A toga transformou-se no manto mais lucrativo do mercado
corporativo brasileiro. Desde muito antes de a então corregedora do CNJ, Eliana
Calmon, ter cunhado a expressão "bandidos de toga", a corrupção já
grassava.
Não se sabe se a bandidagem ingressou no Judiciário, ou se integrantes viraram bandidos. O fato é que a Justiça está infestada.
Por baixo do veludo, o Judiciário opera um balcão de negócios perfeitamente calibrado: do juiz da comarca ao ministro da corte, a tabela aceita de tudo.
De caixa de uísque e viagem de jatinho a cotas de imóveis e
repasses milionários de "consultoria" no escritório da esposa
ministro; de pagamento pelo “Master” a escritório de filhos de ministros...
Não há dinheiro que chegue pra essa gente.
O ecossistema é autossuficiente.
O advogado vende o acesso, o promotor finge que não vê, e o magistrado entrega o acórdão encomendado sob o verniz da "livre convicção".
Chega a ser plausível imaginar, em meio a essa feira livre, o réu acusado de um desses crimes que assolam o país olhar nos olhos de quem preside a audiência e chamá-lo sem pudor de "colega"... Não por ser membro do Poder, mas por evidente afinidade profissional na gatunagem.
Enquanto isso, o verdadeiro escárnio permanece na blindagem legal do processo. Criou-se a aberração de exigir que a polícia peça licença ao tribunal para investigar o próprio juiz suspeito.
Descobriu o crime?
Pare tudo, entregue as provas aos colegas do investigado e reze para que não decretem o sigilo das investigações, ou a anulação de todo o expediente por "usurpação de competência".
Mesmo que o CNJ e o STF tenham finalmente sepultado a aposentadoria compulsória - para passar a prever a perda do cargo - a estrutura corporativa continua firme.
Sem que a autoridade policial tenha plena autonomia para investigar do topo à base sem pedir bênção a magistrados, o combate à corrupção na toga continuará sendo uma exceção negociada, e não a regra.
