Cientista Político avalia salto de 2% para 11% nas intenções de votos para Augusto Cury

Elias Tavares avalia que salto de 2% para 11% na pesquisa BTG/Nexus revela espaço para candidaturas de tom mais moderado.

O crescimento de Augusto Cury na mais recente pesquisa BTG/Nexus, divulgada nesta segunda-feira, 31 de agosto, chama atenção não apenas pelo tamanho da oscilação, mas pelo que pode representar no comportamento do eleitorado brasileiro.

Na avaliação do cientista político Elias Tavares, o salto de 2% para 11% coloca Cury em um novo patamar na disputa e indica que há uma parcela do eleitorado buscando uma alternativa ao ambiente de confronto permanente que marcou os últimos ciclos eleitorais.

“Mais importante do que olhar apenas para os 11% é entender o que esse número pode estar dizendo sobre o eleitor. Cury aparece com uma comunicação mais serena, menos agressiva e com uma postura de moderação. Isso pode estar encontrando espaço entre eleitores cansados da polarização e do conflito permanente”, analisa Tavares.

O especialista ressalta, no entanto, que o crescimento não deve ser interpretado automaticamente como uma transferência direta de votos de outros candidatos. Na mesma rodada, Flávio Bolsonaro recuou quatro pontos, Lula caiu dois e Romeu Zema também perdeu dois pontos.

“A pesquisa mostra movimentos simultâneos, mas não permite afirmar que esses votos migraram diretamente para Cury. O que podemos observar é que o crescimento dele parece atravessar diferentes segmentos e não ficar restrito a um único campo ideológico”, explica.

Para Elias Tavares, o principal diferencial de Cury até aqui está na forma de comunicação.

“Ele fala baixo, evita o confronto direto e tenta transmitir equilíbrio. Em uma eleição marcada por discursos muito duros, esse contraste chama atenção. O eleitor não necessariamente está aderindo a todo o conteúdo apresentado, mas pode estar reagindo positivamente ao estilo”, avalia.

Apesar do avanço, o cientista político aponta que a candidatura ainda enfrenta um desafio importante: transformar conceitos em propostas objetivas de governo.

“Nos debates e também na entrevista ao Jornal Nacional, ainda ficou evidente uma dificuldade em apresentar respostas mais concretas para temas como economia, políticas públicas e gestão. Ser moderado pode ajudar a abrir espaço eleitoral, mas não é suficiente para sustentar uma candidatura presidencial”, afirma.

Segundo Tavares, a partir dos 11%, o cenário muda para Augusto Cury.

“Até agora, ele podia crescer como novidade. A partir do momento em que alcança dois dígitos, passa a ser mais observado, mais confrontado e também mais atacado pelos adversários. O verdadeiro teste começa agora”, destaca.

Na avaliação do especialista, o movimento reforça uma questão que deve ganhar peso ao longo das próximas semanas: existe um eleitorado disposto a ouvir candidaturas com menos agressividade e mais ponderação.

“O crescimento de Cury pode ser momentâneo ou pode se consolidar. Mas o dado já deixa uma mensagem importante: existe espaço para uma comunicação política menos baseada no grito. A dúvida agora é qual é o tamanho desse espaço”, conclui Elias Tavares.

Sobre Elias Tavares

Elias Tavares é cientista político, especialista em comunicação eleitoral, comportamento do eleitor e marketing político. É professor de Pós-Graduação da Faculdade Damásio e atua na análise de cenários eleitorais, pesquisas de opinião, estratégias de campanha, comunicação política e formação de opinião pública.


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