Artigo, especial, Jerônimo Goergen - O Rio Grande do Sul precisa voltar a acreditar em si mesmo

O Rio Grande do Sul passou por anos muito duros. Enfrentamos secas sucessivas, chuvas extremas, enchentes históricas e perdas que atingiram famílias, empresas e produtores. Seria irresponsável minimizar essas dificuldades.


Mas existe outro problema, menos visível, que precisamos enfrentar: a perda da nossa autoestima.


Nós, gaúchos, adquirimos o hábito de falar mal de nós mesmos. Comparamo-nos permanentemente com outros estados e repetimos que o Rio Grande do Sul não cresce, perdeu importância, é caro, burocrático e pouco competitivo.


Temos problemas, sem dúvida. O erro é transformá-los em nossa identidade.


Uma autoanálise equilibrada exige reconhecer o que precisa melhorar, mas também aquilo que estamos fazendo certo. E a realidade mostra um Estado muito distante da imagem de decadência que tantas vezes reproduzimos.


Temos agricultura altamente produtiva, indústria relevante, serviços, tecnologia, universidades de qualidade e uma forte cultura empreendedora. Produzimos alimentos, máquinas, calçados, proteína animal, grãos, vinhos, móveis e conhecimento. Nossas empresas competem no Brasil e no mundo.


Autoestima também é um ativo econômico.


Quem acredita investe, empreende, assume riscos, contrata e inova. Nenhuma sociedade constrói um grande futuro convencida permanentemente de que está fracassando.


E o Rio Grande do Sul avançou nos últimos anos. Enfrentou reformas difíceis, reorganizou parte de suas contas, promoveu privatizações e concessões, modernizou estruturas e abriu mais espaço para o investimento privado.


Ainda há muito a fazer. Temos burocracia demais e um Estado que ainda interfere mais do que deveria na atividade econômica. Precisamos avançar em infraestrutura, segurança jurídica e ambiente de negócios.


Defendo uma ideia simples: o desenvolvimento acontece quando o Estado cria as condições e a sociedade produz. Quanto menos energia gastarmos vencendo obstáculos impostos pelo poder público, mais energia teremos para gerar riqueza.


Mas há uma mudança que não depende de governo ou de lei. Depende de nós.


Precisamos parar de usar outros estados como régua para medir nosso próprio valor. Devemos aprender com quem faz melhor, sempre. Mas uma coisa é aprender com os outros. Outra é viver olhando para o lado.


Nossa história foi construída por gente que trabalhou, produziu, empreendeu e transformou dificuldades em oportunidades. Essa capacidade continua aqui.


Não proponho ufanismo. Proponho confiança.


A autocrítica é indispensável, mas autocrítica sem autoestima vira paralisia. Precisamos reconhecer nossos problemas sem deixar que eles escondam nossas conquistas e nosso potencial.


Depois de tudo o que enfrentamos, continuamos produzindo, investindo, reconstruindo e crescendo.


O Rio Grande do Sul não precisa ser melhor do que seus vizinhos. Precisa ser cada vez melhor do que ele mesmo.


Precisamos de menos Estado onde ele atrapalha, mais eficiência onde ele é necessário, mais liberdade para empreender, mais investimento e mais produção.


E, principalmente, precisamos voltar a confiar em nós mesmos.


Chega de transformar nossas dificuldades em destino. As secas não nos pararam. As enchentes não nos pararam. As crises não nos pararam. E não será o pessimismo que vai nos parar.


Está na hora de levantar a cabeça.


Olhar menos para o lado. Olhar mais para frente.


Porque o futuro do Rio Grande do Sul será construído pela confiança dos gaúchos em sua própria capacidade de trabalhar, empreender e transformar liberdade em desenvolvimento.


Jerônimo Goergen

Presidente do Instituto Liberdade Econômica – ILE

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