Artigo, Renato Sant'Ana - A cidade à mercê das vontades

Um idoso de 72 anos queixou-se ao vizinho cujo filho (de 16 anos) estava, como de hábito, chutando uma bola contra o portão de sua casa. Foi o suficiente para que filho, pai e mãe se juntassem a espancar o ancião.


O crime ocorreu na vila São Judas Tadeu, periferia de Porto Alegre. E nada tem de raro: é o tipo de coisa que acontece todo dia.


A violência é um "novo normal" que se impôs à capital gaúcha há mais de três décadas (e será diferente noutras capitais?).


Como chegamos a isso? Qual é a causa?


São múltiplas as causas, é óbvio. E qualquer simplificação, como fazem políticos populistas, só serve para mascarar o problema.


Mas há um fator básico, de per si, aliás, muito complexo: a crença na impunidade. Agressores não temem a lei, desdenham da polícia e agem na presunção de que não vão ter de arcar com as consequências de seus atos.


E o que é que suscita a crença na impunidade e o descrédito da lei?


Eis apenas alguns fatores causais: o movimento antipolícia, a farsa dos direitos humanos e seu discurso que credencia bandidos como "vítimas sociais", universidades que doutrinam mais do que ensinam e seus ex-alunos a ocuparem órgãos públicos que lidam com a violência.


Acaba que o Estado não cumpre a sua primeira e mais importante tarefa, que é coibir abusos e eliminar a lei do mais forte.


E quem fica mais desassistido, quem sofre mais senão os pobres? Sim, são eles, em cujo nome os demagogos e as demagogas populistas engendraram o caos social desta cidade. São os pobres os que mais padecem.


Mas a patifaria militante, jogando com as crenças do eleitor para ganhar adesão, vai negar a complexidade e falar que a causa é a pobreza.


Só que a pobreza não gera violência: a pobreza gera vulnerabilidade. E é a vulnerabilidade que, na omissão do Estado, desperta o comportamento abusivo (ou violento) que está latente em todos nós.


Tem mais. Ao contrário do discurso sociodesintegrador "desses e dessas" populistas, a conduta abusiva não tem a ver com ideologia, sexo, idade, cor da pele, religião nem com nacionalidade: a tendência ao abuso existe dentro de cada um, podendo estar neutralizada ou não.


Agora, como neutralizar as tendências violentas, fomentar o processo civilizatório e pacificar a sociedade, promovendo bem-estar social?


É a qualidade das instituições que determina se uma sociedade vai viver bem ou mal, em paz ou conflagrada, em equilíbrio ou em sofrimento.


Imaginemos: polícia eficaz (que respeita e é respeitada), Judiciário devotado ao "império da lei", escola de qualidade (que ensina em vez de conscientizar), educação da família vista como legítima para transmitir "valores". Como seria a cidade com essas instituições consolidadas?


E estará claro que tudo depende da vontade e da atitude de todos ou (vá lá!) da maioria? A cidade somos todos nós!


Veremos nas eleições municipais. Grande ou pequena, será uma chance de se influir no rumo da cidade, escolhendo entre votar num discurso sedutor e ilusório ou apoiar um candidato mais propenso a afirmar aqueles valores que levam ao equilíbrio social. Sejamos responsáveis!


Se a cidade somos todos nós e se cada um tem a microinfluência do voto, então quem vota negligentemente com os sentimentos, não com a razão, é sim, ao menos um pouco, responsável pela violência que infelicita a cidade - inclui-se, aí, o espancamento de idosos.


 


Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.


E-mail sentinela.rs@uol.com.br

Artigo, Mário Vargas Llosa - A possibilidade de escolha entre pobreza e prosperidade

No mundo globalizado atual, porém, sabe-se bem quais são as políticas que geram empregos e fortalecem economicamente um país e quais são as que o empobrecem.


Os casos antinômicos da Venezuela e da Alemanha podem servir de exemplo.


A situação da Venezuela é conhecida por todo mundo. Era um dos países mais ricos do planeta por ser, em síntese, um imenso lago de petróleo e outros minerais.


Não faz muitos anos, a Venezuela atraía uma imigração gigantesca, com trabalho de sobra para os imigrantes. E, apesar da corrupção e do descaramento de seus governos, o país progredia a passos de gigante.


Tudo isso foi usado para que o "comandante" Hugo Chaves, com seu "socialismo do século XXI", conquistasse o poder através de eleições provavelmente livres - que, depois, jamais voltariam a ser livres.


Hoje, a Venezuela morre de fome e se afoga na corrupção. E pelo menos cinco milhões de venezuelanos já deixaram o país para sobreviver, fugindo a pé com os filhos e poucas malas.


Está visto que o socialismo, do presente ou do passado, jamais garantiu prosperidade, mas apenas produziu miséria, seja a curto ou longo prazo.


Foi por isso que Rússia e China deixaram de ser socialistas para praticarem uma espécie de capitalismo de compadrio, no qual existe amplo espaço na vida econômica para a iniciativa privada e para a competição e, ao mesmo tempo, a mais estrita rigidez na esfera política: o velho sistema autoritário é mantido quase intacto.


Já a Alemanha é um país que prospera a cada dia e em todos os sentidos. Acabo de visitá-la e, como em visitas anteriores, ser surpreendido com o espetáculo de uma antiga Alemanha Oriental em plena efervescência, onde são ressuscitados os velhos palácios e construídos arranha-céus por toda parte, onde parece que ninguém morre de fome, a democracia funciona em todos os sentidos e a maioria dos cidadãos parece satisfeita com a própria sorte.


A coalizão que governa o país, ainda presidida por Angela Merkel, embora com disputas e divergências internas, parece firme. E as próximas eleições, apesar do coronavírus (que lá parece controlado), não deverão alterar este período de estabilidade e progresso que vive o país.


E o que fez Alemanha para estar como está? Ora, escolheu ser próspera, isto é, estimulou a empresa privada, a competição e a poupança, e fez que sua economia ocupasse novos espaços no mercado internacional. E seu desenvolvimento econômico, em alta por longos anos, permitiu-lhe ser bastante independente - decerto, o país mais rico da União Europeia -, muito embora, em matéria de energia, ainda dependa da Rússia, com quem mantém um preocupante tratado.


Fato é que, no tocante ao seu europeísmo, às suas políticas de migração e ao seu respeito pela legalidade, nada há a ser criticado. Há, isto sim, muito a ser imitado.


Será fácil seguir o modelo alemão? Não! E muitos países, embora querendo, não puderam seguir seus passos. Por quê? Basicamente, por causa da corrupção.


Sem dúvidas, esse é o caso da América Latina, entre cujos governos a corrupção está de tal modo arraigada - ministros e funcionários roubam tanto e o roubo é uma prática tão disseminada em quase todos os países -, que não é possível estabelecer uma economia de mercado que funcione verdadeiramente nem haver uma séria e genuína competição.


Para que o modelo do progresso funcione é preciso acabar com a corrupção, ou reduzi-la a patamares mínimos. Isso, porém, para muitos países, é simplesmente impossível.


Contudo, os países que o conseguiram, como Hong Kong (antes de voltar a ser parte da China) ou Singapura, Coreia do Sul e Taiwan, progrediram desmedidamente e acabaram com a fome e o desemprego. E a democracia começou a funcionar ali (no caso de Singapura, de modo mais limitado).


Entretanto, não é nada fácil a transição de uma economia sequestrada pela fraude, em que ministros, chefes militares e meros funcionários enchem os bolsos de modo ilegal. Necessita-se, em tal caso, de um apoio popular e jornalístico incessante, de um Poder Judiciário que atue em obediência às leis, e de governantes convictos e corajosos que acreditem no modelo e o coloquem em prática sem hesitações nem temores. Mas, acima de tudo, necessita-se de uma opinião pública que nele acredite firmemente e lhe dê respaldo.


Porém, nem tudo se desenvolve no campo econômico. Pelo contrário, uma economia próspera não basta para criar magicamente as condições em que todos vivam satisfeitos, o que só ocorre se, ao mesmo tempo, houver uma verdadeira igualdade de oportunidades, que, por sua vez, só é possível por meio de uma educação pública de altíssimo nível, que garanta, em cada geração, um ponto de partida uniforme.


Isso foi uma realidade na França, antes que em qualquer outro lugar. E o foi, também (podem ficar surpresos!), na Argentina desde o século passado, quando o modelo educativo criado às margens do Rio da Prata pelos herdeiros de Sarmiento despertava a admiração do mundo inteiro.


É curioso que, apesar das evidências, sejam cada dia mais intensos os ataques ao que o modelo exitoso representa. Esses ataques têm origem sobretudo em países que tentaram sem sucesso adotá-lo. E fracassaram por muitas razões, em especial por causa de um setor político populista e demagógico, que questiona o modelo por motivos pretensamente morais.


Agora bem, o maior obstáculo para que os países adotem o modelo que traz progresso é semântico: um problema de palavras. Sim, assumir o "capitalismo", requisito essencial, é simplesmente impossível para a maioria dos países, porque a esquerda em geral (e a esquerda comunista em particular, hoje minúscula) conseguiu criar, em torno da palavra - capitalismo - uma sensação de injustiça e desigualdade, de egoísmo e exploração, que a torna impronunciável. Ou, mais exatamente, conseguiu associá-la a um complexo de inferioridade que impede, àqueles que nela acreditam secretamente, de pronunciá-la e, menos ainda, de promovê-la.


Com frequência, é o caso dos próprios empresários, que se envergonham do que são e representam. Eis um dos grandes paradoxos de hoje: o nome do sistema que trouxe modernidade, prosperidade e, sobretudo, liberdade aos países mais desenvolvidos do mundo costuma ser impronunciável. No terceiro mundo, nenhum líder político que se preze vai ter o atrevimento de propor um modelo "capitalista" (palavra maldita!) a seus eleitores, até porque, provavelmente, acabará com muito poucos eleitores.


A esquerda criou essa confusão mental, que hoje impede, sobretudo entre os subdesenvolvidos, que seja aproveitada essa extraordinária possibilidade de tirar da pobreza com desenvolvimento dezenas, talvez centenas desses países, que, paralisados por um socialismo que promete trazer (por fim!) igualdade, solidariedade e boa renda a seus cidadãos, só conseguem afundar-se cada vez mais na corrupção e na miséria: é o que ocorre com a Venezuela neste momento.


Mas a alternativa de escolher entre pobreza ou riqueza permanece ali como possibilidade teórica. Na prática, porém, o socialismo segue triunfando sobre o capitalismo, ao menos no papel e nos discursos. Isso, porém, parece não importar ao capitalismo, que tem a sensação (a segurança) de que o futuro lhe pertence. Já o socialismo, cada vez mais pobre, contenta-se não com alcançar o progresso, mas com o triunfo de uma só palavra.

*Mario Vargas Llosa, escritor e ensaísta peruano, é prêmio Nobel de Literatura.

Publicado originalmente em El País S.L.

Tradução de Renato Sant'Ana

Nova joint venture da Taurus

 Taurus, uma das principais fabricantes de armas leves do mundo, e a Joalmi, importante empresa brasileira com mais de 30 anos de atuação no setor automotivo e com expertise em estamparia de alta complexidade, assinaram nesta quinta-feira (8) um acordo definitivo para criação de uma joint venture que permitirá a fabricação e comercialização de carregadores e outros componentes estampados de armas leves para o mercado nacional e internacional.


A tecnologia empregada na fabricação dos carregadores, além de ser considerada pela companhia estratégica, é fundamental para o perfeito funcionamento e segurança das armas. A parceria vai tornar a Taurus autossuficiente na produção de carregadores, mercado atualmente dominado por poucos fornecedores estrangeiros. Além disso, propicia uma forte redução de custo para as operações da companhia, com uma logística integrada e ágil, flexibilidade de volumes e agregará valor ao Centro de Tecnologia e Engenharia da Taurus.


A nova empresa de carregadores iniciará sua produção ainda neste ano de 2020 e, de acordo com o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, está totalmente alinhada com a estratégia global de tornar a unidade do Brasil a mais eficiente fábrica de armas no mercado mundial e um hub de distribuição de peças a todas unidades do grupo, para sustentar o eficiente e lucrativo modelo produtivo. Também promoverá a entrada da Taurus em um novo segmento de negócio, que é o mercado de reposição, atualmente não explorado pela companhia.


A demanda anual da Taurus é de aproximadamente 5 milhões de carregadores, considerando as fábricas do Brasil e dos Estados Unidos, sem contar outras empresas e o enorme e promissor mercado de reposição. A joint venture terá uma capacidade instalada de 7,4 milhões por ano até o final de 2022 e sua ampliação poderá ser antecipada, dependendo da atuação da empresa no mercado de reposição.


A joint venture terá capital acionário formado por ambas as empresas, na proporção 51% Taurus e 49% Joalmi, e tem como objetivo desenvolver tecnologia própria compatível com os mais altos padrões de qualidade do mercado para atender a demanda global da Taurus e também o mercado de reposição de carregadores no mundo inteiro.


Atualmente, a Joalmi Indústria Metalúrgica Ltda conta com uma moderna planta industrial de 26 mil m² localizada na cidade de Guarulhos, no Estado de São Paulo, e possui diversas certificações nacionais e internacionais de qualidade, além de equipe técnica altamente qualificada. A empresa é especialista em engenharia, tecnologia e desenvolvimento de peças estampadas em metais ferrosos e não ferrosos, em sua maioria relacionadas à sistemas de segurança automotiva e fabrica produtos aplicados em diversos modelos das principais montadoras brasileiras e internacionais, tais como: Jeep, Peugeot, Citroen, Chery, Hyundai, VW, Ford, Volvo e Renault.


A operação será iniciada no parque industrial da Joalmi, em Guarulhos (SP), com previsão de transferência em 2021 para o complexo industrial da Taurus, em São Leopoldo (RS).


"Esta parceria faz parte da estratégia da Taurus de crescimento e inovação, e foi possível devido a sinergia entre as duas empresas que possuem como característica fortes investimentos em desenvolvimento de novos produtos e tecnologias de ponta voltados para a segurança das pessoas. A celebração desse acordo foi mais um importante passo no processo de restruturação da Taurus, buscando novos patamares de rentabilidade sustentável, qualidade e melhora dos indicadores financeiros e operacionais", afirma Nuhs.


Essa é a segunda joint venture assinada pela Taurus este ano. Em janeiro, a empresa realizou parceria com o Jindal Group, um dos maiores conglomerados de negócios indiano e global, para fabricação e comercialização de armas no promissor mercado da Índia.

6400 cientistas querem liberdade para todos

 Segundo os signatários, os confinamentos produzem "efeitos devastadores" na saúde física e mental dos indivíduos e na saúde pública de curto e longo prazo.


"Manter essas medidas [de bloqueio] em vigor até que uma vacina esteja disponível causará danos irreparáveis, com os desprivilegiados desproporcionalmente prejudicados."


Entre os efeitos das restrições eles listam taxas de vacinação infantil mais baixas, piora nos desfechos de doenças cardiovasculares, queda em exames de câncer e deterioração da saúde mental.


Segundo os cientistas, esse impacto levará a um maior excesso de mortalidade nos próximos anos, com os mais pobres e mais jovens carregando o fardo mais pesado. "Manter os alunos fora da escola é uma grave injustiça", diz o texto.


Os pesquisadores dizem que o conhecimento sobre o novo coronavírus avançou, e hoje já se sabe que a vulnerabilidade à morte por Covid-19 "é mais de mil vezes maior em idosos e enfermos do que em jovens".


"Na verdade, para as crianças, Covid-19 é menos perigoso do que muitos outros danos, incluindo a gripe", afirma a petição.


Os autores defendem que acelerar a aquisição de imunidade na população reduz o risco de infecção para todos, incluindo os vulneráveis.


A chamada imunidade de rebanho é atingida quando a porcentagem de imunes é grande o suficiente para bloquear a transmissão.


Para o novo coronavírus, estima-se que ela esteja entre 60% e 70% da população, bem acima dos 10% que já contraíram o coronavírus até hoje, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).


Segundo os cientistas que assinam a carta, a vacina é uma forma de atingir a imunidade de rebanho, mas não é indispensável. "Nosso objetivo deve ser, portanto, minimizar a mortalidade e os danos sociais até atingirmos a imunidade coletiva."


Como a maioria da população não corre o risco de morrer se for infectada pelo novo coronavírus, essa parcela deve continuar suas vidas normalmente, argumentam os cientistas.


Complicações de longo prazo provocadas pela Covid-19 não são mencionadas pela carta, batizada de Declaração do Grande Barrington, em referência à cidade em que foi escrita, no estado de Massachusetts (EUA).


Os autores sugerem que escolas e universidades devem adotar ensino presencial e retomar atividades extracurriculares, como esportes.


"Os jovens adultos de baixo risco devem trabalhar normalmente, e não em casa. Restaurantes e lojas devem ficar abertos. Artes, música, jogos e outras atividades públicas devem ser retomadas", escrevem.


A proposta ressalta que a proteção dos vulneráveis deve ser a prioridade de saúde pública. Entre possíveis medidas eles citam garantir que funcionários de casas de repouso estejam imunes ao Sars-Cov-2 ou façam testes frequentes e que todos os visitantes sejam testados.


Um sistema de apoio deve ser organizado para fornecer alimentos, medicamentos e outros itens essenciais a idosos, para que eles não deixem suas casas.


Quando possível, idosos devem encontrar os membros da família ao ar livre, e não dentro de sua casa, sugerem os cientistas.


A carta diz também que todos, jovens ou idosos, devem adotar medidas como lavar as mãos e ficar em casa quando está doente, porque isso reduz o liminar necessário para propiciar a imunidade de rebanho.


Publicado em inglês, alemão, espanhol, português e sueco, ele é coassinado por professores e cientistas de dezenas de universidades do mundo, entre elas as britânicas de Londres, Cambridge, Leicester, Edimburgo, York e Glasgow (Reino Unido), Yale (EUA), de Mainz (Alemanha), Tel-Aviv (Israel), Canterbury e Auckland (Nova Zelândia), Queens (Canadá), Instituto Karolinska (Suécia) e o Instituto Estatístico da Ìndia, e já recebeu apoio de mais de 57 mil pessoas.


A carta surge num momento em que o número de novos casos de Covid-19 bate recordes e já começa a pressionar os sistemas de saúde. Na última semana, registrou-se 1 milhão de mortes desde o começo da pandemia.


Sob o impacto da segunda onda, governos de vários países europeus retomam restrições de mobilidade e estudam a possibilidade de reimpor confinamentos.


Um deles é o próprio Reino Unido, que pode retomar o confinamento no norte da Inglaterra ainda nesta semana. O governo britânico chegou a adotar a estratégia de imunidade de rebanho no começo da pandemia, mas a abandonou ao longo de março deste ano.


Pesquisa realizada nesta quarta-feira no país pelo instituto YouGov, porém, mostra que 56% são contra a estratégia de "proteção forçada" sugerida pelos cientistas, enquanto 32% se dizem a favor. Entre os idosos, 65% são contra.


A discussão sobre retomar a vida normal dos mais novos surge também no momento em que o governo brasileiro permitiu que escolas mantenham aulas remotas até o final de 2021.

Sem candidato próprio do PT, Maria do Rosário apoia a comunista Manuela D'Ávila

 O PT apoia, este ano, 173 candidaturas do PDT, 140 candidaturas do PSB, 45 candidaturas do PCdoB, 16 candidaturas do PSOL e 13 candidaturas da Rede, mas abriu mão do protagonismo na maior parte das cidades importantes e leva uma serra eleitoral onde apresentou nome próprio.

Uma das candidaturas apoiadas pelo PT é a da comunista Manuela D’Ávila (PCdoB) em Porto Alegre. A chapa conta com o petista Miguel Rossetto como vice e lidera as pesquisas de intenção de voto.

Nesta terça-feira, o colunista do jornal gaúcho Zero Hora, Daniel Scola, escreveu um artigo em que pergunta: “Onde está o PT na eleição de Porto Alegre?”. No texto, Scola diz que o partido de Lula “murchou”.

Pelas redes sociais, a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) respondeu de maneira categórica: “Onde está o PT na eleição de Poa? Ora, está na chapa q lidera as pesquisas com @ManuelaDavila e @MiguelSRossetto para vencer as eleições e construir qualidade de vida na cidade e no país. Ótima pergunta de @DanielScola pra gente registrar q agimos p/ cidade construindo a unidade”.

“As versões da mídia sobre o PT são contraditórias. Se PT ñ faz aliança dizem q o partido está isolado, se faz dizem q sumiu. Ñ conseguem deixar de observar como se move o PT e o motivo é simples: @LulaOficial e @Haddad_Fernando e o @ptbrasil são a maior força de oposição p/2022″, escreveu ainda a parlamentar gaúcha.

Segundo a última pesquisa Ibope sobre a corrida pela prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila, apoiada pelo PT, lidera e tem 10 pontos de vantagem com relação ao segundo colocado.


Saiba como foi o tratamento de Trump

 A agência alemã Deutshe Welle conta, hoje, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pôde receber medicamentos ainda não amplamente liberados durante sua rápida passagem por 1 hospital militar para o tratamento contra a covid-19. Entre eles estão, além do antiviral remdesivir, também o Regn-Cov2.

Leia toda a reportagem:

Segundo o médico de Trump, Scott Gottlieb, o presidente recebeu uma dose intravenosa de 8 gramas do medicamento. Trata-se de 1 coquetel de anticorpos desenvolvido pela empresa americana de biotecnologia Regeneron Pharmaceuticals.


COMO FUNCIONA O REGN-COV2?

O Regn-Cov2 é uma das várias drogas experimentais contra a covid-19 que usam os chamados anticorpos monoclonais – cópias sintéticas de anticorpos humanos formados por pacientes nos estágios iniciais da doença.


O medicamento é administrado por via intravenosa e num único tratamento. O coquetel experimental está em fase de testes e ainda não passou pela avaliação de outros cientistas. A Regeneron afirma, contudo, que a droga foi bem-sucedida até aqui quando usada em seres humanos.


O princípio ativo é uma combinação de 2 tipos de anticorpos: um fabricado pela empresa e outro oriundo de pacientes que se recuperaram da doença. Tal combinação, segundo a Regeneron, é vantajosa caso haja mutação do coronavírus.


Ao se ligarem aos chamados peplômeros (proteína spike) do Sars-Cov-2, os anticorpos atuam em conjunto, deformando a estrutura do vírus e, assim, limitando a capacidade dele de atacar as células humanas.


Os anticorpos, segundo a empresa, foram selecionados com base numa análise feita em camundongos geneticamente modificados. Ao final do experimento, os cientistas escolheram os dois anticorpos mais potentes e que não competiam entre si.


A Regeneron afirma que estudos pré-clínicos mostraram uma redução na quantidade de vírus nos pulmões de pacientes de covid-19 tratados com Regn-Cov2. Os maiores benefícios, porém, foram observados entre os pacientes que não haviam desenvolvido uma resposta imunológica eficaz por conta própria.


Ainda de acordo com a empresa farmacêutica, o tempo médio para alívio dos sintomas foi de 13 dias para o grupo de placebo, 8 dias para o grupo de alta dosagem e 6 dias para o grupo de baixa dosagem. Até o momento, 275 pacientes já teriam participado dos testes nos EUA.


A FDA (Food and Drug Administration), agência do governo dos EUA que regulamenta o uso de medicamentos no país, ainda não aprovou a utilização em massa do Regn-Cov2. Seu uso em casos de emergência, porém, foi autorizado antes mesmo de a revisão formal ser concluída.


O PROGNÓSTICO DE TRUMP

Embora ainda faltem dados sobre a nova droga, Anthony Fauci, conselheiro da Casa Branca, disse que ela se mostrou promissora. Nos testes conduzidos pela Regeneron, porém, a idade média dos participantes era de 44 anos. Trump, que é levemente obeso e tem 74 anos, enquadra-se na categoria de alto risco.


Além do Regn-Cov2 e do remdesivir, o tratamento do presidente dos EUA também consiste na administração de zinco, vitamina D, melatonina, aspirina e um remédio para azia.


Em junho, o governo dos EUA concedeu à Regeneron 1 contrato de fornecimento de 450 milhões de dólares para até 300 mil doses do tratamento de anticorpos.


No ano passado, um plano de tratamento triplo com anticorpos, desenvolvido pela Regeneron, se mostrou eficaz contra o vírus ebola.

Artigo, Fábio Jacques -Judas Iscariotes.

Sendo o Brasil um país majoritariamente cristão, cabe neste momento algumas elucubrações sobre algumas decisões de Jesus Cristo consideradas por muitos completamente erradas. Não estou me referindoa qualquer aspecto teológico, para não criar polêmica entre crentes, agnósticos ou ateus, e sim, simplesmente, lendo o que está escrito nos Evangelhos.

Jesus Cristo escolheu a dedo doze pessoas para serem seus apóstolos por meio dos quais, sob a liderança de Pedro, programou o estabelecimento de sua igreja.

Entre os doze escolhidos, estava a figurinha carimbada Judas Iscariotes, o famigerado traidor e símbolo eterno do suprassumo da traição.

Judas beijou Jesus no Horto das Oliveiras entregando-o aos soldados que o levaram para julgamento, condenação, tortura e crucificação. Vai escolher mal assim um assessor lá nos quintos do inferno.

Acontece que o principal fundamento da fé cristã é a ressureição de Cristo, ou como disse o tardio apóstolo Paulo de Tarso, cujo nome original era Saulo, igual ao do Saulo Ramos, lembram, “se Ele não ressuscitou é vã a nossa fé”.

Se não houvesse a ressurreição (estou apenas fazendo uma leitura dos livros do novo testamento sem qualquer juízo de valor), não existiria a Igreja Católica e nem as miríades de filhotinhas geradas pelos inúmeros cismas pelos quais passou esta entidade, e, como para ressuscitar é preciso anteriormente ter morrido, podemos, simplesmente por uma dedução lógica, concluir que sem Judas Iscariotes que o entregou para ser morto, não existiria o cristianismo.

Agora a pergunta crucial: Jesus errou quando escolheu o traidor Judas ou a escolha foi proposital em função de um objetivo maior?

Não consigo imaginar algum crente dizendo: Jesus me traiu ao escolher Judas e, portanto, deixo de segui-lo e apoiá-lo. Não conte mais comigo, Jesus.

Sem qualquer termo de comparação apegando-me apenas à similaridade dos fatos em si, por uma escolha que não agradou a grande parte de seus seguidores, Bolsonaro está sendo execrado como traidor.

O que sabemos sobre o futuro e sobre as verdadeiras razões pelas quais alguém como Bolsonaro escolhe Kassio Nunes para ministro do STF?

Me parece que muitos dos decepcionados seguidores do capitão teriam criticado Cristo e, feito todo o possível para impedir que Judas consumasse seu nefasto ato de traição. E, teriam abortado o cristianismo antes mesmo de sua concepção.

Como não tenho bola de cristal para vislumbrar todas as consequências da escolha de Kassio Nunes, posso vir a sofrer uma grande decepção ou constatar que a decisão foi a melhor para o momento. Já passei diversas vezes por isso, sendo a mais significativa, a escolha de Sérgio Moro, aplaudida por todos e hoje execrada por muitos.

Por hora, aplico a mim mesmo e a todos aqueles aos quais a carapuça possa ter servido, o dito do grande filósofo brasileiro Compadre Washington: 

“Sabe de nada, inocente”

Fabio Freitas Jacques. Engenheiro e consultor empresarial, Diretor da FJacques – Gestão através de Ideias Atratoras e autor do livro “Quando a empresa se torna azul – o poder das grandes ideias”.