Artigo, Gilberto Jaspers - Quem "fura" a fila da vacina

          Cada vez que tomo conhecimento de episódios como aquele das pessoas que furaram a fila da vacina contra a Covid-19 penso na importância decisiva de pais, professores e educadores. Uma educação eficiente significa redução de despesas em saúde, segurança e emprego, entre outros benefícios. 

            Estas consequências são quase insignificantes diante da repercussão na formação da personalidade dos conteúdos que, em resumo, tem na sua base na ética. Formar cidadãos íntegros é uma luta desafiadora. Os apelos de consumismo, ostentação e egoísmo falam mais alto, são onipresentes, obrigam à vigilância sem tréguas.

            Os meios de comunicação, turbinados pela publicidade cada vez mais agressiva e que mexe com o emocional do consumidor, impingem uma imagem-padrão de beleza, por exemplo. Isso funciona como uma ditadura. Quem não se enquadra nos preceitos padronizados de peso, altura e vestuário é motivo de chacota. Ou é condenado ao isolamento que causa angústia, depressão e distanciamento social.

            As redes sociais têm o condão nocivo de estimular o consumismo exacerbado. O bombardeio resultante dos algoritmos funciona é um rastreador que invade a privacidade de todos, de presidentes da República a mortais comuns. Basta, por exemplo, pesquisar o preço de um par de tênis para ser “perseguido, durante um mês, por todo tipo de calçado esportivo/agasalhos/camisetas/meias, etc. Qualquer acesso digital está carimbado com as nossas digitais.

            Todas as nossas informações – por mais pessoais e confidenciais que sejam – foram transformadas em mercadoria valiosa, vendida a peso de ouro para explorar todo tipo de comércio. A “educação das redes sociais” pouco ou nada tem a ver com os conteúdos ministrados na sala ou dentro de casa.

            Furar a fila parece um procedimento incorporado ao comportamento do brasileiro. Erroneamente foi apelidada de “jeitinho” para minimizar a gravidade de uma postura lamentável sob todos os aspectos. Pior que isso, seguir as normas, cumprir as leis, ou seja, “obedecer à fila” é sinônimo de burrice. Observar o regulamento  é para trouxas, babacas, “crentes”.

            Evito imaginar o resultado do caldo cultural do uso excessivo das redes sociais. Imagine o efeito nas próximas gerações que têm, como base, os exemplos de sucesso digital. Como no supermercado há opções para todos os gostos. O desafio é vigiar conteúdos, servir de exemplo e tentar preservar a privacidade de nossos filhos. Parece fácil. Mas só parece!

            


Menos vitimismo e mais coragem dentro das quatro linhas...

Por Facundo Cerúleo


           Vou falar de jogadores de futebol. Mas, sem nomes! Sem nomes! É que a moda hoje é cada um ter a sua carteirinha de vítima: não se pode dizer um "a" da criatura, que já lá vem uma ação por dano moral!

           Pois bem, são inúmeros aqueles que, nas categorias de base, encantavam a torcida, animavam dirigentes e faziam crescer o olho do empresário... Mas que, depois, se perderam. E jamais se afirmaram como profissionais.

          O que é que explica alguém não realizar aquilo de que é capaz?

           Claro, todo mundo tem uma resposta na ponta da língua. De psicólogo e louco, todo mundo tem um pouco...

           Cada caso é um caso, está bem. Mas há uma situação que, envolvendo aspectos sutis e apesar de ser muito frequente, costuma ser ignorada.

           Um grande fator de fracasso é o garoto não suportar pressão, isto é, ele não dar conta daquilo que ele acha que é a expectativa dos outros.

           Quando o cérebro do vivente está focado em não decepcionar os outros, morrem a ousadia, a iniciativa e a criatividade - alma do futebol.

           É assim no esporte. É assim na vida. Vale pra qualquer um.

           Ou dirão que isso não tem reflexos dentro de campo?

           Lembram o gol do Grêmio contra o Peñarol e o primeiro título de campeão da Libertadores? Um tal Renato Portaluppi, "cercado", lá na bandeirinha de escanteio, quase fora do campo, cutucou a bola com o pé esquerdo para, de direita, dar uma puxeta, alçar na área e César fazer de cabeça.

           Se, em vez de "cercado", Renato se sentisse "oprimido", não faria o que fez: se ele tivesse mentalidade de vítima, se nele prevalecesse o medo de errar, instintivamente acharia justificativa para livrar-se da responsabilidade, deixando de ser ousado e criativo. E o título...

           Portaluppi, Romário e Mário Sérgio, para citar só três, são exemplos de grandes jogadores com a marca da irreverência. O que seriam sem ela?

           O Brasil ainda é pródigo em talentos. Mas, parece que o ambiente marca de cima o jogador talentoso. E não deixa jogar...

           Não é só o empresário, que, acenando com riqueza fácil, enfeitiça os rapazes, imprimindo neles uma visão distorcida da vida.

           Incentivada por muita gente, existe a "síndrome de celebridade", que leva ao consumismo, à ostentação, a buscar o sucesso sem esforço e sem renúncias, desprezando por completo os valores que transformam o moleque num homem de fibra. Da "síndrome" ao fracasso, é um pulo...

           E como tudo pode piorar, agora estão até pautando o que os jogadores devem pensar e falar nas entrevistas. Alguém duvida disso?

           Para ter mais espaço na mídia, o que é útil para virar celebridade, tem que agradar a isenta crônica esportiva... E o que é pior, nada agrada mais a imprensa hoje do que um discurso politicamente correto!

           Acontece que viver para agradar os outros mata a criatividade: precisa um pouco de irreverência. E o futebol, que vive da criatividade, mostra que uma irreverência autêntica não combina com o politicamente correto.

           Permitem uma hipérbole? O politicamente correto termina emasculando o jogador... E acaba com o nosso futebol, ex-melhor do mundo.

           Não vou brigar com a realidade. Mas não é pecado sonhar com o ideal! E o ideal seria a família do menino que está começando e o dirigente do clube pensarem em como preservar a ousadia, a iniciativa e a criatividade, que são, ao menos na maioria, um impulso natural.

           Façam, pois, alguma coisa para salvar o futebol!

           Se não for por humanidade (ajudando o atleta a se tornar antes de tudo um homem) que seja pelos milhões perdidos em cada fracasso.


Artigo, Juliana Biolchi, Correio do Povo - Um fôlego contra a crise

Em breve, estarão disponíveis novas possibilidades de negociação para os empresários que tentam sobreviver à crise econômica provocada pela pandemia. A partir de 23 de janeiro, a entrada em vigor das mudanças na Lei de Recuperação de Empresas facilitará não só os pedidos de recuperação judicial, mas, especialmente, as renegociações de dívidas de empresas em dificuldade (pré-crise) e estimulará a recuperação extrajudicial. Mudanças que chegam na hora certa, trazendo um esperado fôlego. Afinal, virou o ano, a pandemia e a crise continuam, mas os programas do governo – como o auxílio emergencial – chegaram ao fim e as dívidas prorrogadas pelos bancos começam a vencer. Quem esperava pela sanção da PL 4.458, que alterou a Lei 11.101/2005, já pode agir. Aqueles que precisam entrar com pedido de recuperação judicial e aguardavam as novas regras, agora, terão acesso a prazos maiores de parcelamento das dívidas tributárias e a normas claras de financiamento durante o processo – o que deve resolver um dos grandes gargalos das situações de crise, o dinheiro novo.


Para o empresário que tiver um pouco mais de tempo, meu incentivo à negociação. Se a situação da empresa ainda não se agravou por completo e está na fase pré-crise, fique atento aos novos instrumentos disponíveis. Vem aí a negociação antecedente – proteção que a lei dá para empresas que estejam negociando com credores – e uma recuperação extrajudicial mais fácil de ser aprovada – que poderá incluir dívidas trabalhistas sob comprovação de negociação coletiva.


A nova lei também abre espaço para mediação e conciliação, antes e durante os processos de recuperação judicial, inclusive para convertê-los em formas mais brandas, como a própria recuperação extrajudicial. Ela também admite o uso dessas ferramentas nas disputas entre sócios, ou nos conflitos com concessionárias e permissionárias de serviços públicos em reestruturação.


O cenário econômico continua incerto até que o calendário de vacinação esteja operando de forma organizada. Não podemos trabalhar com negação e otimismo baseado em fé. Não se sabe se a retomada virá gradativamente ou se a bolha da inadimplência vai estourar. Por isso, a dica é tentar se antecipar. Aproveitar as ferramentas disponibilizadas na nova Lei de Recuperação de Empresas – tão aguardada e agilizada por conta da pandemia. Se for possível, negocie – seja fora do ambiente do judiciário, seja através de meios extrajudiciais. Esse comportamento evita lentidão, gastos excessivos e, principalmente, preserva a reputação da empresa.


*Advogada e sócia-diretora da Biolchi Empresarial

Análise dos economistas do Bradesco, hoje.

  Copom reconhece que cenário continua apresentando incertezas, o que prescreve, “neste momento”, estímulo extraordinariamente elevado. Conforme esperado, o BC manteve a taxa Selic inalterada em 2,00% a.a., por unanimidade. A novidade ficou por conta da comunicação do colegiado, inclusive com a menção ao “neste momento”. No cenário global, o BC reconhece os desafios de curto prazo impostos pelo avanço da pandemia, mas acredita que a recuperação da economia global será “sólida” no médio prazo, favorecida pelo início da vacinação e novos estímulos fiscais em vários países. No que tange à economia doméstica, o Comitê aponta as surpresas positivas com os dados de atividade econômica, mas aponta que tal perspectiva não contempla “os possíveis efeitos” do recente número de casos de Covid-19. Ao mesmo tempo, o BC reconhece a pressão inflacionária recente, mas mantém o diagnóstico de choques temporários, ainda que estejam sendo “mais persistentes do que o esperado” e que os núcleos de inflação estão acima dos níveis compatíveis com a meta. Houve nova atualização no cenário de inflação: as projeções para 2021, 2022 estão, no cenário base do Copom, em 3,6% e 3,4%, respectivamente, considerando Selic de 3,25% e de 4,75% nos dois anos. As metas para esses dois anos são de 3,75% e 3,50%. É importante destacar que o comunicado enfatizou o horizonte de 2022, já nesta reunião. 


o Ao voltar para a análise usual do balanço de riscos para a inflação, retirada do forward guidance na comunicação do Copom não implica uma alta iminente da Selic. O BC retirou a sinalização de manutenção do juro estável por bastante tempo, argumentando que duas das três condições para essa sinalização não mais estão válidas: aumento das expectativas de inflação e projeções de inflação “suficientemente próximas da meta de inflação para o horizonte relevante”.  Contudo, como mencionado em discursos recentes de membros do Copom, o comunicado enfatiza que a condução da política monetária seguirá, doravante, a análise usual do balanço de riscos e que a retirada do forward guidance não implica “mecanicamente uma elevação da taxa de juros”. Continuamos avaliando que o BC manterá a Selic estável na próxima reunião, iniciando um ciclo de normalização nos próximos meses, levando a Selic a 4,0% no final deste ano. 


Carta integral

 Um grupo de 25 cientistas que defende o uso da hidroxicloroquina nas fases iniciais da Covid-19 escreveu uma segunda carta em defesa do uso da substância contra o que eles chamam de "pseudocientistas", pesquisadores que estariam deturpando a ciência por motivos pessoais e políticos - no caso, para atingir o governo federal. No documento, eles lembram que não existem pesquisas definitivas sobre nenhum medicamento que está sendo usado contra a doença; que não há provas de que hidroxicloroquina funciona, mas que ela tem se mostrado em todo o mundo tão ou mais eficaz do que outros remédios, e que os efeitos colaterais são mínimos se usada na dose correta. A carta foi escrita por Marcos Eberlin, doutor em Química e professor da Universidade Mackenzie, com 25 mil citações em pesquisas. Os outros signatários da carta são citados 44 mil vezes em artigos científicos.


"Nessa pandemia, o termo “ciência” tem sido utilizado 'ad nauseam'. Repetem a exaustão: 'Ciência, ciência, ciência', eu sou 'pró-ciência', e 'por ela, nela e para ela' me guio e atuo. 'Eu, portanto, estou certo, coberto de razão'. É nítida aqui a intenção de conduzir-nos todos à ideia de decisões alicerçadas em algo inquestionável e infalível, tão científico com uma lei, como a lei da gravidade".


Depois de citar que países como EUA, Espanha, França, Itália, Índia, Israel, Rússia e Senegal estão usando a hidroxicloroquina no combate à Covid-19, em conjunto com outras substâncias, estudando livremente qual seria a melhor solução para tratar da doença, os cientistas citam docentes e pesquisadores que, ao criticar o uso da hidroxicloroquina, estariam usando "a ciência para defender sua opinião, seu bolso, ou sua paixão".


"Indignado, ouço todos os dias prefeitos e governadores afirmando, a plenos pulmões, que 'seguem a ciência'. Presidentes de conselhos e alguns de seus conselheiros, e de academias, e reitores em seus gabinetes escrevem cartas em nome de toda a sua comunidade, como se fosse uma posição de todos, consensual. Nada mais falso. Seguem a ciência? Seguem nada! Seguem a ala da ciência que gostam, e os cientistas que do seu lado eles escolheram colocar. Desprezam a outra ala da ciência, pois há também centenas de cientistas e artigos que se opõe às suas posições e medidas".


Na carta, eles fazem uma crítica dura a um estudo de Manaus, publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA).


"Nesse estudo, cientistas usaram, o manuscrito revela, doses letais em pacientes debilitados, muitos em estados grave e com comorbidades. O perfil do grupo parece não ter sido 'randomizado', pois nota-se uma nítida 'preferência' no grupo da ALTA DOSE por fatores de risco. Usou-se cloroquina, mais tóxica, e parece que cometeram 'erros infantis' até em cálculos simples de estequiometria, dobrando com o erro a dosagem. Não sei julgar intenções, a justiça julgará. O ex-ministro Mandetta citava esse estudo, o apoiou, e com base nele declarava categoricamente: 'Não aprovo a cloroquina pois me baseio em ciência, ciência, ciência!'".



No final, os cientistas reiteram que não há estudos definitivos sobre o uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, mas, como no caso de outros remédios, reforçam que experiências bem-sucedidas que devem ser levadas em conta. Citando ainda, que nas doses usadas há 40 anos pelos usuários desse medicamento, os efeitos colaterais são mínimos.


"Se há então dúvida, pela 'ciência', e uma possibilidade plausível é a cura, com a HCQ, e se a droga é barata, quase de graça, disponível e distribuída por vários laboratórios no Brasil (Cristália, Apsen, EMS, Forças Armadas, Sanofi-Aventis), e se ela apresenta efeitos colaterais mínimos em dosagem agudas de só 5 dias (muitos tomam a droga diariamente por anos), como todo o fármaco (vide a aspirina e o paracetamol), e se o réu corre ou pode correr maior risco de vida, se não medicado, então PRÓ-VIDA!"


Nessa pandemia, o termo “ciência” tem sido utilizado “ad nauseam”. Repetem a exaustão: “Ciência, ciência, ciência”, eu sou “pró-ciência”, e “por ela, nela e para ela” me guio e atuo. “Eu, portanto, estou certo, coberto de razão”. É nítida aqui a intenção de conduzir-nos todos à ideia de decisões alicerçadas em algo inquestionável e infalível, tão científico com uma lei, como a lei da gravidade.


Grupos de “experts da ciência” ou famosos cientistas do YouTube, muito deles “mirins”, alguns com mínima ou nenhuma experiência em combates de pandemias, são selecionados pelo establishment e pela mídia para dar um “verniz científico” para o isolamento social e a condenação da hidroxicloroquina (HCQ) como uma droga ineficaz; pior, mortal.


Simulações desastrosas apocalípticas do “Imperial College” – esse nome pomposo que nos remete à ideia de um centro de excelência e saber infalível, onipotente e inquestionável, um “Colégio Imperial” – são usadas para colocar todo mundo em casa, e para então comparar dados como sendo a referência absoluta da verdade. “Algo fizemos e por isso, esse tanto de óbitos reduzimos. Salve a “ciência”!


Mas que “ciência” seria essa para qual apelam? E quem, em nome dessa “ciência”, estaria autorizado a falar? Ciência (sei que há controvérsias, pois cientistas divergem até sobre o seu significado) é “a busca desapaixonada pela verdade sobre o Universo e a vida”. Mas por ironia, buscamos verdades que nem sequer sabemos como essas verdades seriam, ou onde estariam. Por isso, às vezes, por ironia, mesmo quando cientistas acham uma verdade de fato verdadeira, duvidam até de tê-la achado. Ziguezagamos literalmente no escuro em busca de soluções para os nossos problemas. Por isso, falamos às vezes que: “comer ovos é ruim, aumenta o colesterol; às vezes que é bom, coma à vontade”.


Richard Feymann assim a classificou: “A ciência é a cultura da dúvida”. E eu acrescento, “ciência é a cultura do embate, da divergência de opiniões”.



Raras são as situações em que alcançamos consenso em ciência, mesmo que provisório. Uns defendem o “Big Bang” e a evolução, outros os questionam, entre eles, eu. Uns com dados defendem o papel central do homem no aquecimento global, outros afirmam com os mesmos dados que é irrelevante. Cientistas são seres, portanto, céticos e questionadores que podem e devem sim falar por si, como cientistas que são, mas NUNCA UM CIENTISTA OU UM GRUPO DELES PODE SE DECLARAR AUTORIZADO A FALAR EM “NOME DA CIÊNCIA!”


Ninguém, absolutamente ninguém está autorizado a falar pela ciência ou declarar que por ela é “guiado”! Em tempos de pandemia, essa impossibilidade é maior ainda, pois enfrentamos um inimigo ainda pouco conhecido. Dados ainda estão sendo coletados, e as pesquisas são feitas por cientistas divididos por suas cosmovisões e preferências políticas e partidárias.


Quem disse que agiu em nome da ciência, desonestamente usurpou o prestígio dela. Pois que tipo de “ciência” foi essa, unânime e consensual, que dela ninguém nunca ouviu falar? Poderiam me passar seu endereço para com ela seu consentimento eu confirmar? Telefone, e-mail, WhatsApp?


Quanto à hidroxicloroquina (HCQ), o embate científico inevitável entre teses fica nítido quando cientistas renomados por todo o mundo e no Brasil, como o virologista Paolo Zanotto (com 7,4 mil citações científicas) e os médicos Didier Raoult (com 148 mil citações), Philip M. Carlucci e Vladimir Zelenko, defendem seu uso baseados em estudos e artigos, enquanto outros, também renomados e baseados nos mesmos e em outros estudos e artigos, a condenam. Inúmeros países como EUA, Espanha, França, Itália, Índia, Israel, Rússia e Senegal usam o fármaco no combate à covid-19, enquanto outros eximem-se em utilizá-lo como uma das estratégias para contenção da pandemia, apostando em táticas também controversas.


Quem fala então aqui em nome da “ciência”? Qual grupo tem o monopólio da razão e a autorização exclusiva de ser da “ciência” seu porta-voz? Cadê a autorização?



Escolha uma opinião, e baseie nela sua estratégia, tudo bem, mas não cometa o sacrilégio de proteger sua decisão e correr o risco de manchar com ela o “manto sagrado da ciência”.


Indignado, ouço todos os dias prefeitos e governadores afirmando, a plenos pulmões, que “seguem a ciência”. Presidentes de conselhos e alguns de seus conselheiros, e de academias, e reitores em seus gabinetes escrevem cartas em nome de toda a sua comunidade, como se fosse uma posição de todos, consensual. Nada mais falso.


Seguem a ciência? Seguem nada! Seguem a ala da ciência que gostam, e os cientistas que do seu lado eles escolheram colocar. Desprezam a outra ala da ciência, pois há também centenas de cientistas e artigos que se opõe às suas posições e medidas.


Pior, cientistas não são anjos. Cientista é gente, e gente tem gostos e desgostos, paixões e opiniões político-partidárias. Ou não teriam? Há muitos cientistas, portanto, que fazem o bem sem olhar para quem, conheço e admiro muitos. Mas há pseudocientistas que usam a ciência para defender sua opinião, seu bolso, ou sua paixão. Cientistas trabalharam e ainda trabalham com afinco e desprendimento para contribuir para o bem da humanidade, muitos dos quais estão hoje em laboratórios, arriscando suas vidas para desenvolver novos métodos de detecção do coronavírus, drogas e vacinas, quando poderiam ficar em casa. Mas, para ilustrar, conheço cientistas que publicaram artigos, uns até na “Science” ou na “Nature”, com dados fabricados de madrugada, outros que retiraram pontos de suas curvas, e outras estratégias afins. Muitos cientistas estavam ao lado de Hitler, ou não estavam? Agiram eles em nome da “ciência”? Outros desenvolveram bombas atômicas. Outros desenvolvem ainda hoje armas químicas e biológicas e drogas ilícitas, de design.


O trabalho de Manaus com a cloroquina (CQ) publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) (1) é emblemático nessa discussão de “ciência”. Cientistas lá usaram, o manuscrito revela, doses letais em pacientes debilitados, muitos em estados grave e com comorbidades. O perfil do grupo parece não ter sido “randomizado”, pois nota-se uma nítida “preferência” no grupo da ALTA DOSE por fatores de risco. Usou-se cloroquina, mais tóxica, e parece que cometeram “erros infantis” até em cálculos simples de estequiometria, dobrando com o erro a dosagem. Não sei julgar intenções, a justiça julgará. O ex-ministro Mandetta citava esse estudo, o apoiou, e com base nele declarava categoricamente: “Não aprovo a cloroquina pois me baseio em “ciência, ciência, ciência”!



Outro estudo publicado por pesquisadores chineses no British Medical Journal (BMJ) e que ainda é insistentemente usado contra a HCQ foi também no mínimo revoltante (2). Nele os autores declaram: “administramos 1.200 mg por 3 dias, seguido de 800 mg por 12 a 21 dias, em pacientes com sintomas de moderado a severo”. Ou seja, administraram um “caminhão” da droga que poderia chegar no final ao absurdo de 20 gramas, e deram tarde demais (deve-se administrar a HCQ nos primeiros sintomas ou até antes). E pior, superdosagem de HCQ ou qualquer outra droga para casos severos é venenoso. O que você achou, foi boa ciência? A dosagem recomendada desde ontem (20/05/2020), pelo Ministério da Saúde, para sintomas leves é de 2 vezes 400 mg no primeiro dia (de 12h em 12h) e 400 mg por 5 dias num total de 2,8 gramas.


Em outros estudos publicados, também nessas revistas de renome internacional como The New England Journal of Medicine, JAMA e BMJ (3-5), mais uma vez nota-se claramente “problemas”, pois ou os pacientes foram randomizados de maneira irregular, colocando-se nos grupos pacientes mais graves e hipoxêmicos, ou mais homens (quase 3 vezes mais mortais por covid que mulheres), ou mais negros (nos USA negros apresentam maior mortalidade) e mais fumantes, e onde a maioria das mortes ocorreu nos primeiros dias dos estudos (sinais que foram de pacientes graves, que nessa fase seriam mais “intoxicados” do que “tratados” com a HCQ), ou administraram a HCQ sozinha, quando se sabe que é preciso associá-la pelo menos à azitromicina. Um desses estudos (5) administrou a HCQ apenas no décimo sexto dia de sintomas (para tratamento realmente precoce, deve-se iniciar administração da HCQ até o quinto dia), ou seja, já no fim da doença, quando o remédio pouco ou nada pode fazer.


Esses trabalhos indicam que ou esqueceram como se faz “ciência” ou que há um enorme esforço para provar que a HCQ não funciona, custe o que custar. Como alguém ou até Conselhos e Academias de Medicina podem citar tais trabalhos como a “ciência” de suas decisões? Como?


Na contramão, o estudo publicado e hoje já com mais de 3 mil pacientes testados, e realizado pelo Dr. Didier Raoult na França (6), usando a dosagem correta e na hora certa, com uma baixíssima taxa de mortalidade (0.4%), e a experiência clínica da Prevent Senior no Brasil, também bastante alentadora, são desqualificados com argumentos deveras “fúteis” como: “Didier Raoult é um pesquisador polêmico e indigno de crédito”, “Na Prevent não tinham certeza do diagnóstico” (mas quase nenhum internado com sintomas claros de COVID morreu), “efeito placebo” (que poder sobrenatural da indução de nossa mente que reduz de 40% para zero a mortalidade, eu quero este placebo!), “estudo feito por plano de saúde” (esses eu não duvido que queiram salvar vidas, pois sobretudo são seus clientes, que pagam suas contas), e efemeridades afins.


Posto em meu Facebook, quase que diariamente, trabalhos, estudos e relatos incríveis a favor da HCQ. Muitos comigo se solidarizam, mas alguns são veemente contrários, e me confrontam com argumentos tipo: “como pode um cientista de seu gabarito perder seu prestígio para defender esse presidente?”. Alguns eu conheço pessoalmente, outros pesquiso em seus perfis. Pode existir, eu sei, mas não encontrei sequer um desses amigos até agora que não seja de esquerda, combata o atual presidente do Brasil e, via de regra, não seja favorável ao desastrado #FiqueEmCasa.



Mas a pergunta mais importante creio que seria esta: estamos absolutamente certos pela “ciência” que a HCQ é eficiente e salva vidas? Creio que não. A chance é alta, mas certo nenhum cientista está. Daqui há alguns anos, talvez. Estamos absolutamente certos hoje que a HCQ não salva? Claro que não, ninguém honestamente está. Quero, portanto, deixar a “ciência da dúvida” de lado, pois cientistas divergem, e apelar para outra área: o direito. Inclusive, remeteram a questão até para lá, para que juízes julguem com base na “ciência”. Basta saber quem por ela falará. Mas há, em Direito, um princípio, esse inquestionável e consensual, que deveria ser usado para definir o dilema:


“In dubio pro reo”. Ou seja, na dúvida, favorecimento ou absolvição do réu (no caso a HCQ).


Se há então dúvida, pela “ciência”, e uma possibilidade plausível é a cura, com a HCQ, e se a droga é barata, quase de graça, disponível e distribuída por vários laboratórios no Brasil (Cristália, Apsen, EMS, Forças Armadas, Sanofi-Aventis), e se ela apresenta efeitos colaterais mínimos em dosagem agudas de só 5 dias (muitos tomam a droga diariamente por anos), como todo o fármaco (vide a aspirina e o paracetamol), e se o réu corre ou pode correr maior risco de vida, se não medicado, então PRÓ-VIDA!


QUE TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS OS BRASILEIROS QUE ASSIM DESEJEM, TENHAM O DIREITO DE SER TRATADOS COM A HCQ.


Decisão jurídica justa. E ponto final.


Isso sim é ciência, não a “ciência” que eu gosto ou a que usurpam por aí, mas a “ciência” que temos aqui e agora, baseada nos fatos de hoje, na razão.


Por fim, lembremos todos que diante da uma doença nova e da sua progressão extremamente veloz nos mais debilitados com complicações gravíssimas, e de tantas incertezas no diagnóstico, e por tratarmos não papéis nem exames, mas PESSOAS, faz-se imperativo ao médico decidir no olho a olho com seus pacientes, invocando não a “ciência” de alguns, mas a bússola valorosa da medicina que salva vidas desde os primórdios da medicina: “A CLÍNICA É SOBERANA!”


Prof. Marcos N. Eberlin

Email: mneberlin@gmail.com


Amilcar Baiardi, Universidade Católica de Salvador – UCSAL, 2,5 mil citações

Bento João da Graça Azevedo Abreu, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 77 citações

Carlos Adriano Ferraz, Universidade Federal de Pelotas – UFPel, 8,7 mil citações

Donato Alexandre Gomes Aranda, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 3,6 mil citações

Elvis S. Böes, Instituto Federal de Brasília, 686 citações

Esteban Lopez Moreno, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 302 citações

Heloísa Candia Hollnagel, Universidade Federal de São Paulo

Jaime Henrique Amorim, Universidade Federal do Oeste da Bahia, 407 citações

José Roberto Gomes Rodrigues, Universidade do Estado da Bahia

Kin Shung Hwang, sem afiliação

Laércio Fidelis Dias, Universidade Estadual Paulista 288 – UNESP, 125 citações

Leonardo Vizeu Figueiredo, Universidade Federal Fluminense – UFF, 280 citações

Luciano Dias Azevedo, médico anestesiologista, CRM 104.119 SP

Marcelo Henrique Napimoga, sem afiliação, 3,8 mil citações

Marcelo Hermes Lima, Universidade de Brasília, 6,3 mil citações

Marcos N. Eberlin, Universidade Presbiteriana Mackenzie, 25,2 mil citações

Ney Rômulo de Oliveira Paula, Universidade Federal do Piauí, 150 citações

Pablo Christiano Barboza Lollo, Universidade Federal da Grande Dourados, 1,1 mil citações

Pedro Jorge Zany P. M. Caldeira, Universidade Federal do Triângulo Mineiro, 65 citações

Paulo Roberto Ferreira Louzada Junior, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 3,1 mil citações

Peterson Dayan Machado Goncalves, Instituto de Educação Superior de Brasília

Rafael Jose de Menezes, Universidade Católica de Pernambuco

Rodrigo Caiado de Lamare, PUC-RJ e University of York, 11,5 mil citações

Rosivaldo dos Santos Borges, Universidade Federal do Pará, 761 citações

Rui Seabra Ferreira Junior, Universidade Estadual Paulista – UNESP, 1,3 mil citações


(Os pesquisadores que assinam a carta somam mais de 69 mil citações.)

Meu carro foi recolhido por não ter pago R$ 5,23 de resíduo de Dpvat que nem existia

Não tem explicação uma coisa dessas: em plena sexta-feira saindo em férias rumo ao litoral, já entrando na estrada do mar, um policial da Brigada Militar pede pra eu parar e solicita meus documentos. Prontamente entreguei. Pediu que eu esperasse e voltou dizendo que meu IPVA de 2020 não estava completamente pago, embora o de 2021 já estivesse quitado. Argumentei dizendo que pago antecipado em dezembro e tinha pago o valor total. Aí ele disse que estava pago, mas tinha um imposto(DPVAT) que estava em discussão e foi cobrado depois da data do pagamento. Em razão disso teria que recolher meu carro. Eu disse que pagaria ali e pedi o valor. Pasmem, devia: 5 reais e 23 centavos. Me explicou que a lei desse pagamento(5,23 reais) não tinha sido divulgada e infelizmente ele estava fazendo o serviço dele e eu tinha que entregar o carro. Expliquei que estava com a minha filha adolescente no carro, com comida de geladeira, que pagaria os 5,23 reais pelo aplicativo do Banrisul. Mostrei o comprovante e ele disse que a baixa só entraria a meia noite e não podia fazer nada, que o guincho já estava esperando e que o carro ficaria apreendido até segunda-feira. Conclusão: pra retirar o carro, tenho que pagar o guincho e mais três diárias do depósito. Fora meu deslocamento de vinda e ida para buscar o veículo. Nesse meio tempo ele me diz que todos os carros que estavam ali(mais ou menos 6) eram pelo mesmo motivo. Aí vi que tinha uma moça no carro da frente, lendo a lei no inciso 9° que diz: “NÃO CABERÁ REMOÇÃO NOS CASOS EM QUE A IRREGULARIDADE PUDER SER SANADA NO LOCAL DA INFRAÇÃO(Incluído pela lei nº 13.160. de 2015). Mostramos a lei para o pessoal do DETRAN e eles disseram que só se estivessem com a máquina pra receber o pagamento. Conclusão: precisei liberar o carro e só vou poder pegar segunda-feira. Estou aqui alertando vocês para que revisem esse imposto de 2020, na pendência de 5,23 reais, pois assim como eu, outras pessoas desavisadas podem cair nessa “armação”. Só pode ter sido estratégico fazerem isso em plena sexta-feira e o depósito do DETRAN só abrir na segunda-feira. Me expliquem, se o transtorno compensa, se a indignação de todos perante um absurdo desses pode atribuir algum benefício além de arrecadação forçada. Me senti sem ação perante tanta incoerência de propósitos e ver em que rumo desarrumado estamos. Em plena pandemia, com tantas necessidades de saúde e fluxo, me senti invadida e bloqueada no meu direito de ir e vir e transitar com o carro que pago impostos e estou em dia com minhas obrigações de cidadã

Baleia Rossi

 O irmão do deputado Baleia Rossi (MDB-SP), um dos candidatos da oposição à presidência da Câmara dos Deputados, é acusado de receber ilegalmente R$ 1 milhão em dinheiro vivo da Odebrecht.

O pagamento a Paulo Luciano Tenuto Rossi teria ocorrido durante a campanha eleitoral de 2014 por trabalhos realizados pela produtora Ilha Produção Ltda., que também pertencia a Vanessa da Cunha Rossi, mulher de Baleia. Conhecido como Palu, o irmão do candidato à chefia da Câmara é réu em ação penal eleitoral em São Paulo que investiga o caso desde o ano passado. A informação foi publicada nesta 3ª feira (19.jan.2021) pelo jornal Folha de S.Paulo.

Ele é acusado por corrupção, lavagem de dinheiro e caixa 2 em processo aberto pelo juiz eleitoral Marco Antonio Marins Vargas. Segundo a denúncia apresentada pela Promotoria Eleitoral de São Paulo, a Odebrecht se comprometeu a destinar R$ 6 milhões à campanha de Skaf naquele ano por meio do Departamento de Operações Estruturadas, divisão responsável pelo pagamento de propinas. Do total da quantia oferecida pela empreiteira, R$ 1 milhão teria sigo entregue a Paulo Luciano. A denúncia considera que, por trás do pagamento em espécie, havia a intenção da empreiteira de ter ganhos irregulares com o poder público caso Skaf fosse eleito. O emedebista, no entanto, foi derrotado por Geraldo Alckmin (PSDB) naquele ano.