Denúncia por improbidade contra reitor da Ufrgs

Ilmo(a) Sr.(a), Sua manifestação foi cadastrada com sucesso!
Número da manifestação: 20160082918 Data da manifestação: 23/08/2016
Descrição:  PEDRO  GERALDO  CANCIAN  LAGOMARCINO  GOMES  (Pedro Lagomarcino),  brasileiro,  casado,  advogado,  inscrito  na  OAB/RS 63.784,com  endereço  profissional  sito  à  Av.  Independência,  nº 831/54,  CEP  90035­076,  na  cidade  de  Porto  Alegre  ­  RS,  vem perante o MPF ­ Ministério Público Federal, nos termos do art. 14, da Lei nº. 8.429/92, oferecer REPRESENTAÇÃO contra CARLOS ALEXANDRE  NETTO,  brasileiro,  portador  do  título  eleitoral  nº. 029052990485, atual Ilmo. Sr. Reitor da UFRGS ­ UNIVERSIDADE FEDERAL  DO  RIO  GRANDE  DO  SUL,  lotado  como  servidor público, no prédio da reitoria de UFRGS, localizado sito a Av. Paulo Gama, Nº. 110, bairro Farroupilha, CEP 90040­060, na cidade de Porto Alegre ­ RS, pelas razões de fato e de direito que passa a expor,  em  síntese:  Em  18­08­2016,  o  Ilmo.  Sr.  Reitor  da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) praticou crime de improbidade administrativa, em razão de violação expressa do art. 37, da CRFB/88 combinado com, destacamos, no mínimo, do art. 11 "caput" c/c art. 21, I, da Lei nº. 8.429/92, ao promover e permitir que se realizasse, nas instalações da referida Universidade, o "Grande Ato em Defesa da Democracia e Legalidade". Elementar nos parece dizer que a referida Universidade Federal se trata de instituição pública, mantida com recursos públicos. Ocorre que, o evento citado se trata de ato notadamente político de esquerda, cujo único fim era insurgir­se, contra as decisões e as instituições democráticas  deste  país,  já  tomadas  no  processo  de "impeachment" da Presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, em  trâmite  no  Senado  Federal  e  em  fase  de  julgamento  final. Gravíssimo  nos  parece  dizer  que  o  ato,  travestido  de  ato democrático, cujo referido reitor autorizou que fosse realizado e de fato  ocorreu,  sugeriu­se,  inclusive  que  se  utilizassem  armas. Referido ato, na verdade, desrespeita e viola o Estado Democrático de Direito, as Leis, e a Constituição da República Federativa do Brasil,  bem  como  todas  as  decisões  já  tomadas  pelo  Pretório Excelso,  pelo  Plenário  da  Câmara  dos  Deputados  e  suas respectivas  Comissões,  bem  como  pela  Senado  federal  e  pelas suas  respectivas  Comissões,  no  sentido  de  julgar  a  referida Presidenta da República, por crime de responsabilidade, conforme preceitua  o  art.  85,  51,  I  e  52,  I,  combinados  com  a  Lei  nº. 1.079/50.  Mais,  o  ato  realizado  e  autorizado  pelo  referido  reitor estimula a baderna, a arruaça e a prática de crimes, na medida em que  um  classe  sedizente  elitizada  de  professores  universitários incita  a  violência,  expressamente,  com  citações  do  tipo:  ?Em setembro de 2016 devemos começar a lutar como fizemos em abril de 1964?. Não há o Ministério Público Federal de permitir que tais
23/08/2016 Gmail ­ Sala de Atendimento ao Cidadão ­ MPF 20160082918
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atos  se  proliferem  no  seio  de  universidades  federais,  como  a UFRGS,  nem  em  nenhuma  universidade  federal  do  Brasil,  bem como em nenhuma universidade privada. Não bastasse os atos já realizado, na medida em que o ato realizado em 18­08 não foi o primeiro, agora, em rede social, acessada por milhares de usuários de todo o mundo (facebook) a UFRGS segue promovendo eventos sociais  travestidos  de  "debates  marxistas",  mas  que  tem  como finalidade incitar e promover o desrespeito a ordem, às Leis e a Constituição, conforme se pode constatar no cartaz (imagem) do evento  e,  em  especial,  nos  detalhes  do  evento,  conforme transcrevemos  os  seguintes  excertos:  ­  "O  ciclo  de  debates marxistas  na  UFRGS  vai  contar  com  cinco  ciclos  que  abordam distintos temas da vasta literatura marxista. A ideia é aproveitarmos o  espaço  da  universidade  para  aprofundarmos  um  campo  do conhecimento que, apesar de toda a propaganda coxinha contrária, é  muito  pouco  visto  nos  cursos  de  humanas."  ­  "Esse  ciclo  é construído  pelo  Esquerda  Diário,  a  juventude  Faísca  Anticapitalista e Revolucionária e o grupo Ontologia e Combate". "IV  ­  Stálin,  o  grande  organizador  de  derrotas  ­  com  Thiago Rodrigues do Esquerda Diário e Daniel Dias ­ 26 de Outubro ­ 18h no pantheon do IFCH". Vale lembrar que o ato realizado em 18­082016 contou inclusive com participação de juristas de conhecidos no ambiente nacional. Todavia, destaque especial perece ser dado a  participação  do  Dr.  Marcelo  Lavenère.  Referido  jurista,  ao participar  e  estimular  tais  atos,  como  advogado,  desrespeita, inclusive, ato da classe que pertence, qual seja, a OAB, que já aprovou,  através  de  seu  Órgão  Pleno,  praticamente  por unanimidade,  posicionamento  favorável  ao  "impeachment"  da referida Presidenta da República, conforme se pode visualizar na matéria  divulgada  no  site  da  própria  OAB,  conforme  segue  em anexo. Aliás, mister referir, que o Dr. Marcelo Lavenère, como exConselheiro Federal e representante da seccional do Pará, foi o único  voto  vencido,  ou  seja,  contrário  ao  "impeachment"  da Presidenta Dilma Vana Rousseff. Assim sendo, constata­se que o Dr. Marcelo Lavenère, ao participar deste ato realizado na UFRGS, o qual foi nominado como "ato democrático", na verdade contraria a forma democrática que o Órgão Pleno da da classe a que pertence deliberou  em  sentido  completamente  diverso  aos  seus  anseios. Colocamos a toda evidência que a decisão da OAB de manifestarse, favoravelmente, ao pedido de "impeachment" da Presidenta da República já afastada, contou com o voto favorável de 26 (vinte e seis)  das  27  (vinte  e  sete)  bancadas  de  Conselheiros  Federais. Com  isso,  26  (vinte  e  seis)  das  27  (vinte  e  sete)  seccionais estaduais  da  OAB,  decidiu  por  se  posicionar  favoravelmente  ao pedido  de  "impeachment"  da  Presidenta  Dilma  da  República  já afastada. A deliberação da OAB, através de seu Órgão Pleno, foi tomada  em  19­03­2016.  Constata­se,  pois,  que  o  Dr.  Marcelo Lavenère utiliza­se de mecanismos oblíquos, ao participar de atos nominados como democráticos, mas que na verdade desrespeita, como advogado, a decisão da classe a que pertence, a OAB, a qual deliberou, esta sim, de forma democrática. Aliás, tal acinte é levado a efeito, através da participação em atos realizados no ambiente universitário,  como  se  tal  ambiente,  por  se  tratar  de  meio acadêmico,  pudesse  se  transformar  uma  espécie  de  escudo quixotesco, para resistir a força da decisão de um órgão de classe e  dissolver,  com  uma  varinha  de  condão  e  em  um  passe  de mágica,  a  decisão  que  este  órgão  tomou,  praticamente  por unanimidade.  Isso,  de  parte  do  Dr.  Marcelo  Lavenère,  nem  de longe, significa respeitar as decisões democráticas do Órgão Pleno da  OAB.  Excelentíssimos  Senhores  Procuradores  do  Ministério Público Federal, é ululante a existência de crime de improbidade administrativa, destacamos, no mínimo, por violação aos Princípios Constitucionais da Administração Pública, conforme os dispositivos acima citados, na medida em que há utilização das instalações da UFRGS para fazer proselitismo político de 5ª categoria, desrespeito à Ordem Pública, às Leis, à Constituição da República Federativa do  Brasil,  o  Estado  Democrático  de  Direito,  a  democracia  e  a República. Vale lembrar que não é a primeira vez que a reitoria da UFRGS  permite  e  realiza  tais  atos,  aos  quais  nomina  de
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"democráticos",  mas  que  passam  ao  largo  de  respeitar  a democracia, haja vista ser reservado único tratamento para ideias marxistas,  comunistas  e  socialistas,  autofágicas  e  nefastas  ao Brasil. Com efeito, mesmo que se fosse facultado aos pensadores de  direita  promoverem  tais  eventos  dentro  das  instalações  da UFRGS, verdade seja dita, as instalações das universidade, sejam elas públicas ou privadas, não são e nem deve ser espaço, para promover  atos  políticos  deste  nível,  diga­se  de  passagem, notadamente  pedestres,  ainda  mais  naquelas  universidades mantidas e custeadas por recursos públicos. É elementar que tais atos podem e devem ser realizados, obviamente, nas sedes dos respectivos  partidos,  os  quais  já  recebem  pomposos  recursos advindos do fundo partidário. Contamos com a sensibilização de Vossas  Excelências,  para  tomarem  as  medidas  legais  cabíveis, quiçá,  as  que  sugerimos  acima,  a  bem  da  assepsia  e  da salubridade do livre pensar no ambiente universitário, nos moldes em que todas as universidades públicas dos países de primeiro mundo se pautam. Solicitação:  Nestes  termos,  firmo  a  presente  denúncia,  para  representar  e requerer ao MPF ­ Ministério Público Federal ­, que sejam tomadas as  medidas  legais  cabíveis,  no  sentido  de  ajuizar  ação  de improbidade  administrativa  contra  o  atual  reitor  da  UFRGS,  no mínimo,  em  razão  da  violação  dos  dispositivos  legais  acima citados. Pedro Lagomarcino OAB/RS 63.784  Demais informações serão encaminhadas para seu endereço de email. Para consultar o andamento da manifestação, favor acessar a página eletrônica do MPF, opção Sala de Atendimento ao Cidadão, consultar andamento, e inserir o número da manifestação e de seu documento (CPF ou CNPJ). Atenciosamente,

Sala de Atendimento ao Cidadão ­ Sistema Cidadão Ministério Público Federal Obs.: Não responda a este e­mail. Mensagens encaminhadas/respondidas para o endereço eletrônico do remetente serão desconsideradas.

Editorial, Folha de S. Paulo - Alternativas à prisão

O governo do Estado de São Paulo continua às voltas com uma deficiência grave: a superlotação de prisões. Até mesmo locais de detenção inaugurados em anos recentes abrigam mais presos do que foram projetados para comportar.

A situação irregular tornou-se evidente sábado (20) em reportagem da Folha: dos 20 estabelecimentos prisionais que passaram a funcionar desde 2010, há 18 cuja população já ultrapassou a capacidade prevista. E as duas exceções, em Piracicaba e Florínea, só não têm excesso porque entraram em operação há poucos meses.

As duas dezenas de penitenciárias masculinas e femininas, CDPs (Centros de Detenção Provisória) e CPPs (Centros de Progressão Penitenciária) contam com 17.613 vagas e 26.872 detidos, um excedente de 53%. A pior situação se observa em Capela do Alto, unidade que acumula 1.935 presos nas 847 vagas para as quais foi construída.

A gestão de Geraldo Alckmin (PSDB) pondera que criou mais de 26 mil vagas, desde 2010, e que outros 18 presídios se encontram em construção, com prazo de conclusão em 2018 e investimento de R$ 883,7 milhões. O contínuo aumento da demanda por vagas, alega-se, decorre de uma política rigorosa de segurança que tem diminuído os índices de criminalidade.

São fatos: no primeiro semestre de 2016 o número de vítimas de homicídio recuou 12%, um índice de 8,56 por 100 mil paulistas (um terço da média nacional de 29,1/100 mil); a taxa de encarceramento no Estado, por sua vez, é de cerca de 500 presos por 100 mil habitantes (a cifra brasileira se acha em 306/100 mil).

Ocorre que em São Paulo, como em todo o Brasil, a superpopulação é em grande parte evitável. Cerca de 40% do contingente encarcerado se compõe de presos provisórios, sem sentença definitiva.

Estima-se que 5% estejam aprisionados de maneira indevida. Além disso, também é da ordem de 40% a proporção dos condenados e acusados por crimes contra o patrimônio, sem envolver violência ou grave ameaça a outrem.

São detentos que não deveriam estar ali. No caso dos provisórios e dos presos irregularmente, trata-se de vítimas da ineficiência do Judiciário, cuja lentidão prolonga sua permanência em prisões dominadas pelo crime organizado.


Os tribunais deveriam também contemplar com maior abrangência, para crimes não violentos, penas alternativas como multas e restrições de direitos (a viajar, por exemplo). Seria mais barato –e menos arriscado– do que amontoá-los em celas com os facínoras.

Número de saques de PIS-Pasep sobe a 885 mil

O número de saques do programa PIS-Pasep chegou a quase 885 mil operações entre novembro de 2015 e julho deste ano, informou nesta segunda-feira, 22, a Secretaria do Tesouro Nacional (STN). O dado representa aumento de 65% em relação ao período entre novembro de 2014 e julho de 2015 (um incremento de 349 mil saques).

A STN atribui o resultado à realização de uma campanha de divulgação, efetuada durante o período de apuração das retiradas. Os beneficiários sacaram os valores de cotas disponíveis em suas contas individuais em agências do Banco do Brasil (BB) e da Caixa Econômica Federal.

O maior aumento foi verificado nas retiradas feitas por beneficiários com 70 anos ou mais, que passaram de 5,4 mil para mais de 258 mil. Para esse público, foram enviadas quase 920 mil malas diretas informando a existência de saldo disponível para saque nas contas individuais dos programas.

Artigo, Pedro Lagomarcino - UFRGS: um paco para atos políticos antidemocráticos e antirrepublicanos

A que ponto chegou a UFRGS!
Já não é novidade que as instalações da UFRGS são utilizadas
para promover reuniões de movimentos políticos de um lado só do pensar (ou melhor do não pensar): a esquerda.
O grande problema disso tudo é que tal prática demonstra ao mundo que o ensino realizado nos bancos acadêmicos de uma das mais tradicionais Universidade situadas no Rio Grande do Sul, destacamos, mas não do Rio Grande do Sul, por se tratar de uma Universidade Federal, segue sendo utilizado para fazer lobotomia política, em plena vigência do Estado Democrático de Direito, que nele entretêm a liberdade de pensamento político e quiçá também a de ensino.
Diga-se de passagem, reuniões que iniciam por desrespeitar e violar o Estado Democrático de Direito, a liberdade de pensamento político e também os Princípios Constitucionais da Administração Pública contidos no art. 37, da CRFB/88, em especial, os da legalidade, da impessoalidade e da moralidade.
E quando se viola o art. 37, da CRFB/88, alto lá, abre-se um grande campo para afirmar a existência de improbidade administrativa, conforme consta no arts. 9º, 10, 11 e 21, I, da Lei nº. 8.429/92.
E improbidade administrativa, bem sabem os doutos que é crime.
Por que fazer da sala de aula e do espaço da universidade um oásis de proselitismo político?
Ora veja, só há uma resposta: para retroalimentar o sistema autofágico que não deu certo em nenhum país do mundo, mas também para não perder os benefícios que tal proselitismo alcança aos integrantes, ou melhor, a parte dos integrantes desta "comunis acadêmica".
Para tanto, a "comunis acadêmica" em vez de utilizar a avaliação como um instrumento para fins eminentemente pedagógicos, o deturpa, e passa a utilizá-lo como um instrumento de poder e de comando.
Sedimenta-se então o motor de funcionamento desse autofágico não pensar, mas sim reproduzir.
Aos acadêmicos que não se submetem ao "sistema", a avaliação já se antevê qual será.
Não temos notícias que reuniões de pensamento político de direita tenham sido viabilizadas ou, quiçá autorizadas, com as mesmas condições que ocorrem (e com frequência) as reuniões de esquerda na referida Universidade. Mesmo que os integrantes da teoria de direita também sejam considerados contribuintes e também mantém a referida Universidade, através do pagamento de tributos, quer queiram ou não os defensores viscerais da esquerda.
E por incrível que pareça, o ambiente acadêmico da UFRGS dá ao mundo com isso, todas as provas, que a busca da verdade, só é possível de perquirir de um lado da moeda, tal como fazia Ptolomeu e seus defensores, não apenas ao defender a teoria geocêntrica, mas ao tentar impedir a superação de um paradigma obsoleto, em oposição à teoria heliocêntrica de Copérnico, o qual provava que a terra não era redonda, rendendo-lhe, a este último e seus defensores, a alcunha de hereges.
Em pleno ano de 2016 a referida Universidade não consegue, sequer, conviver com o respeito do Princípio Constitucional da Igualdade.
Lamentável!
La-men-tá-vel.
O excesso de vaidade intelectual de milhares de professores universitários, ao que se vê, fez prosélitos de norte a sul. E pior, no Sul, a UFRGS se tornou uma espécie de chocadeira próspera deste tipo de vaidade intelectual.
Referidos professores se tornam ao mesmo tempo algozes e vítimas, acaso não tenham percebido, seja por vitimizar aqueles que estão em suas mãos para serem avaliados, seja por se esquecerem que educar, como dizia Ruskin, não é ensinar a um homem o que ele não sabe, mas fazer dele o que ele não era.
E através disso moldam ou pior lobotomizam seus pupilos com doutrinas fracassadas, sem sequer lhe dizer que também há luz (e muita) no outro lado. Ademais, fazem isso de forma tendenciosa, mas também completamente suspeita, para não dizer antiética e imoral.
Os integrantes do corpo docente se tornaram prosélitos e passam a buscar prosélitos do que foram vítimas e algozes: um pensamento político que ensinava que o mundo era dividido entre "os bons" (de esquerda) e "os maus" (de direita). Aqueles, se encontravam dentro do divino, ao passo que estes os que praticantes do diabólico.
Todavia, bem sabemos qual foi a doutrina política que negou a existência de Deus. Evidentemente, não foi a de direita.
Esqueceram-se, infelizmente, que isso não é (nem de longe), ensinar, na medida em que se despreza a dialética (tese, antítese e conclusão), de modo a fazer da sala de aula uma "reunião oriental" em que apenas 1 fala, dado aos demais uma possibilidade e outra determinação: a de concordar e a de bajular.
Concordar e bajular o ego dos seus sedizentes mestres.
Quanto maior a concordância e a bajulação, mais se alimenta este sistema falido de ensino, cuja prática alcança ao concordante bajulador, uma espécie de cartão de boas vindas, com as bolsas e auxílios de pesquisa que passam a lhe ser concedidos. Unção esta que é consolidada com um passaporte carimbado, prova cabal, de um certo "trânsito acadêmico", à custa de recursos públicos, do novo membro da "comunis-TUR". E em razão deste batismo, o concordante bajulador, é lançado para o mundo, de forma contraditória, para visitar e fazer cursos de doutorado ou mestrado na Alemanha, na Inglaterra, nos Estados Unidos, no Canadá, na Espanha e na França. Todavia, raríssimos são aqueles que se voltam ao berço político comunista ou socialista, das teorias que tanto defenderam e praticaram na "comunis acadêmica", como as que são praticadas na China, em Cuba, na Rússia, na Venezuela e na Bolívia.
Dizem-se "de esquerda" e que pensam como comunistas e socialistas, mas têm como referência países que não se encontram nesta via política. Aliás, que não estão, nem de longe, vendo o mundo através desta perspectiva.
Resta assim, aos concordantes bajuladores (a esta altura, já membros da "comunis-TUR" e da "comunis acadêmica") duas situações para se deparar. A primeira, já no primeiro frontispício da Universidade, constatar que esta teoria patética e autofágica de esquerda é revogada e declarada improcedente, por algo comum a todos: a existência da realidade. A segunda, a de se tornar uma espécie de vassalo da "esquerda caviar", e funcionar como carregador de apagador e giz, bem como de toda ordem de "tarefas auxiliares", para não perder a bolsa ou o auxílio que lhe foi concedido.
E com isso o psicodélico vem à tona, para tentar mascarar de forma sórdida, o que facilmente se concebe como relação de emprego, mas é travestida, por falsas relações de bolsistas, entre orientandos e orientadores. Ora vejamos, é nítida a existência de 1 único superior hierárquico e apenas 1 único inferiorizado e obrigado a cumprir as ordens. Evidentemente, este último apenas não percebe o que lhe é devido de tal subordinação, o que seja, seu salário, porque o primeiro, mesmo que sedizente bom, protetor e angelical, não irá lhe pagar.
A propósito, estes "uns" (superior hierárquico e inferiorizado) crescem de forma exponencial, a cada sala de aula que se entra e que se sai.
Antes eu me perguntava:
- Quem são os verdadeiros opressores?

Esta pergunta já encontrou a sua resposta.

Artigo, Ricardo Noblat, O Globo - O último ato de Dilma

A partir da próxima semana, fora a jabuticaba, haverá outra coisa para chamarmos de nossa: a presidente da República afastada por um golpe que comparece ao último ato do seu julgamento para se defender diante de golpistas. Se for absolvida, dirá que derrotou o golpe. Se for condenada, dirá que foi vítima dele. Em seguida, embarcará para uma temporada de férias no exterior porque ninguém é de ferro.

A única invenção brasileira reconhecida em fóruns internacionais é a duplicata mercantil. Data da época em que Dom João VI transferiu para o Rio de Janeiro a sede do império português.

Nem o avião é reconhecido como uma invenção do brasileiro Santos Dumont que morava em Paris e que, ali, fez sua geringonça decolar pela primeira vez no início do século passado.

Na verdade, não há registro confiável de que a jabuticaba tenha primeiro brotado aqui antes de se espalhar por outros países de clima tropical. De forma tal que a presidente, capaz de acreditar na força dos seus argumentos para convencer os golpistas a não golpeá-la, poderá, e com justa razão, passar, sim, à História da política universal como algo originalmente brasileiro.

Não só a presidente. Também o golpe transmitido pela televisão e comandado no seu desfecho pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de Justiça do país.

Previsto na Constituição que a presidente jurou defender, o golpe é chamado ali de impeachment, e serve para destituir do poder o governante que tenha cometido crime de responsabilidade.

Dilma acha que não cometeu crime algum. E para abortar o golpe, valeu-se de todos os recursos lícitos e ilícitos. Empenhada em  preservar o mandato e seus direitos políticos, bateu à porta da Justiça algumas dezenas de vezes, sem sucesso.

E também sem sucesso à porta de deputados e senadores oferecendo cargos, liberação de dinheiro para obras públicas e outras vantagens.

Poderia não ter feito nada disso uma vez que se tratava de um golpe, não de um processo de impeachment regulado pela Constituição e acompanhado de perto pela Justiça. Debitemos tamanho equívoco, porém à sua ingenuidade.

Deve ter imaginado que seria possível vencer o golpe participando ativamente de todas as suas fases. Não estava só. Procederam igualmente assim todos os que a apoiam.

Sua ida ao Senado para depor e ser interrogada pelos senadores investidos da condição de juízes, será a prova definitiva para quem ainda carecia de alguma de que Dilma jamais foi alvo de um golpe. Como Fernando Collor não foi.

Como Itamar Franco e Fernando Henrique não teriam sido, tantas foram as vezes que o PT quis derrubá-los pela mesma via usada para se derrubar Dilma agora.

Collor caiu sob a suspeita de ser corrupto. Depois foi absolvido pelo Supremo, voltou à política e aliou-se a Lula e a Dilma. Está sendo investigado pela Lava-Jato sob a suspeita de ser corrupto.

Dilma cairá porque desrespeitou a Lei Fiscal e gastou muito além do que estava autorizada a gastar pelo Congresso. Deve celebrar a sorte de cair antes de novas delações que acabarão por comprometê-la.

Na raiz da queda de Collor e de Dilma está a perda de apoio político para que seguissem governando. Perderam apoio porque infelicitaram o país a tal ponto que as ruas se voltaram contra eles e, sob o ronco delas, os partidos.


Demos graças a uma democracia tão repleta de defeitos como a nossa, mas mesmo assim capaz de garantir pelo voto a troca de governantes.

Artigo, Milton Pirs - Réplica a Marco Antonio Villa

Acabo de ler "Arqueologia do Impeachment" - artigo publicado pela Revista Isto É e de autoria de Marco Antônio Villa - que busca explicar, estabelecendo uma narrativa histórica, a queda de Dilma Rousseff.

Minhas discordâncias com Villa já começam no uso do termo Poder. O historiador acredita que o PT saiu do Poder.Eu não. Afirmo que Poder e Governo são conceitos completamente diferentes e que o PT saiu do Governo; não do Poder - neste ele continua forte como sempre e segue controlando a Igreja, a Universidade e a gigantesca maioria da imprensa brasileira.

Afirmo que as três forças que derrubaram Dilma foram (em ordem decrescente de importância)

1. O colapso, o verdadeiro caos que o governo de marginais petistas provocou na Economia do Brasil, com a maior queda da produção industrial, aumento do desemprego e cotação do dólar em décadas. 

2. Uma operação da Polícia Federal capaz de envolver, já no seu início, o Executivo e o Legislativo e agora (também) o Judiciário na pessoa do Ministro corrupto do STF,   Dias Toffoli.

3. A emergência das redes sociais como única forma de imprensa livre num país em que, até 2015, não se conseguia publicar NADA capaz de atingir o Regime Petista na grande mídia por ele controlada. 

Vejam que eu sequer menciono os movimentos e manifestações de rua. Participei de todos eles e acredito que sua importância é tão pequena que não merece, nem mesmo, ser mencionada. Também não acredito em filósofos de internet, médicos gaúchos perseguidos, nem roqueiros como líderes daquilo que aconteceu. 

Lembrar a loucura financiada pelo PSOL em 2013 e protagonizada por vagabundos mascarados que incendiavam carros e quebravam lojas em nome de uma "passagem de ônibus gratuíta" é mais ridículo ainda. 

As manifestações de rua de 2015 nasceram reunindo desde os monarquistas até aqueles que pensavam que a administração pública brasileira deveria ser uma espécie de Uber e a nossa Constituição a "Revolta de Atlas" (isso para não citar os grupos de intervenção militar dos quais eu mesmo participei). 

Terminaram, estas passeatas, controladas pelo PSDB e pela Revista VEJA nas formas de MBL, Vem Pra Rua e Revoltados Online. Quanto a "oposição",  esta só se formou, de verdade, em 17 de abril de 2016 na Câmara dos Deputados e, mesmo assim, em nome "de Deus", "dos filhos", "do cachorro", "das mulheres da Amazônia" e de outras bobagens invocadas por picaretas que, sem saída perante a opinião pública, votaram a favor do Impeachment. 

Só dois deputados se manifestaram de forma capaz de representar projetos de poder: Glauber Braga defendendo assassinos (como Marighella e Lamarca) e Bolsonaro dando-lhe resposta com a referência ao Cel. Brilhante Ustra e ao delírio do DOPS e do DOI-CODI. 

Villa e eu temos interpretações completamente diferentes do processo que derrubou Dilma. Ele fez a exposição do pensamento dele. Fica aqui, para História, o registro do meu. 

Ele é um historiador profissional e eu sou só um médico, mas nós dois vivemos tudo aquilo que aconteceu. 

Porto Alegre, 21 de agosto de 2016



Artigo, Mary Zaidan - A melhor lição olímpica

A melhor lição olímpica
21/08/2016 - 01h20
O Brasil fez bonito. Atletas, organizadores, voluntários, público daqui e de todo o lugar do planeta. Um espetáculo de orgulhar até os mais ranzinzas. Mas em seu cotidiano o país está longe do espírito e das lições olímpicas. Digladia-se com o seu próprio sucesso, alimenta polêmicas inúteis. E não tem Engov capaz de refazê-lo da ressaca do dia seguinte, quando tudo voltará a ser como antes.

Nesse meio mês de jogos, abriram-se espaços para os especialistas em tudo, muitos execrando atletas de modalidades das quais nem mesmo conhecem as regras. Até a torcida foi vítima da chatice do politicamente correto, alvo de críticas por vaiar atletas, reação usual em todos os cantos do mundo, tão legítima quanto o aplauso.

A má vontade com os jogos em um momento que não cabia mais debater se o Rio tinha ou não de sediá-los frequentou rodas de artistas e intelectuais, bares, esquinas, redes sociais e a mídia convencional. Exemplo cristalizado pela Folha de S. Paulo depois da medalha de prata em das meninas em Copacabana: “Militar, dupla não consegue quebrar jejum de 20 anos no vôlei de praia”.

Além de desdenhar das atletas, a manchete, para lá de agressiva, expôs uma das maiores polêmicas dos jogos: o patrocínio militar. Quase um terço da equipe do Brasil – 145 dos 465 atletas que participaram dos jogos – integra o Programa de Atletas de Alto Rendimento das Forças Armadas. Tem patente de terceiro-sargento e recebe soldo.

O Brasil não é nem o primeiro nem o único país em que as Forças Armadas bancam treinamento de atletas. Acontece na totalitária China, na social-democrata França, na anárquica Itália. Mas, por aqui, o que deveria ser investimento em competitividade se transformou em rixa ideológica. Ridícula, boba, de ocasião.

Um antagonismo ranheta e ultrapassado de fundamentalistas de direita e esquerda que expressa o quão imaturo o país ainda está.

De um lado, extremistas de direita derretendo-se em loas não à competência dos atletas, mas ao fato de eles serem militares. De outro, esquerdóides fazendo pouco do mérito dos medalhistas. Para essa turma, bater continência à bandeira – que já havia dado pano para manga no Pan-americano de Toronto – é crime.

E para arrematar o conjunto de absurdos, o Ministério da Defesa se vangloria não das vitórias brasileiras, mas do fato de uma dúzia das medalhas serem de atletas-militares. Como se militar fosse melhor do que civil, como se uma categoria fosse mais brasileira do que outra.

Fora o enfado de ranços dessa natureza, tudo deu certo. Os jogos da zika endêmica e da violência extrema surpreenderam pela ausência do Aedes Aegypti, que sabidamente some no inverno, e pela presença de policiamento ostensivo.

Quase tudo. Não fosse a morte a tiros do soldado Hélio Vieira Andrade, no Complexo da Maré, a escancarar de forma trágica que o Rio real não é o olímpico, as ocorrências negativas dos jogos se limitariam a pedras atiradas em um ônibus com jornalistas, dois assaltos de fato e outro inventado por nadadores americanos, que feriu mais o brio dos brasileiros do que a morte do militar de Roraima.

É inegável que o Rio - e com ele, o Brasil -- ganhou com os jogos. Aceleraram-se projetos de reurbanização, de transporte urbano, como a extensão do metrô e a construção do VLT, de revitalização da área central. Mas amanhã vai acordar meio zonzo, ainda tonto. Depois, doído.

A péssima qualidade dos serviços públicos, as greves permanentes na Educação e na Saúde, a falta até de insumos básicos nos hospitais e a insegurança turvam o olhar para o tão propalado legado da Rio 2016. O Estado, literalmente falido, não tem dinheiro para nada. E a cidade não sabe o que vai acontecer quando os seis mil homens da Força Nacional, convocados para garantir a segurança olímpica, forem embora.

Mas, como na terça-feira de carnaval, hoje ainda é domingo. Vale a folia.


No encerramento da Rio 2016, o Brasil poderá festejar o seu melhor desempenho olímpico da história. E reverenciar a meritocracia. Sejam homens, mulheres, gays, pretos, brancos, amarelos, civis, militares, crentes ou agnósticos, vencem os mais preparados, os melhores. E os que não chegam ao pódio tentam melhorar as suas marcas. Sem ódio. Uma lição que vai muito além dos jogos. Aprendê-la seria um legado e tanto.