Artigo, especial, Carlos Eduardo Bellini Borenstein - Por que a pesquisa Quaest foi favorável a Flávio

Cientista Político da Arko Advice Pesquisas
carloseduardo@arkoadvice.com.br

A mudança na agenda política, consequência da crise no STF, impactou o cenário da disputa ao Palácio do Planalto. Faltando cerca de três semanas para o primeiro turno, apesar da eleição continuar acirrada, o senador Flávio Bolsonaro (PL) registra uma vantagem parcial sobre o presidente Lula (PT).

Isso pode ser observado nos números trazidos pela mais recente do instituto Quaest. No cenário de primeiro turno, a distância de Lula para Flávio, que era de 8 pontos (37% a 29%) no dia 2 de setembro, caiu para apenas 5 pontos (36% a 31%). 

No cenário estimulado de segundo turno é que observamos a mudança mais expressiva. Flávio, pela primeira vez desde abril, ultrapassou numericamente Lula: 42% a 40%. Embora as oscilações da série de pesquisas Quaest tenham oscilado dentro da margem de erro – dois pontos percentuais para mais ou para menos – é possível perceber uma tendência em favor de Flávio nos últimos meses. Em julho, Lula tinha 8 pontos de vantagem sobre Flávio (45% a 37%). Agora, a vantagem está com Flávio: 2 pontos (42% a 40%). Ou seja, nos últimos dois meses, Lula perdeu 5 pontos enquanto Flávio ganhou 5 pontos.

Mais do que os cenários estimulados de primeiro e segundo turno, é importante prestarmos atenção em sete variáveis que reforçam este clima político em favor de Flávio:

1. Maior transferência de votos de eleitores que optam por outros candidatos no primeiro turno: Flávio é o preferido de eleitores de Renan Santos (50%); Ronaldo Caiado (46%); Augusto Cury (41%); e Romeu Zema (32%). Lula, por sua vez, atrai menos votos desses candidatos – Zema (38%); Cury (25%); Caiado (20%); e Renan (18%);


2. Avanço no Sudeste: Na maior região do país, e que contempla Minas Gerais, o estado pêndulo da eleição, Flávio abriu 16 pontos de vantagem sobre Lula (47% a 31%). Na semana passada, a distância entre o senador e o presidente era de 9 pontos (43% a 34%);


3. Crescimento no eleitorado feminino: Entre as mulheres, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados. Lula tem uma vantagem numérica sobre Flávio de apenas 3 pontos (41% a 38%). Em julho, a vantagem de Lula sobre Flávio era de 12 pontos (47% a 35%) nesse segmento;


4. Preferência dos eleitores com renda mensal de 2 a 5 salários: No segmento em que o governo buscava conquistar através de medidas como a isenção do imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil, em um eventual segundo turno, Flávio tem dez pontos a mais que Lula (46% a 36%);


5. Agenda favorável: A corrupção disparou na preocupação dos entrevistados. Em relação ao início de setembro, subiu 8 pontos (14% para 22%) a preocupação com o tema, ficando atrás apenas da violência (31%). Na sequência aparecem a economia (19%) e saúde (10%). Vale observar que os dois temas que mais preocupam a opinião pública – violência e corrupção – são assuntos que colocam Lula na defensiva e deixam Flávio mais confortável para desgastar o governo;


6. Conquista de eleitores independentes:  Em um eventual segundo turno entre Lula e Flávio, 36% declaram voto no senador enquanto 26% manifestam preferência pelo presidente. Outros 29% afirmam que não irão votar. Comparado a semana passada, Flávio cresceu quatro pontos (32% para 36%) nesse segmento. Lula, por sua vez, oscilou negativamente dois pontos (28% para 26%); e


7. Saldo negativo de popularidade de Lula: A desaprovação do governo supera a aprovação (50% a 43%)

Além desses aspectos quantitativos, Flávio, no contraste de imagens de Lula, leva vantagem no horário eleitoral. As imagens de Flávio caminhando no supermercado e mostrando o aumento de preços de produtos básicos se conectam com o dia-a-dia dos brasileiros impactados pelo aumento do endividamento. Lula, por sua vez, tem um programa que aposta na trajetória política do petista, tendo um foco essencialmente no passado, e a aposta em temas de difícil compreensão como os minerais críticos. 


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