Santa Casa recebe doação de equipamento que evita queda de cabelo na quimioterapia

A Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre recebeu nesta terça-feira (14/9), durante ato realizado no Hospital Santa Rita, a doação de um equipamento que permitirá que pacientes do SUS tenham acesso ao tratamento de crioterapia capilar com a chamada Touca Inglesa, uma tecnologia capaz de evitar ou reduzir a queda de cabelos induzida pela quimioterapia. A doação, realizada pela Paxman Brasil e que teve a jornalista Cristina Ranzolin como madrinha, torna o Rio Grande do Sul o terceiro estado do país a oferecer o tratamento no SUS. 

 

Como destacou o diretor médico e de ensino e pesquisa da Santa Casa, Antonio Kalil, "é um grande privilégio para a Santa Casa contar uma tecnologia que humaniza tratamentos e que, de maneira geral, traz impactos importantes para o aspecto emocional dos nossos pacientes”. Além da Santa Casa de Porto Alegre, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro, e a Santa Casa de Vitória, no Espírito Santo, são os únicos a oferecer o acesso ao tratamento para a rede pública. 

 

O ato de doação contou com a participação da jornalista Cristina Ranzolin; do provedor, Alfredo Engelrt; do diretor médico do Hospital Santa Rita, Carlos Eugenio Santiago Escovar, além do diretor da Paxman Brasil, Gustavo Spritzer. 

 

Como funciona  a touca 

 

A touca, conectada a uma unidade de refrigeração, é colocada na cabeça do paciente cerca de 30 minutos antes, mantida durante e em torno de uma hora e meia após a infusão das drogas, dependendo do protocolo adotado. O sistema resfria o couro cabeludo a uma temperatura em torno de 20°C. Com isso, diminui o fluxo sanguíneo nos folículos capilares e reduz a absorção dos fármacos na região.  

 

A tecnologia de resfriamento do couro cabeludo vem sendo desenvolvida há décadas, e curiosamente já utilizou até mesmo melancias na cabeça de pacientes, nos primórdios dos estudos. Ao longo de mais de 20 anos de pesquisas com a Touca Inglesa, pacientes relataram a diminuição da alopecia a ponto de dispensar o uso de lenço ou peruca. A taxa de sucesso depende do tipo de medicação administrada, 50% para as mais fortes e até 92% nas menos agressivas e a sensação de frio foi tolerada por 98% dos pacientes. A terapia não é indicada para os tipos de câncer hematológicos ou para alguma alergia ao frio.  

 

Muito além da estética

 

Estudos revelam que a queda de cabelo é um dos efeitos colaterais mais traumatizantes da quimioterapia e causa danos que vão muito além do aspecto visual. O uso da crioterapia capilar, por meio da Touca Inglesa, faz parte das Diretrizes de Prática Clínica em Oncologia da NCCN para pacientes que vão iniciar o tratamento para câncer de mama, ovário, peritoneal e trompa de falópio. A novidade reforça a importância e consequências da possibilidade de manutenção dos cabelos durante a quimioterapia. A atualização destas diretrizes foi impulsionada pelo resultado de um extenso estudo científico submetido à FDA (U.S. Food and Drug Administration), que desde 2016 já certifica o uso da Touca Inglesa para pacientes de mama e recentemente expandiu para outros tipos de tumores sólidos. 

Documentos para entrar em Portugal

 Para o brasileiro entrar em Portugal ou qualquer outro Estado-membro da União Europeia não é necessário um visto de turismo. Simplesmente pelo fato de não haver visto de turismo para brasileiros! No entanto, existem outros vistos, como o temporário e o de residência. Na legislação atual, os cidadãos brasileiros que desejam ir a Portugal para turismo, negócios, cobertura jornalística e missão cultural, podem permanecer no país por até 90 dias sem a necessidade de um visto específico.

Ainda assim, é fundamental ter atenção ao passaporte, pois para entrar nos países da União Europeia é importante estar de 3 a 6 meses com o documento em vigência, sem o risco de expirar durante a estadia.

Caso seja necessário estender o período da visita além dos 90 dias, deve ser solicitada a prorrogação da permanência mediante a formalização no site do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras do governo português (https://imigrante.sef.pt/prorrogar-permanencia/) e o pagamento de uma taxa extra. Apenas após o deferimento, é possível ficar em Portugal e, normalmente, o organismo responsável pela imigração permite mais três meses de permanência. No entanto, devido à alta demanda dessas solicitações, o resultado pode levar estender esse prazo.

Ao chegar no país, é essencial apresentar alguns documentos, sendo o passaporte brasileiro o principal deles. Caso seja pedido, também é importante apresentar o seguro-viagem, seguro-saúde ou o CDAM (PB-4), documento gratuito expedido pelo governo brasileiro que permite algumas regalias. O turista também deve viajar com uma data de retorno para o Brasil, por isso é interessante ter em mãos a passagem de volta caso seja solicitada pelo agente imigratório, lembrando que dentro do período de 90 dias.

Outro documento que pode ser pedido durante a entrevista é o comprovante de alojamento, ou seja, o endereço do hotel, hostel ou da casa onde o turista irá ficar. O meio de subsistência ou meios financeiros para suportar a estada, devem ser equivalentes a 75 euros por cada entrada em território nacional e 40 euros para cada dia de permanência. Esses valores podem ser comprovados com dinheiro em espécie, cartões de crédito ou contas bancárias.

Nesses casos, também pode ser apresentada a carta-convite, termo de responsabilidade que um anfitrião fornece ao visitante, tornando-se responsável pelo alojamento e meios de subsistência enquanto estiver em no país, fazendo desnecessária a apresentação de diversos comprovantes.

Carta da esposa

 Queridos amigos e companheiros de vida do Marco


Marco Aurélio Kirsch, nosso amado guerreiro valente de práticas de vida incansáveis, sempre mostrou sua intensidade de partilhar seus momentos de amizade, cuidado com a família, criação de eventos culturais pensando na comunidade, realizador de uma politica pública ética e personalíssima... ”adormeceu” e nos deixa de coração cheio de saudades desde já.

Marco, com seus 57 anos, tem conosco a marca de ficar presente pela lembrança de sua indescritível forma humorada, inteligente, divertida, acolhedora de ver a vida como amigo, pai, esposo, irmão, filho, profissional na sua forma eloquente de pensar e falar sobre “ser e viver”... Filósofo, roqueiro, escritor...

Sua esposa, Denise Caselani Kirsch, seu filho Daniel Caselani Kirsch, seus pais Nelson e Lia Scheffel Kirsch, irmão Luís Fernando Kirsch (Nenung), irmã Cristina Elisa Kirsch Bergonsi junto a Norton, Luisa e Fernanda Bergonsi, contamos com a oração de paz e gratidão por esse convívio presente com nosso querido “Marquinho”.

Nosso momento de compartilhar memórias e acolher orações será no Prédio da Fundação Ernesto Frederico Scheffel, na Rua General Daltro Filho n° 911, em horário a ser divulgado.

“Quando a imortalidade é compreendida como a identificação com o que há de eternidade em sua vida de agora, então aí você tem algo valioso...” (Joseph Campbell)

Agradecemos com carinho a todos que nos acompanham até aqui nessa caminhada.

Prêmio Press 2021

No próximo dia 20 de setembro, inicia o período de indicações da 22ª edição do Prêmio Press.  

Qualquer pessoa poderá dar um voto por dia em seus candidatos preferidos a melhores do ano, no maior e mais disputado prêmio do jornalismo brasileiro. Além do Voto Popular, correrá, paralelamente, o Voto Profissional, do qual só podem participar jornalistas e radialistas, devidamente, identificados.

Semanalmente, será divulgada a relação dos semifinalistas, nas 17 categorias de premiação. Ao final dessas duas etapas iniciais do Prêmio Press, que se estendem até o dia 31 de outubro, será divulgada a lista quíntupla dos finalistas, que irão à terceira e última etapa, que é a do Júri de Lideranças, composto por 60 convidados da revista Press, entre personalidades, líderes empresariais e institucionais e decanos da imprensa do Rio Grande do Sul.

O mote da campanha de divulgação deste ano tem a ver com o momento que estamos vivendo, de verdades líquidas e de proliferação de notícias falsas. “Prêmio Press, 22 anos. Premiando a verdade!”

A cerimônia de premiação, neste ano, será presencial, mas ainda limitada em termos de público em função dos protocolos. A festa será no dia 16 de novembro, no salão nobre do prédio da Associação Comercial de Porto Alegre.

O Prêmio Press 2021 tem o patrocínio de Fecomércio, Fiergs, Wolens Construtora e CMPC.

Saiba como funcionará o Programa Nacional para Casa Própria de Profissionais da Segurança Pública

 - O Governo Federal, por meio dos Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e da Caixa Econômica Federal, lançou, nesta segunda-feira, o Habite Seguro, o primeiro Programa Nacional de Apoio à Aquisição de Habitação para Profissionais da Segurança Pública. Mais de 200 mil famílias serão beneficiadas com a possibilidade de aquisição da casa própria, por meio de subvenções financeiras concedidas pelo Governo Federal e condições diferenciadas de crédito imobiliário. 


Criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR) e a Caixa Econômica Federal, o programa poderá contar com a expertise do MDR, que desde agosto de 2020 faz a gestão dos programas de habitação do Governo Federal por meio do Programa Casa Verde e Amarela (CVA). 


"Mais que um sonho, a casa própria é uma necessidade. Por isso, temos trabalhado tanto na área habitacional. Há meses estamos elaborando este projeto, que tem o compromisso de atingir o efetivo da segurança. Profissionais que arriscam a sua vida em defesa da nossa vida e do nosso patrimônio", afirmou o presidente Jair Bolsonaro durante a solenidade de inauguração do Programa, realizada no Palácio do Planalto, em Brasília. 


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres, destacou que o programa concretiza a preocupação do Governo Federal com a melhoria da qualidade de vida e valorização do agente de segurança pública. "Identificamos que uma grande parcela de profissionais de segurança pública e defesa social do nosso país ainda não possui residência própria. Com o Habite Seguro, o Governo Federal cumpre o que determina a Lei e trabalha para mudar essa realidade. É compromisso desta gestão trazer proteção e bem-estar às famílias dos profissionais que tanto se dedicam a proteger a população brasileira", afirmou. 


O Habite Seguro cumpre o que determina a Lei nº13.675/2018, que instituiu o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP). A lei do SUSP prevê o apoio e a promoção de sistema habitacional para os profissionais de segurança pública e defesa social. 


Para o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, a medida mostra o compromisso do Governo Federal em garantir moradia para a população. "O déficit habitacional é um dos problemas do Brasil que estamos encarando com muita determinação. E é por meio da união de esforços do governo e da sociedade civil que vamos atingir o maior número de famílias em ações habitacionais que proporcionarão acesso à moradia digna", destacou. 


Serão beneficiados pelo programa policiais federais, rodoviários federais, penais, militares e civis; bombeiros militares; agentes penitenciários; peritos e papiloscopistas integrantes dos institutos oficiais de criminalística, medicina legal e identificação; ativos, inativos da reserva remunerada, reformados e aposentados, bem como os guardas municipais, atendido o disposto na Lei nº 13.022/ 2014, e no regulamento da Medida Provisória. 


Para viabilizar os benefícios para os agentes de segurança pública federais, estaduais e municipais, está prevista a utilização de recurso do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), conforme previsto na Lei nº 13.756/2018. 


O acesso às taxas e linhas de financiamento poderá ser feito em poucas semanas após a assinatura do Decreto Presidencial, realizado durante a cerimônia no Palácio do Planalto nesta segunda-feira. 


Também participaram do evento o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Augusto Heleno, os ministros da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, da Cidadania, João Roma, da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Gustavo Montezano, entre outras autoridades. 


O programa 


O Habite Seguro, por ser um programa de caráter social, tem como prioridade os agentes de segurança com renda bruta mensal de até R$ 7 mil, que poderão realizar o sonho de ter a casa própria com condições especiais. 


Será possível financiar até 100% do valor do imóvel, contando com subsídios de até 13 mil, provenientes do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), de acordo com a faixa de renda do profissional, além de obter menores taxas de juros nos financiamentos. Agentes de segurança pública que recebem acima de R$ 7 mil mensais também poderão ser atendidos pelo Programa, tendo acesso a taxas de juros e benefícios diferenciados. 


As subvenções poderão ser concedidas para a aquisição de imóveis novos, usados e para o financiamento de construção individual, com valor de até R$ 300 mil. No primeiro ano, o aporte do FNSP será de R$ 100 milhões para a concessão das subvenções que ajudarão no pagamento de parte do valor do imóvel e das tarifas de contratação de crédito imobiliário. Os subsídios variam conforme a renda do profissional. 


A aquisição ou a construção da moradia por meio do Programa será deferida apenas uma vez para cada beneficiário e poderá ser acumulativa com outros descontos habitacionais previstos em lei. 


Os profissionais de segurança pública interessados em solicitar o crédito habitacional com as condições do Programa Habite Seguro devem procurar, em data a ser definida, as instituições financeiras parceiras do Programa. A contratação está sujeita à aprovação de crédito.




    

Porto Alegre também quer ter um evento do tamanho da Expointer

O sucesso da Expointer mostrou que o Rio Grande do Sul está preparado para retomar as atividades com todos protocolos sanitários e muita responsabilidade. 


Uma pena que Porto Alegre, mesmo apresentando um plano de retomada para o setor de eventos, não teve o mesmo tratamento do Comitê de Crise. 


Esperamos que nos próximos dias essa liberação aconteça na Capital para esse setor tão importante na retomada da economia.


Os eventos tem uma transversalidade econômica muito grande. Temos toda uma cadeia que sobrevive de eventos, a qual envolve hotéis, empresas de alimentação, entre outras. 


Estamos fazendo todos os esforços para ativar a economia, reduzindo impostos e a burocracia, criando programa de microcrédito e dentro desse contexto de desenvolvimento econômico vemos o setor de eventos como parte fundamental.

Artigo, J.R. Guzzo - Manual prático do golpe

Artigo, J.R. Guzzo - Manual prático do golpe

Dar um golpe de Estado, ao contrário do que acham os editoriais, os cientistas políticos de esquerda e o governador João Doria, não é um negócio assim tão simplesinho

Muito bem: e esse golpe de Estado “do Bolsonaro”? Sai ou não sai? Para quando é, afinal? Já agora, para o dia 7 de Setembro, junto com as manifestações pró-governo e anti-Supremo? Quando os caças Grippen da Força Aérea Brasileira chegarem enfim da Suécia e puderem quebrar os vidros do STF em Brasília, rompendo a barreira do som com voos rasantes sobre o seu edifício-sede? Quando os caminhoneiros fecharem a Transamazônica? Na próxima vez que os ministros derem “três dias de prazo” para o presidente da República fazer isso ou aquilo? A verdade é que todo mundo fala, fala e ninguém diz o mais importante: que dia e a que hora, afinal das contas, vai sair esse golpe de Estado. Isso a Globo não diz. Ninguém diz.

Há algum tempo, não se sabe bem quanto, a mídia, a classe política, a nebulosa chamada “elites brasileiras” e o universo intelectual-liberal-radical que toma vinho, lê jornal e se atormenta com a “variante Delta” praticamente não falam de outra coisa: o golpe que será dado em algum momento por Bolsonaro ou, então, pelo seu primo-irmão, o conjunto de “atos antidemocráticos” que estão em tudo, em todas as pessoas e em todos os lugares ao mesmo tempo. Os editoriais vão assumindo um tom cada vez mais desesperado. Os jornalistas de televisão, entre um e outro momento de indignação com a ausência de máscaras nos estádios de futebol, veem um golpista atrás de cada poste de luz. Os políticos de “esquerda” vivem em histeria plena e permanente. E por aí vamos.

Quem estaria disposto a tirar do bolso uma nota de R$ 2 para defender o STF?

Não é só conversa. O ministro Alexandre de Moraes, chefe de polícia do STF para a vigilância da boa ordem constitucional, despacha furiosamente num inquérito (100% ilegal) para descobrir atos “antidemocráticos”, reprimir a circulação de fake news e tornar as redes sociais seguras para a democracia. O corregedor de uma das dependências do Supremo, o “TSE”, proibiu as plataformas digitais de pagarem as somas em dinheiro devidas para canais de comunicação de direita. O STF prende gente como se fosse uma delegacia de polícia — pouco ligando para o que o Ministério Público, o único órgão oficial autorizado por lei a pedir a prisão de alguém no Brasil, acha ou não acha disso. Um deputado federal em pleno exercício do seu mandato está preso — continua sendo deputado, mas tem de ficar em casa com tornozeleira eletrônica. O cantor caipira Sérgio Reis é chamado a depor na Polícia Federal. A CPI da Covid tem acessos repetidos de neurastenia.

Só mesmo uma ditadura de verdade, tipo essa com a qual nos ameaçam para qualquer momento, seria capaz de fazer tudo isso ao mesmo tempo — mas estamos no Brasil, e no Brasil de hoje é assim que funcionam as coisas; para manter intacto o Estado de direito, o STF tem o direito e o dever de mandar a Constituição Federal para o diabo que a carregue. Nada disso, é claro, está tirando o sono do brasileiro que chacoalha todo dia no trem da Central, acorda às 4 da manhã para pegar no serviço e carrega no braço saco de cimento para a obra. O golpe “do Bolsonaro”, aí, não assusta ninguém — a maioria, por sinal, ficaria a favor se fosse consultada. O povo acha que golpe só faz mal para “político” — e político, na sua opinião, é “tudo ladrão safado”. Fica chato dizer isso? Fica. Mas é assim. Não esperem, portanto, o povão nas ruas, indignado com a “ruptura da ordem democrática”. Quem estaria disposto a tirar do bolso uma nota de R$ 2 para defender o STF? E o Senado Federal? Esquece.

É possível que as “instituições” percebam perfeitamente isso, até por seus instintos básicos — embora seja mais fácil o camelo da Bíblia passar pelo buraco de uma agulha do que um político, jornalista ou artista de novela admitir que a imensa maioria da população brasileira está pouco se importando com as angústias de Brasília. O problema, de qualquer forma, não é discutir as diferenças relativas de opinião que existem entre povo e elite nessa questão de golpe militar. A única questão que realmente interessa é, até o momento, a menos discutida de todas: o governo, que é acusado três vezes por dia de preparar o golpe, tem algum meio real para dar o golpe? Ou seja: pode mesmo virar a mesa se decidir que vai fazer isso? Tem um plano detalhado para a operação? Ou tem ou não tem; ou tem, ou então é tudo conversa.

Dar um golpe de Estado, ao contrário do que acham os editoriais, os cientistas políticos de esquerda e o governador João Doria, não é um negócio assim tão simplesinho; não basta fazer umas lives, meia dúzia de passeatas de motocicleta e uma bateria de “disparos” no Twitter. Não adianta desfile com trator em Brasília, dizer “pátria amada, Brasil” e chamar o general Braga. Ninguém muda regime político nenhum por não usar máscara, chamar o ministro Barroso de idiota ou defender “posturas antidemocráticas”. O que define se vai “ter golpe” ou não vai “ter golpe” é uma porção de coisas concretas que ficam mais embaixo — muitíssimo mais embaixo. A primeira delas é planejar muito direitinho o que vai ser feito, na prática, no primeiro minuto após o golpe — o que vai ser feito, quem vai fazer o quê, e com quais recursos objetivos vão fazer o que tem de ser feito.

Não ajuda em absolutamente nada ficar dizendo todo o dia no horário nobre que a situação está mais tensa do que “nunca”, nem ficar assustando a população com gritaria que não tem nenhuma informação importante. (Daqui a pouco vão estar pedindo para as pessoas esvaziarem os supermercados.) Não adianta o governador de São Paulo punir um oficial da PM por apoiar as manifestações de 7 de Setembro, ou insistir numa briga com a polícia para parecer valente, e nem chamar admiradores do presidente de psicopatas. Não adianta fazer reunião de governador, nem torcer contra a reunião. O que interessa é dizer para os brasileiros se há ou não um plano concreto e detalhado do golpe, e quais são os pontos, um por um, do tal plano.

Há, naturalmente, a questão de colocar a tropa na rua — onde, exatamente, e para fazer o quê, exatamente.

Então: “Bolsonaro” e os “setores antidemocráticos” dão o golpe — aí o que acontece, na prática? Vão fechar o Supremo e, caso sim, vão fazer o que com os 11 ministros? Prende? Deixa solto? Põe o que no lugar do STF? A máquina da Justiça precisa continuar funcionando; não vão parar as ações de despejo ou de cobrança. Outro problemão é o Congresso. Fecha? Cassa mandato? Joga fora a papelada da “CPI”? O que vão fazer com a reforma tributária? Fica tudo igual? Estão marcadas para 2022, com voto eletrônico tal como quer o ministro Barroso, eleições para presidente, governadores de Estado, Congresso e assembleias legislativas. É preciso definir se elas vão ser mantidas ou suspensas, e, caso sejam suspensas, quando vai haver eleição de novo. Quem pode ser candidato? Lula, por exemplo: pode ou não pode? Com certeza não pode, mas — vai saber. Outra coisa: o que o golpe vai fazer com os atuais governadores? E se os 27 aderirem, numa decisão corajosa em favor da estabilidade e da pátria —– não se cassa ninguém? São Paulo vira um Estado independente, em caso de rebelião contra o novo governo federal? Vai ter uma Marinha, ou uma Força Aérea?

Há, naturalmente, a questão de colocar a tropa na rua — onde, exatamente, e para fazer o quê, exatamente. É indispensável decidir, antes, qual o serviço a ser feito aí pelo general “A” e pelo coronel “B”. Vai ter tanque? O tanque pode atirar? A tropa, aliás, estará autorizada a dar tiro — ou dá para resolver tudo com bala de borracha? (Em geral, dá e sobra.) No dia do golpe vai ter de estar resolvido, também, quem assume o comando das polícias militares dos Estados. É gente armada; não dá para decidir na hora. O novo regime também precisa resolver o que será feito com a imprensa. Censura? Pré ou pós? Tira a Globo do ar? Sabe-se como se entra nessas coisas; raramente se sabe como sair. Outra questão é como comunicar o golpe aos países estrangeiros — e, muito mais que isso, como reagir, na vida real, à enorme barulheira que um negócio desses vai provocar lá fora, durante anos a fio.

A lista das tarefas a fazer vai por aí afora; é certo que ela precisa estar pronta antes de mexer no primeiro blindado. É nisso que está tudo o que realmente interessa, mais do que em qualquer ponto dessa conversa fiada sem limites que mídia e classe política despejam o dia inteiro em cima do público. Talvez o presidente da República e o seu núcleo decisor já tenham um plano desses há muito tempo, trancado num computador secreto e pronto para ser colocado em execução. Talvez não tenham. Se não têm, então não têm nada.