Cientista Político da Arko Advice pesquisas
carloseduardo@arkoadvice.com.br
O início do horário eleitoral é um marco importante da campanha. Apesar das redes sociais serem um meio relevante para os eleitores terem acesso à informação política, a televisão ainda preserva sua relevância nas campanhas. Por isso, o horário eleitoral é um espaço estratégico de comunicação com o eleitorado que ainda está indeciso e será o fiel da balança no pleito.
Nos primeiros programas do horário eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL) foi mais eficiente que o presidente Lula (PT) na comunicação com o eleitorado estratégico.
Flávio apostou na comparação de dois Brasis, explorando o sentimento de mudança, consequência do aumento da violência e do endividamento das famílias, criando um ambiente de pessimismo em relação à economia. O senador também buscou quebrar resistências no eleitorado feminino, apostando em sua esposa, Fernanda, que apareceu na propaganda dizendo que “Flávio é Bolsonaro moderado”.
No programa do PT, chamou atenção o ataque antecipado a Flávio. A campanha de Lula aproveitou o fato da propaganda de Flávio ter ido ao ar antes e veiculou, nas cores cinza e preto, ataques a Flávio explorando o tema do Banco Master. Somente após esse ataque é que o nome de Lula passou a ser exigido.
Embora as campanhas costumem utilizar essa estratégia para mascarar o autor da campanha negativa, o ataque no primeiro programa pode indicar que Flávio Bolsonaro está avançando nas pesquisas.
O programa eleitoral de Lula falou mais do passado que do futuro. A estratégia foi explorar, através de apelos emocionais, misturando imagens do início da trajetória política do presidente com o Lula de hoje, o vínculo com os segmentos de menor renda, base social do lulismo. O PT apostou na agenda da defesa da soberania e dos programas sociais, dando espaço também para a primeira-dama Janja.
Apesar de Lula ter falado “em salto de qualidade” e apostado no slogan “pronto para mais”, o apelo dessa mensagem pode ser limitado, já que diante da falta de uma agenda de futuro, Lula está apostando em fórmulas do passado. Embora tenha funcionado na eleição de 2022, a conjuntura mudou, já que hoje é o governo Lula – e não a gestão Jair Bolsonaro – que será “julgada” pelos eleitores nas urnas.
Por enquanto, a campanha negativa do PT contra Flávio é ancorada em denúncias antigas, sem apresentar fatos novos. Lula, por outro lado, precisará explicar as investigações contra Lulinha e o aumento do custo de vida e da violência. Não por acaso, busca evitar que a campanha seja um plebiscito de seu governo.
Caso Flávio consolide a imagem de “Bolsonaro moderado”, e resista a campanha negativa, o debate sobre o governo Lula pode se impor, sendo o centro da agenda eleitoral.
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