A comparação é oportuna: um treinador com autocrítica, outro com um ego desmedido e muito blá-blá-blá.
Depois da eliminação nas semifinais da Libertadores perante o Boca Juniors, o treinador do Palmeiras, Abel Ferreira, com seu temperamento irritadiço, tomou para si a maior responsabilidade pelo tropeço.
Iniciada a entrevista coletiva pós-jogo, Abel trovejou: "O que você quer que eu diga? Que eu sou o responsável? O responsável máximo, e não é a primeira vez que eu digo isso, sou eu. Então, vou te dizer: eu sou o máximo responsável pela eliminação."
Já o técnico do Grêmio, a cada tropeço, a cada desclassificação do time, alega que faltou "intensidade" (dos atletas), que não houve "empenho" (dos outros), que ele não tem os jogadores que gostaria, etc. Ou seja, sempre transfere a outros a responsabilidade pelos maus resultados.
Ele, que dá folga em excesso aos atletas (ou se concede dias de folga no Rio), que treina pouco e mal, mostrou que se considera maior do que o Grêmio e, contrariando desígnios da direção, evadiu-se da habitual coletiva após o Grenal (em que o time fez mais um fiasco) e se mandou para o Rio de Janeiro. Constrangedor.
Há muitos fatos que poderiam ser relatados. Por exemplo, depois do jogo com o Bragantino na Arena, um dos tantos fiascos do Grêmio na temporada, para justificar o horror, Portaluppi jogou a torcida contra a direção alegando não ter jogadores. Foi uma quebra de hierarquia que facultaria uma demissão por justa causa. Mas... Não deu em nada!
Para quem observa à distância, caso deste colunista, parece faltar o pulso de um diretor de futebol que faça valer a hierarquia. E parece também que tudo piorou com a saída do então diretor de futebol Paulo Caleffi em junho deste ano.
Com Caleffi, percebia-se, por exemplo, disciplina quanto às entrevistas do técnico, que, agora, fala quando quer e diz o que bem entende (ao ponto de se meter em assuntos administrativos do clube). Não é mero detalhe. Ele é hábil em manipular a estupidez da imprensa, usando-a para justificar erros e proclamar suas próprias virtudes. Faz um trabalho ruim e não presta contas a ninguém! E é cada vez menos cobrado.
A direção comandada por Alberto Guerra teve um começo brilhante trazendo bons jogadores, inclusive a inimaginável contratação de Luis Suárez. Mas cometeu um erro crasso ao escolher o técnico. E o que era o início de um "círculo virtuoso" descambou para um "círculo vicioso" que faz lembrar a "era Bolzan", de triste memória.
Esta é a engrenagem: o técnico gratifica a inculta imprensa com sua falação; a imprensa amplifica a conversa mole do técnico para ganhar o público consumidor; o público (torcida) consome e cai no blá-blá-blá do técnico; e a direção, temendo impopularidade, mantém a engrenagem.
O técnico é empregado do clube. E como tal deve ser encarado. Enquanto a direção autorizar Renato Portaluppi a se colocar acima da instituição, o Grêmio não vai ganhar nada! Nem a mediocridade do Gauchão, que ele já ganhou, não haverá no futuro próximo. Nada! Quando o futebol é altamente profissionalizado, a fanfarronice apenas atrapalha!
Só falta agora o Conselho de Gestão tratar a indisciplina do técnico como se fosse a transgressão de um garoto, chamar-lhe a atenção e exigir que prometa-se comportar melhor. Cometerá esse equívoco? Talvez não. Veremos. Pode ser que a direção já esteja saturada.
Com a palavra, Alberto Guerra.