Artigo, Paulo Germano, Zero Hora - Calma prefeito

Calma, prefeito
O temperamento explosivo do prefeito eleito pode guiar seu sucesso ou seu fracasso

À minha frente falava o prefeito eleito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), e à minha direita estavam os jornalistas Juliano Rodrigues e Juliana Bublitz, competentes colegas aqui da Zero. Nós quatro sentados, as câmeras ligadas.
Juliana, lá pelas tantas, disse que compreendia a relutância de Marchezan em apresentar prazos para cumprir suas promessas. Mas ressaltou, com delicadeza, que era obrigada a insistir em uma questão: para quando ele previa o funcionamento de oito postos de saúde até as 22h, conforme prometera durante a campanha?
Uma boa pergunta — fundamental, eu diria. Antes de se eleger, Marchezan disse que bastaria cortar 6% dos gastos com CCs para estender o horário dos postos. Foi taxativo, enfático. A própria Juliana, na época, verificou se esse cálculo estava correto e concluiu que sim, a proposta era viável. Bem, agora Marchezan estava eleito — e nos concedia uma entrevista. Era obrigação de qualquer repórter colher detalhes sobre a execução de um compromisso tão concreto.
— Por que jornalista acha que é obrigado a apertar político? — Marchezan subiu o tom.
— Porque queremos ver a promessa ser cumprida — respondeu Juliana.
— Tu acha que uma pessoa contratada para administrar a RBS, uma pessoa que deve começar no mês que vem, depois de ter estudado toda a empresa, de ter passado por todos os testes, de ter mostrado um planejamento, tu acha que essa pessoa entra aqui e alguém pergunta: "Quando é que tu vai fazer?".
Pedi licença. Falei que um funcionário deve explicações à sua empresa, mas um prefeito deve explicações à sociedade. Nós, jornalistas, nem sempre conseguimos, mas tentamos perguntar o que a sociedade, na nossa percepção, gostaria de saber.
— Então quando eu assumir (o mandato) e tiver esse cenário, tu me pergunta. Aí vou ter condições de falar — encerrou Marchezan.
O conteúdo da resposta, claro, não foi nenhum absurdo: ele julgou impossível responder agora porque, primeiro, precisa conhecer a realidade estrutural e financeira da prefeitura. Tudo bem, compreensível. O incompreensível é o destempero de um prefeito eleito ao ser confrontado com qualquer coisa que lhe desagrade. Com toda a sinceridade, acredito que Marchezan possa fazer um bom governo — e, com a mesma sinceridade, torço para isso. Nem seus adversários mais ferrenhos, que discordam frontalmente de suas posições políticas, arriscam-se a questionar sua retidão moral e, em especial, sua gana por combater o que considera injusto.
O problema é que, quando considera algo injusto, a reação de Marchezan é furibunda. Ele não consegue lidar com aquilo que lhe parece injusto, mesmo que aquilo, dependendo de quem interpreta, não seja injusto, seja no máximo desconfortável. Foi o caso da pergunta de Juliana Bublitz sobre os postos de saúde. Foi o caso de um taxista que, na Câmara dos Deputados, após ouvir Marchezan se referir aos táxis como um serviço incompetente e ineficiente, sugeriu de longe que o tucano preferia andar de carroça e ouviu de volta "carroça pra tu puxar, ô ignorante!".
É com esse tipo de adjetivo que Marchezan trata funcionários de seu gabinete que julga inaptos — não porque ele seja um mau-caráter, mas porque considera, de fato, uma injustiça o contribuinte pagar o salário de vadios. Claro que há um ponto positivo nisso: estamos fartos de gestores tolerantes com a ineficiência, fechando alianças tão amplas quanto inúteis e montando "grupos de trabalho" que nunca resolvem patavina.
Mas o temperamento de Marchezan pode guiar seu sucesso ou seu fracasso. Ele vai tratar com corporações de funcionários públicos, que não podem ser demitidos como seus CCs. Vai precisar convencer os médicos do município a trabalharem até as 22h. Vai tratar com vereadores que pensam diferente, com secretários que precisam admirar seu líder, com multidões que têm de estar ao seu lado.
Pelo seu bem, prefeito, vá com calma. E pelo bem da cidade, principalmente.


Lista de ex-deputados

- Alceu Collares
- Cezar Schirmer
- Cláudio Castanheira Diaz
- Enio Bacci
- Fernando Marroni
- Francisco Turra
- Germano Bonow
- Luciana Genro
- Luiz Roberto (Beto) de Albuquerque
- Manuela Pinto Vieira D'Avila
- Nelson Luiz Proenca Fernandes
- Orlando Desconsi
- Paulo Roberto Manoel Pereira
- Tarcísio Zimmermann
- Vieira da Cunha
- Vilson Covatti


Artigo, Astor Wartchow - Jovens fascistas

Jovens Fascistas
Astor Wartchow
Advogado
            As freqüentes ocupações e violações do espaço público da educação apenas confirmam o que historicamente já se sabia e previa. Ou seja, o estrago causado pela demagogia e hegemonia político-ideológica adquiriu proporções gigantescas e incontornáveis.
            A recente experiência de poder da autodenominada esquerda, e conseqüente populismo, soberba, arrogância e corrupção sistêmica, revelou sua face e prática fascitóide.
            Se a pacificação dos ânimos pessoais e a correção da economia levarão anos para serem normalizados, os danos causados no ambiente educacional são quase irreparáveis.
            Seja no ambiente do ensino médio, seja no universitário, tanto no corpo discente quanto docente, predomina o constrangimento ao exercício pleno da liberdade de pensamento e expressão. Muitos alunos e professores, por seus interesses na carreira e preservação pessoal, e às vezes também por medo e constrangimento, calam e submetem-se.
            Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, como reza a constituição, deixaram de ser um parâmetro, um ideal e um direito. O ambiente escolar público (razão e metas) deixou de ser um projeto da nação para tornar-se um campo de dominação político-partidária. O ideal do pluralismo de pensamento e expressão deu lugar ao pensamento único. Típica prática fascista e totalitária.
            Entre as dezenas de imagens deprimentes - escolas fechadas e depredadas, alunos e professores impedidos de ingressar e exercer seus direitos e ofícios, nenhuma foi mais violenta e simbólica de nossa decadência quanto aquela que mostrou o professor escrevendo no quadro-negro e o aluno rebelde ao seu lado apagando imediatamente o conteúdo didático. Sem constrangimento e sem pudor.

            Os ditos e autodenominados partidos de esquerda têm em seus manuais (e documentos partidários) a pretensão e objetivo da hegemonia e controle ideológico. Nos tempos de Mao Tsé-Tung (China) e Adolf Hitler (Alemanha), sua juventude amestrada queimava livros em praça pública. No Brasil, agora, depredam escolas e apagam as lições do quadro negro!

Dilma leva vida comum em Porto Alegre. Ela vive reclusa na zona Sul.

Em um apartamento sem luxos, típica casa de classe média, diferente dos palácios onde viveu nos últimos cinco anos, a ex-presidente Dilma Rousseff fala à jornalista Natuza Nery, da Folha, sobre diversos assuntos, mas pouco de política; ela se queixa do ódio ao "lulopetismo" e diz que quer escrever um romance policial; ela não faz comentários de Michel Temer, nem esboça raiva de Eduardo Cunha, seu principal algoz, que deu início ao processo de impeachment.

Dona Dilma" abre a porta, ao lado de Vera, sua diarista. O apartamento em Porto Alegre tem uns 70 metros quadrados no primeiro piso, com móveis amontoados, mais uns cerca de 50 metros quadrados no piso superior.

A patroa sobe lentamente uma minúscula escada de madeira já esbranquiçada pelo tempo, em caracol, segurando-se no corrimão para não pisar em falso, e vai até o segundo andar.

Lá, duas estantes de aproximadamente três metros de largura, repletas de livros, tomam conta da pequena sala de estar. Um sofá azul grande disputa o ambiente onde a ex-presidente da República passa a maior parte do tempo desde o impeachment.

"Eu queria escrever um romance policial. Gosto muito. Li muito", diz, contemplando exemplares de sua coleção.

Um biombo corta parte do recinto e aguça a curiosidade dos visitantes. Por trás dele, um espaço de uns dois metros quadrados esconde a pequena área onde faz exercícios.

Há algumas faixas elásticas e um espaldar em madeira onde faz alongamentos. Dilma se exercita diariamente sozinha. Depois, roda de bicicleta pelas ruas do bairro Tristeza, onde mora na capital gaúcha, ao lado de dois seguranças.

Ela mostra os punhos. Desenvolveu LER (Lesão por Esforço Repetitivo) de tanto andar sobre duas rodas, hábito cultivado nos tempos de Presidência. Mas não dá sinais de que pretende parar.

Dilma não parece ter ganhado peso desde que deixou Brasília. Recebe a Folha maquiada, com o cabelo feito, de calça preta de alfaiataria e uma jaqueta laranja. Não tem mais compromissos durante a tarde de sexta-feira, 21 de outubro.

Marcos Nagelstein/Folhapress
PORTO ALEGRE, RS, BRASIL, 28.10.2016 - Edeifício da ex-presidente Dilma Rousseff, na Rua Copacabana, zona sul de Porto Alegre/RS. Foto: MARCOS NAGELSTEIN/Folhapress *** EXCLUSIVO FOLHA - NÃO USAR SEM CONSULTAR A FOTOGRAFIA ***
Edifício da ex-presidente Dilma Rousseff, na Rua Copacabana, zona sul de Porto Alegre
O telefone toca. A dona da casa deixa dar três toques e atende. "Tá ótimo, tá ótimo", responde apressadamente, e devolve o aparelho à base.

É o velho e bom telemarketing. O atendente da operadora quer saber se a cliente aprova o serviço –pela conversa, não parece saber de quem se trata do outro lado da linha.

Dilma desliga e murmura: "Às vezes eu finjo ser outra pessoa. Às vezes eu sou a Janete". E sorri, como quem se diverte com a traquinagem de enganar telefonistas.

Dona Vera sobe com duas xícaras de café. Não há móvel para apará-las.

"Estou pensando em trazer uma mesinha da casa da minha mãe, no Rio. Se tiver 60 centímetros de altura, os Correios transportam por um preço bom", comenta.

Dilma se levanta e puxa uma cadeira de madeira, onde as xícaras são acomodadas.

Em seu quarto, há apenas uma cama e uma grande TV. Há um outro quarto abarrotado de caixas. Dilma diz que, qualquer hora dessas, pretende enfrentá-las. Nem sabe bem o que há ali.

No banheiro, o box de vidro permite ver um par de chinelos escorado na parede, na diagonal, como quem os coloca lá para escorrer a água.

Trata-se de uma típica casa de classe média. Nada parecida com os palácios em que passou a maior parte dos últimos cinco anos.

Não é estranho morar aqui depois de viver no Alvorada?, pergunta a reportagem.

"Não. O Lula até me disse: 'para que você precisa de um lugar grande? Fica num pequeno mesmo'".

Depois diz que se habitua a tudo. E faz planos de cultivar uma horta na ampla –e vazia– área externa do segundo andar. Ali, não há muita privacidade. Há um prédio logo ao lado e outro ainda em construção.

No edifício, não há porteiro nem garagem subterrânea. Os dois seguranças da Polícia Federal a que t­em direito como ex-presidente ficam no pilotis, sentados num banquinho de praça. Não há guarita.

Dias depois da visita da Folha, um amigo da petista contou que a síndica do prédio colocou os seguranças para o lado de fora, na garagem de um estabelecimento que fica de frente para o conjunto habitacional. Mas os moradores pediram para que voltassem, sentiam-se mais seguros com eles lá dentro.

Como está depois de tudo?

"Estou bem. Não aguento a infelicidade", retruca.

Vai ficar em Porto Alegre mesmo? Não fica muito sozinha por aqui?

"Vou ficar, sim", afirma, e conta que, nos fins de semana, visita o ex-marido Carlos Araújo, os dois netos e, vez ou outra, um par de amigos.

Das visitas que recebe, a melhor de todas é a de Gabriel, o neto mais velho, que passa umas duas horas por fim de semana na casa da avó. Ele desenha e vê desenhos na TV.

Dilma não parece ter engrenado na vida social. Não vai ao teatro e ao cinema, programas que sempre se ressentiu de não fazer nos tempos de mandatária. Também não sai para jantar ou almoçar fora.

"Eu tenho 68 anos. E não tem tido nada que eu esteja querendo ver por aqui."

O livro sobre seu anos de Presidência deve ficar para depois. Sabe-se lá quanto depois. Ela não fala muito de projetos futuros. Fala menos ainda de política, como se tomasse relativa distância para colocar as coisas no lugar.

Também não toca muito no assunto impeachment. Mas afirma estar preocupada com uma onda conservadora no país.

Quase não faz comentários sobre Michel Temer. Nem esboça raiva de seu principal algoz, Eduardo Cunha, naquela sexta-feira à tarde já há três dias preso.

Queixa-se do ódio ao "lulopetismo". E trata o antecessor com deferência e carinho.

Dona Vera serve o segundo café, mas só para a reportagem. "Já estou ficando com enjoo", diz Dilma.

Por volta das 18h, quando dona Vera começa a rondar meio sem motivo a sala do andar de cima, a patroa intervém. "A senhora está querendo ir, né, dona Vera?".

A funcionária responde com uma pergunta. "A senhora ainda vai precisar de mim?"

A Folha indaga se a ex-presidente teme pegar avião, ser hostilizada. "Disso? O que eu posso fazer, não ir? Não fico traumatizada."

Alguma vez, nesta crise, chegou a chorar? "Não. [Mas] sou capaz de chorar assistindo a um filme". Ou quando se lembra dos amigos que perdeu para a tortura.

"Eu tenho muita dó dos que morreram, imensa. Porque é gente como eu, mas que morreu aos 30 anos. Me dá uma gastura enorme. Não gosto de pensar", lamenta.

Quase no fim da conversa, Dilma Rousseff pergunta: "Será que eles podem ler livros lá na prisão?".


A ex-presidente não diz o nome Lava Jato, mas claramente se refere aos detidos pela operação.

Artigo, A genética da corrupção, Zero Hora

Gilberto Schwartsmann: a genética da corrupção
Médico e professor

Aprendi com o professor Luiz Fernando Jobim, que sabe tudo sobre DNA, que o cromossoma Y é uma marca fiel da linhagem paterna. O meu Y é igual ao do meu pai, que é igual ao do meu avô e que é idêntico ao do meu filho.
Daí a história que contam do Y do Gengis Khan, que aparece em muitos homens que surgiram em seus domínios. Khan possuía centenas de concubinas, passando o seu Y para boa parte dos meninos que nasceram depois.
Volto depois ao Y. O leitor imagine agora uma cena de filme. Woody Allen, que adora misturar ficção e realidade (lembra "A Rosa Púrpura do Cairo"?) bota o juiz Sérgio Moro a auxiliar o detective belga Hercule Poirot, na busca do culpado pelo "Assassinato no Expresso Oriente".
No caso, o trem é uma metáfora do nosso querido Brasil. E, ao invés das personagens que nele viajam, os passageiros são políticos, empreiteiros e demais envolvidos na Lava-Jato e outros processos.
Como o corpo da vítima no Expresso Oriente apresenta múltiplas facadas, Poirot conclui que todos os passageiros são suspeitos. Ou seja, metaforicamente, todos sangraram o Brasil.
E quando chegam à estação turca, o desejo de Poirot é mandá-los, com os pés mergulhados em piche quente, para a Quinta Bolgia do Oitavo Círculo do Inferno de Dante, destino dos corruptos na Divina Comédia.
É aí que rouba a cena, outra vez, o cromossoma Y. Em nome da prudência, Poirot solicita que o professor Jobim entre também no filme e faça uma análise genética da bandidagem. E o professor examina o sangue dos corruptos vivos e o cabelo e ossos dos falecidos.
Conclui que todos têm o mesmo cromossoma Y. Isto mesmo. Como na história do Gengis Khan, os bandidos que saqueiam o Brasil, década após década, século após século, descendem todos do mesmo pai.
Que parece ter vindo de um destes países europeus ditos civilizados. Lá, ele se fazia de bonzinho na frente de reis e rainhas. Mas aqui, correndo nu, atrás de mulheres bonitas pelas florestas, tornou-se o Macunaíma de Mario de Andrade.

E assim, o anti-herói espalhou o seu cromossoma Y país afora, levando consigo a mensagem genética do jeitinho brasileiro de enganar as pessoas, que o cidadão honesto odeia. Em resumo: nossa sem-vergonhice está no DNA. Para curar, só com transplante. 

Desempenho da produção de bens de capital sugere retração dos investimentos no terceiro trimestre

Desempenho da produção de bens de capital sugere retração dos investimentos no terceiro trimestre
A produção industrial cresceu 0,5% na passagem de agosto para setembro, já descontada a sazonalidade, conforme divulgado hoje pela Pesquisa Industrial Mensal (PIM) do IBGE. O resultado veio em linha tanto com nossa projeção quanto com a expectativa do mercado, de acordo com coleta da Bloomberg, que apontavam um crescimento de 0,6% em setembro. Na comparação interanual, a produção recuou 4,8%, o que significou uma queda de 8,8% nos últimos doze meses.
Setorialmente, nove dos vinte e quatro setores pesquisados apresentaram crescimento em setembro, com destaque para produtos alimentícios, com variação de de 6,4%, indústrias extrativas, que mostrou expansão de 2,6%, e veículos automotores, reboques e carrocerias, que registrou aumento de 4,8%. Em contrapartida, houve forte recuo do setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, com queda de 8,1%.
Dentre as categorias de uso, a produção de bens de consumo duráveis avançou 1,9% em setembro. Também chama a atenção o crescimento da produção de bens intermediários, com expansão de 1,2% na leitura de setembro. Entretanto, é importante destacar que o crescimento registrado pelos dois setores não foi o bastante para compensar as perdas registradas na última leitura, de 6,4% e 3,6%, respectivamente.
A produção de bens de capital recuou 5,1%, marcando a terceira queda consecutiva para o setor. A despeito do que vinha sendo apontado pela confiança do empresariado industrial e do crescimento significativo das importações nos últimos meses, os contínuos resultados negativos da produção de bens de capital e de insumos típicos da construção civil deve levar a uma nova retração da formação bruta de capital fixo no terceiro trimestre.
A melhora da confiança nos últimos meses (apontada tanto pela FGV como pela CNI) deve manter o desempenho morno da atividade industrial no curto prazo.  Deste modo, esperamos alta da produção industrial em outubro, especialmente em função da retomada da produção automotiva. De qualquer modo, acreditamos que a produção industrial encerrará 2016 em queda, em parte refletindo a contração do início do ano e o carregamento estatístico dos fortes recuos do ano anterior.
Conheça também nosso site: economiaemdia.com.br
Octavio de Barros
Diretor de Pesquisas e Estudos Econômicos - BRADESCO 

Artigo, Denis Rosenfield, Zero Hora - Eleições gaúchas

Eleições gaúchas
Professor de Filosofia

Por: Denis Rosenfield
01/11/2016 - 05h01min | Atualizada em 01/11/2016 - 05h01min
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Os resultados das eleições no Rio Grande do Sul expressam um alto grau de renovação, consolidando, nas urnas, um generalizado anseio por mudanças. Porto Alegre, Santa Maria, Canoas e Caxias mostram outros protagonistas, destacando-se o PSDB como o grande vencedor, tendo a seu lado o PTB, estando o PT, o PMDB e o PDT dentre os perdedores.

Porto Alegre mostrou uma inusitada força do PDSB, com o seu candidato, Nelson Marchezan, encarnando a mudança. Soube colocar-se enquanto alternativa, não caindo nas armadilhas de seu adversário. Contou, ademais, com o apoio do PTB.

Sebastião Melo, do PMDB, erraticamente, procurou captar os votos da esquerda, criticando o próprio governo Temer, em uma clara demonstração de contradição partidária.

A chapa PMDB-PDT expunha, por sua vez, toda a sua incoerência, misturando os partidários do impeachment com os seus detratores. O prefeito Fortunati, além da desaprovação de sua gestão, foi um firme partidário da ex-presidente Dilma.

Comportamentos inconsequentes deste tipo pagam o seu preço. Os votos nulos, brancos e abstenções alcançaram, em nossa Capital, em torno de 44% dos votos, amalgamando os desencantados com a política e os desorientados do PT.

No primeiro turno, o PT foi clamorosamente derrotado, seu candidato, Raul Pont, não conseguindo passar para o segundo turno. Nem o petismo sem PT, o PSOL, com Luciana Genro, conseguiu vingar. Agora, no segundo, em Santa Maria, sua última esperança, foi o seu candidato, Valdeci Oliveira, derrotado pelo deputado Pozzobom, do PSDB. Os tucanos impuseram-se novamente.

Em Canoas, uma boa administração do prefeito Jairo Jorge, uma espécie de petista independente, não conseguiu tampouco se impor, com a sua candidata, Beth Colombo, atual vice-prefeita, sendo derrotada pelo deputado Busato, do PTB. O petismo light foi também tragado pelo onda antipetista.

Em Caxias, o atual prefeito, Alceu Barbosa, bem avaliado, não conseguiu fazer o seu sucessor, sendo o candidato do PDT, Edson Néspolo, derrotado pelo candidato Daniel Guerra, do PRB, ex-PSDB. Os trabalhistas foram, assim, vencidos.

Os anti-impeachment, PT e PDT, não conseguiram impor a sua narrativa. Onde compareceram foram, nas grandes cidades, derrotados. Quem com eles namorou, como o candidato do PMDB em Porto Alegre, sofreu o mesmo destino.

O desejo de renovação e de mudança terminou prevalecendo. O Rio Grande do Sul emerge com uma nova cara nestas eleições. Os diferentes partidos deverão repensar 2018.


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