J.R. Guzzo - Falta combinar

Os meios de comunicação, no Brasil e numa porção de países do Primeiro Mundo, muito civilizados, prósperos e democráticos, estão com uma doença que pelo jeito não tem cura. Publicam notícias, comentários e “conteúdo” segundo uma tábua de mandamentos que não deixa nenhuma dúvida sobre o que está certo e o que está errado, o que é bom e o que é ruim, o que é permitido e o que deveria ser proibido – só que não combinam com o público se ele próprio, o público, está de acordo com isso tudo. Os comunicadores estão cada vez mais convencidos de que a sua maneira de ver o mundo é a melhor, não apenas para o mundo, mas para leitores, espectadores e ouvintes; não parecem ter nenhuma dúvida a respeito.
O resultado é que estão sendo cada vez menos representativos do público que imaginam representar. Dão informações que esse público não está interessado em receber e opiniões que não está disposto a compartilhar. Ensinam coisas que ele não quer aprender. Falam de valores que não são os seus – ou não necessariamente os seus. Torcem por causas que não são obrigatoriamente as suas. Elogiam uma série de comportamentos, condenam outros tantos, e em ambos os casos deixam uma advertência clara: é assim que nós, órgãos de comunicação, esperamos que vocês, público, se comportem. Só existem duas maneiras de avaliar as coisas neste mundo. Uma é a maneira errada. A outra é a nossa. Qual é a surpresa, então, em que a mídia esteja com tantos problemas?
Não é preciso, para ver o tamanho do problema, recorrer a casos extremos como a eleição de Donald Trump para a Presidência dos Estados Unidos. Depois de atacar a sua candidatura como o pior momento da humanidade desde a vinda da peste negra, a imprensa americana e a internacional têm certeza, agora, de que sua vitória nos levará de volta à Idade da Pedra. Deveria estar mais do que óbvio, se fosse assim mesmo, que só um débil mental votaria nesse homem. Mas é claro que não foi isso que aconteceu, como é claro que ninguém está em pânico só porque a imprensa diz que todo mundo deveria estar em pânico.
No Brasil de hoje, então, o descolamento entre meios de comunicação e público parece caminhar para o modo mais extremo. O que dizer quando nas últimas eleições para prefeito os vencedores nas duas maiores cidades do Brasil foram justo os dois candidatos mais detestados pela mídia? Estão operando lado a lado, aí, duas linguagens opostas – a dos jornalistas e a de dezenas de milhões de cidadãos comuns.
Os exemplos se aplicam a um mundo de coisas. Os comunicadores, em sua maioria, são a favor da ocupação de escolas por grupos de organizações de estudantes, ou a veem com compreensão quase ilimitada; fazem um voto de confiança sem restrições no idealismo dos jovens e sua vontade de reformar o nosso ensino. São a favor da ocupação dos espaços públicos por marginais de todo tipo – acham que seu direito é maior que o direito do restante da população de utilizar em paz o mesmo espaço. São a favor de praticamente todo tipo de invasão (que chamam de “ocupação”), de lugar público ou privado; são contra a liberação desses locais pela polícia, mesmo com ordem judicial, e sua devolução aos legítimos donos; estão convencidos de que a polícia, sem exceção, age “com brutalidade”.
Há um critério rigoroso na escolha das palavras. A imprensa fala sempre em “manifestantes”, “militantes”, “estudantes”, “desabrigados” e até em “camponeses” – nunca, em nenhum caso, são “invasores”. Não fala mais “favela”, palavra hoje condenada como preconceituosa, elitizante e fascista; tem de ser “comunidade”. A imprensa brasileira continua falando do golpe militar de 1964 como se fosse algo que aconteceu ontem, e alerta para os “perigos” de se voltar, a qualquer momento, à mesma situação; esquece que só tinham chegado à maioridade, em 1964, pessoas que têm hoje pelo menos 70 anos de idade.
Nossa mídia dá a entender, cada vez mais, que ter um automóvel é uma falha moral – e que o importante, hoje, não é a propriedade, e sim o uso do veículo. Jamais lhe ocorre que para milhões de brasileiros o carro é um instrumento de liberdade, e sua propriedade um sonho individual importante. Ao contrário da imprensa, a população não acha que o problema do Brasil é ter gente de mais na cadeia; acha que é ter gente de menos. Não acha que o principal problema da segurança pública seja a polícia – acha que são os bandidos. Não acha que a fé evangélica seja uma ameaça.
Dá para escrever um “Manual de Redação” inteirinho com essas regras. Só que não são as regras do público.

Dora Kramer: O abuso das autoridades

Dora Kramer: O abuso das autoridades
Abuso de autoridade pronto e acabado ocorreu no Congresso. Ou não é um abuso inverter o espírito das propostas de combate à corrupção?
Por: Augusto Nunes  04/12/2016 às 19:01
Publicado no Estadão
Diante da inversão de valores perpetrada pela Câmara na retaliação da proposta das medidas de combate à corrupção e da tentativa do réu que preside o Senado de votá-la de afogadilho na Casa revisora, é de se perguntar qual é a parte do repúdio social a manobras espúrias que Suas Excelências ainda não entenderam.
Hoje estão marcados protestos cuja motivação mais forte reside nas recentes atitudes do Congresso. A pauta é dispersa, embora o recado da sociedade seja claro: “Não me enganem, porque definitiva e claramente eu não gosto”. Retrato disso foi o contraste entre a animosidade latente contra o juiz Sérgio Moro na Mesa Diretora e a calorosa recepção dada a ele por parte de funcionários do Senado quando do debate, no plenário, sobre a Lei de Abuso de Autoridade.
Na rua, ocorre do mesmo modo. Só que lá o juiz (para além da figura de Moro) é tratado também com apreço e os políticos com menosprezo. O paradoxo é estes dependem de votos para seguir na carreira, mas são aqueles (magistrados, promotores, procuradores e policiais) os que falam o idioma da legalidade, valor finalmente em alta na sociedade brasileira.
Em baixa na opinião do público o Congresso está faz tempo. O dado novo é a manifestação coletiva da condenação aos atos cometidos no ambiente legislativo, justamente o que abriga representantes da população, cujo dever de ofício deveria ser o de zelar pelos interesses dos brasileiros, senhores de seus mandatos.
A Câmara e o Senado vêm de um processo legal e legítimo de impeachment presidencial, mas em nenhuma das duas Casas prepondera a compreensão de que a convergência com a posição da maioria expressa nos protestos contra os governos do PT e confirmada pelas pesquisas de opinião não dá ao Parlamento um salvo-conduto para atuar ao seu bel-prazer sem ser importunado.
Ao contrário: o conjunto de razões pelas quais deputados e senadores afastaram do poder o grupo liderado de direito por Dilma Rousseff e de fato por Luiz Inácio da Silva, os obriga a seguir o padrão de exigência aplicado para sustentar o afastamento. O grupo que assumiu o governo, aí incluídos os congressistas aliados, não pode dar-se ao desfrute de adotar o lema “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. O mesmo aplica-se ao PT que agora de volta à oposição atua como se nada tivesse a ver com o poço fundo em que jogou o País.
Suas Excelências abusaram e se lambuzaram. Aqueles recentemente apeados do poder, no assalto ao Estado. Seus substitutos, na agressão à paciência e à capacidade de discernimento dos cidadãos. À exceção de um e outro exagero – imediatamente apontados ou corrigidos – os responsáveis pelas investigações e condenações em curso até agora se mantiveram nos padrões da lei, conforme atesta o aval dos tribunais superiores à quase totalidade das ações.
Abuso de autoridade pronto e acabado ocorreu no Congresso e, em vários momentos, no Executivo. Ou não é um abuso inverter o espírito das propostas de combate à corrupção para aprovar medidas em defesa de corruptos e de ataque aos encarregados de investigá-los? Ou não se configura um abuso da investidura do cargo o réu que preside o Senado comandar manobra para aprovar a lambança tal como saiu da Câmara de maneira açodada a fim de dar o fato como consumado?
Congressistas falaram de corda em casa de enforcado, acabaram por enrolar os respectivos pescoços ao atiçar a população e alimentar a motivação aos protestos marcados para hoje e tornarem-se alvo principal das manifestações. A depender da amplitude e densidade da grita geral, nossas autoridades legislativas terão dado tiros que saíram pela culatra para se alojar no coração do Parlamento

Marcelo Aiquel - Um prefeito de verdade

UM PREFEITO DE VERDADE

      Assistindo as emocionantes homenagens às vítimas do terrível acidente aéreo que dizimou a equipe da Chapecoense, tive a oportunidade de confirmar a excelente imagem que construí durante toda a semana, através das dezenas de reportagens nas TVs, do Prefeito de Chapecó, Luciano Buligon.
      Ele, que escapou de morrer por obra de Deus (quando milagrosamente o tirou do voo), não fugiu da sua responsabilidade, ficou à frente dos trabalhos de resgate na Colômbia, enfrentou com muita humildade a chuva neste sábado, e – SEM USAR DE OPORTUNISMO – fez um discurso brilhante nas cerimônias fúnebres dos atletas e dirigentes do time catarinense.
      Mostrando ao país que ainda existem políticos sinceros, não economizou lágrimas (que não eram de crocodilo) e portou-se com uma nobreza espetacular em todos os momentos.
      Independente do partido que representa, este Prefeito é nota 10.
      Enquanto isso, com o Brasil e a Colômbiainteiros engajados até a alma na solidariedade às vítimas e seus familiares, não se soube de um só movimento de pesar do governo da Bolívia, terra da companhia aérea que causou o criminoso acidente.
      Ao que parece o índio Evo Morales (amigo íntimo do Lula) não se “tocou” com a tragédia e, pressionado pela mídia, resolveu fazer de conta que seu governo vai tomar providências. Que nunca antes tomou!
      Além disso, não havia um só representante do cocaleiro boliviano nas comoventes homenagens, como se a Bolívia ignorasse totalmente a desgraça dos irmãos sul americanos.

      Nada a estranhar nesta atitude CANALHA do chefe do governo boliviano, eis que o mesmo somente “bota a cara” quando é para defender o projeto bolivariano do foro de SP.

Homem vive 7 anos menos que mulher. Saiba como viver mais e melhor.

Em geral, no Brasil, a expectativa de vida 75,5 anos. Houve um aumento de três meses, na comparação com 2014.

Para a população masculina, a esperança de vida é de 71,9 anos; para a feminina, 79,1 anos.

Como viver mais e melhor.

1 – Tenha uma alimentação balanceada
Açúcar, farinha e arroz refinados, álcool (sobretudo o destilado, como cachaça, rum e uísque), sal e gordura fazem parte preponderante do prato do brasileiro. Nenhum desses alimentos deve ser proibido, mas o ideal é consumi-los com equilíbrio.
O sal está diretamente associado à hipertensão e, em excesso, pode desregular a pressão e aumentar o risco de problemas cardiovasculares, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).
Já o açúcar é fonte direta de energia e calorias. Quando consumido em exagero, porém, transforma-se em gordura e é acumulado pelo corpo, prejudicando o equilíbrio do metabolismo. A ingestão de açúcar demais é a principal causa de diabetes tipo 2, desenvolvida geralmente na fase adulta.
Além disso, o preparo de frituras e gorduras está diretamente relacionado com problemas cardiovasculares e diversos tipos de câncer. A gordura também aumenta o mau colesterol (LDL), que pode entupir as artérias.
O maior problema, de acordo com os médicos, é o prato sem cores. Por isso, a orientação é incluir na dieta alimentos verde-escuros (brócolis e couve-manteiga) – que são ricos em betacaroteno, substância que dá origem à vitamina A –, e vermelhos (uva, morango, cereja e açaí) – que têm antioxidantes capazes de eliminar os radicais livres.
Acrescente também beterraba, pimentões, banana, jabuticaba, abóbora e manga. Quanto mais cores, melhor.
As sementes oleaginosas (nozes, amêndoas e castanhas) também são ricas em nutrientes e ajudam a prevenir problemas cardiovasculares. Peixes de carne mais escura (salmão e sardinha), por sua vez, são ricos em ômega 3, importante para o equilíbrio das gorduras no sangue.
Outro elemento que deve ser introduzido na dieta é o azeite de oliva, que, quando usado em temperatura ambiente e doses moderadas, diminui o colesterol ruim e aumenta a gordura boa na circulação sanguínea.
2 – Perdoe e saiba lidar com o estresse e a ansiedade
O bom humor é essencial para viver com qualidade. Guardar rancor interfere diretamente na saúde, e, segundo estudos, situações de angústia podem mexer com as células. O estresse, a ansiedade e a raiva acumulada são capazes de levar à hipertensão, a problemas cardiovasculares, e prejudicar principalmente o sistema de defesa.
O estresse também contribui para a produção de radicais livres, que são como uma ferrugem nas veias e artérias e nos deixam mais suscetíveis a doenças.
3 – Meça a pressão sempre
Uma das bases do envelhecimento saudável é prevenir e tratar precocemente as doenças crônicas. Para isso, é importante saber como anda a sua saúde, o seu corpo, e se há algum sinal de perigo.
A indicação é um exame básico, tanto para homens quanto para mulheres, uma vez por ano a partir dos 50 anos. Nessa checagem, é preciso que você faça:
- Medição de pressão (para evitar a hipertensão)
- Medição do açúcar no sangue (para prevenir diabetes)
- Medição de colesterol (contra problemas cardiovasculares)
- Exames para câncer (mamografia, papanicolaou, toque retal, etc)
Além disso, é fundamental que você respeite a cartela de vacinação e fique atento principalmente às vacinas oferecidas à terceira idade, quando o sistema imunológico está mais fraco.
4 – Pratique exercícios regularmente
A atividade física frequente é uma condição para envelhecer bem. Uma boa medida é praticá-la 5 vezes por semana, por pelo menos meia hora.
A cada ano, perdemos cerca de 1% a 2% do nosso tônus muscular. Além de enfraquecerem, os músculos também se encurtam, e as atividades do dia a dia passam a ser mais trabalhosas. Nossa capacidade cardiovascular também diminui se estivermos em uma condição sedentária.
A dica dos médicos é estimular a capacidade cardiovascular com exercícios aeróbicos (que fazem suar) e fortalecer os músculos com musculação.
5 – Esteja no peso ideal
Engordar é aumentar as chances de desenvolver uma série de doenças crônicas. Ao chegar ao peso ideal, é fundamental que você o estabilize.
O ganho de peso está diretamente relacionado ao aumento da circunferência abdominal e, consequentemente, a uma maior resistência periférica à insulina, condição que prejudica o funcionamento do pâncreas e o controle de fabricação de energia.

Engordar também contribui para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pois o acúmulo de massa gorda aumenta a quantidade de colesterol ruim (LDL) no sangue. E a sobrecarga que a gordura impõe às articulações leva a problemas como artrose, que não mata, mas incapacita e reduz a qualidade de vida.

Marchezan Jr defende seu voto pela Lei da Intimidação

Resposta do Marchezan a um comentário no Face dele detalhando seu posicionamento no caso da votação das 10 Medidas Contra a Corrupção

Sobre o projeto das “10 Medidas contra a Corrupção”, eu li as manifestações de vocês no Facebook, no twitter, por emails, whatsapp e telefone. E por respeito a cada um de vocês e por respeito ao compromisso com o interesse público devo essa manifestação.

Quando surgiu o projeto das 10 medidas (o original), fui para as ruas do RS coletar assinatura (http://bit.ly/2fNMcJS). Foram mais de 2 milhões de assinaturas de brasileiros apoiando o projeto. Eu

acreditei que elas se tornariam medidas efetivas. Mas o projeto ficou ruim, o relatório ficou ruim e o resultado ficou ruim.

Eu poderia estar cuidando da transição de governo em Porto Alegre e, com essa desculpa, poderia não ter ido votar. Mas essa não é minha prática. Não opto pela covardia. Fui votar e, dentro do que foi colocado em pauta, votei pelo interesse público e pelo que é tecnicamente correto.

Acontece que a imprensa trata de forma leviana o projeto. Os políticos o tratam de forma demagógica e oportunista. E as corporações se deleitam com a falta de senso crítico para perceber isso tudo.

O projeto “10 Medidas Contra a Corrupção”, pelo nome já mostra que tem quê publicitário. É um projeto que pensa muito mais em interesses corporativos do que no interesse público.

Além disso, a votação ocorreu em um momento inadequado. Defendi que não fossem votadas as medidas no dia 29 de novembro. Mas a decisão de votar se deu, em muito, pela enorme pressão da imprensa.

O discurso era combater a corrupção! Mas apenas na política. Como se políticos como Sarney, Maluf, Renan e tantos outros não estivessem onde estão justamente por haver corrupção em outros Poderes. Pergunto: o que acontece quando juízes deixam de cumprir seu dever e passam a mão na cabeça de figuras como essas?

Outra dúvida: o que deve acontecer quando 45 juízes processam um grupo de jornalistas (http://bit.ly/29rU2Xs) pelo simples fato de terem divulgado uma informação que é PÚBLICA? Não é censura? Não é contra a liberdade de expressão? (http://bit.ly/2gPpdv5) Isso é agir em benefício próprio, é usar a estrutura pública para defender interesses privados.

Mais uma pergunta: o que se faz com uma juíza quando ele deixa uma menor presa em uma cela com homens (http://glo.bo/2dP8jQb)? A resposta é: suspende, mas garante a ela um salário integral. É justo? É correto? É moral?

Há avanços no projeto? Sim. A criminalização do CAIXA 2 é um avanço. Mas não podemos criminalizar esta prática APENAS na política. O CAIXA 2 deve ser criminalizado no Judiciário, no meio empresarial e em todos os lugares onde aconteça.

Quando o promotor Deltan Dallagnol - que faz um excelente trabalho na Lava-Jato ao lado da Polícia Federal e do Judiciário - ameaça renunciar, ele vai renunciar ao cargo de promotor (e ao salário inconstitucional que recebe) ou vai prevaricar (http://bit.ly/2ggfsF5) e deixar de cumprir suas funções como servidor?

Dallagnol está sofrendo uma enorme pressão do Sindicato de Juízes e Promotores. Por quê? Porque eles não querem ser responsabilizados por seus atos, como ocorre com cada brasileiro e como deve ser. Ninguém está acima de lei!

O juiz Sergio Moro - que também age de forma exemplar no combate à corrupção - enfrentou as corporações e disse que o conteúdo do PL que tramita no Senado precisa de apenas uma mudança (http://bit.ly/2gTS4xc).

Ao longo de 10 anos de atuação parlamentar na Assembleia Legislativa (http://bit.ly/2gHe2UN) e na Câmara dos Deputados (http://bit.ly/2fZELgS), jamais votei da forma mais fácil, mais demagoga, sem conhecer o conteúdo, para agradar corporações.

Sempre votei e trabalhei pelo combate à corrupção com fundamentos e análises técnicas, e sempre pelo interesse público.

Tenho plena convicção do que fiz e lamento muito o momento que o país vive. A população está sendo, mais uma vez, iludida e perdendo uma grande oportunidade de mudar o Brasil para melhor de verdade.

Mais uma vez digo: não existe meia-justiça; não existe meia-corrupção. Nossas leis para combater a corrupção são suficientes e prova disso é o sucesso da Lava-Jato (http://bit.ly/2gtZU3w). Se todos os juízes fossem “Sergio Moros”, a corrupção não estaria no patamar que está hoje. Já disse isso (http://bit.ly/2gHk8EK).

Minha posição não foi para proteger nenhum corrupto. Entendo que todos devem responder pelos seus atos. Isso inclui políticos, juízes ou promotores que, se forem corruptos, devem ser punidos de acordo com as leis. Assim como é com a dona Maria e com o seu João.

Votei a favor do projeto.
Votei pela responsabilização em função do abuso de autoridade e da responsabilização de magistrados e membros do Ministério Público.
Votei pela tipificação do enriquecimento ilícito.
Votei pela responsabilização de dirigentes partidários em função da desaprovação de contas e de atos ilícitos atribuídos aos partidos políticos.
Votei pelo não-condicionamento da progressão de regime de cumprimento de pena, livramento condicional, concessão de indulto e conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos em caso de ressarcimento dos danos causados.
Votei contra o abrandamento das regras de prescrição dos crimes.
Votei pelo acréscimo de dispositivos ao Estatuto da Advocacia, direitos e prerrogativas dos advogados, para que não haja proteção a criminosos com a ocultação ou retardamento a acesso a dados processuais.
Votei pelo enquadramento como crime hediondo o crime que causar prejuízos de mais de 10 mil salários-mínimos a administração pública.


Desafio alguém a achar uma única votação ou manifestação minha a favor de qualquer anistia, leniência ou abrandamento contra a corrupção. Votei pelo que é certo (http://bit.ly/2fSAet). Pelo que é do interesse público. Assim como votei pelo impeachment de Dilma Rousseff, pela cassação de Eduardo Cunha e tudo o mais. Votei honrando minha biografia e, mais uma vez digo, a favor do interesse público.

André Luís Callegari: obrigado, Colômbia

André Luís Callegari: obrigado, Colômbia
Advogado


O desastre aéreo que vitimou os jogadores da Chapecoense, juntamente com todos os que os acompanhavam, demonstrou para o mundo a maior prova de solidariedade e carinho que um povo pode dar.

As rivalidades do futebol foram deixadas de lado. O que importou para os colombianos foi, em primeiro lugar, pensar na dor e no sofrimento alheio. A cidade de Medellín se converteu numa cadeia de união e força que transmitiu uma energia jamais vista.

Desde a notícia do desastre aéreo, o que se viu foi um povo que, antes de pensar em si mesmo, pensou na dor dos outros, no sofrimento de famílias e de outra nação, pouco importando o que significa um título, pois, acima dele, estavam vidas humanas. Vidas essas que mexiam com o coração de uma cidade, que uniam os moradores de Chapecó numa cor só: o verde da esperança e da alegria da Chapecoense.

Que povo bonito, o da Colômbia. Se olharmos o exemplo de profissionais envolvidos e de toda a população, veremos que há valores muito acima de títulos. De todas as imagens que foram reproduzidas, via-se um povo envolto num manto de dor e solidariedade, querendo, de todas as formas, expressar o seu carinho para quem estava distante. Cânticos entoados num portunhol proclamando um time que não mais existe como campeão. Voluntários dispostos para prestar ajuda. Vimos uma união voltada para uma só direção: minimizar a dor de uma cidade dizimada pela dor e sofrimento.

À noite, para coroar a bondade humana, o povo de Medellín lotou o seu estádio onde seria o palco da decisão, demonstrando, mais uma vez, que a solidariedade não tem limites. As pessoas, que antes iriam para uma decisão, tomaram outra, decidiram emprestar toda a energia para aplaudir o adversário, que, de adversário, se transformou em amigo e que, dessa amizade, com certeza, nasceu uma relação de carinho para sempre.

Em momentos tão duros como esse, só podemos dizer ao povo colombiano: muito obrigado.

Saiba por que Renan continua presidente do Senado, apesar de réu por peculato

Que vexame, Toffoli!
03/12/2016 - 08h00
Ricardo Noblat

Renan Calheiros (PMDB-AL) só continua na presidência do Senado depois de ter virado réu por peculato porque o ministro Dias Toffoli, no último dia 3 de novembro, pediu vista de um processo onde seis de seus 10 colegas já haviam firmado o entendimento de que réu em ação penal não pode ficar na linha direta de sucessão do presidente da República.

Temer não tem vice. Por não ter, é sucedido em suas ausências pelo presidente da Câmara dos Deputados e, à falta dele, pelo presidente do Senado. Renan não poderia sucedê-lo, e por isso seria obrigado a se afastar da presidência do Senado, se Toffoli já tivesse devolvido o processo para que o Supremo concluísse o julgamento interrompido.

Não o fez. E cobrado, distribuiu duas notas oficiais. Na primeira, informou que, um mês depois de ter pedido vista, o relator do caso, o ministro Marco Aurélio Mello, ainda não tinha lhe encaminhado os autos do processo. Na segunda nota, que tem prazo regimental até o dia 21 para analisar os autos e formar sua opinião a respeito.

Somente depois disso, liberará o processo para que o julgamento possa prosseguir. Ocorre que o recesso de fim de ano da Justiça começa no dia 20 e irá até fevereiro. Quando ela voltar das férias, Renan não será mais presidente do Senado. Até lá, portanto, um réu por crime de peculato poderá suceder Temer.

Em suas duas notas, Toffoli não mencionou um detalhe que faria toda a diferença – em seu desfavor, é claro. O processo em questão, como os demais, está digitalizado. E qualquer ministro do Supremo pode acessá-lo quando quiser. Quem chamou a atenção para isso foi o ministro Marco Aurélio, que protestou com razão:

- Qual é a dificuldade? Jogar nas minhas costas é que não dá. Agora, não sei como se desloca fisicamente um processo que é eletrônico. Eu não posso é ficar com esse fardo.


O fardo de beneficiar Renan ficará com Toffoli.