Cirurgia Robótica aplicada na oncologia torácica é tema de simpósio no Hospital Moinhos de Vento


Evento realizado neste final de semana reuniu médicos das diversas especialidades envolvidas no tratamento do câncer de pulmão
     
O cenário atual, as inovações técnicas e as perspectivas futuras na utilização da cirurgia robótica para o tratamento do câncer de pulmão foram debatidas entre profissionais da saúde de todo o país, que se reuniram no Hospital Moinhos de Vento neste final de semana.
A programação do Simpósio de Cirurgia Robótica aplicada à Oncologia Torácica, organizado pelo Serviço de Pneumologia e Cirurgia Torácica da instituição gaúcha, em parceria com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, proporcionou apresentações de palestrantes nacionais e internacionais em Porto Alegre.
Na abertura do encontro, que ocorreu na manhã de sábado (28), o chefe do Serviço de Pneumologia e Cirurgia Torácica do Moinhos, Dr. Marcelo Basso Gazzana, destacou que a iniciativa foi a primeira realizada na região Sul, com foco na divulgação das novas tecnologias que podem ser disponibilizadas aos pacientes. “O robô permite cirurgias mais complexas e precisas.  E especialmente no câncer de pulmão, que é uma doença respiratória potencialmente fatal, é sempre oportuno tornar cada vez mais conhecidos os novos avanços no tratamento”, frisou. 
Para o Superintendente Médico do Moinhos de Vento, Luiz Antonio Nasi, o evento marcou a importância da instituição gaúcha no contexto nacional da cirurgia robótica. “É uma tendência mundial da cirurgia oncológica a busca da precisão e da técnica minimamente invasiva. A robótica não só traz essa possibilidade de maior precisão diagnóstica e terapêutica, como também consolida o Hospital Moinhos como um centro de referência no uso dessa tecnologia. E quanto mais um hospital se capacita, mais pacientes se beneficiarão. Os melhores resultados cirúrgicos sempre ocorrem em hospitais com maior volume de cirurgias de alta complexidade e com cirurgiões mais experientes”.
Professor da USP e secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Dr. Ricardo Terra integrou a comissão organizadora do evento e também ressaltou que o promissor programa de cirurgia robótica do Hospital Moinhos de Vento facilitou a parceria. “Nossa Sociedade quer disseminar o conhecimento sobre novas tecnologias como a Robótica e decidimos fazê-lo através de eventos regionais. A escolha de Porto Alegre para sediar o primeiro evento foi devido a relevância nacional da cirurgia torácica gaúcha e por ser grande centro formador”.

Temas em debate
No sábado, as palestras foram divididas em cinco grandes temáticas: Avanços em oncologia Torácica, Princípios da Cirurgia Torácica Robótica, Ressecções Pulmonares, Ressecção Mediastinal e Complicações da Cirurgia Robótica Torácica. Os profissionais se atualizaram sobre os atuais pilares do tratamento, os desafios do diagnóstico e os benefícios da utilização do robô.  Também foram discutidos casos clínicos reais e complexos pela equipe multiprofissional, que incluiu cirurgiões torácicos, pneumologistas, oncologistas, radioterapeutas, radiologistas e patologistas.
Direto dos Estados Unidos, por videoconferência, o Dr. Stephen Yang, professor da Faculdade de Medicina da Johns Hopkins, ministrou uma aula com o tema “Future of robotic thoracic surgery: technology evolution and perspectives”. Yang fez um resgate histórico da tecnologia, falou sobre sua experiência e lembrou a constante necessidade de treinamento e atualização dos profissionais diante da agilidade na evolução das plataformas tecnológicas e descobertas cientificas.
Uma atividade prática – chamada de Hands On - foi a programação do domingo (28), que teve trabalhos em grupo no centro cirúrgico, discussão de casos, utilização do simulador, visitação do equipamento de robótica do Hospital Moinhos de Vento e acompanhamento de uma cirurgia em tempo real.

Artigo, Alon Feuerwerker - Quando o debate econômico vira culto religioso a favor, o maior risco é do próprio governo

A satisfação com produtos ou serviços pode ser medida pela equação S = En - Ex. Satisfação é entrega menos expectativa. Uma entrega bacana produz frustração se a expectativa veio hipertrofiada. Vendas brilhantes saem pela culatra se o entregue fica abaixo do prometido.

O governo Bolsonaro nasceu da urna produzindo alta expectativa em dois campos: economia e segurança pública. Duas variáveis que vão definir o tanto de satisfação ou insatisfação do eleitorado quando o presidente se apresentar à reeleição, ou o bloco de poder dele aparecer em 2022 com outro nome.

São variáveis importantes também ao longo do mandato, especialmente numa política como a brasileira, cada vez mais habituada a surpresas.

Melhora econômica não produz automaticamente avanços na segurança. Uma prova foram os governos do PT. As regiões mais dinâmicas do período, no Nordeste, experimentaram piora expressiva na segurança. As exceções, como Pernambuco, só confirmavam a regra.

Mas melhora econômica, principalmente quando traz muito emprego, tem efeito indireto positivo sobre outras variáveis. Dinheiro no bolso ajuda a resolver, ou relativizar, desafios não estritamente econômicos. O contrário também é verdade: na casa em que falta pão todos brigam e ninguém tem razão.

Na segurança, até agora, o governo parece colocar as fichas em mudanças legais de endurecimento penal. Uma aposta arriscada, mas tem sua vantagem: ainda que os índices não melhorem, a violência legal -ou nem tanto- contra o crime é um anestésico coletivo poderoso. Mesmo que só até certo ponto.

E sempre será possível culpar os governadores. Ainda que a escolha do ministro da Justiça tenha trazido o tema para mais perto do presidente da República.

Vital mesmo é a economia. Nesta, a velocidade de criação de empregos. E a qualidade deles. Qual é a aposta do governo? Que a reforma da previdência melhore decisivamente a expectativa fiscal, e portanto reduza juros, e portanto desperte o otimismo do investidor e do consumidor.

Onde está a dúvida? Se vai funcionar do jeito prometido. Supondo que haja mesmo uma reforma da previdência, o dinheiro poupado vai ser usado para abater dívida? Ou o governo e o Congresso vão preferir engordar o caixa para investir, e assim melhorar o humor das bases eleitorais rumo a 2022?

Ajuda a austeridade o fato de que o resultado previsto no curto prazo pelo projeto de reforma é relativamente menor. A poupança será crescente com o tempo.

Mas um governo sem sustentação congressual própria fica mais vulnerável às demandas para gastar. E haverá pressão social por mais investimento e gasto público, para compensar menos dinheiro no bolso dos afetados pela reforma. Porque déficit público é sinônimo de superavit privado. Não custa lembrar.

Outro detalhe: a redução drástica do déficit depende também de o BNDES devolver uma dinheirama ao Tesouro. Mas isso implica menos dinheiro para o banco emprestar. Aí também a ideia é o capital privado interno e principalmente externo ocupar o espaço. No bottom line, tudo afinal depende disso.

Uma característica do debate econômico no Brasil é operar com dois motores estáveis: o efeito-manada e a interdição. A palavra de ordem do Plano Cruzado nos anos 80 volta de tempos em tempos. “Tem que dar certo (não deveria ser ‘tem de’?)”. E as (más) experiências pregressas nunca servem de lição.

As ideias econômicas oficiais entre nós nunca admitirem crítica, apenas autocrítica a posteriori. Os flancos fiscais abertos do Cruzado eram só nota de rodapé, até a coisa afundar. O mesmo problema foi subestimado no Plano Collor. O “populismo” cambial do Real era #mimimi, até o desabamento de 1999.

Esses exemplos tratam de tempos algo antigos, mas vale a pena lembrar. 

A interdição do debate e o efeito-manada vêm em doses ainda mais cavalares quando a base do governo é gelatinosa, e é o caso agora. O ministro da Economia tem o apoio unânime da opinião pública(da), então só se discute o custo de aprovar a coisa no Congresso. É o único ponto da pauta.

Tudo facilitado pela demonização do papel do Estado. Ainda que nunca tenha havido ciclo econômico benigno no Brasil sem participação decisiva estatal. E dos presidentes eleitos após a redemocratização o único que acabou bem foi Lula. Os demais? Ou não acabaram ou acabaram mal.

Quando o debate econômico vira culto religioso, 
a favor, o próprio governo se torna o mais vulnerável ao risco. 

Ainda que no começo ele não perceba isso.
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Alon Feuerwerker (+55 61 9 8161-9394)
alon.feuerwerker@fsb.com.br

Artigo, Percival Puggina - STF, da crítica à autocrítica


O fato é que me antecipei, em vários dias, ao diagnóstico pronunciado pelo ministro Luís Roberto Barroso sobre as causas do desprestígio do STF junto à opinião pública. Em artigo do dia 19 deste mês, com o título “As redes sociais e o poder do indivíduo”, escrevi:
 “Não é a crítica que gera o descrédito, mas o descrédito que a motiva.”
 Em outras palavras, na minha crítica, ministros efetivamente preocupados com preservar a imagem do Poder deveriam estar mais atentos a si mesmos do que às reações da sociedade.
Uma semana mais tarde, coube ao ministro Barroso, falando em evento na Universidade de Columbia, fazer a autocrítica e dizer que o “descrédito da sociedade” é fruto de decisões da própria Corte. Não bastasse isso, conforme matéria do Estadão (25/04), Barroso proferiu uma série de vigorosas afirmações, segundo as quais:
• na percepção da sociedade, os ministros, por vezes, protegem uma “elite corrupta”;
• há um problema se a Corte, de modo repetido e prolongado toma decisões com as quais a sociedade não concorda e não entende (referia-se, presumo, ao tal papel contramajoritário que o STF vem atribuindo a si mesmo);
• uma grande parte da sociedade e da imprensa percebem a Suprema Corte como um obstáculo à luta contra corrupção no Brasil;
• a sociedade tem a percepção de que “alguns ministros demonstram mais raiva dos promotores e juízes que estão fazendo um bom trabalho do que dos criminosos que saquearam o país”;
• somente no Rio de Janeiro, “mais de 40 pessoas presas por acusações de corrupção foram soltas por habeas corpus concedidos na 2ª Turma”.
E arrematou: “Tudo o que a Corte (STF) poderia remover da Justiça Criminal de Curitiba, cuja persecução de corrupção estava indo bem, foi feito (sic)”.
São palavras de um membro do “pretório excelso”. Não é opinião de um simples cidadão que, acompanhando a vida do tribunal, se escandaliza com as mensagens que alguns de seus membros, de modo reiterado, passam à sociedade. Note-se que tais recados, captados pelo ministro Barroso, são transmitidos numa época em que as luzes da ribalta se acendem sobre aquele plenário, seja pelo exagerado protagonismo de alguns, seja por ações que partidos minoritários levam à Corte atraídos pela tal vocação “contra majoritária”.
A propósito destes últimos acenderei minha lanterna sobre o que vejo acontecer. De uns anos para cá, partidos minúsculos, sem voto nas urnas e, por consequência, nos plenários, sobem no banquinho de seu pequeno significado para se autoproclamarem os únicos representantes das aspirações populares. Há um ditado segundo o qual “quanto menor a tribo, mais emplumado o cacique”. Assim, impressionados consigo mesmos, derrotados nas deliberações de plenário, a toda hora esses pequenos partidos correm e recorrem ao STF em busca da simpatia de seis ministros para sua causa. Claro! É mais fácil conseguir meia dúzia de votos entre 11 do que maioria entre 513. Apelar ao STF virou uma gambiarra para partidos nanicos, que passam a contar com isso até mesmo para suas manobras de obstrução.
P.S. – Especialmente minoritários, mais do que isso elitistas e refinados, são os serviços de fornecimento de refeições institucionais licitados pelo STF e divulgados pelo Estadão no dia 26 de abril. Lagostas e vinhos premiados integram um cardápio digno dos deuses do Olimpo, que vai ao pregão eletrônico pelo custo módico de R$ 1,1 milhão.

* Percival Puggina (74), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A Tomada do Brasil. Integrante do grupo Pensar+.



Artigo, Montserrat Martins, Jornal do Comércio - Lutando contra a depressão


Campeã mundial de Muai Thay, a gaúcha Simoni dos Santos, tem uma história inusitada: há apenas dois anos, era uma dona de casa de 30 anos de idade, criando quatro filhos e uma sobrinha, pesando 100 quilos e com depressão, que "só queria chorar e ficar na cama". Um amigo lhe emprestou um saco de areia para dar socos como uma forma de extravasar frustrações e, vendo que estava lhe fazendo bem tal "terapia", em seguida lhe convidou para treinar Muai Thay. A prática da arte marcial lhe ajudou a emagrecer e quando estava com 95 quilos disputou seu primeiro torneio da categoria. Desde que começou, há dois anos, não parou mais de praticar o esporte, até chegar ao título mundial, conquistado na Tailândia, categoria até 60 quilos. Sua história é um exemplo do poder do esporte como reação à depressão, que é hoje o mais frequente transtorno psiquiátrico - e os antidepressivos o segundo mais vendidos dentre os remédios dessa área no País (atrás apenas dos analgésicos). Os fatores biológicos, psicológicos e sociais são relevantes na depressão. Há pessoas com tendências familiares, há outras com evidentes conflitos emocionais desencadeantes e também há fatores sociais (como o bullying) que podem precipitar quadros depressivos. Quando desencadeada por causas psicológicas, o organismo passa a ser afetado. Os antidepressivos são importantes, principalmente no início, para ajudar a pessoa a reagir, pois a maioria das pessoas nesse estado não conseguiria reação como a de Simoni só com o esporte. O esporte leva o corpo a produzir endorfinas, que têm um efeito antidepressivo, conhecido como o "hormônio do bem-estar", que eleva o ânimo e a autoestima. O aforisma que "esporte é vida" é verdadeiro. Não existem panaceias, coisas que por si só resolvam tudo, mas o esporte é importante para a saúde física e mental. Psiquiatra, autor de Em busca da alma do Brasil  

Liminar fulmina cobrança complementar da substituição tributária do ICMS no RS

A liminar vale apenas para os associados da ACI (Associação Comercial e Industrial de Novo Hamburgo, Campo Bom e Estância Velha, mas abre caminho para que todos façam o mesmo pedido.

A cobrança complementar representa um aumento disfarçado de impostos e é ilegal.


Foi deferida liminar pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, na data de 24 de abril de 2019, para que os associados da ACI-NH/CB/EV não recolham, com base no Decreto nº 54.308/2018, a complementação da substituição tributária do ICMS, decorrente da diferença entre o preço praticado na operação a consumidor final, e a base de cálculo utilizada para o cálculo do débito de responsabilidade por substituição tributária nas operações com mercadorias recebidas para revenda, suspendendo-se a exigibilidade do referido imposto.
O Tribunal fundamentou o deferimento da liminar na ofensa ao princípio da legalidade, na medida que a cobrança realizada pelo Estado do Rio Grande do Sul está embasada em Decreto emitido
pelo Governador do Estado, que criou nova modalidade de substituição tributária, não prevista em lei.
A partir da decisão emitida, o Estado do Rio Grande do Sul não pode autuar as empresas
associadas à ACI, acaso não tenham recolhido os valores relativos à substituição tributária, nos termos do Decreto nº 54.308/2018, além do que não seria necessário realizar a informação dos referidos valores em Guia de Informação - GIA.
Os efeitos da liminar ficam mantidos até a prolação da sentença.

Artigo, Renato Sant'Ana - Uma pauta de mudança

        Entrevistado por Renato Onofre, do Estadão, o presidente do Senado, Sen. Davi Alcolumbre, deixou claro que vai usar a presidência para barrar CPI da Lava Toga e qualquer processo de impeachment de ministro do STF.
          Pode alguém formular uma opinião "a priori"? Ou, à parte dos pedidos já feitos e descartados, poderia Alcolumbre (DEM-AP) rejeitar desde logo futuros requerimentos de CPI, que estarão baseados em motivos que ele não pode adivinhar? Não! Ele age como um juiz que dá uma sentença antes de conhecer as razões das partes.
          Intelectualmente raso e com o hábito da autorreferência, ele é o tipo de político que quase só sabe falar em primeira pessoa: "Quem me conhece desde vereador, conhece um Davi pacificador." "Se houve um momento de divergência entre o presidente da Câmara e o presidente da República, o bombeiro Davi entrou em campo." "Não vou ser mais um para criar uma discórdia no Brasil." eis algumas frases da entrevista.
          Com mandato eletivo desde 2001 (de vereador a senador da República, candidato óbvio em 2022), ele ainda não se moldou à condição de homem de Estado. E parece estar sempre em campanha por voto: o autoelogio é um padrão em suas falas, no que ele é igual a 500 outros congressistas.
           Reportagem da CBN (03/02/2019) mostra que, entre 2015 e 2018, ele gastou mais de R$ 1,7 milhão com a cota de gabinete, a maior parte para divulgação da atividade parlamentar.
          Em abril de 2018, o vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Jacques de Medeiros, pediu a cassação do mandato de Davi Alcolumbre e seus dois suplentes de senador (um deles é Josiel Alcolumbre, seu irmão), alegando ilicitudes na prestação de contas da campanha de 2014.
          No Supremo Tribunal Federal (STF), ele é investigado em dois inquéritos por crimes eleitorais, contra a fé pública e uso de documento falso. Um deles (n. 4677) traz detalhes da denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal do Amapá (sua base eleitoral), apontando irregularidades em sua campanha de 2014. E o outro corre em segredo de Justiça.
          Apesar disso, na disputa pela presidência do Senado, sempre em primeira pessoa, ele usou o discurso da renovação na política, antagonizando com o multiprocessado senador Renan Calheiros (MDB-AL).
          E agora, a seu juízo, não pode haver uma CPI da Lava Toga: "A divergência, a briga, o conflito não leva a gente a lugar nenhum", disse ele ao Estadão sobre eventual confronto com o Judiciário, ignorando a serventia do Senado. Por sinal, foi com igual nobreza de espírito que ele votou a favor do "reajuste" dos ministros do STF...
          Note-se que a entrevista ao Estadão e sua proclamação de propósito ocorreu entre dois atos de uma ópera cujo "finale" ainda vai ser escrito. No primeiro, a revista eletrônica Crusoé informou que Marcelo Odebrecht identificou o codinome de Dias Toffoli (presidente do STF) entre envolvidos em negociatas de sua empreiteira em 2007, quando Toffoli era chefe da Advocacia Geral da União (AGU).
          No segundo ato, Alexandre de Morais, ministro do STF, entrou em cena para censurar a Crusoé, mandando apagar a reportagem que "inquinava" a reputação do seu Colega Dias Toffoli. Mas, depois, concluindo que não era fake news, suspendeu a censura.
          Tudo isso compõe o cenário da velha política. Mas não é o caso de se especular um final para a ópera nem de se analisar a ousadia da Crusoé ou a conveniência ou não de uma CPI para higienizar o Judiciário. O que interessa, por ora, é interpretar os sinais trazidos pela performance de Alcolumbre e extrair uma ideia de mudança.
          O fato gritante é o "vício institucional", qual seja, o excesso de poder do presidente do Senado. Pela regra atual, ele tem a prerrogativa de decidir sozinho, segundo entenda ou lhe convenha, aceitando ou rejeitando, no presente exemplo, pedidos de CPI e, igualmente, de impeachment de ministro das cortes superiores. Ou seja, ficam todos à mercê da inteligência ou estultice, da honestidade ou má-fé de quem quer que ocupe o cargo.
          Tem que mudar. Mas como? A estratégia é focar na instituição, não no indivíduo. Se, por um lado, não há meio apto para garantir que o presidente do Senado reúna todas as qualidades desejáveis, por outro é perfeitamente factível aprimorar a instituição ao mudar as regras e reduzir a discricionariedade do presidente.
          Com efeito, já tramita no Senado o PRS 11/2019, projeto de resolução para alterar o regimento da Casa, mudando a regra para o recebimento de denúncia contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o Procurador-Geral da República por crimes de responsabilidade. Da autoria do Sen. Lasier Martins (Pode-RS), o PRS propõe que a abertura ou não de processo nessas hipóteses seja partilhada por todos os senadores, o que tornará mais democrático o exercício da presidência.
          O PRS 11/2019 presta-se a exemplificar um caminho de mudanças, contrariando o que, de hábito, pensam os simples, para quem o Brasil só vai mudar quando forem eleitos políticos íntegros e dedicados ao interesse geral, ideia que tem certa lógica mas é enganosa.
          Seria mesmo maravilhoso que só existisse bondade. Mas a realidade humana é outra. E se não há meio apto a garantir que, individualmente, todas as pessoas sejam boas, justas e fraternas, então o que resta é trabalhar pelo aprimoramento das instituições que, por sua vez, podem balizar o comportamento das pessoas - estejam elas no Congresso, no Judiciário, na universidade, etc. -, ajudando-as a viver com retidão.

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo

Artigo, Mário Rosa, Poder360 - Os caminhoneiros estão fora da realidade


Recorro aqui ao arsenal de tiradas do genial narrador esportivo Geraldo José para dar um choque de realidade nas nossas queridas e queridos caminhoneiros. Ao invés de parar o país e dar um mata leão no governo, vocês fizeram muito bem em segurar a mão no volante! Afinal, ele fez tudo por vocês e só merecia isso mesmo de volta: compreensão.
Aliás, por que vocês não dão uma paradinha e assistem a uma live do Mito? Vocês que se comunicam tão bem pelas plataformas digitais: por que não gastam algumas horas em algum acostamento deste nosso imenso Brasil e dão uma lida numa coletânea de postagens do nosso presidente no Twitter?
Ou quem sabe por que não buscam um pouco de iluminação nas palavras radiantes do nosso querido 02? Sem nenhum preconceito, só não recomendo o Olavo porque é incompreensível muitas vezes até mesmo para os mais elevados setores da academia.
Caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil, por que vocês iam fazer isso com o nosso presidente? Ele não foi lá e enquadrou o presidente da Petrobras? Depois, a empresa não caiu R$ 32 bilhões de valor de mercado? Tudo bem que, depois do depois, veio o posto Ipiranga (também conhecido como ministro Paulo Guedes) e fez o presidente desfazer tudo que não tinha desfeito.
Mas… é briga de concorrente… o posto Ipiranga odeia mesmo o posto BR…coitado do presidente… ele fez o que podia fazer: criou um fato que durou 24 horas. Resolveu o problema? Não. Mas bombou nas redes. Vocês têm que dar um desconto. Durante um dia todo, era como se vocês tivessem ganhado a parada. Agora, vocês iam fazer isso com o presidente? Que que isso, minha gente!
Caminhoneiros e caminhoneiras do Brasil, vocês têm que entender que o transporte de carga continua o mesmo, as estradas estão piorando, os fretes estão pouco animadores, a segurança no Brasil profundo dá medo, mas o mundo mudou e o Brasil agora é outro. O governo não é para resolver problemas e tomar posições, como antigamente.
O governo é para bombar nas redes sociais. E sejamos justos: o presidente compartilhou com vocês o espaço mais nobre do governo dele: as próprias redes sociais! E agora vocês iam querer vir com essa paralisação? Ia ser muuuuiiittaaaaa ingratidão!!!!
Vocês me perguntam: oh, puxa saco, e o preço do diesel? Geeeenteeee… o mundo mudou, o Brasil também! Qual foi outro presidente que prestigiou tanto vocês nas redes sociais? Qual foi outro que –durante vin-te qua-tro ho-ras in-tei-ras !!!!– deu a impressão de que vocês tinham ganhado a parada?
Vocês têm que ver as coisas como elas são hoje: se vocês forem ao Google, e clicarem “caminhoneiros venceram”, vai ter uma porção de reportagens dizendo isso, daqueles dias. Não é suficiente? Um dia inteiro de exposição positiva na mídia?
Poxa, minha gente, vocês vão continuar exigindo uma solução definitiva do governo sobre qualquer assunto a essa altura do campeonato? Vamos esperar pelo menos a aprovação da reforma –intacta– da Nova Previdência nas duas casas do parlamento, em 2 turnos. Daí, a gente começa a tratar de outros temas como esse, como a criação de empregos, como a retomada de obras paralisadas, como a economia e a vida real.
Por enquanto, vamos viver no virtual! E, lá, vocês ganharam. Lá, o combustível é barato e a Petrobras não precisa fazer nenhuma concessão para vender a preços baixos. Lá, as estradas são maravilhosas, lá elas são seguras, lá os fretes compensam. Gente, vamos pro Twitter, vamos para as lives. Que que é isso, minha gente?