Schüler alerta para risco de judicialização no 2º turno

O cientista político Fernando Schüler afirmou que a principal preocupação na reta final da eleição presidencial é o avanço da judicialização e a redução dos confrontos públicos entre os candidatos. Em participação no Canal Livre, da Band, o analista criticou a preferência das campanhas por eventos controlados e entrevistas com menor possibilidade de confronto, em vez de debates abertos, nos quais o eleitor pode comparar diretamente propostas e argumentos.

Para Schüler, a estratégia eleitoral também estaria excessivamente concentrada na exploração da rejeição aos adversários. Em um ambiente de forte polarização, marqueteiros tendem a priorizar ataques pessoais e acusações, deixando em segundo plano discussões sobre temas que afetam diretamente a população, como economia e segurança pública. Na avaliação do cientista político, a ausência de debates programáticos empobrece a escolha do eleitor justamente no momento mais decisivo da disputa.

O maior alerta, porém, está no risco de levar a disputa eleitoral para os tribunais. Schüler citou uma ação de 120 páginas apresentada pela campanha petista ao ministro Flávio Dino sobre suposta interferência externa na eleição e afirmou temer que decisões sobre o resultado das urnas acabem sendo transferidas para o Judiciário. Para o analista, transformar a Justiça em árbitra do resultado eleitoral representa um risco institucional e pode aprofundar ainda mais a tensão política no país.

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