Pesquisa confirma favoritismo de Flávio; cinturão azul se formou no país após o primeiro turno

Carlos Eduardo Bellini Borenstein

Cientista Político

carloseduardo@arkoadvice.com.br

A pesquisa PoderData/Aya divulgada hoje (8), a primeira deste segundo turno, confirma o favoritismo do senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre o presidente Lula (PT). Flávio tem 49% das intenções de voto contra 44% de Lula, ou seja, uma distância de cinco pontos. Brancos, nulos e indecisos somam 7%. Considerando somente os votos válidos, a vantagem de Flávio é maior: seis pontos (53% a 47%).

Em relação ao resultado do primeiro turno, Flávio cresceu 5,97 pontos (47,03% para 53%) quando consideramos os votos válidos. Lula, por sua vez, oscilou apenas 1,84 pontos (45,16% para 47%), confirmando a expectativa de que o petista teria pouco espaço para crescer no segundo turno. 

O favoritismo de Flávio é reforçado pelos movimentos do mundo político em direção a ele. Nessa semana, PP, União Brasil, Republicanos, Podemos e Novo confirmaram apoio ao candidato do PL, estabelecendo um leque de alianças de direita. Soma-se a isso os apoios do ex-presidente Michel Temer (MDB); do ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG), e também do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).

Os partidos que estão com Flávio foram os grandes vencedores do primeiro turno. A onda azul indicada pelas últimas pesquisas transformou-se em um grande cinturão azul. 

O PL (6), Republicanos (3); PP (2) e Podemos (1) elegeram ou reelegeram 12 dos governadores já no primeiro turno, o que representa 60% das vitórias em primeiro turno para os governos estaduais. 

Entre esses estão estados com grande poder político e financeiro como o Rio Grande do Sul (Luciano Zucco – PL); Santa Catarina (Jorginho Mello – PL); Paraná (Sergio Moro – PL); São Paulo (Tarcísio de Freitas – Republicanos); Rio de Janeiro (Douglas Rua – PL); Minas Gerais (Cleitinho Azevedo – Republicanos); Mato Grosso do Sul (Eduardo Riedel – PP); e Mato Grosso (Otaviano Pivetta – Republicanos)

Este cinturão azul também se consolidou no Senado. 32 dos 54 senadores eleitos, ou seja, 59%, pertencem a partidos de direita: PL (19); União Brasil (3); PP (3); Novo (3); Republicanos (2); e Podemos (2).

Cenário similar ocorre na Câmara, onde PL (121); União Brasil (46); Republicanos (41); PP (41); Novo (10) e Podemos (27) controlarão 286 dos 513 da Casa (57,75%).

A formação deste cinturão azul combinado com o “cansaço” do PT e a rejeição de Lula e o governo tornam a vantagem de Flávio muito sólida. Com uma campanha sem rumo, o PT, de forma errática, tenta mobilizar os estudantes. No entanto, ao realizar atos nas ruas, os petistas tendem a aumentar sua rejeição, já que os eleitores expressaram nas urnas sua preferência pela direita. 

Outro aspecto a ser observado envolve a imagem construída por Flávio, que conseguiu consolidar a imagem de um “Bolsonaro” diferente do pai. Com a imagem de “Bolsonaro moderado” fortalecida, rótulos como “extrema-direita” e “ameaça à democracia” tendem a produzir pouco efeito. 

Diante do escândalo do Banco Master; da crise do STF; e do cansaço com o PT, prevalece o desejo de mudança, bem explorado pelo PL ao transformar a eleição em um plebiscito sobre o governo Lula.





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