Mérito Farroupilha

Abaixo segue uma lista com os agraciados nesta legislatura e os proponentes:


VALDEMIRO SANTIAGO DE OLIVEIRA / DEP. MISSIONÁRIO VOLNEI
ENRIQUE RICARDO LEWANDOWSKI / PRES. DEP. EDSON BRUM
GILBERTO ORIVALDO CHIERICE/ DEP. MARLON SANTOS
ELISEU LEMOS PADILHA / DEP. GABRIEL SOUZA
ALCEU DE DEU COLLARES / DEP.CIRO SIMONI
LEONIR ÂNGELO BALESTRERI / PRES. DEP. EDSON BRUM
DILAN CAMARGO / PRES. DEP EDSON BRUM
CAHO LOPES / DEP. PEDRO PEREIRA
EDUARDO DE LIMA VEIGA / DEP. FREDERICO ANTUNES
CARLOS ROBERTO LUPI / DEP. JULIANA BRIZOLA
DOM GÍLIO FELÍCIO / PRES. DEP. EDSON BRUM
MARIA DA PENHA MAIA FERNANDES / DEP. STELA FARIAS
PEDRO JOSÉ SCHWENGBER / DEP. GILMAR SOSSELLA
ARILDO BENNECH OLIVEIRA / PRES.DEP. SILVANA COVATTI
ROMILDO RIBEIRO SOARES / DEP. LIZIANE BAYER
NEREU ALBERTO TRAMONTINA / DEP. ALEXANDRE POSTAL
MARCELO PASQUALOTO CANELLAS / DEP. VALDECI OLIVEIRA
RINALDO DAL PIZZOL / DEP. SÉRGIO TURRA
ANTONIO VIVALDINO BONOTTO / DEP. BOMBEIRO BIANCHINI
JOÃO MONTEIRO DE BARROS FILHO / DEP. EDSON BRUM
SIMONE REGINA DIEFENTHALER LEITE / DEP. JORGE POZZOBOM
PAULO PAIM / DEP. NELSINHO METALÚRGICO
LUCIANO PALMA DE AZEVEDO/ DEP. JULIANO ROSO
ALEXANDRE GRENDENE BARTELLE / DEP. REGINA BECKER FORTUNATI
LUIZ EDUARDO BATALHA / DEP. LUIZ FERNANDO SCHMITD
JOSÉ AQUINO FLÔRES DE CAMARGO / DEP. RONALDO SANTINI
SADY JOSÉ ACADROLLI / PRES. DEP. SILVANA COVATTI
NELCI AFONSO BAKOF/ PRES.DEP. SILVANA COVATTI
JEAN WYLLYS DE MATOS SANTOS / DEP. MANUELA D'ÁVILA

ESTES ULTIMOS TRêS FORAM INDICADOS, MAS AINDA NÃO RECEBERAM A HONRARIA:


SÉRGIO FERNANDO MORO / DEP. MARCEL VAN HATTEM
MIGUEL ARRAES DE ALENCAR IN MEMORIAM / DEP. CATARINA PALADINI
PRESIDENTE DA BOLIVIA, EVO MORALES / DEP. EDEGAR PRETTO

José Casado: Compram-se leis e governos

José Casado: Compram-se leis e governos

Marcelo Odebrecht pagou R$ 50 milhões pelo ‘Refis da Crise’, obra de Lula. Quatro anos depois, repassou a propina à campanha da chapa Dilma-Teme

Publicado no Globo

Na manhã de segunda-feira 31 de março de 2014, o empresário Marcelo Odebrecht recebeu uma planilha financeira organizada por Hilberto da Silva, chefe do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira.

Calvo, dono de um sorriso que lhe repuxa o olho direito, Hilberto era o terceiro a comandar um dos mais antigos núcleos operacionais da construtora, o de pagamento de propinas. Norberto, fundador e avô de Marcelo, tivera a assessoria de Benedito da Luz. Emílio, o pai, nomeara Antonio Ferreira. Marcelo, o herdeiro, assumiu em 2006, escolheu Hilberto e pôs a unidade no organograma do grupo, disfarçada como “Operações Estruturadas”. Conferiu a planilha: restavam R$ 50 milhões na conta, desde 2010. Só ele sabia a origem e o destino daquele dinheiro. Depois de quatro anos adormecido no caixa paralelo, chegara a hora de repassá-lo à campanha de reeleição da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer.

“O que eu acho que contamina a campanha de 2014 é esse dinheiro do Refis”, ele disse em depoimento no Tribunal Superior Eleitoral, no último 1º de março. “Esse, sim, foi uma contrapartida específica”, acrescentou.

Por trás da propina de R$ 50 milhões à campanha Dilma-Temer, segundo Marcelo, está a história da compra de uma medida provisória (nº 470, ou “Refis da Crise”) no fim do governo Lula.

Era 2009. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, negociava com empresas devedoras da Receita e da Previdência Social. “Eu sei que, no meio dessa discussão de 2009, aí, sim, nesse caso específico, o Guido me fez uma solicitação, de que tinha uma expectativa de 50 milhões para a campanha de 2010 dela, tá?” — relatou Marcelo, em juízo. “Foi o único pedido, digamos assim, de contrapartida específica que o Guido me fez, no contexto de uma negociação, tá?” A MP chegou ao Congresso com 61 artigos. De lá saiu com 140. O juiz quis saber se a expectativa fora atendida já na medida provisória ou, depois, no Congresso. Marcelo
explicou: “As coisas nunca são atendidas prontamente. Na verdade, uma parte se consegue via governo. Depois você tenta incluir algumas emendas, aí, a Fazenda acaba vetando algumas, então, é o que se consegue. A gente conseguiu algo que era pelo menos razoável para a gente”. Lula sancionou o “Refis da Crise” em janeiro de 2010. Reduziu em até 75% nas dívidas acumuladas com a Receita e o INSS, deu 15 anos para pagamento do saldo e anistiou as multas. Premiou os devedores, tradicionais financiadores de campanhas. Puniu quem pagava em dia seus tributos.

A “contrapartida específica” de R$ 50 milhões não foi usada na eleição de 2010. Ficou na “conta-corrente do governo” — definições do próprio Marcelo —, no setor de propinas. Em março de 2014, quando acabava o mensalão, e começava a Lava Jato, ele resolveu aumentar a aposta: aos R$ 50 milhões pelo “Refis da Crise”, acrescentou R$ 100 milhões.
Megalômano, passou a se achar “o inventor” da reeleição de Dilma-Temer, como disse em juízo.


Habituara-se a comprar leis e governantes, transferindo os custos aos contratos da Odebrecht com o setor público — os brasileiros pagaram várias vezes a mesma conta. Até hoje, ninguém se preocupou em construir mecanismos institucionais para impedir a captura do Executivo e do Legislativo pela iniciativa privada, como Marcelo e outros fizeram.

Artigo, Tuito Guarniere - O PT é mais igual do que os outros

TITO GUARNIERE
O PT É MAIS IGUAL DO QUE OS OUTROS
O patriarca da empreiteira Odebrecht, Emilio Odebrecht, em depoimento ao TSE, se referiu ao ex-ministro de Lula e Dilma, Antônio Palocci, como o “nosso Palocci”. Nada mais revelador. A expressão diz muito de como a Odebrecht via o governo e os seus interlocutores. “Nosso”, no caso, designava posse e propriedade.
As delações da Odebrecht demoliram a única narrativa que restou ao PT, de que os partidos são todos iguais na prática da corrupção. Ao dizer que são iguais, há uma certa modéstia do PT – e a modéstia nunca foi uma virtude petista. O PT é mais igual do que os outros. No quesito corrupção o partido é hors-concours, imbatível nos métodos, no tempo de serviço, no envolvimento direto dos seus maiores líderes, e sobretudo na escala industrial, no ritmo alucinante das bandalheiras.
Nos outros partidos os atos de corrupção são crimes de CPF, de pessoas físicas, cometidos na esfera individual. No PT os recursos da corrupção eram movimentados por dentro da estrutura partidária. A corrupção é da cultura partidária e da alçada da diretoria. É corrupção de pessoa jurídica, com registro e CNPJ. As delações da Odebrecht comprometem todo o alto comissariado do PT, como ex-presidentes (Lula e Dilma), ex-ministros da Fazenda (Palocci e Mantega).
A prova cabal de que no PT a corrupção é, por assim dizer, da casa, está no fato de que o cargo de tesoureiro do partido é de alto risco. Vaccari Neto está preso e condenado a mais de 30 anos. Delúbio Soares já cumpriu pena. Paulo Ferreira está solto porque pagou fiança. Você já ouviu falar de tesoureiro(s) de outro partido?
Marcelo Odebrecht, o principal executivo da companhia, preso há mais de um ano e meio, abre o livro e não deixa pedra sobre pedra. Segundo ele, de 2008 a 2014, a Odebrecht repassou ao PT a bagatela de R$ 300 milhões de reais, sendo que R$ 130 milhões pelas mãos de Palocci e depois mais R$ 170 milhões através de Guido Mantega.
As relações promíscuas entre a Odebrecht e o PT mostraram outra face escabrosa do partido. Nas eleições de 2014 o PT literalmente comprou as legendas de PP, PRB, PROS, PDT e PCdoB para apoiar Dilma. O valor da transação foi da ordem dos R$ 27 milhões de reais, só da Odebrecht. Com o apoio desses partidos – que só por isto deveriam ter o registro cassado - Dilma agregou mais 30% de tempo de rádio e televisão. Na maracutaia o PT agiu como polo ativo e passivo de corrupção, foi corrompido (recebendo dinheiro sujo) e corrompeu (comprando partidos aliados).
Na lambança geral, havia até uma conta-corrente de Lula com a empreiteira, que movimentou R$ 13 milhões de reais, e dos quais ninguém até agora sabe o destino.
As delações da Odebrecht derrubaram o mito da honestidade de Dilma Rousseff. Sob certo aspecto, a barra dela é mais pesada do que a de Lula. Ela tinha conhecimento pleno e ao nível de detalhe, dos rolos e ilegalidades das campanhas de 2010 e 2014. Dou de barato que ela não tenha recebido um só centavo em conta pessoal. Mas ela não seria presidente da República sem o mar de dinheiro (e de lama) que irrigou as suas campanhas.

titoguarniere@terra.com.br

Nota sobre a Operação Paralelo

"A investigação procura apurar a atuação de operadores no mercado financeiro em benefício de investigados no âmbito da Operação Lava Jato.

A atuação teria se dado no âmbito de uma corretora de valores, que é suspeita de ter realizado a movimentação de recursos de origem ilícita para viabilizar pagamentos indevidos de funcionários e executivos da Petrobras.


A investigação ainda tem como objetivo apurar a responsabilidade criminal de um ex-executivo da Diretoria de Engenharia e Serviços da Petrobras, apontado como o beneficiário de diversos pagamentos em contas clandestinas no exterior, feitos por empreiteiras que contrataram com a empresa".

PECs que dificilmente passarão

Data de pagamento
A PEC 257/2016 revoga o artigo constitucional que estabelece o último dia do mês para pagamento dos servidores, bem como a data de 20 de dezembro para o 13º salário. A flexibilização é motivo de indignação entre os sindicatos de servidores do Estado e alvo de rejeição tanto da oposição quanto de um partido-chave para o governo conseguir a aprovação: o PDT, com sete deputados.

Plebiscito para privatizações

A PEC 259/2016 retira da Constituição Estadual a necessidade de plebiscito para os casos de alienação, transferência do controle acionário ou extinção da CEEE, da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Sulgás. A proposta enfrenta resistência na oposição e de parlamentares de dois partidos cujos votos são fundamentais para Sartori: PDT e PTB, que somam 12 deputados.

Eliane Cantanhêde: Gilmar, o Quixote

Eliane Cantanhêde: Gilmar, o Quixote

Em sua cruzada, o ministro enfrenta o senso comum nos vazamentos e no caso,

Publicado no Estadão

Os políticos estão no olho do furacão, mas o caso do ministro Gilmar Mendes é particularíssimo, neste momento que ele mesmo chama de “tempestade perfeita” e de “crise sem precedentes”: ninguém jogou Gilmar no olho do furacão, ele mesmo é que se jogou de corpo, alma, mente, com um espantoso desdém às críticas e alertas.

Ministro do STF e presidente do TSE, Gilmar resolveu agir tal qual um Quixote, de armadura e lança em punho, lutando contra o senso comum e todos os moinhos de vento e de notícias. Se sopram para um lado, ele sopra para o outro, abrindo flancos na opinião pública, na Justiça, na PGR, na PF, na Receita e, agora, na sua própria casa, o Supremo. No cafezinho que antecedeu a posse do ministro Alexandre de Moraes, Gilmar circulava mais à vontade entre os políticos do que entre seus pares de toga.

O problema não são as ideias, porque muitos defendem o mesmo que
Gilmar: é preciso depurar as práticas políticas, combater a corrupção e preparar o País para novos tempos, mas sem explodir os três Poderes.
O problema é a forma. Antigamente, “juízes não falavam fora dos autos”. Atualmente, falam sobre tudo, o tempo todo, mas não devem tomar partido tão apaixonadamente.

Gilmar Mendes não precisava ir dormir com o ataque do procurador-geral Rodrigo Janot, condenando a “disenteria verbal”, a “decrepitude moral”
e o “cortejar desavergonhadamente o poder” (referência às frequentes visitas de Gilmar a Temer). Com sua coragem pessoal e autoridade jurídica, o ministro não deveria gastar sua energia no treino, correndo o risco de entrar em campo capenga, ou estropiado, para os julgamentos da Lava Jato. Precisa se preservar.

Em sua cruzada, Gilmar defende que o foro privilegiado não é sinônimo de impunidade e autoridades não podem nem devem ser jogadas para instâncias inferiores suscetíveis a paixões eleitorais e interesses locais. Faz sentido, é uma contribuição a um debate crescente, que pode chegar a um meio-termo: manter o foro, mas criando instâncias específicas para aliviar o atual peso no Supremo.

Ele também se irrita com os vazamentos. Já ameaçou “descartar” as delações da Lava Jato que foram divulgadas e mandou abrir sindicância sobre o vazamento dos depoimentos da Odebrecht ao TSE. Diz que quebra de sigilo é crime e não admite, sobretudo, a exposição de nomes sem que nem eles nem a sociedade saibam exatamente como, onde e por que entram na história. O ministro, porém, sabe que vazamentos sempre ocorreram e sempre ocorrerão. E, como diz o juiz Sérgio Moro, a imprensa está no seu papel de divulgar.

A polêmica mais complexa em que Gilmar Mendes se meteu, porém, é a do caixa 2. Ele não apenas defende uma anistia “no momento oportuno” como a compara à repatriação de valores enviados ao exterior e não declarados oficialmente. Na anistia ao caixa 2 de campanha, como na repatriação, seriam excluídos os recursos ilícitos na origem, obtidos por corrupção, por exemplo, e sujeitos a punição penal.

É exatamente isso o que a esquerda, o centro e a direita discutem freneticamente no Congresso, para separar o “joio” (os corruptos, os que desviaram dinheiro público) e o “trigo” (os que “só” receberam dinheiro de caixa 2, inclusive porque o doador não aceitava ser publicamente identificado).

Mas é preciso combinar com “os russos”: a opinião pública, que nem sempre leu, nem sempre viu, nem sempre ouviu, mas já tirou suas conclusões e quer sangue, torcendo o nariz para qualquer negociação.

Se ainda não está, logo essa mesma opinião pública ficará ressabiada com a valentia de um ministro tão particular do STF e do TSE, que pode até ter razão no conteúdo, mas é um contumaz descuidado com a forma.

Ciro Gomes mira em Moro e acerta a própria testa

Ciro Gomes mira em Moro e acerta a própria testa

Se fosse um dos alvos da Lava Jato, o colecionador de bravatas receberia a visita da PF empunhando não um tresoitão, mas a bandeja com o cafezinho

Por Augusto Nunes

Ciro Gomes nem precisa de adversários em campanhas eleitorais: ele sabe como ninguém perder sozinho. Na primeira disputa presidencial em que se meteu, a candidatura começou a derreter quando chamou de “burro” um eleitor com quem falava por telefone durante um programa radiofônico. O segundo naufrágio do gabola que primeiro fala e só depois pensa (se é que pensa) tornou-se inevitável com a definição do papel que a atriz Patrícia Pillar, com quem estava casado na época, desempenharia na campanha do marido: dormir com o candidato, resumiu.

O vídeo acima confirma que, quando se trata de gente, graves defeitos de fabricação não têm conserto. “Hoje esse… esse Moro resolveu prendê um… um bloguero?”, desandou no meio da entrevista o pistoleiro que faz mira só depois do disparo. “Ele que mande me prendê, que eu recebo a turma dele na bala”. Endereçado ao juiz que simboliza a Operação Lava Jato, o tiro ricocheteou na língua portuguesa antes de atingir, de novo, a testa do eterno candidato sem chances à Presidência da República.

Se fosse mais gentil com o idioma, Ciro receberia à bala, nunca “na bala”, os agentes da Polícia Federal que formam o que chama de turma do Moro. Se respeitasse a inteligência alheia, não diria que Sérgio Moro “resolveu prendê um bloguero”; apenas determinou que um blogueiro objeto de investigações prestasse depoimento. Se passasse menos tempo na cidade onde foi criado, governada pela família que se confunde com um bando de coronéis, teria descoberto que o país mudou. O Brasil não é uma imensa Sobral. E jamais será.


Já não existem figurões condenados à perpétua impunidade. A lei passou a valer para todos, aí incluídas todas as ramificações da tribo dos cirosgomes. O ex-governador do Ceará não acordou com batidas na porta às seis da manhã por uma razão singela: não existem (ainda) motivos para isso. Caso esteja enredado em alguma das patifarias atravessadas no caminho da operação, a usina ambulante de bravatas não tardará a receber a visita dos policiais. Ciro será aconselhado pela família a receber os visitantes empunhando não um tresoitão, mas uma bandeja com o bule e xícaras de café.