Adão Paiani - Mártires da insanidade
Mártires da insanidade
*Adão Paiani
Você certamente não sabe onde fica Janaúba, nem quem
foram Heley de Abreu Silva Batista, Juan Pablo Cruz dos Santos, Luiz Davi
Carlos Rodrigues, Juan Miguel Soares Silva, Renan Nicolas Santos, Cecília
Davina Gonçalves Dias, Yasmin Medeiros Salvino e Ana Clara Ferreira Silva; mas
precisa saber que essas pessoas, nesse lugar no coração do Brasil profundo, são
as mais recentes vítimas dos resultados práticos da implantação das concepções
ideológicas de esquerda na sociedade.
A professora Heley, e oito de seus alunos, crianças entre
três e seis anos, são mártires da insanidade de seu algoz e de uma ideologia.
Foram mortas em incêndio provocado intencionalmente pelo segurança da creche
municipal da cidade ao norte de Minas Gerais onde viviam. Outras 43 crianças
foram internadas em estado grave, por queimaduras e inalação tóxica.
O autor, de 53 anos, também morreu. Ele era paciente
psiquiátrico, atendido em ambulatório num “Centro de Apoio Psicossocial
(Caps)”, como prevê a lei que reformou o atendimento psiquiátrico, em 2001.
Segundo o laudo “psicossocial”, sofria de "manias de perseguição",
dentre outros distúrbios psíquicos. E mesmo assim, estava trabalhando em uma
escola infantil, como forma de se “integrar” à sociedade.
Fosse a notícia de um celerado ingressando numa escola
americana e disparando em crianças inocentes, a mídia estaria debatendo o uso
de armas de fogo e condenando sua liberação. Como a tragédia foi em nosso
quintal, a resposta é o silêncio, para evitar discutir uma de suas causas, o
desmonte dos hospitais psiquiátricos no Brasil, defendida pela intelligentsia
tupiniquim.
A “luta antimanicomial” é uma das bandeiras da esquerda
brasileira e como tal o pressuposto é de “luta” contra algo, e não discussão
sobre como aprimorar um sistema com distorções. A lógica, como sempre, é a
desconstrução, sem a clareza do que colocar no lugar.
Desde o final dos anos 70 o Movimento dos Trabalhadores
em Saúde Mental (MTSM), um MST da área de saúde, defendia a ruptura com o
modelo psiquiátrico clássico, propondo uma “sociedade sem manicômios”. Da
mobilização nasceram iniciativas como o PL n° 08/91-C, do Dep. Paulo Delgado,
não por acaso do PT, propondo a extinção dos hospitais psiquiátricos, sem dizer
claramente o que fazer com seus pacientes.
Do projeto, veio a Lei 10.216/2001, ou “Lei
Antimanicomial”, que nos legou doentes mentais vagando pelas ruas do país, sem
amparo ou tratamento. Típico da lógica esquerdista, ao destruir algo sem medir
as conseqüências.
Os princípios ideológicos antimanicomiais estão em
diversos autores, como Michel Foucault, que em “A história da loucura” defendia
que todos os “loucos” fossem soltos, independente do risco potencial que
significassem para si próprios ou terceiros. A idéia aparentemente já estava em
prática, pois muitos, além do autor, levaram isso a sério.
A clássica relativização esquerdista impõe dúvidas: quem
é normal? O que é sanidade? Pedófilos são doentes ou diferentes carentes de
aceitação? Artistas performáticos que enfiam imagens sacras no ânus, e o vigia
de uma escola infantil que coloca fogo em crianças são mentalmente perturbados
ou exercem um direito de expressão?
Quando uma ideologia tem por objetivo subverter a
natureza das coisas, através de justificativas teóricas sem comprovação
científica, e impõe sua concepção de mundo mediante instrumentos de
desconstrução da ordem social, o resultado são tragédias nos locais mais
improváveis, e tendo como vítimas Heleys, Juans, Pablos, Luizes, Renans,
Cecílias, Yasmins e Ana Claras, que viviam distantes dos gabinetes
refrigerados, das rodas de intelectuais e discussões acadêmicas, mas tiveram
suas vidas tragicamente interrompidas por conta das idéias que brotam destes
lugares.
Em homenagem a eles, clamamos pela revisão da lei
antimanicomial, para que tragédias como essa não mais ocorram, e mais inocentes
não sejam imolados no altar das idéias infames, saídas do lixo da história.
Artigo, Mary Zaidan, O Globo - Quadrilha olímpica
Artigo, Mary Zaidan, O Globo - Quadrilha olímpica
A compra de votos para que o Rio de Janeiro sediasse os
Jogos Olímpicos de 2016 não é novidade – foi detonada em Paris no início do ano.
Tampouco o vício do ex-governador Sérgio Cabral pela corrupção ativa. O que
espanta na prisão de Carlos Arthur Nuzman, suspenso temporariamente da
presidência do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), é o fato de a questão ter se
limitado ao noticiário esportivo.
Pouco sobre a Copa do Mundo de 2014 e a Rio-2016 dizia
respeito ao esporte. Ambos eventos enriqueceram os amigos do rei, energizaram
candidaturas de petistas e aliados, e empobreceram o país.
O delator da trama pró-Rio-2016, Eric Maleson, que
presidiu a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, diz que procurou as
autoridades francesas depois de o governo da então presidente Dilma Rousseff
ter “abafado” as denúncias que ele fizera, em 2013, à Polícia Federal. Ele
afirma que a PF trabalhou com afinco e avançou muito, mas teria sido impedida
de continuar - “por Brasília”.
Nem Dilma, nem Lula reagiram à acusação. Nenhum pio.
O interesse de trazer os jogos para o Brasil compunha a
megalomania do ex-presidente Lula, custassem o que custaram, ou mais. E foi
caríssimo. Uma conta a ser paga por várias gerações.
Estima-se que foram gastos em torno de R$ 30 bilhões com
a Copa e outros R$ 37 bilhões com a Olimpíada do Rio. Mas a conta é infinita.
No caso do Rio, que até conseguiu acelerar obras do metrô
e do BRT, além de concluir uma gigantesca intervenção urbana na área central,
os equipamentos construídos para os jogos se deterioraram com rapidez
acelerada.
Nada dos prometidos parques populares e áreas de
treinamento de modalidades esportivas. O pouco que continua em pé foi salvo
pelo investimento privado do Rock in Rio, com a transformação de parte do
parque olímpico em Cidade do Rock.
E Deus salve o rock.
Além da amargura dos 7 x 1 sofridos pela seleção
canarinho para a Alemanha, o mundial de 2014 deixou estádios moderníssimos e
superfaturados, que exigem fortunas mensais dos governos estaduais para evitar
que eles sejam ocupados pelas baratas.
A arena Pantanal acumula prejuízo superior a R$ 8 milhões
depois de ter consumido R$ 628 milhões para ser construída. A de Pernambuco
amarga vermelho semelhante e exige R$ 860 mil por mês em manutenção. E o
escândalo maior – o Mané Garrincha, no Distrito Federal –, cuja reforma bateu
em R$ 1,8 bilhão, gasta algo em torno R$ 8,4 milhões ao ano para se manter.
Tudo pago com dinheiro do cidadão que trabalha para
quitar impostos e que quase nada recebe em troca. Por gente que o fisco insiste
em chamar de contribuinte, mas que, certamente, não desejaria contribuir com
tamanho desatino.
Nem os bilhões superfaturados com as arenas da Copa e nas
obras olímpicas, nem as 16 barras de ouro de Nuzman, encontradas em um depósito
de luxo na periferia de Genebra, poderiam ser amealhados apenas a partir da
esperteza de uns e outros.
Ao que tudo indica, Nuzman teve sinal verde para comprar
juízes olímpicos. Pagou por eles e embolsou sua parte do negócio.
Nada fez de diferente da prática idolatrada pelos
governos petistas de que os fins justificam os meios, ainda que se inclua
comissão pessoal, embolsada em espécie ou mimos.
É pouco provável que Nuzman tenha agido por conta
própria, ou mesmo que seja apenas um dos integrantes do bando de Cabral. Assim
como é dificílimo crer que Cabral tenha sido o criminoso mentor para que o
Brasil de Lula, em 2009, vencesse a disputa da sede olímpica. Mas isso as
investigações vão dizer.
Sabe-se, por ora, que Nuzman é caso de polícia. Mas tudo
no entorno dele é política pura. E da pior espécie.
Artigo, Marcelo Aiquel - Cesare Battisti e o fim da gandaia
Eu poderia iniciar este breve artigo citando um conhecidíssimo provérbio de origem portuguesa, que diz: O tempo é o senhor da razão.
Nada como o tempo para mostrar “quem é quem”...
Mas, prefiro – para melhor adaptar-me ao caso – utilizar o velho ensinamento que a vida nos dá: jamais confie em um bandido.
Ora, qualquer pessoa sabe que confiar em bandido é o mesmo que achar que o cachorro (aquele mesmo, doido e muito agressivo) da sua rua vá lhe poupar só porque – um dia – você foi bonzinho com ele.
Como se a maldade e a absoluta falta de caráter de alguém com instinto assassino pudesse ser esquecida com o tempo. Todo mundo sabe que natureza é natureza. E sempre será!
Assim a humanidade caminhou, até que nesta semana o facínora italiano Cesare Battisti foi capturado pela PF ao tentar evadir-se do país, com os bolsos forrados de grana.
Pois, não é que depois de “ser apadrinhado pelo PT” (leia-se Tarso Genro, Lula da Silva, e Luiz Eduardo Greenhalgh) o assassino italiano condenado conseguiu permanecer no Brasil, FINGINDO SER O QUE NUNCA FOI e evitando uma extradição para a Itália, onde cumpriria uma pena de prisão perpétua. Ele “enganou” a quem, aqui?
Afinal, lá na Itália o “coitadinho” só assassinou quatro pessoas!
Foi julgado e condenado, sem direito a recurso.
Mas, com a ajuda providencial dos novos “amigos bolivarianos” não só ficou aqui – a são e salvo da justiça italiana – como se tornou uma personalidade ilustre, ao ponto de ser recebido, “com honras de visitante VIP”, pelo então governador gaúcho Olívio Dutra, outro membro ativo da esquerda bolivariana nacional. Aquele mesmo “político ético” que mandou embora uma fábrica da Ford, sob o argumento ridículo de que nem tudo que é legal, é moralmente aceitável. E foi assim que o município de Camaçari/BA cresceu economicamente de forma avassaladora. Ah, e com um “pequeno detalhe”: Nenhum governo petista baiano (posterior à instalação daquela montadora lá) se dispôs a acabar com o investimento que era moralmente inaceitável...
Voltando ao bandido italiano, ele quis fazer crer que não pretendia fugir. Não! Ele “somente” queria fazer compras no maravilhoso polo comercial existente na fronteira com a Bolívia. Então tá. Acreditar neste vagabundo condenado?
SÓ SE EU FOR TROUXA; CAPACHO; OU TELEGUIADO!
Delegados de Polícia do RS apoiam greve da Polícia do RS
Nota oficial
O presidente da ASDEP, delegado Cleiton Freitas, assinou,
na tarde desta sexta-feira (6), nota oficial com orientações aos associados
sobre a greve dos agentes da Polícia Civil prevista para começar na próxima
segunda-feira (9).
Confira a nota na íntegra:
A Associação dos Delegados de Polícia do Rio Grande do
Sul – ASDEP, em vista do não pagamento dos subsídios da categoria na data
prevista na Constituição do Estado, vem a público para:
1. Reconhecer como justa a inconformidade dos Agentes da
Polícia Civil em face do não recebimento de seus subsídios na data legalmente
prevista, uma vez que o trabalho policial exige tranquilidade, dedicação,
responsabilidade, entre outros atributos que um servidor público,
impossibilitado de garantir o sustento de seus familiares pelo não recebimento
de seu salário, dificilmente terá. Por isso, a ASDEP entende e respeita a decisão
que os Agentes tomaram em assembleia-geral.
2. Ponderar, no entanto, que a população do Rio Grande do
Sul conta com a Polícia Civil para defendê-la, especialmente em face da grave
situação de insegurança que vem vivenciando, o que desaconselha uma paralisação
total dos serviços.
3. Em virtude do exposto, recomendar a seus associados
que:
• dialoguem com os servidores que trabalham sob sua
orientação e estabeleçam, conforme as peculiaridades de seu órgão policial,
procedimentos que garantam o atendimento das necessidades mínimas da população;
• apoiem a decisão dos agentes, suspendendo a realização
de ações e operações policiais especiais até a integralização do pagamento dos
subsídios;
• deixem, excepcionalmente, de remeter Inquéritos
Policiais, Termos Circunstanciados e Procedimentos para Adolescentes
Infratores, exceto Autos de Prisão em Flagrante, Autos de Apreensão em
Flagrante e Inquéritos Policiais envolvendo investigados presos, enquanto a
anormalidade persistir.
Porto Alegre, 06 de outubro de 2017.
Cleiton Silvestre Munhoz de Freitas,
Presidente.
Marcelo Aiquel - A ARTE E A LIBERDADE
A ARTE E A LIBERDADE
Caros
amigos, neste meu artigo de hoje venho abordar um tema muito polêmico,
especialmente depois das acaloradas discussões nascidas das recentes exposições
“Queermuseum” (Santander Cultural, POA/RS) e “Bienal” (Masp, SP/SP).
O que
estamos assistindo é um verdadeiro festival de asneiras – comparado ao famoso
FEBEAPÁ, crônica do brilhante Stanislaw Ponte Preta (pseudônimo do escritor
Sérgio Porto) e publicada nos anos 60 – ditas e repetidas por pessoas que pouco
entendem ou nada sabem de Arte. A não ser de “fazer arte” (no sentido figurado,
como explica a conhecida gíria popular). São opiniões de ideologia política
pura.
Pois
bem, não me considero melhor que ninguém, mas fui educado pela minha falecida
mãe que, além de haver cursado o Instituto de Belas Artes, era mestra na
História da Arte. Depois de muito aprender em casa, tornei-me grande amigo (e
sou até hoje, graças a Deus que nos mantém vivos e lúcidos) de um dos maiores
experts em Arte do Brasil, um conhecido e respeitado marchand, e curador
de grandes exposições, que também me inspirou e ensinou bastante sobre o tema
ARTE.
Além
disso, e também de constantemente ler sobre o assunto, tive o prazer de visitar
e admirar os mais famosos museus de arte do mundo (tanto antiga, como
contemporânea e moderna).
E eu
tenho ficado literalmente pasmo com o volume de BESTEIROL que pessoas “ditas
cultas” vem exprimindo em relação aos citados episódios recentes, como se
entendessem um pouco – ao menos – do assunto.
Parto da
premissa (absolutamente VERDADEIRA) de que Arte é – sempre foi e sempre será –
um “território livre”, onde os artistas expõe aquilo que imaginam ser capaz de
demonstrar o que pensam.
Mas, não
posso ignorar que a liberdade de um tem limite restrito à liberdade do outro.
Ou seja, (para os maus entendedores) a liberdade de uma pessoa termina; acaba;
some; exatamente onde começa a liberdade da outra.
Também é
impossível construir um silogismo qualquer, sem a presença do necessário RESPEITO.
E quando me refiro a isto, falo do respeito básico ao princípio universal da
liberdade do seu semelhante. Ou seja, (novamente “desenhando” para os maus
entendedores) o respeito ao direito individual de cada pessoa. Explicando
melhor, a liberdade (qualquer que seja ela) não agrega jamais a “obrigação” de
fazer algo que não se deseja.
Assim
funciona numa exposição de arte, como na vida, onde ninguém DEVE (ou pode) SER
FORÇADO a fazer nada que não lhe interesse, ou que agrida a sua formação.
Por esta
singela razão, os maiores museus do mundo mantêm – em locais reservados e de
acesso privado – as obras de caráter “dito” pervertido, que possam causar
insultos a um determinado grupo ou que reflitam uma Arte não admitida como
convencional.
O que
fica subentendido com estas salas privadas: são liberadas a todos, porém há a
informação de que contém Arte “alternativa”, ou aquela cujas imagens agridem a
moral e os bons costumes. Só entra quem quer!
E, DATA
MÁXIMA VÊNIA, não cabe discutir, aqui e agora, os limites da moral e dos bons
costumes. Qualquer pessoa com mediana cultura geral sabe exatamente o que é
moral e o que é imoral. Afinal, vivemos e fomos criados numa civilização que
estabelece com exatidão os limites destes conceitos.
Os
tempos são outros, eu sei. Houve mudanças de comportamento (algumas tentadas
“na marra”, enfiadas “goela abaixo”da população), mas o princípio de liberdade
segue o mesmo.
Concluindo: NAS ARTES TUDO É VÁLIDO. DESDE QUE RESPEITADOS OS DIREITOS À
LIBERDADE DE OPÇÃO DE QUEM ADMIRA OU SIMPLESMENTE OLHA.
VÊ QUEM
QUER, SEM OBRIGAÇÃO NENHUMA E BEM AVISADO SOBRE O CONTEÚDO DE UMA EXPOSIÇÃO.
Assim,
ninguém será agredido nos seus princípios morais e/ou religiosos.
Ah, e
também acabariam as polêmicas, que só alimentam aqueles que precisam delas para
viver.
Análise, equipe de economistas do Bradesco - O setor imobiliário e a recuperação do crescimento
O setor imobiliário residencial pode cumprir um
importante papel na recuperação do crescimento da economia brasileira nos
próximos anos. Além de ser um setor bastante intensivo em trabalho, há um
grande encadeamento para diversos outros setores na economia, de cimento a
vidros, madeira, siderurgia e bens duráveis. Entre 2006 e 2013, o setor
imobiliário gerou liquidamente cerca de 721 mil empregos com carteira assinada,
5,2% do incremento de empregados no Brasil nesse período. Em sentido contrário,
desde o início da crise de 2014, houve o desligamento de quase 450 mil
empregados celetistas no segmento imobiliário, respondendo por 20,9% do
fechamento de vagas no Brasil. Olhando adiante, entretanto, a demanda por novas
residências combinada com a expansão do crédito imobiliário abre a perspectiva
de uma importante contribuição desse setor para a retomada do crescimento no
médio prazo.
Vários estudos mostram que a demanda por domicílios
deverá continuar a mostrar expansão nos próximos anos. Essa demanda será derivada
tanto do crescimento populacional quanto dos novos arranjos familiares. Segundo
estudo da FGV, o número de domicílios deverá atingir 81,7 milhões em 2025, um
incremento de quase 13,7 milhões de moradias a partir de 2015. A projeção leva
em conta o crescimento médio de 1,8% ao ano do número de domicílios e, ainda
que represente uma desaceleração em relação ao observado nos últimos 10 anos
(média anual de 2,5%), o número de domicílios seguirá crescendo acima da
população. De fato, os novos arranjos familiares, com maior percentual de
idosos morando sozinhos, famílias menores e crescimento de divórcios, entre
outros, deverão exigir uma expansão maior do número de domicílios do que o
crescimento populacional.
Além do crescimento da demanda por imóveis, outros
estudos indicam que o problema do déficit habitacional segue relevante. Um
estudo da Fundação João Pinheiro (FJP) aponta para um déficit de 6 milhões de
moradias em 2014, respondendo por 9% do número de domicílios naquele ano. Vale
lembrar que o déficit habitacional calculado pela FJP considera a necessidade
de construção de novas moradias para solução de problemas sociais e específicos
de habitação e que impactem na qualidade de vida dos moradores. Quase metade de
todo o déficit habitacional ocorre por conta de ônus excessivo de aluguel, ou
seja, está concentrado em renda de até 3 salários mínimos. Mas também chama
atenção o déficit habitacional em famílias com renda média a partir de 5
salários mínimos, que respondem por 6,4% do total, ou 4,3 milhões de moradias.
De qualquer forma, se o déficit relativo permanecer em 9% até 2025, isso
significa que o déficit habitacional absoluto seria de quase 7,3 milhões de
domicílios naquele ano, revelando grande potencial de expansão do setor.
Outra característica do mercado brasileiro é que cerca de
75% dos domicílios são próprios, percentual que está relativamente estável
desde 2001. Ou seja, cerca de 17 milhões de domicílios são alugados ou cedidos
à moradia. Mantida essa proporção, teríamos em 2025, cerca de 61,3 milhões de
imóveis próprios e cerca de 20,4 milhões de imóveis sendo locados ou cedidos.
Essa característica não afeta o potencial de crescimento da economia, uma vez
que apenas a propriedade do imóvel é que muda de dono, e não a quantidade de
imóveis construídos caso os inquilinos venham a adquirir um imóvel próprio a
partir de condições de crédito mais favoráveis que possam se estabelecer no
futuro. Variações nessa relação tendem mais a afetar o preço relativo do
aluguel em relação ao do imóvel do que a quantidade total ofertada de imóveis
novos.
A existência dessa demanda potencial por imóveis,
entretanto, é antiga no país e não caracteriza, por si só, perspectiva segura
de maior crescimento econômico. É fundamental que haja um ambiente econômico
previsível e favorável aos investimentos, incluindo regras importantes que hoje
afetam a disposição de investir do setor, como no caso dos distratos, por
exemplo, e até mesmo do patrimônio de afetação, cuja legislação está sendo
questionada judicialmente. Mas há sim uma perspectiva diferente, que foi
interrompida pela crise, mas que tende a apoiar essa demanda potencial,
traduzindo-a em crescimento efetivo, que é a expansão do crédito imobiliário
nos próximos anos.
O crédito imobiliário tem se tornado cada vez mais
relevante no mercado bancário brasileiro, mas ainda há enorme potencial para
crescer e se aproximar dos níveis verificados em outros países. Atualmente,
essas linhas representam cerca de 20% do saldo de crédito total e
aproximadamente 80% desse montante é destinado à pessoa física (através das
linhas de financiamento habitacional). Nos últimos 10 anos, a participação de
crédito imobiliário no PIB passou de 1,8% para 9,7%. A despeito da forte
expansão nos últimos 10 anos, a participação do crédito imobiliário no PIB do
Brasil está muito aquém dos pares internacionais. Em alguns países emergentes,
como na África do Sul, o crédito imobiliário atinge 30% do PIB e, em diversos
desenvolvidos, a relação ultrapassa os 60%. A julgar pelas métricas
internacionais, é possível contarmos com grande expansão do crédito imobiliário
nos próximos anos no Brasil. Assim, diante da possibilidade de convivermos com
um cenário macroeconômico mais estável, há duas fontes relevantes de expansão
do crédito, que ajudarão o setor residencial: (1) queda de juros e (2) aumento
da proporção do valor médio financiado.
Caso as condições para uma queda permanente da Selic se
consolidem, o potencial de famílias elegíveis a comprar um imóvel financiado
crescerá muito. Atualmente, a queda de 1 p.p. da taxa de juros reduz entre 6% e
8% a renda mínima exigida para financiamento imobiliário. Dessa forma, a queda
de 1 p.p. de juros adiciona cerca de 1 milhão de famílias elegíveis a um
financiamento de R$ 200 mil para habitação, dependendo do patamar da taxa de
juros. De fato, atualmente em torno de 10% das famílias brasileiras poderiam se
enquadrar em um financiamento de R$ 200 mil por 30 anos, percentual que não
passava de 7,5% há um ano atrás. Ademais, diante de um cenário de recuperação
gradual da atividade doméstica, o mercado de trabalho também deverá se ajustar
e o rendimento voltará a crescer. Caso os preços de imóveis se mantenham com
expansão próxima à do rendimento, o impacto da redução das taxas de juros será
bastante relevante, dada a sensibilidade da parcela em relação à taxa de juros
nos financiamentos de longo prazo. Vale ressaltar que não levamos em conta uma
eventual elevação do prazo de financiamento bancário nos próximos anos, uma vez
que já atingimos 30 anos para pagamento.
Esse maior número de famílias elegíveis a crédito tende a
diminuir a proporção de imóveis comprados à vista no país, ao possibilitar a
alavancagem do orçamento das famílias, aumentando o crescimento econômico. A aquisição
de imóveis pode ocorrer de quatro formas: financiamento bancário, financiamento
via consórcio, financiamento direto/e com proprietário ou pagamento à vista.
Segundo informações do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis de São
Paulo, em março de 2017, 44% dos imóveis adquiridos foram pagos à vista no
estado de São Paulo, o que parece uma parcela muito elevada. Assumindo que o
padrão de financiamento de imóveis observado no estado de São Paulo seja uma
boa proxy para o mercado de imóveis nacional, existe um potencial de expansão
da venda de imóveis a partir do maior acesso ao crédito imobiliário. Em nosso
cenário, acreditamos que a participação do setor bancário no financiamento pode
voltar para a máxima histórica (de 70%) em dez anos. Ao comprar o imóvel
financiado ao invés de pagá-lo à vista, as famílias suavizam poupança e consumo
ao longo do tempo, possibilitando uma antecipação de consumo que acelera o
crescimento econômico.
A julgar pela própria experiência brasileira, e
internacional, e também diante da possibilidade de juros estruturais mais
baixos, também existe espaço para crescimento do valor financiado dos imóveis
no país. Segundo informações da Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip), o percentual do valor do imóvel financiado
(Loan to Value – LTV) no Brasil foi de 58,2% no primeiro trimestre de 2017.
Esse percentual está muito aquém das máximas atingidas antes da crise, de 65,4%
em 2014 e do valor máximo comumente financiado, de cerca de 80%. Em diversos
países desenvolvidos, podemos observar um LTV médio maior do que o verificado
no Brasil. Na área do Euro, por exemplo, o loan to value médio para a primeira
habitação é de 79% e, em alguns países superam os 90%, como na França e
Holanda. Acreditamos que, em um ambiente macroeconômico estável, com taxa de
juros reduzida, podemos ter uma expansão saudável do loan to value no Brasil
para algo próximo a 70%.
Em nossas simulações, a flexibilização da oferta, seja
via maior loan to value ou expansão do percentual de imóveis financiados, pode
gerar um crescimento de cerca de 8% ao ano na carteira de crédito imobiliário.
Adicionalmente, a expansão anual de estoque de domicílios projetada pela FGV,
combinada a um aumento de preços em linha com a meta da inflação, poderia gerar
um crescimento da demanda da ordem de 6% ao ano. Nesse sentido, acreditamos que
o estoque de crédito imobiliário poderia crescer cerca de 14% a.a. em termos
nominais nos próximos 5-10 anos, apoiando a recuperação da economia. Com isso,
em nosso cenário base, acreditamos que a relação crédito imobiliário/PIB poderá
atingir 15% em 10 anos. Ainda, ressaltamos que, a despeito do crescimento da
carteira de crédito habitacional, temos observardo nos últimos anos uma redução
do endividamento das famílias (seja com crédito habitacional seja com crédito
mais relacionado ao consumo). Assim, entendemos que há espaço para esse
crescimento do crédito imobiliário sem que seja imediatamente questionado o
endividamento das famílias.
A despeito dessa leitura mais favorável para o médio
prazo, nossa visão para o curto prazo (2017 e 2018) ainda é de uma recuperação
gradual do mercado imobiliáro. Ainda que a carteira de crédito imobiliário
esteja apresentando um dos melhores desempenhos do mercado, a desaceleração
ocorrida nos últimos anos foi considerável, por diversos fatores. Entre 2008 e
2013, observamos forte expansão da carteira, de cerca de 40% a.a., em virtude
da expansão dos rendimentos, da mobilidade social e da formalização do mercado
de trabalho, acompanhada pela regulamentação favorável. Acreditamos ser pouco
provável voltarmos a esse ritmo de expansão, em virtude da maturidade do
mercado e da queda de lançamentos nos últimos anos. Mas apostamos que, com o
fim do ajuste do mercado de trabalho e diante da possibilidade de uma redução
sustentável da taxa de juros, a carteira de crédito imobiliário poderá voltar a
crescer de forma mais acelerada a partir de 2019.
Portanto, em nossa avaliação, há grande potencial para
crescimento do setor imobiliário nos próximos anos, tanto por condições de
demanda quanto de oferta. Naturalmente, outras fontes de financiamento, além da
poupança, serão cada vez mais necessárias ao longo do tempo para fazer frente
ao crescente volume de financiamento imobiliário. Acreditamos também que as
reformas estruturais em curso são importantes para promover a redução
sustentável da taxa de juros e permitir um crescimento sustentável da carteira
de crédito que trará, como benefícios diretos, o apoio a uma expansão mais acelerada
do setor imobiliário que é fonte importante de crescimento e geração de
empregos no país.
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