Artigo – A máfia da toga

Por Gastão Ponsi, advogado - Site Espaço Vital 

A toga transformou-se no manto mais lucrativo do mercado corporativo brasileiro. Desde muito antes de a então corregedora do CNJ, Eliana Calmon, ter cunhado a expressão "bandidos de toga", a corrupção já grassava.

Não se sabe se a bandidagem ingressou no Judiciário, ou se integrantes viraram bandidos. O fato é que a Justiça está infestada. 

Por baixo do veludo, o Judiciário opera um balcão de negócios perfeitamente calibrado: do juiz da comarca ao ministro da corte, a tabela aceita de tudo. 

De caixa de uísque e viagem de jatinho a cotas de imóveis e repasses milionários de "consultoria" no escritório  da esposa ministro; de pagamento pelo “Master” a escritório de filhos de ministros...

Não há dinheiro que chegue pra essa gente. 

O ecossistema é autossuficiente. 

O advogado vende o acesso, o promotor finge que não vê, e o magistrado entrega o acórdão encomendado sob o verniz da "livre convicção". 

Chega a ser plausível imaginar, em meio a essa feira livre, o réu acusado de um desses crimes que assolam o país olhar nos olhos de quem preside a audiência e chamá-lo sem pudor de "colega"... Não por ser membro do Poder, mas por evidente afinidade profissional na gatunagem. 

Enquanto isso, o verdadeiro escárnio permanece na blindagem legal do processo. Criou-se a aberração de exigir que a polícia peça licença ao tribunal para investigar o próprio juiz suspeito. 

Descobriu o crime? 

Pare tudo, entregue as provas aos colegas do investigado e reze para que não decretem o sigilo das investigações, ou a anulação de todo o expediente por "usurpação de competência". 

Mesmo que o CNJ e o STF tenham finalmente sepultado a aposentadoria compulsória - para passar a prever a perda do cargo - a estrutura corporativa continua firme. 

Sem que a autoridade policial tenha plena autonomia para investigar do topo à base sem pedir bênção a magistrados, o combate à corrupção na toga continuará sendo uma exceção negociada, e não a regra.

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