Análise, especial, Carlos Edurdo Bellini Borenstein - Conjuntura está mais favorável a Flávio Bolsonaro

Cientista Político da Arko Advice

carloseduardo@arkoadvice.com.br

A nova rodada da pesquisa Quaest divulgada ontem (7) mostra que a disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) continua acirrada. No entanto, a análise em profundidade da pesquisa mostra números mais favoráveis à Flávio pelos seguintes aspectos: 

1) No cenário estimulado de primeiro turno, a distância de Lula (PT) para Flávio Bolsonaro (PL) baixou de 8 pontos (37% a 29%) para 7 pontos (36% a 29%). Na simulação de segundo turno, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados com 41% das intenções de voto. No início de agosto, a vantagem em favor de Lula era de 8 pontos. Mantida a atual tendência, Flávio pode ultrapassar Lula na próxima rodada da Quaest – a pesquisa Nexus/BTG, divulgada hoje (8), mostra que Flávio ultrapassou Lula no segundo turno: 46% a 45%;


2) No segundo turno, Flávio está numericamente à frente de Lula entre os eleitores independentes (32% a 28%), segmento que será o fiel da balança da disputa;


3) O medo da reeleição de Lula cresceu cinco pontos (38% para 43%) em relação a julho. Nesse mesmo período, o medo em relação à eleição de Flávio caiu três pontos (46% para 43%). Além disso, disparou entre os jovens – 16 a 34 anos – o medo em relação a um novo mandato de Lula, chegando aos 51%;


4) A desaprovação do governo Lula subiu dois pontos (48% para 50%) enquanto a aprovação baixou dois pontos (45% para 43%) em uma semana. Hoje, Lula tem um saldo negativo de popularidade de sete pontos;


5) A desaprovação ao governo chegou aos 56% no Sudeste, região que concentra o maior contingente de eleitores. No Sudeste, apenas 36% aprovam o governo;


6) 33% dos entrevistados dizem que a renda aumentou tanto quanto o custo de vida; outros 33% afirmam que a renda não aumentou; 


7) As principais preocupações do eleitorado – violência (31%); corrupção (20%); e economia (19%) – são adversas a Lula. Vale observar que a segurança pública coloca o governo na defensiva faz algum tempo, o mesmo ocorre com a corrupção, principalmente após os inquéritos abertos contra Lulinha, filho do presidente, e a grave crise que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF), “colando” o ministro Alexandre de Moraes em Lula. Soma-se a isso a decisão do ministro André Mendonça de determinar o afastamento de Andrei Rodrigues da Polícia Federal (PF), agravando a crise. Sobre a economia, 49% dos entrevistados dizem que houve uma piora nos últimos 12 meses. 

A sucessão está muito acirrada e assim tende a continuar. No entanto, o empate entre Lula e Flávio; o aumento do medo em relação a um novo mandato de Lula; o crescimento da desaprovação do governo; e a piora da percepção em relação a renda combinado somado a preocupação com a segurança e a corrupção estabelecem na opinião pública um clima político mais favorável a oposição.


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