Entrevista, Maurenio Stortti - Compliance: além da esfera jurídica está a gestão com transparência


- Maurenio Stortti é diretor da M.Stortt, Porto Alegre.

Muitos leitores nem sabem o que é compliance.
O termo compliance vem do inglês comply que significa agir em sintonia com as regras. A gestão por processos de compliance ganhou popularidade a partir da Lei Anticorrupção no Brasil e das consequências e análises da Operação Lava Jato.

Afinal, a compliance é ferramenta de gestão ou recurso jurídico ?
As empresas têm que trabalhar com o modelo de compliance na forma de gestão, e não como um instrumento jurídico, como ocorre na maioria das empresas nacionais.

Vocês estão aliados à Thompson em projetos customizados para as empresas. Como acontece isto ?
A Thompson e a M.Stortti adequam o projeto para cada empresa, individualmente, ao um modelo próprio de compliance, não distanciando da visão de ganhar dinheiro o obter resultados, visto que esse é o objetivo final de toda a corporação.

Em que nível se dá a aplicação do modelo de compliance ?
Em sua estrutura, o modelo de compliance deve envolver todas as diretorias e áreas. Está se disseminando de maneira similar ao o que ocorreu há algum tempo com a reengenharia na década de 90. O fluxo de trabalho inicia por um suporte conceitual da alta administração. Segue com a avaliação de riscos que cada empresa apresenta, visto que a realidade do segmento de saúde difere de postos de gasolina, por exemplo. Depois do suporte e da avaliação de riscos, o terceiro passo é criar um código de conduta e de políticas de compliance a ser cumprido junto aos stakeholders da organização. O trabalho desenvolvido pela Thompson e M.Stortti no Brasil segue então com os controles internos do projeto, com uma lógica concentrada em regras claras internamente.
Treinamento e comunicação para o sucesso do programa estão inclusos no fluxo das atividades e inclui não apenas os funcionários da empresa, mas também fornecedores e até clientes.

Mas a aplicação da compliance não se limita à alta administração ?
Nem apenas internamente. A construção de canais de denúncia são implementados, sendo especialmente importantes nesta comunicação digital que integra o público nas mídias sociais. Esse item é bem importante e, de acordo com a visão da Thompson e da M.Stortti, a administração dessa ação deve ser externa à empresa. Auditorias especializadas vêm ocupando este espaço.
Na sequência estão as investigações internas que acompanham todo o processo de compliance, culminando então na auditoria e na manutenção do projeto.

Artigo Astor Wartchow - As pesquisas e Lula


Pesquisas eleitorais têm incluído o ex-presidente Lula na lista dos presidenciáveis. E confirmado sua expressiva performance, notadamente no norte-nordeste, fruto da memória popular  residual de candidaturas anteriores e gestões de governo de viés populista.
A surpresa não é o bom desempenho pré-eleitoral de Lula nas pesquisas. O que surpreende e motiva indagação geral diz respeito sobre o porquê de sua inclusão da lista dos presidenciáveis.
Ora, Lula é inelegível. Investigado, processado, julgado e condenado em primeira e segunda instância, preso inclusive, sua possível candidatura é inviável haja vista a vigência e eficácia da Lei da Ficha Limpa. Mas, então, por que seu nome consta das pesquisas?
Do ponto de vista dos contratantes das pesquisas, suponho que haja um compreensível excesso de liberalidade e ânimo de parecer simpático e democrático. Então, objetivamente, a quem interessa criar e manter este ilusionismo (em torno de uma provável candidatura Lula) e com que objetivos?
Primeiramente, sem dúvida, interessa ao Partido dos Trabalhadores (PT), que assim mantém ativa a retórica e a mobilização de seus filiados e simpatizantes. Aliás, fundamental para viabilizar a candidatura daquele que será indicado por Lula como seu candidato preferencial, filiado ou não ao PT.
Mas, em sentido contrário, a manutenção de Lula nas pesquisas (sobretudo com bom desempenho) também muito interessa àqueles que se apresentam como seus adversários mais ferrenhos.
Ao candidato Bolsonaro, por exemplo, convém estes indicadores. Quanto mais aparece e cresce o espectro Lula, mais cresce o espectro Bolsonaro. Lula/PT e Bolsonaro, são, respectivamente, causa e consequência.  
Quanto aos interesses dos demais e potenciais candidatos presidenciais, a inclusão de Lula nas pesquisas (e o seu efeito colateral Bolsonaro) prejudica, distorce e adia uma percepção mais realista de suas possibilidades e viabilidades eleitorais.
Tocante aos contratantes das pesquisas, sejam jornais e/ou entidades representativas de classes sociais e empresariais, e que exigem e/ou toleram a inclusão de Lula na nominata de pesquisas, creio que tal atitude caracteriza uma irresponsabilidade e inconseqüência.
Além de ignorarem a legislação eleitoral vigente, seja por excesso de liberalidade, democratismo ou demagogia, resulta que não contribuem para o apaziguamento social e o encaminhamento das atuais e vindouras demandas nacionais.
A quem mais interessa a inclusão do inelegível Lula nas pesquisas? E com que objetivo?             

Artigo, Marcelo Aiquel - E agora ? O trapaceiro foi desmascarado


         “The game is over”, diria um jogador independente e realista.
         Mas não foi o que noticiou a Rede Globo á respeito do mais importante passo da diplomacia mundial nos últimos tempos.
         Mesclando seu noticiário com a Copa do Mundo FIFA, a Rede Globo deu mostras de que o amestrado (por ela) povo brasileiro gosta mesmo é de panem et circenses.
         É o aborto de uma guerra nuclear que poderia (ou poderá, ainda?) acabar com o mundo, mas para a R. Globo o importante foi o passeio da nossa seleção uma praia na Rússia.
         Porém existe outro motivo para tamanha desinformação jornalística. E é um motivo relevante para a editoria do grupo, mais preocupada em “descer o pau” (com ou sem razão, pouco importa) no Trump do que contar a verdade ao Brasil.
         Assim, a vitória do Trump (e do mundo todo) sobre o ridículo ditador da Coréia do Norte (um bossal mimado) foi desvalorizada, diminuída. Como se fosse uma obrigação do presidente americano costurar esta paz. Coisa que o “festejado” Obama jamais conseguiu em oito anos, para tristeza de muitos!
         Ao tratar com desprezo a vitória do “odiado” Trump, a Rede Globo aponta claramente para a posição moral que acredita. Segundo ela, elogiar a estratégia do Trump, é igual a aplaudir um caixa eletrônico por lhe dar o dinheiro regularmente sacado!
         E assim vai fazendo a cabeça dos brasileiros...
         Será que é tão difícil ser transparente, estar ao lado da verdade?
         Pois, agora, a editoria do grupo vai “inventar” mais uma mentira sobre o Trump. E reverberar!
         Porque, este “blefadorzinho de meia pataca” ele já derrotou.
         Gostem ou não...

Polêmica em Cachoeira

Uma polêmica envolvendo a casa onde morou o “embaixador da paz dos Farrapos” Antônio Vicente da Fontoura, localizada em Cachoeira do Sul, na região central do RS, está sendo usada pelo prefeito Sérgio Ghignatti (PDT) para censurar o jornalista Cleiton Santos (foto).

Há meses, ocorre uma disputa envolvendo de um lado, ativistas pela preservação do prédio e, de outro, os proprietários, que querem vender o casarão para uma empreiteira. O objetivo é demolir a construção centenária para erguer um prédio de apartamentos, o que está dividindo o Conselho do Patrimônio Histórico da cidade.

De forma inédita, todos os conselheiros indicados pelo prefeito, na maioria, ocupantes de cargos de confiança, compareceram e venceram por 9 x 7 a votação para a retirada da "Casa de Antônio Vicente" do inventário do patrimônio histórico, abrindo caminho para a demolição. O prefeito ratificou a posição em poucas horas. Depois disso, rejeitou duas manifestações do Ministério Público, uma delas com pareceres de peritos do MP e da Universidade Federal de Santa Maria, para suspender o processo e reinventariar o casarão.

Santos, então, escreveu que estava com uma pulga atrás da orelha com a celeridade do processo e que o prefeito “patrolava” a opinião e pareceres contrários, despertando a ira de Ghignatti, que anunciou que irá recorrer à Justiça. O veterano jornalista afirma que o ato se resume a uma tentativa de cercear o trabalho da imprensa, a liberdade de expressão e de imposição de censura.

Entrevista, Júlio Ribeiro, presidente do Clube de Opinião do RS - A credibilidade do jornalista vale mais do que qualquer patrimônio

O jornalista gaúcho Júlio Ribeiro é presidente do Clube de Opinião e publischer da revista Press/Advertising. Na sua editora, administra também um portal, 5 sites e 9 blogs. Júlio Ribei4ro tem 55 anos, 30 anos de jornalismo e 21 de Press/Advertising.

ENTREVISTA

Na internet, qual a diferença principal entre portais, sites e blogs ?
O portal é um grande guarda-chuva que abriga tudo. No caso do blog, o jornalismo tem formato informativo, mas tem tratamento mais pessoal. Os sites assemelham-se muito ao tom impessoal que caracteriza a chamada mídia tradicional.

A responsabilidade do jornalista é maior ou menor na mídia tradicional e na mídia de internet ?
Eu diria que a informação e a opinião possuem filtros maiores na mídia tradicional, dado seus níveis de interesses econômicos, financeiros, políticos e sociais, obrigando os jornalistas a uma autocensura muito grande.

A na internet, como blogs ?
A responsabilidade é totalmente do blogueiro, pessoal, profissional e patrimonialmente.

O editor de um blog seria, então, mais destemido, mais voluntarioso, capaz de avançar o sinal, já que tudo depende dele ?
Como ? E a credibilidade, onde é que fica ? Sem credibilidade não tem leitor e não tem jornalismo. Ninguém se sustenta 20 anos na internet ou seja em que mídia for, sem isto. Este é o grande patrimônio. Não dá para perder.

Então, tem o que perder ?
Perder credibilidade é pior do que perder o patrimônio, porque isto significa ficar sem leitor, sem fonte e sem trabalho, portanto sem respeitabilidade e sem renda. Isto é um risco enorme para qualquer jornalista, sobretudo para quem exerce atividade solo.

O jornalista de qualquer das mídias tem a obrigação de checar suas fontes, buscar novos ângulos ou novas fontes para confirmar as primeiras ?
Sim, claro, mas nem sempre. Se a fonte é crível o suficiente, é tratar de tocar adiante. Eu, o leitor, qualquer pessoa, precisa identrificar bem a fonte e se ela é crível. Se for, é tocar adiante. Eu mesmo, como jornalista, faço isto. Navego por cinco ou seis blogs diariamente, mas só admito aceitar informações e opiniões dos que considero detentores de credibilidade.

E as fake news ?
Isto sempre existiu. Antigamente, era chamado de jornalismo marrom

Entrevista de Cármen Lúcia

A presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, concedeu há instantes entrevista à rádio Gaúcha. Confira a seguir os principais pontos do que ela disse:

Sobre a candidatura do ex-presidente Lula: “A nossa Justiça eleitoral é ágil, ações serão julgadas a tempo, os prazos são menores, o que deverá determinar a definição de cada candidatura. Acho que não haverá pendências até o pleito”.

Sobre a prisão em segunda instância: “O Direito é dinâmico. Em 2009, esta matéria foi levada à análise no plenário. De 2009 a 2016 prevaleceu que somente depois que não cabe nenhum recurso se tem a possiblidade de cumprimento de pena. Em 2016, porém, um caso com repercussão geral mudou esta orientação. Estas e outras matérias poderão voltar a plenário. Isto não acontece somente no Brasil. A Suprema Corte dos EUA também age assim. A reinterpretação é sempre possível e acontece quando há mudança significativa, como alteração de composição do STF, alteração constitucional, etc.”.

Sobre a impressão da população de que somente o juiz Sérgio Moro prende e que no STF, especialmente o ministro Gilmar Mendes, a situação muda: “O STF tem um diferencial. Os ministros recebem todo o tipo de processo, com vários tipos de urgência, que às vezes somam 2,3 mil processos por Ministro, e, o importante: o Supremo julga em última instância, ao contrário de Juiz de 1º grau. No ano passado julgamos 70 mil processos, e a Corte Suprema americana julgou 70 processos”.

Sobre Gilmar Mendes, especificamente: “O ministro pode apenas o que prevê a Constituição. O julgamento do Mensalão mostrou que houve rigor. Ninguém precisa lembrar que o STF precisa cumprir a Constituição”.

Sobre a mudança de prerrogativa de foro: “Haverá diminuição de processos, mas as decisões em 1ª instância podem render novos recursos no STF. É preciso cuidado”.

Sobre os R$ 374 mil ao ano que o STF gastará para a criação de área reservada aos ministros no Aeroporto de Brasília e com auxílio-moradia: “Não falo sobre o auxílio-moradia porque é um tema que está sob judice. Quando ao espaço reservado no aeroporto é para que os magistrados não sejam abordados pelas partes. Desde 2006 os Juízes têm entrada diferente para não serem assediados. O televisionamento provoca a reação das pessoas, o que coloca em risco a integridade dos juízes”.

Privatização da CEEE: uma questão moral

Douglas Sandri, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Agricultura de Lajeado (RS)

A rejeição na Assembleia Legislativa de uma proposta que visava encurtar o tempo para a convocação de um plebiscito sobre a privatização de estatais coloca ainda mais em evidência a questão que marcará o debate nestas eleições: o tamanho do Estado que suportamos pagar. Aqui, discorro sobre a privatização da CEEE. A companhia amargou prejuízos de R$ 1,12 bilhão nos últimos três anos e, para manter a concessão, terá que investir R$ 2,6 bi até 2020. Não é novidade que a CEEE presta um péssimo serviço em sua área de 72 municípios, com 4,8 milhões de clientes. Ela é a 29ª de um ranking com as 33 maiores empresas do setor.

A CEEE-D é o braço de distribuição de energia do Grupo CEEE, que tem ainda uma empresa de geração e transmissão (a CEEE-GT). No último balanço, o grupo apresentou uma dívida líquida de R$ 583,4 milhões. Todo esse rombo é pago com o dinheiro dos nossos impostos, e é um atentado com sérias implicações ao futuro do Estado ter que retirar dinheiro de áreas como saúde, segurança e educação para cobrir a conta da ineficiência das estatais. É imperativo privatizar empresas como a CEEE. Só assim, teremos uma melhor prestação de serviços. Pois não se enganem: uma “boa gestão” estatal não resolveria o problema. Mesmo quando administrado por homens honestos, a máquina geradora da ineficiência continuaria lá: é o próprio Estado, que, ao manter companhias sob seu controle, opta por atender a interesses de grupos de pressão em detrimento de toda a população.

Além de atrapalhar o livre mercado, o governo como gestor de empresas desvia sua atenção de onde ela deveria estar. Com um déficit de R$ 6,9 bi no caixa para 2018, já passou da hora de o Rio Grande do Sul rever suas prioridades. A população tem papel fundamental na correção de rumos. Ou modernizamos a gestão pública, para garantir a prestação de serviços em áreas fundamentais, ou continuamos a pagar a conta.