Entrevista, Leandro Ruschel, Leandro & Stormer - Está tudo para a decolagem da economia brasileira


O Brasil está preparado para crescer, depois das reformas e ajustes já promovidos e em andamento ?
Eu creio que o Brasil criou as condições para gerar a partir de agora o crescimento sustentável, claro que há limitações em termos de eficiência ainda. Reformas estruturais demoram muito tempo para darem resultados, apesar de esses resultados serem muito mais duradouros. Está tudo pronto para a decolagem da economia brasileira.

Coisas como os juros ainda são problemas. 
A gente já criou alguns mecanismos que permitem, já estão permitindo a queda dos juros. 

Juros em queda significam o que, exatamente ?
Já temos os juros mais baixos da história e isso vai trazer ai mais investimentos, seja em artigo de risco, seja em bolsa, seja em economia real. Já que para se ter um retorno os investidores precisam tomar mais riscos. Tomar mais riscos significa investimento, investimento gera obviamente o crescimento.

Quais foram as medidas mais importantes no caso do ajuste das contas públicas ?
Então, acho que a grande vitória que nós tivemos foi a PEC do teto dos gastos ainda no governo Temer, e agora, a reforma da Previdência, esta porque diminuirá o déficit público e permitirá, então, que as autoridades monetárias façam política contra sílica, cortem juros e empurrem os investidores para o mundo dos investimentos.

Os empresários acostumados a mamara nas tetas do governo estão tendo problemas ?
A gente está vendo que há uma diminuição grande da dependência de ex-subsidiados.
Por exemplo, o BNDES chegou a prover mais da metade do financiamento para empresas no passado, e hoje esse número representa um quinto.

O que vem pela frente no quesito ajuste das contas e melhoria da gestão pública ?
Obviamente que ainda tem essa pauta das privatizações, a gente vai ter reforma administrativa, a gente vai ter reforma tributária provavelmente e há um desejo ou até uma necessidade do Congresso aprovar essas pautas.

E a tensão política ?
O país precisa voltar a crescer até para diminuir a pressão sobre o mundo político. Este é um aspecto que pouca gente fala.

2020 em diante ?
Então do ponto de vista interno há um cenário bastante positivo para retomada do crescimento e para melhores resultados no ano que vem e nos próximos anos.

O mundo pode não ajudar, porque o ciclo virtuoso de crescimento parece estar se esgotando.
Tem um ponto ai que nos preocupa bastante que é a questão externa já que o mundo está entrando no 11º ano de crescimento. É um ciclo longo. Os Estados Unidos experimentam o ciclo mais longo da sua história, e em algum momento vai haver alguma correção, vai haver uma correção nos mercados, uma correção na economia global. Já houve uma desaceleração, mas é possível que tenhamos alguma correção em algum momento.

2020, globalmente, como será, por exemplo nos Estados Unidos ?
Ano que vem vai ser um ano complicado aqui nos Estados Unidos por conta das eleições. Temos um cenário de maior volatilidade, principalmente no segundo semestre ano que vem. Temos ai a questão da China, temos uma série de problemas no mundo. Por enquanto está tudo sob controle, mas em algum momento nós teremos alguma desaceleração, talvez uma correção mais aguda e isso deve impactar o Brasil. 

Estamos preparados para tensões globais ?
Então a gente tem que aproveitar ai para fazer o máximo de reforma o mais rápido possível, acha que a reforma da Previdência demorou muito.

Renda fixa ou renda variável, aguardar ou investir ?
Mas enfim, o cenário interno é um cenário que se abre bastante positivo. Há uma massa de investimento em renda fixa que vai ter que migrar para renda variável ou economia real. São investimentos em negócios. 

O que pode atrapalhar ?
Isto tudo deve melhorar a situação, mas a gente tem a instabilidade externa que prejudicaria esse crescimento e paira no ar a possibilidade de uma crise política mais séria, em algum momento.

Você enxerga alguma crise política aguda mais adiante ?
A gente viu ai a Globo tentando criar a situação de crise política, por exemplo. Há uma guerra fria contra o Bolsonaro e a tentativa a todo o momento de puxar o tapete do presidente, criar uma crise institucional ou se criar situações, ou simplificar declarações como essa do filho do presidente né, enfim sempre ronda ai esse fantasma.

Crise política ou crise institucional ?
Ronda o País um fantasma de uma crise institucional, uma crise maior que pode prejudicar essas expectativas que eu acabei de colocar.


Eu creio que o Brasil criou as condições para gerar a partir de agora o crescimento sustentável, claro que há limitações em termos de eficiência ainda. Reformas estruturais demoram muito tempo para darem resultados, apesar de esses resultados serem muito mais duradouros.


A gente já criou alguns mecanismos que permitem, já estão permitindo a queda dos juros. 

Já temos os juros mais baixos da história e isso vai trazer ai mais investimentos, seja em artigo de risco, seja em bolsa, seja em economia real. Já que para se ter um retorno os investidores precisam tomar mais riscos. Tomar mais riscos significa investimento, investimento gera obviamente o crescimento.


Então, acho que a grande vitória que nós tivemos foi a PEC do teto dos gastos ainda no governo Temer, e agora, a reforma da Previdência, esta porque diminuirá o déficit público e permitirá, então,ue as autoridades monetárias façam política contra sílica, cortem juros e empurrem os investidores para o mundo dos investimentos.
A gente tá vendo que há uma diminuição grande da dependência de ex-subsidiados.
Por exemplo, o BNDES chegou a prover mais da metade do financiamento para empresas no passado, e hoje esse número representa um quinto.
Obviamente que ainda tem essa pauta das privatizações, a gente vai ter reforma administrativa, a gente vai ter reforma tributária provavelmente, há um desejo ou até uma necessidade do congresso aprovar essas pautas.
O país precisa voltar a crescer até para diminuir a pressão sobre o mundo político, esse é um aspecto que pouca gente fala.
Então do ponto de vista interno há um cenário bastante positivo para retomada do crescimento e para melhores resultados no ano que vem e nos próximos anos.
Tem um ponto ai que nos preocupa bastante que é a questão externa já que o mundo está entrando no 11º ano de crescimento, é um ciclo longo, os Estados Unidos é o ciclo mais longo da história, e em algum momento vai haver alguma correção, vai haver uma correção nos mercados, uma correção na economia global, já houve uma desaceleração, mas é possível que tenhamos alguma correção em algum momento.
Ano que vem vai ser um ano complicado aqui nos Estados Unidos por conta das eleições né, temos um cenário de maior volatilidade principalmente no segundo semestre ano que vem. Temos ai à questão da China, temos uma série de problemas ai no mundo, por enquanto está sob controle, mas em algum momento nós teremos alguma desaceleração, talvez uma correção mais aguda, isso deve impactar o Brasil, então a gente tem que aproveitar ai para fazer o máximo de reforma o mais rápido possível, acha que a reforma da Previdência demorou muito.
Mas enfim, o cenário interno é um cenário que se abre bastante positivo, há uma massa ai de investimento em renda fixa que vão ter que migrar para renda variável ou economia real né, investimentos em negócios, isso deve melhorar a situação, mas a gente tem a instabilidade externa que prejudicaria esse crescimento que sempre temos ai, paira no ar né a possibilidade de uma crise política mais séria em algum momento.
A gente viu ai a Globo tentando criar a situação, por exemplo, tem né uma guerra ai fria contra o Bolsonaro e a tentativa a todo o momento de puxar o tapete do presidente, criar uma crise institucional ou se criar situações, ou simplificar declarações como essa do filho do presidente né, enfim sempre ronda ai esse fantasma.
O STF pode soltar milhares de presos, sempre ronda ai um fantasma de uma crise institucional, uma crise maior que pode prejudicar essas expectativas que eu acabei de colocar.

Tudo sobre o funcionamento dos hospitais municipais de Porto Alegre nos finados


A Prefeitura de Porto Alegre preparou uma programação especial para facilitar a reverência ao Dia de Finados, neste sábado, 2. Os cemitérios municipais Tristeza (rua Liberal, 19), São João (rua Ari Marinho, 297) e Belém Velho (rua Nossa Senhora do Rosário, 5.205) funcionarão com horários especiais, permanecendo abertos das 8h às 18h, sem fechar ao meio-dia.

No São João, que é também o maior cemitério municipal de Porto Alegre, com cerca de 12,6 mil jazigos, estão programadas três missas na área próxima à caixa d'água: às 8h30, às 10h e às 16h. Além disso, os cemitérios privados oferecerão missas campais, procissões e outras atividades de celebração alusivas ao feriado, sob a coordenação da Associação Sulbrasileira de Cemitérios e Crematórios (Asbrace). http://lproweb.procempa.com.br/pmpa/prefpoa/cs/usu_doc/finados2019.pdf. 

Com expectativa de receber cerca de 2 mil visitantes, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams) intensificou os trabalhos de manutenção dos locais, com limpeza e pinturas de meio fios de calçadas, muros e túmulos, capina e roçada. Conforme o administrador dos três cemitérios municipais, Alexsandro Silva da Costa, mesmo com o clima chuvoso, os cemitérios estão recebendo maior atenção a fim de melhor receber o público.

Já a fiscalização da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE) estará presente nas imediações dos cemitérios da Capital. A equipe atuará das 8h às 17h com o objetivo de coibir o comércio irregular de flores e lanches, inclusive para evitar que essas atividades bloqueiem as vias de acesso de pedestres em áreas de grande movimentação. A Brigada Militar (BM) também estará de prontidão nesses locais. 

Trânsito e Transporte - A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) preservará os acessos principais aos cemitérios a fim de auxiliar no trânsito de veículos e pedestres, que é de grande circulação neste período. Além disso, duas linhas especiais de transporte coletivo serão ativadas: a 297 – Cemitério/Especial, com saída da avenida Borges de Medeiros em direção à região dos cemitérios; e a 398.9 – Jardim da Paz/Finados, que sai da avenida Salgado Filho até a avenida João de Oliveira Remião. 

Todas as ações contam com o apoio da Comissão Municipal de Serviços Funerários, ligada à SMDE.

Câncer do pulmão

Na próxima sexta e sábado, seminário debaterá novas formas de tratamento da doença

      O Rio Grande do Sul é o estado com maior incidência de câncer de pulmão do país. Entre as capitais, Porto Alegre lidera o ranking. Diante desses dados alarmantes, o Hospital Moinhos de Vento promoverá encontros para discutir o avanço da doença na população gaúcha. Entre sexta-feira (1º) e sábado (2), será realizado o II Simpósio Internacional de Câncer de Pulmão.

      O encontro contará com uma série de mesas redondas. “A intenção é discutir, de forma multidisciplinar, os diferentes aspectos da doença e a aplicação das novas tecnologias disponíveis para o tratamento da neoplasia”, diz o coordenador da Unidade de Oncologia Torácica do Moinhos de Vento, Guilherme Geib. No Hotel Sheraton, a programação trará 30 palestrantes nacionais e três oncologistas internacionais.

      “Enormes avanços no manejo ocorreram nos últimos anos, como o rastreamento e diagnóstico precoce com a tomografia de baixa dose, tratamento com a cirurgia robótica, imunoterapia e terapias alvo. Tudo isso e vários outros aspectos serão abordados no simpósio", explica o chefe do Serviço de Pneumologia do Moinhos de Vento, Marcelo Gazzana.

      O ponto alto do seminário será a sessão plenária, na sexta, às 18h. O painel reunirá a canadense Natasha Leighl, o francês Elie Fadel e o brasileiro radicado no Canadá Sérgio Faria. O grupo debaterá temas relacionados à imunoterapia do câncer de pulmão, o limite da cirurgia na doença e aspectos relacionados à radioterapia estereotáxica.

      A programação completa está disponível em https://iisimposiointernacio2.eventize.com.br/.

      Palestrantes internacionais
       
      Natasha Leighl: médica oncologista do Princess Margareth Cancer Center em Toronto, no Canadá, ela se dedica ao desenvolvimento de estudos clínicos de novas drogas no tratamento do câncer de pulmão. Possui mais de 150 artigos científicos publicados e discutirá os avanços da imunoterapia e terapia alvo-dirigida do câncer de pulmão;

      Elie Fadel: professor de Cirurgia Cardiotorácica da Faculdade de Medicina de Paris e diretor do Hospital Marie Lannelongue, também na capital francesa. Especialista em cirurgias de grande porte para câncer de pulmão, é atuante na área de transplante pulmonar. Possui mais de 200 artigos científicos publicados. Discutirá a cirurgia do câncer de pulmão e seus avanços;

      Sérgio Faria: professor de Radio-oncologia da Universidade McGill, em Montreal, no Canadá. Dedica-se à radioterapia para tratamento do câncer de pulmão e estudos clínicos na área. Virá para discutir os avanços tecnológicos da radioterapia no tratamento do câncer de pulmão.

Balanço da viagem do presidente Bolsonaro

O presidente fechou dezenas de acordos durante a viagem a Ásia e Oriente Médio. Ele começou a viagem pelo Japão, no dia 22, passou por China, Catar e Emirados Árabes, e terminou o percurso na Arábia Saudita, nesta quarta-feira

Ele cumpriu o objetivo de fechar parcerias comerciais e atrair investimentos para o Brasil.

Arábia Saudita - O destaque da viagem foi a notícia de que o fundo soberano da Arábia Saudita investirá US$ 10 bilhões no Brasil.  Segundo Bolsonaro, o valor deve ir para setores como infraestrutura, óleo e gás, defesa e saneamento. Além disso, o presidente brasileiro contou que o príncipe da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, “gostaria que uma parte fosse investida para a baía de Angra dos Reis”.Pelo Twitter, o presidente afirmou que um fundo soberano dos Emirados Árabes também aumentará os investimentos no Brasil, mas não especificou o valor desse incremento. A intenção, de acordo com o Twitter de Bolsonaro, “é investir em portos, estradas, mineração, imóveis e entretenimento. Cidadãos nascidos no Catar e na China, dois dos países visitados por Bolsonaro, não precisarão mais de vistos para entrar no Brasi
 Segundo a embaixada da China no Brasil, em 2017, 135 milhões de chineses viajaram para o exterior, mas só 62 mil vieram ao Brasil. Das viagens ao Brasil, 69% foram de negócios.A isenção de vistos para o Catar deve ter pouca repercussão, já que há só pouco mais de 300 mil cidadãos cataris – o país tem quase 3 milhões de habitantes, dos quais só cerca de 10% são nativosNa Arábia Saudita, foram assinados 13 atos, entre os quais acordos de cooperação nas áreas de defesa, pesquisa científica e comércio

China - O  governo assinou protocolos sanitários para exportar farelo de algodão e carne termoprocessada (isto é, que tenha passado por algum processo térmico). O governo brasileiro assinou com a China protocolos sanitários para a exportação de carne termoprocessada (por exemplo, carne que é congelada ou enlatada depois de cozida) e farelo de algodão, que costuma servir como ração para ruminantes.Com isso, os dois produtos já podem ser exportados à China por produtores brasileiros. Protocolos sanitários servem para diminuir o risco de transmissão de pestes ou pragas endêmicas de um país a outro.Em 2018, a China importou US$ 25 milhões em carne bovina. Com a aprovação do protocolo para as carnes termoprocessadas do Brasil, o governo brasileiro espera um aumento na exportação do produto, que gerou US$ 557 milhões para o país no ano passado.Em relação ao farelo de algodão, o Brasil ainda tem um mercado importador muito incipiente do produto, e a China, que no ano passado importou US$ 4 milhões de farelo de algodão, pode ajudar a impulsionar esse mercado.Na China, além dos protocolos sanitários, Bolsonaro e o líder Xi Jinping assinaram outros nove atos, em áreas como pesquisa científica e energia.O líder chinês Xi Jinping virá ao Brasil para a Cúpula dos Brics, em novembro.

Emirados Árabes - Bolsonaro assinou oito acordos em áreas como defesa, tecnologia e cooperação aduaneira. Durante a visita a Abu Dhabi, Bolsonaro falou sobre a necessidade de equipar melhor as Forças Armadas como uma das justificativas para o interesse do Brasil em acordos no setor de defesa.

Catar- O governo brasileiro assinou cinco atos além do acordo de isenção mútua de vistos. As áreas de saúde, defesa e organização de eventos foram contempladas. O governo do Catar quer a cooperação do Brasil na organização da Copa do Mundo de 2022, com base na experiência brasileira como sede de 2014.  

Sífilis


Considerada uma epidemia hoje, no Brasil, a sífilis é uma das infecções sexualmente (IST) mais comuns e é um problema que vem crescendo no mundo e no Brasil. O Rio Grande do Sul está em segundo lugar no ranking nacional e a tendência é de crescimento. Em 2017, a taxa no Estado era de 113,8 por 100 mil habitantes, muito acima da nacional, que está em 58 por 100 mil habitantes. A situação é tão preocupante que virou tema central da XVIII Semana Estadual de Saúde Bucal e foi debatida no Seminário “Manifestações bucais das infecções sexualmente transmissíveis – sífilis e Aids”, que ocorreu nesta quinta-feira (24), no Centro Administrativo Fernando Ferrari (CAFF), em Porto Alegre.
Conforme Fernanda Carvalho, da Coordenação Estadual de IST/Aids, da Secretaria da Saúde (SES/RS), se trata de uma doença negligenciada e o “esquecimento” em torno da prevenção e tratamento “está cobrando seu preço em termos de estratégia de saúde pública”. No Rio Grande do Sul, os problemas estão mais concentrados nas regiões metropolitana, missioneira, norte, sul e serra, nesta ordem. Os casos de sífilis congênita (transmitida ao feto pela placenta) também são considerados altos no Estado, que já é o terceiro no ranking nacional, com quase dois mil casos este ano.
“Sífilis é uma doença antiga e estigmatizada. A sociedade não quer falar sobre isto, mas é preciso”, observa Fernanda, acrescentando que há cura com tratamento, que é barato e relativamente fácil. O cirurgião dentista e especialista em estomatologia, Matheus Claudy, concorda que é preciso romper com a cultura de não falar sobre a questão. “Podemos fazer o teste rapidamente em uma UBS (Unidade Básica de Saúde), mas os pacientes relutam e é preciso mudar isto”. Segundo ele, o diagnóstico precoce resulta em tratamento mais rápido e eficaz. “É uma doença fácil de tratar, por isto temos de acabar com o estigma”.
À plateia, formada por cirurgiões-dentistas, auxiliares e técnicos em saúde bucal de municípios gaúchos, ele fez um apelo: “nós, que atendemos na rede pública, peçamos o teste, é mais fácil começar por aí”. Fernanda Carvalho apoiou a manifestação e disse que acontece muito de profissionais investigarem lesões, mas ninguém pedir testes de sífilis e HIV.
Além deste seminário, promovido pela Coordenação Estadual de Saúde Bucal da SES/RS, a XVIII Semana Estadual de Saúde Bucal é marcada também por um Encontro Regional de Saúde Bucal, que ocorre nesta sexta-feira, 25, na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), voltado para cirurgiões- dentistas da rede pública e acadêmicos da Faculdade de Odontologia. 

“Faltam recursos porque a estrutura do Estado demanda mais do que a capacidade de pagamento”, afirma Leite


Governador lembrou durante a entrevista no Palácio Piratini que dívida total do RS se aproxima de R$ 100 bilhões.
Depois de debater com a sociedade – parlamentares, sindicatos de categorias de servidores e chefes de Poderes – a Reforma Estrutural do Estado, o governador Eduardo Leite concede a entrevista a seguir dentro da política de transparência nas informações prestadas para os gaúchos neste momento de grande importância para o futuro do Rio Grande do Sul.
A reestruturação nas carreiras dos servidores e nas regras previdenciárias – como propõe a reforma – se faz necessária para trazer equilíbrio às finanças do Estado. Um número que comprova essa necessidade: 82% das despesas deste ano até o momento foram para pagar o funcionalismo – que vem recebendo atrasado e parcelado exatamente em razão da falta de capacidade do Estado de cobrir todos os custos.
Ajustar pela receita – como a elevação de impostos –, explica o governador Leite na entrevista, teria um efeito contrário. Uma medida assim faria o morador no Estado, inclusive o servidor, pagar ainda mais por serviços essenciais em razão de elevação de ICMS e reduziria a possibilidade de atração de investimentos, base para a abertura de mais vagas de trabalho.
Por isso, a mudança se faz necessária pelo lado da despesa e pela parte mais representativa, que é a folha salarial. Outras medidas de economia estão sendo tomadas, como descreve o governador a seguir, mas têm efeito pequeno frente ao custo final.
A dívida total do RS – perto de R$ 100 bilhões –, os quase 50 meses de salários pagos com atraso e a falta da capacidade de investimentos em saúde, segurança e infraestrutura evidenciam a necessidade de mudança.
Como não há de onde tirar receitas extraordinárias, a reforma é necessária, informa o governador, "para o Estado voltar a ter capacidade de entregar segurança, saúde, educação, boas estradas, empregos para seus filhos e para as futuras gerações". A seguir, leia os principais trechos de entrevista concedida no Palácio Piratini.

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Por que a Reforma Estrutural que será enviada nos próximos dias à Assembleia é essencial para o futuro do Rio Grande do Sul?
O Rio Grande do Sul, infelizmente, apresenta uma condição fiscal que está entre as piores do Brasil. O RS tem a maior proporção de servidores inativos e pensionistas em relação aos servidores em atividade. Há 1,63 servidor inativo ou pensionista para cada servidor trabalhando. E é uma conta que deve ser paga no final do mês. Assim, o Estado deixa de investir, não consegue pagar os servidores em dia e precariza a situação de investimentos em segurança, em saúde e nas estradas. Isso tira a capacidade de dar retorno para o povo gaúcho naquilo que ele demanda. O déficit previdenciário do Rio Grande do Sul é de R$ 12 bilhões. Como comparação, o Paraná, Estado semelhante ao nosso em população, no orçamento e no PIB, lá o déficit é de R$ 6 bilhões. Ou seja, metade do déficit do RS. Isso significa que, ao longo de um mandato de quatro anos, o governador do Paraná dispõe de R$ 24 bilhões a mais do que o RS para investir ou para cobrar menos em impostos da sua população.
Nós precisamos fazer um esforço muito maior para pagar aposentadorias e, consequentemente, deixamos de retornar para a sociedade aquilo que ela paga em imposto. O servidor paga 14% do seu salário em contribuição previdenciária, o Estado coloca outros 28% e ainda faltam R$ 12 bilhões. Quem paga essa conta é a sociedade como um todo. Eu tenho salientado aos servidores que, antes de serem servidores públicos, eles são cidadãos, que também pagam esse preço. Pagam combustível mais caro, pagam energia elétrica mais cara, pagam telecomunicações mais caras porque as alíquotas foram majoradas, já que o Estado precisa pagar essa conta. Com a elevação de alíquotas, acabamos criando um ambiente economicamente adverso, hostil ao investidor. E aí se deixa de gerar empregos, se deixa de gerar riqueza essencial para que o próprio Estado consiga ter capacidade de pagar os salários. Então, vira um círculo vicioso: o Estado cobra imposto alto, porque precisa pagar aposentadorias e salários. E como cobra imposto alto, desanima a economia. E como desanima a economia, cobra mais caro ainda para conseguir pagar suas contas. E esse círculo vicioso não tem se conseguido romper no nosso Estado, para isso é que nós queremos fazer reforma.
A dívida do Estado passa dos R$ 70 bilhões, e os servidores estão perto de completar 50 meses de salários atrasados. Isso é um alerta de que algo estrutural precisa ser feito?
Sem dúvida nenhuma. Percebam bem: são 50 meses, mais de quatro anos, nos quais se passaram dois governos, dois mandatos, dois governadores diferentes e, inclusive, um que concorreu à reeleição. Então, é evidente que precisa muito mais do que vontade política para superar o problema. Faltam recursos porque a estrutura do Estado demanda mais do que a capacidade de pagamento. No passado, muitas soluções foram utilizadas com receitas extraordinárias, para que esse problema fosse adiado, postergado. Saques ao caixa único, que são recursos de fundos específicos, como a Cultura, o porto do Rio Grande, o Instituto Rio-grandense do Arroz, são instituições ou fundos que têm recursos específicos ali alocados e que o Estado passou a usar para pagar as despesas do mês. Depois, foram os depósitos judiciais, demandas entre terceiros. Se duas pessoas discutem qual é a dívida que uma tem para com a outra, um valor estimado da dívida é depositada em juízo. Esse dinheiro não é do Estado, mas está sob cuidado do RS. E o Estado foi lá e sacou cerca de R$ 11 bilhões dos depósitos judiciais e, assim, constituiu-se uma dívida ainda maior. Nos R$ 70 bilhões está a dívida com a União, mas também temos que computar a dívida de precatórios não pagos, a dívida desse caixa único e dos depósitos judiciais. Tudo isso soma quase R$ 100 bilhões. O Estado não pode mais cair nessas armadilhas, nem tem mais fontes extraordinárias de receitas e, mesmo que tivesse, não seria correto ou adequado, porque estaríamos comprometendo ainda mais o nosso futuro. Por isso que é importante readequar o tamanho da máquina pública.
"O Estado não tem mais fontes extraordinárias de receitas. Mesmo que tivesse, não seria correto usá-las, porque estaríamos comprometendo ainda mais o nosso futuro."
O gasto com pessoal, por exemplo, representa 82% das despesas do Estado. Nos últimos 10 anos, essa despesa passou de R$ 10 bilhões para R$ 29 bilhões, o dobro da inflação. Como resolver essa situação, já que parte desse dinheiro poderia ser investido em estradas, hospitais e escolas?
Entendo ser importante tentar traduzir para a população como é na sua casa. Se você tem um salário que não está dando conta das despesas, vai anotar quais são os gastos para poder entender onde é que se consegue ajustar a capacidade de pagamento do salário. Então, se você tem 80% de uma natureza de despesa, é até importante cortar em outras áreas, mas se não ajustar nessa área, você não vai resolver o seu problema. Por exemplo, no nosso governo, já fizemos a redução de veículos utilizados pelo Estado. Conseguimos dar baixa em cerca de 2 mil veículos, o que nos reduz custo de combustível e de manutenção. Pelo menos R$ 3 milhões foram economizados assim no primeiro semestre. É importante e vamos vai continuar fazendo reduções dessa natureza, mas R$ 3 milhões, dentro de uma despesa de folha de pagamento bilionária, se torna pequeno. E precisamos, então, discutir as mudanças na estrutura da máquina pública onde ela mais consome as receitas do Estado, nos salários e nas aposentadorias. Sem isso ser feito, os próprios salários já pagam a conta. Os servidores, eu costumo dizer, têm agora o primeiro sintoma de uma doença mais grave, que, se não for tratada, vai piorar. E esse tratamento envolve discutir o próprio custo da folha de pagamento na estrutura do Estado.
O déficit previdenciário anual, proporcionalmente, é o maior do Brasil, como o senhor já falou. Isso representa um custo de R$ 1.038 por gaúcho. Além disso, o Estado tem mais servidores inativos do que ativos. Isso também preocupa?
Preocupa muito, porque tira a capacidade da prestação de servidores diretamente pelos servidores, uma vez que o Estado não consegue repor aqueles que se aposentam. A legislação estabeleceu aposentadorias com uma certa condição. O custo com aposentados e pensionistas é crescente, e o Estado, como não vê as receitas crescendo da mesma forma que essa despesa, não consegue fazer a reposição dos servidores. Assim, se precarizam os serviços, como na segurança, e também os investimentos. O orçamento do Estado é de R$ 60 bilhões. Quem olha pensa “puxa, R$ 60 bilhões, como o Estado tem dinheiro”, mas o que resta do orçamento no recurso livre no Tesouro é R$ 300 milhões, dos quais R$ 100 milhões são de outros Poderes. Então, sobram R$ 200 milhões de recursos livres do Tesouro para investimentos. Na verdade, nem é livre, porque esse dinheiro não existe, ele é feito com base no endividamento. Você precisa minimamente tapar buracos, repor viaturas e estrutura da segurança pública, como armamento e coletes. Então, o Estado sequer tem esse dinheiro, mas força a barra porque precisa viabilizar investimentos mínimos para continuar fazendo o RS andar. Mesmo assim, é muito pouco, o que gera frustração na população, que paga imposto alto e não vê os serviços retornarem.

"O Estado já gasta um dinheiro que não tem. Com a reforma, vamos deixar de nos endividar, de pressionar o orçamento com algo que não conseguimos atender."

O senhor se reuniu com sindicatos, ouviu os representantes dos trabalhadores, tanto no início do ano como agora, ao apresentar a reforma. A partir dessas conversas surgiram sugestões. O senhor poderia citar alguma delas?
Acho que é muito importante mantermos diálogo, entendermos as razões do outro, nos colocarmos no lugar do outro e ouvirmos. No caso dos servidores, reconhecemos a legitimidade dos sindicatos, embora discordemos de muitos pontos e haja divergências, principalmente, em alguns adjetivos que me são dirigidos e que considero injustos. Nem por isso deixamos de conversar e de dialogar para entender quais são os pontos que podemos ajustar na nossa proposta. Para dar um exemplo, o sindicato dos professores, o Cpers, apresentou, quando conversamos no começo do ano, a demanda de redução ou até mesmo a eliminação do estorno do vale-alimentação. Resolvemos atender a essa demanda, tirando os 6% de desconto sobre o salário de até R$ 2 mil dos servidores. Com isso, especialmente os professores, mas não só eles, serão beneficiados recebendo o valor do vale-alimentação sem ter de descontar de seus salários. Já tem um ganho salarial aqui. Outra questão que estamos ajustando nas nossas propostas é aumentar o valor do abono família para quem ganha até R$ 3 mil. Hoje, qualquer servidor recebe R$ 44. Ou seja, o servidor que ganha R$ 20 mil ganha R$ 44, e o servidor que recebe salário menor ganha os mesmos R$ 44. Estamos propondo restringir esse benefício para quem ganha até R$ 3 mil, além de triplicar o valor, passando de R$ 44 para R$ 120. Ou seja, colocando recurso para quem mais precisa. O professor que tem dois filhos, por exemplo, vai ter aumento expressivo de abono família e vai deixar de descontar o vale-alimentação, portanto, pode ter um ganho de até 12% no salário. Então, a reforma também foca em atender quem mais precisa, quem ganha menor salário no nosso Estado.
Qual é a projeção do governo em caso de aprovação das medidas? Quanto o Estado deixará de gastar?

 - É importante dizer que o Estado já gasta um dinheiro que não tem. Vamos deixar de endividar o Estado, de pressionar o orçamento com algo que não conseguimos atender. Nossa projeção para os próximos 10 anos é de um impacto de R$ 25 bilhões. Ou seja, o dinheiro que o Estado não tem, que compromete o pagamento do salário dos servidores em dia e, mais difícil ainda, falar em reajuste e reposição da inflação. Queremos reorganizar as contas para que, a partir dessa economia, o Estado consiga retomar a capacidade de pagar em dia, voltar a repor a inflação, de forma a manter o poder de compra dos servidores sem gerar aquele efeito cascata por conta das vantagens temporais, entre outras. Então, a reforma é algo que se impõe, pela inevitabilidade, pela inadiabilidade das medidas, para que sejamos responsáveis com o futuro do nosso Estado, com quem é servidor e com quem não é servidor público também. É uma responsabilidade nossa, e a hora é agora.

Além da reforma, outras medidas estão sendo tomadas para ajustar as contas do Estado. Quais outras iniciativas o senhor destaca?
Costumo dizer que não existe uma bala de prata. Sempre que vamos falar sobre reformar o Estado, reorganizar as contas, cada um tem sua solução, e a verdade é que não existe uma solução sozinha. Há uma série de medidas que precisam ser tomadas para que o Estado consiga sair da grave crise em que se colocou justamente por não ter tomado as medidas corretas em outros momentos. Além das privatizações da CEEE, da CRM e da Sulgás, já autorizadas pela Assembleia, aumentamos muito a velocidade da cobrança dos sonegadores. Só para ter uma ideia, no primeiro semestre do ano passado, a Secretaria da Fazenda arrecadou R$ 700 milhões em processos administrativos. Neste ano, foram R$ 4 bilhões. Estamos apertando o cerco aos sonegadores, bem como buscando a revisão dos incentivos fiscais. O governo tem sido transparente como há muito tempo se demandava que fosse nessa área. Entregamos ao Tribunal de Contas do Estado, de forma discriminada, quais são os benefícios que o RS oferece e esperamos encaminhar, no primeiro semestre do próximo ano, a revisão dos benefícios fiscais à Assembleia Legislativa. Entre outras medidas, buscamos com o governo federal uma melhor repartição dos recursos da cessão onerosa do pré-sal. O Estado iria receber apenas R$ 150 milhões. Nos mobilizamos, fui pessoalmente ao Congresso Nacional, e conseguimos aumentar, com o apoio da bancada gaúcha e de deputados de outros Estados, para R$ 450 milhões os recursos que serão aportados. Ou seja, estamos trabalhando em todas as frentes para que o Estado possa reequilibrar suas contas e tenha um ambiente mais favorável aos negócios. É por isso que tem Código Ambiental sendo rediscutido na Assembleia Legislativa, é por isso que tem concessão de estradas à iniciativa privada para viabilizar investimentos, além de medidas que procuram reduzir burocracia, melhorar logística e reduzir impostos. Tudo isso junto vai criar um ambiente que favorece o investimento privado. E, com investimento privado, vem geração de riqueza, mais arrecadação de impostos e geração de emprego. Todos os servidores precisam saber, como salientei no começo da conversa, que, antes de serem servidores, são cidadãos e querem um Estado, no futuro, com capacidade de entregar a eles aquilo que desejam: segurança, saúde, educação, boas estradas, empregos para seus filhos e para as futuras gerações.
Entrevista: Guilherme Hamm/Secom