Segundo reportagem do site do jornalista Claudio Dantas, a polêmica ganhou força quando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou uma captura de tela de uma suposta mensagem em que Ana Elisa defendia que Lula fechasse igrejas. A deputada contestou a autenticidade da imagem. Entretanto, registros arquivados de outras publicações atribuídas a ela mostram declarações semelhantes. Em fevereiro e abril de 2023, por exemplo, mensagens ironizavam a ausência de medidas contra igrejas e faziam referência ao chamado “kit gay”. Em maio de 2026, já adulta, ela voltou ao tema ao defender o fim da isenção tributária das igrejas evangélicas.
O histórico também inclui manifestações contundentes sobre adversários políticos e temas socialmente sensíveis. Em março de 2025, Ana Elisa sugeriu que apoiadores de Jair Bolsonaro fossem acusados de tentativa de golpe. Em junho de 2024, ao comentar a tramitação do projeto de lei que pretendia equiparar ao homicídio o aborto realizado após a 22ª semana de gestação, publicou uma mensagem em defesa do aborto legal, com linguagem agressiva contra a bancada evangélica. As declarações, recuperadas em meio à sua entrada na campanha presidencial, ampliaram a exposição de posições que podem dificultar a aproximação do PT com segmentos do eleitorado religioso e conservador.
A mudança de discurso sobre o Supremo Tribunal Federal também entrou na discussão. Em setembro de 2026, a deputada afirmou que a esquerda não deveria defender Alexandre de Moraes nem minimizar erros e excessos do STF. Em julho de 2025, por outro lado, havia manifestado solidariedade ao ministro após o anúncio de sanções com base na Lei Magnitsky. A diferença entre as manifestações passou a alimentar questionamentos sobre a coerência de suas posições públicas.
Outro episódio envolve uma ameaça que Ana Elisa afirmou ter recebido por e-mail em setembro. A mensagem, segundo o relato divulgado pela então candidata, continha ameaças de estupro e morte atribuídas a um suposto supremacista branco. Ela publicou o conteúdo da carta e uma nota assinada por sua advogada. De acordo com a reportagem de Claudio Dantas, os dois documentos foram submetidos à ferramenta Pangram, que apontou alta probabilidade de geração por inteligência artificial: 100% para a carta e 94% para a nota jurídica. Esses resultados, contudo, não comprovam isoladamente a autoria artificial dos textos, e a conclusão depende de verificação independente.
A crise ganhou um novo capítulo pouco antes das 22h de quinta-feira (8), quando Ana Elisa desativou seu perfil no X, onde reunia cerca de 142 mil seguidores. Sua conta no Instagram, que acumulava aproximadamente 3,2 milhões de seguidores, permanecia ativa até a publicação da reportagem, assim como o vídeo em que contestava a captura de tela divulgada por Nikolas Ferreira.
A repercussão coloca a equipe digital de Lula diante de um
desafio político: transformar alcance nas redes em apoio eleitoral sem ampliar
controvérsias capazes de afastar parcelas do eleitorado. A convocação de uma
parlamentar jovem, com grande audiência digital, poderia representar uma aposta
na mobilização de novos públicos. A recuperação de publicações antigas, porém,
tornou a iniciativa um potencial foco de desgaste justamente em uma etapa
decisiva da disputa.

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