O carcinoma de células escamosas, também chamado de carcinoma espinocelular, é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, segundo a Skin Cancer Foundation e da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Atualmente, o tratamento da doença costuma ser invasivo, podendo deixar sequelas físicas e impactar a qualidade de vida dos pacientes. Diante desse cenário, pesquisadores da Unicamp e da Universidade de Ararquara (Uniara) desenvolveram uma membrana de celulose impregnada com complexos de prata, produzida com ligantes bioativos, que deu origem a dispositivos de liberação sustentada de complexos metálicos. A combinação, batizada de AgNMS, é fruto de pesquisa do Centro de Inovação Teranóstica em Câncer, o CancerThera, sediado na Unicamp e apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).
Batizada de Oncopatch pela equipe LumiNova, a solução funciona como um curativo aplicado diretamente sobre a lesão. “É um curativo para o tratamento de câncer de pele, baseado em celulose bacteriana, impregnada com um complexo de nanopartículas de prata e nimesulida”, explicou Lília Helena Gavazza Pessôa, integrante da equipe LumiNova, durante a apresentação. Segundo a estudante, a prata ativa as vias de morte tumoral e inibe a proliferação do tumor, enquanto a nimesulida atua com ação antioxidante e anti-inflamatória.
O curativo libera o princípio ativo por até nove dias. Os testes indicaram redução visível do tumor a partir de 21 dias e queda de 75% na taxa de crescimento tumoral. A equipe destacou ainda que o produto exige apenas trocas esporádicas, realizadas em casa pelo próprio paciente, e não agride a pele, graças à membrana de celulose bacteriana.
Para que a tecnologia possa chegar ao mercado e beneficiar pacientes, as próximas etapas envolvem o licenciamento por meio da Inova Unicamp e o desenvolvimento da solução em parceria com empresas, viabilizando sua futura disponibilização à sociedade.
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