Reportagem de Carlos Rollsing, Zero Hora - "Não me faz essa pergunta", diz Simon sobre voto em Bolsonaro

A entrevista vai na íntegra, para que o leitor não tenha dúvida alguma sobre as palavras do ex-senador.


Depois de o MDB gaúcho e o governador e candidato à reeleição José Ivo Sartori terem anunciado apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno das eleições presidenciais, emedebistas históricos, forjados nos tempos em que o partido era resistência ao autoritarismo, passaram a ser procurados e pressionados para aderir ao mesmo caminho.

A aproximação com Bolsonaro, que teve 52,63% dos votos no Rio Grande do Sul, é vista como um trunfo para Sartori na disputa com Eduardo Leite (PSDB). Nesta entrevista, o ex-senador e ex-governador Pedro Simon, liderança maior do MDB gaúcho, diz que vai acatar a decisão do partido, mas assegura que não irá participar da campanha.

E mais: pede, com certo constrangimento, que não seja questionado sobre a confirmação do seu voto no candidato do PSL. Ex- companheiro de Ulysses Guimarães, Simon reconhece que a adesão ao capitão da reserva não é coerente com a sua história e com a da legenda.   

O senhor definiu uma posição, depois das reuniões com partidários, sobre o segundo turno da eleição presidencial?

Simon — Estamos em momento muito importante e muito difícil. Na verdade, não é nem o problema de escolher o melhor, mas o menos ruim. Eu reconheci valores na luta do PT ao longo da história, mas hoje a situação é muito complicada. No momento em que eles não fizeram autocrítica, não aceitam o resultado da Justiça, não nos dão a garantia de que vão cumprir as decisões da Lava-Jato. O próprio presidente do PT a ser eleito (Fernando Haddad) daria o perdão ao presidente Lula, o tiraria da prisão. Fica uma situação muito difícil. Do outro lado também, eu tinha grande desconfiança com a vida pregressa do outro candidato (Jair Bolsonaro). Interrogações com relação a identificação dele com a democracia, com as liberdades, mas ultimamente ele vem fazendo afirmativas que detonam o seu respeito pela liberdade.

Quando o candidato a vice-presidente, o general (Hamilton Mourão), diz que tem que terminar com 13º salário e com as férias, que seriam más ao país, ele (Bolsonaro) desautoriza e rejeita. Diz que são direitos sagrados do trabalhador. Ele fala que seu governo não aceitará troca-troca de cargos em troca de vantagens. Reconheço que a situação é muito difícil e complexa. O apoio será crítico (a Bolsonaro), com grandes divergências. Estaremos em alerta permanente em defesa da democracia e da liberdade. O Brasil vive, hoje, na operação Lava-Jato, com a decisão de que o condenado em segunda instância vai para a cadeia, um momento definitivo. Se extinguirá o país da impunidade, indo para um caminho em que o lugar de corrupto é na cadeia. Isso está acontecendo.

Pelo o que entendi da sua manifestação, o senhor vai acatar a decisão do MDB gaúcho de apoiar Bolsonaro, mas fico em dúvida se o senhor vai apoiar ele pessoalmente e se vai votar nele. Como será?

Eu vou ficar fora da campanha. Não participo.

O que o senhor vai fazer então? O que significa apoiar criticamente?

Eu não sei, respeito a decisão do partido, está feito, mas eu fico fora da campanha.

Não é um apoio explícito então?

É um apoio crítico.

E o que significa um apoio crítico?

Não vou participar da campanha. Vou fazer essas análises de um e de outro lado, que eu acho que devem ser feitas.

Mas o senhor vai votar no candidato Bolsonaro?

Não me faz essa pergunta (risos). Eu peço, por favor, que não me faça essa pergunta.

O senhor citou positivamente momentos em que Bolsonaro desautorizou pessoas da campanha dele diante de polêmicas como o fim do 13º salário. Como avalia outras passagens da campanha como a declaração do general Mourão sobre autogolpe e a proposta de Bolsonaro de dobrar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal?

O negócio do Mourão ele desautorizou. Desautorizou o autogolpe, a convocação de Constituinte e também desautorizou aquele grupo de intelectuais que se reuniriam para fazer uma nova Constituição. Sobre a outra questão (STF com o dobro de ministros), é um dos absurdos. Se tem uma coisa que não precisamos, é aumentar o Supremo de 11 para 21 (ministros). O Supremo americano funciona com nove, desde o início da República americana, e vai muito bem. É um absurdo. E isso também não passa só por ele, teria de mandar para o Congresso. Não sei se o Congresso apoiaria. Realmente tem que dar uma sacudida no Supremo, mas também não vamos esquecer que foi o Supremo, com todas as suas complicações, que decidiu que o condenado em segunda instância vai para a cadeia em todo o Brasil. Em 150 anos, nenhum político, nenhum empresário, nenhum agente importante e com dinheiro ia para a cadeia. Só ia para a cadeia ladrão de galinha. Agora, depois dessa decisão, todo mundo tá indo para a cadeia. É o Lula, o presidente da Câmara, presidente do Banco do Brasil, empresários dos mais importantes estão na cadeia. Eu, com toda a sinceridade, não acho que é colocando 21 pessoas no Supremo que vai melhorar.

O senhor participou daquela reunião histórica, em 1964, com o João Goulart em Porto Alegre, nos últimos momentos antes de ele rumar ao exílio em consequência do golpe militar. O senhor acha que aquele período tem comparação com o atual em termos de acirramento de ânimos e polarização?

Sim, participei. Naquela época, o Brasil vivia numa democracia, mas naquele momento, inclusive com a força da igreja, as caminhadas por Deus, pátria e família, contra a corrupção, mar de lama, o Brasil está perto do comunismo, o João Goulart quer implantar o comunismo, roubalheira total. Falavam, falavam, mas não tinha nada. Não provaram nada. Tanto que derrubaram o Jango, ficaram 21 anos, e não apresentaram nenhum fato com relação ao Jango relacionado à corrupção. Agora, não. O povo nunca teve liberdade como agora: rádio, jornal, televisão, todos os candidatos falaram no primeiro turno. Tem as redes sociais. Está tudo sendo debatido franca e abertamente. Hoje a experiência e a participação do povo é muito maior. Naquela época, na hora em que eles fizeram o golpe, não aconteceu nada, a não ser os que queriam luta armada. Agora o povo está debatendo, participando, cobrando. Isso que está acontecendo hoje, no fundo, é uma rebelião social. A sociedade está contra a política tradicional. É uma rebeldia popular que, a esta altura, é contra o que é tradicional, contra o que já existe, contra os partidos que estão aí. O Bolsonaro entrou nessa onda e está levando a melhor sobre políticos que já eram tradicionais. Ele nunca foi nada.

Mas eu lhe pergunto sobre um paralelo com o clima de 1964, por conta dos enfrentamentos que ocorreram naquele período, e que hoje estão acontecendo também. A tensão social dos períodos são comparáveis?

Acho que hoje a sociedade conhece mais as questões. O grande compromisso que precisamos ter é manter a democracia e manter a liberdade. Se isso não acontecer, aí vai ser uma desgraça. Se a operação Lava-Jato for para o beleléu, se soltarem os que estão presos e arquivarem os processos contra os processados com ameaça de prisão, isso vai ser um caos. Aí entraremos numa ingovernabilidade e será imprevisível o que poderá acontecer.

O senhor fez sua trajetória junto com o MDB na resistência pacífica à ditadura. O senhor conviveu com Ulysses Guimarães, autor da célebre frase no ato da promulgação da Constituição, quando disse ter 'ódio e nojo' da ditadura. O senhor também esteve diariamente convivendo com outros grandes nomes, como Mário Covas, figuras históricas do antigo MDB. O senhor acha que esse apoio ao Bolsonaro agora, que tem saudosismo à ditadura e já relativizou atos como a tortura, é coerente com a história do senhor e do MDB?

Não. Acho que hoje, realmente, eu fico me perguntado o que o doutor Ulysses estaria fazendo. A hora é muito complicada e muito difícil. Por isso eu acho que o nosso compromisso com a democracia e com as instituições é absolutamente sagrado. Eu sou o mesmo Pedro Simon, com as mesmas ideias e, se tiver de começar tudo de novo, eu começo tudo de novo. Queremos democracia? Sim. Queremos liberdade? Sim. O que não queremos é 'dando que se recebe' e soltar todo mundo.   

O plano de Lula para o Lulil


É a terceira vez que os petistas tentam cravar esse punhal nas costas da nossa democracia

* FERNÃO LARA MESQUITA, O Estado de S.Paulo

Programa de governo é como termo de uso de aplicativo. Ninguém lê. Mas esse “O Brasil feliz de novo” é uma declaração à praça que não pode passar em branco. Embora políticos, intelectuais, artistas e até a maior parte dos jornalistas se mostrem firmemente decididos a não acreditar no que ele diz, Lula nunca escondeu o que quer ser quando crescer. Depois da esfrega do 1.º turno ele ordenou ao candidato laranja que se faça de bonzinho e renegue tudo, mas a coisa já está registrada no TSE como o programa oficial do governo ... de quem mesmo? É a terceira vez que eles tentam cravar esse punhal nas costas da democracia brasileira. A primeira foi na véspera do Natal de 2009, no apagar das luzes do governo Lula, quando ela foi batizada de “Plano Nacional de Direitos Humanos”; depois em 2014, na véspera da Copa e de um recesso extraordinariamente longo do Congresso quando Dilma o rebatizou de “Decreto 8.243”. Não vão desistir nunca. Essa é a receita oficial de golpe do Foro de São Paulo que fez o seu début mundial com Hugo Chávez “tomando o poder” na Venezuela com ele, à la José Dirceu. 

“O Brasil feliz de novo” não especifica se manterá o Congresso aberto, mas é certo que ele deixaria de ter qualquer função, pois tudo passaria a ser decidido por “plebiscitos convocados pelo presidente da República” e decididos por “novos mecanismos deliberativos” a cargo de “movimentos sociais” e “representantes da sociedade civil organizada”. “Todos os poderes da União e do Ministério Publico”, assim como os do Judiciário, estariam submetidos a esse tipo de “controle social”. Todos os instrumentos da Lava Jato (delações premiadas, prisão na 2.ª instância, etc.) seriam revogados e o “controle da mídia” se faria “com a atuação da Anatel e da Polícia Federal para impedir perseguições”. Todas as “reformas do golpe” aprovadas pelo Congresso seriam revogadas. Haveria um “novo pacto federativo” em que literalmente todas as entidades municipais e estaduais passariam a ser subordinadas a entidades nacionais. Todos os insumos, indústrias e estruturas básicas seriam estatais, ficando para o “empreendedorismo” apenas o que é “micro”. O “grande agronegócio” passaria por reforma agrária. A política externa seria “altiva e ativa” significando privilegiar, inclusive com financiamentos, países da América Latina, do Caribe, da África e do Oriente Médio.
“A juventude” seria objeto de “direitos universais, geracionais e singulares que buscarão permanentemente a autonomia”. Quer dizer, da escolha dos banheiros na primeira escola dos seus filhos à reeducação dos professores, da água da bica ao petróleo, dos povos das florestas aos povos das metrópoles, da polícia única prendendo menos às penitenciárias soltando mais, do esporte à programação de shows, da contenção de encostas aos furacões do Caribe (!), para tudo e para cada coisa, para todos os brasileiros e para cada um, e não só para eles (a lista acima é literal, mas está longe de ser completa), haverá um “plano nacional”, acoplado a um “sistema único” e a um “novo marco regulatório” aprovado por gente que não elegemos que terá por referência “transversal” “o privilégio dos povos da floresta, dos quilombolas, dos negros e das negras, e o combate à LGTBIfobia”, em nome dos quais toda violência moral ou institucional será justificada. 
Todo esse discurso delirantemente sinistro começa com a frase “Lula é uma ideia e agora um programa”, e repete 150 vezes que, nesse Lulil que já não seria Brasil, ele cuidaria pessoalmente de tudo. 
E, no entanto, o País atravessou o 1.º turno inteiro assombrado pela ameaça à democracia encerrada na candidatura Bolsonaro sem que ninguém interrogasse o candidato laranja sobre essa preciosidade. Mas como o Brasil é bem melhor que suas elites, a decisão do 1.º turno deu-se totalmente à revelia dos debates. Eles simplesmente deixaram de interessar porque todo mundo - menos o intuitivo Jair Bolsonaro - fingia que a natureza do regime é uma questão resolvida, quando absolutamente não é. 
Planos de gestão da economia e da administração pública, mesmo os sérios, são luxos para quem já tem o principal resolvido, e aqui, como no resto do planeta, é meio grau mais para a direita ou meio grau mais para a esquerda ou você cai no caos, como nós caímos. Por isso nem os mais patéticos entre os candidatos patéticos que tomaram nosso tempo nos debates conseguiram inventar coisa muito diferente nessa matéria.
Na falta de melhor tudo passou, então, a girar em torno da corrupção. Mas também o combate à corrupção está corrompido. Todo mundo sabe que existe uma diferença e todo mundo sabe que diferença é essa, mas é impossível traduzi-la numa tipificação jurídica. É por isso que nas democracias dignas do nome só quem elege tem o poder de deseleger e, então, entregar o ladrão à Justiça comum, que é igual para todos. Se for só juiz - e ainda por cima intocável - a controlar essa porteira, mais bandido municiando a imprensa para atingir outro bandido em disputas pelo controle de “bocas”, vira o Brasil...
O 2.º turno permitirá que o País se interrogue sobre onde é que vai parar o governo que promete começar revogando todo o Poder Judiciário que prende ladrão que resta, soltando Lula da cadeia, para ficarmos só com aquele que só solta, criado por ele, e que já vive anulando “monocraticamente” votações do Congresso Nacional inteiro. 
Como faremos para que cada Poder da República volte aos seus limites? Que limites são esses, que nós já nem lembramos? Quem poderá restabelecê-los depois do estrago feito pelo lulismo? E como fazer isso com o próximo governo instalando-se à sombra do vulcão de um déficit explosivo por baixo da espada do crime de responsabilidade e sob a sede de vingança da seita que pediu impeachment de todos os governos desde a redemocratização, menos o seu próprio?
Tirar o lulismo do caminho é a condição para essa conversa começar. Mas o Brasil que sangra vai precisar da união de todo o campo democrático - o da esquerda inclusive - para sair dessa enrascada.
* JORNALISTA, ESCREVE EM WWW.VESPEIRO.COM

Astor Wartchow - Faltou autocrítica


Advogado

“Quando as águas da enchente cobrem a tudo e a todos, é porque de há muito começou a chover na serra. Nós é que não nos damos conta” (Eraclio Zepeda (1937-2015), escritor e político mexicano).
          A concomitância da grave crise social e econômica com o sucessivo desvendar dos casos de corrupção deixou a nação em estado de perplexidade e indignação. Logo, generalizou-se a descrença na política, no parlamento, no judiciário e no governo.
Então, quem está surpreso com os atuais resultados eleitorais, com o tsunami conservador que varreu políticos de todas as vertentes? Ora, surpresos estão os que não tiveram capacidade de realizar uma autocrítica acerca dos seus comportamentos, ações e omissões.
Os inconformados com o tsunami “bolsonaro” não percebem - ou não querem - que ele é mera coincidência temporal, um catalisador de insatisfações de toda ordem e natureza. Poderia ter sido seu João ou dona Maria!
São insatisfações represadas que remontam há muito antes dos recentes governos, mas ora acumuladas e agravadas, e que explodiram neste processo eleitoral. Não à toa, alcançando e retirando representação de figuras (pré)históricas da política nacional.
O escritor húngaro George Konrad (1933) definiu a antipolítica como “uma força moral da sociedade civil que articula a desconfiança e rejeição públicas do monopólio de poder da classe política dentro do Estado – um poder usado contra as populações. Esta força moral não pretende derrubar o poder político, mas opor-se à opressão que ele exerce sobre as populações.”
Historicamente (mesmo em outros países), partidos políticos - tanto as direções partidárias quanto os militantes mais ativos - têm restrições em realizar uma auto critica. Temem municiar adversários.
Porém, ao relevar, omitir e desdenhar circunstâncias e fatos negativos de sua responsabilidade, resulta por se equipararem aos piores exemplos da degradante prática da velha política. O que sugere, demonstra e confirma que nada entenderam sobre as razoes do presente fenômeno comportamental e eleitoral.
 E agora, face a desqualificada “renovação” no Congresso Nacional, com mais de trinta partidos representados e as discutíveis bancadas temáticas “da bala”, “do boi”, “da bíblia”, “dos parentes” e “da bola”, dias piores virão. Ruim para a democracia, pior para os brasileiros.
O conselheiro Acácio, na obra literária “Primo Basílio”, de Eça de Queiroz, teria dito que “as conseqüências vem sempre depois!”


Onyx precisa botar ordem no seu campinho

As críticas de Carmen Flores, presidente estadual do PSL, ao PP e ao senador Luiz Carlos Heinze, expõem muita roupa suja pessoal que prejudica a campanha de Bolsonaro no RS.

Heinze foi obrigado a responder. Foi elegante, mas expôs as vísceras das origens das mágoas destiladas por Carmem Flores numa entrevista fora de hora.

A candidata derrotada desune.

O deputado Onyx Lorenzoni precisa botar ordem no campinho.

Artigo, Bernardo Mello Franco - O sistema político pós-regime militar morreu. E agora, o que vai acontecer?


Nada será como antes. O furacão eleitoral levou o telhado e as paredes da casa que abrigava a política brasileira há três décadas. “O sistema partidário que nós conhecíamos morreu no aniversário de 30 anos da Constituição”, resume o cientista político Jairo Nicolau. Ele é um dos estudiosos que tentam entender as mudanças decretadas pela urna.
O eleitor resolveu apressar a morte do doente. Despejou o presidente do Senado, desempregou o líder de todos os governos e humilhou oligarquias que não desgrudavam do poder, como o clã Sarney. No Rio, deu uma surra nos filhos de Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Jorge Picciani e Roberto Jefferson. E um ex-juiz desconhecido até a semana passada virou favorito para conquistar o governo do estado.
RETROCESSO – Ao mesmo tempo, a eleição premiou o ultraconservadorismo, o discurso truculento e o fundamentalismo religioso. A bancada da bala engordou e promete ficar mais estridente. No Rio, o campeão de votos para a Câmara foi um subtenente do Exército que tomou emprestado o sobrenome Bolsonaro. Há dois anos, ele tentou se eleger vereador em Nova Iguaçu. Teve míseros 480 votos. Agora recebeu mais de 345 mil na garupa do capitão.
“Uma taxa de renovação alta não garante um Congresso melhor”, lembra o professor Jairo Nicolau. Ele também prevê dificuldades para a formação de maioria, seja quem for o presidente eleito. A Câmara já estava dividida entre 25 partidos. Agora terá 30, uma fragmentação sem paralelo no mundo.
EXAUSTÃO – O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cujo partido sofreu um tombo histórico, concorda com o diagnóstico. “O sistema que nós montamos em 1988 está se exaurindo. Não sabemos ainda para que lado vai”, diz o tucano, que prevê “tempos de agitação” pela frente.
“A mudança na sociedade é muito rápida, e as instituições não correspondem mais às demandas das pessoas. Estamos virando uma página. O PSDB faz parte desta página. O que vai acontecer, eu não sei”, admite FH.

Chinchilla, a amiga de fé da esquerda latino-americana

- Glauco Fonseca.


O sorriso largo e generoso revela uma alegria um tanto preocupante. É que a líder da missão da Organização dos Estados Americanos, que esteve no Brasil para acompanhar o processo eleitoral, é amicíssima de líderes esquerdistas e proto-ditadores da América Latina. O menu é farto, como demonstram as fotos em que o a felicidade aparece estampada na face da ex-presidente da Costa Rica, Laura Chinchilla.
Laura Chinchilla Miranda (São José, 28 de março de 1959) é uma política e cientista política da Costa Rica, tendo sido a 47ª presidente de seu país, entre maio de 2010 e maio de 2014. Foi, ainda, vice-presidente de Óscar Arias e Ministra da Justiça. Venceu as eleições presidenciais de 7 de fevereiro de 2010 e iniciou seu mandato como Chefe de Governo e Presidente da Costa Rica em 8 de maio de 2010 por um período de 4 anos. Atualmente, ela é a titular da Cátedra José Bonifácio, na Universidade de São Paulo, desde abril de 2018.
O partido de Chinchilla é membro da Internacional Socialista, cujo lema é a promoção da "política progressista para um mundo melhor". Em 28 de novembro de 2009, Chinchilla tornou-se num dos candidatos da Costa Rica, único partido a integrar, participar e apoiar a voz para uma marcha polêmica, chamado "Marcha pela Vida e Família. A participação de Laura Chinchilla Miranda, levantou preocupações entre os vários líderes de direitos humanos e civis da Costa Rica, que considerou o evento como favorecedor do fundamentalismo. Chinchilla afirmou que a marcha não era "contra qualquer grupo".
A Constituição define atualmente a República da Costa Rica como um país Católico Romano. Óscar Arias, como presidente, manifestou apoio à aprovação de legislação a separação igreja-estado. Chinchilla manifestou a sua preocupação sobre a possibilidade de que as mulheres da Costa Rica, pudessem comprar legalmente os chamados "contraceptivos de emergência", alegando que este tipo de contraceptivo seria, na verdade, um "abortivo". A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que, essa contracepção de emergência não pode ser um abortivo, pois não irá ter efeito se a mulher estiver grávida.
Ou seja, Laura Chinchilla, que atestou a lisura das eleições em diversos países como Venezuela, Bolívia e Nicarágua sem achar absolutamente nada, veio ao Brasil e estará de volta no dia 28 para o segundo turno...

Artigo, Percival Puggina - O povo brasileiro acordou


Não adiantou a enorme e persistente campanha para afastar os brasileiros das urnas. Poucas coisas são tão consensuais entre nós quanto a inconfiabilidade das eletrônicas em uso no país. Descrédito total! O solene depoimento de meia dúzia ou mais de ministros do STF e do TSE só agrava a situação. Quem confia nessas cortes? Pois mesmo assim, olhando de soslaio, com um pé atrás, os eleitores brasileiros foram às seções de votação no dia 7 de outubro. O pleito era sua bala de prata! Era a possibilidade de usar a minúscula fração de poder nas mãos de cada cidadão. Apenas nove horas, das 8 às 17. Mas durante esse curto espaço de tempo podia mandar quadrilheiros para casa e para a justiça, renovar o Congresso Nacional e evitar o retorno de criminosos aos locais dos crimes.

O jogo foi pesado. Havia na sociedade uma firme disposição de renovar o parlamento, suprimindo o foro privilegiado dos corruptos e despachando os coniventes e os omissos. Confrontados com essa notória intenção dos eleitores, os parlamentares avaliavam suas chances e muitos já buscavam alternativas pessoais longe do poder. Subitamente tudo mudou. Impulsionados pela oportunidade de ouro concedida pelo STF ao impedir o financiamento empresarial no modo como o fez, os parlamentares criaram o Fundão de Campanha com nosso dinheiro e o ratearam entre si. Em seguida, encurtaram todos os prazos, com o intuito de dificultar o trabalho dos novos postulantes. Para estes, apenas 45 dias de campanha, horário gratuito reduzido, publicidade dificultada e csteio por “vaquinha”. Enquanto os novatos corriam por uma pista cheia de obstáculos, os detentores de mandato colhiam os frutos da generosa distribuição de emendas parlamentares. A vida lhes voltou a sorrir e o céu de Brasília se fez novamente azul. O STF é bom e Deus existe, talvez dissessem blasfemando.

Quem haveria de imaginar que o povo, contra tudo e contra todos, saísse de casa, mandasse às favas a desconfiança nas urnas e levasse a cabo sua tarefa promovendo a maior renovação do Congresso Nacional em vinte anos? O bom povo brasileiro fez o que lhe correspondia. De cada quatro senadores que tentaram reeleição, três não conseguiram; das 54 vagas em disputa, 46 serão ocupadas com novos nomes! Na Câmara dos Deputados, dos 382 parlamentares que tentaram a reeleição, 142 foram destituídos de seus mandatos. A renovação atingiu mais da metade da Casa. O número de conservadores e liberais eleitos marca o que a imprensa militante qualificou como um inusitado giro à direita. Infelizmente, alguns inocentes foram descartados com a água desse banho.

É claro que esse giro se fez ao arrepio da grande imprensa. Nesta, viceja, cada vez mais forte, um rancor em relação às redes sociais. Acostumados a infundir suas convicções a um público dócil e cativo, muitos formadores de opinião viram o próprio poder se diluir, quase atomizar-se, na caótica democratização das redes sociais. Os grandes jornalões, as principais revistas semanais, a Vênus Platinada e os militantes globais do “progressismo” debochado e do esquerdismo anacrônico, em vão tentaram conter o sucesso eleitoral de Bolsonaro. Em vão queimaram o filme perante seu público. Em vão promoveram o presidiário. Em vão tentaram vender picolé de chuchu por chicabom. A nação, preferindo escolher o próprio caminho, recusou o buçal insistentemente apresentado.

O povo brasileiro acordou em tempo de salvar o país e os próprios dedos, que os anéis já lhe levaram.

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* Percival Puggina (73), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.