Artigo, Eugênio Esber, jornal Zero Hora - 131 milhões nas ruas

O que hoje o jornal espanhol El País chama de “bomba atômica”, referindo-se escândalo provocado no Brasil pelas ligações “entre um juiz e um banqueiro preso”, está completando nove meses de gestação. Foi em dezembro de 2025 que o jornal O Globo publicou uma notícia-bomba sobre o contrato de R$ 129 milhões (na verdade, R$ 131 milhões) que o escritório jurídico da família do ministro Alexandre de Moraes, do STF, faturou para defender os interesses de Daniel Vorcaro, banqueiro que havia sido  preso em novembro, quando se preparava para fugir do Brasil em seu jatinho particular. Desde então, Moraes não deu uma única entrevista nem fez pronunciamento público para desfazer a informação de que enriqueceu colocando sua toga de ministro da suprema corte a serviço do financista que aplicou o maior desfalque no sistema financeiro nacional e na poupança de uma multidão de brasileiros. O silêncio de Moraes é uma confissão de culpa.


Na noite desta quinta-feira, o ministro que parece sem defesa para a suspeita de haver incorrido em crimes gravíssimos, como corrupção passiva e advocacia administrativa, perdeu miseravelmente o controle e, em fúria, partiu para uma retaliação pessoal. Incluiu um colega de corte, o ministro André Mendonça, no famigerado Inquérito das Fake News (4781), aberto há mais de sete anos para investigar qualquer um sobre qualquer coisa – uma espécie de AI-5, mas ainda pior que o ato institucional da ditadura militar. O ódio de Moraes contra Mendonça, relator do processo relativo ao do Banco Master no Supremo, é por ter sido exposto, em indícios colhidos pela polícia, como um magistrado que desonra o STF e a Justiça brasileira. Diálogos encontrados no telefone de Daniel Vorcaro indicam que ele contava com a assessoria de Moraes para ter acesso a informações sigilosas sobre diligências contra si e seu Master no Banco Central, na Polícia Federal, no Ministério Público e até no Judiciário. E o pior dos mundos: Vorcaro pediu orientação sobre quando deveria se mandar – sim, fugir – do Brasil.  Isso tem nome. É obstrução da justiça.



Para um juiz, é fim de carreira. Até meu amigo Alter, radical da moderação, diz que é caso de cadeia. Mas o presidente do STF, o gaúcho Edson Fachin, demora-se em honrar as calças e levar de imediato, ao plenário, o pedido de investigação contra Moraes. E a ministra Cármen Lúcia, tão pudica nas afetações verbais, apressou-se a levar, segundo a imprensa, solidariedade a Moraes,


Pode um país sério aceitar esta pouca-vergonha? A pergunta é para mim, é para você. Segunda-feira, dia 7 de setembro, gostaria de ver, nas ruas, pelo menos 131 milhões de brasileiros dispostos a ecoar um novo grito pela independência do Brasil.

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