Artigo, Eugênio Esber, Zero Hora - Somos todos garis

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 A condução de Fachin permitiu que o debate sobre Moraes se perdesse em manobras e terminasse sem decisão

 Na linguagem empolada de Luiz Edson Fachin, "impende" dizer que ele - sem “menoscabo" à sua figura de homem íntegro - falhou clamorosamente na missão de conduzir a histórica sessão de terça-feira (15) no STF. Fachin havia prometido à sociedade brasileira que o STF atuaria com "firmeza e serenidade" para decidir sobre o caso de um ministro apanhado em falcatruas pela Polícia Federal. Firmeza não teve. Nenhuma. Fazendo jus ao apelido interno de "Frachim", deixou a sessão chegar tropegamente ao fim sem decidir nada e sem sequer apresentar uma previsão de quando o fará.

Serenidade, porém, sobrou. Deixou-se esculachar pela galhofa de Gilmar Mendes e pela picardia de Flávio Dino, sem reagir à altura do cargo que ocupa e da gravidade da sessão que presidia. Também se mostrou inerte e apalermado frente a manobras protelatórias dos dois desabusados. Ambos comandaram um espetáculo de insolência e avacalhação contra as tímidas tentativas do presidente de fazer com que os trabalhos chegassem aonde todos os brasileiros honestos desejavam: a autorização para que a Polícia Federal investigue Alexandre de Moraes por indícios de condutas que o Código Penal tipifica como advocacia administrativa (uso de cargo público em proveito privado), corrupção passiva e, o mais grave para um ministro da suprema corte, obstrução da justiça.

Em resumo: na sessão acompanhada pelo mundo inteiro e especialmente por investidores que só colocam seu dinheiro em países com segurança jurídica e compliance, o Brasil e o STF enviaram um alerta vermelho. Aqui, desvios graves de conduta são tolerados. E esta mensagem tem a digital de Fachin.

O desmanche da autoridade de Fachin começou dias antes da sessão pastelão de terça-feira. Ele se tornou o alvo de uma ofensiva orquestrada por Gilmar e Dino, com o apoio de Cristiano Zanin e o óbvio endosso do principal interessado na manobra, Alexandre de Moraes. Em conjunto, a camarilha de obstrução da justiça lançou sobre a presidência do tribunal uma chuva de mísseis, digo, petições, que desconcertaram até os juristas chamados às pressas pela imprensa para destrinchar o tiroteio jurídico. A estratégia era aturdir Fachin e explorar sua tibieza. Mais ou menos como no futebol, em que os jogadores mais malandros percebem que o juiz é influenciável e o cercam a todo instante para condicioná-lo.

Moraes, a quem Lula dirigiu elogios após a sessão, se safou - por ora. Vitória parcial da camarilha que trabalhou pela obstrução da justiça, integrada por dois indicados de Lula, Dino e Zanin; e de Gilmar, fiador da atuação da corte para a vitória de Lula em 2022.

Aos brasileiros feitos de idiotas, uma sugestão: vistam-se, ou sintam-se, como garis, no dia de votar para presidente e senador. É preciso retirar o lixo que empesta a república.

 

Link deste artigo:

https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/eugenio-esber/noticia/2026/09/somos-todos-garis-cmu7fij7r025g0159jfm7lzlj.html


Artigo, Marcus Vinicius Gravina - Inexigilidade de conduta diversa

Marcus Vinicius Gravina é escritor e advogado


Há vários motivos para abandono de cargo.


No caso do Eduardo Bolsonaro a mídia não quis aprofundar as causas do seu refúgio nos EUA.  Talvez, por já estar claro o suficiente. 


Mas, é provável que uma delas seja o regime de exceção, em que estamos marcando passo, no mesmo lugar.


Falo da ditadura imposta por alguns ministros do STF, com profundo desprezo ao "Devido Processo Legal". Caso marcante do "Inquérito do Fim do Mundo".


Cabe alegar a inexigibilidade de conduta diversa, face a uma força maior  vingativa e de viés politico.


Antes da demissão, que pretextou o abandono de função na PF, o Eduardo Bolsonaro denunciou que ele, sua mulher e filhos vinham sofrendo ameaças.


 Inclusive de prisão. Isso fez lembrar a facada em seu pai, que até hoje a PF não elucidou o crime ou está omitindo a verdade.


Pois, vinha sofrendo coação imoral irresistível e física. Se houve justa causa para o abandono foi do Eduardo, que não recebeu garantia de segurança da sua própria instituição policial para voltar ao Brasil.


A vida é o maior bem que possuímos.


O Eduardo agiu com esta consciência humana.


O Ministro da Justiça, Capitão do Mato do Lula,

exagerou na medida que aplicou no policial federal Eduardo Bolsonaro, ao saciar a sede de vingança do seu desclassificado chefe, que em recente discurso, declarou que irá prender todos os Bolsonaros.


É revoltante lembrar de crimes de sequestro, mortes e assaltos a bancos tiveram seus autores anistiados, indenizados, com nosso dinheiro e estão por aí como apaniguados do governo.


Por, lembrar a dosimetria, a do 8 de janeiro, como está aquela que se transformou em lei? Responda sr. Ministro da Justiça. 


Vergonha Nacional!


Caxias, 21.09.2026

Sungrow Brasil amplia estratégia no Norte e Nordeste e anuncia Sou Energy como nova parceira oficial

• Parceria une uma das maiores fabricantes globais de inversores fotovoltaicos a uma das cinco maiores indústrias do segmento no país para acelerar a presença da marca em regiões estratégicas, ampliar a oferta de equipamentos e impulsionar o mercado de armazenamento de energia.

• Sungrow fortalece sua expansão no Brasil com 16,5 GW em inversores comercializados desde 2017 e lidera o ranking global da Wood Mackenzie entre os integradores de sistemas de armazenamento por baterias.

Em um momento em que o mercado brasileiro de energia solar passa por uma nova fase de consolidação e busca por soluções de maior valor agregado, a Sungrow oficializou a Sou Energy como sua nova parceira oficial no Brasil. A novidade representa um movimento estratégico para ampliar a participação da fabricante, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a indústria possui uma das maiores estruturas comerciais e logísticas do setor.

Reconhecida mundialmente como uma das líderes em inversores fotovoltaicos e soluções de armazenamento de energia (BESS), a Sungrow passa a contar com toda a capilaridade da Sou Energy para disponibilizar seu portfólio completo de equipamentos, reduzindo prazos de entrega, ampliando a oferta de produtos e fortalecendo o suporte aos integradores e EPCistas.

Segundo a Sungrow Brasil, a escolha da Sou Energy faz parte da estratégia de expansão da empresa em mercados considerados prioritários. "A Sou Energy é uma das principais indústrias de geradores fotovoltaicos do Brasil e possui uma presença extremamente forte nas regiões Norte e Nordeste, mercados onde buscamos ampliar nossa participação. Trata-se de um parceiro altamente reconhecido pelos integradores pela excelência logística, atendimento e competitividade, fatores que serão fundamentais para aumentar ainda mais a capilaridade da marca", destaca Lais Leite, Gerente de Contas da Sungrow.

A expectativa da Sou Energy é que a parceria contribua diretamente para ampliar sua participação no segmento de inversores de maior valor agregado. "Esperamos crescer cerca de 15% nossa participação de mercado no segmento de inversores high ticket. A chegada da Sungrow fortalece nosso portfólio e amplia as possibilidades para nossos clientes oferecerem soluções ainda mais competitivas", afirma o CSMO da Sou Energy, Mario Viana.

A parceria contempla a disponibilização imediata do portfólio completo de inversores Sungrow, incluindo modelos string monofásicos, trifásicos para aplicações comerciais e industriais (C&I), além dos inversores híbridos, que chegam ao mercado em um momento de crescente demanda por sistemas capazes de integrar geração solar e armazenamento de energia.

Também estarão disponíveis soluções para projetos especiais e sistemas BESS sob demanda, segmento considerado um dos principais vetores de crescimento do mercado brasileiro nos próximos anos.

Entre os diferenciais tecnológicos das soluções Sungrow estão a elevada robustez dos equipamentos, proteção anticorrosiva C5, especialmente importante para instalações em regiões litorâneas, e alta performance mesmo em ambientes de temperaturas elevadas, características relevantes para aplicações no Norte e Nordeste.

Logística reforçada acelera entregas

Outro diferencial da parceria será a ampliação da disponibilidade dos equipamentos em uma das regiões que mais crescem em geração distribuída no país. Com centros de distribuição e forte atuação regional, a Sou Energy permitirá maior velocidade nas entregas, custos logísticos mais competitivos e maior disponibilidade de estoque para atender instaladores, empresas do setor e empresas de engenharia.

"A Sou Energy está entre as empresas de maior destaque no mercado de geradores fotovoltaicos das regiões Norte e Nordeste. Com isso, os inversores Sungrow estarão presentes em um número ainda maior de projetos e instalações", ressalta a gerente da Sungrow.

Para os integradores, os benefícios vão além da disponibilidade dos equipamentos. Segundo a Sou Energy, a parceria amplia significativamente o leque de soluções disponíveis, permitindo que os profissionais desenvolvam propostas comerciais com maior valor agregado, melhor desempenho técnico e diferenciais competitivos em um mercado cada vez mais exigente.

Mercado entra na era do armazenamento

Além da disponibilização do portfólio de equipamentos, Sungrow e Sou Energy também anunciaram uma agenda conjunta de desenvolvimento de mercado. Ao longo de 2026, a fabricante participará dos principais eventos promovidos pela Sou Energy, como o Solarizando na Estrada e a Intersolar South America, reforçando ações de capacitação técnica, treinamento comercial e desenvolvimento de novos negócios.

O Solarizando na Estrada é uma imersão que reúne treinamentos técnicos com fabricantes parceiros, conteúdo prático e estratégico, focado na capacitação de integradores, prospecção de clientes e geração de novas oportunidades de negócios no mercado de energia solar.

A estratégia acompanha uma das maiores transformações do setor elétrico brasileiro: o avanço dos sistemas híbridos e do armazenamento de energia. "O mercado solar vive um novo momento. O armazenamento de energia deixou de ser tendência e passou a ser realidade. As oportunidades são enormes e investir em capacitação dos integradores é fundamental para acelerar essa transformação", afirma a Sou Energy.

A Sungrow reforça que seus novos inversores híbridos já fazem parte do portfólio da Sou Energy e estiveram entre os destaques apresentados durante a Intersolar South America 2026, reforçando a aposta conjunta em soluções que combinam geração solar, armazenamento e maior autonomia energética para consumidores residenciais, comerciais e industriais.

Com a nova parceria, Sungrow e Sou Energy reforçam a estratégia de atender um mercado cada vez mais orientado por tecnologia, eficiência e disponibilidade imediata de equipamentos, consolidando uma aliança que promete ampliar a presença da fabricante no Brasil e fortalecer ainda mais a cadeia de energia solar nas regiões Norte e Nordeste.

Sungrow ultrapassa 16,5 GW comercializados no Brasil e lidera mercado global de armazenamento

A Sungrow segue consolidando sua presença no mercado brasileiro de energia solar. Desde o início de suas operações no país, em 2017, a companhia já comercializou 16,5 GW em inversores fotovoltaicos, sendo 7,49 GW destinados à Geração Distribuída (GD) e 9,03 GW para projetos de Geração Centralizada (GC).

Na América Latina, a empresa já soma 25 GW em equipamentos comercializados e mais de 12 GWh em soluções de armazenamento de energia (BESS), reforçando sua posição entre as principais fornecedoras globais de tecnologias para geração solar e armazenamento. Esse desempenho também se reflete no cenário internacional: a Sungrow assumiu a liderança mundial entre os integradores de sistemas de armazenamento por baterias (BESS), segundo ranking da Wood Mackenzie, divulgado após o mercado superar, pela primeira vez, a marca de 100 GW de instalações anuais. O resultado coloca a companhia à frente de alguns dos maiores grupos globais de tecnologia e energia.

Com um portfólio que reúne inversores, soluções híbridas e sistemas de armazenamento de energia, a Sungrow mantém sua estratégia de expansão em segmentos como agronegócio, indústria, comércio e grandes usinas solares, acompanhando a crescente demanda por soluções mais eficientes e confiáveis para a transição energética.

Sobre a Sungro
https://br.sungrowpower.com/

A Sungrow é líder global em tecnologia de energia renovável, sendo pioneira em soluções de energia sustentável há mais de 28 anos. Em dezembro de 2025, a Sungrow havia instalado 1.000 GW de conversores eletrônicos de potência em todo o mundo. A empresa é reconhecida como a fabricante de inversores fotovoltaicos e sistemas de armazenamento de energia mais financiável do mundo, segundo a BloombergNEF. Suas inovações impulsionam projetos de energia limpa em todo o mundo, apoiadas por uma rede de 520 pontos de serviço. A companhia mantém seu compromisso de contribuir para um futuro sustentável por meio de tecnologia de ponta e serviços especializados.

Sobre a Sou Energy
https://souenergy.com.br/

Fundada em 2017, a Sou Energy é uma das maiores indústrias de geradores fotovoltaicos do Brasil e líder no Norte e Nordeste. Com sede no Ceará, a empresa iniciou suas atividades como integradora de sistemas fotovoltaicos e, desde 2019, ampliou sua atuação no mercado solar.

Seu portfólio reúne as principais marcas globais do setor. Possui ainda uma moderna fábrica, com centro de distribuição próprio, de 18.000 m² em Eusébio (CE), e mais duas unidades fabris, uma no Ananindeua (PA) e outra em fase de inauguração em Extrema (MG), além do desenvolvimento de tecnologias e soluções voltadas aos integradores.

A empresa conta com mais de +2,7 GW produzidos e +8.000 integradores atendidos, sendo referência no mercado solar, impulsionando a transformação energética da região e contribuindo para um futuro mais sustentável.




Artigo, especial - Pleno contrangimento

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano


Depois de tudo o que se viu na última sessão do STF, qualquer um que ainda fale em “instituições solidificadas” precisa urgentemente de um check-up mental. E não é de rotina. É daqueles de emergência.


A Corte se reuniu para decidir se investiga ou não um de seus próprios ministros. Resultado: ninguém decidiu nada. Teve declaração de impedimento, suspeição por foro íntimo, bate-boca aberto, questão de ordem, pedido de vista e placar de 4 a 3 sobre se os casos andavam juntos ou separados. O mérito — aquele detalhe de 52 mensagens trocadas, contratos de R$ 131 milhões e R$ 50 milhões com o escritório da esposa de um ministro e a pergunta “acha que segunda já tenho que estar fora?” — ficou para depois. Preferiram discutir os ritos. Como se o problema fosse a forma e não o conteúdo. A cereja do bolo: o possível investigado votou para não ser investigado. Não que isso surpreenda, afinal o mesmo ministro, em outros processos, agiu como vítima, investigador e julgador. Coisas da peculiar democracia brasileira.


Então um vídeo é divulgado: Alexandre de Moraes e a esposa aparecem descendo de um jatinho Legacy 650 ligado a Daniel Vorcaro, no Santos Dumont, com seguranças carregando as malas. Três meses antes, segundo a PF, o escritório havia fechado um contrato de R$ 50 milhões com a empresa do mesmo banqueiro — parte do pagamento em cotas do jato e do helicóptero. O ministro, em nota oficial emitida pelo próprio STF, tinha sido categórico: jamais viajou em avião de Vorcaro. As imagens desmentem a nota.


A defesa diz que o segundo contrato nunca existiu. As mensagens do celular do banqueiro preso dizem o contrário. Ele pergunta: “Eles não estão usando?”. A resposta vem clara: “Já usaram aviões e helicópteros”. E ainda pede para reforçar o contato, para que o casal possa continuar utilizando. Gentileza de quem entende de relacionamento institucional. Não é nenhum favor, é o cumprimento de um contrato. 


O mais irônico é o timing. A sessão acontece em pleno calor do debate eleitoral, com a Corte rachada ao meio e ministros se acusando de viés político em público, ao vivo e em cores. O presidente da corte abre falando que não se julgam pessoas, mas fatos. Ótimo discurso. Só que os fatos estão todos sobre a mesa: contrato polpudo, mensagens de gratidão, encontros, pedidos de intervenção e a negativa categórica, agora desmentida por uma imagem à vista de todos.

 

A resposta institucional veio com a mesma naturalidade que a imprensa trata de “aliados” na mais alta corte: um deles faz um pedido de vistas a jato. Porque, no Supremo, quando a casa pega fogo, pedir mais tempo para ver se alguém para de prestar atenção até a poeira baixar é estratégia. Até 90 dias, se quiserem. Tempo suficiente para a eleição passar.


No fim, o que sobra é um triste espetáculo farsesco. Uma Corte que se apresenta como guardiã da democracia, mas que, na hora de olhar para um dos seus, transforma uma sessão em um verdadeiro barraco. O jatinho, esse, pelo menos chegou ao destino. O julgamento, esse, deve demorar. E os “aliados” parecem torcer para que ninguém mais tenha interesse no assunto. 


Se isso é preservação das instituições, alguém precisa atualizar o conceito. Porque o que se viu não foi julgamento. Foi uma bela empurrada com a barriga.

Fantástico disseca Moraes

O programa Fantástico, da TV Globo, exibiu uma reportagem investigativa sobre o ministro do STF Alexandre de Moraes em sua edição de ontem a noite. 

Foram 8 minutos de dissecação e abordou os desdobramentos de um relatório policial envolvendo o ministro. Diferente de um editorial opinativo de críticas diretas da emissora, a reportagem trouxe fatos de interesse público e detalhes das investigações:

O cerne da reportagem:
O programa revelou imagens de agosto de 2025 mostrando o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, desembarcando de uma aeronave. O jatinho pertencia a uma empresa que tinha como sócio o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes declarou que a contratação do serviço de táxi aéreo foi estritamente comercial, sem qualquer tipo de vínculo pessoal com os envolvidos.

O tema ganhou grande repercussão nacional devido a uma discussão no Supremo Tribunal Federal sobre o acesso e a legalidade das informações extraídas do celular do ex-banqueiro, com Moraes classificando o relatório como nulo e apontando quebra na cadeia de custódia dos dados

Artigo, especial - O outro WhatsApp que o Brasil quase não viu

Este artigo é do Observatório Brasil Soberano.

O brasileiro adora uma conversa bem embalada. Na semana passada, o país parou para analisar, vírgula por vírgula, as mensagens encontradas no WhatsApp do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre pedidos de socorro a um ministro e dúvidas sobre pegar o primeiro voo para fora do país, as mensagens foram um prato cheio para o noticiário. O problema é que, enquanto todos olhavam para isso, outro WhatsApp que mostrava muita proximidade com o poder, passou quase batido.

O aplicativo de mensagens de Roberta Luchsinger conta uma história que contraria o discurso oficial. A lobista chamou Lulinha de “meu sócio” pelo menos oito vezes entre 2023 e 2024. Áudio, texto, tudo gravado. Quando a PF a chamou para depor, veio a amnésia: negou sociedade, negou repasse, negou tudo, mas a memória do celular desmentiu o depoimento linha por linha.

Lula foi rápido em tentar cortar o mal pela raiz. Em entrevista, mandou a máxima do “nunca vi, não sei quem é, é uma pilantra”. O problema é que a tal pilantra tem um acervo no Instagram com mais de dez fotos coladas ao presidente entre 2021 e 2023, com direito a legendas carinhosas e o já folclórico “o pai tá on”. Para quem nunca viu a moça na vida, a convivência parecia surpreendentemente calorosa.

Mas o ponto central não são as fotos para redes sociais. É o livre trânsito. Roberta fez 42 visitas a órgãos do governo federal em pouco mais de um ano. Desses 41 encontros simplesmente não existiam nas agendas oficiais. Dezessete entradas no gabinete de Wellington Dias, dezesseis no Ministério da Saúde. Em duas oportunidades, levou a tiracolo Fernando Bittar — aquele mesmo do sítio de Atibaia e sócio de Lulinha — para dentro do Planalto, sem registro na portaria, sem explicação pública.

E para costurar tudo isso, nada como um bom ponto de apoio na capital. Uma mansão no Lago Sul, com aluguel na casa dos R$ 100 mil por mês pago por Roberta, virou o endereço de reuniões de ministros, assessores e do próprio Lulinha. O trio (Roberta, Lulinha e Bittar) mantinha até um grupo no WhatsApp focado em discutir contratos, burocracia e portas de entrada no governo.

A gentileza financeira de Roberta também transbordava nos boletos alheios. Os investigadores levantaram que a empresária pagou R$ 217 mil em despesas pessoais de Marcola, o então chefe de gabinete de Lula. A lista inclui faturas de cartão de crédito, financiamento de carro, seguro e jóias — com direito a um colar de diamantes de R$ 9,2 mil para a esposa do assessor.

Se jorrava muito dinheiro da conta da lobista, o dinheiro também entrava com facilidade. Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, depositou R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta em parcelas de R$ 300 mil. Em uma das conversas apreendidas, Antunes explicava que um dos repasses era “para o filho do rapaz”. Roberta jura que foi tudo pagamento por uma consultoria legítima sobre a regulação de canabidiol. A Polícia Federal, no entanto, tenta entender se o serviço prestado era a regulação da planta ou o loteamento de acesso ao governo.

Mensagens de sócio, negação pública, fotos com o presidente, reuniões fora da agenda, mansão de alto custo, entradas no Planalto, grupo de WhatsApp, pagamentos a assessor próximo e um milhão e meio vindos do Careca do INSS. Tudo documentado.

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O barulho das mensagens de Vorcaro quase empurrou as de Roberta para a espiral do silêncio, mas o brasileiro merece a verdade sobre ambos. Até onde vai a intimidade entre negócios privados e o topo do poder?

Artigo, especial, Renato Sant'Ana - A candidata pisou na bola

Renato Sant'Ana é Advogado e Psicólogo.

E-mail: releituras21@gmail.com

 uliana Brizola, candidata ao governo do Rio Grande do Sul, criticou um outro candidato que, num evento público, apareceu brandindo a bandeira dos Estados Unidos. "É certo balançar a bandeira dos EUA?", questiona ela. Em todo caso, Juliana acaba pisando na bola.

Não sei quando e onde se deu o que ela quer atacar. Mas se podem afirmar algumas coisas que, por ela as ignorar, estragam a imagem da candidata.

1. O avô de Juliana, Leonel Brizola, tendo que exilar-se, fugiu para o Uruguai. Mas fechou o tempo por lá e ele, em vez de ir para Cuba, foi para os EUA. Por quê? O avô reconhecia os EUA como o país da liberdade. E reconhecer não significa concordar com tudo que se pratica por lá. Mas Brizola (o avô) sabia valorizar a consolidada democracia dos EUA. E era o que ele, ao menos segundo seu discurso, queria para o Brasil.

2. Por que falar em Cuba? Para alertar Juliana. Em 1998, Olívio Dutra foi eleito governador do Rio Grande do Sul pelo PT. E em sua cerimônia de posse, a bandeira de Cuba foi hasteada na sacada do Palácio Piratini, uma afronta dos fantoches do Foro de S. Paulo, que apoiam ditaduras mundo afora e são hoje os aliados de Juliana.

3. Cuba é um regime totalitário, que é a maximização do autoritarismo, um regime em que Estado, governo e partido não se diferenciam, o poder está concentrado nas mãos do partido único, isto é, o partido comunista, uma elite de burocratas corruptos que vive na fartura enquanto o povo passa as piores privações: sem liberdade, sem informação (só existe a imprensa do partido), carência alimentar e tudo que disso deriva.

4. O vice na chapa de Juliana é Pretto, do PT, que, além da bandeira de Cuba, apoia a do Hamas ou, vá lá, da Palestina. (Aqui vai uma afirmação lateral, senão patetas entendem o contrário: o assunto não é Israel.) Volto. O surto de apoio incondicional da esquerda à Palestina veio após o 07/10/2023, quando terroristas do Hamas cozinharam bebês em fornos de micro-ondas, abriram o ventre de gestantes com suas facas para matar o feto, estupraram meninas adolescentes, massacraram idosos, torturaram e mataram a rodo pessoas indefesas só por serem elas judias. Que dizer, quando ativistas do PSOL e do PT, inclusive em convenções partidárias, agitam a bandeira da Palestina em apoio ao "massacre de outubro"?

5. Abraçar terroristas é da natureza do PT e afins. Por que terá Lula, ao voltar ao Planalto em 2023, recebido efusivos cumprimentos dos seus "companheiros" do Hamas? Em 22/09/2023, durante a assembleia geral da ONU, Lula encontrou-se com Abbas, o chefe da Autoridade Palestina, um ex-terrorista (ou terrorista retirado). Nada original. Em 2015, também na assembleia geral da ONU, Dilma Rousseff (PT), ao condenar os ataques que os Estados Unidos fizeram aos radicais do Estado Islâmico, na Síria e no Iraque, defendeu "o diálogo, o acordo e a intermediação da ONU" com os facínoras. É verdade que, depois, ela modulou o discurso, quando a imprensa internacional passou a exibir pessoas decapitadas e a noticiar estupros de meninas e escravização de homens e mulheres pelo Estado Islâmico, pessoas perseguidas só por serem cristãs.

6. Coincidência. Assim como Dilma propôs dialogar com radicais do Estado Islâmico, Juliana acha possível dialogar com os extremistas com os quais se aliou para efeito eleitoral. Não dá!

7. Conviria a Juliana ler o livro "O que sei de Lula", de José Nêumanne Pinto (Topbooks Editora): ficaria sabendo da hostilidade com que Lula (suserano das esquerdas) e seus comparsas trataram o seu avô, quando ele voltou do exílio. O livro também registra o despojamento de Brizola, que, apesar de tudo, aceitou ser candidato a vice de Lula em 1998.

8. Mas Juliana conhecerá o chefão e paradigma das esquerdas? Nêumanne Pinto relata que, depois da campanha de 1998, Brizola declarou que Lula, "para subir, não hesitaria em pisar no pescoço da própria mãe."

9. Só mais uma citação. "Brizola disse que Lula cometia erros políticos porque o álcool era mau conselheiro" (Pinto, p. 221). A resposta de Lula é impublicável, mas merece alusão indireta porque ele não mudou e porque traduz a conduta do PT e afins: ele tentou arrastar para a lama a imagem de D. Neusa Brizola e de Neusinha, a esposa e a filha de Brizola. É a conduta daqueles para quem o embate político é um vale tudo, os adversários são inimigos e os meios mais sórdidos se justificam.

10. Sim, Juliana pisou na bola. Ao atacar quem brandiu a bandeira dos EUA, ela pôs em evidência o contraste: quem aprecia os EUA (como o alvo de Juliana) propende, no mínimo, a respeitar a liberdade; já quem venera Cuba e celebra terroristas (como os seus aliados) têm outros valores e querem, para o Brasil, um regime autoritário. Cabe perguntar: ela ignora ou apoia a ideologia liberticida de seus aliados?

Seria melhor Juliana Brizola espelhar-se nas qualidades, não nos defeitos do seu avô Leonel Brizola.