Aluguéis

 No acumulado de 12 meses, a inflação caiu apenas em Porto Alegre, que passou de 5,46% no acumulado em fevereiro para 4,98% no acumulado em março.

Os valores dos aluguéis em quatro das principais capitais brasileiras subiram 0,81% em março deste ano. O dado é do Índice de Variação de Aluguéis Residenciais (Ivar), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre.

A taxa ficou abaixo dos 2,92% registrados em fevereiro. Com isso, o Ivar acumula inflação de 6,24% em 12 meses, o maior patamar desde o início da série histórica, em janeiro de 2019.

A maior queda do Ivar, de fevereiro para março, foi observada em Porto Alegre, que passou de uma inflação de 3,61% para uma deflação (queda de preços) de 1,25% no período.As demais cidades também tiveram queda na taxa, mas continuaram registrando inflação em março: São Paulo (caiu de 2,38% em fevereiro para 1,30% em março), Rio de Janeiro (de 2,55% para 1,44%) e Belo Horizonte (de 3,80% para 2,32%).

Barroso

 O UOL apressou-se a desmentir, antes mesmo do STF.


O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou nota, nesta terça-feira, para desmentir fake news sobre o ministro Luís Roberto Barroso, que têm circulado nas redes sociais. Conforme a publicação, Barroso teria dito em uma live, a juízes franceses, que Bolsonaro só seria eleito se passasse por cima de seu cadáver. Segundo a nota do Supremo, Barroso jamais deu essas declarações e a transmissão ao vivo jamais aconteceu, informa o jornal O Globo.

O texto atribuído falsamente a Barroso foi publicado em um “blog desconhecido e reproduzido via Whatsapp e em diversas postagens no Twitter”, segundo o STF. No comunicado, a Corte alertou para a “importância de não repassar informações publicadas em sites não confiáveis” e com declarações alarmistas.

“O Brasil vive a naturalização da mentira. Há uma nova atividade no país: a de traficante de notícias falsas. Vivemos uma decadência ética profunda", diz o ministro, na nota divulgada. 

Meus motivos inadiáveis para cancelar o UOL, por Renato Sant'Ana

Depois de 22 anos como cliente do UOL, cancelei o e-mail que tinha com esse provedor, mandando-o às favas (usando uma expressão publicável).

Eu poderia fazê-lo automaticamente. Mas preferi falar com um ser humano e rejeitei esse negócio de "assistente virtual" ou coisa do gênero.

"O senhor poderia estar informando por que quer cancelar?", perguntou um gerundiante e gentil rapaz.

"Oh, sim", respondi: "é que eu não quero financiar a campanha eleitoral de um réu cheio de processos e inquéritos, com uma infinidade de provas materiais e circunstanciais confirmadas em três instâncias, um indivíduo que deve à Justiça e está buscando o poder para ficar impune.

Ocorre que, dias antes, eu recebera no meu e-mail uma newsletter do UOL apoiando o candidato Luiz Inácio de tal. E essa newsletter ia sair todas as sextas-feiras, sempre assinada por Daniela Pinheiro.

Tratando o leitor como imbecil, a newsletter continha longa entrevista com Celso Amorim, militante do PT. Entrevista? Daniela Pinheiro só levantava a bola para o petista chutar. Isso é jornalismo?

Esse Amorim foi ministro das Relações Exteriores do governo Lula e ministro da Defesa do governo Dilma, tendo decisiva participação para que o Brasil, jogando no lixo todo um um passado exemplar em termos de diplomacia, acabasse sendo chamado de "anão diplomático".

É óbvio que Daniela Pinheiro nada perguntou sobre a grossa corrupção dos governos petistas, a conhecida ladroagem que, ao menos em parte, a Polícia Federal desvendou. A matéria era só uma descarada louvação do PT e do candidato, além de ataques a Jair Bolsonaro.

O rapaz do UOL pediu explicações. E eu não queria nem tinha por que ser rude com ele. Disse-lhe apenas que, se eu seguisse pagando o UOL, eu estaria ajudando a financiar a campanha eleitoral do pior candidato possível. Dei nome aos bois, mas não me alonguei.

Não cabia dizer-lhe que a eleição de Lula seria devolver o Brasil ao Foro de São Paulo, órgão do qual a extrema imprensa (inclusive UOL) jamais tratou e do qual ele, por conseguinte, nunca terá ouvido falar.

Acaso faria sentido eu lhe propor, para que compreendesse, que olhasse para a Venezuela e para a Argentina, que chafurdam no pântano em que esse Foro de São Paulo quer afundar o Brasil?

Quase lhe disse que qualquer candidato que vá para o 2º turno com esse Macunaíma será melhor do que o projeto petista de implantar um Estado totalitário à base de corrupção, seja esse candidato (em ordem alfabética) Bolsonaro, Ciro, Doria ou Moro. Mas isso também não cabia.

Tentei então expressá-lo de modo mais sintético e com bom humor.

"Olhe, meu filho", falei, "se no segundo turno der um cachorro contra o candidato do PT [Foro de São Paulo], eu aprendo a latir e faço campanha para o cachorro!"

Só não consegui saber se ele realmente achou graça...

 

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail:  sentinela.rs@outlook.com



Federação PSDB-Cidania permite dobradinha Any Ortiz+Ramiro Rosário

Na última sexta-feira (1º), PSDB e Cidadania registraram em cartório o pedido formal de uma federação partidária entre as siglas. No RS, a primeira parceria entre os partidos surgiu neste domingo, 3. A deputada estadual Any Ortiz (Cidadania) e o vereador Ramiro Rosário (PSDB) acertaram uma dobradinha para as eleições deste ano, já tendo em vista a aprovação da federação entre seus partidos, que ainda precisa ser validado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Any vai disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e Ramiro à Assembleia Legislativa. “Temos afinidade ideológica e programática”, diz Ramiro, que também é vizinho de porta de Any Ortiz. “Além de fisicamente, estamos muito próximos nas pautas que defendem o empreendedorismo, a livre iniciativa e a reforma do Estado”, comenta a deputada.

 

SAIBA MAIS

Aprovada em agosto passado pelo Congresso, a federação é uma novidade das eleições deste ano e prevê que dois ou mais partidos passem a atuar de forma conjunta e unitária por, no mínimo, quatro anos. Nessa modalidade, não é preciso fundir os partidos em uma única legenda. Diferentemente das coligações, as federações duram além da eleição. Pela atual composição da Câmara, a federação PSDB/Cidadania será a oitava bancada, com 31 deputados.

 

O pedido de registro da federação PSDB/Cidadania foi protocolado no 1° Ofício de Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoa Jurídica do Distrito Federal. As legendas têm até 31 de maio para enviar o processo completo ao TSE.

Artigo, Renato Sant'Ana - O fenômeno Anitta: um ponto de vista analítico

O repórter Rodrigo Oliveira apresentava um programa de esportes na Rádio Gaúcha quando, sem mais nem menos, passou a fazer a apologia da cantora Anitta. Nem pensei que houvesse um "motivo oculto". Mas achei aquilo muito estranho e fiquei com antenas ligadas.

Dias antes, ela havia tido a música mais acessada em todo o mundo no Spotify. E ele falou do "orgulho para os brasileiros", comparou-a com Ayrton Senna e adjetivou de "genial" o "talento" de Anitta.

Talvez ela seja a sucessora de Villa-Lobos ou, vá lá, de Tom Jobim...

Aí lembrei que jornalistas são profissionais da palavra. E me veio a reação de Ariano Suassuna em caso análogo: se o adjetivo para essa pessoa é genial, que palavra usar para adjetivar alguém como Beethoven?

Em termos musicais, qual é a contribuição estética de Anitta? Qual de suas letras tem alguma relevância? Porque essa é, sim, a questão, em se tratando de avaliar o talento de alguém que compõe e interpreta.

Acaso o talento pode ser medido pelo número de acessos no Spotify? Aliás, será que Anitta venderia tanto sem a sua "performance pubiana"?

Duvido que uma obra-prima venha a ser top no Spotify. A massa (triste maioria) prefere o bizarro ao sublime, o excitante ao instigante, o prazer imediato ao esforço construtivo. E o interesse comercial do Spotify investe nessa maioria... Dirão que esse dado é irrelevante?

Por conhecer a figura, encarei com reserva aquela fala: Anitta é útil à "desconstrução cultural" arquitetada pela Escola de Frankfurt, da qual ela não tem a menor ideia (nem o repórter!). E aquela apologia era uma propaganda para tornar desejável um produto repulsivo.

Porém, não se trata, frise-se, de julgar a pessoa, mas de analisar um trabalho e um comportamento que têm grande repercussão social.

Fui para a internet, claro. De cara, encontrei uma tentativa de inibir os críticos: "quem critica Anitta não aceita o seu sucesso", dizem. Não é o meu caso. Fui em frente. E logo conheci "Envolver", gravada em espanhol, a degenerescência que alçou Anitta ao topo do Spotify.

Que dizer? Em termos rítmicos, aquilo é simplesmente desprezível: qualquer desapetrechado é capaz de, batucando numa mesa de bar, imitar aquela batida por demais simplória e sem graça.

Em termos melódicos, é sofrível, com efeitos editados no computador e sem nenhuma inspiração (nem cabe falar de "harmonias").

O pior, porém, é a letra: como as demais de sua lavra que examinei, fala de "acasalamento", não de vínculo; da ditadura dos instintos, não de amor. Ou seja, tira do sexo o que possa haver de amoroso e delicado para reduzi-lo a uma relação de consumo em que "o outro" é mero objeto para a satisfação de desejos viscerais e de fantasias egoístas.

Na "obra musical" dessa moça, que vem naturalizar a falta de limites, mulheres se comportam como fêmeas no cio; homens, como machos guiados por feromônios - sempre a exaltação do lado animal, não do humano.

A arte, com o idioma da sensibilidade, revela realidades e instiga o pensamento, elevando o espírito. Já o produto que Anitta comercializa só apela aos instintos e excita os sentidos para despertar no público consumidor o que lhe é mais primitivo. Tanto pior para as mulheres...

O que acontecerá com a cabeça de quem repete, repete, repete suas letras e suas fantasias? Alguém sabe? O que hoje é sabido, sim, é que, seja numa situação real, seja numa imaginária, nosso cérebro reage da mesma forma. Isso é neurociência! Sejamos responsáveis, pois!

É no mínimo esdrúxulo que gente "com escolaridade" (não diria "culta"), atenta ao politicamente correto, tenha-lhe admiração por considerá-la um "case" de marketing, isto é, por ela ter muita astúcia para ganhar e administrar seu dinheiro. Quanto ao produto do seu negócio, nada!

Por fim, entendi tudo. Descobri que havia um "motivo oculto". A opinião do repórter da Gaúcha (igual à do pessoalzinho do Fantástico) vinha do fato de que Anitta quis liderar uma campanha contra Bolsonaro.

Bem, desse jeito, com tanta gente depravada a tomar partido contra o presidente da República, ele é bem capaz de ser reeleito.

 

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail:  sentinela.rs@outlook.com

Guerra da Ucrânia e efeitos sobre o Brasil

- Esta análise é da equipe de economistas do Bradesco, conforme newsletter deste sábado. 

Decorrido pouco mais de um mês do início do conflito na Ucrânia, os efeitos para o Brasil são

ambíguos. De um lado, o menor crescimento global, a elevação da inflação e os potenciais

problemas na importação de fertilizantes sugerem um menor crescimento e preços mais elevados

no médio prazo. De outro, o ganho de termos de troca em um contexto de baixos riscos de

solvência favorece a apreciação da moeda, melhora das contas públicas e menor aversão ao risco,

que atuam na direção de maior crescimento e mitigação de riscos inflacionários. Nesse contexto, o

efeito líquido deve ser mais crescimento, inflação e juros.

o O choque surge em um contexto de inflação corrente acima das expectativas, com altas

mais disseminadas e núcleos pressionados. Revisamos nossa expectativa de IPCA para alta de

6,9% em 2022, com reflexos inclusive sobre a projeção para 2023, agora em 3,9%.

o Entendemos que o BC buscará encerrar o ciclo de alta de juros em 12,75%, mas o contexto de

inflação mais pressionada exigirá juros médios elevados por mais tempo. Assim, postergamos

o início do ciclo de corte de juros para o segundo trimestre de 2023 e elevamos a projeção para a

taxa terminal do próximo ano para 9,0%.

o A atividade econômica, por sua vez, vem mostrando resiliência neste primeiro trimestre de

2022. Acreditamos que essa dinâmica é capaz de induzir um crescimento ao redor de 1% neste ano,

a despeito dos efeitos da inflação sobre a renda

Artigo, Gilberto Jasper - Interpretação de texto

Jornalista / gilbertojasper@gmail.com

          Sim, sou “das antigas”, profissional do tempo em que um jornalista precisava cursar faculdade, conquistar um diploma para só depois ir à luta no mercado de trabalho, ganhar experiência e apor o nome em uma reportagem. Havia pouco espaço para notícias destinado a alguns poucos “iluminados” para fazer reflexões, emitir opiniões e pautar a opinião pública.

         Em 2022 chegamos ao extremo oposto destas restrições e formalidades para a função de “comunicador”. Basta ter um celular para se transformar em um “influenciador”, palpiteiro ou apenas em uma pessoa com más intenções para vender notícia falsa ou se autopromover. Ou fabricar fake news, estrangeirismo da moda que passa a ideia de notoriedade aos mentirosos tecnológicos.

         A pressa, a disputa por espaço, a vaidade e a necessidade permanente de ostentação fizeram da informação um produto disputado mundialmente, cada vez mais vilipendiado e desvalorizado. Não há tempo para checar a veracidade dos conteúdos, de pesquisar os protagonistas envolvidos e – pasmem! –descobrir se o fato que gerou a manchete realmente aconteceu.

         Além da duvidosa veracidade da maioria das notícias, o jornalismo moderno tem sido acometido de um mal crônico que assola o planeta: a incapacidade no que diz respeito à interpretação de texto. A maioria das pessoas lê apenas a primeira linha para elaborar um juízo de valor sobre o fato e disseminar sua opinião mundo afora.

Um equívoco veiculado na internet é um erro impossível de ser sanado. Jogada no mundo virtual uma mentira tem poder devastador, semelhante a uma pandemia, disseminada em segundos, sem vacinas ou uso de máscara para minimizar os efeitos.

Tão cedo não haverá mudança de comportamento. Em redes sociais não há critério, método, instrumento capaz de reduzir a estupidez humana. Mentir é do gênero humano, mas o que revolta é a proliferação de distorções difundidas por colegas, jornalistas. Com ou sem diploma – uma controvérsia sem fim! – eles se prestam a fazer “comunicação” ideológica, política ou para beneficiar grupos, partidos, empresas e segmentos.

Leigos que usam a internet para destilar ódio e inverdade são pessoas comuns que estão à nossa volta, mas isso é inadmissível para alguém que deveria ter um mínimo de compromisso com a verdade.

Há alguns anos, quando a tecnologia começou a invadir nossas vidas, alguém afirmou:

- Incrível como a internet aumentou o número de idiotas no mundo!

Um observador mais atento retificou:

- A internet apenas deu voz e espaço aos idiotas sempre atentos para distorcer, mentir, iludir, semear a cizânia.

Bingo!