Juliana e Zucco polarizam eleição marcada por elevado número de indecisos; desgaste do governo estadual é desafio para Gabriel
Carlos Eduardo Bellini Borenstein
Cientista político da Arko Advice
Email: carloseduardo@arkoadvice.com.br
A pesquisa divulgada hoje (30) pela Genial/Quaest no Rio Grande do Sul mostra um quadro de polarização inicial entre a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) e o deputado federal Luciano Zucco (PL). No cenário estimulado de primeiro turno, Juliana (24%) e Zucco (22%) concentram 46% das intenções de voto. O vice-governador Gabriel Souza (MDB) figura com 6% das preferências. O ex-prefeito de Guaíba Marcelo Maranata (PSDB) soma 3%.
Apesar desse cenário, é importante observar que o voto está pouco consolidado no Estado. Na menção espontânea, por exemplo, o percentual de indecisos atinge 83%. Ou seja, oito entre dez eleitores gaúchos não sabem afirmam espontaneamente em quem votariam para governador (a). Mesmo no cenário estimulado, com a apresentação das candidaturas, os indecisos são 31%, percentual superior às intenções de voto de Juliana ou Zucco.
Outro aspecto a ser observado – e que também indica uma intenção de voto ainda volátil – é que 62% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de candidato (a). Apenas 34% dizem que sua decisão de voto é definitiva.
Nas simulações de segundo turno, Juliana Brizola (35%) aparece numericamente à frente de Luciano Zucco (31%). No entanto, o quadro é de empate técnico em função da margem de erro da pesquisa – três pontos percentuais para mais ou para menos.
Nas demais simulações, Juliana vence Gabriel (35% a 20%). Zucco, por sua vez, também supera o vice-governador (32% a 20%). Nas três simulações, é elevado o percentual de eleitores que declara voto em branco/nulo ou está indeciso, variando de 34% a 48%.
No segundo turno mais provável hoje – Juliana x Zucco – joga a favor da candidata do PDT o fato dela ter mais intenção de voto que Zucco entre os eleitores independentes (35% a 16%). Juliana é a preferida entre os lulistas (68%) e a esquerda não lulista (68%). Zucco, por sua vez, concentra seu voto majoritariamente entre os bolsonaristas (66%) e a direita não bolsonarista (61%). Em relação à pesquisa de abril, Juliana ficou estável em 35%, enquanto Zucco cresceu quatro pontos (27% para 31%).
Nas simulações de segundo turno, também chama atenção as dificuldades de Gabriel Souza. Nem mesmo a posição estratégica de representar o centro, e potencialmente ter maiores possibilidades de atrair o voto de esquerda se enfrentar Zucco, ou de direita se tiver Juliana como adversária, ajudam o vice-governador.
É possível que isso tenha relação com o desgaste vivido pelo governo Eduardo Leite (PSD) após oito anos de gestão. Apesar da aprovação de Leite (48%) superar matematicamente a desaprovação (42%), a maioria dos gaúchos entende que o governador não merece fazer o sucessor (51%). Outros 38% acreditam que Leite deve eleger o próximo governador.
Esse desgaste pode ter relação com as enchentes, apontada por 34% dos entrevistados como o principal problema do Rio Grande do Sul. Na pesquisa Quaest de abril, a enchente era mencionada por apenas 18% como o maior problema do Estado.
Apesar dos obstáculos, Gabriel Souza é um candidato ainda muito desconhecido (73%) quando comparado a Juliana Brizola (34%) e Luciano Zucco (55%). A rejeição de Gabriel (15%) também é menor que a de seus principais adversários: Juliana (33%) e Zucco (2%).
O fato de Gabriel ser mais desconhecido e ter menor rejeição indica um potencial de crescimento. No entanto, existe o desgaste do governo Leite após oito anos, o que pode impor barreiras ao vice-governador.
Juliana e Zucco têm desafios de outra ordem. Juliana necessita atrair parte do centro. Não por acaso, a candidata do PDT tem adotado uma campanha que explora questões relacionadas ao tradicionalismo gaúcho, buscando amenizar o impacto do antipetismo. No entanto, até mesmo nas simulações de primeiro e segundo turnos, sua intenção de voto é similar ao teto da esquerda, que varia de 30% a 35%. Zucco, por sua vez, tem buscado falar para além do bolsonarismo, focando sua campanha na construção de uma agenda para o Rio Grande do Sul. Assim como Juliana, a preferência por Zucco está concentrada no teto da direita, que também varia de 30% a 35%.
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