Presa política contrai hanseníase

 Post scriptum do depoimento - Nesse mês completo a terceira cartela de tratamento e o médico me falou que a hanseníase também atinge os nervos e percebo que a gente vai perdendo a força das mãos, por exemplo. Não é uma doença fácil. Se eu fico nervosa, começa a coçar e volta tudo, com risco de se espalhar pelo corpo. 

O contágio se dá por gotículas de saliva, mas me disseram que com o início do tratamento já não transmito. Outra coisa: é preciso estar muito fragilizada fisicamente para a pessoa  contrair a bactéria e mantê-la. Em geral o corpo expele. E no meu caso, a doença está no início, com uma carga baixa.

Presa política contrai hanseníase

Ela tem 48 anos, um filho de 20 anos, divorciada e empresária do setor de revestimento de paredes/pisos e colocação de persianas. Ela ficou 15 dias no Presídio Colmeia por ter ido até Brasília. Detalhe: saiu de sua cidade às 17h30 do dia 7 de janeiro em um ônibus que quebrou no meio do caminho. Mesmo sabendo do que aconteceu na Praça dos Três Poderes, o pessoal do ônibus decidiu seguir viagem e a chegada no QG de Brasília foi às 20h40 de 8 de janeiro. Ou seja, muito depois de concretizados os atos de vandalismo.

Somente o filho da patriota sabia que ela tinha ido à manifestação na capital federal, por ter sido uma decisão de última hora, após retornar de férias no litoral. Voltaria de Brasília em três dias. Após ser presa, não conseguiu contato com nenhum dos familiares, nem mesmo com o filho, que só ficaram sabendo de sua prisão com a publicação da lista de presos pelo STF. 

Depois de duas semanas em Brasília, voltou para casa com a tornozeleira eletrônica e todas as limitações impostas pelo STF, e a vida virou de cabeça para baixo: perdeu os serviços contratados, teve que indenizar os 13 funcionários, adquiriu dívidas por não conseguir atender novos clientes, está depressiva ao ponto de pensar em dar cabo de sua vida e descobriu que está com hanseníase, que antigamente era conhecida como lepra. A hanseníase é uma doença infecciosa, contagiosa, de evolução crônica, causada pela bactéria Mycobacterium leprae. Atinge principalmente a pele, as mucosas e os nervos periféricos (braços e pernas), com capacidade de ocasionar lesões neurais

“Saí do Presídio Colmeia em choque emocional. Durante duas semanas fiquei naquele ambiente úmido e com fome, junto às pessoas doentes que não podiam tomar os seus remédios, porque não eram liberados pelo sistema penitenciário. Eu saí do presídio e não percebi nada da doença contraída, hanseníase (lepra). Só em abril apareceu no meu braço uma marca do tamanho de um ovo, perdi a sensibilidade da pele e fui diagnosticada. 

Desde então, faço tratamento com poliquimioterapia, um composto produzido nos Estados Unidos, mas não estou conseguindo melhorar. O médico me diz que preciso de tratamento psiquiátrico, que não posso ficar nervosa, porque é uma doença que ataca os nervos. Se eu ficar calma, tenho mais chance de sarar. Porém, sem tratar o meu psicológico junto, nessa situação em que me encontro de dificuldades financeiras e impedimento de trabalho, será difícil. 

 A doença se manifestou no braço e é como se fosse uma picada de inseto com consequências, como inchaço, e fica uma bola grande. Na sequência se transforma numa rodela grande branca e úmida. 

TRATAMENTO

Além de tudo o que aconteceu em Brasília e a doença, e de todo o meu financeiro bagunçado, a minha cabeça começou a ficar ruim. Não conseguia mais enxergar o final do túnel. Fui à agropecuária e comprei chumbinho. Pensei: “agora vou me matar porque não tem outra solução”. Naquele dia, recebi a visita da minha mãe que está com câncer e ela me disse para não fazer nada que cortasse os dias dela aqui na Terra. Parece que ela sabia que naquele dia eu tentaria me matar. 

O QUE ACONTECEU COMIGO EM BRASÍLIA?

Cheguei em Brasília muito tarde no dia 8 de janeiro, porque o ônibus quebrou no meio do caminho e ficamos um bom tempo em São Paulo. Usei o meu cartão de crédito para comprar um agasalho então é fácil comprovar que eu não poderia fazer parte de qualquer ato de vandalismo, justamente por não estar no local, nem mesmo em Brasília.

Quando descemos no QG, tinha muito movimento de policiais e gente correndo para todo lado. Eu não conhecia as pessoas que vieram da minha cidade e acabei caminhando junto com a moça que se sentou ao meu lado na viagem. Assistimos aquele tumulto da Polícia Federal querendo invadir o QG e o Exército evitando, e parecia que estávamos em segurança. Fomos dormir.

Pela manhã, arrumei a minha mochila e tentei sair do QG, porém um cordão humano formado por inúmeros policiais me impediu. Depois disso, me juntei aos demais e fomos induzidos a entrar em ônibus, desfilamos por toda a Brasília e nos levaram para o Ginásio, com a desculpa de fazer um cadastro. 

Depois que idosos, cadeirantes e mães e filhos passaram pelo cadastro, foi a nossa vez. Era por volta das 3 horas da manhã e o tal cadastro era na verdade uma voz de prisão. Até então não tínhamos entendido que fomos sequestrados lá no QG. A delegada que me atendeu permitiu uma única ligação antes de ser presa e recolher meu celular, então escolhi ligar para o meu filho que, por ser madrugada, não atendeu. 

Fiquei sumida por 10 dias e ninguém sabia de mim. Eu tinha uma empresa e jamais imaginaria que seria impedida de voltar, portanto não tinha definido ninguém para tocar os negócios. 

ALA DELTA

As condições em que vivemos na Ala Delta eram precárias demais. Tínhamos um único tanque para 143 mulheres e servia para tomar água, lavar o que fosse e escovar os dentes. Esse tanque tinha um esgoto entupido e a água voltava pela galeria, chegando até o espaço onde ficávamos, inclusive onde colocávamos os colchões no chão para dormirmos. 

O vaso sanitário não tinha descarga e para usar era preciso limpar antes, pegando um saco plástico para tirar todo aquele resíduo com a mão e colocar no lixo. Quando a gente estava tomando banho, do lado tinha outra pessoa colocando um balde para escorrer aquela água. Se quisesse tomar um banho mais tranquilo precisava pegar a fila às 4 horas da madrugada, porque às 7 horas tínhamos que estar prontas para o “confere” das carcereiras.

Quando chegamos no Colmeia não tinha toalha e nós, mulheres com cabelo comprido, ao tomar banho tínhamos que secar com a camiseta e depois vestir ela molhada. Como não ficar doente? Só depois começaram a trazer os kits de presidiárias. 

Os primeiros oito dias ficamos sem ver o sol, permanecendo o tempo todo num lugar muito úmido e escuro. Muitas conseguiam comer a marmita que era servida duas vezes ao dia, mas eu não. Conseguia comer o melão azedo, depois de passar uma água nele no tanque, e tomar o achocolatado. Quando a fruta era goiaba, ou era podre ou verde, mesmo assim eu comia, pois era melhor do que comer o que estava dentro da marmita.

CALOTE DE ADVOGADO

Quando a minha família leu o meu nome na lista de presos do STF, contratou um advogado que mal me atendia. Cobrava R$ 1.000,00 por visita, mas não aparecia. Só ficaram sabendo disso quando fui liberada e voltei para casa com a tornozeleira. 

Uma das primeiras providências foi indenizar os meus 13 funcionários, pois não tinha como pagar. Tínhamos trabalhos contratados para revestimentos de drywall, piso vinílico e colocação de persianas. Perdi todos, fiquei com os boletos e o nome da empresa sujo. 

Pedi autorização para Alexandre de Moraes para ampliar a minha área de circulação, porque a tornozeleira eletrônica estava impedindo o meu trabalho. No entanto, foi negada, mesmo explicando que sou sozinha e que sou provedora da casa. Além de me manter com limitações geográficas, também implicaram com o uso do meu WhatsApp, porque passei a usar o mesmo número do celular apreendido em Brasília, para tocar o meu negócio. Quando alguns clientes solicitaram orçamento, recebi notificação de Brasília afirmando que eu estava desacatando uma ordem judicial, por usar o WhatsApp. Expliquei e mostrei as fotos do meu trabalho, porque eu dependo do uso de celular e WhatsApp para me comunicar com clientes. 

FALTA DE LUZ

A situação está bem difícil e aconteceu de cortarem a luz aqui em casa. Como preciso carregar a tornozeleira, solicitei uma licença para dormir na casa de minha mãe, mas o pedido foi negado. Só tive uma saída: colocar um rabicho na casa do vizinho para conseguir abastecer a tornozeleira. É muita injustiça!

CCJ votará parecer favorável ao projeto que torna crime hediondo violência contra crianças e adolescentes

O senador Dr. Hiran, relator  na Comissão de Constitucionalidade e Justiça do Senado (CCJ), deu parecer favorável ao PL 4224/21, do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), que aumenta as e torna crime hediondos atos contra crianças e adolescentes.

O PL tinha sido aprovado por unanimidade na Câmara;

Em seu parecer, o senador Dr Hiran salientou: 

“O projeto em apreço constitui uma resposta aos acontecimentos de extrema violência que têm ocorrido nas escolas brasileiras. Não podemos admitir que uma instituição voltada para a nobre missão de transmitir

conhecimentos, desenvolver competências e, principalmente, formar valores que promovam a dignidade humana e a coesão social seja cenário de fatos ão deploráveis ou de outras ocorrências que atentem contra a integridade física, psíquica e moral das crianças e dos adolescentes.”

Caso o parecer do relator seja aprovado na CCJ, o   texto vai ao Plenário do Senado e, se aprovado, será encaminhado à sanção presidencial. 

CRIMES HEDIONDOS        O PL. prevê a inserção na Lei de Crimes Hediondos , sem direito à fiança, aos  atos como induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação, praticado por meio da rede de computadores, de rede social ou transmitida em tempo real, e do crime de maus-tratos cometidos por conselheiro tutelar ou por quem exerça atividade em entidades de atendimento ou em instituições que executam programas de acolhimento institucional.

       O texto ainda prevê penas mais duras para:

 a) tráfico de pessoas praticado contra criança e adolescente; 

b) induzir, instigar ou auxiliar o suicídio ou automutilação praticada por meio da rede de computadores,rede social ou transmitida em tempo real; 

c) adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, pornografia infantil, previsto; 

d) agenciar, facilitar, recrutar, coagir, ou de qualquer modo

intermediar a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornografia, ou ainda quem com esses contracena; 

e) vedar a visita íntima à criança ou adolescente que cumpra medida socioeducativa de internação, mesmo se casado ou que viva em união estável. O Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu art. 2º, estabelece as idades em que se enquadram as crianças e adolescentes, respectivamente, até 12 anos incompletos – as crianças – e entre 12 e 18 anos de idade – os adolescentes. 


Bozo em Porto Alegre

 A comitiva de congressistas brasileiros que viajou aos Estados Unidos em 15 e 16 de novembro para falar do atual cenário político brasileiro, entregou, hoje, uma carta assinada por cerca de 80 deputados e senadores ao deputado norte-americano Chris Smith, presidente da Câmara.Os deputados e senadores já estiveram na Comissão de Direitos Humanos da OEA, exigindo agilidade nas 100 reclamações contra os atropelos do STF.

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E tem as eleições de hoje na Argentina.

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Você acompanha tudo no meu blog polibiobraga.com.br

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A Caxa NTX, Porto Alegre, foi pequena para abrigar centenas de mulheres que foram ouvir e ver Michelle e Jair Bolsonaro, tudo no âmbito do evento programado para hoje pelo PL Mulher.

Muitas mulheres não conseguiram entrar.

Nem  a chuva intimidou as oposicionistas, nem sequer as duas ativistas de idade avançada (a de rosa, tem 106 anos e ao que se saiba é a mais idosa bolsonarista em atividade) , mas não foi o único caso.

As redes sociais estão repletas de fotos, de vídeos e de informações.

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No comício de Bolsonaro, sexta, no Parcão, a presença maciça de mulheres foi o que mais chamou a atenção.

Esta maioria que já foi silenciosa, está atualmente mais ruidosa do que nunca e recomeça a ganhar às ruas depois da repressão judicial, militar, policial e midiática do 8 de Janeiro.

E ganha volume à medida que desta vez a maioria ruidosa opera de modo muito mais orgânico e sob a liderança de senadores, deputados e vereadores que elegeu no ano passado.

Foi debaixo de chuvas torrenciais que milhares de manifestantes foram ontem a noitinha ao Parcão, Porto Alegre, para ver e ouvir o ex-presidente Bolsonaro.

A imensidão de guarda-chuvas e a chuva intensa, não reduziram o ânimo do público, a maior parte dele portando bandeiras brasileiras bandeiras de Israel e cartazes de apoio a Bolsonaro.

Desde as 16h, as duas pistas da avenida Goethe foram interditadas no entorno do Parcão.

Bolsonaro chegou as 18h45 e falou por 15 minutos.

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Quero resumir duas constatações que quero fazer neste final de comentário:

1) O domínio das ruas.
2) O domínio das redes sociais.

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1) Eles ainda possuem o domínio dos gabinetes atapetados
2) Eles ainda dominam a velha mídia

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É fácil entender que temos longa vida pela frente e eles têm vida curta pela frente.

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Quem viver, verá.

Black Friday. Como será.

 O comércio brasileiro está otimista em relação às vendas da Black Friday, na próxima sexta-feira. A estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) é de um faturamento de R$ 4,64 bilhões, o que significa 4,3% a mais que em 2022. Se a previsão de concretizar, será o maior volume de vendas para a data, trazida para o Brasil em 2010. 


Um levantamento da CNC mostra que os segmentos de eletroeletrônicos e utilidades domésticas (R$ 1,28 bilhão) e de móveis e eletrodomésticos (R$ 1,05 bilhão) deverão responder por quase metade (48%) da movimentação financeira prevista. Na sequência, se destacam os ramos de hiper e supermercados (R$ 1,02 bilhão) e de vestuário, calçados e acessórios (R$ 0,73 bilhão). 


Os mais procurados

A pesquisa indicou quais produtos estão sendo mais procurados pelos consumidores na internet nos últimos 30 dias. Na semana em que o país enfrenta uma onda de calor, não chega a ser surpresa a presença de aparelho de ar condicionado no topo. As buscas cresceram 177%.


Com muita gente procurando, o efeito negativo é que os aparelhos têm ficado mais caros nos últimos 40 dias, com alta de 2,9%.  


Dos 10 itens monitorados pela CNC, apenas o ar-condicionado e o videogame (+7,9%) estão apresentando preço maior na data que costuma ser associada a promoções. Na sequência, os bens mais procurados são televisão e fogão. Os dois têm apresentado queda nos preços: -1,5% e -2,7%, respectivamente. 


Os produtos com maiores descontos médios são smartwatches (-12,4%), notebooks (-9,2%), fones de ouvido (-6,1%) e caixas de som (-5,6%). 

Carmen

 O quê: Carmen – ópera em quatro atos de Georges Bizet 

Quando: sábado (25/11), às 20h, e domingo (26/11), às 18h

Onde: Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº, Centro, Porto Alegre)

Ingressos: R$ 60 (plateia e cadeira extra), R$ 60 (camarote central), R$ 40 (camarote lateral) e R$ 20 (galeria). Desconto de 50% para idosos, doadores de sangue, pessoas com deficiência, estudantes, jovens até 15 anos e ID Jovem

Bilheteria on-line: a partir desta sexta (17/11) no site do Theatro São Pedro 

Bilheteria do Theatro São Pedro: dias 25 e 26 de novembro, 1h30 antes do início do espetáculo. Abertura mediante a disponibilidade de ingressos

Classificação indicativa: não recomendado para menores de 12 anos

Acessibilidade: pessoas com mobilidade reduzida e com deficiência visual

Informações para o público: (51) 3288-1507, de segunda a sexta, das 9h às 18h

Estacionamento do TSP: entrada pela rua Riachuelo, 1.089. Valor único de R$ 18 em dias de espetáculo.  

Duração: em torno de 2h 

Artigo, Facundo Cerúleo - Muito ego e pouco trabalho

O que será mais cabuloso: um técnico que não entende por que perde ou uma imprensa incapaz de interpretar o que passa debaixo do seu nariz?

Rolava a coletiva do Portaluppi depois do fiasco contra o Corinthians. E uma boca, para embasar a sua pergunta, falou: "Porque hoje o Grêmio conseguiu criar boas chances, mas não conseguiu finalizar." E perguntou o que fazer para que a equipe consiga aproveitar "as oportunidades".

Não entrarei nos detalhes do vexame. Lembro apenas o principal. Aos 10 minutos de jogo, o Corinthians teve um jogador expulso, o que forçou seu técnico, Mano Menezes, a fazer uma retranca com duas linhas de quatro. Porém, mesmo com a vantagem de jogar em casa e com um jogador a mais, Portaluppi, o Invicto, conduziu o Grêmio à derrota: congestionou o centro em vez de alargar o jogo, fazendo entrar JP Galvão, Ferreira e André para um toque-toque inútil sem ninguém que fosse à linha de fundo para cruzar. As tresloucadas investidas do ataque só consagraram os bons zagueiros do adversário. Como pode vir alguém falar em "boas chances"?

Nenhuma boca perguntou na coletiva por que não foi aproveitado o garoto Nathan, que sempre entra muito bem e poderia servir os avantes com seus cruzamentos. E ninguém pediu notícias de Cuiabano. Nas coletivas, O treinador do Grêmio permite-se jamais examinar aspectos técnicos.

A boca perguntou o que se poderia fazer nos 15 dias de data FIFA. E o que ele disse esclarece muita coisa: "A gente treina. As oportunidades aparecem. A gente sempre procura aproveitar da melhor maneira possível as oportunidades. Então não vai ser agora, depois de 11 meses, que eles vão aprender isso ou aquilo, se não aprenderam durante todo o ano. Cada um tem suas qualidades. E cada um mostra em campo o que pode fazer. (...) Quem tinha que aprender aprendeu. (...) O cara não vai aprender assim, da noite pro dia, em três semanas, o que ele errou o ano todo. Cada um já nasce com o talento do berço. O que tem que acontecer é corrigir alguns defeitos e a gente corrige o ano todo. E é com eles lá dentro do campo."

Esclarecedor! Portaluppi não distingue treino de aprendizagem. Não sabe que é preciso repetir muito o aprendido até que se torne natural. E tem a tola presunção de ser um mestre que ensina aos jogadores. Agora deu folga de quatro dias na data FIFA. É claro que Ele treina pouco e mal.

O médico Márcio Bolzoni, que trabalhou durante 25 anos no Grêmio até ser descartado a pedido de Portaluppi (segundo esclareceu numa entrevista a dois jornalistas), disse que ele faz quatro tipos de treino: coletivo, rachão, cruzamento com chute a gol e um troço que chamam de treino alemão. Inacreditável! Ele não faz treino técnico e tático!

Foi um fiasco perante o Corinthians. E as bocas não cobraram explicações técnicas, e os analistas disseram "O Grêmio não soube", "o Grêmio não conseguiu", "o Grêmio não fez", "o Grêmio não...", sem coragem (ou lucidez?) para criticar o trabalho de um treinador que nunca assume seus erros e sempre atribui os fracassos à imperícia dos jogadores. Mesmo assim, um simplório já usou o microfone da Guaíba para dizer que "Renato tira leite de pedra". E o comentarista da Gaúcha que foi atacado por ele de modo grosseiro acha que, com a folga, o Invicto quer aliviar o mental do time: não percebe que é um bom treino que dá confiança ao atleta.

É preciso bater nesta tecla. Um dos efeitos da precariedade dos treinos é não haver até hoje um esquema para aproveitar o talento de Suárez. Nunca vi ninguém questionar Portaluppi sobre esse "pormenor". Os treinos são fechados, ninguém vê: por que não perguntam?

É curioso. E seria engraçado se não fosse destrutivo: quanto mais Portaluppi se queixa da imprensa e até faz ameaças, mais e mais essa mesma imprensa infla o ego dele, ignorando as suas limitações, muitas vezes descambando para um verdadeiro culto à personalidade. Tanto pior para o Grêmio, que paga a peso de ouro esse espetáculo ridículo.

 

Confira neste link a entrevista do médico Márcio Bolzoni:

https://www.youtube.com/watch?v=0ZYB9N3NVq4

Nota da Farsul

 “A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul se sente à vontade para discutir a Reforma Tributária, já que, desde abril de 2019 quando a PEC 45 foi protocolada, temos colaborado, junto a CNA, para construir um sistema que substitua o atual que é o sexto pior do mundo em um ranking de 193 países, de acordo com o Banco Mundial.


O texto que saiu da Câmara dos Deputados previa para o longo período de transição que a repartição entre os estados da arrecadação no novo imposto estadual “IBS” se desse pela participação média de cada estado no bolo tributário no período de 2024 e 2028, um critério razoável, se não tivesse sido transformado em um jogo por parte da classe política.


Imediatamente alguns estados começaram a elevar suas cargas modais de ICMS para que sua participação no período de amostragem fosse maior, fazendo com que os demais sigam na mesma direção. Atualmente já são 16 estados mais o Distrito Federal e todos os demais avaliam tal medida, inclusive o Rio Grande do Sul. O dilema é o seguinte: se aumenta a carga, sacrifica a sociedade diretamente; se não aumenta, receberá menos do bolo tributário do que estados que aumentaram. Um dilema perverso que nos causa estranheza que o Senado – casa que representa os interesses dos estados – não tenha buscado uma solução enquanto o texto por lá tramitava, do mesmo modo que os estados que não desejassem participar dessa corrida não tenham se mobilizado para tornar esse debate público quando havia mais tempo para alterações no texto.


É fato que, se todos os estados elevarem sua carga, nenhum será beneficiado pelo percentual do rateio, mas o resultado líquido será condenar a população brasileira inteira a pagar uma carga tributária maior, burlando um princípio base da reforma que é não aumentar a carga tributária, que por tantas vezes e de forma enfática foi prometido pelos deputados, mas que agora estamos na iminência de rompermos antes mesmo de sua promulgação.


A Farsul é contra o aumento das alíquotas modais e oferece como alternativa uma mudança do texto que modela a metodologia de rateio para a média dos últimos 8 anos anteriores a 2022 ao invés da média dos próximos 4 anos, pois dessa forma se retira o incentivo ao movimento individual de cada estado, seja ele pioneiro ou caudatário.


Sabemos do tamanho do desafio, mas temos confiança que se as entidades, os governadores e os parlamentares que genuinamente não desejam o aumento da carga se mobilizarem, teremos êxito. Esse desafio é muito menor do que aquele que a sociedade terá de encarar com uma carga mais elevada.”