Artigo, Merval Pereira, O Globo - O STF tem poder

O STF tem poder
POR MERVAL PEREIRA09/09/2016 08:55
 Ontem foi um dia em que o poder do Supremo Tribunal Federal foi explicitado à larga, com diversas decisões que terão repercussão política importante, a começar pelas dos ministros Teori Zavascki, Rosa Weber e Edson Fachin, que recusaram diversas ações sobre o julgamento do impeachment de Dilma Rousseff, por razões puramente técnicas, ou por não concordarem com o mérito do pedido, seja a favor da destituída, ou de seus adversários.

O que demonstra que o Supremo, em princípio, não está disposto nem a anular o processo, como pediu a defesa, nem a cancelar o polêmico fatiamento da pena, que permitiu à presidente destituída permanecer com seus direitos políticos intactos.

Embora todas essas decisões sejam preliminares e ainda dependam de uma palavra final, alguns conceitos emitidos pelos ministros indicam uma tendência. Como quando o ministro Teori Zavascki não aceitou o pedido do advogado José Eduardo Cardozo para anular o impeachment alegando que no relatório do senador Antonio Anastasia foram feitas referências  a atos praticados em anos anteriores, quando a acusação formal só poderia se referir a atos praticados em 2015.

O ministro Zavascki disse que "(...) Essas considerações, contudo, foram formuladas para demonstrar que os atos praticados pela impetrante não representaram mera reprodução de uma prática administrativa tolerável, mas como o clímax negativo de um modelo de subvencionamento, já questionável desde 2008, que tornou-se completamente insustentável e temerário para o Estado brasileiro".

Mas houve também ontem a  divulgação da decisão do ministro Teori Zavascki de recusar mais um pedido da defesa do ex-presidente Lula para que ele não seja julgado pelo Juiz Sérgio Moro na primeira instância de Curitiba. Relator no Supremo das ações referentes à Operação Lava Jato, o ministro Zavascki foi direto na sua decisão, afirmando que os advogados de Lula queriam "embaraçar" o processo.

Isso porque alegaram que Moro estaria usurpando competências do tribunal, pois já existem processos no Supremo sobre o mesmo tema. O curioso é que, para conseguirem escapar de Moro, os advogados se referiram a uma frase sua em que afirma que Lula seria "o arquiteto do esquema criminoso que vitimou a Petrobras", sem contestá-la, mas apenas indicando que esse tema já estava sendo objeto de análise no STF.

De fato, no Supremo há um pedido de investigação contra Lula por formação de quadrilha feito pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, que o acusa de ser o chefe do grupo.  Zavascki diz que num caso investiga-se o recebimento de favores indevidos, e no outro a questão da quadrilha. Por enquanto, as investigações devem seguir separadamente, em Curitiba e em Brasília.

Também o ministro Edson Fachin mandou arquivar um habeas corpus apresentado com o objetivo de suspender o processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma. A ministra Rosa Weber também negou cinco ações que contestam o fatiamento do julgamento de Dilma, e mandou que em outras a presidente cassada seja incluída como parte interessada, e só depois dará o seu parecer, que deve ser no mesmo sentido de rejeição.

Por último, mas não menos importante, o Supremo decidiu por goleada de 10 a 1 que não havia razão para cancelar a sessão de julgamento da cassação do ex-presidente da Câmara, deputado afastado Eduardo Cunha. O relator, ministro Luis Roberto Barroso não encontrou motivos para tanto, pois não considerou as alegações da defesa consistentes: o número de membros da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara na sessão final era o exigido, segundo relato da própria CCJ, e o fato de deputados terem adiantado seus votos não prejudicou o acusado, pois esse tipo de declaração faz parte da atividade política.

        Às vésperas de seu julgamento, Cunha tentou a última cartada e perdeu no Supremo que, apesar de toda força revelada com essa judicialização da política, não discute as votações internas da Câmara ou do Senado. Será por isso, e não por uma ação corporativa de defesa do presidente que ontem deixou o cargo, Ricardo Lewandowski, que o plenário não deve se meter no processo decisório que culminou com o fatiamento do artigo 52 da Constituição.


        Pode ser uma decisão insuficiente diante da violação constitucional e gramatical praticada, mas o perigo seria anular toda a sessão, colocando o país em uma situação absurda que só aumentaria o caos.   

Artigo, Gustavo Ioschpe, revista Veja- As escolas ajudam a formar patifes no Brasil

Artigo, Gustavo Ioschpe, revista Veja- As escolas ajudam a formar patifes no Brasil


A pergunta que se coloca urgentemente, antes que passemos por mais um impeachment, Lava-Jato ou mensalão, é o que devemos fazer para mudar. A resposta mais óbvia-precisamos que o s pais deem melhores ensinamentos e exemplos para seus filhos – é inexequível. Não podemos nos imiscuir na maneira como pais se comportam em casa. As duas instituições-chave do Estado (portanto, sob nosso controle) que precisam ser acionadas nesta luta são a escola e o Judiciário.
Apesar de todo o blá-blá-blá sobre formar cidadãos conscientes, nossas escolas ajudam na formação de patifes. Porque são, elas mesmas, instituições profundamente antiéticas. Alunos colam em quase todas as provas e os professores fazem vista grossa. Também, pudera: a maioria dos mestres também é aética. Falta às aulas, chega atrasada, não cumpre com suas obrigações profissionais.
O professor médio brasileiro não está em condições morais de cobrar comportamento virtuoso de seus pupilos.
A própria incompetência da nossa escola conspira contra a honestidade: o livro de Almeida mostra que, quanto mais instruída a pessoa, mais séria ela tende a ser.

Ma sem dúvida nosso problema mais importante está na Justiça. Até o mensalão, a sensação de impunidade, de um Judiciário leniente com os poderosos e draconismo com ladrões de galinha, eram compartilhadas por todos. De lá para cá, e especialmente agora com a Lava-Jato, mudamos o paradigma, e é possível acreditar que a exceção vire regra. Mas o sistema joga contra. São amplos recursos, embargos e medidas protelatórias que fazem com que os casos menos célebres morram na vala comum da prescrição. Ainda não assimilamos a máxima de que justice delayed is justice denied: justiça atrasada é justiça negada. A mera expectativa de um processo infinito e custoso faz com que contratos valham pouco mais do que papel de embrulhar pão e se transformem no adubo que nutre os picaretas. Precisamos fortalecer e agilizar nosso Judiciário, melhorar e endireitar nossas escolas. Não vamos a lugar nenhum enquanto a vida pública for habitat de salafrários e, na vida privada, ser ético for sinônimo de otário.

Artigo, Dênis Rosenfield, Zero Hora - A ingrata

Ingrata
            A ex-presidente Dilma, definitivamente, é uma ingrata. Respondeu com belicosidade a uma proposta de compaixão!
A senadora Katia Abreu, ao propor o fatiamento da pena do impeachment, em um acerto com o Presidente Renan Calheiros e o Presidente do Supremo, Ricardo Lewandovsky, contando com o apoio maciço do PT, usou um argumento assaz curioso.
Disse que tinha acertado com a agora ex-presidente essa proposta, pois Dilma Rousseff apenas tinha como aposentadoria rendimentos de R$ 5,000 mensais, o que seria insuficiente para o seu sustento. Necessitaria de outro cargo público, como o de, por exemplo, dar aulas em universidades. Apelou para a compaixão dos senadores.
Evidentemente, não teve a mesma preocupação com o bem estar de aproximadamente 12 milhões de desempregados, que chegaram a essa lamentável condição graças à política econômica do governo petista. A mesma pessoa que cometeu crime de responsabilidade é a que levou ao caos econômico e social atual.
Ora, o que fez posteriormente a ex-Presidente? Respondeu que a manobra que a favoreceu não a tinha como destinatária, mas o ainda deputado Eduardo Cunha! Logo, seria o PT que estaria apoiando uma eventual absolvição do deputado! Da mesma maneira, a senadora que tanto a apoiou, sua maior amiga, seria, também, um instrumento deste deputado.
Enquanto senadores petistas, comunistas e afins do PMDB procuravam aliviar a pena da ex-presidente, para que possa viver “dignamente”, pobrezinha, a própria faz um discurso, logo após, cuja característica maior foi a belicosidade. Nem soube reconhecer o agrado oferecido pelos “seus” senadores.
Anunciou a resistência, prometendo um até logo, como se o seu afastamento fosse simplesmente transitório. Anunciou a “luta” e a “resistência”, como se estas estivessem ao seu alcance. Evidentemente, não tem força nem tropas para alcançar o seu objetivo. Seu discurso já caiu no vazio.
Contudo, ele mostra que em nenhum momento reconheceu os seus erros, exime-se de qualquer responsabilidade pelo desastre brasileiro e, ainda mais, anuncia que, se tiver condições, continuará a lutar contra o Brasil.
Felizmente, ninguém mais lhe dá ouvidos, nem o PT que gostaria de virar esta página. Apenas os seus próximos ainda prestam atenção aos seus discursos. Os seus pedidos baseados em uma suposta humildade nada mais foram do que uma maneira de encobrir unhas prontas para o ataque.

A agressividade estava estampada em seu rosto. É uma ingrata!

Artigo, Astor Wartchow - Gambiarra vergonhosa

Gambiarra Vergonhosa
Astor Wartchow
Advogado

Fazendo jus ao histórico jeitinho brasileiro, como se fosse um “puxadinho” da casa ou uma improvisada extensão de luz, aquém da boa técnica, foi lastimável o desfecho do processo de impeachment a cargo dos senadores, isto é, ao separarem as consequências, afastamento definitivo e inelegibilidade.
Ainda não se sabe a dimensão do acordo de bastidores, nem quem são “os pais da criança”, embora evidente a liderança intelectual de Renan Calheiros e senadores petistas. E se Lewandowski não foi ativo, foi gravemente omisso.
Mais: o notório acerto entre PMDB e PT permite supor que a gambiarra possa vir a favorecer a defesa e “salvação” de seus partidários, acusados e indiciados atuais e futuros.
Esclarecendo: o processo de impeachment é um procedimento de natureza política e tem explicitamente prevista na constituição sua extensão e “punição”. O afastamento e a inelegibilidade de oito anos não são separáveis ou independentes.
De modo que o que ocorreu foi duplamente vergonhoso e desastroso, seja porque produção de parlamentares que juraram a constituição, seja porque o ato foi presidido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal.
Em determinado momento dos trabalhos, o ministro Lewandowski afirmou que o processo seria semelhante ao processo penal e ao tribunal do júri. Um absurdo.
Ao contrário do processo penal e do tribunal de júri, no impeachment não há pena de reclusão, de restrição de direitos e/ou penas alternativas, pena de detenção, não há recurso e não há hipótese de novo júri.
No impeachment não há pena. Há sanção política. Afastamento definitivo e inelegibilidade por oito anos. Previsão constitucional. Decisão do Senado e irrecorrível.
Ironicamente, presente no ato de votação o ex-presidente Collor que recebera o tratamento correto. Alias, fruto daquela época e fato há decisão do próprio STF dizendo que são inseparáveis o afastamento e a inelegibilidade.
Não bastasse a evidência deste absurdo, houve outra violação. Indiretamente mudaram a Constituição. Mas a Constituição tem exigências especiais para ser modificada.
A Constituição somente poderá ser emendada mediante proposta de um terço (no mínimo) dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. Discutida e votada em cada casa (Câmara e Senado), em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos, três quintos dos votos dos respectivos membros.
Ou seja, grosseiramente violaram (uma minoria, é verdade) a Constituição duas vezes, em poucos minutos, em rede nacional e sem nenhum pudor. Sob a presidência de um juiz do Supremo Tribunal Federal. Uma combinação lastimável.
      A invenção do dia, além de ser uma gambiarra, é de nulidade absoluta!




Prefeitura faz corpo mole e não licita exploração publicitária nas empresas de ônibus

Prefeitura faz corpo mole e não licita exploração publicitária nas empresas de ônibus

A Prefeitura de Porto Alegre é obrigada a fazer licitação para a exploração publicitária de todas as empresas de ônibus e também dos lotações.  A única empresa de ônibus de Porto Alegre que licita a propaganda que exibe em seus veículos é a Carris. As outras empresas de ônibus e lotações exibem publicidade em seus vidros traseiros, os chamados busdoors, sem licitação. A própria licitação realizada em 2015 para a renovação do transporte público da cidade prevê esta obrigatoriedade.
Desconfia-se que as eleições municipais estejam inibindo a divulgação dessa irregularidade, que pode ser confundida com algum tipo de manifestação pró ou contra determinados candidatos. Urge a necessidade de se cumprir a legislação vigente. Nem que seja para deixar um ‘recado’ ao próximo prefeito.


Segundo a licitação:
“ 7. DAS OUTRAS FONTES DE RECEITAS
7.1 São consideradas como Outras Fontes de Receita, que ao longo da CONCESSÃO serão depositadas em conta específica criada para este fim e gerida pelo PODER CONCEDENTE, revertendo em MODICIDADE tarifária:
7.1.1 Receitas oriundas da comercialização de espaços publicitários em mídia, eletrônica ou não, em ônibus, lojas, cartões, postos e equipamentos de vendas e demais instalações sob responsabilidade do PODER CONCEDENTE;
7.1.2 Receitas oriundas da exibição e distribuição de informações em sistemas de áudio e vídeo, celulares, modens, dispositivos de comunicação, totens eletrônicos ou quaisquer outros mecanismos de transmissão ou recepção, sob responsabilidade do PODER CONCEDENTE;
7.1.3 Rendimentos líquidos da aplicação financeira advindos da comercialização de créditos antecipados;
7.1.4 Rendimentos líquidos de arrecadação extratarifária; “


Artigo, Enio Meneghetti - Perdido o Poder, agora a ordem é cometer crimes nas ruas

Artigo, Enio Meneghetti - Perdido o Poder, agora a ordem é cometer crimes nas ruas

Na promoção de  arruaças, ocupações e depredações do patrimônio público e privado, sob a desculpa de protestar contra Michel Temer, a intenção é óbvia. Buscar o confronto radical e intolerante e conseguir explosões de violência. Um cadáver para chamar de seu e transformá-lo em mártir. Esse é o desejo nem tão secreto dos mentores das ações dos grupos que foram às ruas na última sexta feira, destruindo agências bancárias, lojas, propriedade pública e privada.

Espera-se que as autoridades legalmente constituídas estejam acompanhando os movimentos desses grupos extremistas que apoiam o governo Dilma e agora escolheram o “Fora Temer” – vice escolhido e eleito por eles – como o inimigo a ser combatido.

A população sabe que o processo de impeachment foi legitimo, a não ser pela vigarice do fatiamento.
As hordas que provocaram quebra-quebra e ocupações, como a do eterno braço armado do PT, o exército do Stedile, que ocupou o prédio da Receita Federal em Porto Alegre, sabem disso.

Afinal, o que tem a ver Receita Federal com MST? É  ato de pura provocação.
A esquerda brasileira não sepultou  prática do emprego da mentira e da violência política.
O que desejam, no fundo de suas mentes deturpadas, é um banho de sangue. Como não conseguirão, um cadáver já serve. Esse seria o grande prazer estético buscado por essa turma que usa da depredação e do confronto provocado contra a polícia.


Pulso firme é o único remédio contra abusos. Justiça e polícia neles.
Felizmente, Dilma Rousseff corre sério risco de ser logo processada criminalmente por tráfico de influência e tentativa de obstrução de Justiça na maracutaia de fazer Lula ministro para ajudá-lo a escapar da Justiça de I grau. Dilma sabe que também incorre em crime de responsabilidade, pela mesma razão.

As coisas estão andando. Na manhã desta segunda feira, 600 policiais federais saíram as para cumprir mandados referentes a atos ilícitos cometidos em fundos de pensão. Trata- se da operação Greenfield.
Os investigadores apuram fraudes contra FUNCEF, PETROS, PREVI e POSTALIS. São 127 mandados. Um dos alvos da PF é o ex-presidente do FUNCEF.Carlos Alberto Caser, ligado a Ricardo Berzoini e João Vaccari Neto.
Os mandados judiciais foram expedidos pela 10ª Vara Federal de Brasília.  São sete de prisão temporária, 106 de busca e apreensão e 34 de condução coercitiva nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina e Amazonas, além do Distrito Federal. Foi determinado também o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias de 103 pessoas,  no valor aproximado de R$ 8 bilhões. Dilma deverá dizer que não sabia de nada. Nem Lula.

Para não parar por aí, Delcídio Amaral prestou depoimento à força-tarefa da Lava Jato na quinta-feira passada e declarou que Lula comandava o esquema de corrupção na Petrobras.

Delcídio afirmou que Lula cuidou pessoalmente do rateio político de diretorias da Petrobras. Envolvia-se na divisão dos postos e na escolha dos nomes indicados pelos partidos. Disse ainda que Lula tinha pleno conhecimento de que os partidos aliados a seu governo usavam as diretorias da estatal para cobrar propinas de empreiteiras e fornecedores da Petrobras. Tratava-se, na definição do delator, de uma ação de governo voltada à compra de apoio parlamentar no Congresso.
As informações que prestou em Curitiba devem ser usadas em inquéritos que correm contra Lula, também submetido à Justiça de primeiro grau.
Espera-se que tudo isso ande rápido, antes que seus apoiadores toquem fogo no país em ações diárias.
Enio Meneghetti


VOLTEM PARA A ESCOLA PRIMÁRIA

          No meu longínquo tempo de estudante – tudo bem, já estou na terceira idade e posso falar assim – a hierarquia escolar tinha como início o “Jardim de Infância”, seguido dos cinco (5) anos do curso “Primário”.
         Eu cursei estas primeiras fases em uma escola pública, no Grupo Escolar Otelo Rosa, em Porto Alegre, de onde ainda me relaciono com queridos amigos daquele tempo, como o Juarez W., a Ana Rosa, o Balduíno, a Margarete, o Dudu, entre outros. Também me lembro de alguns dos mestres, como a D. Haidée, a nossa diretora; Dona Teresinha Abreu e Dona Noeli, professoras respeitadas e admiradas por todos.
         Pois foi lá no “Curso Primário” que reforçamos os ensinamentos trazidos de casa: a educação e o respeito pelos mais velhos; as noções de higiene pessoal (inclusive com a apresentação impecável do nosso uniforme – na época um alvo e bem passado guarda-pó); ser honesto e jamais mentir. Não porque isso fosse pecado, mas porque a verdade e a honestidade fazem parte integrante do caráter de uma pessoa.
         Ah, foi lá também que aprendemos a conviver em grupos, a escrever, e entender a tabuada, fazer contas.
         No Grupo Escolar, descobrimos que castigo é consequência de um erro cometido, de um desvio de conduta, e não um ato de abuso de autoridade.
         Além da saudade, estas lições não foram nunca esquecidas. Pelo menos por mim.
         Apesar da matemática nunca ter sido o meu forte, desde então sei fazer as contas; somar, diminuir, multiplicar e dividir.
         E faço o possível para – sempre – falar a verdade. Mesmo quando esta não me favoreça.
         Acontece que lendo os jornais nos últimos dias, me deparei com algumas absurdas contradições. Certamente de autoria de pessoas que, ou não receberam os mesmos ensinamentos que eu, ou os esqueceram ao longo da vida.
         Assim, vejo manchetes que dizem: “multidões saem às ruas contra o impeachment da Dilma”; ou, “centenas de venezuelanos se juntam para contestar o governo de Maduro”. E, as fotos que ilustram as matérias mostram exatamente o contrário. Ou seja, “as multidões” não passam de grupelhos (pequenos grupos, segundo os dicionários), e “as centenas de manifestantes” são, na realidade, milhares (ou milhões) de pessoas.
         As fotos não mentem. Contra fatos não há argumentos, nos ensina a lógica!
         Então, chego a (triste) conclusão que os editorialistas que permitem tais esparrelas em seus jornais não cursaram o “Primário”, ou esqueceram-se completamente daquelas lições sobre a tabuada e também relativas à honestidade e verdade.
         Porque, somente alguém muito mal intencionado pode se dar ao luxo de confundir grupelhos com multidões e centenas com milhares.
         Quem sabe algum destes vigilantes jornalistas não comete este equívoco matemático contra si? Pegando uma centena de reais emprestados e devolvendo alguns milhares de reais ao seu amigo credor. Sem juros ou correção, numa operação singela de toma lá dá cá.
         É desta forma que os formadores de opinião pretendem ser confiáveis? Ser respeitados?
         Ora, também aprendemos na infância que devemos respeitar para sermos respeitados.
         Creio que está mais do que na hora destas pessoas voltarem à escola primária.
         E de lá saírem somente após ter compreendido as lições.


         Marcelo Aiquel – advogado (06/09/2016)