Os casos das estatais gaúchas

Cinco estatais só podem ser vendidas ou federalizadas mediante plebiscito ou mudança da Constituição. O governo Sartori protocolou PECs, pedindo a alteração constitucional, alterações que exigem 2/3 dos votos e que a Assembleia não parece disposta a aceitar. As estatais protegidas são CEEE, Sulgás, CRM, Procergs e Banrisul.

As chamadas contrapartidas relacionadas com a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal dos Estados, estão vinculadas ao caso da flexibilizaçãod a Lei de Responsabilidade Fiscal, que atualmente impede o governo estadual de tomar qualquer novo empréstimo. Esta flexibilização, permitiria ao governo Sartori buscar dinheiro novo nos bancos, com aval do governo federal, que exige pela Lei do RRF, garantias de que os empréstimos serão pagos, no caso o dinheiro obtido pela venda ou federalização de estatais.

O governo estadual poderá tomar emprestado o equivalente a 50% do valor precificado para as vendas ou federalizações das estatais.

Se tiver outra opção equivalente e isto for aceito pela STN, poderá fazer isto também, mas a opção não existe.

Como se sabe, entre as heranças malditas deixadas pelo governo lulopetista de Tarso Genro, está o esgotamento de toda a margem de empréstimos do Estado. Tarso recebeu do governo Yeda uma margem de endividamento de 15% e comprometeu tudo.

A contabilidade criativa do Tribunal de Contas do RS

Neste Relatório e Parecer Prévio sobre as Contas do Governo, 2003, o Tribunal de Contas do RS mexeu nos critérios para o estabelecimento da relação entre gastos com a Folha de Pessoal e Receita Corrente Líquida, um ponto nodal das divergências que opõem governo Sartori e governo Temer nas atuais negociações pela adesão do Estado ao RRF dos Estados. Por um passe de mágica, as despesas com a Folha despencaram de 76,03%% para 58,73%, favorecendo a emergência de reajustes salariais para todos os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), mais MPE e o próprio TCE. 

Leia o que escreveu na página 76 (o relatório tem 469 páginas) o conselheiro Porfírio Peixoto:

Cabe ressaltar que, para fins de atendimento aos dispositivos da Lei de Responsabilidade Fiscal, a apuração das Despesas com Pessoal, visando ao atendimento do limite de 60% da Receita Corrente Líquida, segue critérios
diferentes daquele apresentado para compor o Grupo de Despesa “Pessoal e Encargos Sociais”, em especial, pela exclusão das pensões e, a partir de 2001, pela dedução do Imposto de Renda Retido na Fonte dos Servidores (IRRF), segundo determinação do Parecer Coletivo nº 2/2002, deste Tribunal. Assim, os gastos segundo o grupo de despesa “Pessoal e Encargos Sociais” representaram 76,03% da Receita Corrente Líquida, enquanto, na apuração da Despesa Total com Pessoal, segundo a LRF, foi obtido o percentual de 58,73%, estando adequado ao limite estabelecido, conforme se demonstra a seguir:


Em 2000, a despesa com pessoal segundo a LRF obteve um percentual da Receita Corrente Líquida (73,23%) próximo àquele apurado pelo grupo Pessoal e Encargos Sociais (75,69%). A partir de 2001, no entanto, deixou de fazer parte do cômputo a despesa do IPERGS com a assistência médica dos servidores (projetos 2852, 2859 e 2864), os auxílios funeral, creche, bolsa de estudos, transportes e refeição (e/ou etapas de alimentação), bem como o Imposto de Renda Retido na Fonte dos Servidores, com base em jurisprudência formada por decisões deste Tribunal.

Artigo, Astor Wartchow - Ficha Limpa

- O autor é advogado no RS.
      
   A “Operação Mãos Limpas” italiana investigou mais de seis mil pessoas. Dentre elas, 2.993 tiveram prisão imediata. Quatro ex-primeiros-ministros, mais de 400 parlamentares, mais de 800 empresários e uns 2000 administradores locais (no de ano de 1982 e seguintes).
      Nossa lei da “Ficha Limpa” está inspirada na experiência italiana. Vários juristas antecipavam que ela seria julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como de fato foi. Diziam, à época, que a lei caracterizava um abuso e precedente gravíssimo ao ignorar o princípio da irretroatividade das leis (as leis eleitorais devem estar em vigor doze meses antes da data das eleições seguintes). Fato superado.
      Porém, fato não resolvido é: a lei seria incompatível com o princípio constitucional da presunção de inocência. Afinal, ninguém poderá ser considerado culpado sem sentença definitiva com trânsito em julgado.
      Embora a lei da ficha limpa defina que a condenação em segunda instância basta para barrar qualquer candidatura (caso Lula, por exemplo), o princípio constitucional se sobrepõe a este aspecto legal. Logo, qualquer cidadão poderá concorrer, ainda que condenado em segunda instância.  Veremos o que decidirá o Supremo Tribunal Federal.
      Mas vejamos a questão por outros ângulos. Minha opinião: não se trata de uma lei eleitoral. Trata-se de legislação que fixa uma exigência ética, que fixa pré-requisitos para a obtenção de “uma procuração do povo, do cidadão, do eleitor”. É como se fosse a exigência de uma “folha corrida” de antecedentes pessoais e sociais que qualquer candidato a servidor público deve apresentar.
      Relativamente às candidaturas eleitorais, acredito que qualquer dúvida deve ser em favor da sociedade. E não em favor do indivíduo. Porque o interessado nessa questão é a sociedade que irá outorgar uma procuração ao candidato a parlamentar e governante!
      Voltando a questão do direito constitucional e o princípio da presunção da inocência, entendo que deva haver uma conjugação e confrontação valorativa de princípios.
      Pergunto: são menos importantes os princípios legais e constitucionais da moralidade e transparência, probidade administrativa e correta vida pregressa?
      Tocante direito de concorrer a um cargo público, o que é mais importante: o princípio da presunção da inocência ou o princípio da moralidade pública?
      Acredito que os direitos políticos não são exclusivamente pessoais. Primeiramente, são interesses da sociedade e razão de Estado. A eleição como meio de escolha e a delegação de função como fim para o exercício da representação pública, exigem o imperativo da idoneidade moral.

      O povo pode não entender de direito e constituição, mas tem uma percepção lógica e clara sobre o que é justo e injusto, sobre o que é certo e errado!

Os números

1.372 pessoas formavam o quadro original das fundações

326 são empregados estáveis que permanecerão no quadro estadual

575 são empregados que, amparados por liminares, permanecem contratados até decisão do STF

179 deixaram o governo até a semana passada

110 aderiram ao PDV


409 o governo pretende demitir até abril, incluindo quem aderiu ao PDV

José de Souza Martins - Escola com educação

José de Souza Martins: Escola com educação

- Valor Econômico/Eu & Fim de Semana

É compreensível que os pais de alunos de escola pública se inquietem com a suposta transformação da escola de seus filhos mais em escola de ideologia do que em escola de ciências, de literatura de humanidades. A concepção, também ideológica, de escola sem partido não deixa de conter uma mensagem igualmente partidária tão problemática quando a da escola como veículo de outros embates ideológicos. É difícil convencer quem quer que seja de que o suposto partidarismo na escola é um direito do professor. Não o é. Do mesmo modo, tampouco é um direito do professor pasteurizado deformar a educação de seus alunos em nome da falsa concepção de que o mundo atual é um mundo estéril, sem dilemas nem contradições.

Nessas questões, a família é a titular do direito de assegurar que seus filhos sejam educados no marco de valores sociais, sejam eles políticos ou religiosos, que os manterão afetivamente vinculados ao espírito e aos sentimentos da comunidade familiar. Os pais podem ser pais biológicos, e geralmente o são, mas são também pais sociais e espirituais. Transformar os filhos em filhos da escola é uma usurpação, mas negar à escola e ao professor a função histórica de agentes da civilização é outra usurpação.

Os sinais de eventual ideologização das universidades públicas não asseguram que aqueles de seus alunos que se destinarem ao magistério possam dar conta da missão civilizadora de suprir o que falta à família numa sociedade de transições mutilantes como a nossa.

Milhões de brasileiros estão em trânsito do mundo atrasado para o mundo moderno, o mundo rural já não é simploriamente rural. Quando muito foram reeducados pelos valores deploráveis da publicidade que patrocina programas populares. O médico, o professor, o advogado, o sacerdote e até o engenheiro, enquanto agentes culturais, estão sendo substituídos por atores formados na cultura de almanaque, disseminando o que é exercício ilegal da medicina, do magistério, da advocacia, da religião, da engenharia.

A verdade é que a mentalidade popular está cada vez mais dominada por uma cultura simplória de falsos saberes porque não contém nem mesmo o saber legitimado pela tradição, que era o que demarcava a sabedoria dos nossos avós da roça. Benzedeiras curavam soluço e mau-olhado; analfabetos tinham na memória extensa biblioteca de textos clássicos da tradição popular e contavam causos para reproduzi-los; rábulas do interior sabiam o que era justo e o que não era; capelães de roça conheciam as rezas; analfabetos de roça faziam casas que não caíam.

Quando os docentes da escola com partido abrem a boca na sala de aula, a fala já vem infectada pelas simplificações e deformações ideológicas que envenenam o conhecimento porque o privam da objetividade que lhe é própria. Escamoteiam o princípio de que a escola existe para ensinar a pensar e não para ensinar a repetir e imitar. Não é diferente a fala do docente da escola sem partido porque o vazio de que é porta-voz também está infectado pela falsa neutralidade de um silêncio que não é neutro, um cala a boca que não educa.

É verdade que a família da sociedade de transição não tem como se resguardar do esvaziamento que caracteriza a modernidade de feira livre e de botequim que vem tomando conta da sociedade brasileira em todos os campos. Também ela se apoia numa cultura de valores mutilados pelas perdas originadas da mudança social que a alcança. E pelas infiltrações substitutivas que vêm da cultura de tolices, mercantilizadas pela indústria da manipulação ideológica, seja ela política, religiosa ou comercial. Um número grande de famílias não tem condições de se defender dos ataques e agressões que vem tanto da escola sem partido quando da escola com partido.

A grande luta pela educação não está acontecendo nem pode acontecer numa sociedade em que os educadores são tratados como resto, desrespeitados até em sala de aula, até mesmo por pais de alunos. Os verdadeiros educadores, que hoje são menos do que os necessários, intimidados e humilhados pelos governos e pela sociedade, estão recolhidos ao silêncio dos derrotados numa guerra que não é a da educação.

O país precisa da escola com escola, a escola que educa nos valores da civilidade para a sociedade da civilização. Que compreenda que a esperança é muito mais do que o querer autoritário de partidos políticos. Sem esperança, a verdadeira e completa esperança, a que faz de cada cidadão, de cada jovem, de cada criança agente ativo de transformação da sociedade numa sociedade justa e feliz, a educação com escola ou sem escola será apenas resto, o nada que nos sobrou do muito que já tivemos em educação. Já fomos um país educador. Não o somos mais.
------------------------------
José de Souza Martins é sociólogo. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, autor de “A Política do Brasil Lúmpen e Místico” (Contexto).

Agenda de Lula

Terça-feira, 27 de fevereiro de 2018
Santana do Livramento
10h00 – Encontro com Pepe Mujica

Santa Maria
19h00 – Visita na Fazenda Nova Santa Marta (maior ocupação urbana do RS)

Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
Santa Maria
09h00 – Reunião com reitores e diretores na Universidade Federal de Santa Maria

São Borja
17h00 – Visita aos Museus de Jango, de Getúlio e mausóleu do ex-presidente Getúlio Vargas na Praça XV de Novembro

Quinta-feira, 01 de março de 2018
Palmeira das Missões
18h00 – Encontro com movimentos sociais em Palmeira das Missões

Sexta-feira, 02 de março de 2018
Passo Fundo
13h00 – Visita aos cursos de saúde no campus de Passo Fundo da Universidade Federal da Fronteira Sul

Porto Alegre
19h00 – Ato pelo desenvolvimento regional e no Cone sul em Porto Alegre

Sábado, 03 de março de 2018
Florianópolis
10h00 – Reunião com reitores e diretores de Santa Catarina
12h00 – Ato pela educação no centro de eventos

Chapecó
19h00 – Atividade da agricultura familiar em Chapecó

Domingo, 04 de março de 2018
São Miguel do Oeste
14h00 – Visita na produção de leite CooperOeste
18h30 – Ato regional do Oeste de Santa Catarina

Segunda-feira, 05 de março de 2018
Francisco Beltrão
10h00 – Atividade da agricultura familiar do sudoeste do Paraná

Quedas do Iguaçu
17h00 – Ato pela reforma agrária

Terça-feira, 06 de março de 2018
Laranjeiras do Sul
10h30 – Visita ao campus da UFFS e laboratório de ecoagrologia
12h00 – Encontro com assentados no Assentamento 8 de junho seguido de almoço

Pinhão
18h00 – Encontro regional em Pinhão

Quarta-feira, 07 de março de 2018
Curitiba

19h00 – Ato de encerramento da Carava

Marco Antonio Villa - Os pelegos petistas e a ascensão social.

Os depoimentos de alguns presidentes do sindicato dos metalúrgicos do ABC transcritos no HYPERLINK “http://www.abcdeluta.org.br/” \n _blanksite HYPERLINK “http://www.abcdeluta.org.br/”www.abcdeluta.org.br são importantes para entendermos o significado de uma elite sindical que chegou ao poder e dominou o aparelho de Estado por mais de 13 anos. Claro que o primeiro depoimento tinha de ser de Lula. 
 Em 1966, começou a trabalhar na Villares. Três anos depois fez parte da diretoria do sindicato como suplente, por indicação do irmão, frei Chico, vinculado ao PCB: “Nessa época, eu só lia A Gazeta Esportiva,”diz ele. Em 1972 foi eleito primeiro-secretário. Sua liderança se consolidou em 1977, quando da campanha de reposição salarial referente à manipulação da inflação de 1973: “O Delfim Netto”, diz ele, “tinha falsificado os índices de inflação.” No ano seguinte começaram as grandes greves, sem que a iniciativa fosse do sindicato. Em 1979, nova greve. A diretoria preparou a categoria para uma longa paralisação, construiu um ambiente de guerra, como explica Lula. Porém, os empresários cederam e atenderam às reivindicações. Na assembleia os milhares de operários desejavam continuar a greve. Cada orador que falava em terminar o movimento era vaiado: “Já tinha visto dois falarem na minha frente e sabia que os trabalhadores não queriam voltar ao trabalho.” Continua Lula: “ao invés de propor a aceitação do acordo, pedi um voto de confiança. Aí, a categoria me deu o voto de confiança.” Pouco depois, se reuniu com os empresários e acabou com a greve. 
 Alonga (e derrotada) greve de 1980, para Lula, foi uma vitória: “Não ganhamos nenhum vintém, não ganhamos nenhum centavo. Perdemos muito, entretanto, do ponto de vista político, nós nunca ganhamos tanto, porque, depois da greve, veio a consolidação do PT enquanto partido político.” Sobre as centenas de demissões, nenhuma palavra. Conta alegremente os 31 dias de prisão, em 1980, e que lhe renderam uma aposentadoria. O delegado Romeu Tuma, do DOPS, atendeu todas as suas solicitações: desde um dentista até uma televisão para ver os jogos do Corinthians. Mesmo assim, houve uma greve de fome, contra a vontade de Lula: “Eu até tentei guardar umas balinhas embaixo do travesseiro. O Djalma descobriu e jogou fora as minhas balinhas.”
 Em 1981 Lula foi substituído por Jair Meneghelli, que começou a trabalhar na Willys, em 1963. Filiou-se ao sindicato somente 14 anos depois. Queria cursar madureza (o supletivo de então): “Quem era sócio pagava metade, quem não era sócio pagava integral. Então eu fiquei sócio para pagar metade.” Tinha como leituras prediletas o gibi infantil Tio Patinhas e A Gazeta Esportiva. 
 Em 1978 recebeu de um militante comunista, o livro “Dez dias que abalaram o mundo”, do célebre jornalista americano John Reed, que trata da Revolução Russa de 1917. Diz que não entendeu nada: “Lia duas páginas e me esquecia o que eu tinha lido. Tinha lá exército vermelho, verde, cor-de-rosa, sei lá, um monte de coisa, cheguei para o Wagner, devolvi o livro e falei: ‘Wagner esse negócio é muito confuso rapaz, é um monte de partido naquela desgraça, o bom é aqui no Brasil, só tem Arena e MDB’.” Foi durante 8 anos presidente do Sesi designado por Lula. Vicente Paulo da Silva sucedeu Meneguelli. Aos 20 anos, em 1976, migrou para São Bernardo. Conseguiu emprego 11 dias depois. E isto “porque eu fiquei escolhendo onde trabalhar.” No ano seguinte se filiou ao sindicato. Achava que era um clube: “imaginava que tinha clube mesmo, para poder se encontrar, ir para alguma festinha.” Participou pela primeira vez de uma greve em 1979. Dois anos depois entrou para a diretoria. Em 1987 é eleito presidente do sindicato e sete anos depois assumiu a presidência da CUT. Acabou sendo eleito várias vezes deputado federal. Luiz Marinho foi o próximo. Chegou a São Bernardo em 1978, quando foi trabalhar na Volkswagen. Tinha 29 anos. Dois anos depois foi ao sindicato para se associar. Como esqueceu a carteira profissional não foi possível a filiação. Desistiu. Só voltou meses depois. Mesmo assim, em 1984 foi eleito tesoureiro. Permaneceu 12 anos em cargos burocráticos. Em 1996 chegou à presidência do sindicato e seis anos depois foi eleito presidente da CUT. Foi duas vezes ministro de Lula e prefeito de São Bernardo do Campo. Quatro biografias de êxito: presidente da República, deputado federal, ministro de Estado e presidente do Sesi. O que chama a atenção nos relatos é o arrivismo, o baixo nível de consciência política, a breve militância e a rapidez na ascensão burocrática, além do desejo de se afastar do universo da fábrica. A formação cultural é paupérrima. Não se fala em livros, jornais, panfletos, como na tradição do movimento operário. O mundo se resume ao sindicato, ao bar. São mais pequenos burgueses que operários. Almejavam a ascensão social. E conseguiram. Marco Antonio Villa é historiador