Artigo, David Coimbra, Zero Hora - Nem só as cartas de amor são ridículas

Fernando Pessoa não disse, mas devia ter dito
A política do Brasil é ridícula.

Esse Waldir Maranhão, com aquele bigode de zelador de edifício, puxando ao mesmo tempo os sacos do Eduardo Cunha e do governador comunista do Maranhão, cometendo essa manobra infantil para adiar o processo de impeachment, é ridículo.
O Eduardo Cunha, dizendo que não é dono, mas usufrutuário de dinheiro depositado na Suíça, botando o nome de Jesus nas senhas das contas de banco, manobrando sem fim para se manter no cargo, com aquela expressão de fuinha que ele tem, é ridículo.
Dilma Rousseff, com sua caudalosa e densa incompetência, sua dislexia que a impede de falar e pensar ao mesmo tempo, sua mania de querer ser chamada de presidenta e principalmente com a desfaçatez de dizer que seu governo não é corrupto, é ridícula.
Dilma consegue ser uma presidente mais ridícula do que Jânio e Collor, que eram ridículos.
Renan Calheiros, com seu implante de cabelos, é ridículo.
Lula, com sua arrogância, com sua cara de pau de dizer que é a alma mais honesta do Brasil, com suas palestras clandestinas, sem os plurais, sem apartamentos, sem sítios e sem ser dono de NOVE celulares que acharam na casa dele, é ridículo.
Um cara que tem nove celulares é bem ridículo.
Aécio Neves, com aquele risinho eterno, é ridículo.
Temer, que escreve cartinhas ridículas para Dilma, que faz ridículas gravações no WhatsApp e que faz poemas ridículos, é, obviamente, um ridículo.
Jandira Feghali, com aquela cara de cartomante, querendo bajular o Lula numa gravação com o celular e expondo o quanto Lula é ridículo, é ridícula.
Lindbergh Farias, dizendo que adora o Lula, é ridículo.
Jair Bolsonaro, com sua truculência, sua grossura, sua falta de educação, sua homofobia, seu machismo, seu atraso e sua imensa, insuperável, incontornável burrice, é, de todos, o mais ridículo.
Mas Jean Wyllys, com seu nome de carro dos anos 1960, suas cusparadas e seus faniquitos de ex-BBB, é tremendamente ridículo.
Maria do Rosário, Marta Suplicy e todas essas mulheres brabinhas são ridículas.
Kátia Abreu, que jogou vinho na cara do José Serra, é ridícula.
José Serra, que chamou Kátia Abreu de namoradeira, é ridículo. Chamar uma mulher de namoradeira é coisa de gente ridícula.
Os pedetistas adoradores do Brizola são babosamente ridículos.
Os comunistas que fazem manifestos apoiando a Coreia do Norte são estupidamente ridículos.
Os comunistas que não fazem manifestos apoiando a Coreia do Norte também são ridículos. Só que menos.
A Bancada da Bala é violentamente ridícula.
A Bancada dos Evangélicos, perseguindo os gays, é ridícula.
A revista Veja, que define uma mulher como bela, recatada e do lar, é ridícula.
A revista Carta Capital, que é chapa-branca, melequentamente governista e que tem um diretor que escreve a mando de Lula, é ridícula.
Talvez o Brasil todo seja ridículo.

Mas, sobretudo, eu, que devia estar bebendo chope com os amigos, em vez de me importar com tudo isso, sou um baita de um ridículo.

Brasil poderá sofrer maior golpe de sua historia com a venda da Liquigas

O setor do gás de cozinha prepara o Brasil para o maior golpe de sua história, a venda da Companhia Distribuidora Liquigás anunciada na mídia mostra o efeito colateral de Pasadena pela Petrobras, agora se vende uma empresa enxuta, de alta lucratividade por preço insignificante.

Referencia: Liquigás pode ser vendida por até R$ 1,5 bilhão

Leia a nota da ASMIRG-BR

A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP - ASMIRG-BR, entidade nacional representativa da classe dos revendedores de GLP, inscrita CNPJ No 08.930.250/0001-32, vem alertar nossas autoridades e amigos da imprensa para ações de mercado que envolve a venda da Companhia Distribuidora Liquigás, que na forma proposta compromete todo o setor do tradicional gás de cozinha.

Premissas:

Primeira: De acordo com dados da Agencia Nacional do Petróleo – ANP2, a Companhia Distribuidora Liquigás esta presente em 25 (vinte e cinco) Estados Brasileiros. Sua participação no mercado nacional esta em média 23% para envasados até 13 Kg e 19% na venda do industrial.

Segunda: A Liquigás de outubro de 2015 a março de 2016, apresentou uma média de venda exclusivamente de recipientes (botijões) de até 13 Kg de 7.626.000 botijões. Considerando a média da margem de lucro bruto apresentada pela ANP3 de R$ 15,00 (quinze Reais), a Liquigás mostra um lucro bruto anual somente na venda dos recipientes de até 13 Kg de R$ 1.372.640.000, aproximadamente 1,4 bilhão de Reais.

Terceira: Em fevereiro de 2013, ANP destaca o setor do tradicional Gás de Cozinha em seu relatório, Evolução do mercado de combustíveis e derivados: 2000-2012, onde afirma:
...A despeito da manutenção dos preços de produtor constantes, pode-se ver no Gráfico 16 que os preços médios do P13 na distribuição e na revenda tiveram reajustes no período, provavelmente em função de aumento de custos. Entretanto, a concentração extremamente elevada desse mercado, no qual apenas cinco empresas (1) detêm cerca de 90% do mercado nacional de GLP, tornam-no bastante propício à coordenação tácita dos agentes regulados...
(1) SHV, Ultragaz, Nacional Gás Butano, Copagaz e Liquigás.
Fonte: Evolução do mercado de combustíveis e derivados: 2000-2012.
Pag 14 em 13/02/13 às 21:00 www.anp.gov.br/?dw=64307).
http://www.anp.gov.br/?dw=64307

Quarta: Petrobras compra Agip por US$ 450 milhões em junho de 20044

Quinta: Sociedade Banco Itaú e Grupo Ultra
Cade aprova compra de 50% da ConectCar pela Rede, do Itaú
(...) A operação dá ao grupo do Itaú Unibanco governança compartilhada da empresa com o Grupo Ultra, com cada parte detendo 50% da joint-venture formada em 2012. O negócio de R$ 170 milhões foi anunciado em outubro. (...)
Fonte: 09/11/2015 http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2015/11/cade-aprova-compra-de-50-da-conectcar-pela-rede-do-itau.html

O primeiro fato que chama a atenção sobre esta venda que prioriza vender um dos ativos mais cobiçados da Petrobrás, é a falta de publicidade, a escolha de um momento político como o que vivemos, como e porque somente empresas ligadas ao oligopólio do setor estão envolvidas neste processo. O porque e quem escolheu o banco Itaú para conduzir esta negociação, sendo o Itaú sócio do Grupo Ultra, que representa a Companhia Distribuidora Ultragaz.

Quando fazemos referencia a Companhia Distribuidora Liquigás não se pode usar do mesmo tratamento quando nos referimos as demais do setor. Isto porque tratamos de uma empresa gerenciada pelo Governo Federal, uma empresa do grupo Petrobrás S. A.. Sua aquisição na época teve como fundamento, ser o instrumento capaz de aferir o mercado visando à garantia do abastecimento do gás sempre de forma segura e dentro das condições de posse do povo brasileiro.

Certamente o grau de importância desta Companhia está acima dos seus valores patrimoniais, hoje, somente com a Liquigás, podemos ajustar impostos, preço de venda do gás junto a Petrobras sem prejuízos aos consumidores brasileiros.

Essa proposta de venda não menciona o destino de quase 3.500 funcionários, de nossas revendas que investiram e investem na marca, dos empregos indiretos que ficam comprometidos, destaca sim o interesse de compra da Ultragaz e demais companhias que compõem este oligopólio no Brasil por um preço que estranhamente é igual ao seu preço de compra a treze anos, ignorando os investimentos e crescimentos realizados durantes este período.

Como justificar uma venda de uma empresa por valores tão baixos, em menos de ano ela por si se paga somente com a venda de botijões de 13 Kg. A Liquigás apresenta um faturamento bruto no ano algo próximo a R$ 1,4 bilhão somente com a venda de botijões de uso residencial. Como justificar um desemprego em massa, pois certamente esta será a realidade de todos que atuam na empresa se vendida a qualquer uma das Companhias Distribuidoras que detém o mercado nacional.

De forma análoga, temos a venda da Repsol no Peru para a chilena Abastible, uma empresa do setor GLP que vende um terço da venda da Liquigás num mercado não regulado, de riscos quando comparamos como mercado nacional, vendida por 335 milhões de dólares, quase o valor proposto para venda de uma Cia como a Liquigás.

A Associação Brasileira dos Revendedores de GLP, ASMIRG-BR vem alertar nossas autoridades para possibilidades de abusos, de ruídos de informações que possam estar gerando o entendimento que vender a Liquigás seja uma solução para empresa Petrobras S.A., sequer esta sendo analisada a possibilidade de venda de suas ações. Tal medida permite a entrada de capital nos caixas da Petrobras e o mais importante, a continuidade de controle e papel cuja relevância para o setor GLP e consumidores brasileiros é inquestionável.


Há necessidade do TCU, CADE, MME, Órgãos defesa do consumidor, dos nossos representantes da Poder Legislativo, dos amigos da imprensa, que nos leem em cópia, de levar a público esta ação que em primeira análise se mostra com vícios, com propósitos distantes ao do interesse nacional e que ao contrario, gerará mais perdas a própria Petrobras S. A..

O ITAMARATY: ONTEM, HOJE E AMANHÃ!

1. Nos últimos 13 anos, a política externa brasileira padeceu de uma excessiva ideologização, que comprometeu os interesses nacionais e a posição do Brasil no cenário internacional. O alinhamento automático com regimes populistas e autoritários, o distanciamento de parceiros tradicionais e a negligência de áreas prioritárias, como a diplomacia econômica e comercial, resultaram no atual quadro de isolamento, paralisia e perda de liderança, sobretudo no entorno regional. Além desse aspecto substantivo, os anos PT também causaram danos significativos ao Itamaraty, como instituição. O Ministério está desprestigiado, seu orçamento degradado (tomado em termos proporcionais), seus funcionários desmotivados. Embaixadas estão ameaçadas de despejo e as dívidas do Brasil com organismos internacionais vêm fazendo com que o país chegue ao ponto de perder direito a voto. A tanto chegamos.

2. A perspectiva de impeachment da Presidente Dilma Rousseff abre a possibilidade para que se façam as necessárias e urgentes correções de rumo. Dada a natureza da transição, não haverá tempo para improvisos e tentativas de acerto. Para tanto, será necessária uma liderança corajosa e com clareza de propósito à frente do Itamaraty. Uma liderança dotada de uma visão mais pragmática, moderna, liberal e democrática sobre posição do Brasil no mundo. Em sua gestão, o ex-Ministro Celso Amorim executou verdadeiro expurgo entre seus pares e promoveu a posições de chefia uma nova geração de diplomatas leais à sua liderança.
        
3. Nesse período, deixaram o Itamaraty os Embaixadores Rubens Barbosa e Sérgio Amaral, dois nomes que contam com o respeito dos colegas. E, nesse período, surgiram, sob a égide da dupla Celso Amorim-Samuel Pinheiro Guimarães, secundados pelo prof. Marco Aurélio Garcia, a nova geração de chefes da Casa, devidamente alinhados com a ideologia do partido de turno: Antonio Patriota (Nova York), Guilherme Patriota (Genebra), Mauro Vieira (Ministro de Estado), Rui Pereira (Venezuela), Antonio Simões (Madri), José Antonio Marcondes de Carvalho (Subsecretário de Meio Ambiente e Energia), Paulo de Oliveira Campos (Paris) e Everton Vargas (Buenos Aires), entre outros.
         

4. Essa política reflete-se na dificuldade, hoje, de se identificar, na Casa, diplomatas independentes, com “signority” e que tenham tido a oportunidade de exercer funções de relevo que lhes confiram as credenciais necessárias a ocupar o cargo de Ministro. Uma rara exceção é o atual Embaixador na OMC, Marcos Galvão. Talvez, no atual momento, uma liderança de fora, com perfil elevado e peso político próprio, poderia melhor atender as necessidades políticas e institucionais da política externa brasileira. Essa liderança, além de projetar nossos interesses com maior efetividade, poderia devolver prestígio ao Itamaraty, preservando-o como instituição. O Itamaraty é uma das burocracias do Estado brasileiro mais preparadas para o desempenho de suas funções. Seu alto grau de profissionalização é um patrimônio que deve ser preservado e valorizado.

Reforma no Código de Trânsito aumenta penalidades e valores de multas

Publicada nessa quinta-feira (5), no Diário Oficial da União, a Lei 13.281 faz uma série de alterações no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), entre elas, nos valores de multas e prazos para suspensão do direito de dirigir. Os valores de multas, que eram os mesmos desde a extinção da Unidade Fiscal de Referência (Ufir) em 2000, passam a ter novos valores em reais e entram em vigor em seis meses.

As multas leves tiveram reajuste de 66% e as médias, graves e gravíssimas de 53%. Os fatores multiplicadores previstos para algumas infrações mais graves incidem sobre os novos valores. Assim, a multa prevista para quem dirige sob o efeito de álcool, que é gravíssima e possui fator multiplicador de 10, passa de R$1.915,40 para R$2.932,30.

Celular

A nova lei altera 28 artigos e inclui seis novos dispositivos. Outra mudança, muito esperada por especialistas, é a inclusão do uso do telefone celular (agora de forma explícita). O inciso V prevê infração média para quem dirigir com apenas uma das mãos. Essa conduta passa a ser de natureza gravíssima (de R$ 85,13 para R$ R$ 293,47) caso o condutor esteja segurando ou manuseando o telefone celular.

Recusa ao etilômetro

Um dos novos dispositivos inseridos no Código vem para pacificar discussões administrativas e judiciais relacionadas à recusa ao etilômetro. Proposto pelo Rio Grande do Sul, o artigo 165-A pacifica o entendimento de que a recusa ao etilômetro caracteriza-se infração formal, e enquadra o infrator na mesma situação do condutor que tem teste positivo.

Suspensão do direito de dirigir

O processo de suspensão também ficará mais célere. A mudança no artigo 261 prevê que o processo de suspensão do direito de dirigir para as infrações que preveem essa penalidade (embriaguez, excesso de velocidade acima de 50%, rachas) será instaurado concomitantemente à aplicação da multa, reduzindo consideravelmente o tempo de tramitação para a penalização do condutor infrator.

O prazo de suspensão para quem atingia os 20 pontos, na antiga redação, partia de um mês até 12 meses. Na nova redação, o prazo de suspensão para esse condutor parte de seis meses e vai até um ano (oito meses até dois anos na reincidência dentro de 12 meses). Para as infrações que preveem suspensão e não tem prazo específico determinado pelo Código, varia de um a 12 meses. A partir de 1º de novembro, será de dois a oito meses (oito a 18 meses na reincidência dentro de um ano).

A Lei 13.281 também traz mudanças nas competências de alguns órgãos de trânsito, na velocidade máxima em rodovias, nas multas para veiculação de publicidade irregular, na responsabilidade pela sinalização de estabelecimentos privados de uso coletivo, nas regras para circulação de estrangeiros, nos procedimentos de leilões, entre outros.

Para o diretor-geral do Detran/RS, Ildo Mário Szinvelski, essa verdadeira reforma no Código de Trânsito Brasileiro é positiva e vem em boa hora. "Se todo chamado ‘acidente é precedido de uma infração de trânsito, a majoração dos valores terá caráter educativo e pedagógico para a mudança comportamental. A lei avançou muito nesse sentido, como um instrumento importante no combate à impunidade e à redução da acidentalidade, dos sequelados e mortos no trânsito".


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Artigo, Milton Pires - Era uma vez uma universidade

Certa vez, em 1964, um jovem estudante, nomeado “presidente interventor” pelo Comando do Terceiro Exército dentro do Centro Acadêmico Sarmento Leite (CASL), na Faculdade de Medicina da UFRGS, em Porto Alegre, levou um grande susto quando entrou na sala daquela organização estudantil: um colega estava sentado numa cadeira com os dois pés em cima da mesa. Sobre ela se encontrava um revólver. “Isso aqui é para atender comunistas”, disse o sujeito ao presidente que havia entrado na sala.

Vinte cinco anos depois, em 1989, outro estudante daquela faculdade assistia uma aula de Bioquímica, numa fria tarde do outono gaúcho, quando o professor, interrompendo a matéria, trouxe várias garrafas de cerveja para os alunos que, depois de beberem, partiram (junto com o tal professor) para uma caminhada na Avenida Salgado Filho junto com um candidato à Presidência da República. O nome dele era Luís Inácio Lula da Silva.

Vocês querem saber como eu posso ter certeza de que estas duas histórias são verídicas? Porque o estudante de 1964 era o meu pai e o de 1989 era eu !

Na semana passada, a Câmara de Vereadores de Porto Alegre, segundo o Professor Benedito Tadeu Cézar, teve de “recuar” na sua ideia, que ele identifica como “fascista”, de repudiar à doutrinação ideológica na Universidade. Tal atitude veio acompanhada de uma espécie de compensação – os vereadores negaram-se, também, a “condenar” o ato da pediatra gaúcha que pediu para interromper o atendimento do filho de uma proeminente petista da cidade. Em outras palavras, um órgão do poder Legislativo, um órgão necessariamente político, negou-se astutamente a demonstrar em que “tom toca a banda” aqui na cidade, não é mesmo?
Iniciei o texto contando as histórias, minha e do meu pai, para mostrar o óbvio – nunca houve neutralidade dentro da UFRGS, a disputa foi sempre por aquilo que gente como o Profesor Benedito, o senhor Luís Fernando Veríssimo ou a DoutoraMárcia Tiburi gostam de chamar de “hegemonia” - vou aceitar o termo para não criar confusão, mas vou repetir aquilo que já escrevi faz muito tempo: a História de toda Universidade Ocidental inicia na Idade Média num mundo em que as pessoas entravam nelas sempre pensando a mesma coisa (como posso viver sem pecado e qual o caminho para salvação da minha alma) e saiam de lá com a capacidade (pelo menos alguma) de pensar diferente.

No mundo universitário encantado do professor Benedito, no mundo “sem machismo, sem luta pelo corpo da mulher” da Dra. Márcia Tiburi, as pessoas entram na UFRGS pensando coisas diferentes, mas saem de lá acreditando em algumas coisas em comum. Nós sabemos quais são. Não há necessidade de mencioná-las aqui, mas elas já estavam presentes como discussão na UFRGS do professor Ernani Maria Fiori, do assassino João Carlos Haas Sobrinho ou do químico comunista Otto Alcides Ohlweiler, não estavam???
As linhas que escrevi, e que apresento humildemente ao professor Benedito e à Dra.Márcia não são uma “resposta desaforada”..não são uma espécie de “vingança”

Outro dia, me dirigindo a um conhecido jornalista que tem um programa diário na Rádio Guaíba às 13 horas, eu disse com toda sinceridade e muita tristeza que só estamos tirando Dilma do Governo; não do Poder. O fato da Câmara tomar um decisão “morde e assopra”, combinando a “UFRGS com a decisão sobre pediatra”, já é uma vitória dos senhores...Toda “neutralidade”, todo relativismo de 68 vão continuar: os senhores venceram. Para ser sincero, já haviam vencido há muito tempo – a UFRGS acabou.

J. R. Guzzo, Veja - Gaveta vazia

Lá vai o governo de Dilma Rousseff caminhando para o seu fim a cada dia que passa, e enquanto não se chegar ao desfecho o público em geral vai ficar com a atenção dividida entre as questões práticas que realmente interessam ─ como será, e o que vai fazer, o novo governo? ─ e a barulheira de algo que corre o risco de ser chamado “luta de resistência”. Resistência a quê, mais exatamente? O ato de resistir, para ser de algum interesse concreto, normalmente requer que o resistente tenha alguma chance real de mudar a situação que se recusa a aceitar. Se não for assim, é apenas vaia de arquibancada ─ a torcida que perde fica xingando o juiz, a diretoria do time, o técnico, os jogadores, a bola, e no fim o resultado marcado no placar continua o mesmo.
Dilma, o ex-presidente Lula, o PT e a esquerda inconformada com o impeachment passam os dias correndo daqui para lá à procura de um portento qualquer, possivelmente sobrenatural, para poderem continuar mandando. Mas essas coisas em geral não existem no mundo da realidade. Para terem uma perspectiva séria de evitar o que vem por aí, Lula, Dilma e o seu sistema precisariam, obrigatoriamente e com urgência, oferecer à população um mínimo de atrativos coerentes em favor dos seus desejos. E aí é que está: não têm nada de útil a oferecer. Sua gaveta está vazia.
Falta gente, para começar. Lula e o governo que neste momento caminha para o cemitério não juntam multidão na rua, como os seus adversários foram capazes de juntar. Não se espera, por exemplo, mais de 1 milhão de pessoas na Avenida Paulista gritando “Fica Dilma!”, ou “Fora Temer!”. Faltam senadores para absolver Dilma da deposição, assim como faltaram deputados para impedir que fosse julgada no Senado ─ ela tinha mais ou menos 100 votos do seu lado quando a Câmara começou a decidir o caso, acabou com pouco mais que isso quando a votação se encerrou. Falta um plano concreto, imediato e compreensível para melhorar qualquer coisa que a população quer que melhore já. Não têm, nem Lula nem, menos ainda, Dilma, mais que 20% nas pesquisas de opinião. Não têm um “programa de oposição”, como imaginam neste momento de anarquia mental em que estão dentro e fora do governo ao mesmo tempo. Será cômodo dizer, daqui a pouco, que há 10 milhões de desempregados; o difícil será convencer o eleitorado de que Dilma e o PT não têm nada a ver com isso, ou com os hospitais em estado de calamidade, a recessão, as placas de “vendese” e “aluga-se”, e por aí afora.
O ex-presidente, ao mesmo tempo, quer que acreditem nele quando diz que está enfrentando uma “quadrilha” política ─ mas de que jeito, se passou os últimos treze anos vivendo como sócio dessa mesma “quadrilha”, que levou para dentro do governo e à qual até outro dia, num hotel de Brasília, estava tentando agradar com oferta de empregos?
O governo tem oferecido, isto sim, algo parecido a um projeto de guerra civil ─ ou pelo menos é o que vem dizendo em público, com ameaças de sabotagem econômica, greve geral, “parar o país” etc., se for seguido o único caminho legal que existe para a substituição de Dilma, ou seja, a posse do vice-presidente Michel Temer. O PT já decidiu que o governo a ser formado por decisão do Congresso Nacional e do STF é “ilegal”; promete que não vai dar “um dia de sossego” a quem ficar na cadeira de Dilma.
Lula e seu partido vão mesmo tentar seguir por aí? Pode ser, mas não se sabe se terão os meios reais de fazer o que propõem. Além do mais, quantos votos pode render uma coisa dessas? Têm sido ofertados, também, episódios de cuspe; não está claro se isso será promovido à categoria de “ato político de resistência”. Sobram tentativas de fazer com que o Brasil receba punições “internacionais”, possivelmente de entidades invisíveis como Unasul, Parlasul, ou coisas assim ─ mas quantos eleitores de carne e osso estariam preocupados com isso? Querem que a Operação Lava Jato “pegue” os que estão indo para o governo. E as bombas que podem estourar contra Lula, Dilma e os amigos? Só seria interessante se a Justiça parasse as investigações contra eles e começasse a investigar só os outros. Ou estão esperando uma anistia geral?
A questão real, para Lula e todo o seu universo, é clara: é impossível conseguir o que estão querendo por qualquer meio que esteja fora da lei. Dentro da lei a única saída disponível é recuperar o governo pelo voto, e a próxima oportunidade para isso é a eleição presidencial de 2018. O resto é muita conversa de “resistência” – e nada mais.



Rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS)

O rombo de R$ 1,330 bilhão na Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS) chegou a limites insuportáveis para ativos, aposentados e pensionistas do fundo de pensão. Por isso, a Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) fará manifesto no próximo dia 5 de maio, a partir das 9 horas, na Rua Otávio Caruzo da Rocha, 600 – em frente ao prédio Justiça Federal em Porto Alegre.

Os manifestantes querem esclarecimentos do mau uso dos recursos do Fundo e solução para a grave situação. Querem também dar visibilidade pública ao caso (há inquérito civil no Ministério Público Federal), e, sobretudo, pedir a suspensão dos descontos, que somados à participação normal atinge, em alguns casos, média de 30% sobre proventos brutos individuais. Os descontos já determinaram contracheques zerados para aposentados e a desoladora perspectiva de quem espera usufruir futuramente da complementação da aposentadoria. A FBSS sinaliza aos participantes que os descontos se estenderão por mais de 20 anos – estima-se que a maioria não viverá para cumprir a exigência.

Os primeiros sinais da má gestão do Fundo apareceram em 2009 e em 2013 chegaram R$ 1,33 bilhão. Em nenhum momento, as causas do péssimo resultado foram esclarecidas. Entretanto, a partir de agosto de 2014, o prejuízo foi dividido entre os participantes em forma de desconto, além da contribuição normal.

Metade do número de conselheiros e metade da diretoria é escolhida por voto dos participantes da FBSS, mas são os patrocinadores (no caso o Banco) que fazem a designação dos respectivos presidentes, estes definem as premissas atuariais do Fundo e detêm voto de minerva nas decisões colegiadas.

Dos descontos:
  
Ainda em 2009, a Fundação determinou que os associados arcassem com 82% do rombo e as empresas patrocinadoras com 18%; o que foi alterado em 2013 para 63% para os participantes e 37% para as empresas. Números injustos considerando que a lei autoriza a recomposição de déficits até o limite máximo de 50% para patrocinadores e participantes – para cada contribuição normal feita pelo participante, o patrocinador contribui com igual quantia. .

Em dezembro/2015, iniciou novo desconto de 11,33% do rendimento bruto, relativo ao Fundo de Sobrevalorização dos Benefícios, criado por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). O acerto foi entre FBSS, Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC) e patrocinadores em questão, sob a justificativa de pagamento da variação do dissídio da categoria aos inativos. (Desde a criação do Fundo, em 1964, há essa previsão em regulamento, mas não é utilizado para fixação das premissas atuariais, revistas, obrigatoriamente, ano a ano).

Ingerências e má gestão:


A Associação dos Funcionários das Empresas do Grupo Banrisul (AGBAN) garante possuir documentos que atestam ingerências constantes dos patrocinadores no fundo gerido pela Fundação Banrisul. Diz ainda que isso será demonstrado nas ações judiciais que estão sendo propostas para a recomposição do Plano de Benefícios. Segundo a entidade, mais de 13 mil famílias dependem da Fundação Banrisul de Seguridade Social, sobretudo os cinco mil participantes, que não migraram para outros planos em 2014, e estão vendo seus proventos diminuírem dia a dia.