Artigo, especial, Dagoberto Godoy - A mega operação contra o PCC e a PEC da Segurança

 A mega operação contra o PCC e a PEC da Segurança

A disputa por um troféu político

Dagoberto Lima Godoy

A recente megaoperação contra o PCC, envolvendo sofisticados esquemas de lavagem de dinheiro em instituições financeiras, tornou-se não apenas um feito policial, mas também um episódio de repercussão política e institucional. A disputa por quem ficará com os louros — se o governo de São Paulo, responsável pela coordenação da Polícia Militar, ou o Governo Federal, com o Ministério da Justiça, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal — ganhou contornos estratégicos em meio ao debate sobre a chamada PEC da Segurança.

Essa Proposta, patrocinada de forma insistente pelo ministro Lewandowski, pretende ampliar a centralização do controle sobre as forças policiais, subtraindo parte da autonomia hoje exercida pelos estados. Para os governadores, trata-se de um movimento que ameaça um dos últimos bastiões de poder real das administrações estaduais: a autoridade sobre suas polícias militares. 

Para observadores mais atentos, a PEC não é apenas uma questão administrativa, mas parte de um processo de corrosão do pacto federativo e de construção de uma hegemonia federal que, na prática, seria mais um passo no processo que vai transformando  o país num modelo de democracia apenas formal, consolidando um projeto de poder de viés autoritário.

Nesse contexto, o mérito da operação contra o PCC passa a ter peso político decisivo. Se prevalecer a versão de que foi a polícia paulista quem desbaratou o esquema, isso fortalecerá os argumentos contrários à PEC, como demonstração que os estados possuem capacidade técnica e operacional para enfrentar organizações criminosas de envergadura nacional sem a tutela da União. Por outro lado, se a primazia for atribuída ao Governo Federal — seja pela ação direta da PF, pelo protagonismo do MPF ou ainda pela narrativa de uma cooperação equilibrada —, o feito se converterá em capital político para o governo Lula, consolidando a tese de que somente a centralização poderá garantir eficácia no combate ao crime organizado.

O que está em jogo, portanto, transcende o episódio criminal. Trata-se de uma batalha simbólica e política sobre o desenho institucional da segurança pública no Brasil. A operação contra o PCC tornou-se um laboratório de poder: se a narrativa pender para os estados, a PEC encontrará resistência robusta; se pender para Brasília, abrir-se-á caminho para uma redefinição do equilíbrio federativo, com consequências de longo alcance.

Mais do que uma questão de mérito operacional, assiste-se à disputa por um troféu político que pode alterar os rumos da relação entre União e estados e, em última instância, o próprio formato da democracia brasileira.


Artigo, Gilberto Kasper - Escola, cena de crimes

Gilberto Jasper é jornalista.

- Este artigo está publicado no jornal A Gazeta, Lajeado.


“De ameaças a facadas, já são 1,5 mil casos de violência na escola em 2025 no Estado”. A manchete, estampada em jornais de ontem, revela o cenário dantesco em que se transformou um dos espaços que deveria ser sagrado, protegido e intocável.

Há uma série de motivos que transformaram a escola em um lugar insalubre, inseguro e perigoso. Quem pensa que as ocorrências policiais envolvendo professores, funcionários, alunos e pais/responsáveis são registradas em escolas públicas e bairros populares, está enganado.

A violência que grassa em todos os segmentos da vida não poupou o lugar onde se deveria aprender direitos, deveres, valores e princípios. O principal deles, sem dúvida, é o respeito ao professor. Ele é a figura que encarna – ou deveria encarnar – a autoridade materna e paterna.

Infelizmente a omissão de muitos pais e responsáveis é combustível para exacerbar o ambiente escolar. Falta participação daqueles que deveriam zelar pela formação dos filhos, através da participação efetiva na rotina, como conferir a agenda, atualizar-se do cotidiano, conhecer o nome dos melhores amigos e colegas.

A correria do dia a dia é desculpa surrada para terceirizar responsabilidades. As agressões sofridas por professores são inadmissíveis. Soa injusto comparar épocas, mas neste assunto considero relevante. Sou do tempo onde professores eram chamados por “senhor” e “senhora”, tratamento que usei a vida toda com meus pais.

A autoridade docente era inegociável. O respeito era premissa básica dentro da sala de aula e no pátio. Mesmo na adolescência, onde a revolta é marca registrada, sempre refreei meus instintos de “responder no ato” e esbravejar. Sabia que, ao chegar em casa, as consequências seriam desagradáveis para mim. Seria proibido de sair com os amigos, jogar futebol, ir ao cinema, ver tevê e seria obrigado a ficar confiado ao meu quarto.

Passamos de um extremo ao outro. Como dizia meu pai, o velho Giba “o bom senso nunca está nos extremos, está no equilíbrio”. À época de estudante – do primário, segundo grau e de “admissão ao ginásio”, era preciso conter a vontade de contestar o professor, a qualquer custo.

Hoje, época de liberdade plena e muitos direitos e poucos deveres, alunos se acham no direito de transgredir qualquer parâmetro de respeito, educação e hierarquia. Sem isso, o caos se instala, a violência vem a seguir e as ocorrências – inclusive fatais – não surpreendem.

Crimes cometidos dentro do ambiente escolar pareciam distantes de nós, promovidos por lunáticos mundo afora, longe da nossa realidade. Hoje, como mostram as manchetes e estatísticas, é a triste consequência de reiteradas omissões, comodismo e falta de responsabilidade.

Artigo, especial - O plano está em curso: quando o sistema escolhe, o eleitor vira platéia

A entrevista de Ciro Nogueira, longe de ser apenas uma análise ou desabafo, foi a oficialização de um roteiro já em movimento. Com tranquilidade cirúrgica, Ciro confirmou que a anistia de Jair Bolsonaro só será debatida após o julgamento. Não se trata de opinião, mas de alinhamento com o que Barroso já havia declarado. O Judiciário condena, o Congresso anistia, e o sistema respira. Não há conflito entre Poderes. Há sincronia. 

Esse é o primeiro alerta: a anistia, vendida como um gesto de pacificação, foi transformada em instrumento de disciplina. Ela não será negada, mas condicionada. A sua função, agora, é política. Serve para garantir que Bolsonaro esteja inelegível, derrotado juridicamente, antes que qualquer gesto de clemência se materialize. Uma maneira elegante de controlar o tempo, esvaziar a reação e administrar o dano. 

Mas é quando Ciro fala sobre a sucessão que a engrenagem se revela por completo. Ele afirma, sem hesitação, que seu candidato não é Bolsonaro, mas Tarcísio. E não fala como alguém que apenas expressa preferência pessoal. Fala como operador do sistema. O nome de Tarcísio aparece como resposta viável à crise fabricada. O governador é descrito como técnico, confiável, sem desgastes, apto a conduzir o país com estabilidade. Estabilidade para quem? 

É preciso entender o subtexto: a elite está redesenhando o jogo para manter o capital eleitoral do bolsonarismo, mas com outro condutor. Bolsonaro segue útil como vitrine, mas perde a centralidade. O foco da entrevista não é o combate à inelegibilidade, nem o clamor por justiça. É a tentativa de suavizar a substituição. A base que foi às ruas, que resistiu à censura, que sustentou o governo nos piores momentos, agora assiste a um processo em que não tem voz nem veto. 

E o silêncio em torno disso é ainda mais ruidoso. Nenhum membro da família Bolsonaro está na mesa de negociações. Nenhum nome com vínculo real com a militância foi convidado a opinar. O sistema organiza a transição como se fosse apenas uma atualização de software: muda-se a interface, preserva-se a função. Mas a política não é um programa meramente técnico. É vínculo, é sangue, é história. E é aí que o plano escorrega. 

Ao naturalizar a inelegibilidade de Bolsonaro e apresentar a anistia como um capítulo pós-julgamento, Ciro cumpre uma função estratégica: além de norma lizar a exclusão de Bolsonaro, ele ensaia a legitimação do substituto. Tenta con vencer que o caminho já está traçado, que o novo nome já foi aceito, que o jogo precisa apenas seguir. A base, nesse cenário, vira espectadora de um espetáculo montado nos bastidores. 

Mas há um detalhe que o roteiro não prevê: o público já entendeu que a peça está sendo encenada sem os protagonistas. E quando isso acontece, nem sempre o final sai como o autor imaginou

Julgamento de Bolsonaro

 A defesa de Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que nove advogados devem acompanhar a sessão de julgamento do ex-presidente e mais sete réus do núcleo 1 da suposta trama golpista a partir da próxima terça-feira.

O julgamento é político e os próprios julgadores da 1a. Turma, 5 ministros, já deixaram claro que todos serão condenados a duras penas.  Os julgadores são Alexandre de Moraes, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.Bolsonaro e os demais réus respondem pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Quem são os réus do núcleo 1:

Jair Bolsonaro - ex-presidente da República; 

Alexandre Ramagem - ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);

Almir Garnier - ex-comandante da Marinha;

Anderson Torres - ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal;

Augusto Heleno - ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional;

Paulo Sérgio Nogueira (general), ex-ministro da Defesa;

Walter Braga Netto - ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022.

Mauro Cid (tenente-coronel), ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Estrangeiros investem menos no Brasil. Conheça os números.

 O relatório mais recente do Banco Central e dados consolidados pela UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) confirmam uma notícia que caiu como bomba no mercado financeiro: o Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil despencou em 2025, acumulando apenas US$ 33,8 bilhões no primeiro semestre, queda de 10,7% em relação ao mesmo período de 2024.O IED é considerado o “dinheiro de longo prazo”, aquele que realmente transforma a economia. Diferente dos fluxos especulativos que entram e saem com rapidez, o investimento estrangeiro direto financia fábricas, infraestrutura, tecnologia, agronegócio e serviços. É o capital que gera empregos, renda e transferência de conhecimento. O Brasil vinha de um período de relativa estabilidade nesse indicador, atraindo entre US$ 60 e 70 bilhões anuais nos últimos anos. Mas em 2025, o ritmo caiu para patamares não vistos desde 2021, em plena pandemia.O México atraiu mais de US$ 36 bilhões no mesmo período, impulsionado pelo nearshoring, tendência de empresas americanas transferirem suas cadeias produtivas da Ásia para países próximos.A Índia bateu recordes ao receber mais de US$ 70 bilhões em 2025, consolidando-se como destino preferencial para tecnologia, energia limpa e manufatura.

As razões têm a ver com o incompetente governo atual: cenário fiscal incerto com dívida pública projetada para 84% do PIB até 2028,  aumento de impostos, insegurança jurídica, instabilidade política e restrições de acesso das exportações brasileiras para o principal mercado consumidor do mundo, os Estados Unidos.

O cenário futuro é de menos fábricas, menos investimentos em energia, menos empregos qualificados, ou seja, baixo crescimento, atraso tecnológico e de crescimento econômico.

Navegar é preciso

Vale a pena examinar o cenário de quatro pesquisas de institutos diferentes, todas relacionadas com a disputa de 1o turno para as eleições presidenciais do ano que vem.

Um dos nomes na disputa, Bolsonaro, neste momento, está inelegível e até está preso, garroteado por grilhões eletrônicos nos tornozelos, impedido de dar entrevistas, usar celular e redes sociais, custodiado por contingentes armadas no entorno da própria residência e prestes a ser condenado no julgamento que começará dia 2, daqui a alguns dias, no qual já se sabe que será condenado a até 40 anos de cadeia e encarcerado na PF de Brasília ou na Papuda.

Os jornais insinuam que Moraes quer Bolsonaro na prisão comum da Papuda.

Se for para lá, poderá ser assassinado.

Outros prisioneiros políticos da Papuda resultaram assassinados.

Pelo andar da carruagem, dá para apostar que Bolsonaro estará nas eleições do ano que vem, que elas serão limpas e que ele derrotará Lula ou qualquer outro candidato.

Já expliquei para vocês por que acredito nisto.

São razões políticas de ordem interna e externa, até mais de ordem externa do que de ordem interna.

Vejamos as 4 pesquisas, 1o turno, por cada instituto:

Atlas/Intel, de hoje - Bolsonaro 45,4% e Lula 44,6%

Paraná Pesquisas - Bolsonaro, 37,6% e Lula 34,8%

Futura Inteligência - Bolsonaro 37.6% e Lula 34,1%

Genial Quaest - Lula, 34% e Bolsonaro, 28%.

Só quem destoa completamente dos números é a Genial Quaest.

Vale lembrar que o instituto de pesquisa é a Quaest e que o Genial que vai junto do nome refere-se ao Banco Genial. Ora, o Banco Genial é uma das instituições financeiras objeto de buscas e apreensões, investigada por suposta lavagem de dinheiro dos criminosos do PCC.

Quem quiser saber mais sobre as fraudes bilionárias de financeiras da Faria Lima e seu envolvimento com o PCC, pode acompanhar tudo no meu blog www.polibiobraga.com.br

Assim,  segue o jogo e enquanto a partida não terminar, ele não terminou.

Ou como dizia o poeta português Fernando Pessoa:

- Navegar é preciso.


PCC e Faria Lima

Para a operação contra o crime organizado no setor de combustíveis, Ministério Público de São Paulo, Ministério Público Federal, Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo mobilizaram 1.400 agentes.

A informação é do site O Antagonista, de quem é todo este texto.

Segundo a Receita Federal, o PCC utilizava fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro e ocultar patrimônio. Ao todo, 42 alvos foram localizados em cinco endereços na avenida Faria Lima, em São Paulo. Pelo menos 40 fundos de investimento (multimercado e imobiliários) eram controlados pelo Primeiro Comando da Capital. Mais de 1 bilhão de reais em bens foram bloqueados.

Localizada a 313 quilômetros de São Paulo, a cidade de Ribeirão Preto foi apontada como o núcleo financeiro do esquema criminoso. Só em Ribeirão, foram cumpridos 23 mandados.

As investigações apontam que os fundos de investimento teriam financiado a compra de um terminal portuário, quatro usinas de álcool e 1.600 caminhões para transporte de combustíveis, além de mais de 100 imóveis.Com o dinheiro dos fundos, foram adquiridas seis fazendas no interior de São Paulo avaliadas em 31 milhões de reais e uma residência em Trancoso, na Bahia, por 13 milhões de reais.