Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - O tabuleiro eleitoral no RS após as convenções partidárias

Cientista político da Arko Advice pesquisas

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Com o fim do prazo das convenções partidárias está definido o tabuleiro da disputa ao Governo e Senado no Rio Grande do Sul. 

Na eleição ao Palácio Piratini tem três players competitivos. Representando o governo Eduardo Leite (PSD), o vice-governador Gabriel Souza (MDB) concorrerá pela aliança MDB, PSD, Agir, PRD e SD. Seu vice é o deputado estadual Ernani Polo (PSD). Os candidatos ao Senado são o ex-governador Germano Rigotto (MDB) e o deputado estadual Frederico Antunes (PSD).

O espectro da direita rio-grandense será liderado pelo deputado federal Luciano Zucco (PL), tendo a deputada estadual Silvana Covatti (PP) como vice. A chapa representa a coligação PL, PP, União Brasil, Novo, Podemos, Republicanos, DC e Democrata. Disputam o Senado pela aliança os deputados federais Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL).

A esquerda, por sua vez, terá a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT) concorrendo a governadora. Seu vice é o ex-deputado Edegar Pretto (PT). A aliança, que une PDT, PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e Avante, terá o deputado federal Paulo Pimenta (PT) e a ex-deputada Manuela D’Ávila (PSOL) concorrendo ao Senado. 

Além desses três players, também disputam o Piratini o ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB); Rejane de Oliveira (PSTU) e Priscila Voigt (UP).

Neste momento, a eleição ao governo gaúcho apresenta um cenário de polarização entre Zucco, ancorado na força do voto bolsonarista, principalmente no interior do Rio Grande do Sul; e Juliana, que atrai a preferência do voto de esquerda e centro-esquerda, sobretudo na região metropolitana de Porto Alegre. 

Gabriel, que é um incumbente da eleição, começa em desvantagem. De acordo com as últimas pesquisas divulgadas, Zucco e Juliana dividem a liderança, concentrando cerca de 50% das intenções de voto. Gabriel fica abaixo dos dois dígitos. 

Este cenário, no entanto, não é definitivo. Devemos observar que Gabriel Souza ainda é um candidato pouco conhecido dos eleitores, apesar de ser o vice-governador. Sua intenção de voto é inferior à avaliação positiva do governo Eduardo Leite, que gira em torno de 1/3. Embora tenha espaço disponível para Gabriel crescer, existe o desgaste da gestão Leite após oito anos de gestão, o que pode representar um obstáculo para o vice-governador. 

Outras variáveis que deixam a disputa ao Piratini em aberto são: 

1) O elevado índice de indecisos – mais de 70% na pesquisa espontânea e cerca de 30% nos cenários estimulados, segundo a última pesquisa Quaest divulgada no Estado; 

2) O histórico de surpresas eleitorais existentes na eleição para o Palácio Piratini – Germano Rigotto (2002); Yeda Crusius (2006); José Ivo Sartori (2014); Eduardo Leite (2018); e a reeleição de Leite (2022), após o governador quase não disputar o segundo turno; e

3) A tendência de uma abstenção eleitoral elevada – o índice foi próximo a 20% em 2022, podendo se repetir em outubro.

Faltando dois meses para as eleições, os três players da eleição têm desafios. Apesar de contar com uma sólida intenção de voto, Luciano Zucco precisa atrair segmentos para além do bolsonarismo. Vale recordar que, em 2022, após ser alavancado pelo voto bolsonarista, Onyx Lorenzoni, mesmo sendo o candidato mais votado no primeiro turno, foi superado por Eduardo Leite no segundo turno.

Juliana Brizola também precisa avançar sobre o centro sem cair em contradição pelo fato de ter o PT como principal aliado, o que será explorado por seus adversários. Outra questão é saber como se dará na campanha a relação entre PT e PDT, pois essa composição foi imposta pelo comando nacional das duas legendas. 

Gabriel Souza, por sua vez, precisará convencer os eleitores de que a gestão Eduardo Leite, em que pese o desgaste registrado, merece mais quatro anos em um Estado cuja alternância de poder é uma característica histórica. 

Ao menos até o início do horário eleitoral – 28 de agosto – podemos esperar a manutenção da polarização entre Luciano Zucco e Juliana Brizola. Gabriel Souza, a partir de setembro, tende a crescer. A incógnita é saber qual será a intensidade desse crescimento, e se ele será suficiente para mudar o atual cenário. 

Eleição imprevisível ao Senado

A disputa pelas duas vagas ao Senado apresenta um cenário de elevada imprevisibilidade. Temos, hoje, seis candidatos com potencial: Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL) à direita; Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) ao centro; Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’Ávila (PSOL) à esquerda. 

Na direita, Van Hattem é mais competitivo que Sanderson. Ao centro, Rigotto tem mais densidade eleitoral que Frederico. Na esquerda, Manuela e Pimenta têm condições similares de competição. 

Como o Rio Grande do Sul tem votado à direita nos últimos anos, Marcel Van Hattem tem uma vantagem inicial na busca pela primeira vaga. Germano Rigotto, Paulo Pimenta e Manuela D’Ávila dividem a preferência pela segunda vaga. 

Rigotto, por ser uma opção de centro, pode estar em uma posição estratégica na disputa pelo segundo voto. Pimenta e Manuela contam com o voto fiel à esquerda – cerca de 1/3 – como diferencial, mas podem enfrentar dificuldades em conquistar o centro. 

Este cenário parcial, no entanto, não é definitivo. Além de uma fatia do mercado eleitoral não saber que votará em dois nomes para o Senado em outubro, variáveis como o alto índice de indecisos e a ocorrência do “voto útil” podem impactar a eleição para o Senado. Temos, assim, um pleito com elevada imprevisibilidade. 


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