O equipamento utilizado nas consultas por telemedicina do Hospital Moinhos de Vento passou a ter uma nova finalidade esta semana. Além de auxiliar em diagnósticos, recomendações e condutas, a tecnologia está permitindo a visita virtual de familiares a pacientes internados na UTI de isolamento – diminuindo a saudade de quem teve o contato físico suspenso em função do coronavírus.
A permanência da família ao lado dos pacientes é uma importante ferramenta para o tratamento. Por isso, o carrinho de telemedicina – que inclui, entre outras ferramentas, um monitor e uma câmera de vídeo de alta resolução – está sendo usado como interface entre quem está internado na UTI de isolamento e seu mundo afetivo. A família recebe, por e-mail ou SMS, um link para conexão que permite o contato direto. O equipamento é deslocado até o leito permitindo o contato visual entre o paciente e seus familiares.
Benefício para o tratamento
Idealizado pelo Hospital Moinhos de Vento, o projeto UTI Visitas foi implementado em hospitais de todo o Brasil. Por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS), a iniciativa comprovou que a permanência de familiares com pacientes de UTI representa benefícios importantes para os tratamentos. Além de criar um vínculo com a equipe, aumenta a segurança em relação ao atendimento e torna a experiência menos traumática.
Com o avanço da pandemia do coronavírus, no entanto, os hospitais tiveram que abrir mão desse importante aliado. “A visita é algo muito importante, e a telemedicina vai nos ajudar no contato com o paciente. Também poderemos apresentar a equipe à família, estando perto mesmo à distância”, destaca Daiana Barbosa, coordenadora de enfermagem do Centro de Terapia Intensiva Adulto do Hospital Moinhos de Vento.
A editora de livros Janine Mogendorff e a filha Elisa puderam fazer a primeira visita virtual no início da semana. Janine elogiou a iniciativa do hospital em proporcionar esse momento. “Achei ótima a experiência. Fiquei um pouco temerosa por conta da minha filha, mas foi bom colocar uma imagem para aquilo que até então era um pensamento. Às vezes, o pensamento é mais sinistro do que a própria realidade”, avaliou a esposa do paciente internado na UTI de isolamento.
Análise
Em termos de mercado acho que o que foi discutido, até seguido ai pelos principais ministros da fazenda pelo mundo afora e o Banco do Central também é que esse Lock Down temporário é um problema de crédito ou seja, tipo uma ponte, o mundo vinha caminhando, abriu um buraco na estrada, você tem que chegar do outro lado e essa ponte custa.
Alguém tem que emprestar ou construir ela para você, e ai os países desenvolvidos estão fazendo isso, então como os Estados Unidos sempre lidera, eles conseguiram aprovar lá 2 trilhões de dólares e, se fosse fazer uma regra de 3 simples, é mais ou menos quanto custa para ficar parado, parar o país inteiro, aproximadamente os 40 dias e ai o que vai acontecer é que o governo vai ficar mais endividado e ele banca esses 2 trilhões de dólares pra todo mundo ter ficado parado para ver o que acontecia com o vírus.
Aqui no Brasil não vai ser diferente, só que como a gente é um país subdesenvolvido, se a gente desse um passo desses antes do resto do mundo, naturalmente o mercado inteiro, vai que, o nosso endividamento explode e como a gente é tupiniquim ninguém confia muito em emprestar dinheiro pra gente neste momento, e o nosso juro ia pro beleléu e é por isso que a gente não fez antes, ficou aguardando.
Agora o Guedes viu que a coisa tá mais calma, vai botar pra rodar.
Então basicamente é aumento de dívida, se aumenta o endividamento dos países inteiros e bota o dinheiro na economia para circular.
Agora tem que ter um limite né, tem que ter um limite porque existe o máximo que o tesouro pode fazer.
E esse máximo não é infinito, então tem que fazer uma conta de ver por quanto tempo o pais pode ficar parado no máximo 20, 30, 40 enfim, quanto custo, e ai o governo assume essa dívida, bota pra rodar, credita nas pessoas, salva as empresas que tinham tido problema de desencaixe de caixa, principalmente empresas aéreas, shopping centers,hotéis,PE enfim, uma gama grande de empresas que acabou tendo um colapso até na geração de caixa. O governo banca e ai no dia seguinte tá todo mundo normal.
Agora o que não pode é ficar todo mundo trancado para sempre, isto é maluquice, tem que trancar quem tá na zona de risco, pessoas velhinhas, diabéticos, hipertensos, esse povo tem que tá preso.
Agora, eu conheço, acho que eu conheço todo mundo que tem corona vírus,entendeu.
O Mofredine que senta na minha frente tá com corona, o Gui Bueno que é um Gestor Master tava com corona.
André Freitas outro gestor tava com corona, a filha dele ta com corona, a menina que trabalha para mim voltou da Itália no mesmo voo com outro camarada da XP que pegou corona, foram os 2 primeiros aqui do Brasil.
E todo mundo super bem.
Esse cara que descobriu hoje o teste dele do corona, ele trabalha comigo e falou: Po Josias, to zero, só fui por descargo de consciência, acabou que a porcaria do teste deu positivo e agora to sendo tratado que nem um leproso aqui no prédio, mas eu to ótimo.
Então é um negócio que afeta exclusivamente pessoas idosas que já tem problemas de saúde, não da pra trancar o mundo inteiro por conta disso. Só que a discussão ta evoluindo, no começo o pessoal tomou muito susto, os gestores de política pública acabaram tomando decisões mais drásticas e agora eles estão revisitando isso.
Eu acho que gradativamente e ai o Trump meio que daquele jeito maluco dele, começou botar um pouco de conta no jogo, gradativamente os países vão começar fazer isto. Agora o país que é muito idoso, tipo, Itália, Espanha é treta mesmo.
Daí o bicho pega e pega pra valer, não é o nosso caso.
Nossa população é muito jovem, então você pode soltar bastante gente pra rodar.
Enfim, eu acho que isso vai começar a sentar, no tempo que ficar parado o governo vai ter que bancar e ai chegamos do outro lado.
Vai seguir vida normal, vai ter alguma sequela, mas a economia depois começa a recuperar e eu discordo muito de gente que diz que o impacto é estrutural como foi em 2008.
Bernard que é o cara que salvou o mundo em 2008, não acredita nisso, ele pontuou várias diferenças.
O Eudosch que é um gestor famosíssimo também apontou várias diferenças, eles acham que o efeito é muito mais parecido com uma nevasca que paralisou, em vez de paralisar só Nova York ou Boston acabou paralisando o mundo inteiro do que necessariamente uma ruptura do sistema financeiro que é o que aconteceu naquela época, então, lá tava em cheque todo sistema bancário, corrida aos bancos e aquela loucura toda.
Não tem nada disso acontecendo.
Aqui simplesmente é um problema de quem que vai bancar a maquininha produtiva ter parado por x dias.
É simples assim, vai ficar uma sequela aqui no Brasil, nem todo mundo é bancarizado, vai ser difícil o governo botar o dinheiro na conta, vai ter uns desencaixizinhos ali que vai dar um pouco de dor de cabeça.
Mas eu acho que a gente sai e sai bem.
Agora os mercados entraram num pânico absurdo até quinta feira passada e de lá para cá já melhorou muito graças a Deus, estamos ai no 3º dia consecutivo de alta, hoje teve recorde de desemprego e pedido de desemprego nos Estados Unidos e as bolsas explodiram de subir ou seja, nesse momento o povo não está mais nem ai pro impacto imediato, todo mundo já tá conseguindo enxergar o desfecho da história e pro mercado financeiro que ta sempre olhando lá para frente é isso que importa, não importa o que tá agora.
Texto intgegral Luchese
A Santa Casa atende a população pobre que precisa de médicos e hospitalização para todos os tipos de doenças, a imensa maioria, e não só vírus chinês.
Depois que viralizou vídeo descontextualizado de entrevista que concedeu na TV Pampa, Porto Alegre, o renomado médico gaúcho Fernando Luchese gravou nova fala, muito mia socmpleta. Leia o texto degravado pelo jornalista Glauco Fonseca a pedido do editor: "Há poucos dias, circulou um vídeo editado de uma participação minha no programa da Rede Pampa, em que eu afirmava que a Santa Casa dispõe de 200 respiradores e 100 aparelhos de anestesia. Eu quero esclarecer um pouco melhor essa informação. Os números estão corretos, são exatamente esses os números, mas a edição foi incompleta por que, na realidade, eu afirmava que os respiradores - esses 200 - eles estão uso nos nossos mais de 150 leitos de UTI e em nossas 6 emergências em nossos 9 hospitais. Assim como os carros anestésicos eles propiciaram no ano passado – 2019 - a realização de 80 mil cirurgias no complexo da Santa Casa. Então todos esses equipamentos estão em uso e estão disponíveis (...) A Satna Casa decidiu destinar, do seu hospital Pavilhão Pereira Filho, que é o nosso hospital de pneumologia, onde trabalham pneumologistas reconhecidos no Brasil todo, 40 leitos para atendimento de casos de Covid podendo expandi-los para 80 se necessário. Para isso, nós lançamos uma campanha de captação de recursos para a criação de 80 leitos de UTI, com custo médio de R$ 210.000,00 por leito, o que permitirá vencer uma situação de grande expansão do Covid, o que rezamos para que não aconteça, mas estaremos prontos se acontecer. No Rio Grande, 70% dos atendimentos do SUS são realizados pelas 272 Santas Casas e hospitais filantrópicos em 220 municípios"
Depois que viralizou vídeo descontextualizado de entrevista que concedeu na TV Pampa, Porto Alegre, o renomado médico gaúcho Fernando Luchese gravou nova fala, muito mia socmpleta. Leia o texto degravado pelo jornalista Glauco Fonseca a pedido do editor: "Há poucos dias, circulou um vídeo editado de uma participação minha no programa da Rede Pampa, em que eu afirmava que a Santa Casa dispõe de 200 respiradores e 100 aparelhos de anestesia. Eu quero esclarecer um pouco melhor essa informação. Os números estão corretos, são exatamente esses os números, mas a edição foi incompleta por que, na realidade, eu afirmava que os respiradores - esses 200 - eles estão uso nos nossos mais de 150 leitos de UTI e em nossas 6 emergências em nossos 9 hospitais. Assim como os carros anestésicos eles propiciaram no ano passado – 2019 - a realização de 80 mil cirurgias no complexo da Santa Casa. Então todos esses equipamentos estão em uso e estão disponíveis (...) A Satna Casa decidiu destinar, do seu hospital Pavilhão Pereira Filho, que é o nosso hospital de pneumologia, onde trabalham pneumologistas reconhecidos no Brasil todo, 40 leitos para atendimento de casos de Covid podendo expandi-los para 80 se necessário. Para isso, nós lançamos uma campanha de captação de recursos para a criação de 80 leitos de UTI, com custo médio de R$ 210.000,00 por leito, o que permitirá vencer uma situação de grande expansão do Covid, o que rezamos para que não aconteça, mas estaremos prontos se acontecer. No Rio Grande, 70% dos atendimentos do SUS são realizados pelas 272 Santas Casas e hospitais filantrópicos em 220 municípios"
Ex-ministro avalia crise causada pelo coronavírus: "É preciso colocar dinheiro no caixa das pessoas e das empresas"
Ex-ministro avalia crise causada pelo coronavírus: "É preciso colocar dinheiro no caixa das pessoas e das empresas"
O repórter Leonardo Vieceli ouviu o ex-ministro do governo FHC, do qual foi derrubado depois que uma conversa sua vazou (uma conversa sobre privatizações, na qual o ministro tinha toda razão) Luiz Carlos Mendonça de Barros, que afirmou para o jornal Zero Hora, que publicou a entrevista neste final de semana, que governo Bolsonaro deve aumentar gastos para socorrer economia
Leia tudo:
O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros avalia que não resta outra saída ao governo Jair Bolsonaro a não ser intensificar medidas para garantir recursos a empresas e famílias durante a crise do coronavírus. Na entrevista a seguir, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também aponta diferenças e semelhanças do atual momento frente à turbulência financeira de 2008. Além de comandar o BNDES, Mendonça de Barros atuou nos anos 1990 como ministro das Comunicações na gestão Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Como o senhor descreve o atual momento da economia?
Tenho 50 anos de profissão e nunca passei por isso. É algo extraordinário. Já vi várias crises no Brasil e no Exterior, mas não com esta complexidade. Brinquei com meus netos ao dizer que esta é a primeira coisa que vivemos juntos pela primeira vez. O que acontecerá com a economia dependerá da situação da saúde. Tem gente que acha que o problema será passageiro, tem gente que acha que vai demorar mais.
As notícias são de que, na China, o cenário está se normalizando. O presidente chinês, Xi Jinping, passou por período de questionamento pela forma como o país lidou com a crise do coronavírus na fase inicial. O que acontece durante o problema é um colapso da economia, tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda. A crise na saúde é o que chamamos de cisne negro, ou seja, algo que ninguém esperava.
O atual tem alguma semelhança com a turbulência registrada em 2008?
A crise atual é nova em razão de sua origem. Mas tem alguns componentes parecidos com a de 2008. Um deles é o pânico no mercado financeiro.
Quais são as ações necessárias neste momento para amenizar as perdas na economia?
É preciso jogar dinheiro no sistema financeiro. O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) fez isso, o governo americano lançou um pacotaço, com dinheiro para todo mundo, para evitar a quebradeira de empresas. É assim. Tem de ser assim. É preciso colocar dinheiro no caixa das pessoas e das empresas. Se estiver certo, e espero estar, esta é uma crise de três, quatro meses. Se os governos agirem corretamente, vai passar.
Como o senhor avalia a atuação do governo Bolsonaro para atenuar os prejuízos na economia?
O Banco Central cuida do mercado financeiro, fez isso corretamente aqui no Brasil, diminuiu compulsórios, criou uma série de facilidades. Mas não resolve o problema. O Paulo Guedes (ministro da Economia) é um monetarista de Chicago, não aceita a análise keynesiana de jogar dinheiro para empresas e pessoas. O Banco Central tem de evitar a quebradeira de bancos, mas a política monetária não chega a empresas e pessoas agora.
Por quê?
A população sofre por falta de renda, e as empresas sentem falta de recursos. Tem de botar dinheiro nelas. É uma pena o que aconteceu com o BNDES. O erro é amarrar o banco deste jeito. O BNDES sempre foi importante em momentos assim.
Quais são as medidas adotadas no Exterior que poderiam servir de exemplo para o Brasil?
O país tem de olhar para o pacote da Inglaterra, que tem governo ultraconservador. Lá existe um programa muito radical, para dar dinheiro nas mãos das pessoas. O governo americano fechou um pacote de trilhões de dólares. Tem de pegar essas ideias e trazer para cá.
O repórter Leonardo Vieceli ouviu o ex-ministro do governo FHC, do qual foi derrubado depois que uma conversa sua vazou (uma conversa sobre privatizações, na qual o ministro tinha toda razão) Luiz Carlos Mendonça de Barros, que afirmou para o jornal Zero Hora, que publicou a entrevista neste final de semana, que governo Bolsonaro deve aumentar gastos para socorrer economia
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O economista Luiz Carlos Mendonça de Barros avalia que não resta outra saída ao governo Jair Bolsonaro a não ser intensificar medidas para garantir recursos a empresas e famílias durante a crise do coronavírus. Na entrevista a seguir, o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também aponta diferenças e semelhanças do atual momento frente à turbulência financeira de 2008. Além de comandar o BNDES, Mendonça de Barros atuou nos anos 1990 como ministro das Comunicações na gestão Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Como o senhor descreve o atual momento da economia?
Tenho 50 anos de profissão e nunca passei por isso. É algo extraordinário. Já vi várias crises no Brasil e no Exterior, mas não com esta complexidade. Brinquei com meus netos ao dizer que esta é a primeira coisa que vivemos juntos pela primeira vez. O que acontecerá com a economia dependerá da situação da saúde. Tem gente que acha que o problema será passageiro, tem gente que acha que vai demorar mais.
As notícias são de que, na China, o cenário está se normalizando. O presidente chinês, Xi Jinping, passou por período de questionamento pela forma como o país lidou com a crise do coronavírus na fase inicial. O que acontece durante o problema é um colapso da economia, tanto pelo lado da oferta quanto pelo lado da demanda. A crise na saúde é o que chamamos de cisne negro, ou seja, algo que ninguém esperava.
O atual tem alguma semelhança com a turbulência registrada em 2008?
A crise atual é nova em razão de sua origem. Mas tem alguns componentes parecidos com a de 2008. Um deles é o pânico no mercado financeiro.
Quais são as ações necessárias neste momento para amenizar as perdas na economia?
É preciso jogar dinheiro no sistema financeiro. O Fed (Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos) fez isso, o governo americano lançou um pacotaço, com dinheiro para todo mundo, para evitar a quebradeira de empresas. É assim. Tem de ser assim. É preciso colocar dinheiro no caixa das pessoas e das empresas. Se estiver certo, e espero estar, esta é uma crise de três, quatro meses. Se os governos agirem corretamente, vai passar.
Como o senhor avalia a atuação do governo Bolsonaro para atenuar os prejuízos na economia?
O Banco Central cuida do mercado financeiro, fez isso corretamente aqui no Brasil, diminuiu compulsórios, criou uma série de facilidades. Mas não resolve o problema. O Paulo Guedes (ministro da Economia) é um monetarista de Chicago, não aceita a análise keynesiana de jogar dinheiro para empresas e pessoas. O Banco Central tem de evitar a quebradeira de bancos, mas a política monetária não chega a empresas e pessoas agora.
Por quê?
A população sofre por falta de renda, e as empresas sentem falta de recursos. Tem de botar dinheiro nelas. É uma pena o que aconteceu com o BNDES. O erro é amarrar o banco deste jeito. O BNDES sempre foi importante em momentos assim.
Quais são as medidas adotadas no Exterior que poderiam servir de exemplo para o Brasil?
O país tem de olhar para o pacote da Inglaterra, que tem governo ultraconservador. Lá existe um programa muito radical, para dar dinheiro nas mãos das pessoas. O governo americano fechou um pacote de trilhões de dólares. Tem de pegar essas ideias e trazer para cá.
Arttigo - O tranco vem aí
O tranco vem aí. E ninguém poderá alegar surpresa
A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (@FGVDAPP) detectou uma novidade esta semana nas redes sociais: certa agregação de perfis que ela considera de esquerda e de centro. Vamos então aceitar para efeitos didáticos a classificação, pois aponta um movimento de razoável importância no público.
As ações do presidente da República para reagrupar e anabolizar a base mais próxima dele na guerra de opiniões da Covid-19 tiveram um custo: juntaram contra ele, pelo menos nas redes sociais, quem não se juntava há tempos para nada. Não existe mesmo almoço grátis, apesar de esse rearranjo na internet não ter até o momento maior implicação política.
O custo em imagem ainda precisa ser medido nas pesquisas, mas os dados digitais fazem deduzir que a base bolsonarista fiel continua preservada na essência. E duas coisas jogam a favor do presidente na correlação de forças: não há condições objetivas para protestos de rua em massa e tampouco o Congresso Nacional parece propenso a enveredar por um confronto aberto contra o Planalto.
Tirando os pontos fora da curva, por exemplo a suspensão dos contratos de trabalho sem contrapartida, a disposição no Legislativo é aprovar as medidas governamentais de combate às crises sanitária e econômica, aqui especialmente as de caráter anticíclico. Até porque de repente todos viraram keynesianos: economistas, empresários e jornalistas especializados.
E um Congresso que só pode reunir por teleconferência não chega a ser propriamente ameaça. Nesta condição, é pouco provável deputados e senadores colocarem para rodar qualquer coisa afastada do consenso. E se há um consenso nas duas Casas é não bater de frente com Jair Bolsonaro. Em vez de esticar a corda, dar corda para o presidente.
Nas últimas horas a sensação é de um movimento centrípeto governamental. Os ministros da Saúde e da Fazenda falaram à vontade no sábado para garantir que planos para a defesa contra o coronavírus estão aí e irão funcionar. Mostraram estar confiantes nas cadeiras. É pouco provável terem feito a aparição pública sem combinar com o chefe.
Mas nada servirá de escudo se duas coisas não funcionarem bem: se o dinheiro para empresas e trabalhadores não chegar na ponta e se o sistema de saúde não aguentar o tranco que vem aí nas próximas semanas. Os ministros responsáveis pelas duas áreas pareceram neste sábado confiantes de que os dois desafios serão equacionados.
Ninguém se engane. Ainda não saímos da etapa dos bate-bocas. Que têm hora para dividir o palco com os fatos duros. O tsunami vem aí. E o governo será julgado pelos resultados. Inclusive porque teve tempo de se preparar. O lockdown em Wuhan tem mais de dois meses, e a agudização na crise na Europa já vem há várias semanas. Ninguém poderá alegar surpresa.
Deu tempo suficiente para aprender com os erros dos outros. Vamos aguardar, e rezar, para termos aprendido.
*
Depois desta epidemia vai ficar muito difícil a vida de quem deseja enfraquecer o Sistema Único de Saúde. Se ele funcionar como prometem, e nada indica que não vá (tem um pouco de torcida nisso), estará aberta a estrada para atacar de vez o problema do subfinanciamento.
________________________________________
Alon Feuerwerker (+55 61 9 8161-9394)
alon.feuerwerker@fsb.com.br
A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (@FGVDAPP) detectou uma novidade esta semana nas redes sociais: certa agregação de perfis que ela considera de esquerda e de centro. Vamos então aceitar para efeitos didáticos a classificação, pois aponta um movimento de razoável importância no público.
As ações do presidente da República para reagrupar e anabolizar a base mais próxima dele na guerra de opiniões da Covid-19 tiveram um custo: juntaram contra ele, pelo menos nas redes sociais, quem não se juntava há tempos para nada. Não existe mesmo almoço grátis, apesar de esse rearranjo na internet não ter até o momento maior implicação política.
O custo em imagem ainda precisa ser medido nas pesquisas, mas os dados digitais fazem deduzir que a base bolsonarista fiel continua preservada na essência. E duas coisas jogam a favor do presidente na correlação de forças: não há condições objetivas para protestos de rua em massa e tampouco o Congresso Nacional parece propenso a enveredar por um confronto aberto contra o Planalto.
Tirando os pontos fora da curva, por exemplo a suspensão dos contratos de trabalho sem contrapartida, a disposição no Legislativo é aprovar as medidas governamentais de combate às crises sanitária e econômica, aqui especialmente as de caráter anticíclico. Até porque de repente todos viraram keynesianos: economistas, empresários e jornalistas especializados.
E um Congresso que só pode reunir por teleconferência não chega a ser propriamente ameaça. Nesta condição, é pouco provável deputados e senadores colocarem para rodar qualquer coisa afastada do consenso. E se há um consenso nas duas Casas é não bater de frente com Jair Bolsonaro. Em vez de esticar a corda, dar corda para o presidente.
Nas últimas horas a sensação é de um movimento centrípeto governamental. Os ministros da Saúde e da Fazenda falaram à vontade no sábado para garantir que planos para a defesa contra o coronavírus estão aí e irão funcionar. Mostraram estar confiantes nas cadeiras. É pouco provável terem feito a aparição pública sem combinar com o chefe.
Mas nada servirá de escudo se duas coisas não funcionarem bem: se o dinheiro para empresas e trabalhadores não chegar na ponta e se o sistema de saúde não aguentar o tranco que vem aí nas próximas semanas. Os ministros responsáveis pelas duas áreas pareceram neste sábado confiantes de que os dois desafios serão equacionados.
Ninguém se engane. Ainda não saímos da etapa dos bate-bocas. Que têm hora para dividir o palco com os fatos duros. O tsunami vem aí. E o governo será julgado pelos resultados. Inclusive porque teve tempo de se preparar. O lockdown em Wuhan tem mais de dois meses, e a agudização na crise na Europa já vem há várias semanas. Ninguém poderá alegar surpresa.
Deu tempo suficiente para aprender com os erros dos outros. Vamos aguardar, e rezar, para termos aprendido.
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Depois desta epidemia vai ficar muito difícil a vida de quem deseja enfraquecer o Sistema Único de Saúde. Se ele funcionar como prometem, e nada indica que não vá (tem um pouco de torcida nisso), estará aberta a estrada para atacar de vez o problema do subfinanciamento.
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Alon Feuerwerker (+55 61 9 8161-9394)
alon.feuerwerker@fsb.com.br
Medidas
- Serão zerados impostos sobre 67 produtos que previnem e combatem o Coronavírus.
- Presidente sugeriu e a Anvisa liberou que todas as farmácias de manipulação produzam álcool gel.
- Liberação de R$ 60 bilhões para a manutenção de empregos.
- Antecipação da primeira parcela do 13° para abril e a segunda para maio para aposentados e pensionistas do INSS.
- Ministério da Educação libera R$ 450 milhões para ajudar escolas na compra de itens de saúde como álcool gel e sabonete.
- Suspensão de visitas nos Presídios Federais.
- Substituição de aulas presenciais por aulas a distância.
- Restrição à entrada de estrangeiros por fronteiras do país. - Projeto de simplificação temporária de regras trabalhistas.
- Trabalhador e empregador poderão celebrar acordos individuais, respeitados os limites da Constituição.
- Auxílio emergencial de R$ 15 bilhões p/trabalhadores informais. - R$5bi p/pequenas e microempresas.
- Facilitação e renegociação de créditos.
- Desburocratização para importação de insumos e matéria-prima.
- Prorrogação do prazo de pagamento do FGTS, injetando R$ 30 bi na economia.
- Adiamento do pagamento do Simples Nacional, c/economia de R$ 22,2 bilhões p/pequenas e médias empresas. - Redução de 50% nas contribuições p/o Sistema S, beneficiando empregadores. - +5 mil médicos p/reforço no combate ao vírus.
- Instalação de mais 2 mil leitos no Brasil p/atendimento a pacientes.
- Distribuição de 30 mil kits para diagnóstico do Coronavírus.
- R$ 432 milhões para os estados. - Repasse de R$ 4,5 bilhões do fundo do DPVAT p/combate ao coronavírus.
- Suspensão da prova de vida por 120 dias, s/interrupção dos pagamentos -INSS.
- Antecipação do abono salarial p/junho, injetando R$12,8 bilhões na economia.
- Inclusão de mais 1 milhão de pessoas no Bolsa Família, com liberação de R$ 3,1 bilhões
- R$ 5 bilhões para pequenas e microempresas. - Criação do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos do Covid-19.
- Criação do Comitê de Especialistas Rede Vírus, p/promover pesquisas relacionadas ao coronavírus.
- Liberação de R$ 147 bilhões para reduzir os efeitos do coronavírus, sendo:
.R$83,4bi p/a população mais vulnerável;
.R$59,4bi p/manutenção de empregos;
R$5bi no combate à pandemia.
- Presidente sugeriu e a Anvisa liberou que todas as farmácias de manipulação produzam álcool gel.
- Liberação de R$ 60 bilhões para a manutenção de empregos.
- Antecipação da primeira parcela do 13° para abril e a segunda para maio para aposentados e pensionistas do INSS.
- Ministério da Educação libera R$ 450 milhões para ajudar escolas na compra de itens de saúde como álcool gel e sabonete.
- Suspensão de visitas nos Presídios Federais.
- Substituição de aulas presenciais por aulas a distância.
- Restrição à entrada de estrangeiros por fronteiras do país. - Projeto de simplificação temporária de regras trabalhistas.
- Trabalhador e empregador poderão celebrar acordos individuais, respeitados os limites da Constituição.
- Auxílio emergencial de R$ 15 bilhões p/trabalhadores informais. - R$5bi p/pequenas e microempresas.
- Facilitação e renegociação de créditos.
- Desburocratização para importação de insumos e matéria-prima.
- Prorrogação do prazo de pagamento do FGTS, injetando R$ 30 bi na economia.
- Adiamento do pagamento do Simples Nacional, c/economia de R$ 22,2 bilhões p/pequenas e médias empresas. - Redução de 50% nas contribuições p/o Sistema S, beneficiando empregadores. - +5 mil médicos p/reforço no combate ao vírus.
- Instalação de mais 2 mil leitos no Brasil p/atendimento a pacientes.
- Distribuição de 30 mil kits para diagnóstico do Coronavírus.
- R$ 432 milhões para os estados. - Repasse de R$ 4,5 bilhões do fundo do DPVAT p/combate ao coronavírus.
- Suspensão da prova de vida por 120 dias, s/interrupção dos pagamentos -INSS.
- Antecipação do abono salarial p/junho, injetando R$12,8 bilhões na economia.
- Inclusão de mais 1 milhão de pessoas no Bolsa Família, com liberação de R$ 3,1 bilhões
- R$ 5 bilhões para pequenas e microempresas. - Criação do Comitê de Crise para Supervisão e Monitoramento dos Impactos do Covid-19.
- Criação do Comitê de Especialistas Rede Vírus, p/promover pesquisas relacionadas ao coronavírus.
- Liberação de R$ 147 bilhões para reduzir os efeitos do coronavírus, sendo:
.R$83,4bi p/a população mais vulnerável;
.R$59,4bi p/manutenção de empregos;
R$5bi no combate à pandemia.
Não se sabe cura do vírus que acomete a política, diz Xico Graziano
Agricultores seguem trabalhando; Não se para de comer na crise
Estou na fazenda, longe desse vírus maldito. Já que era para ficar isolado do mundo, resolvi vir trabalhar na roça. Tem um problema: aqui a internet pega mal. Chega a dar angústia ficar desconectado a maior parte do dia, ainda mais em dias agitados como esses. Por outro lado, desligar-se da internet parece um calmante. Uma benção.
Faz falta, porém, como instrumento de trabalho. Isso é horrível. Existe uma sútil discriminação entre o campo e a cidade nessa matéria: a conexão desaparece quando se ruma para o interior agrário do país. Uma sacanagem do século 21 contra o agricultor.
Todos meus colegas, engenheiros agrônomos, foram se esconder na fazenda, sua ou de alguém, nesses dias tormentosos do coronavírus. Chega a ser um privilégio, curtir o isolamento social perto da um produção rural. Foi isso que, entre nós, combinamos: vamos superar essa crise trabalhando.
Colhendo soja ou cana-de-açúcar, plantando milho, vacinando bezerro, apartando gado, combatendo pragas, cortando erosão, cada um de nós na sua labuta.
A virtude do agricultor é a sorte do citadino: ninguém para de comer, seja a crise que for. Você corta a diversão, deixa de comprar roupa nova, diminui o consumo de muitas coisas. Mas da comida, não. E ela não vai faltar por conta dessa desgraça, que será momentânea.
Seria uma ilusão total achar que o agro não será prejudicado nessa crise global. Reflexos serão sentidos, variando em função do setor de produção. A floricultura, por exemplo, está arrasada. A olericultura está capenga devido à fraqueza de seus canais de comercialização, como os Ceasas.
Haverá sofrimento no agro. Empresas e pessoas passarão apertado. Muita cautela se exige. Mas vamos sair logo dessa enrascada. Prevejo que em 60 dias o acelerador do agro estará ligado novamente.
Nós, agricultores, sofremos com doenças repentinas nas lavouras e nas criações há séculos. Tristeza da laranja, ferrugem do café, aftosa no gado, bicudo no algodoeiro, vassoura-de-bruxa no cacau, sigatoka na bananeira: a cada vírus, ou inseto, ou fungo, ou bactéria que surge, nós nos acostumamos a acreditar na força do conhecimento científico. Sempre que disseram que iríamos soçobrar, vencemos a desgraça da doença agrícola porque contamos com a ajuda da tecnologia. E seguimos em frente, com produtividade crescente.
Tiramos da nossa história do agro a lição: os pesquisadores científicos, médicos extraordinários, descobrirão um remédio, uma vacina, um jeito de escapar dessa covid-19.
O que mais dói nessa crise é ver os governantes disputando quem é mais bacana. Uns bancam os inventores mágicos, outros se parecem abutres. Aqui distante, no suor da roça e no sossego do campo, eu diria: o pior vírus acomete a política.
Desse nós não sabemos a cura.
Estou na fazenda, longe desse vírus maldito. Já que era para ficar isolado do mundo, resolvi vir trabalhar na roça. Tem um problema: aqui a internet pega mal. Chega a dar angústia ficar desconectado a maior parte do dia, ainda mais em dias agitados como esses. Por outro lado, desligar-se da internet parece um calmante. Uma benção.
Faz falta, porém, como instrumento de trabalho. Isso é horrível. Existe uma sútil discriminação entre o campo e a cidade nessa matéria: a conexão desaparece quando se ruma para o interior agrário do país. Uma sacanagem do século 21 contra o agricultor.
Todos meus colegas, engenheiros agrônomos, foram se esconder na fazenda, sua ou de alguém, nesses dias tormentosos do coronavírus. Chega a ser um privilégio, curtir o isolamento social perto da um produção rural. Foi isso que, entre nós, combinamos: vamos superar essa crise trabalhando.
Colhendo soja ou cana-de-açúcar, plantando milho, vacinando bezerro, apartando gado, combatendo pragas, cortando erosão, cada um de nós na sua labuta.
A virtude do agricultor é a sorte do citadino: ninguém para de comer, seja a crise que for. Você corta a diversão, deixa de comprar roupa nova, diminui o consumo de muitas coisas. Mas da comida, não. E ela não vai faltar por conta dessa desgraça, que será momentânea.
Seria uma ilusão total achar que o agro não será prejudicado nessa crise global. Reflexos serão sentidos, variando em função do setor de produção. A floricultura, por exemplo, está arrasada. A olericultura está capenga devido à fraqueza de seus canais de comercialização, como os Ceasas.
Haverá sofrimento no agro. Empresas e pessoas passarão apertado. Muita cautela se exige. Mas vamos sair logo dessa enrascada. Prevejo que em 60 dias o acelerador do agro estará ligado novamente.
Nós, agricultores, sofremos com doenças repentinas nas lavouras e nas criações há séculos. Tristeza da laranja, ferrugem do café, aftosa no gado, bicudo no algodoeiro, vassoura-de-bruxa no cacau, sigatoka na bananeira: a cada vírus, ou inseto, ou fungo, ou bactéria que surge, nós nos acostumamos a acreditar na força do conhecimento científico. Sempre que disseram que iríamos soçobrar, vencemos a desgraça da doença agrícola porque contamos com a ajuda da tecnologia. E seguimos em frente, com produtividade crescente.
Tiramos da nossa história do agro a lição: os pesquisadores científicos, médicos extraordinários, descobrirão um remédio, uma vacina, um jeito de escapar dessa covid-19.
O que mais dói nessa crise é ver os governantes disputando quem é mais bacana. Uns bancam os inventores mágicos, outros se parecem abutres. Aqui distante, no suor da roça e no sossego do campo, eu diria: o pior vírus acomete a política.
Desse nós não sabemos a cura.
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