Artigo, Rodrigo Lopes, Zero Hora - Maduro poderá acabar como Kadafi


Espaço aéreo e fronteiras fechadas. A Venezuela acorda, neste sábado, como uma ilha, isolada do resto do mundo. Talvez nem Hugo Chávez, padrinho político de Nicolás Maduro, tenha imaginado um cenário como esse. O país está mais fechado do que a própria Cuba, “paraíso” sonhado pelo líder bolivariano e seus asseclas. Só que, enquanto se ocupavam de transformar a Venezuela em uma Cuba, Chávez e Maduro deixaram escapar a percepção de que a ilha dos Castro estava mudando. A Venezuela parou no tempo, andou para trás, virou uma Coreia do Norte — e olha que até Kim Jong-un anda olhando pra fora.

Sob o argumento de que o envio da ajuda humanitária é o pretexto para derrubá-lo — e há razões para Maduro pensar assim —, o líder venezuelano isolou seu país por terra, água e ar. Porém, há fissuras no reino de Maduro.

Na sexta-feira, mesmo com fronteiras fechadas, alguns venezuelanos cruzavam para o lado brasileiro por vias alternativas, pelo campo.

Observo a fronteira entre Brasil e Venezuela nesses dias e lembro da Líbia sob os ventos da Primavera Árabe. Também lá testemunhei, como enviado especial do Grupo RBS, cidadãos fugindo do regime do tirano Muammar Kadafi. Levavam nas malas o que havia sobrado de suas vidas.

A fronteira com a Tunísia estava fechada naquele fevereiro de 2011. Seis meses depois, o cerco caiu. Os militares que não haviam sido mortos pelos rebeldes, com apoio externo, baixaram as armas. Desertaram. Kadafi, o ex-todo-poderoso senhor do deserto, era caçado e linchado diante de câmeras para o mundo ver.

A mão forte de Maduro vai durar até que o primeiro militar venezuelano se negue a obedecer a suas ordens diante de cidadãos vindo em sua direção, com comida e remédios nos braços. E isso pode acontecer a qualquer momento.

Não desejo a morte para Maduro. Pelo contrário, ele deve ser julgado pelos venezuelanos pelos crimes que está cometendo contra sua própria população. O ditador caribenho está a cada minuto mais sozinho. Se continuar apegado ao poder, enclausurado no Miraflores, corre o risco de acabar como Kadafi.

Artigo, Jorge Melo - Com a Parceria da Corsan todos ganham

A PPP da Corsan está em vias de ser apreciada pela Câmara de Vereadores de Canoas. Já referendada nos demais oito municípios de abrangência.

As PPPs são atualmente instrumento importante para atender aos contratos de programa (relação contratual entre a Corsan e os municípios) e permitir ampliação de investimentos sem endividamento. Alternativa que se reforça com a crise econômica e fiscal dos entes federados. Em resumo, integra recursos do setor privado ao interesse público.

Canoas ganha. Em 11 anos toda a comunidade terá coleta e tratamento de esgoto. Mais qualidade de vida. A vantagem se traduz ainda pelos investimentos adicionais aos da Corsan, pelo parceiro privado, de R$ 400 milhões e recuperação do Rio dos Sinos, além do município receber R$ 55 milhões em obras de drenagem e implantação de área de convivência no Guajuviras.

 A população ganha. Contará com mais esse serviço, reduzindo a mortalidade infantil por doenças de veiculação hídrica, terá valorização dos imóveis e ambiente saneado. Impacto positivo na renda das pessoas pelo aumento da produtividade no trabalho, já que reduz afastamentos por problemas sanitários. Geração de oito mil empregos, somente no município.

 Não haverá majoração no valor do serviço. A Corsan, que permanece pública, tem os contratos renovados na RMPA, continua a operar o serviço de água, sem correr o risco de perder as concessões, principiais ativos já que os serviços passaram a ser municipais. Os usuários continuarão atendidos unicamente pela Corsan e com a mesma tarifa cobrada de todos os seus clientes que já têm serviço de esgoto. O parceiro privado unicamente prestará serviço à companhia, como uma terceirização.

 A Corsan é uma empresa pública e continuará sendo pública. As PPPs não são privatizações, são parcerias para o desenvolvimento, formas de contratação do setor público que repassa riscos para o parceiro privado, processos transparentes, exigem controle social e precisam atender ao interesse público. Auditoria realizada pelo TCE concluiu que a proposta é consistente e vantajosa para o Estado. É bom pra Canoas, é bom para Corsan e é bom para o Estado do Rio Grande do Sul.

Por Jorge Melo, Diretor-presidente da Companhia Riograndense de Saneamento – Corsan

Tamanho das Forçar Armadas do Brasil e da Venezuela


BRASIL

Exército – O Exército brasileiro é o maior da América Latina, mas falta grana para equipá-lo. A honrosa exceção são os “núcleos de excelência”, como as forças de emprego rápido: pára-quedistas, infantaria ligeira transportável por helicópteros, brigada de forças especiais e os batalhões de guerra na selva seriam os primeiros a intervir rapidamente em um conflito na Amazônia, já que armas pesadas como tanques e obuseiros nem conseguem entrar na floresta fechada

Número de homens – 189 000


Tanques – 464

Blindados de reconhecimento – 409

Blindados de transporte de tropas – 803

Obuseiros – 534

Morteiros pesados – 1 020

Helicópteros – 75

Marinha – A nossa Marinha é a única da América Latina com um porta-aviões, o São Paulo, capaz de atacar com aviões ou fazer desembarques anfíbios em terra. Os caças-bombardeiros Skyhawk são antigos, mas dentro do padrão da região. Os submarinos estão entre os mais eficazes em sua categoria. Os fuzileiros navais têm tropas profissionais e forças especiais que seriam de grande auxílio ao Exército na Amazônia

Número de homens – 47 450

Porta-aviões – 1

Submarinos – 5

Fragatas e corvetas – 14

Navios anfíbios grandes – 3

Navios de patrulha costeira e fluvial – 32

Aviões – 23

Helicópteros – 71

Aeronáutica – A FAB não conta com caças de última geração, mas é uma força equilibrada e razoavelmente numerosa. O elemento mais importante é a presença dos R-99A, aviões-radar de alerta antecipado, que permite um controle eficaz das operações e o bloqueio do espaço aéreo ao inimigo. Os 132 aviões de transporte dão uma força em uma região como a Amazônia, na qual as distâncias são grandes e cobertas lentamente por barcos

Número de homens – 65 300

Aviões de transporte – 132

Helicópteros – 97

F-5E/F* – 45

AMX A-1* – 33

Mirage 2000 B/C* – 12

AT-29 Super Tucano* – 76

AT-27 Tucano (EMB 312)* – 109

R-99A** – 5

R-99B** – 3

VENEZUELA

Exército – O contingente é pequeno mesmo em termos latino-americanos, e a maior parte é formada por conscritos, os recrutas alistados. Seu equipamento não tem nada de notável – há mesmo alguns blindados de transporte de tropas Urutus, fabricados no Brasil. Chávez tem incentivado a formação de milícias

Número de homens – 34 000

Tanques – 197

Blindados de reconhecimento – 30

Blindados de transporte de tropas – 290

Obuseiros – 122

Morteiros pesados – 225

Helicópteros – 26

Marinha – As forças navais venezuelanas só alcançam a costa – nas águas oceânicas, sua capacidade de operação é reduzida. Seus dois submarinos de origem alemã e fragatas italianas são relativamente modernos. Chávez está querendo comprar potentes submarinos russos da classe Amur para servir como dissuasão de um eventual ataque americano

Número de homens – 26 100

Porta-aviões – 0

Submarinos – 2

Fragatas e corvetas – 6

Navios anfíbios grandes – 0

Navios de patrulha costeira e fluvial – 6

Aviões – 3

Helicópteros – 14

Aeronáutica – Os caças russos Sukhoi-30MK2 são o grande trunfo do governo Chávez.A vantagem desses caças é uma combinação de maior velocidade, alcance e, principalmente, capacidade de manobra, armamento e eletrônica de bordo. Além dos caças, estão previstas compras de helicópteros russos de transporte e de ataque, o que na versão de alguns analistas modificaria o equilíbrio de forças na região

Número de homens – 7 000

Aviões de transporte – 55

Helicópteros – 80

Sukhoi-30MK2* – 18

F-16A/B* – 22

CF-5A/B* – 16

Mirage 50* – 16

EMB 312 Tucano* – 12

R-99A** – 0

R-99B** – 0

General Mourão diz que "Maduro não seria louco a ponto de atacar o Brasil"

O vice-presidente Hamilton Mourão concedeu entrevista nesta quinta-feira, no Anexo II do Palácio do Planalto, à BBC NEWS Brasil. Leia abaixo o que pensa o general sobre a crise na Venezuela:

BBC News Brasil - Na sua avaliação, a situação da Venezuela, cada vez mais grave, pode resvalar para um conflito regional?
Hamilton Mourão - Eu acho que conflito regional, não. Da nossa parte nós jamais entraremos em uma situação bélica com a Venezuela, a não ser que sejamos atacados, aí é diferente, mas eu acho que o Maduro não é tão louco a esse ponto, né. E também vejo ali do lado mais complicado, que é o lado colombiano, acho que vai ficar nessa situação de impasse, como está. A questão interna é um problema.

BBC News Brasil - A mensagem que ele passa ao fechar a fronteira é muito forte. O que isso significa para o governo brasileiro?
Mourão - Na minha visão, ele fechou a fronteira exatamente para impedir que os venezuelanos viessem ao Brasil para pegar suprimentos. Ele quer manter o país fechado. Por que não acredito que ele imaginasse que nós entraríamos em força dentro da Venezuela - nós já reiteramos inúmeras vezes que não faríamos isso - para levar suprimentos.

BBC News Brasil - Nesta quinta, o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, anunciou que viajará para a Colômbia para participar da reunião do Grupo de Lima - para a qual o senhor também vai. O Brasil poderia fazer parte de uma operação militar para retirar Maduro do poder ou para levar ajuda? O quão longe o Brasil iria? Como o senhor vê o papel do governo Trump nesta crise.
Mourão - Primeiramente, o Brasil tem um pensamento, há anos, de não interferir em assuntos internos de outros países. Então, não fazemos nenhum avanço militar sobre o território venezuelano. Este é o ponto principal. Nós podemos ajudar com auxílio humanitário, colocando suprimentos do nosso lado da fronteira, para que os venezuelanos possam vir para o Brasil e pegar.

TRF4 nega novo recurso de Zé Dirceu. Pena de 8 anos de cadeia foi mantida. Ele já tem outra condenação (30 anos).


A 4ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) negou provimento hoje, por maioria, aos embargos infringentes do ex-ministro José Dirceu Oliveira e Silva nos autos da Operação Lava Jato, mantendo a pena de 8 anos, 10 meses e 28 dias de reclusão. Também recorreram no mesmo processo e tiveram o pedido negado o irmão de Dirceu, Luiz Eduardo de Oliveira e Silva, e os sócios da construtora Credencial, Eduardo Aparecido de Meira e Flávio Henrique de Oliveira Macedo.
O caso envolveu o recebimento de propina em contrato superfaturado da Petrobras com a empresa Apolo Tubulars, fornecedora de tubos para a estatal, entre 2009 e 2012. Parte dos valores, que chegaram a R$ 7.147.425,70, foram repassados a Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, e parte a Dirceu. Para disfarçar o caminho do dinheiro, Dirceu e Luiz Eduardo teriam usado a empresa Credencial para receber valor de cerca de R$ 700 mil, tendo o restante sido usado em despesas com o uso de aeronaves em mais de 100 vôos feitos pelo ex-ministro.

A condenação dos réus foi confirmada pelo tribunal em 26 de setembro do ano passado. Essa foi a segunda ação criminal contra José Dirceu na Operação Lava Jato. Na primeira ação, que envolve a Engevix, Zé Dirceu foi condenado a 30 anos de cadeia. Dirceu encontra-se em liberdade por decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu habeas corpus a ele para que a prisão não se dê antes do esgotamento da análise dos recursos nas cortes superiores.

Como o acórdão da 8ª Turma não foi unânime, foi possível a interposição desse recurso, julgado pela 4ª Seção (formada pelas 7ª e 8ª Turmas, especializadas em Direito Criminal), no qual pediam a prevalência do voto vencido, proferido pelo desembargador federal Victor Luiz dos Santos Laus, que reconhecia a prática de um único crime de lavagem de dinheiro (continuidade delitiva) em vez de 118 por parte de Dirceu e do irmão dele, e de cinco por parte dos sócios da Credencial.

Segundo o relator do caso na 4ª Seção, juiz federal José Carlos Fabri, que substitui a desembargadora federal Cláudia Cristina Cristofani durante as férias, cada viagem aérea usada para lavar o dinheiro recebido em propina deve ser vista como crime autônomo. “Houve notas fiscais de 113 viagens para dissimular a origem e a propriedade de valores adquiridos na prática criminosa. Cada ato é capaz de sobreviver como crime autônomo. Os valores foram sendo injetados durante o contrato”, observou o magistrado ao negar provimento aos embargos.

Os desembargadores federais João Pedro Gebran Neto e Luiz Carlos Canalli, e os juízes federais convocados Bianca Geórgia Cruz Arenhart e Nivaldo Brunoni acompanharam o voto do relator. O desembargador Laus divergiu, mantendo o mesmo entendimento do voto proferido por ele na apelação criminal.

Ainda cabe recurso de embargos de declaração nos embargos infringentes. Após a publicação do acórdão dos infringentes, as partes têm até 10 dias para abrir a intimação eletrônica no eproc. A partir da abertura do documento, o prazo para a interposição dos embargos de declaração é de dois dias (prazo previsto no Código de Processo Penal).

As penas estipuladas no acórdão da apelação criminal, que seguem valendo, são detalhadas abaixo:

José Dirceu de Oliveira e Silva: condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro à pena de 8 anos, 10 meses e 28 dias de reclusão;
Luiz Eduardo de Oliveira e Silva: condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro à pena 8 anos e 9 meses de reclusão;
Eduardo Aparecido de Meira: condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa à pena de 8 anos e 2 meses de reclusão;
Flávio Henrique de Oliveira Macedo: condenado por lavagem de dinheiro e associação criminosa à pena de 8 anos e 2 meses de reclusão.

Histórico do processo
Em 8 de março de 2017, o juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba sentenciou Dirceu e o irmão pela prática dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro a 11 anos e 3 meses o primeiro e 10 anos o segundo. Duque foi condenado por corrupção passiva a 6 anos e 8 meses de reclusão, e os sócios da Credencial, Meira e Macedo, por lavagem de dinheiro e associação criminosa, a 8 anos e 9 meses. Os executivos da Apolo Tubulars, Carlos Eduardo de Sá Baptista e Paulo Cesar Peixoto de Castro Palhares, foram absolvidos das acusações por falta de provas suficientes para a condenação criminal.
Os réus apelaram ao TRF4 e, em 26 de setembro do ano passado, tiveram as condenações confirmadas, mas com recálculo da dosimetria das penas, que foram diminuídas, com exceção de Renato Duque, cuja condenação foi mantida. Dirceu teve a pena restabelecida em 8 anos, 10 meses e 28 dias de reclusão, Luiz Eduardo em 8 anos e 9 meses, Meira e Macedo em 8 anos e 2 meses. Os executivos da Apolo Tubulars tiveram a absolvição mantida.
Como o acórdão não foi unânime para Dirceu, Luiz Eduardo, Meira e Macedo, eles puderam impetrar o recurso de embargos infringentes e de nulidade pedindo a prevalência do voto menos gravoso, no caso, o do desembargador federal Laus.
Essa foi a segunda ação criminal contra José Dirceu na Operação Lava Jato. Na primeira, envolvendo o núcleo da Engevix, ele foi condenado a 30 anos, 9 meses e 10 dias de reclusão, por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e pertinência a organização criminosa. Dirceu encontra-se em liberdade por decisão da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu habeas corpus a ele para que a prisão não se dê antes do esgotamento da análise dos recursos nas cortes superiores.

Artigo, William Waack - A hora do capitão

Levava um tempão antigamente até que conversas confidenciais envolvendo um presidente e seus principais ministros aparecessem transcritas em algum arquivo. Agora é quase em “real time”. Como sempre, são elucidativas.

A audionovela envolvendo o presidente Jair Bolsonaro e o exonerado ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno – um de seus colaboradores mais próximos – confirma um vencedor ainda em clima de campanha eleitoral, totalmente preso ao círculo mais próximo familiar e subordinando temas centrais às rusgas pessoais. Ou seja, Bolsonaro está muito distante ainda de “institucionalizar” seu papel, talvez nunca o consiga.

Ao dar entrevistas comentando a audionovela que ajudou a divulgar (o episódio confirma que não existe lealdade em política), Bebianno forneceu uma importante radiografia do papel dos militares em todas as fases do processo que levou Bolsonaro ao Palácio. Sabe-se publicamente agora que os militares forneceram os planos estratégicos de governo. E os quadros para executá-los. Sem eles, o presidente provavelmente não tem condições de sobreviver no cargo, tal como a situação se coloca agora.

Cabe recordar que a entrada de algumas principais cabeças entre os militares (então fardados ou não) na campanha de Bolsonaro ocorreu de forma relativamente tardia. Deu-se em grande parte por uma leitura angustiada com a possibilidade de o País resvalar para uma situação incontrolável. Esse temor se agravou entre lideranças militares durante a semianarquia da greve dos caminhoneiros. E foi exacerbado pela bagunça institucional no domingo em que Lula saía e ficava na cadeia de hora em hora por causa de uma canetada de um desembargador.

Os líderes militares acolheram Bolsonaro também como instrumento eficaz na “guerra cultural” – os militares usavam a expressão “frear a esquerdização do País” – e como personagem político de apelo à estabilidade e à ordem. Não cabe na cabeça deles um Bolsonaro como agente de caos político, seja pela influência do clã familiar, seja pela dificuldade em impor um sentido e disciplina ao próprio partido pelo qual se elegeu, seja por estapafúrdia ideologia – e às vésperas de seu grande desafio do momento, a reforma da Previdência.

Essa mesma reforma, com o projeto apresentado ontem, vai testar, talvez precocemente (pela confusão política inicial), a “grande estratégia” de juntar a uma onda disruptiva e abrangente (a que levou Bolsonaro à Presidência) os méritos e o preparo de um grupo treinado para administrar e coordenar – coisa que os oficiais-generais aprenderam nas escolas de Estado-Maior. Esse lado eles, os militares, entendem bem. O que os deixa inseguros, pois não têm treino nisso nem experiência direta, é a política.

Bolsonaro pretende agora ser o articulador político dele mesmo. O teste é severo, e muito mais abrangente do que conseguir os 308 votos mínimos necessários na Câmara dos Deputados para aprovar a reforma da Previdência (sem a qual a economia não destrava) e fazer andar o pacote anticrime de Moro (importante medida de sucesso do governo). Requer um jogo de cintura que as hostes esbravejantes em redes sociais confundem com tibieza. E a inevitável colaboração de profissionais (como a do ex-ministro de Dilma agora na função de líder do governo no Senado) que a mesma turma da lacração carimba de “política desprezível”.

Bebianno diz que chamava Bolsonaro sempre de “capitão”. É um título de forte apelo positivo. O capitão do avião, do navio, do time. A figura da autoridade, comando e respeito. Na acepção puramente militar do termo, capitão ainda é um oficial júnior que, por mais brilhante que seja, não tem o sentido de direção e a visão abrangentes dos oficiais superiores.

"Mães & pais pela Democracia" diz que é apartidário. Leia nota do grupo.


Prezado Jornalista Polibio Braga,

 Nós, integrantes do Mães&Pais pela Democracia, nascido no último trimestre de 2018 na Escola Rosário, em Porto Alegre, e que hoje congrega 37 escolas privadas e públicas, 5100 associados(as) e simpatizantes em várias cidades do Estado do Rio Grande do Sul, com a finalidade precípua de defender a liberdade de cátedra de todo(a) professor(a) e a livre expressão de alunas e alunos, de reafirmar o compromisso de educar com amor e liberdade, zelando pelas diversidades que nos constituem como seres humanos plurais e únicos nas nossas diferenças, assim como, pelas múltiplas formas de ensinar e aprender, próprias do Estado Democrático de Direito, sobejamente explicitadas no texto constitucional e nas demais normas do ordenamento jurídico brasileiro, como na Lei nº 9.394/1996, conhecida por Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), acompanhamos com grande preocupação a matéria veiculada no seu Blog (link: https://polibiobraga.blogspot.com/2019/02/grupo-maes-pais-pela-democracia-e.html) no dia 16/02/2019, às 5:30. Isso porque, nos termos dos arts. 5º, IV, V, XIV, XVII, XVIII, XXI, XLI, LIII; 205, 206; 209 e 214/CF c/c arts. 2º, 3º, 4º da Lei nº 13.188/2015, esse post sonega ao seu público leitor a verdade dos fatos, como preconiza o bom jornalismo, ao qual, acreditamos, o senhor se filia.
Com efeito, diferentemente da ilação consignada por Vossa Senhoria desde o título do mencionado post “Grupo Mães & Pais pela Democracia é aparelho do lulopetismo do RS”, cumpre esclarecer que o movimento Mães&Pais pela Democracia não é partidário, inobstante tenha sido esta a sua interpretação, ou versão, no linguajar jornalístico. Como um movimento e, em breve, uma associação civil, somos, coletiva e institucionalmente, apartidários, o que pressupõe como corolário, por óbvio, o respeito ao exercício democrático da livre expressão de quaisquer manifestações e identidades, sejam elas de gênero, étnico-racionais, geracionais, partidárias, de credos religiosos, etc., por parte dos seus membros e/ou simpatizantes, de modo individual. Ora, não seria razoável conceber o oposto, já que a democracia implica a convivência com as diferenças e com o contraditório, bem como, a tolerância entre perspectivas diversas, precisamente porque substratos da nossa condição humana e também associativa.
De igual modo, não assiste razão ao senhor jornalista quando infere que uma mera curtida em uma rede social a um então representante eleito do Poder Legislativo gaúcho, que, entre outras causas, defende a da educação, possa definir, a priori, um alinhamento partidário em particular do movimento. Se assim o fosse, por amor à verdade, senhor jornalista, o pejo deveria recair não sobre o Lula + PT (“lulopetismo”), mas sobre o PSOL, Partido de Pedro Ruas. A mesma lógica impera no caso de Miguel Rossetto. 
Por outro lado, senhor jornalista, não custa relembrar que apartidarismo não se confunde com o antipartidarismo. Por ser um movimento – repita-se – apartidário, o estatuto de nossa associação civil não veda o ingresso de pessoas que exerçam noutro espaço de atuação atividades político-partidárias ou que tenham declarado publicamente o seu voto, inclusive em favor do atual presidente eleito. O que une os nossos associados é a defesa dos princípios e valores da democracia. Quando o senhor jornalista divulgou em seu blog, em 15 de fevereiro último, uma foto de perfil da presidente de nossa associação com o tema da candidatura de Fernando Haddad à presidência da República, deixou de informar que de onde essa foto fora livremente extraída de sua rede social encontra-se outra com o tema da candidatura de Ciro Gomes à presidência da República, devidamente publicada durante o primeiro turno da última eleição presidencial. Num movimento apartidário como o nosso, tais preferências políticas da presidente de nossa associação, que não é filiada à partido político, são irrelevantes. Observa-se que o antipartidarismo agressivo é prejudicial à democracia e, por isso, não compactuamos com essa ideia.
Ficamos, ainda, bastante estarrecidos com a sua derradeira manifestação no citado post, a saber: “O grupo foi impedido de se reunir no interior do Colégio Rosário, onde houve forte reação de pais que não querem saber de lavagem cerebral na escola(...). Haverá reação.” Ora, jornalista, nosso movimento guarda um diálogo muito estreito com as Direções das escolas em que estudam
nossos(as) filhos(as), a exemplo da do Rosário. Em nenhum momento, nosso grupo foi impedido de quaisquer aspectos por parte da escola Rosário, seja porque não temos nenhuma interface com lavagens cerebrais, ou “doutrinações” de nenhuma ordem, seja porque nosso intuito é eminentemente colaborativo e conforme ao que estabelecem a Constituição Federal e as Leis do nosso país, relativamente a garantia do direito humano à educação. O que, de fato, ocorreu, no dia 15 de fevereiro pela manhã, foi uma reunião de representantes do nosso coletivo com profissionais da Direção da escola Rosário, na qual se pactuou que pelo número expressivo de mães e pais participantes da 1ª edição do Café Democrático, especificamente nessa escola, berço do nosso movimento, como também para evitar qualquer tipo de acirramento de ânimos em relação àqueles(as) que vociferam inverdades, de forma pública ou anônima, como parte substantiva dos comentários que se seguiram ao seu post, na audiência de um dos blogs mais acessados do sul do país, como registras no cabeçalho do seu endereço na Internet, as atividades ocorreriam na praça pública em frente ao colégio, o que, de fato, ocorreu, sem prejuízo de atividades similares simultâneas promovidas por mães e pais de outras escolas privadas, e mesmo públicas, integrantes da nossa rede. 
Outrossim, não nos ficou claro ao que o senhor se refere com a frase de efeito derradeira: “Haverá reação.” Esperamos, por amor à liberdade e à democracia que dela não decorra nenhum juízo de incentivo à beligerância ou à violência, visto que, tanto quanto o prezado jornalista, rechaçamos toda prática violenta, seja ela verbal, ou física, simbólica, ou concreta, entre outras. 
Diante do exposto, e considerando o apreço à verdade, ao bom jornalismo, às garantias constitucionais, sustentáculos do Estado Democrático de Direito, e ao direito de resposta, fulcro no art. 2º e seguintes da já citada Lei nº 13.188/2015, requer-se que esses esclarecimentos sejam publicados, na íntegra, no seu blog, como gizado pelo art. 5º da mencionada lei que regula o direito de resposta. Caso isso não ocorra em 48h (quarenta horas), nosso movimento, como nos conclama a democracia, estudará a reparação dos danos gerados à nossa imagem coletiva e/ou institucional junto ao Poder Judiciário.
Certo da sua atenção e atendimento, despedimo-nos, colocando-nos à inteira disposição para novos diálogos a respeito.

Porto Alegre, 20 de fevereiro de 2019.

Cordialmente,

ALINE KERBER
Presidente
Associação Mães&Pais pela Democracia


MARCELO PRADO
Vice-presidente
Associação Mães&Pais pela Democraci