Artigo, especial - Renato Sant'Ana - O bem de todos acima de tudo

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail releituras21@gmail.com


O fato é exemplar. Em 2022, a candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul Comandante Nádia, PP, desistiu da candidatura no auge da campanha. E o fez por um motivo nobre: "Política não é para covardes. Tem que ter coragem para entrar em campanha política. E tem que ter coragem para dizer que deu, que tem um bem maior a ser preservado", declarou ela.


Naquele ano, havia uma única vaga em disputa para o SArtigo, enado. Pesquisas indicavam que o representante das esquerdas, Olívio Dutra, PT, poderia ser eleito. E a decisão da Comandante Nádia foi uma iniciativa em favor da candidatura do Gal. Hamilton Mourão, que despontava como nome mais forte para vencer a esquerda e que, com efeito, se elegeu.


Olívio Dutra, de 81 anos, havia sido tirado do ostracismo por ser um dos quadros mais populares do PT. A narrativa, para o eleitor votar nele, que já estava retirado, foi a ficção do "mandato coletivo": os suplentes exerceriam junto com ele. Não colou. Se houvesse colado, esse "coletivo" estaria hoje no Senado somando esforços para impedir que o caso Master seja investigado e para blindar Lulinha, Roberta Luchsinger e todos os envolvidos no escândalo do INSS. Quer dizer, estaria formando fileira com a tropa de choque do Foro de S. Paulo, asfixiando o Brasil.


Mas a Comandante Nádia foi uma pedra no caminho desses extremistas. Sua decisão em 2022 ajudou a eleger um senador que, em 2026, toma posições enérgicas contra a recusa de Davi Alcolumbre (presidente do Senado) e seus "aliados" em investigar os escândalos do Master e do INSS.


Vale destacar. A Comandante Nádia não perderia nada, caso mantivesse a candidatura. Pelo contrário, seguiria na vitrine, sonho de consumo de todo político. No entanto, ela desistiu falando em "Não um projeto político, mas um projeto de nação" e "bem maior a ser preservado". Dá para supor que ela não só transferiu para Hamilton Mourão os votos que havia conquistado, mas também inspirou a reflexão doutros eleitores, que, imaginando as consequências, brecaram o tal coletivo.


Corta para 2026. Há duas vagas para o Senado. E são dois os candidatos da esquerda. Eles querem chegar lá para abafar qualquer escândalo que envolva o lulopetismo - como Master e INSS. Também se propõem a impedir a missão exclusiva do Senado que é conter eventuais abusos de membros do Supremo Tribunal Federal - e não só.


A direita, por seu lado, de há algum tempo, talvez do ano passado, tem dois nomes fortes: Van Hattem e Sanderson, deputados federais, homens corajosos e parlamentares combativos. E com a proeza de sobreviver na política, embora falem com franqueza o que pensam.


Por tudo isso, foi uma surpresa a aparição de outros três candidatos de direita, quando Van Hattem e Sanderson eram nomes postos. A eleição para o Senado não tem 2º turno. E ter vários nomes só serve para dividir os votos e correr o risco de não eleger ninguém. A quem interessa isso?


Quem observa o cenário e reflete, pensa no "bem maior a ser preservado" e lamenta a fragmentação. Para o rumo que o país vai tomar, é crucial a eleição para o Senado, inclusive por seu papel de restaurar a separação dos poderes, coisa que a esquerda não quer. A esquerda quer a ditadura socialista, o que implica poder centralizado. A pergunta aos candidatos não esquerdistas é: dá para pensar de modo estratégico em como sanear o Senado e, ao menos, iniciar à tarefa de passar o Brasil a limpo?


No discurso, todos são herois. Na prática é um pouco diferente. Isso não tem a ver com esquerda e direita. É a humanidade. Mas, que tal buscar coerência entre discurso e prática? O desafio de uma vida é transcender o autointeresse e viver por uma causa, dedicando ao menos uma parte de nós a servir aos demais. A Comandante Nádia, a quem não conheço, deu um grande exemplo. Seja o seu exemplo nossa inspiração.




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