pensa
Geraldo Samor
Essa história é para quem gosta de opcionalidades e
resultados fora do desvio-padrão.
Um fato novo está começando a borbulhar na corrida
presidencial americana, com repercussões bizarras para o resultado da eleição.
Gary Johnson, o candidato do Partido Libertário, já
está com 24% de intenção de votos em seu Estado natal do Novo México, onde já
foi governador. (Hillary tem 35%, Trump 31%).
Obviamente, Johnson tem chance zero de ser eleito no
sistema americano, em que o Presidente é escolhido num Colégio Eleitoral
dominado pelos dois principais partidos, e não pelo voto direto.
Mas se ele levar o Novo México — em meio à alta
rejeição de Trump e Hillary — aumentam as chances de que nenhum dos dois
candidatos principais obtenha a maioria dos votos no Colégio Eleitoral, ou
seja, 270 votos.
Assumindo que Trump vença em Estados onde a disputa é
muito apertada (como Flórida, Ohio e Nevada), a eleição poderia acabar assim:
Hillary com 267 votos no Colégio Eleitoral, Trump com 266, e Johnson com
5. (veja o mapa acima)
Esta possibilidade já estava sido discutida em alguns
setores do meio político americano, mas ganhou mais relevância hoje, quando o
estatístico Nate Silver desenhou (literalmente) este cenário.
Neste caso, como nenhum dos candidatos teria obtido a
maioria dos votos (270), a Emenda No. 12 da Constituição americana joga a
decisão para a Câmara de Deputados, onde cada Estado terá direito a um voto.
(A Câmara pode escolher entre as três pessoas mais votadas:
Hillary, Trump e Johnson, a menos que um dos três morra durante o
processo; neste caso, o Presidente da Câmara, Paul Ryan, pode apontar um
terceiro.)
Hoje, dos 50 Estados americanos, 33 têm delegações de
maioria republicana, 14 têm maioria democrata, e em três há empate. Mas o
que importa é a composição da nova Câmara, que toma posse em janeiro.
Imagine que, depois da eleição, a relação
republicano-democrata passe a ser 30-20. Se delegados de cinco Estados
‘republicanos’ se recusarem a votar em Trump, a coisa ficaria em 25-25, ou seja:
novo empate.
Mas calma. Segundo Nate Silver, cujos modelos
estatísticos já acertaram tanto que ele vendeu sua empresa para a ESPN,
“nas 20.000 simulações com pesquisas que fizemos esta manhã, os cenários em que
nem Clinton nem Trump conseguiram a maioria no Colégio Eleitoral e Johnson
ganhou pelo menos um Estado apareceram apenas 30 vezes, colocando as chances em
0,15%."
Ele diz que “um cenário de impasse um pouco mais comum é
Trump e Clinton cada um terem 269 votos eleitorais, e Johnson nenhum.”
Felizmente, segundo ele, as chances de isso acontecer são de apenas 0,4%.
Mas para um mundo cada vez mais acostumado com ‘black
swans', e num país absurdamente dividido e que já enfrentou uma eleição
contestada — em que votos tiveram que ser recontados na Flórida e a
Suprema Corte decidiu a fatura — tentar medir o ‘impossível' não é mais
desperdício de tempo.
Só uma escola técnica estadual está entre as 100 melhores do Enem
Escolas técnicas, federais e colégios militares dominam a lista das 100 mais bem colocadas no ranking do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2015. Só uma unidade é ligada à rede estadual. Os dados do Enem por escola foram divulgados oficialmente nesta terça-feira (4) pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do Ministério da Educação responsável pelo Enem. Para calcular a média geral das escolas, a reportagem considerou as notas das quatro provas objetivas do Enem: linguagens, matemática, ciências humanas e ciências da natureza. Das 100 melhores unidades públicas na última edição do Enem, 91 atendem alunos de níveis socioeconômicos alto ou muito alto (os dois mais elevados índices do critério do Ministério da Educação). O perfil dos alunos é um dos fatores que mais colabora para o sucesso escolar. A rede federal tem 36 unidades entre as 100 primeiras. Com exceção de duas municipais -a Escola Técnica de Paulínia (SP) e de aplicação da Fundação educacional de Macaé (RJ)-, o restante é de escolas técnicas, como as Etecs de São Paulo, e unidades ligadas a universidades estaduais. Em praticamente todas essas unidades há prova de seleção para entrada. LÍDER A escola pública com maior nota é o Coluni (Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa), em Minas. Com média de 690,5 na parte objetiva, a escola ficou na 33ª melhor posição do país no Enem 2015. De acordo com Renata Gonçalves, diretora em exercício do Coluni, os alunos têm acesso a um ambiente típico de universidade, com atividades de pesquisa e extensão, além do ensino. "Os alunos ficam praticamente o dia todo aqui, sempre estão envolvidos em projetos quando não estão em aula", diz ela. Os professores são de dedicação exclusiva à escola e praticamente todos os 34 docentes têm doutorado. A unidade já foi a primeira colocada também em 2014, mas a diretora afirma que os cortes recentes de recursos do governo federal no sistema federal pode comprometer os resultados futuros. "Não sei se esses bons resultados podem continuar, porque os cortes estão minando o investimento em mão de obra docente, que é o essencial", diz. Segundo ela, houve restrições em contratações e a escola já não conseguiu repor professores aposentados ou de licença. As redes estaduais concentram 84% dos estudantes de ensino médio do país. A única estadual fica em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. A Escola de Educação Básica Gomes Carneiro registrou uma média de 582,1 - acima da média nacional da rede privada, que é de 556,6. Apenas 27 alunos fizeram a prova em 2015 (de um total de 32 alunos no 3º ano do ensino médio). O nível socioeconômico dos alunos é alto, de acordo com o critério do Ministério da Educação.
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