Fraude nas Americanas pode dar cadeia

 Especialistas apontam até mesmo possível conivência de bancos

Fato relevante publicado ao mercado nesta terça, 13 de junho, dá conta de que sócios e administradores da Americanas cometerem fraudes e lançamentos indevidos da ordem de mais de R$ 20 bilhões. Os números são preliminares, não auditados, mas revelam um possível esquema para engordar as remunerações de seus executivos.

“Seis meses depois, a investigação conduzida pela própria empresa confirmou a fraude consubstanciada por lançamentos errôneos em seus balanços, com a conivência de seus administradores e assessores. Esta ‘pedalada contábil’ tinha por objetivo inflar os números da empresa, garantindo gordas remunerações a seus executivos”, avalia Fernando Canutto, advogado especializado em Direito Empresarial e sócio do Godke Advogados.

Segundo ele, não bastasse a fraude contábil, a contratação de empréstimos sem autorização devida “levanta a hipótese de conivência dos bancos parceiros que concederam os empréstimos, afinal, a lei e o senso comum dizem que, se alguém está contratando um empréstimo, é preciso ter certeza de que esse alguém realmente tem poderes para isso”.

A Americanas, que está em recuperação judicial, comunicou que as fraudes se davam por meio da chamada Verba de Propaganda Cooperada (VPC) — uma quantia negociada entre a indústria e o varejo e que serve, entre outras coisas, para cobrir eventuais custos com publicidade e propaganda. Além disso, a empresa admite a existência de operações de crédito e financiamentos que não foram contabilizados de forma adequada.

Matheus Falivene, que é Doutor em Direito pela USP, com especialização em Direito Penal Econômico pela Universidade de Coimbra (Portugal), explica o caminho para a implicação criminal. “O fato de admitirem que é uma fraude vai ter implicações criminais. Lógico que no âmbito criminal, incumbe à acusação, no caso o Ministério Público, comprovar que há um crime. Não basta a mera posição de sócio ou administrador para a responsabilização”.

Fenando Brandariz, advogado especializado em Direito Empresarial, Recuperação Judicial e presidente da Comissão de Direito Empresarial da OAB Pinheiros, lembra ainda que “a sociedade deverá ingressar com ações indenizatórias contra os ex-administradores e diretores, se ficar demonstrado dolo nas operações até então denominadas de fraudadas”.

Crimes de ordem econômica 

Crimes de ordem econômica, em sentido amplo, incluem as condutas que prejudicam o desenvolvimento do livre mercado, a produção e circulação de bens e serviços e a livre concorrência. A previsão de crimes econômicos na legislação brasileira (Lei 8.137/90) visa coibir práticas que podem gerar vantagens desleais a determinada sociedade ou grupo societário que se beneficia da ilegalidade para aumentar os lucros e dominar o mercado.

De acordo com o comunicado ao mercado, apresentado pelo Conselho de Administração da Americanas, há envolvimento de Miguel Gutierrez, ex-presidente da Americanas que ficou no cargo por 20 anos e foi substituído por Sergio Rial em janeiro deste ano; Anna Christina Ramos Saicali, ex-presidente da Ame Digital; José Timótheo de Barros, ex-diretor responsável por lojas físicas; Márcio Cruz Meirelles, ex-diretor de plataformas digitais; Fábio da Silva Abrate, ex-diretor de relação com investidores da B2W e ex-diretor da Ame Digital; Flávia Carneiro, que atuava na controladoria da empresa; Marcelo da Silva Nunes, ex-diretor financeiro da B2W.

Afastados de suas funções em fevereiro deste ano, todos podem responder criminalmente, caso haja queixa crime feita pelo Ministério Público.  O próximo passo é que a companhia e seus assessores apresentem às autoridades competentes relatórios detalhados das informações.

O atual presidente da empresa, Leonardo Coelho Pereira, participou de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados nesta terça-feira para tratar sobre o caso.

Sobre as fontes:

Fernando Brandariz, mestrando em direito pela Escola Paulista de Direito, especialista em Direito Processual Civil, Direito Empresarial, Direito Internacional, Law of Masters (LLM) e presidente da Comissão de Direito Empresarial da OAB Pinheiros.

Fernando Canutto, advogado especializado em Direito Empresarial. Graduado em Direito pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, pós-graduado em Direito Societário pela Escola de Direito de São Paulo da FGV e em Direito da Reestruturação Societária pelo CEU Law School, além de LL.M. em Direito Societário pelo INSPER – RJ

Matheus Falivene, doutor e mestre em Direito Penal pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).


Por um ensino livre do viés ideológico

Capitão Martim – Deputado Estadual do Republicanos


A doutrinação política e ideológica no ensino pode corromper a formação moral adquirida no seio familiar, além de colocar em risco todo o sistema educacional. 


É natural que as pessoas tenham suas ideologias e envolvimento na política, mas isso deve ficar fora do ambiente escolar. Não podemos permitir que o ensino seja utilizado como instrumento de uma causa menor que não a própria educação. 


A transmissão de conhecimento molda a visão de mundo dos estudantes. No entanto, quando a ideologia prevalece sobre a imparcialidade e o pensamento crítico, o ensino é distorcido. São diversos os relatos sobre educadores, que movidos por uma militância pessoal, buscam impor seus interesses aos alunos através de conteúdos tendenciosos, manipulação de informações e uma perspectiva unilateral sobre política. 


Essa ideologização ocorre em diferentes áreas curriculares com abordagens influenciadas por uma perspectiva que promove valores e crenças deturpados, ao mesmo tempo em que marginalizam pontos de vista contrários. 


Mas o certo é que o professor ocupa posição privilegiada em relação aos alunos. Aqueles que tendem a estimular a divisão de classes, a desestruturação familiar, ou a contestação de valores fundamentais que moldam a sociedade devem ser desestimulados. 


O ambiente escolar deve buscar a imparcialidade, apresentar múltiplas perspectivas e promover o pensamento crítico. Os estudantes devem ser encorajados a questionar, debater e formar suas próprias opiniões com base em informações confiáveis e fundamentadas, em vez de serem forçados a uma ideologia específica. 


É responsabilidade dos educadores e das instituições educacionais garantir que o ensino seja livre de viés ideológico. A pluralidade de pensamento e o respeito às diferenças enriquecem o desempenho educacional e preparam os estudantes para uma participação ativa na sociedade. 


Todo o processo de aprendizado precisa respeitar e possibilitar ao estudante total liberdade na formação de sua identidade, sem que o educador interfira no posicionamento pessoal de cada aprendiz. 


Devemos combater qualquer tentativa de doutrinação ideológica do ensino para frear estes excessos que pretendem dobrar a sociedade à suas crenças.

TRF4 absolve prefeito Jairo Jorge, Canoas, RS

 O prefeito de Canoas, RS, Jairo Jorge, foi absolvido da acusação de empregar recursos públicos provenientes da União em desacordo com os planos ou programas a que se destinavam. No caso, o Convênio nº 2697 (SIAFI 432390), firmado entre o Ministério da Saúde e Município de Canoas em 2001, ainda na gestão do prefeito Marcos Ronchetti.

A decisão foi proferida nesta terça-feira, 13, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Conforme a ata da sessão ordinária, a 7ª Turma decidiu, por unanimidade, absolver tanto o prefeito como o ex-secretário de Saúde do município, Marcelo Bosio.

Em 19 de setembro de 2019, o Ministério Público Federal moveu ação penal alegando que o prefeito Jairo teria, entre janeiro de 2013 e março de 2014, utilizado irregularmente os recursos correspondentes às 5ª e 6ª parcelas do Convênio nº 2697 (SIAFI 432390), essas repassadas ao município em 2006 e 2008, respectivamente. Segundo a ação judicial, a verba teria sido empregada na contratação da reforma geral do Hospital de Pronto Socorro de Canoas, e de outros serviços não relacionados com o objeto do convênio. Porém, a Prefeitura, sob a administração de Jairo Jorge, integralizou ao Ministério da Saúde o valor do convênio com as devidas correções, e o mesmo foi aprovado.

Em 2022, o prefeito já havia sido absolvido em razão dos mesmos fatos em ação civil pública, que reconheceu a ausência de ilicitude, de intenção de praticar qualquer conduta indevida e a inexistência de prejuízo na contratação

Saiba detalhes da reunião de ontem

 A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga às invasões de terras no país, presidida pelo deputado Tenente Coronel Zucco (Republicanos-RS) e tem como relator o deputado Ricardo Salles (PL-SP), realizou nesta terça-feira (13), uma nova Audiência Pública para fazer um balanço da visita à região do Pontal do Paranapanema, área de conflitos rurais em São Paulo.


Durante a audiência, os deputados também ouviram o ex-presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) Francisco Graziano para falar sobre a atual proposta de Reforma Agrária para o País e os casos de invasões promovidas pelo MST e pela Frente Nacional de Luta, Campo e Cidade (FNL).


A FNL é comandada por José Rainha Júnior, que teve a prisão revogada por ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo nesta segunda-feira (12). Rainha estava detido desde março, acusado de usurpar produtores do Pontal. No decorrer da reunião, o deputado Delegado Éder Mauro ressaltou que os membros da CPI irão convocar a presença de José Rainha e sua esposa Diolinda Alves de Souza para analisar a ligação dos dois com as recentes invasões de terra organizadas pelo FNL. 


“A participação dele ficou evidentemente clara nesta invasão. E aqui está sendo apurado quem financia e quem é beneficiado”, afirmou o Delegado Elder. 


Para a deputada Caroline de Toni (PL-SC), que propôs o convite a Xico Graziano, o relatório de diligência realizado na região do Pontal do Paranapanema, demonstrou claramente a oitiva de quatro pessoas que sofreram extorsão pelo movimento liderado por José Rainha. Segundo a deputada, todos tiveram que pagar propina para terem acesso a terras. 


“Ouvimos o depoimento de um cidadão, cujo gados morreram de carrapato. Para isso acontecer tem que estar em uma condição terrível. Muitos deles dizem que defendem os animais, mas não dão nem para as pessoas que vivem nesses acampamentos”, conta a deputada. 


Caroline de Toni completa com um questionamento: “O que falar da agricultura familiar? Nós não vimos nada, o que a gente viu foi um centro destinado à manipulação psicológica de pessoas humildes que tinham o sonho da terra e que após décadas do movimento não tem titulação”. 

A deputada pediu que os movimentos do MST e FNL parem de manipular a população. “Chega de mentiras, chega de vender ilusão a pessoas inocentes que são vítimas desse movimento corrupto”, destacou Caroline de Toni. 

Xico Graziano explicou que foi convidado para apresentar soluções para a Reforma Agrária no Brasil. “Não pretendo me dedicar especificamente às questões relacionadas às invasões de terras, vou mostrar alguns dados importantes sobre o processo da Reforma Agrária brasileira no nosso país”.

“A vida nos assentamentos da reforma agrária não é uma vida fácil. É uma vida miserável. O poder público não consegue, por mais que se esforce, dar condições”, contextualiza Xico Graziano. 

Ele complementa: “A tecnologia não chega lá, faz com que aquela família desista e volte para o movimento. E isso impede a titulação também, os assentamentos não consolidados, o Incra não consegue titular. Porque o assentamento pela lei brasileira só pode ser titulado se for consolidado”.

Os membros da CPI voltam a se reunir amanhã (14), às 14h no Plenário 2 da Câmara dos Deputados.

Todos os homens do presidente Arthur Lira

Todos os homens do presidente Arthur Lira


Entenda os três principais escândalos que envolveram assessores diretos do presidente da Câmara entre 2007 e 2023

 

Por Alice Maciel, Rubens Valente, Thiago Domenici, da Agência Pública


Há 30 anos na política, na qual ingressou por ser filho de um deputado estadual que se tornou um influente senador em Alagoas, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), coleciona pelo menos três grandes escândalos na carreira. Em comum, todos envolveram assessores diretos do parlamentar.

 

Os três trabalhavam muito próximos de Lira, um deles chegou a ter a senha do cartão de crédito pessoal do parlamentar. Numa demonstração de resiliência, de uma defesa jurídica bem montada e de muito bom trânsito no Judiciário, contudo, Lira saiu praticamente incólume das investigações, pelo menos até aqui, enquanto seus assessores suportaram o ônus das acusações.

 

É possível resumir a três as pessoas que trabalharam estreitamente com Lira e depois caíram em descrédito, mas que têm resistido sem emitir nenhuma palavra contrária contra o deputado ao longo de todas as investigações: Djair Marcelino da Silva, hoje com 67 anos; Jaymerson José Gomes de Amorim, 47; e, mais recentemente, Luciano Ferreira Cavalcante, 44.

 

Em 2023, a Operação Hefesto

 

O mais novo escândalo ainda está em andamento. Em 1o de junho, a Polícia Federal (PF) desencadeou a Operação Hefesto, que levou o nome de Cavalcante ao noticiário. Lotado formalmente na liderança do PP na Câmara, o assessor parlamentar é reconhecido como alguém muito próximo de Lira e que o acompanha em diversas agendas e viagens. Sua mulher, Gláucia Maria de Vasconcelos Cavalcante, também já foi assessora do deputado, e sua filha, Maria Luiza Cavalcante, é sócia do primogênito do político, Arthur Lira Filho, na empresa de publicidade Omnia 360 Comunicação e Mídia. Morador de um condomínio de alto padrão em Marechal Deodoro (AL), Cavalcante preside o partido de direita União Brasil em Alagoas.

 

O nome de Cavalcante apareceu na investigação, aberta em 2022, no momento em que os policiais passaram a averiguar as movimentações financeiras da Megalic, empresa que vendeu “kits de robótica” para escolas no Nordeste. A empresa pertence a Edmundo Leite Catunda Júnior, pai do vereador de Maceió João Pedro Loureiro Pessoa Catunda (PP), conforme foi revelado pela Pública em abril do ano passado. Ambos são aliados políticos de Lira no estado. Recentemente, João Catunda declarou ao podcast Política sem Off que Lira é seu padrinho político. "Não escondo isso de ninguém. Nós temos uma relação de muitos anos. É uma pessoa que sempre me ajudou, me deu a mão na política. Costumo dizer que, sim, é meu padrinho político."

 

 



Arthur Lira (PP-AL) e seu agora ex-assessor Luciano Cavalcante (de branco) em Alagoas em 2022. Crédito: Reprodução Instagram Arthur Lira

 

No caso Megalic, a PF suspeita de superfaturamento e pagamento de propina nas aquisições feitas pelo Ministério da Educação a partir de emendas parlamentares dentro do chamado “orçamento secreto”.

 

São muitos os pontos de interrogação sobre Cavalcante, que foi exonerado do gabinete da liderança do PP no início do mês, após seu nome ter ganhado manchetes como alvo da Hefesto. A PF apurou que a Megalic fez pagamentos a empresas pertencentes a um casal de moradores de Águas Claras, na região metropolitana de Brasília, Pedro Magno Salomão Dias e Juliana Cristina Batista. A polícia logo descobriu que o casal fazia saques em agências bancárias no Distrito Federal e, na sequência, supostamente entregava esses valores em espécie em diferentes locais da capital federal. A PF passou a acompanhar Magno e Juliana, fotografando e filmando tanto os provisionamentos de saque, dentro das agências bancárias, quanto a movimentação do casal nas quadras de Brasília.

 

Um desses endereços, posteriormente alvo de busca e apreensão da PF, foi um quarto de hotel no Complexo Brasil 21, local “em que Luciano se hospeda quando está em Brasília”, diz um relatório da PF. O apartamento 217 “foi visitado pelo motorista de Luciano, Wanderson Ribeiro Josino de Jesus”, após um encontro com Pedro Magno. No dia do encontro, diz a PF, houve uma “intensa troca de mensagens” e “inúmeras chamadas de áudio” entre Cavalcante e Magno.

 

A PF detectou que Cavalcante e Magno trocaram 83 mensagens de 9 a 21 de maio passado. Além disso, eles se falaram “51 vezes por chamada de áudio” no aplicativo WhatsApp.

 

A PF descobriu ainda que existia um grupo no WhatsApp denominado “Robótica Gerenciamento”, do qual faziam parte seis pessoas, incluindo Cavalcante e Roberta Lins, a segunda sócia da Megalic, ao lado de Edmundo Catunda.

 

A polícia apurou que um carro utilizado pelo casal Magno e Juliana em Alagoas, uma camionete Toyota Hilux, está registrado em nome de um policial civil aposentado e empresário, Murilo Sérgio Jucá Nogueira Júnior, porém os “seus reais utilizadores/proprietários” seriam Luciano Cavalcante e sua mulher, Gláucia. Por fim, a PF levantou dúvidas sobre a casa utilizada por Cavalcante e Gláucia. Ela foi “recentemente construída pela construtora EMG”, empresa que recebeu “mais de meio milhão de reais da Megalic”. No mesmo período, Edmundo Catunda, sócio da Megalic, “teria transferido R$ 550 mil” para o policial dono da Hilux.

 

Na decisão que autorizou buscas e apreensões em diversos endereços, o juiz federal substituto da 2ª Vara Federal de Maceió (AL), Sérgio Silva Feitosa, escreveu que “a PF enaltece que o casal Gláucia e Luciano Cavalcante figura como ‘prováveis’ [sic] beneficiários finais do fluxo de dinheiro originado na empresa Megalic, transferido para as empresas de fachada do casal de operadores financeiros e usufruídos por meio da utilização do veículo Hilux e da magnífica casa construída no luxuoso Condomínio Laguna”.

 

Nas poucas vezes em que falou em público sobre a operação da PF, Lira nada explicou sobre essas atividades do seu assessor. À GloboNews, ele disse que cada um é responsável pelo seu CPF. “Eu não vou comer essa corda, vou me ater a receber informações mais precisas, e cada um é responsável pelo seu CPF nesta terra e neste país.”

 

Apesar das ligações entre os investigados e seu assessor Luciano Cavalcante, e deste com o parlamentar, Arthur Lira não é alvo da Operação Hefesto, inclusive por uma razão legal: parlamentares detentores de foro especial por prerrogativa de função, o chamado “foro privilegiado”, só podem ser processados pela Procuradoria Geral da República (PGR) no Supremo Tribunal Federal (STF). Em algum momento, se a PF considerar ter encontrado indícios suficientes sobre uma eventual participação de Lira, o caso relativo ao deputado poderá ser transferido para o STF por iniciativa do Ministério Público Federal (MPF) e da Justiça Federal em Alagoas, após um eventual relatório da PF informar os achados.

 

Em 2007, a Operação Taturana

 

Arthur Lira já esteve na mira da PF em outras ocasiões. Em 2007, quando ocupava uma cadeira na Assembleia Legislativa de Alagoas, foi deflagrada a Operação Taturana, que levantou indícios de que o parlamentar liderava um suposto esquema de “rachadinhas”, de acordo com denúncia do MPF. Assim como na Operação Hefesto, na época as investigações também chegaram a um assessor muito próximo do político, Djair Marcelino da Silva, apontado como o operador do esquema. 

 

 



A Operação Taturana, de 2007, investigou um esquema envolvendo a Assembleia Legislativa de Alagoas. Crédito: Itawi Albuquerque Ascom TJ/AL

 

Treze anos depois do escândalo, ele voltou a trabalhar no gabinete de Arthur Lira, desta vez na Câmara dos Deputados, onde está lotado até hoje. 

 

A PF identificou que parte dos recursos que teriam sido desviados do Legislativo de Alagoas de 2001 a 2007 saía do salário de funcionários fantasmas, e seria Djair, então chefe de gabinete de Lira, supostamente o responsável por retirar o dinheiro na boca do caixa — uma espécie de “entreposto financeiro” da organização, segundo a denúncia do MPF. 

 

A ação, que começou com o MPF, foi parar nas mãos do Ministério Público Estadual em 2018, após decisão do STF que limitou o foro privilegiado a crimes durante e em função do cargo.

 

Conforme depoimento prestado por um gerente do banco Bradesco em 2007, Djair teria descontado “aproximadamente dez cheques nominais” de servidores comissionados contratados por Lira. “Eu fui envolvido nessa questão lá atrás, mas não ficou nada comprovado. Se tivesse, eu teria dito”, afirmou o assessor em entrevista concedida à Pública em 2021. Ao ser questionado se existe a prática da “rachadinha” no gabinete do presidente da Câmara, ele respondeu: “Pelo que eu conheço do Arthur, há muito tempo, ele não permitiria esse tipo de coisa, tá certo? Nem eu permitiria”.

 

Lira e Djair se conheceram em 1989, quando o político promovia vaquejadas no Parque Arthur Filho, no município de Pilar (AL) e Djair trabalhava na TV Gazeta de Alagoas. O parlamentar contratou Djair para cuidar dos eventos no parque. Ao longo do tempo, Djair se transformou em “faz-tudo” de Lira. 

 

“O Djair toma conta do escritório de Arthur Lira em Maceió. Pensão alimentícia de Arthur Lira, quem paga é Djair, ele pagava o colégio do filho do Arthur Lira quando o menino vivia em Maceió; cartão de saúde, quem renovava era ele, tudo! Até quando o pai tinha que comparecer no colégio, quem ia era o Djair”, revelou à Pública uma pessoa próxima aos dois, que prefere não se identificar.

 

 



Ao longo de seu mandato na Câmara, Lira nomeou ao menos sete parentes de Djair (na imagem). Crédito: Reprodução

 

A PF revelou ainda que parte do dinheiro que teria sido desviado da Assembleia de Alagoas foi depositada na conta da ex-mulher de Arthur Lira, Jullyene Lins. Ela confessou, no processo, ter sido funcionária fantasma do ex-marido e de ser proprietária da conta que recebia o dinheiro. Além dela, as investigações apontaram que Lira também teria usado dois funcionários de seu gabinete à época como laranjas “para depositar em suas contas-correntes os valores indevidamente desviados”. Segundo os procuradores, os supostos laranjas “cediam suas contas para que, por meio delas, transitassem recursos destinados ao deputado”. 

 

As provas levantadas durante a operação renderam a Lira duas condenações na esfera cível por improbidade administrativa — em primeira instância, em 2012; em segunda instância, em 2016 –, mas elas foram anuladas em abril deste ano por decisão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins. Na esfera criminal, ele foi absolvido depois que a investigação foi anulada sob a justificativa de que deveria ter sido realizada pela Justiça Estadual, e não pela Federal. O Ministério Público de Alagoas tenta até hoje reverter a sentença.

 

Lira aparentemente não se intimidou com as denúncias. Ao longo de seu mandato na Câmara dos Deputados, ele nomeou ao menos sete parentes de Djair em seu gabinete, sendo que um deles tem indícios de ser funcionário fantasma, conforme revelou reportagem da Pública em março de 2022. Posteriormente, o próprio Djair voltou ao posto de chefe de gabinete do parlamentar. De 2011 a 2021, Lira empregou dois filhos, três sobrinhos, a ex-mulher e uma prima de seu assessor. “Todo político tem que ter as pessoas [em] que ele possa confiar”, justificou Djair à Pública. 

 

O caso se assemelha ao de Luciano Cavalcante, que teve a mulher empregada no gabinete de Lira e depois indicada por ele para um cargo na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), assim como seu irmão, Carlos Jorge Ferreira Cavalcante. A empresa pública é vinculada ao Ministério de Desenvolvimento Regional e teria influência política de Arthur Lira. Um dos filhos de Djair, André Marcelino Loureiro Viana Silva, depois de ter passado pela Câmara, também foi indicado na CBTU.

 

O único parente de Djair que continua lotado no gabinete de Lira até hoje é seu sobrinho Luciano José Lessa de Oliveira, mas há indícios de que ele dá expediente em outro local. Lessa, que é dono de uma gráfica em Maceió (AL), a Sete Comunicação Visual, foi flagrado por nossa reportagem em 2021 cinco vezes no local em horário comercial. 

 

O horário de atendimento divulgado nas redes sociais da Sete Comunicação é das 9 horas às 22h30. Lessa coloca na calçada uma placa com seus contatos e a divulgação do seu trabalho: “banners, adesivos, placas e faixas”. Segundo vizinhos ouvidos pela Pública, “ele costuma passar o dia na gráfica”. 

 

Ele foi nomeado por Lira no início do primeiro mandato do deputado na Câmara, em 7 de fevereiro de 2011. Nessa época, José Lessa já tocava a Sete Comunicação havia um ano, conforme registro na Receita Federal. Abordado por nossa reportagem, ele contou que trabalhou na campanha de Lira nas eleições de 2010, a convite do tio Djair, e que posteriormente foi convidado a integrar o quadro de funcionários do gabinete. Luciano disse, no entanto, que não vai a Brasília. “Eu lido aqui direto, com o pessoal daqui de Maceió”, afirmou.

 

Em 2012, o dinheiro no aeroporto

 

Haviam se passado apenas cinco anos do escândalo da Operação Taturana quando o nome de Arthur Lira voltou aos jornais de forma não exatamente honrosa. Em fevereiro de 2012, o brasiliense Jaymerson Amorim foi parado pelos agentes de fiscalização do aeroporto de Congonhas (SP) ao tentar embarcar para Brasília com cédulas em dinheiro presas ao corpo ou escondidas nos bolsos do paletó. Foram apreendidos R$ 106,4 mil.

 

A princípio, nos primeiros depoimentos aos agentes do aeroporto e à PF, Jaymerson desconversou e evitou a todo custo fazer qualquer ligação de seu nome com Lira, mas logo a PF descobriu que ele era um assessor do deputado, aliás, um dos mais próximos, e as passagens aéreas haviam sido bancadas com o cartão de crédito pessoal de Lira.

 

 



Ofício da empresa aérea GOL confirma que cartão de crédito pessoal de Arthur Lira pagou passagem de Jaymerson. Crédito: Reprodução/Agência Pública

 

Num espaço de três anos, Jaymerson apresentou duas versões contraditórias sobre a origem do dinheiro. A PF e a PGR também apontaram contradições nas manifestações de Lira, conforme a Pública relatou em reportagem na semana passada.

 

 



Inquérito da PF reproduz conversa por WhatsApp que Lira manteve com seu assessor minutos antes de ele ter sido parado no aeroporto. Crédito: Reprodução/Agência Pública

 

Em 2018, a PGR denunciou Lira por supostas corrupção e lavagem de dinheiro. Um ano depois, o STF aceitou apenas a primeira imputação, mas Lira recorreu. Quatro anos depois, a PGR voltou atrás e “desdenunciou” o presidente da Câmara. Com isso, os ministros do STF na Primeira Turma rejeitaram a denúncia no último dia 6 de junho. Tanto Lira quanto Jaymerson agora se encontram isentos de qualquer investigação ou acusação pelo transporte do dinheiro. Agora Jaymerson, que voltou a trabalhar na Câmara, já avisou que pretende receber de volta o valor apreendido — corrigido pelo índice IPCA, são R$ 207 mil.

 

No depoimento e na defesa que apresentou ao STF, Arthur Lira confirmou que Jaymerson era seu assessor na época da apreensão do dinheiro, mas negou qualquer participação. A exemplo do que Luciano Cavalcante fez na semana passada, Jaymerson também se desligou, na época, da Câmara dos Deputados. Lira disse ao STF que a presença do seu então assessor em São Paulo estava relacionada a um “assunto pessoal” de Jaymerson.

Toffoli envia ao plenário ação do PV que garante Terras Indígenas

O ministro Dias Toffoli, relator da ação direta de inconstitucionalidade, ADI 7394, impetrada pelo PV, deu prazo de dez dias para que a Presidência da República e o Congresso Nacional e de cinco dias para o Advogado-Geral da União e o Procurador-Geral da República apresentem suas posições. Também decidiu que a ação vá direto ao plenário para que a decisão seja tomada em caráter definitivo.

A ADI 7394 suspende os artigos da lei federal 14.950/2023 que deixam de proibir expressamente a concessão à iniciativa privada das áreas tradicionalmente ocupadas por povos indígenas, remanescentes quilombolas e demais comunidades tradicionais. Aprovada pelo Congresso, a lei 14.950 foi proposta pelo governo Bolsonaro pela Medida Provisória n. 1150/2022.

Para o Partido Verde, estes dispositivos possibilitam à União, aos Estados e aos Municípios a inconstitucional interpretação de que é facultada a concessão à iniciativa privada das áreas tradicionalmente ocupadas pelo Povos Originários deixando de proibir expressamente a concessão de reservas florestais situadas nos territórios pertencentes a eles. 

Segundo a ADI, não basta reconhecer os direitos territoriais dos povos indígenas e quilombolas na prática, com atos formais de demarcação, mas principalmente da garantia de sua efetiva proteção, finalidade determinada pela Constituição, diretamente ligada aos direitos à posse permanente e ao usufruto exclusivo das Terras Indígenas e Quilombolas.



Artigo, Marcus Vinicius Gravina - Aos frouxos e covardes de hoje

- O autor é advogado no RS


Anotei trechos da Live do jornalista Alexandre Garcia que motivou este artigo. Nada parecido com o da clareza e o bom senso que costuma oferecer aos seus leitores. Em comum, somos da mesma década de 1940, com pouco mais de 80 anos e do mesmo Estado-RS.  Ele de Cachoeira do Sul e eu nascido e Lajeado onde ele morou muitos anos.  Isto serve para nos situar no tempo em que ocorreram importantes fatos políticos que vivenciamos. Talvez, diante de tais lembranças o Alexandre foi preciso e oportuno em seu brado patriótico:


“Não se ganham guerras com retiradas, não dá para a gente se retirar. Eu posso dizer a vocês que estamos num momento de decisões, de encruzilhadas como nunca. Nunca senti o que estou sentindo agora a respeito de arbítrio e de autoritarismo. Com acréscimo de que há outro poder que agora retira a liberdade.  É hora de decisões.”


Alguns governadores de Estados deste país foram  protagonistas  e jamais permitiriam fraudes eleitorais ou dobrariam joelhos a condenados por corrupção no mando da Nação.


Vejam do que foram capazes. De dentro do Palácio da Guanabara o governador Carlos Lacerda: Almirante Aragão! Assassino monstruoso! Incestuoso miserável. Deixe seus soldados e venha decidir comigo esta parada. Almirante Aragão, não se aproxime porque te mato com meu revólver”. Abril de 1964. Desafio do governador Lacerda a um oficial de alta patente das Forças Armadas.


Aqui no Sul, outro governador destemido e sob a ameaça de bombardeio aéreo do Palácio Piratini sublevou-se. Enfrentou as Forças Armadas tendo por aliados iniciais, a fiel Brigada Militar e milhares de voluntários, cidadãos rio-grandenses. O comandante do III Exército, Gal. Machado Lopes aderiu ao movimento liderado por Brizola, que tomou o nome de “A Legalidade”.  Não houve nenhum disparo e as poderosas Forças Armadas, recuaram ao não se confrontarem com as tropas insurgentes do III Exército. Houve negociações pacificadoras, inclusive com proposta de parlamentarismo e novas eleições presidenciais. 


Sintam a tensão daquele 28 de agosto de 1961, no discurso do Brizola em frente ao Piratini, que reuniu 50 mil pessoas e foi transmitido pela cadeia da legalidade de rádios instalada no subsolo do Piratini. Houve, até distribuição de armas de fabricação gaúcha aos voluntários:


“Resistiremos até o fim. Queremos um Brasil forte e independente. Não um Brasil escravo dos monopólios norte-americanos. O Palácio Piratini, meus patrícios, está aqui transformado numa cidadela que há de ser heroica, uma cidadela de liberdade, dos direitos humanos, uma cidadela contra a violência, contra o absolutismo, contra os atos dos senhores, dos prepotentes


Em 1988 ouvimos outro discurso épico, do Deputado Ulisses Guimarães, sobre a Constituição Federal: “Discordar sim, divergir sim, descumprir jamais,  afrontá-la nunca. Traidor da Constituição é traidor da Pátria”. 

O que estamos esperando?

Senhores Governadores, convoquem o povo e salvem o Brasil, sob o lema do discurso da promulgação da Constituição de 1988: “Traidor da Constituição é traidor da Pátria”.   Restaure-se a Constituição rasgada. 
Seja dado aos traidores o tratamento da lei. Esta bandeira não é antidemocrática,  é patriótica.